terça-feira, setembro 04, 2007

A ELITE QUE LULA PREFERE

Infelizmente, a nossa cultura política está contaminada por um forte viés ideológico segundo o qual os pobres são pobres porque os ricos são ricos.Tal sofisma serve como uma luva aos propósitos de muitos governos e partidos políticos, e se encaixa com perfeição na atual administração lulo -petista. É mais cômodo acusar os ricos ou os supostamente ricos – a classe média brasileira - pela pobreza da maioria do povo do que assumir responsabilidades e reconhecer as próprias culpas. Na Venezuela , Chávez vem fazendo isto com perfeição, a ponto de dividir a sociedade daquele país ao meio.



FOTO:Lula quer fazer crer que protestos contra o seu governo são tentativas de golpe da "elite".Mas o seu governo anda de braços dados com a pior parcela da elite...

A ELITE QUE LULA PREFERE
O movimento “Cansei”descansou muito cedo.Nascido da necessidade de setores médios da sociedade manifestarem o seu descontentamento com o caos político, moral e social do país, o movimento pecou por três motivos fundamentais:ficou restrito a poucos setores da classe média alta; não foi capaz de, ampliando o seu leque, mostrar uma real preocupação com as vicissitudes que afetam a maioria da população brasileira; e preferiu tomar um rumo “apartidário” e “despolitizado”, sem ferir o principal responsável, o governo de Lula da Silva. Assim, o movimento não se ampliou, não conquistou adeptos e morreu de inanição sem conseguir ser o que pretendia, isto é ,o embrião de um grande movimento cívico nacional contra as mazelas que prejudicam o nosso país a partir de Brasília.Quem ganhou com isto foi Lula, que mais uma vez pode reforçar o seu velho discurso contra as “elites”.

Para Lula e os petistas o fracasso do “Cansei”se deveu ao fato de ser uma movimento elitista contra um governo reconhecidamente popular. Simples assim.Em um de seus recentes discursos , o presidente se deu ao luxo de ironizar as recentes manifestações contra o seu governo, ao dizer que ninguém mais do que ele é capaz de “botar o povo nas ruas”. E neste ponto ele não está, de todo, errado. Sem contar a clientela cativa do Bolsa Família, Lula tem onde buscar gente disposta a agitar bandeiras em apoio ao seu governo. As organizações sociais que se dizem representantes da classe trabalhadora e dos “excluídos” em geral, proliferam em grande parte graças a recursos financeiros do PT e do governo federal. São constituídas por uma massa de manobra acrítica e sectária, pronta a repetir palavras de ordem e o velho discurso lulo-petista de que o Brasil é o que é por culpa de uma elite egoísta, insensível e perversa. Nada menos do que isto.

Infelizmente, a nossa cultura política está contaminada por um forte viés ideológico segundo o qual os pobres são pobres porque os ricos são ricos.Tal sofisma serve como uma luva aos propósitos de muitos governos e partidos políticos, e se encaixa com perfeição na atual administração lulo -petista. É mais cômodo acusar os ricos ou os supostamente ricos – a classe média brasileira - pela pobreza da maioria do povo do que assumir responsabilidades e reconhecer as próprias culpas. Na Venezuela , Chávez vem fazendo isto com perfeição, a ponto de dividir a sociedade daquele país ao meio.

Porém, a bem da verdade, é preciso que se diga que os pobres são pobres não porque os ricos gastam o seu dinheiro na compra de iates, mansões ou carrões, mas porque 40% do PIB, que o governo retira compulsoriamente da sociedade, através de impostos, taxas e contribuições diversas, são desviados impunemente nos caminhos do desperdício, da corrupção e da incompetência governamental. É preciso que se diga que os pobres são pobres porque não têm escola, serviços de saúde, justiça, segurança e transporte de qualidade. O movimento“Cansei” não teve a competência de mostrar isto ao resto da sociedade.Por isto se isolou, não conseguiu o apoio da classe média- o que daria consistência ao movimento – e acabou sendo alvo de chacotas e da ironia do governo e das esquerdas em geral.

Portanto, atirar contra as elites de uma maneira generalizada, culpando-a pela podridão política social e moral , como faz a esquerda, é persistir no velho maniqueísmo “nós somos progressistas, vocês são conservadores”.Na verdade,não existe uma elite homogênea, como querem as esquerdas. Existem várias elites que têm interesses, práticas, campos de atuação e ideologias que se distinguem.Assim sendo, em vez de demonizar as elites como um todo,é necessário que se separe o joio do trigo. Para começar, existe uma elite política e estatal. Aquela que se encastelou no poder e nos cargos mais altos da administração pública e das estatais, onde, tal como parasitas, se alimentam fartamente dos recursos tomados de toda a sociedade. Esta elite não é alvo dos ataques dos dirigentes petistas pelo óbvio motivo de que eles fazem parte dela. Por outro lado, existe, sim, uma elite empresarial ligada ao setor privado, que investe, arrisca, compete, produz , gera empregos, paga impostos e contribui para o crescimento É esta parcela da elite que o lulo-petismo parece não apreciar. Existe ainda uma outra parcela da elite financeira que prefere os investimentos especulativos, tem horror à competição, nada produz, sonega impostos e se socorre dos recursos públicos.

Ao adotar uma política econômica que privilegia o capital especulativo em detrimento do produtivo, fazendo a alegria dos banqueiros; ao abrir a banca do Estado para financiar empresários e latifundiários inadimplentes e sonegadores; ao usar os préstimos de empresários como Marcos Valério e Duda Mendonça para o seus propósitos de se perpetuar no poder, o governo petista revela qual o lado da elite ele prefere.E para quem duvida, transcrevo literalmente trecho de um recente discurso de Lula ,em Mato Grosso: “Os que estão vaiando são os que mais deveriam estar aplaudindo. Foram os que ganharam muito dinheiro no meu governo. É só ver quanto ganharam os banqueiros, os empresários. Não conheço um deles que tem uma biografia que lhe permita sequer falar em democracia nesse país. E eu conheço muitos deles.”. Realmente, eles se conhecem muito bem.
040907

8 comentários:

lael disse...

O pretenso "Pai dos pobres", mas que é, na verdade, a "Mãe dos ricos", está inconformado com a ingratidão dos seus bem nutridos filhotinhos que, além de encherem o Maracanã para vaiá-lo, ainda ousaram fazê-lo também - vejam só! - no Nordeste.

Esta conversa de elite não pega mais . Só engana os trouxas que pensam que vão viver etrnamente desta esmolinha governamental.O que dá dignidade é emprego. este governo está aumentando o desemprego.
Chega desta corja!!!

Rebeca disse...

Bom artigo, boa análise Fernando.
Se realmente houvesse a aplicação justa, correta dos altos impostos pagos pela classe média, pois, a elite rica tem como desviar do fisco (veja Renan Calheiros e outros), certamente as diferenças sociais seriam bem menores. Por sua vez, as classes mais pobres também não conseguem reagir e exigir uma ação do governo Lula. Vimos o caos dos hospitais do nordeste (Lula teve votação expressiva lá). A elite que gera empregos sofre com as altas taxas trabalhistas; sofre com a oscilação do mercado financeiro.....E cria este ciclo vicioso: povo sofrido mal governo corrupçãopolíticos ricosculpa da elitee assim vai. Alguém vê uma luz no fim do túnel?

nidia disse...

Olá Fernando
Infelizmente é como prevíamos. O movimento "cansei" nasceu sem a estrutura necessária pra sobreviver. Como estamos com os nervos à flor da pele de tanta indignação, falta muito pouco (a gota d'água) para que toda a nossa revolta transborde. O movimento nasceu de uma comoção geral frente a mais um episódio de negligência, descaso, displicência das autoridades incompetentes. Mas como foi passional, não poderia durar mesmo. Mas, somado a outras manifestações, de grupos, e outras isoladas, esta se colhendo frutos, eu acredito. Acho que o episódio Renan está se estendendo por pressão de segmentos da sociedade. São muitas pessoas pressionando, seja por e-mails, seja a mídia. Hoje eu acredito que esse trabalho que estamos fazendo está surtindo efeito. E acho que devemos intensifica-lo. Vejo, e hoje estou otimista, que está nascendo um movimento de oposição que poderá tornar-se forte, quem sabe. Tomara.
Mas, lendo seu artigo com relação à classe média, reforça-me a sensação de que os componentes dela
estão sendo mais e mais segregados nesse país. Além de ter que pagar todas as contas, sustentar vagabundos, temos que ouvir críticas. Além disso nosso "direitos" estão cada vez menos respeitados e estamos cada vez mais encurralados como em guetos. Veja por exemplo um jovem nos dias de hoje, fazendo inscrição para exame vestibular. Se ele for branco e se tiver cursado o ensino médio e fundamental em escola particular está perdido. Quem estudou em escola pública tem uma porcentagem acrescida na nota, e os negros tem direito às cotas. Ao branco, então resta estudar mmmmuuuuiiiiito para poder concorrer ao que resta das vagas. Isso é ou não segregação?

Alonso disse...

Soares
Vc ataca as elites políticas mas não diz que elas são parte da elite econõmica que afunda o Brasil. Acho o seu texto de um modo geral correto, mas a sua ênfase em diversas elites está errada. O Brasil tem uma elite de péssima qualidade que esmaga a classe média e o povo.

Rosena disse...

Fernando, atenção para a maracutaia: o processo cntr Renan foi votado hje no conselho de Ética e na CCJ e será levado já amanhã, véspera de feriado, para o Plenário. O quorum está muito baixo pois muitos senadores estao no exterior devido ao feriado. Se for a votação amanhã Renan será absolvido!!. É essa a razão dessa pressa toda??

a verdade disse...

É sabido e ressabido que o Brasil está em um dos seus piores momentos como nação moral. Estouram escândalos, com uma rotina intolerável, mas tolerada,no cerne dos poderes da República.. Homens que deveriam ser guardiões da decência, são os primeiros e mais vorazes em viola-la. Um Tribunal – uma suprema corte- indicia como bandidos de quadrilha toda a cúpula do PT, e os indiciados vão a um bar para festejar a imputação. O Presidente da República, talvez o pior de todos os criminosos porque chancela a indecência com o cargo que ocupa, comete a insanidade de exaltar o crime. Declara que seu partido, este PT podre, é o mais ético de todos os que existem em nosso país. Ele, o presidente, considera ético um partido que rouba e deixa roubar. E, ainda, comemora. Um partido em que sua maioria é denunciada como uma “organização criminosa”.

Leia tudo
http://www.extralagoas.com.br/noticia.kmf?canal=342

ABV disse...

Enquanto o povo trabalhava, lula...

Anônimo disse...

A Botocúndia é o paraíso do estatismo
Por Rubens Valente na Folha desta segunda. Volto depois:

A Petrobras contratou sem licitação R$ 33,8 bilhões em serviços do início da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, até junho último. O valor corresponde a cerca de 38% de tudo o que a petroleira contratou somente na área de serviços no período.

De um total de 13.480 contratos assinados entre 2005 e 2007 na área de serviços, 8.080 não tiveram disputa prevista na lei das licitações 8.666/93. Os gastos desse tipo vão de patrocínios culturais a honorários advocatícios. Por exemplo: dois escritórios de advocacia receberam sem licitação, entre 2005 e 2006, R$ 20 milhões.

A petroleira diz que a prática antecede a posse de Lula. Entre 2001 e 2002, segundo os números apresentados pela Petrobras, serviços sem licitação foram de cerca de R$ 25 bilhões.

A própria companhia, contudo, reconhece dificuldades para se comparar os dois períodos porque houve investimentos diferentes, que implicaram maior ou menor gastos sem licitação -como contratos assinados para funcionamento de termoelétricas, entre 2001 e 2002, medida adotada pelo governo fazer frente ao "apagão" energético de 2002.
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AMIGOS PETISTAS – Ainda na Folha: “Entre as empresas contratadas em 2006 estão duas de amigos do presidente Lula: a empresa de auditoria Trevisan, com R$ 2,7 milhões, de Antoninho Marmo Trevisan, e a empresa de informática Novadata, de Mauro Dutra, com R$ 63,69 milhões. Trevisan foi, nos primeiros três anos do mandato de Lula, integrante da Comissão de Ética Pública. A Trevisan informou à Folha que também manteve contratos desde o início do governo com duas subsidiárias da Petrobras: a BR Distribuidora (R$ 1,69 milhão) e a Petroquisa (R$ 406 mil). Também presta serviços, desde 2004, para a Eletrobrás (R$ 1,4 milhão), o Banco da Amazônia (R$ 479 mil) e o Sebrae (R$ 1 milhão). A empresa informou que, convidada, disputou e ganhou por critério do menor preço. Segundo a Trevisan, a disputa foi "democrática e transparente".
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Voltei
Já escrevi dezenas de vezes, e o assunto é tema da conversa entre mim e Diogo Mainardi no Podcast: o poder real do PT não está exatamente na máquina administrativa, submetida, bem ou mal, a um controle mais severo. Não! O poder real do partido está nas estatais, nos fundos de pensão e nas ONGs. É nesses lugares que se aboletou a nova classe social — os burgueses do capital alheio. R$ 34 bilhões correspondem a boa parte do que o governo brasileiro teve livre para investir nestes quase cinco anos. Ora, por que o PT execra tanto as privatizações? Imaginem se estivessem de posse, hoje, da Vale do Rio Doce e da Telebras, no formato que tinham, entre outras estatais.

Admito, claro, que possa haver pessoas que acreditam, de boa fé, que as estatais são o melhor para o Brasil porque, sei lá, tocadas por alguma flama nacionalista... A verdade, aqui ou em qualquer país do mundo, é que se elas se transformam em verdadeiras caixas-pretas e passam a funcionar como organismos independentes. Aí diz um inocente: “Ora, a Petrobras é a maior empresa do Brasil; é a que mais lucra”. Bem, se desse prejuízo atuando nos setores em que atua, com um quase-monopólio, era o caso de empalar os seus dirigentes. A questão é saber se é saudável ter uma empresa que movimente tal soma de recursos, preservada de qualquer forma de controle público ou privado.

Precisamos de empresas que respeitem a legislação e as regras de mercado. E isso será tanto mais fácil quanto mais sujeitas elas estiverem ao controle. E, acreditem, não há melhor controle do que aquele exercido pelos acionistas privados. Sei que estou sendo, aqui, um fundamentalista. Não vamos nos livrar tão cedo do estatismo, certo? A campanha que a botocúndia botou na rua é bem outra: fala-se por aí em reestatizar a Vale do Rio Doce, tese abraçada — Santo Deus! — por setores da Igreja Católica, sob o silencio cúmplice, até agora ao menos, do Vaticano.

Os petistas, evidentemente, não perderam tempo e logo abraçaram a causa — e, no caso, a cumplicidade veio da alta direção do partido e de seus medalhões, incluindo Lula. Ora, por mais estúpida que seja a proposta, é claro que esse clima de nação aviltada e roubada por larápios lhe é útil. Ele passou mais de duas décadas fazendo rigorosamente esse discurso. O ódio moderno às privatizações, ao capital externo e à empresa privada é obra do PT, que tem capilaridade no movimento sindical e social para transformar isso num valor. Se bem se lembram, Brizola fazia a sua ladainha, mas não colava, era quase folclórico. Lula sabe muito bem que seu partido (e ele próprio) é o beneficiário desse caldo de cultura. O que tem de Zé-Mané com celular grátis na mão achando que lhe roubaram a Telebras é uma enormidade.

E, agora, vemos que a militância estatista conta com os eflúvios da água (mal) benta da Escatologia da Libertação. A Igreja Católica brasileira, como escrevi aqui no sábado de madrugada, deveria estar se perguntando por que consegue reunir alguns gatos pingados em sua ridícula militância política, enquanto Edir Macedo junta 650 mil pessoas para, carnê na mão, prometer uma vaguinha no céu a quem o ajudar a comprar mais emissoras de rádio. A Igreja Católica brasileira dorme com o inimigo. Sua fé foi corrompida. Deixou de ser esposa de Cristo para ser concubina do esquerdismo bocó.


Por Reinaldo Azevedo