quarta-feira, outubro 24, 2007

AS TAREFAS URGENTES DO SENADO

Os senadores têm duas tarefas intrincadas para resolver: a primeira é a votação da prorrogação da CPMF, que o governo quer aprovar, mas a maioria da sociedade rejeita; a segunda é dar um destino a Renan Calheiros, cuja cassação a maioria da sociedade quer, mas alguns ainda rejeitam.


Os principais líderes do Senado:sobre eles ainda paira o fantasma de Renan.
AS TAREFAS URGENTES DO SENADO

O afastamento de Renan da presidência do Senado, sob pressão do governo, criou um aparente clima de paz , mas não resolveu a questão. Renan continua senador, e carrega nas costas o peso de quatro representações no Conselho de Ética. Tentando aliviar o clima e negociando nos bastidores a sua absolvição, Renan se licenciou por alguns dias de suas funções como senador.Mesmo afastado da presidência , a sua presença em plenário durante o processo de votação da CPMF causaria constrangimentos, voltaria a acirrar os ânimos, e seria prejudicial aos interesses do governo. A sua licença foi, portanto, providencial.

Na primeira semana após o seu afastamento, o Senado, sob a presidência do petista Tião Viana, respirou um clima de alívio e pode fazer o que há muito não fazia , ou seja, trabalhar.Após meses exibindo cenas de atentado explícito ao decoro, os senadores parecem ter tomado juízo e procuraram demonstrar que , quando querem, é possível cumprir as suas obrigações constitucionais.

Mas os senadores têm duas tarefas intrincadas para resolver: a primeira é a votação da prorrogação da CPMF, que o governo quer aprovar, mas a maioria da sociedade rejeita; a segunda é dar um destino a Renan Calheiros, cuja cassação a maioria da sociedade quer, mas alguns ainda rejeitam.

Na questão relativa à CPMF, a oposição se dividiu. O PSDB, por interesse dos governadores tucanos e por uma velha e conhecida tendência a ser transigente quando não deve ser, tenta negociar com o governo uma gradativa redução da alíquota, a desoneração tributária e a redistribuição dos recursos entre os estados. O DEM, mostrando mais coerência entre o que prega e o que pratica, tomou uma posição mais radical: não quer a prorrogação do imposto , e fechou questão neste sentido.

Na questão relativa a Renan Calheiros, é visível o constrangimento geral.Os senadores têm a faca e o queijo nas mãos mas não sabem o que fazer com eles. O presidente licenciado parece estar convencido de que agora é impossível o seu retorno â cadeira presidencial. Tenta , então, negociar a sua absolvição nos processos que estão sub judice e manter o seu mandato. Para isto conta com a cumplicidade dos três relatores – o relator do quarto processo ainda não foi escolhido – que, sob o argumento de que faltam provas para a sua condenação, estão colocando a pizza no forno.

O Senado, portanto, se coloca diante de um dilema: se absolver Renan, ficará difícil explicar ao público em geral a razão do seu afastamento da presidência. O que reforçará a tese de seus defensores de que tudo não passou de um golpe para tirá-lo do poder. Por outro lado, a sua condenação definitiva gera outra espécie de temor em muitos senadores : o de que Renan, perdido por mil, poderá finalmente concretizar a promessa, tantas vezes insinuada, de trazer a público muito do que ele sabe sob a vida pública , privada e íntima de grande parte dos seus colegas. E não são, com certeza, fatos abonadores para grande parte deles.

O Senado está, portanto, diante da obrigação moral de dar prosseguimento à tarefa que iniciou.Não pode perder o fôlego. Caso contrário, as raras semanas em que os senadores trabalharam cairá no vazio e o Senado voltará à sua rotina de muita intriga e pouca produtividade.
241007

9 comentários:

Elton disse...

Fernando, o q mais me chama a atenção é q, com toda essa celeuma, criou-se uma situação inusitada: Além do trancamento da pauta normal, em função das medidas provisórias, agora temos um engarrafamento da pauta plenária, em razão do número de processos contra o presidente licenciado.
Realmente, com esse congresso, não paramos de ter novidades, nem todas motivo de orgulho parlamentar, infelizmente.

mar em movimento disse...

A cada dia somos surpreendidos com novos escândalos, que envolvem membros do executivo, legislativo ou judiciário.
O mais triste é ver o cinismo, mau- caratismo, a desfaçatez dos mal-feitores, e a sua legião de defensores. A impunidade é a regra, ninguém mais acredita que alguém vai pagar pelos erros que cometeu. Agora mesmo, estamos assistindo conformados o desenrolar do processo que envolve o senador Renan Calheiros, e os fornos ligados para produzir uma grande pizza.
Abs. Mar em Movimento

Rosena disse...

Fernando /Esta foto montagem aí acima...Se gritar PEGA LADRÃO!! não fica um meu irmão...

Anônimo disse...

O presidente já têm a saída de Renan como consumada. Em um encontro mais ou menos intimo com alguns lideres governistas, lula chegou a usar expressões nada elogiosas ao recente aliado e profetizou:

Renan acabou!

Renata Cunha disse...

Olá Fernando,
Estou fazendo meu trabalho de conclusão de curso sobre Jornalismo Participativo e analiso o site BrasilWiki, para o qual você colabora.

Poderia me ajudar com meu trabalho, respondendo algumas perguntas por e-mail? Em caso afirmativo, peço que entre em contato comigo pelo e-mail renatacunha83@gmail.com

Um abraço!

Marlon disse...

Este senado está afundado na lama até o pescoço. Não tem moral para mais nada.Deveria ser explodido com todos lá dentro.Lula e os petralhas estão jogando tudo no lixo: ética , moralidade. civismo e democracia. O nosso apedeuta tem vocação para CHavez, mas nõa é competyente como o venezuelano. Ai de nós. Ai do Brasil.

Rebeca disse...

Olá Fernando,
O senado deve à sociedade brasileira uma nova postura diante de tantos casos de corrupção.
Então, considero que seria importante que Renan fosse cassado mesmo. Talvez.....talvez começaríamos a pensar que existe uma luz no fim do túnel para o Brasil e principalmente para nós sociedade.

Anônimo disse...

O padre PTralha precisa parar de misturar as suas lambanças da vida privada (viadagem) com a sua militância política. Por conta de seu “amor imprudente”, uma parte do efetivo policial de São Paulo está hoje mobilizado em sua proteção. De maneira vexaminosa, ele tenta misturar a militância ideológica com a sua vida privada para, claro, dizer-se “perseguido”. Em parte, dá resultado. Ele está sendo protegido por boa parte do jornalismo.

Anônimo disse...

EX-INTERNO AFIRMA QUE FAZIA SEXO COM PADRE PTRALHA.
Folha de S.Paulo em 28/10/2007 - 10h15 - KLEBER TOMAZ - ROGÉRIO PAGNAN - Colaborou VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO ->
ESTE CASO É O RETRATO DOS PTRALHAS CRIMINOSOS E ALOPRADOS– ENGANAM A TODOS FALANDO NO SOCIAL, MAS VIVEM PRATICANDO CRIMES – É NA VERDADE UMA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. – COM GRANDE PROTEÇÃO NA IMPRENSA E NAS INSTITUICOES REPUBLICANAS. O ex-interno da Febem Anderson Marcos Batista, 25, acusado de extorsão pelo padre Júlio Lancelotti, 58, disse à polícia que manteve um relacionamento homossexual com o religioso por cerca de oito anos em troca de dinheiro e negou ter praticado extorsão.
"Era tudo presente", disse o advogado de Batista, Nelson Bernardo da Costa, 49, que deu detalhes do depoimento. A reportagem não teve acesso aos documentos, mas a polícia confirmou que as declarações do ex-interno foram nessa linha. Procurado ontem, padre Júlio não quis comentar o assunto. O advogado do Padre viado é o ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh. Costa disse que a quantia repassada pelo padre a seu cliente foi de R$ 600 mil a R$ 700 mil em oito anos. Com esse dinheiro, segundo o advogado, o ex-interno comprou carros de luxo e uma casa. O delegado André Luiz Pimentel disse que todos os detalhes narrados serão investigados, inclusive com o pedido de quebra do sigilo de uma conta bancária citada por Batista e atribuída a Lancelotti. Batista, segundo o advogado, não tem provas documentais do suposto relacionamento sexual com o padre, mas teria descrito detalhes do corpo do religioso que poderiam ser comprovados. De acordo com Costa, seu cliente disse que as relações sexuais passaram de um abuso, durante a adolescência, para um consentimento, no início da fase adulta. Por essa versão, Lancelotti teria ficado com ciúmes do casamento do ex-interno, há cerca de um ano. "[Batista] Tinha uma amizade que se tornou um relacionamento sexual [com o padre]. Ele [o ex-interno] disse que aos 16, 17 anos foi abusado sexualmente pelo padre. Ele disse isso taxativamente", relatou Costa. Ainda segundo o advogado, Batista declarou que as relações ocorriam após as missas celebradas pelo padre Júlio. "Ele afirmou que, muitas vezes, [mantinha relações] nos fundos da igreja, num quartinho. Ele até citou os móveis que lá existem", disse ele. Segundo Costa, seu cliente relatou ter conhecimento de que o padre tinha relações sexuais com outros adolescentes, também da antiga Febem. O advogado afirmou que o dinheiro que Batista recebia do padre era "de bom grado". "No começo, ele [padre] fornecia roupas, algumas coisas", disse Costa. O ex-interno, segundo seu advogado, disse no depoimento não saber informar de onde vinha o dinheiro que recebia do religioso - que ganha cerca de R$ 3.000 por mês. Costa afirmou que, em 2001, teve os honorários (no valor de R$ 6.000) pagos pelo padre Júlio para defender Anderson em um processo por homicídio - ainda em andamento.