quarta-feira, outubro 31, 2007

JOGANDO NO CAMPO DO GOVERNO

A discussão sobre a prorrogação da CPMF no Senado seria uma ótima oportunidade para que a sociedade manifestasse, de forma contundente, a sua contrariedade em relação à opressão tributária a que está submetida.Infelizmente, a discussão do tema no Congresso parece ser do interesse de meia dúzia de iluminados e o tema , que afeta diretamente toda a sociedade, parece empolgar menos do que a escolha do Brasil como sede da Copa do mundo no distante 2014.



O MANTO DA IMPUNIDADE

A Mesa Diretora do Senado decidiu que o senador tucano Eduardo Azeredo não pode ser julgado no Conselho de Ética, sob o argumento de que a prática pela qual havia sido representado pelo PSOL -utilização de caixa dois na campanha eleitoral de 1998 - havia ocorrido antes de assumir o mandato como senador.Era de se esperar que assim acontecesse.

No auge da crise do valerioduto - mensalão, quando ficou evidente o comprometimento da cúpula petista e do alto escalão do governo Lula com práticas pouco dignificantes, e quando tudo indicava que a crise poderia bater na porta do presidente Lula, descobriu-se que um esquema semelhante protagonizado pelo mesmo Marcos Valério já havia sido praticado em Minas por ocasião das eleições para o governo do Estado em 1998, que beneficiava o candidato à reeleição, governador Eduardo Azeredo , do PSDB. Foi o que bastou para que a cúpula tucana , até então contundente no ataque ao governo petista,se recolhesse, arrefecesse os ânimos e permitisse que Lula fosse poupado.Agora, o PT, empenhado na prorrogação da CPMF, retribui com um favor a complacência demonstrada pelos tucanos naquela ocasião, e poupa o senador Mineiro de um processo de cassação.

Era de se esperar que isto acontecesse, não somente para se criar um clima propício para a aprovação da CPMF no Senado, mas também porque existe um acordo tácito entre os partidos brasileiros visando cobrir com o manto da impunidade suas principais figuras apanhadas em alguma travessura. Eduardo Azeredo é uma destas figuras. Foi governador de Minas, presidente do seu partido, e é considerada uma das figuras da elite política..No Brasil, criou-se entre os políticos a cultura de que o pecado de alguns é perdoado pelo pecado de outros.

Tem sido assim sempre. As práticas antiéticas da política brasileira são comuns a todos os partidos e a todos os escalões de nossa vida pública. Partidos e políticos que há pouco tempo se mostravam como guardiões da ética , da moral e dos bons costumes , agora se apresentam se mostraram tão especializados em práticas delituosas quanto os partidos e políticos que eles combatiam. Talvez por isto não cause tanto espanto o espírito de corpo e a cumplicidade com que uns tratam as mazelas dos outros. Afinal são todos pecadores. Não se deve, portanto, esperar que o senador Eduardo Azeredo e todos os figurões envolvidos no escândalo do valerioduto mineiro -entre eles se destaca Mares Guia, atual Ministro das Relações |Institucionais do governo Lula - sejam punidos.


A passividade e a alienação política da sociedade são as maiores responsáveis pela impunidade no mundo político. É sintomático que quando a sociedade se manifesta, mesmo que de forma tímida, o seu repúdio ao comportamento antiético de muitos políticos eles de alguma forma agem no sentido de dar uma satisfação à sociedade. Foi o que aconteceu no caso de Renan Calheiros, que teve grande repercussão na mídia e causou protestos em parcelas da sociedade.Mas foi uma exceção. Na maioria dos casos , os escândalos se sucedem e a sociedade permanece muda o que dá ensejo para que tais práticas se renovem indefinidamente.

JOGANDO NO CAMPO DO GOVERNO
Mais uma vez, o Congresso tem uma grande oportunidade de caminhar no mesmo sentido da sociedade. Mas tudo indica que mais uma vez vai caminhar na direção contrária.O governo insiste na manutenção da CPMF, argumenta que sem ela o país ficará ingovernável, não dá um passo sequer na direção da reforma tributária, e, mais ainda, não faz o dever de casa no sentido de uma rigorosa redução de gastos na máquina pública.

O PSDB,principal partido de oposição, mas de olho na possibilidade de ser poder a partir de 2011, faz um discurso crítico em relação à prorrogação do tributo, mas trabalha no sentido de compor com o governo petista um acordo que atenda os interesses de ambos.Neste sentido, os tucanos reivindicam algumas alterações no texto original, que está sob exame no Senado. Qurem reduzir a alíquota do tributo, destinar uma parcela maior para o setor da Saúde, e repartir o que for arrecadado entre os estados.

Na verdade, os tucanos dão uma no cravo e outra na ferradura. Ao mesmo tempo em que tendem convencer o público em geral de que são contrários ao tributo e ao aumento da carga tributária, trabalham com o governo pela sua manutenção, porque acreditam, assim como o PT, de que é impossível governar sem ele.

O DEM, outro partido de oposição, tenta compatibilizar o seu discurso com a prática. Apresentando-se como radicalmente contrário à prorrogação do tributo , fechou questão e não está disposto a negociar com o governo. Pelo menos a sua postura traduz o sentimento da maioria da sociedade que não suporta uma carga de impostos tão pesada agravada pela total ausência da contrapartida governamental em serviços de qualidade. Pelo contrário, assiste o suceder de notícias que dão conta do descontrole, do desperdício e da malversação dos recursos arrecadados.

O governo petista, como sempre faz, não dá ouvidos para as críticas que lhe são dirigidas e insiste em dizer que o peso da carga tributária condiz com o tamanho da máquina governamental , e esta condiz com as necessidades do país, e que assim deve ser para que o governo promova as reforma sociais. Pura balela.

A discussão sobre a prorrogação da CPMF no Senado seria uma ótima oportunidade para que a sociedade manifestasse, de forma contundente, a sua contrariedade em relação à opressão tributária a que está submetida.Infelizmente, a discussão do tema no Congresso parece ser do interesse de meia dúzia de iluminados e o tema , que afeta diretamente toda a sociedade, parece empolgar menos do que a escolha do Brasil como sede da Copa do mundo no distante 2014..

O governo não terá, pois, dificuldades para aprovar a permanência do imposto. As alterações propostas pela oposição certamente não mudarão a sua essência. Mais uma vez, a velha troca de favores, a oferta de cargos e de vantagens prevalecerão sobre a discussão de principios e de idéias.No campo de fisiologismo, o governo é especialista.A batalha travada no Senado se dá neste campo. A vitória do governo, portanto, é certa.
311007

3 comentários:

xp disse...

Pão e circo. Bolsa família e copa !!!

ladrões do nosso suor disse...

Lula não tem vergonha de tentar subornar os senadores, oferecendo essa miséria para aprovar o CPMF? Não sabe que eles ganham muito mais (por fora, sem pagar CPMF?). Pior é que, assim como temos presidente despreparado, temos senadores que se vendem. Não precisamos de coisa tão maquiavélica como o CPMF para o Brasil ter tudo do melhor em tudo. Basta administrar "um pouquinho" os 37% do PIB que arrecadam, basta dilapidar menos essa incalculável quantia, nem precisa ser um ótimo administrador. Basta não dilapidar como estão fazendo.Será que é verdade, essa tentativa de suborno dos subornáveis (perdão, quiz dizer senadores), sem citar nada sobre não dilapidar e administrar um pouco melhor? É pedir demais?

Anônimo disse...

http://veja.abril.uol.com.br/blogs/reinaldo/ -
A Mídia do Contragolpe -
E a Al Qaeda eletrônica prossegue com a sua Pirâmide da Impostura contra a VEJA, o Diogo, o Reinaldo, a “mídia golpista”... Hoje, até o momento em que escrevo este texto, recebi 1.365 comentários. Uns, sei lá, 40% vêm da terra dos mortos. Uns 10%, talvez, não puderam ser publicados porque, mesmo dizendo as coisas certas, os leitores exageram na impaciência. Compreendo, mas volto a recomendar moderação. “Mídia golpista”? Não: somos é a frente avançada — e avançada mesmo, porque estamos na liderança (e notem que não escrevi “vanguarda”, já explico por quê) — da “mídia do contragolpe”. É isto: de hoje em diante, leitores, nós somos a liderança do contragolpe.

Golpista é querer fazer do roubo uma ideologia.
Golpista é sustentar que as urnas dão ao vitorioso o direito de esbulhar as leis.
Golpista é usar a democracia para solapar a democracia.
Golpista é propor arranjos de cúpula em que os malandros se protegem contra os interesses do país e o espírito das leis.
Golpista é defender a Constituição com a mão direita e tentar fraudá-la com a mão esquerda.
Golpista é tentar fazer com que definições particulares de justiça corroam o estado de direito.
Golpista é aparelhar o estado.
Golpista é promover “eugenia ideológica” em órgãos públicos.
Golpista é separar o joio do trigo e escolher o joio.
Golpista é defender tiranias e ditaduras.

Somos a mídia do contragolpe.
Da Constituição democrática.
Dos métodos democráticos de mudar uma constituição democrática.
Da liberdade de expressão.
Do direito à plena informação.
Da verdade que não se deixa velar pela fantasia ideológica.
Do triunfo do fato sobre a empulhação da suposta redenção dos oprimidos.
Da sociedade dos homens livres, não-subordinados a corporações de ofício.
Das liberdades individuais.
Da livre empresa.
Do estado em minúscula.
Do Indivíduo em maiúscula.

E, por isso, estamos na liderança. Na revista. No blog. No colunismo. E falei “liderança”, não falei “vanguarda”. Porque a “vanguarda” vai muito adiante dos seus, com quem não dialoga. E o jornalismo de VEJA, o blog, os colunistas falam a uma massa imensa de leitores. Leitores que comungam de seus mesmos princípios. Leitores em número sempre crescente.

Há um esforço enorme de intimidação. Tocadores de saxofone do petralhismo, que ainda serão promovidos a tocadores de tuba, abusam da ignorância da claque, mantendo-a na trevas da ignorância. São herdeiros de um tempo em que a informação só chegava a um grande número de pessoas depois de filtrada pelo “establishment” esquerdopata. Esse tempo acabou. Estamos diante dos estertores das baleias encalhadas. Morrerão na praia da impostura. São pesadas e estúpidas demais para dar meia-volta.

Querem acuar a “mídia do contragolpe”. Usam para tanto, a desqualificação, o boato, a mentira, os aparelhos de representação corporativa no qual se aboletam, faceiros, sugando os recursos de um país pobre em benefício de benesses disfarçadas de ideologia. Mas não acuam ninguém.

Somos a mídia do contragolpe. Não há nisso vocação missionária porque “missionários” são eles; sectários são eles; heréticos são eles. Continuaremos na liderança porque acreditamos, de fato, que a verdade liberta o homem da ignorância e do atraso e o protege das tiranias.

E sei bem: para “eles”, nada pode ser mais irritante. Que isso valha por um pequeno manifesto. Multipliquem este texto. Eles que se calem. Porque, é claro, nós falamos. Em defesa da democracia e do estado de direito. Por Reinaldo Azevedo - http://veja.abril.uol.com.br/blogs/reinaldo/