terça-feira, julho 10, 2007

CLASSE MÉDIA ESPOLIADA

O Estado brasileiro e os sucessivos governantes, nestas últimas décadas, têm se dedicado a uma tarefa contínua e sistemática de destruição da classe média. Falo especialmente da classe média da iniciativa privada.São décadas de políticas econômicas equivocadas, tributação casuística , regulamentações excessivas, projetos mal elaborados, que visam sugar seus recursos e transferi-los para as mãos do Estado. O propósito alegado é o de promover o bem comum, a tão propalada “justiça social”, num país onde a maioria da população transita entre a pobreza e a indigência.Na verdade, tal política tem conduzido mais ao empobrecimento gradativo da classe média do que provocado a pretensa ascensão econômica das camadas baixas.


Tal como na França no séc ,XVIII, a classe média brasileira carrega, nas costas, políticos, altos funcionários e banqueiros.Precisaremos de uma revolução?

CLASSE MÉDIA ESPOLIADA
O Estado brasileiro e os sucessivos governantes, nestas últimas décadas, têm se dedicado a uma tarefa contínua e sistemática de destruição da classe média. Falo especialmente da classe média da iniciativa privada.São décadas de políticas econômicas equivocadas, tributação casuística , regulamentações excessivas, projetos mal elaborados, que visam sugar seus recursos e transferi-los para as mãos do Estado. O propósito alegado é o de promover o bem comum, a tão propalada “justiça social”, num país onde a maioria da população transita entre a pobreza e a indigência.Na verdade, tal política tem conduzido mais ao empobrecimento gradativo da classe média do que provocado a pretensa ascensão econômica das camadas baixas.

Neste sentido, governo lulo-petista superou a todos os anteriores. Sob o pretexto de resgatar da miséria os milhões de brasileiros que permanecem neste estágio, praticamente tomou de assalto o bolso da classe média , através de uma carga tributária escorchante, além de inflar a máquina pública e adotar uma política restritiva ao crescimento econômico. Manietada em sua iniciativa , a classe média tem assistido a queda dos seus rendimentos , do seu poder de consumo, e, na maioria dos casos, da sua capacidade de investimentos em micros e pequenos negócios, o que contribui para a queda das atividades econômicas.

Para piorar, o dinheiro arrecadado que deveria ser corretamente aplicado em obras e serviços de qualidade em benefício da população, não o é. Os exemplos estão aí. Assistimos, mais do que nunca, a um processo de destruição das estradas, dos serviços de infra- estrutura, saúde, educação, segurança, e por aí vai. A classe média, que sustenta compulsoriamente com seus impostos a má gestão é a que mais sofre as consequências já que para garantir um mínimo de qualidade às suas necessidades básicas, é obrigada a empregar grande parte de seu orçamento familiar no pagamento de escolas particulares, segurança privada e planos de saúde.Isto se não quiser que seus filhos sejam deseducados em uma das escolas públicas de péssima qualidade, assistir algum membro de sua família ser atirado numa maca nos corredores de um hospital público qualquer, ou correr o risco de ser assaltado,sequestrado ou vítima de uma bala perdida. Desta forma, vive a classe média a situação paradoxal de sustentar um sistema que não funciona, de qual ela é excluída, eainda pagar para ter direito a um mínimo de qualidade de vida.

Mas o mais grave é a desfaçatez com que os homens públicos em geral, e os políticos em particular, fazem uso dos recursos compulsoriamente colocados à sua disposição . São usados uma série de artifícios legais e ilícitos para transferir grande parte destes recursos para os bolsos e as contas bancárias de parlamentares, altos funcionários , magistrados e empresários , tudo sob o manto da impunidade. O Brasil, sem dúvida, é um dos campeões no ranking da corrupção e do mal uso do dinheiro público.

O esquema de corrupção montado pelo partido governista, revelado em 2005 e, até agora, não totalmente esclarecido, é o exemplo mais evidente de como no Brasil os interesses públicos e os interesses escusos se confundem, incentivados pela impunidade prevalente.Passado quase dois anos da revelação do esquema do valerioduto-PT”, com exceção de dois deputados cassados , nenhuma outra punição se concretizou, e o governo e o partido responsável por tudo conseguiram um número significativo de votos na última eleição, o que de certa forma representou uma absolvição.A série de denúncias não cessou por aí. Pelo contrário, uma sequência de escândalos envolvendo altas figuras da elite política e econômica prossegue a todo vapor .Políticos,magistrados e empresários com interesses na área pública continuam a ser investigados pela PF e pelo MP, expostos pela imprensa ao conhecimento público, aumentado o grau de indignação de parcelas da população, mas nada tem resultado de concreto , em termos de punição.

Mas, como fazer a defesa da classe média brasileira sem deixar de considerar a sua passividade diante das forças que contra ela atuam? Tem sido inexpressiva sua capacidade de mobilização na defesa de seus interesses.A classe média brasileira, com sua aversão à política, uma certa tendência a olhar para o próprio umbigo e ignorar o resto, e uma certa tendência a acreditar que o exercício da cidadania deva se limitar ao pagamento dos impostos e à participação obrigatória nas eleições ,tem parcela fundamental de culpa no fato de carregar nas costas esta elite improdutiva, e dela receber muito pouco em troca.

A parcela mais politizada da classe média lamenta com razão, o fato de se sentir pouco representada no contexto político e partidário. Os partidos políticos raramente assumem a defesa dos ideários desta classe – a defesa do liberalismo, da redução de impostos, da diminuição do Estado - , preferindo voltar todo o seu discurso e seus projetos para as classes mais pobres.E não existe um dentre eles que incorpore por inteiro a defesa dos interesses da classe. No contexto político atual, o Democratas (ex-PFL) seria o,que mais se aproximaria deste modelo de partido de centro –direita. Mas é um partido tão irremediavelmente comprometido com as velhas praticas do fisiologismo e do clientelismo político, que quaisquer atitudes na direção de práticas políticas mais modernas soam como falsas.

Caminha, desta forma, o Brasil para mais uma etapa do governo Lula na qual o debate sobre o real papel do Estado e da sua dimensão é negligenciado , em troca das discussões fúteis,das promessas demagógicas, das agressões verbais e dos acordos fisiológicos. As reformas estruturais capazes de transformar o país num estado enxuto, dinâmico e menos oneroso para o cidadão continuam paradas, ou caminham a passos de jabuti, a máquina pública cada vez mais inflada e lenta.O dinheiro público parece tomar todos os caminhos possíveis, menos o do emprego correto em obras e serviços de qualidade para a população.Lula continua a investir num governo onde a propaganda supera a realidade e faz do seu poder de sedução- as pesquisas de opinião têm comprovado isto - junto ás classes populares o instrumento para o seu projeto de continuação no poder. Sua reeleição representou a certeza de mais quatro anos de sofrimento para a classe média e de empobrecimento geral do País.

O fato é que pouco se tem discutido sobre o papel da classe média na cena política do Brasil Como disse,os nossos políticos e intelectuais raramente atacam as questões que angustiam os setores médios,que são, no final das contas, as questões do próprio país, se é que este se pretenda afirmar como uma nação dinâmica,inserida de maneira competitiva no contexto do capitalismo global.. Enquanto a classe média permanecer espoliada e inerte, assistirá, ano após ano, o seu caminhar progressivo na direção das camadas mais pobres ,ao mesmo tempo em que se estabelecerá um abismo cada vez mais fundo entre a minoria cada vez mais rica e a maioria pobre da sociedade, num processo que bem poderia ser definido como de“socialização da pobreza”, tão ao gosto do lulo-petismo.

090707

4 comentários:

reinaldo disse...

Olá Fernando. A propósito do tema quero indicar-lhe o site de STEPHEN KANITZ, do qual extraí este parágrafo que ilustra bem a situação da nossa classe média ...
"Só que no Brasil ninguém defende a classe média, muito menos seus valores e sua postura política. Os ricos são naturalmente de direita, são conservadores, querem manter o status quo. A classe média não é de direita nem de esquerda. É de centro e liberal. São os profissionais liberais por excelência, que acreditam na autonomia, na responsabilidade pessoal e social, na poupança para a velhice, nos valores familiares, no imposto sobre herança. Mas o liberalismo é a ideologia mais atacada no Brasil, pela direita e pela esquerda. A direita vê na classe média uma ameaça, a esquerda vê nela a burguesia a ser destruída."
http://www.kanitz.com/index_refresh.htm

Anônimo disse...

FERNANDO, INFELIZMENTE EM NOSSO PAÍS, TODOS SE CALAM DIANTE DE TANTAS MENTIRAS, DE TANTAS FALSIDADES EM TROCA DE FAVORES, NÃO MAIS PENSANDO NA ÉTICA, NO CARÁTER, NA VERDADE... A SORTE DESSES CORRUPTOS, É QUE SOMOS UM POVO PASSIVO, NÃO APRENDEMOS A LUTAR VERDADEIRAMENTE POR TUDO AQUILO QUE REALMENTE ACREDITAMOS, NÃO NOS UNIMOS, NÃO VAMOS ATRÁS DE NOSSOS VERDADEIROS IDEIAS... MAS VAMOS EM FRENTE, QUE A ESPERANÇA CONTINUE FORTE EM NOSSOS CORAÇÕES, QUE UM DIA TENHAMOS CORAGEM PRA MUDAR ESSE QUADRO REPULSIVO NA NOSSA POLÍTICA BRASILEIRA .

nidia disse...

Boa tarde Fernando
Esse é o quadro que vem sendo pintado há alguns anos e que nós, classe média, permitimos que chegasse a esse ponto. Cabe a nós tomarmos providências pra que a coisa não piore. A única parte da sociedade que está preocupada com a situação da classe média é a própria classe, somos nós mesmos.
Se não tomarmos alguma atitude e ficarmos na inércia, reclamando, nada vai mudar. Temos que fazer parte da coisa. Temos que exercer a nossa cidadania de fato. Devemos nos filiar aos partidos políticos e quiçá, fazermos parte dessa classe, para que possamos ir moralizando aos poucos o cenário que hora é vergonhoso. Temos que nos comprometer de fato, com a nossa própria causa. Conduzir, com nossas próprias mãos as rédeas do nosso destino.
Portanto amigos, mãos a obra. Vamos levantar o bumbum da cadeira e ir à luta. Se todos os indignados fizerem a sua parte, vai haver uma REVOLUÇÃO.

Fernando Soares disse...

Olá Nidia, olá Reinaldo.
Infelizmente, a pouca visão da nossa mídia e da nossa academia , sem falar, é claro, da completa cegueira dos nossos políticos, insiste em tachar a classe média como uma elite privilegiada, egoista e opressora das camadas mais pobres. Neste sentido, a desvalorização da classe média reflete a opção do país pelo estatismo, pelo atraso e pela adoção de um socialismo de araque. Nada muito diferente da Venezuela , onde existe uma política oficial de destruição da classe média , para que Chávez e seus asseclas implantem o seu projeto de poder eterno. Lula e o Brasil estão indo pelo mesmo caminho. Tem razão, Nídia. Sem uma reação coletiva e consciente dos que prezam a democracia e a livre iniciativa, Lula e sua turma vão nos fazer chegar lá. Onde eles querem que cheguemos...