quinta-feira, setembro 27, 2007

CRISE NO FUTEBOL BRASILEIRO

Os recentes acontecimentos envolvendo o Corinthians Paulista , nos motivou a questionar a quantas anda o futebol brasileiro, considerado pelos ufanistas de plantão como “o melhor do mundo”.Mas o fato é que o futebol jogado no Brasil carece de craques, de estádios, de organização, e de público nos estádios. Mesmo assim, continua a fazer a alegria e a riqueza de cartolas encastelados na direção dos clubes, das federações estaduais e da CBF.



Ausência de craques nos gramados , estádios vazios:sintoma de que algo vai mal com o "melhor futebol do mundo".

CRISE NO FUTEBOL BRASILEIRO

Os recentes acontecimentos envolvendo o Corinthians Paulista , nos motivou a questionar a quantas anda o futebol brasileiro, considerado pelos ufanistas de plantão como “o melhor do mundo”.Mas o fato é que o futebol jogado no Brasil carece de craques, de estádios, de organização, e de público nos estádios. Mesmo assim, continua a fazer a alegria e a riqueza de meia dúzia de cartolas encastelados na direção dos clubes, das federações estaduais e da CBF.As tentativas moralizadoras da Lei Pelé e do Estatuto do Torcedor deram poucos resultados práticos, e o que assistimos é o esvaziamento progressivo do nosso futebol, com uma revoada de craques para o exterior e uma revoada de torcedores dos estádios.

Já afirmei, em artigo anterior sobre o mesmo tema, que o melhor futebol do Brasil é hoje jogado na Europa, e aí não vai nenhum exagero. Nossos melhores jogadores desfilam em gramados italianos, espanhóis, alemães, ingleses, franceses, e, até, turcos, disputando campeonatos organizados,altamente rentáveis e jogados em estádios geralmente cheios. Contrastando com a riqueza do futebol europeu,aqui é disputada uma espécie de “segunda divisão” do futebol brasileiro, já que a primeira divisão é disputada na Europa.

O declínio do nosso futebol está refletido na quase total falência dos nossos principais clubes.A maioria é dominada por dirigentes venais, incompetentes e inescrupulosos, que assumem totalmente a estrutura administrativa, controlam os conselhos administrativos e, a partir daí, se perpetuam no poder. Tratam os clubes com o mesmo zelo com que nossos políticos costumam administrar o patrimônio público. O interessante é que muitos dos dirigentes que se esmeraram para levar os clubes ao naufrágio, continuam no poder,e choram a falta de recursos, como se nada tivessem a ver com a coisa. É o que acontece com os notórios Eurico Miranda do Vasco e Marcio Braga do Flamengo,para ficar com dois dos mais conhecidos. Desde a década de 70 estes senhores dominam a política destes clubes. O Flamengo é o clube que mais deve à Previdência Social.

O fato é que os nossos clubes de futebol, com poucas exceções, sobrevivem na penúria e submersos em dívidas crescentes que estes dirigentes construíram nas últimas décadas. Tal estado de indigência e de desorganização tem levado alguns deles a fazerem de seus clubes autênticos balcões de negócios ilícitos e lavanderia de dinheiro sujo.. Celebram com empresas de fachada estrangeiras, ligadas a máfias criminosas, contratos altamente lesivos,como ocorreu com o Corinthians, que só agora viu cair a ficha de um negócio altamente suspeito com uma empresa mafiosa, especializada em lavagem de dinheiro de origem desconhecida . E a ligação Corinthians –MSI era aplaudida por muitos.

A fabulosa e impagável dívida dos clubes para com o INSS motivou o governo Federal a vir em socorro destes gestores fraudulentos. Para isto, foi criada no governo Lula a “Timemania”, uma loteria administrada pela CEF, cujos recursos arrecadados supostamente servirão para abater a dívida que cada clube tem para com a União. O interessante é que ao lançar mais esta fonte de recursos , tomados da sociedade sob a forma de loteria, o governo não teve a preocupação de promover uma faxina nos clubes, acionando judicialmente os dirigentes que foram , afinal, os responsáveis pela construção destas dívidas.Ao contrário, tornou-os beneficiários da ajuda federal aos clubes.

Mesmo diante deste quadro de crise no nosso futebol, que não difere muito da crise brasileira, nosso país se lançou oficialmente como candidato a sediar a Copa do Mundo de 2014. Candidato único, dado que outros países , com mais juízo, não se lançaram. Tudo estaria nos eixos, se tal iniciativa tivesse o suporte financeiro exclusivo da iniciativa privada e da própria CBF. Mas, ao que tudo indica, deverá ser bancada pelos cofres públicos.

A oficialização do Brasil como sede do mundial exige, como condição, o cumprimento de uma série de exigências relacionadas pela FIFA. A construção e a remodelação de estádios, vias de acesso, meios de comunicação, meios de transporte e rede hoteleira, exigirão investimentos astronômicos , que somente seriam suportáveis se fossem resultado de um mutirão de esforços da iniciativa privada.Será um crime se forem bancados, como deverão ser, com dinheiro público, levando-se em conta os desvios de verbas, superfaturamento de obras e corrupção que certamente irão acarretar. Sem falar no óbvio de que tais gastos serão feitos num país com imensas carências sociais e extremas deficiências no campo dos serviços públicos, como o nosso.

Portanto, que o futebol brasileiro renasça das cinzas e se reconstrua pelas suas próprias forças, livrando-se de todas as suas mazelas e de seus cartolas corruptos é o que desejamos. O que não pode é a sociedade pagar pelos desmandos de irresponsáveis e criminosos travestidos de dirigentes esportivos, numa atividade que pertence exclusivamente á esfera privada.Não pode também pagar caro por um evento esportivo mundial , que sob o pretexto de resgatar o “orgulho brasileiro”, na verdade vai encher os bolsos e as contas bancárias de um punhado de cartolas espertos e políticos malandros.
270907

quarta-feira, setembro 26, 2007

VITÓRIA DE PIRRO



VITÓRIA DE PIRRO
A decisão das lideranças partidárias do Senado em estabelecer uma agenda de trabalhos que destranque a pauta e coloque um fim à obstrução estabelecida pela oposição foi feita à revelia de Renan Calheiros, e atende tanto aos interesses da oposição, que quer o fim das votações secretas, quanto do governo, que quer aprovar a prorrogação da CPMF

Paradoxalmente enfraquecido após sua vitória no julgamento secreto no plenário, Renan pode sentir nos dias seguintes que o resultado da votação- 40 votos pela absolvição, 35 contra ,e seis abstenções , havia se constituido de fato numa vitória de Pirro. A repercussão negativa do resultado do julgamento e o fato de Renan acumular mais três processos no Conselho de Ética minaram qualquer tentativa do senador de sair fortalecido e fazer o Senado retornar a sua rotina normal.

Ao contrário do que esperavam Renan e seus aliados,a crise no Senado adquiriu mais força. O PT ,o fiel da balança na permanência do senador,parece ter se arrependido. Cobra de Renan um suposto acordo em que a sua absolvição estaria condicionada a um afastamento do cargo enquanto fossem votadas no Senado as matérias de interesse do governo. Se realmente aconteceu este acordo, Renan espertamente não o cumpriu, porque pode ser tudo, menos bobo. Conseguiu o que queria e, agora ,se julgou no direito de exercer plenamente as atribuições do seu cargo.

A oposição, derrotada,partiu para o contra ataque e iniciou um processo de obstrução enquanto não fosse atendida a sua pauta de exigências na qual constavam o fim das sessões secretas para a cassação de mandatos,, o fim do voto secreto nas votações, e a obrigatoriedade de afastamento de indiciados por quebra de decoro que ocupem cargos na mesa diretora ou exerçaM presidênciaS de comissões técnicas. Neste ponto os interesses do governo e os da oposição se confluíram e deram como resultado o acordo para que o Senado volte a funcionar nesta quarta feira.

Ao insistir em se manter no cargo, Renan bate de frente tanto com os interesses do governo quanto com os da oposição e fica cada vez mais isolado, pavimentando o caminho para o seu afastamento definitivo.
260907

segunda-feira, setembro 24, 2007

OPOSIÇÃO SEM RUMO E SEM BANDEIRA

Se Lula pode comemorar quatro anos e nove meses de poder, à frente de um governo medíocre, ele deve uma boa parte disso à oposição. Fragmentada, desarticulada e sem bandeira política, a oposição, representada principalmente pelo PSDB e pelo DEM ( ex-PFL), perdeu e continua perdendo todas as batalhas importantes no Congresso para o PT e seus aliados. Se a oposição continuar inerte e adormecida,completamente a reboque da agenda do governo petista, ao despertar, talvez já terá sido muito tarde. Lula poderá ter pavimentado, com o apoio de um Congresso submisso e desmoralizado, o caminho para um terceiro e consecutivo mandato.


Foto: Uma oposição enfraquecida e um Congresso desmoralizado pode ser bom para Lula e o PT, mas é ruim para a democracia.

OPOSIÇÃO SEM RUMO E SEM BANDEIRA
Se Lula da Silva pode comemorar quatro anos e nove meses de poder, à frente de um governo medíocre - mas que, paradoxalmente, lhe confere um elevado índice de popularidade - ele deve uma boa parte disso à oposição. Fragmentada, desarticulada e sem bandeira política, a oposição, representada principalmente pelo PSDB e pelo DEM ( ex-PFL), perdeu e continua perdendo todas as batalhas importantes no Congresso para o PT e seus aliados. A oposição não conseguiu, por exemplo, emplacar uma ação de impeachment contra Lula no auge do mensalão, por ocasião do depoimento de Duda Mendonça na CPI dos Correios; sofreu uma derrota contundente na eleição presidencial de 2006; não conseguiu cassar Renan Calheiros, um dos braços de sustentação de Lula no Congresso; e , agora, tudo indica que perderá a batalha da renovação da CPMF.

O que acontece com a oposição que não consegue se impor, de maneira crível e confiável, aos olhos dos críticos e do eleitorado brasileiro? Entre as explicações, três, pelo menos, respondem em parte esta questão: o fato de até recentemente ter estado no poder; a falta de uma bandeira que a diferencie do PT; e a falta de identificação com a grande parte da sociedade que se opõe ao lulo-petismo.Explico.

Em primeiro lugar, a oposição não consegue se livrar da pecha, ardilosamente propagada pelo PT, de que esteve no poder durante oito anos e nada fez pelo povo e pelo Brasil.Os tucanos e pefelistas – e isto ficou claro na última campanha presidencial – jamais conseguiram fazer a defesa do seu governo e expor as suas virtudes.E elas foram muito maiores do que as do atual governo: a estabilidade econômica, as privatizações, a reforma da previdência, a lei de responsabilidade fiscal e, até mesmo, a bolsa escola- desvirtuada pelo governo petista e transformada num gigantesco programa assistencialista.Tais realizações demonstram que o governo anterior pelo menos possuía um projeto, do qual seus partidários, agora do outro lado do balcão, não souberam fazer a defesa. Com isso, deixaram o caminho livre para que a propaganda petista insistisse em se referir ao governo de Fernando Henrique como o pior dentre os piores.

Em segundo lugar, em que pese a aparente disputa sangrenta entre tucanos e petistas, existem muito mais semelhanças do que diferenças entre eles.Desde que o PT “desistiu”de fazer do socialismo a sua bandeira política e assumiu a bandeira da social democracia, ficou difícil saber que idéias e que projetos contrapõem os dois partidos. O fato de o PT no governo ter dado continuidade à política de estabilidade econômica,com a manutenção do superávit fiscal e das taxas elevadas de juros, acentuou a impressão de que se tratam de partidos “irmãos”.Se a semelhança entre os dois se limitasse a aspectos positivos da ação política, tudo bem. O problema é que a recente comprovação de que o PSDB, em 1998, praticou, de maneira embrionária, o mesmo esquema de corrupção que o PT viria a praticar , de maneira amplificada, alguns anos depois, os tornaram muito semelhantes também nos malfeitos.Tudo isto talvez explique todo este comportamento dúbio, canhestro e cúmplice do PSDB em relação ao governo Lula.

Em terceiro lugar, falta à oposição partidária a identificação ideológica com a grande parcela da sociedade que se opõe ao governo Lula. Esta parcela é composta principalmente pela classe média e por uma parte das camadas populares.Ela não aceita o intervencionismo estatal , a carga tributária pesada, os juros elevados, a corrupção impune e o assistencialismo com propósito eleitoreiro.Este segmento social deseja menos regulamentação, menos impostos, mais liberdade econômica e políticas sociais efetivas no campo da educação, saúde e segurança. Nem o DEM, que em alguns momentos parece se contrapor ao petismo com maior veemência, muito menos o PSDB têm sido capazes de assumirem estas bandeiras.Se por um lado, Lula e o PT , sob a égide do populismo, já cooptaram a multidão mais pobre da sociedade e, através do mensalão do Bolsa Família, faz dela a garantia de sua permanência no poder, por outro lado tucanos e democratas permanecem dissociados daqueles que repudiam o governo Lula. Se a oposição continuar inerte e adormecida,completamente a reboque da agenda do governo petista, ao despertar, talvez já terá sido muito tarde. Lula poderá ter pavimentado, com o apoio de um Congresso submisso e desmoralizado, o caminho para um terceiro e consecutivo mandato.
240907

quinta-feira, setembro 20, 2007

EDUCAÇÃO OU DOUTRINAÇÃO?

As crianças e jovens das escolas públicas estão aprendendo que o capitalismo, a democracia e a liberdade são sistemas e valores negativos. O capitalismo é ensinado como sendo um sistema perverso e injusto, que cria as imensas desigualdades sociais e a miséria de milhões de seres humanos; a democracia é uma fórmula astuciosa que burgueses malvados impuseram, com o propósito de perpetuar o seu poder e manter indefinidamente o seu domínio sobre as classes trabalhadoras; e a liberdade só serve para que os ricos e poderosos aumentem os seus privilégios em detrimento dos mais pobres. Em oposição ao inferno do capitalismo, as crianças ficam sabendo que existe a possibilidade de um paraíso na terra. E este paraíso se chama Socialismo.Figuras como Mao Tsé Tung e Fidel Castro são mostradas como estadistas, heróis e grandes benfeitores da humanidade; acontecimentos como a Revolução Cultural da China e a Revolução Cubana são retratados como passos heróicos do povo rumo a este paraíso.

Não bastasse a indigência em que está submetido o nosso sistema de ensino publico, os jovens brasileiros estão sendo obrigados a se submeter maniqueísmo ideológico primitivo e a algo semelhante a uma lavagem cerebral. E esta lavagem esta sendo perpetrada sob a proteção do Governo Federal, principalmente através dos livros didáticos, em especial dos livros de História, que são adotados em nossas escolas e distribuÍdos gratuitamente aos pelo MEC, pagos, portanto, com os recursos dos nossos impostos. O artigo abaixo do jornalista Ali Kamel publicado no jornal O Globo (18/09/07), retrata com perfeição este quadro de doutrinação ideológica rasteira, recheada de preconceitos, mentiras e valores ultrapassados e totalitários. (FS)


O livro Nova História Crítica e dois de seus "heróis; Mao e Fidel.
O Que ensinam às nossas crianças
Não vou importunar o leitor com teorias sobre Gramsci, hegemonia, nada disso. Ao fim da leitura, tenho certeza de que todos vão entender o que se está fazendo com as nossas crianças e com que objetivo. O psicanalista Francisco Daudt me fez chegar às mãos o livro didático "Nova História Crítica, 8ª série" distribuído gratuitamente pelo MEC a 750 mil alunos da rede pública. O que ele leu ali é de dar medo. Apenas uma tentativa de fazer nossas crianças acreditarem que o capitalismo é mau e que a solução de todos os problemas é o socialismo, que só fracassou até aqui por culpa de burocratas autoritários. Impossível contar tudo o que há no livro. Por isso, cito apenas alguns trechos.

Sobre o que é hoje o capitalismo: "Terras, minas e empresas são propriedade privada. As decisões econômicas são tomadas pela burguesia, que busca o lucro pessoal. Para ampliar as vendas no mercado consumidor, há um esforço em fazer produtos modernos. Grandes diferenças sociais: a burguesia recebe muito mais do que o proletariado. O capitalismo funciona tanto com liberdades como em regimes autoritários."

Sobre o ideal marxista: "Terras, minas e empresas pertencem à coletividade. As decisões econômicas são tomadas democraticamente pelo povo trabalhador, visando o (sic) bem-estar social. Os produtores são os próprios consumidores, por isso tudo é feito com honestidade para agradar à (sic) toda a população. Não há mais ricos, e as diferenças sociais são pequenas. Amplas liberdades democráticas para os trabalhadores." Sobre Mao Tse-tung: "Foi um grande estadista e comandante militar. Escreveu livros sobre política, filosofia e economia. Praticou esportes até a velhice. Amou inúmeras mulheres e por elas foi correspondido. Para muitos chineses, Mao é ainda um grande herói. Mas para os chineses anticomunistas, não passou de um ditador."

Sobre a Revolução Cultural Chinesa: "Foi uma experiência socialista muito original. As novas propostas eram discutidas animadamente. Grandes cartazes murais, os dazibaos, abriam espaço para o povo manifestar seus pensamentos e suas críticas. Velhos administradores foram substituídos por rapazes cheios de idéias novas. Em todos os cantos, se falava da luta contra os quatro velhos: velhos hábitos, velhas culturas, velhas idéias, velhos costumes. (...) No início, o presidente Mao Tse-tung foi o grande incentivador da mobilização da juventude a favor da Revolução Cultural. (...) Milhões de jovens formavam a Guarda Vermelha, militantes totalmente dedicados à luta pelas mudanças. (...) Seus militantes invadiam fábricas, prefeituras e sedes do PC para prender dirigentes "politicamente esclerosados". (...) A Guarda Vermelha obrigou os burocratas a desfilar pelas ruas das cidades com cartazes pregados nas costas com dizeres do tipo: "Fui um burocrata mais preocupado com o meu cargo do que com o bem-estar do povo." As pessoas riam, jogavam objetos e até cuspiam. A Revolução Cultural entusiasmava e assustava ao mesmo tempo."

Sobre a Revolução Cubana e o paredão: "A reforma agrária, o confisco dos bens de empresas norte-americanas e o fuzilamento de torturadores do exército de Fulgêncio Batista tiveram inegável apoio popular." Sobre as primeiras medidas de Fidel: "O governo decretou que os aluguéis deveriam ser reduzidos em 50%, os livros escolares e os remédios, em 25%." Essas medidas eram justificadas assim: "Ninguém possui o direito de enriquecer com as necessidades vitais do povo de ter moradia, educação e saúde."

Sobre o futuro de Cuba, após as dificuldades enfrentadas, segundo o livro, pela oposição implacável dos EUA e o fim da ajuda da URSS: "Uma parte significativa da população cubana guarda a esperança de que se Fidel Castro sair do governo e o país voltar a ser capitalista, haverá muitos investimentos dos EUA. (...) Mas existe (sic) também as possibilidades de Cuba voltar a ter favelas e crianças abandonadas, como no tempo de Fulgêncio Batista. Quem pode saber?"

Sobre os motivos da derrocada da URSS: "É claro que a população soviética não estava passando fome. O desenvolvimento econômico e a boa distribuição de renda garantiam o lar e o jantar para cada cidadão. Não existia inflação nem desemprego. Todo ensino era gratuito e muitos filhos de operários e camponeses conseguiam cursar as melhores faculdades. (...) Medicina gratuita, aluguel que custava o preço de três maços de cigarro, grandes cidades sem crianças abandonadas nem favelas... Para nós, do Terceiro Mundo, quase um sonho não é verdade? Acontecia que o povo da segunda potência mundial não queria só melhores bens de consumo. Principalmente a intelligentsia (os profissionais com curso superior) tinham (sic) inveja da classe média dos países desenvolvidos (...) Queriam ter dois ou três carros importados na garagem de um casarão, freqüentar bons restaurantes, comprar aparelhagens eletrônicas sofisticadas, roupas de marcas famosas, jóias. (...) Karl Marx não pensava que o socialismo pudesse se desenvolver num único país, menos ainda numa nação atrasada e pobre como a Rússia tzarista. (...) Fica então uma velha pergunta: e se a revolução tivesse estourado num país desenvolvido como os EUA e a Alemanha? Teria fracassado também?"

Esses são apenas alguns poucos exemplos. Há muito mais. De que forma nossas crianças poderão saber que Mao foi um assassino frio de multidões? Que a Revolução Cultural foi uma das maiores insanidades que o mundo presenciou, levando à morte de milhões? Que Cuba é responsável pelos seus fracassos e que o paredão levou à morte, em julgamentos sumários, não torturadores, mas milhares de oponentes do novo regime? E que a URSS não desabou por sentimentos de inveja, mas porque o socialismo real, uma ditadura que esmaga o indivíduo, provou-se não um sonho, mas apenas um pesadelo?

Nossas crianças estão sendo enganadas, a cabeça delas vem sendo trabalhada, e o efeito disso será sentido em poucos anos. É isso o que deseja o MEC? Se não for, algo precisa ser feito, pelo ministério, pelo congresso, por alguém.

terça-feira, setembro 18, 2007

A INDESEJADA PERMANÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA

Do ponto de vista da sociedade, a prorrogação da CPMF, em discussão no Congresso, deveria ser uma ótima oportunidade para manifestações de protesto, não só contra este imposto absurdo, mas também contra todo o sistema tributário brasileiro.Mas, infelizmente, a apatia, a acomodação e a indiferença parecem ter tomado conta da sociedade, levando os nossos dirigentes a se comportarem de modo cada vez mais cínico e arbitrário.



A INDESEJADA PERMANÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA
Tudo o que se poderia dizer sobre a CPMF já foi dito: que é um imposto injusto, pois atinge na mesma proporção ricos e pobres; que é um imposto cumulativo, pois gera o efeito cascata ao incidir sucessivamente sobre as diversas etapas da produção e da comercialização de um produto. O Partido dos Trabalhadores quando na oposição ao governo de FHC usou e abusou destes argumentos para combater o imposto do cheque. Ao assumir o governo, mudou o discurso e a prática e hoje não só defende a sua permanência, como usa o seu arsenal de guerra para qualquer batalha que garanta a permanência desta fonte de recursos.Foi o que ocorreu com o seu apoio à absolvição do presidente do Senado Renan Calheiros, peça considerada importante para o governo aprovar a prorrogação do imposto.

A Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira foi criada em 1996, após uma ampla campanha de convencimento protagonizada pelo então ministro da Saúde, Abid Jatene. Dizia-se que os recursos arrecadados seriam destinados exclusivamente à reestruturação do setor da saúde. Hoje se sabe que o governo usou da boa fé e da ingenuidade política do ministro e criou mais um engodo nacional, pois, desde o início de sua vigência, já havia ficado claro que uma grande parte dos novos recursos arrecadados estavam sendo destinados a setores que nada tinham a ver com a Saúde pública, inclusive e principalmente para fazer o bolo do superávit primário , através do qual os governos de FHC e de Lula procuraram acertar as suas contas com o FMI.

Quando faziam críticas sistemáticas à política econômica do governo tucano, Lula e os economistas do PT defendiam com veemência a necessidade de uma reforma que colocasse um fim na desordem tributária, com sua multiplicidade de impostos, taxas e contribuições, criados ao livre arbítrio do governo. Eram críticas, em sua maioria, justas e oportunas. Mas, uma vez no poder viu-se que Lula não estava disposto a mover uma palha sequer no sentido da reforma. Preferiu continuar mergulhado no mesmo caos tributário que antes criticava, porque, a exemplo do governo tucano, viu que era vantajosa esta atitude.

No sistema atual, livre dos limites e das amarras que uma reforma tributária certamente imporia, pode o governo continuar a agir com total liberdade no campo tributário, criando taxas e contribuições, estabelecendo critérios para a arrecadação, estabelecendo alíquotas,e determinando arbitrariamente as parcelas que caberão a cada um dos entes federados - União , Estados e Municípios.. Não é por pouco que governadores e prefeitos têm, constantemente, manifestado a sua insatisfação com a grande concentração de recursos nas mãos do governo federal.

Do ponto de vista da sociedade, a prorrogação da CPMF, em discussão no Congresso, deveria ser uma ótima oportunidade para manifestações de protesto, não só contra este imposto absurdo, mas também contra todo o sistema tributário brasileiro.Mas, infelizmente, a apatia, a acomodação e a indiferença parecem ter tomado conta da sociedade, levando os nossos dirigentes a se comportarem de modo cada vez mais cínico e arbitrário. Sabe-se que o Brasil tem uma das mais pesadas cargas tributárias do mundo. O problema é que enquanto os países que compartilham com o Brasil o topo do ranking dos que mais tributam - Dinamarca, Bélgica,Alemanha, Polônia, Finlândia e Suécia – têm a contrapartida de prestação de serviços públicos de excelente qualidade, a sociedade brasileira recebe em troca do governo, serviços de péssima qualidade, bastante desperdício e muita corrupção.

Na Câmara dos Deputados, o projeto de prorrogação da CPMF “até 2011” foi aprovado na Comissão Especial criada para este fim. Antes de ser promulgada, precisará ser votada em dois turnos na Câmara e mais dois turnos no Senado. Na Câmara, certamente não haverá problemas, pois o governo tem uma sólida maioria. No Senado,desmoralizado e sob crise de comando, a aprovação poderá sofrer alguns contratempos devido ao fato de que as feridas geradas pela absolvição de Renan Calheiros ainda não foram cicatrizadas. A oposição promete que o governo não terá vida fácil, principalmente se Renan insistir em presidir as sessões em que o assunto será discutido.Mas nada que uma boa dose de paciência , uma meia dúzia de conversas, e alguns acordos feitos por debaixo do pano não possam superar.

O fato é que a aprovação da prorrogação da CPMF significará a continuação de mais um assalto ao bolso do contribuinte e confirmará a tese de que, no Brasil, o enriquecimento crescente do Estado se faz às custas do empobrecimento gradativo da sociedade, em especial da classe média Calcula-se que só o pagamento deste tributo consome ´em média, sete dias de trabalho de cada cidadão brasileiro.

Sem uma reforma tributária justa e equilibrada, que reduza drasticamente a carga tributária, sem uma presença forte da sociedade a cobrar do governo a aplicação correta dos recursos compulsoriamente tomados, sem uma punição exemplar a todos os casos de desvios, desperdício e corrupção, a sociedade permanecerá refém da voracidade sem limites de um Estado comandado por governantes inescrupulosos. O Brasil carece de uma lei de responsabilidade tributária que imponha limites, disciplina e bom senso nesta barafunda tributária que tem causado grande prejuízo à sociedade brasileira.
180907

quinta-feira, setembro 13, 2007

A INUTILIDADE DO SENADO

A absolvição de Renan Calheiros, muito mais do que um ato de cumplicidade e de covardia de 46 senadores, se constituiu numa gigantesca tolice, pois jogou , agora sim , o Senado numa crise permanente. A desnecessidade desta instituição republicana, que antes do julgamento em plenário já era nítida, ficou ainda mais evidente, com o resultado deste.Ao optar por absolver o seu presidente, o Senado se auto-condenou, e reforçou a crença de que, por inútil, deve ser extinto.


Charge de Bello

A INUTILIDADE DO SENADO

A absolvição de Renan Calheiros, muito mais do que um ato de cumplicidade e de covardia de 46 senadores, se constituiu numa gigantesca tolice, pois jogou , agora sim , o Senado numa crise permanente. A desnecessidade desta instituição republicana, que antes do julgamento em plenário já era nítida, ficou ainda mais evidente, com o resultado deste.Ao optar por absolver o seu presidente, o Senado se auto-condenou, e reforçou a crença de que, por inútil, deve ser extinto.
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O resultado já era, de certa forma, esperado, tendo em vista a que a maioria dos senadores são oriundos de estados pequenos, extremamente dependentes do governo federal, e com uma massa de eleitores pouco afeita às questões que agitam Brasília e costumam indignar a opinião pública das grandes centros do sudeste e do sul. Para estes senadores, o que importa é o sentimento predominante nos rincões onde eles amealham seus votos. Dificilmente um político corrupto de um destes estados é punido por seus eleitores. A estes senadores, formados na cultura do clientelismo e do fisiologismo, é mais importante a fidelidade com a corporação da qual fazem parte, não importando o tipo de compromisso, do que a fidelidade com a República, a Constituição e a democracia. É através destes compromissos que acordos são acertados, cargos são oferecidos, parcelas de poder são distribuídas e vantagens são amealhadas.

Além disso, durante todo este processo contra Renan, pairou no ar um clima de terror, de ameaças veladas e de chantagem. É sabido que o presidente do Senado tem conhecimento profundo sobre a vida, digamos, pouco republicana de boa parte de seus colegas. Negócios escusos com empresas que atuam na área pública, concessões de rádio e de TV, controle de feudos na administração federal e nos seus estados, e até a existência de amantes sustentadas com dinheiro público, fazem parte do cardápio de muitos daqueles senadores que, sob a luz dos holofotes costumam adotar um discurso moralizador. Sabe-se, por exemplo, que na sessão secreta de quarta feira Renan usou e abusou da tática do amedrontamento contra seus possíveis algozes.. Dois deles – Pedro Simon e Jefferson Peres –, campeões do moralismo, ouviram, calados, insinuações maldosas de Renan contra eles.

Mas tudo isto não teria sido decisivo no placar final do julgamento, não fosse a atuação de Lula e do PT. Aparentemente distante da crise, como é de seu feitio, Lula agiu como nunca. Colocou a tropa de choque petista, comandada por Ideli Salvatti e Aloizio Mercadante, em defesa do senador alagoano. O argumento usado pelos petistas era de que se tratava de uma tentativa de golpe da oposição no Senado. Funcionou. Ao final,viu-se que os votos dos petistas foram fundamentais. Livrou o presidente do Congresso da morte política mas não tirou a corda de seu pescoço. Continua com a vida por um fio, refém da vontade de Lula e do PT. Dentro deste contexto, é importante para o governo petista manter o Senado enfraquecido, dividido, com o seu presidente desmoralizado e subjugado pelo Planalto. Não se sabe quais são os planos futuros de Lula e do PT, mas são fortes os indícios de que pretende pavimentar o caminho para um terceiro mandato.E, para isto, ter o PMDB de Renan como aliado é importantíssimo.



Em que pese a ajuda de Lula e a cumplicidade da maioria de seus pares, a agonia de Renan não terminou. Existem contra ele mais duas representações protocoladas no Conselho de Ética, além de mais uma nova denúncia nos meios de comunicação.Mesmo que uma hipotética onda cívica e ética tome conta da Casa, e leve o seu presidente à cassação num dos dois processos que restam, a capacidade de recomposição do Senado está definitivamente comprometida. Enfraquecido, dividido ao meio,com a maioria dos seus membros sob a ira da opinião pública, com o seu presidente moralmente condenado e politicamente nas mãos do presidente da República, o Senado é, a partir de ontem, um cadáver insepulto.

Tal quadro reforça, mais do que nunca a necessidade de uma reforma política, na qual a extinção do Senado e a instituição de um parlamento único com um número de representantes reduzido à metade do atual existente na Câmara dos Deputados, seria a prioridade máxima. Tal reforma, é óbvio, teria que ser precedida por um amplo debate e por uma intensa campanha de esclarecimento e de convencimento da sociedade. Seria prudente,portanto, sob risco de atender a outros objetivos que não o fortalecimento da democracia, que ela acontecesse na próxima legislatura e no próximo mandato presidencial. Lula e o atual Congresso já se desmoralizaram definitivamente mergulhados na lama de sucessivos escândalos. Não têm condições política e moral para promover reforma alguma.Quando Renan , ao comentar a sua absolvição, disse que tinha sido “a vitória da democracia”, é que se entende melhor qual o conceito que esta gente tem de democracia.
120907

segunda-feira, setembro 10, 2007

EDUCAÇÃO vs CORRUPÇÃO

O que a corrupção tem a ver com a escolaridade? Para quem ainda não se convenceu da importância da educação, o estudo do sociólogo Alberto Carlos Almeida, publicado sob o título “A cabeça do Brasileiro”, é um grito de alerta.As suas conclusões vão frontalmente de encontro ao mito de que a nossa elite- aí incluída a classe média – é sempre perversa e o povo é sempre bonzinho.Em sua maioria, os valores positivos estão mais enraizados nas classes média e alta – as de maior escolaridade – e os valores negativos predominam nas classes baixas – as de menor escolaridade.



O estudo de Alberto Carlos Almeida mostra que a admissão de valores negativos é inversamente proporcional ao nível de escolaridade...
EDUCAÇÃO vs CORRUPÇÃO
O que a corrupção tem a ver com a escolaridade? Para quem ainda não se convenceu da importância da educação, o estudo do sociólogo Alberto Carlos Almeida, publicado sob o título “A cabeça do Brasileiro”, é um grito de alerta.As suas conclusões vão frontalmente de encontro ao mito de que a nossa elite- aí incluída a classe média – é sempre perversa e o povo é sempre bonzinho.Em sua maioria, os valores positivos estão mais enraizados nas classes média e alta – as de maior escolaridade – e os valores negativos predominam nas classes baixas – as de menor escolaridade. A partir de uma pesquisa que captou os valores enraizados na sociedade brasileira, Alberto Carlos Almeida concluiu que a tolerância à corrupção, por exemplo, se confunde com o famoso “jeitinho brasileiro’, e que ela é maior quanto menor for a escolaridade do cidadão.

Segundo o estudo de Almeida, 57% dos que têm até o ensino fundamental são mais autoritários, mais estatistas, e mais antidemocráticos, ou seja , têm características que revelam o seu distanciamento dos valores republicanos. Traduzindo em miúdos, se socorrem do “jeitinho”, têm pouco espírito público, defendem a lei do talião, são a favor do assistencialismo governamental, são contra a liberdade sexual, apóiam a intervenção do Estado na economia e na sociedade, são condescendentes com a censura, aceitam cegamente a hierarquia, e , por fim, são mais tolerantes com a corrupção.

Almeida encontrou na classe média escolarizada o maior índice de valores positivos.É neste setor da sociedade que encontramos uma maior valoração da democracia, do liberalismo e do republicanismo e a compreensão de que eles são fundamentais para uma boa convivência social e política. Assim, num contraponto aos valores que impregnam as classes menos escolarizadas, encontramos na classe média uma maior rejeição ao “jeitinho”, à corrupção, à censura, ao assistencialismo governamental e ao intervencionismo do Estado.

A publicação do livro vem provocando uma reação irada em setores acadêmicos e políticos de esquerda, que, numa visão maniqueísta e com pouco embasamento teórico, quiseram nos fazer crer que os que eles definem genericamente como elite estava impregnada de todos os pecados , em contraposição ao povo, detentor de toda pureza original.Dentro desta visão, o comportamento corrupto dos políticos de Brasília seria muito mais uma degeneração da sociedade que os elegeu do que a reprodução, no microcosmo político, de uma sociedade em sua maioria tomada por valores pouco republicanos e pouco éticos..Porém, muito além de mostrar que os pecados cometidos pela nossa elite política são um prolongamento , no executivo, no legislativo e no judiciário, dos valores enraizados no povo, o estudo mostra que a educação é fundamental para a alteração destes valores num sentido positivo.

Em que pesem as críticas partidas da esquerda ,o fato é que o livro de Alberto Carlos Almeida se constitui num importante lançamento,especialmente porque não se limita a repetir mecanicamente as velhas teses pseudo –marxistas que têm dominado o campo das ciências políticas e sociais do Brasil nas últimas décadas.. O seu diagnóstico nos leva a refletir, por exemplo, sobre por que o imbróglio de um presidente do Senado e do Congresso atolado até o pescoço por denúncias de corrupção, não tem merecido uma atenção maior da sociedade, do que aquela que lhe tem dedicado uma parcela da mídia e alguns poucos setores da classe média. Mais ainda, nos leva a entender por que um presidente da República atolado num lamaçal de corrupção que tomou conta do núcleo do seu governo, acabou por ser reeleito de forma consagradora, enquanto o candidato que fazia da revolução educacional a sua bandeira de campanha mereceu menos de 3% dos votos válidos.

Num país onde o programa asssistencialista de Lula – o Bolsa Família – receberá em 2008, mais que o dobro (R$16,5 bilhões) dos investimentos previstos para o orçamento da Educação(R$ 8 bilhões), as conclusões do estudo de Almeida mostram uma luz onde muitos insistem que permaneçam as trevas.
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terça-feira, setembro 04, 2007

A ELITE QUE LULA PREFERE

Infelizmente, a nossa cultura política está contaminada por um forte viés ideológico segundo o qual os pobres são pobres porque os ricos são ricos.Tal sofisma serve como uma luva aos propósitos de muitos governos e partidos políticos, e se encaixa com perfeição na atual administração lulo -petista. É mais cômodo acusar os ricos ou os supostamente ricos – a classe média brasileira - pela pobreza da maioria do povo do que assumir responsabilidades e reconhecer as próprias culpas. Na Venezuela , Chávez vem fazendo isto com perfeição, a ponto de dividir a sociedade daquele país ao meio.



FOTO:Lula quer fazer crer que protestos contra o seu governo são tentativas de golpe da "elite".Mas o seu governo anda de braços dados com a pior parcela da elite...

A ELITE QUE LULA PREFERE
O movimento “Cansei”descansou muito cedo.Nascido da necessidade de setores médios da sociedade manifestarem o seu descontentamento com o caos político, moral e social do país, o movimento pecou por três motivos fundamentais:ficou restrito a poucos setores da classe média alta; não foi capaz de, ampliando o seu leque, mostrar uma real preocupação com as vicissitudes que afetam a maioria da população brasileira; e preferiu tomar um rumo “apartidário” e “despolitizado”, sem ferir o principal responsável, o governo de Lula da Silva. Assim, o movimento não se ampliou, não conquistou adeptos e morreu de inanição sem conseguir ser o que pretendia, isto é ,o embrião de um grande movimento cívico nacional contra as mazelas que prejudicam o nosso país a partir de Brasília.Quem ganhou com isto foi Lula, que mais uma vez pode reforçar o seu velho discurso contra as “elites”.

Para Lula e os petistas o fracasso do “Cansei”se deveu ao fato de ser uma movimento elitista contra um governo reconhecidamente popular. Simples assim.Em um de seus recentes discursos , o presidente se deu ao luxo de ironizar as recentes manifestações contra o seu governo, ao dizer que ninguém mais do que ele é capaz de “botar o povo nas ruas”. E neste ponto ele não está, de todo, errado. Sem contar a clientela cativa do Bolsa Família, Lula tem onde buscar gente disposta a agitar bandeiras em apoio ao seu governo. As organizações sociais que se dizem representantes da classe trabalhadora e dos “excluídos” em geral, proliferam em grande parte graças a recursos financeiros do PT e do governo federal. São constituídas por uma massa de manobra acrítica e sectária, pronta a repetir palavras de ordem e o velho discurso lulo-petista de que o Brasil é o que é por culpa de uma elite egoísta, insensível e perversa. Nada menos do que isto.

Infelizmente, a nossa cultura política está contaminada por um forte viés ideológico segundo o qual os pobres são pobres porque os ricos são ricos.Tal sofisma serve como uma luva aos propósitos de muitos governos e partidos políticos, e se encaixa com perfeição na atual administração lulo -petista. É mais cômodo acusar os ricos ou os supostamente ricos – a classe média brasileira - pela pobreza da maioria do povo do que assumir responsabilidades e reconhecer as próprias culpas. Na Venezuela , Chávez vem fazendo isto com perfeição, a ponto de dividir a sociedade daquele país ao meio.

Porém, a bem da verdade, é preciso que se diga que os pobres são pobres não porque os ricos gastam o seu dinheiro na compra de iates, mansões ou carrões, mas porque 40% do PIB, que o governo retira compulsoriamente da sociedade, através de impostos, taxas e contribuições diversas, são desviados impunemente nos caminhos do desperdício, da corrupção e da incompetência governamental. É preciso que se diga que os pobres são pobres porque não têm escola, serviços de saúde, justiça, segurança e transporte de qualidade. O movimento“Cansei” não teve a competência de mostrar isto ao resto da sociedade.Por isto se isolou, não conseguiu o apoio da classe média- o que daria consistência ao movimento – e acabou sendo alvo de chacotas e da ironia do governo e das esquerdas em geral.

Portanto, atirar contra as elites de uma maneira generalizada, culpando-a pela podridão política social e moral , como faz a esquerda, é persistir no velho maniqueísmo “nós somos progressistas, vocês são conservadores”.Na verdade,não existe uma elite homogênea, como querem as esquerdas. Existem várias elites que têm interesses, práticas, campos de atuação e ideologias que se distinguem.Assim sendo, em vez de demonizar as elites como um todo,é necessário que se separe o joio do trigo. Para começar, existe uma elite política e estatal. Aquela que se encastelou no poder e nos cargos mais altos da administração pública e das estatais, onde, tal como parasitas, se alimentam fartamente dos recursos tomados de toda a sociedade. Esta elite não é alvo dos ataques dos dirigentes petistas pelo óbvio motivo de que eles fazem parte dela. Por outro lado, existe, sim, uma elite empresarial ligada ao setor privado, que investe, arrisca, compete, produz , gera empregos, paga impostos e contribui para o crescimento É esta parcela da elite que o lulo-petismo parece não apreciar. Existe ainda uma outra parcela da elite financeira que prefere os investimentos especulativos, tem horror à competição, nada produz, sonega impostos e se socorre dos recursos públicos.

Ao adotar uma política econômica que privilegia o capital especulativo em detrimento do produtivo, fazendo a alegria dos banqueiros; ao abrir a banca do Estado para financiar empresários e latifundiários inadimplentes e sonegadores; ao usar os préstimos de empresários como Marcos Valério e Duda Mendonça para o seus propósitos de se perpetuar no poder, o governo petista revela qual o lado da elite ele prefere.E para quem duvida, transcrevo literalmente trecho de um recente discurso de Lula ,em Mato Grosso: “Os que estão vaiando são os que mais deveriam estar aplaudindo. Foram os que ganharam muito dinheiro no meu governo. É só ver quanto ganharam os banqueiros, os empresários. Não conheço um deles que tem uma biografia que lhe permita sequer falar em democracia nesse país. E eu conheço muitos deles.”. Realmente, eles se conhecem muito bem.
040907