sexta-feira, agosto 10, 2007

O APAGÃO DO SENADO E DA ASSEMBLÉIA DE MINAS

Pressionado pela mídia,pela opinião pública e até mesmo por setores do governo que começam a ver na presença do Senador um incômodo,uma espécie de elefante numa loja de louças, Renan tenta a sua derradeira cartada. Enquanto isso, em Minas,a atitude imoral dos deputados mineiros provocou a reação indignada da opinião pública, e o temor de que o mau exemplo se estenda pelos outros estados da federação. Mas nem tudo ainda está perdido.


Foto:Plenários do Senado e da ALMG. O apagão moral atingiu ambas as casas...
O APAGÃO DO SENADO
Neste imbróglio protagonizado pelo presidente do Senado,Renan Calheiros, fica cada vez mais evidente que ele não se afasta da presidência para se defender no Conselho de Ética, por uma razão muito simples: da presidência, ele tem o controle sobre os demais senadores,que serão, afinal, os juízes que determinarão a sua continuidade ou não na vida pública.A esta altura do campeonato,Renan está pouco se importando com a opinião pública, restrita aos grandes e médios centros urbanos Sabe que sob este aspecto já perdeu tudo o que poderia perder.Seu eleitorado não é este.

Não teme a repercussão das denúncias junto ao seu eleitorado porque sabe que a sua clientela eleitoral, como a da maioria dos políticos brasileiros, é constituída basicamente por pessoas pobres e mal informadas muito mais dispostas a trocar o seu voto por qualquer coisa que minore a sua carência, que seja uma casa, uma cesta básica ou um empreguinho público. É assim que sobrevivem os coronéis da política brasileira, e Renan é um legítimo representante deles.Muitos foram os políticos que, escrachados pela mídia e pela opinião pública, acabaram por renunciar ao mandato , mas conseguiram retornar à vida política e ao Parlamento nos braços de sua clientela eleitoral.Mas Renan não tem mais a opção da renúncia. Só lhe resta o julgamento.

Não foi, portanto, outro o motivo do discurso que pronunciou na tribuna do Senado, na última terça feira,se não o de deixar evidente que não pode pagar sozinho pelo pecado que, segundo ele ,a maioria dos seus colegas também comete. Portanto, ao se pronunciar, o público alvo de Renan não era o telespectador da TV Senado, mas sim seus próprios colegas que participavam da sessão.O objetivo era o de passar um recado bastante claro: qualquer um deles poderia ser vítima dos mesmos ataques que ele vem sofrendo, e a sua resistência, ao fim e ao cabo, simbolizaria a resistência de todos os que , como ele têm culpa no cartório. Ao reagir ao discurso de Renan, o senador José Agripino, um dos líderes da ação pelo seu afastamento da presidência, foi a primeira vítima da estratégia do alagoano. Renan insinuou que seu adversário , dono de “concessões, negócios e empréstimos” não teria como resistir a uma “investigação” como a que ele está sendo submetido.

Renan joga com o medo, quase pavor, da maioria dos senadores para se livrar desta enrascada.. E tem conseguido ,com a lentidão com que o processo se arrasta, o seu objetivo. É sintomático o fato de que pouquíssimos são os senadores a se manifestar de forma franca e aberta contra a presença de Renan na presidência. Os poucos que se manifestam -Agripino Maia (DEM), Arthur Virgílio (PSDB) e Jose Néri (PSOL) - o fazem mais por obrigação partidária Os demais se calam numa atitude cúmplice e covarde.

Pressionado pela mídia,pela opinião pública e até mesmo por setores do governo que começam a ver na presença do Senador um incômodo,uma espécie de elefante numa loja de louças, Renan tenta a sua derradeira cartada. Sabe que a sua situação é praticamente insustentável, e se agarra no que lhe resta, ou seja, a cumplicidade e a covardia de seus companheiros de Senado Para isto, usa como arma a chantagem. O final desta história vai revelar a real dimensão do Senado.


O APAGÃO DA ASSEMBLÉIA MINEIRA

Em Minas, infelizmente, venceu o corporativismo, a luta pela manutenção dos privilégios e a prevalência da impunidade.A Assembléia Legislativa rejeitou, com sessenta votos a favor, nove contra e uma abstenção, o veto do governador Aécio Neves ao PLC que limita a atuação dos promotores públicos e estende a uma série de autoridades o privilégio de serem investigados e acionados apenas pelo Procurador-Geral do estado, limitando, assim, a ação do MP mineiro.

Pela lei anterior, tal prerrogativa estava limitada apenas ao governador do estado, aos presidentes da Assembléia Legislativa, do Tribunal de Contas e do tribunal de Justiça. Pela nova lei, passam a ter este direito,o Vice-governador,o advogado-geral do estado, deputados estaduais, secretários de estado, conselheiros do tribunal de contas, magistrados e prefeitos, o que certamente trará prejuízos para a investigação e o aumento da impunidade.

Agora, o governador tem 48 horas para promulgar a lei. Entretanto, em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, o tucano lamentou a derrubada do veto e disse que não o fará. "Devolverei a lei para a Assembléia e, se ela achar por bem promulgar, que promulgue. E essa passa a ser uma responsabilidade da Assembléia", avisou o governador. Aécio Neves, neste caso, agiu conforme se esperava de um governante que procura projetar a imagem de probidade: não compactuou com a imoralidade projetada pelos deputados. E , com isto ganhou pontos junto à opinião pública.Num contraponto à maneira como tem agido Lula , que sob qualquer pretexto se dobra à sua base de apoio, o governador mineiro se colocou contra a totalidade de seus aliados , e, paradoxalmente, recebeu o apoio da oposição petista.

A atitude imoral dos deputados mineiros provocou a reação indignada da opinião pública, e o temor de que o mau exemplo se estenda pelos outros estados da federação. Mas nem tudo ainda está perdido. O procurador-geral de Justiça, Jarbas Soares Jr., pretende enviar à Procuradoria Geral da República uma representação para que seja impetrada uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) para tornar sem efeito o projeto de lei complementar ou parte das medidas aprovadas pelos deputados. Estará, pois ,nas mãos do Supremo a permanência ou não de mais esta agressão à ética , à moral, e aos direitos dos cidadãos.

110807

8 comentários:

reinaldo disse...

Aécio Neves deu exemplo. Não se importou com a cara feia dos seus "aliados" nem com o apoio dos petistas de Minas. Se fosse em brasília, Lula teria apoiado esta indec~encia do foro privilegiado. A sua análise está corretíssima.

choro de tucano disse...

Pois é. Enquanto vocês ficam se preocupando em derrubar o governo, as tartarugas fugiam em Minas Gerais e ninguém da grande imprensa era capaz de noticiar. Agora, que é pra tentar livrar a cara do ditadorzinho das Gerais, você toca no assunto...

ASZ MG disse...

Aqui em Minas houve manifestações a respeito. Acho mesmo que tem dedo do Aécio porque a imprensa daqui noticiou e todo mundo sabe como a imprensa daqui esquece de informar qualquer coisa que não seja de interesse do governador.

Ainda torço que o Judiciário dê uma sova nestes safados.
Pra minha tristeza, quero votar no Democratas mas me informei e eles apóiam esta estrovenga. Acho que terei que anular de novo. ô tristeza.

rosena disse...

Fernando - Varios blogs, jornais estáo mostrando as rádios e tvs do senador Agripino.Acho que ele eu um tiro no pé.como vc diz lá não tem santo mesmo.

Fernando Soares disse...

"Choro de Tucano". Com certeza fui dos primeiros- é só conferir nos blogs mais badalados - a denunciar a maracutaia arquitetada pelos deputados mineiros. É só você se dar ao trabalho de conferir o post "Com a Batata Quente nas Mãos", publicado em 3 de agosto. Portanto não tem sentido a sua afirmação de que o post atual apenas tenta "livrar a cara de Aécio". Mas, me responda, como petista que parece ser:
-vc é a favor do projeto dos deputados mineiros?
-Como vc justifica o fato de que os deputados do PT e do PC do B ficaram a favor do veto de Aécio?
- vc ficaria ao lado de tucanos, democratas, pemedebistas e outros que votaram a favor do PLC?
Saia dessa, e um abraço.

Anônimo disse...

Aécio Neves nunca perdeu uma votação relevante na Assembléia Legislativa de Minas. Nem no primeiro nem no segundo mandato. Dos 77 deputados, ele tem o apoio de, no mínimo, sessenta. Ganha de lavada, sempre. Agora, esperto como uma raposa, perdeu
LEIA MAIS NO BLOG DO NOBLAT

Anônimo disse...

Aécio Neves nunca perdeu uma votação relevante na Assembléia Legislativa de Minas. Nem no primeiro nem no segundo mandato. Dos 77 deputados, ele tem o apoio de, no mínimo, sessenta. Ganha de lavada, sempre. Agora, esperto como uma raposa, perdeu
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gilson disse...

caro Fernando

Todos os dias ouvimos e lemos notícias do desmando da classe política, em todas as esferas.
O Brasil precisa de uma reforma política ampla e os políticos que aí estão não têm interesse, nem vontade de faze-la.
Sou a favor de uma Constituinte, formada por entidades de classe, academias, etc.
Talvez possamos fazer a reforma dos nossos sonhos e mudar a história deste país.