terça-feira, julho 31, 2007

CANSAÇO TARDIO

Infelizmente, foi preciso uma tragédia nas proporções da que ocorreu em Congonhas para conduzir a tomada de consciência de uma parcela da sociedade, em especial de setores indignados da classe média,consubstanciada na organização de um amplo movimento pelos direitos cívicos dos cidadãos, denominado “Cansei”.Na verdade, é um cansaço tardio, já que o governo Lula , desde o início do primeiro mandato, tem se fartado em demonstrações de incompetência administrativa, mal uso do dinheiro publico e corrupção explícita. Mas, antes tarde do que nunca.


Foto:Aviões explodindo, caos nos aeroportos. Apagão aéreo? O apagão é do governo Lula.
CANSAÇO TARDIO

Existem males que vêm para o bem.Basta que se tire de acontecimentos ruins a lição necessária para que novas atitudes construtivas sejam tomadas. A crise aérea que assola o País, e que provocou a morte de mais de 300 pessoas ficará contabilizada apenas no rol dos grandes déficits se não servir para que algo positivo nasça de suas cinzas. E esta luz no final do túnel começa a se consubstanciar na ação de setores influentes da sociedade civil , situadas predominantemente na classe média,na defesa de seus direitos de cidadãos, que lhes têm sido surrupiados nos últimos anos , pela ação sistemática do governo no sentido de destruir a classe média em favor de uma sociedade predominantemente pobre e desinformada, disposta a trocar a cidadania pela eterna dependência das esmolas governamentais.

Durante os últimos anos a classe média brasileira permaneceu adormecida, assistindo passivamente a malversação, o desperdício, a corrupção generalizada, a incompetência, a inação e o assalto indiscriminado ao bolso dos cidadãos e das empresas, praticados por um governo que só parece se preocupar em agradar a sua massa eleitoral mediante programas assistencialistas. Na verdade, o governo Lula não tem sido o de toda a sociedade. E isto ele não faz a mínima questão de esconder.Já desde o inicio de sua gestão, ficou evidente a sua má vontade para com a classe média , sempre confundida, nas cartilhas da ideologia petista, com a tal “elite dominante”, responsável pela desigualdade social e por todas as outras desgraças que assolam este país.Este discurso maniqueísta permaneceu, mesmo com a ascensão do PT ao poder, agravado pelo fato de, agora, vir acompanhado de práticas que visam, sobretudo, desestimular o livre empreendimento e a geração de empregos Para o lulo-petismo, a classe média não é vista como constituída por cidadãos que trabalham , geram empregos e sustentam este país com seus impostos. Deve ser porque grande parte da camarilha petista nunca pegou duro no batente.

Nos anos em que fez oposição a tudo e a todos, o PT sempre se apresentou como O defensor dos fracos e dos oprimidos, e Lula sempre se colocou como o messias redentor desta massa de desvalidos.No governo, os fatos mostraram outra verdade: Lula e o PT, pelo que demonstraram até agora, não passam de um agrupamento político movido pelo interesse exclusivo no poder, pelo poder.Para isto, tomar de assalto a máquina estatal, aparelha-la com seus partidários e apadrinhados ,realizar políticas , mesmo que sejam imorais e antiéticas, que objetivem a sua perpetuação no poder,passaram a ser as verdadeiras prioridades do partido e do governo. Daí a razão para a descoberta em 2005, do grande esquema de corrupção protagonizado pelo PT. Daí a razão da completa incompetência que este governo demonstra em todos os setores da administração.

Neste sentido, foi sintomática a reação do assessor presidencial, Marco Aurélio Garcia, traduzida num gesto obsceno, ao tomar conhecimento de que a queda do avião da TAM poderia ser creditada apenas a um erro do piloto na manobra de aterrissagem.Era a manifestação de um sentimento de alivio de quem pouco se importava com o sofrimento de centenas de familiares e amigos dos passageiros mortos, e só se interessava com os estragos que esta tragédia faria nos alicerces do governo do qual é um dos ideólogos mais considerados. Neste caso,como em outros, o que preocupava o governo petista era manter inabalável o poder conquistado.Mas se deu mal.

A sociedade finalmente parece ter acordado para o fato de que se não o culpado pelo acidente do dia 17 de julho – o que vai ser apurado pelas investigações –, o governo é, sim, o culpado por todo o caos instalado nos aeroportos do país desde o acidente com o avião da Gol, em setembro de 2006. Culpado por ser o responsável por toda(falta de ) estrutura aeroportuária do país, através do Ministério da Defesa- que somente agora teve o ministro substituído - e por órgãos como a ANAC e a INFRAERO. O que se viu nestes últimos meses foi um show de incompetência marcado por indecisões, desinformações, falta de conhecimento técnico, contradições, mentiras e atos obscenos, que se refletiu no caos que tomou conta dos principais aeroportos, e trouxe reflexos negativos na economia do país. Ao invés de medidas no sentido de colocar ordem no caos e dar segurança aos passageiros, o governo meteu os pés pelas mãos , se escondeu, se isentou de responsabilidades, e deixou os cidadãos entregues a própria sorte.

Infelizmente, foi preciso uma tragédia nas proporções da que ocorreu em Congonhas para conduzir a tomada de consciência de uma parcela da sociedade, em especial de setores indignados da classe média,consubstanciada na organização de um amplo movimento pelos direitos cívicos dos cidadãos, denominado “Cansei”.Na verdade, é um cansaço tardio, já que o governo Lula , desde o início do primeiro mandato, tem se fartado em demonstrações de incompetência administrativa, mal uso do dinheiro publico e corrupção explícita. Mas, antes tarde do que nunca.

Muitos temem que este seja um movimento motivado pela força da emoção, fruto de um sentimento de indignação momentâneo e fugaz, incapaz, pois, de ampliar o seu leque de preocupações, e tendente ao esvaziamento, dado a histórica falta de mobilização da classe média. Vamos torcer para que não. O governo Lula está a merecer uma oposição de fato. Se a oposição partidária no Congresso, que se vende ao governo pelo preço da liberação de qualquer mísera emenda orçamentária, não consegue representar o sentimento oposicionista de grande parcela da sociedade, que esta se organize e passe a exigir deste governo o cumprimento de suas atribuições constitucionais. Se, mesmo assim, o governo continuar entregue ao descaso, à incompetência e à negligência com que vem se comportando desde o início do primeiro mandato de Lula, que este movimento se transforme num movimento mais amplo, pelo impeachment deste governo. Motivos não faltam.
310707

terça-feira, julho 17, 2007

MEDALHA DE OURO NA CORRUPÇÃO

Nos seus freqüentes, infindáveis e hilariantes discursos , o presidente insiste em se comparar aos seus antecessores, se colocando ,quase sempre, em posição superior.É como se existissem dois brasis, um, antes de Lula, e outro, depois dele. A se acreditar nele, o país lulo-petista tem mais educação, mais saúde, maior segurança, melhor infra-estrutura, mais exportações, maior desenvolvimento agrícola, melhores estradas, mais emprego , melhores salários, e... menos corrupção. Infelizmente, os fatos e os levantamentos estatísticos desmentem o presidente.


FOTO:A maioria dos escândalos ficou mal esclarecida, e a totalidade, impune.
MEDALHA DE OURO NA CORRUPÇÃO

Nunca houve tanta corrupção neste país quanto no governo Lula da Silva. Pelo menos é o que diz a reportagem do jornal O Tempo, de Belo Horizonte, em reportagem publicada neste domingo. A matéria contabilizou mais de cem escândalos nas diversas instâncias do Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Sem considerar os escândalos “menores”, o governo Lula, em quatro anos e meio, já somou 33 escândalos de grande repercussão junto à opinião pública. Recorde absoluto.O governo Collor, em três anos de mandato contou três escândalos de grande monta; o governo Itamar, em dois anos somou cinco escândalos e o governo FHC, considerado por Lula como o mais corrupto da História, teve revelado, em oito anos de mandato, sete escândalos de corrupção.

Neste campeonato nada dignificante, o governo petista faz a sua defesa com o argumento de que a sua “transparência”e a pronta ação de órgãos públicos e governamentais, como o Ministério Público, a Polícia Federal e a Corregedoria, é que possibilitaram que os casos de corrupção viessem à luz, dando a falsa impressão de que este governo é mais corrupto que os anteriores. Mas não é bem assim,sabemos nós.

Primeiro porque, diferentemente dos governos anteriores, parte significativa do rol de denúncias apresentadas atingiram o próprio núcleo do Poder,envolvendo personagens do primeiro escalão governamental, muitos deles diretamente ligados ao Presidente, e, em muitos casos, resvalando na figura do próprio Lula, como foi o caso da sucessão de denúncias que ficou conhecida como o Escândalo do Mensalão-Valerioduto. Neste caso específico, os indícios foram muito claros no sentido de que, muito mais do que um esquema de desvio de dinheiro público, se tratava – e o que é mais grave – de uma estratégia do PT visado a tomada e a perpetuação no Poder, através da desmoralização sistemática e por fim o aniquilamento das instituições democráticas. Portanto, a onda de corrupção tinha um sentido político. Não se tratava, pois, de casos de corrupção desconectados. Estava em curso, no primeiro mandato de Lula, um golpe contra a democracia, financiado com dinheiro da corrupção , visando à instalação de um regime autoritário e populista, sob a hegemonia do PT e a chefia de Lula.

A tese da “transparência” e da “probidade” deste governo também cai por terra porque, mesmo que desconsideremos a existência de um complô do partido contra as instituições, durante os quase cinco anos de governo petista os escândalos se revelaram, muito mais devido ao trabalho investigativo da Imprensa, do que à ação de qualquer órgão governamental. Ao contrário do que quer fazer crer o governo, desde o caso Waldomiro Diniz até o caso Renan Calheiros, o que mais se viu foi o governo dedicado a constranger, esconder, tergiversar, abafar, mentir, do que qualquer ação no sentido de colaborar com as investigações, esclarecer e afastar suspeitos.

Waldomro Diniz, assessor do ministro José Dirceu, protagonista do Escândalo dos Bingos, não foi demitido, mas se afastou, a pedido.O mesmo aconteceu com o seu chefe, quando do escândalo do Mensalão.Da mesma forma, os diversos protagonistas dos inúmeros casos de suborno, extorsão, propina, fraude, tráfico de influência, lavagem de dinheiro, remessa ilícita de dinheiro ao exterior, caixa dois e muito mais, receberam de Lula o olhar condescendente e o manto da proteção governamental.Portanto, quem afastou, um a um estes personagens do palco do poder foi muito mais a pressão da opinião pública e o trabalho contínuo e incansável da mídia, principalmente da mídia impressa..

Nesta sucessão de escândalos que vem marcando os seus dois mandatos, permanece emblemática e enigmática a participação do próprio presidente, uma vez que, na maioria deles, pessoas muito próximas, política ou pessoalmente, de Lula estiveram envolvidas..Existe um antigo provérbio que diz: “Diz-me com quem andas e eu te direi quem és”.Certamente Lula não tem andado em boa companhia. José Dirceu, José Genoino, Paulo Okamoto, Luis Gushiken, Antonio Palloci, Gilberto Carvalho, Delúbio Soares, João Paulo,Freud Godoy, Jorge Lorenzetti, além de aliados políticos como Roberto Jefferson, Waldemar Costa Netto , Jader Barbalho e Renan Calheiros, todos eles muito próximos, e até íntimos, do presidente, e com posição de relevo no governo caíram em desgraça por comportamento pouco ético e republicano. Isto sem falar de parentes do presidente , como Lulinha, filho que se meteu num negocio suspeito e altamente lucrativo com a Telemar, e Vavá, irmão mais velho que foi apanhado fazendo lobby para uma máfia envolvida com caça-níqueis.

Sobre todos os fatos e sobre todos os nomes envolvidos, Lula tem uma resposta padrão: “Não vi, não ouvi, nada sei”.Lula incorporou plenamente o papel de idiota, numa atitude de esperteza cabocla. Atitude semelhante, que em qualquer país sério teria provocado o afastamento do chefe de governo por incompetência e irresponsabilidade, no Brasil não lhe causou nenhum transtorno maior. Pelo contrário, até lhe garantiu uma reeleição,talvez pela histórica passividade da sociedade ou pela incompetência da oposição que não soube trabalhar politicamente sobre as fraquezas deste governo.

Nos seus freqüentes, infindáveis e hilariantes discursos , o presidente insiste em se comparar aos seus antecessores, se colocando ,quase sempre, em posição superior.É como se existissem dois brasis, um, antes de Lula, e outro, depois dele. A se acreditar nele, o país lulo-petista tem mais educação, mais saúde, maior segurança, melhor infra-estrutura, mais exportações, maior desenvolvimento agrícola, melhores estradas, mais emprego , melhores salários, e... menos corrupção. Infelizmente, os fatos e os levantamentos estatísticos desmentem o presidente. O que realmente comprova a afirmação de que este governo talvez seja o mais corrupto da história é a sequência de escândalos revelados dia após dia, bem como a atitude contemplativa e cúmplice do governo diante deles.

Numa analogia com os Jogos Pan-americanos que se desenvolvem no Rio, Lula não teria dificuldade de , numa disputa com os governos anteriores, conseguir a medalha de ouro na modalidade “corrupção pública”.Talvez, tal fato explique em grande parte o motivo da estrondosa vaia que levou no Maracanã lotado na cerimônia de abertura.Ela traduz o sentimento de uma parcela bastante significativa do povo brasileiro em relação ao seu governo. A platéia presente no Maracanã foi apenas o canal para a transmissão deste sentimento.
170707

quarta-feira, julho 11, 2007

"DAQUI NÃO SAIO"

Tal como o refrão de uma antiga marcha carnavalesca, o presidente do Senado ,Renan Calheiros, parece dizer: “Daqui não saio, daqui ninguém me tira”Chega a ser patética a reação do presidente do Senado diante das pressões para que se afaste da cadeira de presidente e se defenda, simplesmente como senador, no Conselho de Ética.No Senado, os próprios aliados de Renan já não o defendem mais com o ardor de antes. Começam a compreender que Renan é um cadáver insepulto cujo mau cheiro já passa a incomodar a todos, enquanto a oposição começa a manter entendimentos com a ala governista em torno de um nome para a presidência que seja palatável aos dois lados.


Charge de Glauco

“DAQUI NÃO SAIO”

Tal como o refrão de uma antiga marcha carnavalesca, o presidente do Senado ,Renan Calheiros, parece dizer: “Daqui não saio, daqui ninguém me tira”Chega a ser patética a reação do presidente do Senado diante das pressões para que se afaste da cadeira de presidente e se defenda, simplesmente como senador, no Conselho de Ética.Mas Renan, não se sabe se por tática pensada ou por puro desespero, diz que não sabe do que é acusado e insiste em permanecer na presidência. Respondendo ontem, no plenário do Senado, a um questionamento do líder do PSDB, Arthur Virgílio , Renan partiu para o ataque e , num claro tom de desafio, afirmou que a oposição terá que “sujar as mãos” se quiser tirá-lo da cadeira de presidente.

O que Renan quer é continuar a intervir , da presidência, no processo que contra ele se desenvolve no Conselho de Ética.Agarra-se ao cargo porque sabe que ao se afastar perderá toda a força e todos os privilégios dele advindos.Sabe também que ao renunciar à presidência da Casa não ficará livre do processo, e terá perdido todas os instrumentos de pressão e manipulação que ainda possui, sem falar do apoio de um grupo de senadores coniventes ou subservientes.Não quer repetir o que considera o erro fatal de um dos seus antecessores, Jáder Barbalho ,que, acusado de desvio de verbas públicas no Pará , se afastou da presidência do Senado mas não se livrou do fardo das denúncias. Ao contrário, as acusações se multiplicaram, obrigando-o a renunciar ao cargo de senador para evitar a cassação certa.

A situação atual chega a ser constrangedora para Renan e para o Senado, se é que eles se constrangem com algo. Os partidos de oposição começam a adotar a tática da obstrução nas votações do Senado na esperança de que o senador alagoano caia na real e desconfie que sua atitude, além de estar colocando toda a opinião pública contra o Senado, também começa a incomodar setores do governo que se sentem prejudicados com a sua teimosia. O que os partidários de Lula menos querem é ver, numa posição estratégica como a de presidente do Senado e do Congresso, um aliado fraco e sob bombardeio incessante. Na Câmara dos Deputados, parlamentares já se recusam a participar de sessões do Congresso sob a presidência de Renan, o que demonstra a sua quase total perda de apoio..

No Senado, os aliados de Renan, exceto a meia dúzia de senadores inexpressivos que ainda se mantém caninamente fiéis ao seu dono, já não o defendem mais com o ardor de antes. Começam a compreender que Renan é um cadáver insepulto cujo mau cheiro já passa a incomodar a todos, enquanto a oposição , ciente de que não será capaz de fazer o sucessor de Renan, começa a manter entendimentos com a ala governista em torno de um nome que seja palatável aos dois lados.

Mas Renan insiste e resiste. Tenta direcionar o imbróglio no sentido de se trataria de uma mera disputa política entre governo e oposição, e que seu afastamento significaria uma derrota do governo como um todo. Alega, sem nenhuma razão, que se trata de uma tentativa de golpe oposicionista no Congresso. Implora por um apoio mais explícito do Presidente Lula, o único que, supõe, pode livrá-lo desta enrascada. Lula pode ser tudo, mas não é louco, e, por isto, se limita a um mero apoio formal ao seu aliado. Lula compreende que Renan já está com a corda no pescoço e os seus dias contados.Por isso, já deve estar articulando para que seu sucessor no Senado seja alguém tão fiel ao governo quanto Renan foi enquanto teve , de fato , poder.

Renan está praticamente só e supõe que o tempo é o seu aliado. Imagina que o recesso parlamentar mais a disputa dos jogos panamenricanos poderão desviar a atenção da mídia e se transformarem em aliados na tarefa de fazer com que o assunto esfrie e caia no esquecimento. Pode ser, mas é muito difícil que aconteça. A situação chegou a um ponto sem retorno.O mais provável é que novas denúncias se sucedam e o coloque numa tal situação, que não lhe restará outro caminho se não o da renúncia. Não só à presidência do Senado, mas também ao cargo de senador.Na situação atual, Renan é um incômodo gigantesco para o governo.Somente ele não desconfia disso.
110707

terça-feira, julho 10, 2007

CLASSE MÉDIA ESPOLIADA

O Estado brasileiro e os sucessivos governantes, nestas últimas décadas, têm se dedicado a uma tarefa contínua e sistemática de destruição da classe média. Falo especialmente da classe média da iniciativa privada.São décadas de políticas econômicas equivocadas, tributação casuística , regulamentações excessivas, projetos mal elaborados, que visam sugar seus recursos e transferi-los para as mãos do Estado. O propósito alegado é o de promover o bem comum, a tão propalada “justiça social”, num país onde a maioria da população transita entre a pobreza e a indigência.Na verdade, tal política tem conduzido mais ao empobrecimento gradativo da classe média do que provocado a pretensa ascensão econômica das camadas baixas.


Tal como na França no séc ,XVIII, a classe média brasileira carrega, nas costas, políticos, altos funcionários e banqueiros.Precisaremos de uma revolução?

CLASSE MÉDIA ESPOLIADA
O Estado brasileiro e os sucessivos governantes, nestas últimas décadas, têm se dedicado a uma tarefa contínua e sistemática de destruição da classe média. Falo especialmente da classe média da iniciativa privada.São décadas de políticas econômicas equivocadas, tributação casuística , regulamentações excessivas, projetos mal elaborados, que visam sugar seus recursos e transferi-los para as mãos do Estado. O propósito alegado é o de promover o bem comum, a tão propalada “justiça social”, num país onde a maioria da população transita entre a pobreza e a indigência.Na verdade, tal política tem conduzido mais ao empobrecimento gradativo da classe média do que provocado a pretensa ascensão econômica das camadas baixas.

Neste sentido, governo lulo-petista superou a todos os anteriores. Sob o pretexto de resgatar da miséria os milhões de brasileiros que permanecem neste estágio, praticamente tomou de assalto o bolso da classe média , através de uma carga tributária escorchante, além de inflar a máquina pública e adotar uma política restritiva ao crescimento econômico. Manietada em sua iniciativa , a classe média tem assistido a queda dos seus rendimentos , do seu poder de consumo, e, na maioria dos casos, da sua capacidade de investimentos em micros e pequenos negócios, o que contribui para a queda das atividades econômicas.

Para piorar, o dinheiro arrecadado que deveria ser corretamente aplicado em obras e serviços de qualidade em benefício da população, não o é. Os exemplos estão aí. Assistimos, mais do que nunca, a um processo de destruição das estradas, dos serviços de infra- estrutura, saúde, educação, segurança, e por aí vai. A classe média, que sustenta compulsoriamente com seus impostos a má gestão é a que mais sofre as consequências já que para garantir um mínimo de qualidade às suas necessidades básicas, é obrigada a empregar grande parte de seu orçamento familiar no pagamento de escolas particulares, segurança privada e planos de saúde.Isto se não quiser que seus filhos sejam deseducados em uma das escolas públicas de péssima qualidade, assistir algum membro de sua família ser atirado numa maca nos corredores de um hospital público qualquer, ou correr o risco de ser assaltado,sequestrado ou vítima de uma bala perdida. Desta forma, vive a classe média a situação paradoxal de sustentar um sistema que não funciona, de qual ela é excluída, eainda pagar para ter direito a um mínimo de qualidade de vida.

Mas o mais grave é a desfaçatez com que os homens públicos em geral, e os políticos em particular, fazem uso dos recursos compulsoriamente colocados à sua disposição . São usados uma série de artifícios legais e ilícitos para transferir grande parte destes recursos para os bolsos e as contas bancárias de parlamentares, altos funcionários , magistrados e empresários , tudo sob o manto da impunidade. O Brasil, sem dúvida, é um dos campeões no ranking da corrupção e do mal uso do dinheiro público.

O esquema de corrupção montado pelo partido governista, revelado em 2005 e, até agora, não totalmente esclarecido, é o exemplo mais evidente de como no Brasil os interesses públicos e os interesses escusos se confundem, incentivados pela impunidade prevalente.Passado quase dois anos da revelação do esquema do valerioduto-PT”, com exceção de dois deputados cassados , nenhuma outra punição se concretizou, e o governo e o partido responsável por tudo conseguiram um número significativo de votos na última eleição, o que de certa forma representou uma absolvição.A série de denúncias não cessou por aí. Pelo contrário, uma sequência de escândalos envolvendo altas figuras da elite política e econômica prossegue a todo vapor .Políticos,magistrados e empresários com interesses na área pública continuam a ser investigados pela PF e pelo MP, expostos pela imprensa ao conhecimento público, aumentado o grau de indignação de parcelas da população, mas nada tem resultado de concreto , em termos de punição.

Mas, como fazer a defesa da classe média brasileira sem deixar de considerar a sua passividade diante das forças que contra ela atuam? Tem sido inexpressiva sua capacidade de mobilização na defesa de seus interesses.A classe média brasileira, com sua aversão à política, uma certa tendência a olhar para o próprio umbigo e ignorar o resto, e uma certa tendência a acreditar que o exercício da cidadania deva se limitar ao pagamento dos impostos e à participação obrigatória nas eleições ,tem parcela fundamental de culpa no fato de carregar nas costas esta elite improdutiva, e dela receber muito pouco em troca.

A parcela mais politizada da classe média lamenta com razão, o fato de se sentir pouco representada no contexto político e partidário. Os partidos políticos raramente assumem a defesa dos ideários desta classe – a defesa do liberalismo, da redução de impostos, da diminuição do Estado - , preferindo voltar todo o seu discurso e seus projetos para as classes mais pobres.E não existe um dentre eles que incorpore por inteiro a defesa dos interesses da classe. No contexto político atual, o Democratas (ex-PFL) seria o,que mais se aproximaria deste modelo de partido de centro –direita. Mas é um partido tão irremediavelmente comprometido com as velhas praticas do fisiologismo e do clientelismo político, que quaisquer atitudes na direção de práticas políticas mais modernas soam como falsas.

Caminha, desta forma, o Brasil para mais uma etapa do governo Lula na qual o debate sobre o real papel do Estado e da sua dimensão é negligenciado , em troca das discussões fúteis,das promessas demagógicas, das agressões verbais e dos acordos fisiológicos. As reformas estruturais capazes de transformar o país num estado enxuto, dinâmico e menos oneroso para o cidadão continuam paradas, ou caminham a passos de jabuti, a máquina pública cada vez mais inflada e lenta.O dinheiro público parece tomar todos os caminhos possíveis, menos o do emprego correto em obras e serviços de qualidade para a população.Lula continua a investir num governo onde a propaganda supera a realidade e faz do seu poder de sedução- as pesquisas de opinião têm comprovado isto - junto ás classes populares o instrumento para o seu projeto de continuação no poder. Sua reeleição representou a certeza de mais quatro anos de sofrimento para a classe média e de empobrecimento geral do País.

O fato é que pouco se tem discutido sobre o papel da classe média na cena política do Brasil Como disse,os nossos políticos e intelectuais raramente atacam as questões que angustiam os setores médios,que são, no final das contas, as questões do próprio país, se é que este se pretenda afirmar como uma nação dinâmica,inserida de maneira competitiva no contexto do capitalismo global.. Enquanto a classe média permanecer espoliada e inerte, assistirá, ano após ano, o seu caminhar progressivo na direção das camadas mais pobres ,ao mesmo tempo em que se estabelecerá um abismo cada vez mais fundo entre a minoria cada vez mais rica e a maioria pobre da sociedade, num processo que bem poderia ser definido como de“socialização da pobreza”, tão ao gosto do lulo-petismo.

090707

quinta-feira, julho 05, 2007

ENTRE DOIS FOGOS

O Rio de Janeiro , como de resto o Brasil, carece de uma política de segurança planejada, eficaz e efetiva.E para tal não basta subir os morros dando tiros a torto e a direito, liquidando bandidos, mas também matando inocentes. Será preciso subir também com políticas públicas que resgatem a dignidade dos moradores destas áreas e façam com que deixem de ser eternos reféns de assassinos e de balas perdidas, tanto de um lado como de outro.



Foto: Líbano, Iraque, Palestina? Não.É o Complexo do Alemão, Zona Norte, Rio de Janeiro, Brasil.

ENTRE DOIS FOGOS

Todos estamos de acordo que o governo deve ser eficiente no combate ao crime organizado. Não pode permitir que territórios permaneçam distante do controle do Estado, entregues a quadrilhas de traficantes com poder de vida e morte sobre a população , como ocorre agora no RJ. Durante décadas, numa mistura de negligência, incompetência e cumplicidade, os sucessivos governos do RJ - mais precisamente, a partir da primeira gestão de Leonel Brizola(1982-86) - não fizeram o seu dever, e, por isto, assistimos a ocupação progressiva dos morros e da periferia da cidade -maraviLhosa por quadrilhas de traficantes armados,que se encastelaram nestes territórios e impuseram as sua leis particulares, transformando-os em autênticos estados paralelos, sobre os quais o estado legal não tem nenhum controle.

Mas não é tão consensual o fato de que o combate à criminalidade no Rio de Janeiro, como ,de resto,no Brasil, não é uma tarefa simples, a requerer somente o uso da força. Os territórios onde os traficantes estabeleceram as suas bases, são, sobretudo, comunidades onde vivem milhões de cidadãos pobres e honestos, que, por absoluta falta de opção, são forçados a viver nestes espaços degradados e conflagrados.Mais do que ninguém, são estas pessoas as principais vítimas deste estado de caos social e legal que predomina nestes espaços.

A atual ação da polícia fluminense e das Forças de Segurança Nacional no conjunto de favelas denominado Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro, tem sido alvo de controvérsias e de pesadas críticas no sentido de que ela extrapola da sua finalidade e entra pelo caminho do desrespeito aos direitos do homem e do cidadão. O fato é que são crescentes as denúncias de que os policiais envolvidos na operação não distinguem entre bandidos e cidadãos inocentes da comunidade. Muitos observadores, com um certo exagero falam em “genocídio”, e denúncias estão sendo encaminhadas a organismos internacionais de Direitos Humanos.

A operação de guerra que dura mais de50 dias já causou, pelos dados oficiais, 24 mortes e 76 pessoas feridas com gravidade.Segundo levantamentos não oficiais, o número de mortos e de feridos seria muito maior. Este cerco militar ocorre em comunidades nas quais vivem mais de 100.000 pessoas e têm alterado profundamente a vida cotidiana destas comunidades , além de cerceado direitos essenciais como o de ir e vir , e o de frequentar escolas- um total de 4.800 crianças sem estudar. Tem afetado a prestação de serviços essenciais como o da coleta de lixo e o fornecimento de água e de energia elétrica. Também vem sendo notado o fato de que a atenção da mídia para com a sorte da população que vive nestas comunidades tem sido infinitamente menor do que o espaço dado, por exemplo, quando conflitos envolvendo traficantes atingem bairros de classe média da zona sul, como Leblon, Ipanema ou Copacabana.

Na busca de uma solução para o problema da violência urbana e do crime organizado prevalece , infelizmente, o velho debate, radicalizado e maniqueísta, e, por isto, equivocado e infrutífero. De um lado, se colocam os que defendem o uso puro e simples da força
policial como a única maneira de liquidar o tráfico e a criminalidade, e desprezam o fator social como inserido no contexto da criminalidade. Do outro lado, estão os que consideram a criminalidade como resultado quase que exclusivo das desigualdades e das péssimas condições sociais em que vivem estas populações. Por isto, costumam minimizar a importância do uso da coerção e da repressão e priorizam a adoção de políticas públicas na área social como solução do problema.

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. O extremismo contido nestas posições, tanto de um quanto de outro lado, muitas vezes prejudica o debate e dificulta o encontro de uma solução eficaz.É preciso estabelecer certos parâmetros na discussão, para concluir que o ataque à criminalidade aguda deve ser feita, prioritariamente, pelo combate frontal às quadrilhas, desde que tal ação não ofenda os direitos fundamentais da população que vive nas comunidades dominadas pelo crime. Mas, a liquidação definitiva da criminalidade vai muito além do uso sistemático da repressão. Tem que conjugar a coerção com medidas sociais que acentuem a presença do Estado nestas comunidades, e afaste definitivamente as quadrilhas de traficantes..Em artigo anterior já mencionei que a Colômbia tem trilhado, com sucesso , este caminho e poderia servir de exemplo. O governador do Rio, Sérgio Cabral esteve lá. Só não se sabe se aprendeu a lição.

Neste caso particular da guerra entre policiais e as quadrilhas que dominam o Complexo do Alemão, é fato que, apesar de toda repercussão que a ação policial vem tendo, o uso continuado da força torna-se inútil, por não estar inserido num programa estratégico e amplo de combate à criminalidade. Ao final,de nada terá adiantado este enfrentamento entre bandidos e policiais , se, ao se retirar, a polícia deixar a favela entregue à própria sorte,pronta para receber de volta os traficantes. que voltarão a dominá-la

Daí cabe a pergunta: no atual contexto, o que tem sido feito para fazer o Estado uma presença efetiva na comunidade de tal forma a dar ao cidadão que nela vive a certeza de verem atendidas, permanente e continuadamente, as suas necessidades básicas no campo da saúde , educação ,saneamento, lazer e segurança? Pelo que se sabe, nada. E com isto quem sofre são os cidadãos pobres e honestos destas comunidades. E sofrem duas vezes: primeiro, na mão dos traficantes, pela total ausência do Estado nas suas comunidades.Depois , pelos excessos cometidos na ação policial

O Rio de Janeiro , como de resto o Brasil, carece de uma política de segurança planejada, eficaz e efetiva.. E para tal não basta subir os morros dando tiros a torto e a direito, liquidando bandidos, mas também matando inocentes. Será preciso subir também com políticas públicas que resgatem a dignidade dos moradores destas áreas e façam com que deixem de ser eternos reféns de assassinos e de balas perdidas, tanto de um lado como de outro.
050707

segunda-feira, julho 02, 2007

O ODOR FÉTIDO DO SENADO

O fato é que esta sucessão de denúncias envolvendo a cada dia um novo senador e as grotescas manobras de acobertamento deste mar de lama, nos fazem pensar e concluir sobre a inutilidade da existência do Senado Federal.Muitas democracias do mundo adotam, com sucesso, o sistema unicameral de representação. O contribuinte, com certeza, ficaria sinceramente grato pelo fim deste antro de absorção do dinheiro público e palco permanente do cinismo, da desfaçatez e do desprezo com o interesse público em que se transformou o Senado . E o odor fétido a que se referiu o senador pernambucano certamente seria muito menor.



O ODOR FÉTIDO DO SENADO

O Senado Federal não está apenas “sangrando”, como querem muitos. Está “fedendo”. E quem diz não sou eu, nem quem tem observado com certo interesse o dia- a- dia da farsa montada pelos senadores na tentativa de livrar a cara do seu presidente, Renan Calheiros.Quem afirma é o senador pernambucano Jarbas Vasconcelos, por sinal um dos poucos a não se calar de maneira subserviente diante da trama pró absolvição.

Constituído em sua maior parte por caciques políticos – ex-presidentes, ex -vice -presidentes, ex-governadores, ex-ministros – o Senado , antes conhecido como a casa da da moderação, da cordialidade, e do bom senso, é hoje um reduto onde se aconchegam tanto políticos em final de carreira- caso, por exemplo, dos senadores José Sarney, ACM, Epitácio Cafeteira, Marco Maciel, - como também políticos que usam a casa como um mero trampolim para saltos mais altos – um governo de estado, um ministério, ou, quem sabe?, até mesmo a presidência da República.O fato é que o Senado, hoje, está ficando longe daquilo que o falecido senador Darci Ribeiro definia como “algo muito semelhante ao paraíso, com a diferença de que para se alcançar o paraíso seria preciso morrer”.


O fato é que o “paraíso senatorial” da analogia de Darci tem se transformado, nos últimos tempos , num inferno, tanto para os senadores envolvidos em sucessivos escândalos, quanto para o cidadão contribuinte. Muitos atribuem esta modificação de comportamento à TV Senado , que, ao transmitir ao vivo o trabalho- ou a falta de trabalho -dos senadores,deu mais transparência e visibilidade às suas atividades e ao seu comportamento. Pode ser coincidência, mas foi após o advento da TV que assistimos à cassação de um Senador- Luis Estevão- , a renúncia de três senadores- ACM, José Roberto arruda e Jader Barbalho – para evitar a cassação, e , agora, assistimos ao imbróglio envolvendo o presidente Renan Calheiros e, de quebra, outro, envolvendo o senador brasiliense Joaquim Roriz.

Por envolver o presidente do Congresso, um dos principais artífices e avalistas da aliança que sustenta o governo, o caso Renan Calheiros, sem dúvida, tomou proporções gigantescas.Denunciado por cobrir despesas de sua ex-amante com recursos pagos por um lobista da empreiteira Mendes Junior, a questão que deveria ter sido rapidamente resolvida, com o imediato afastamento do suspeito do cargo de presidente do Senado, para facilitar uma pronta e profunda investigação do caso, se transformou num tragicomédia com roteiro de quinta categoria , dirigida dos bastidores pelo próprio investigado.A partir de então, ao sentimento corporativo, no que de pior existe, juntou-se o espírito governista, numa tentativa canhestra de se preservar a todo custo a aliança que sustenta o governo Lula.

Assim sendo, nas últimas semanas fomos obrigados a engolir uma sucessão de cenas deploráveis, a saber : um corregedor (Romeu Tuma) açodadamente “inocentando” o indiciado, antes mesmo de examinar os documentos; um presidente ( Siba Machado ) e um relator ( Epitácio Cafeteira) escolhidos a dedo pelos apoiadores de Renan; a adoção de um rito sumaríssimo, no propósito evidente de arquivar o caso; o auto-afastamento do relator titular em consequência da não votação do seu arremedo de relatório;a renúncia do relator substituto( Wellinton Salgado ) menos de 24 horas após ter sido escolhido ; as sucessivas tentativas de procrastinar as investigações da reunião do Conselho para que nada se investigasse; as suspeitas sobre a autenticidade dos documentos apresentados pelo indiciado; o comportamento dúbio dos oposicionistas no Conselho, que , em muitos momentos, pareciam fazer o jogo de Renan; o discurso de renúncia do presidente do Conselho, Sibá Machado, numa sessão plenária presidida pelo próprio Renan.que fazia de tudo para cercear os apartes.

Pois foi justamente um destes apartes que, saindo do script traçado pela maioria governista , valeu muito mais do que todo o conjunto das manifestações de insatisfação e de protesto feitas até agora com relação à atual situação do Senado..O aparte que valeu opor um discurso teve o mérito de mostrar que, conforme a fábula, o rei estava nu. “O que não pode é ( o senado) ficar sangrando, e ,mais do que isso, fedendo”, disse, do alto de sua estatura moral e política, o senador Jarbas Vasconcelos, uma das raras figuras que ainda merecem crédito no Senado. O senador pernambucano protestou contra a farsa em andamento, se referiu à desmoralização do Senado, pediu uma solução urgente para o caso e ,de quebra, ainda se disse indignado com o fato constrangedor de Renan presidir a sessão em que o presidente do Conselho apresentava os motivos de sua renúncia ao cargo.

Mas as palavras lúcidas, francas e contundentes de Jarbas parecem não terem sido suficientes para comover e chamar aos brios os senadores. Pelo contrário, a escolha do substituto do renunciante Sibá Machado recaiu sobre outro serviçal de Renan, o medíocre senador por Tocantins Leomar Quintanilha, apesar da oposição ter resolvido apresentar a candidatura do líder do PSDB, Arthur Virgílio, em que pese a sua suspeita troca de bilhetes com Renan , flagrada por fotógrafos no Senado, ter levantado dúvidas sobre as suas verdadeiras intenções.

A primeira trapalhada de Quintanilha foi convidar e, em seguida, desconvidar o senador Renato Casagrande para relator. Soube-se também que o senador eleito presidente do Conselho de Ética é, ele também, alvo de processos no STF e na Procuradoria Geral da República, por formação de quadrilha, prática de fraudes em licitações, estelionato e peculato. Ou seja, o atual Presidente do Conselho de Ética e de Decoro Parlamentar tem a ficha criminal tão suja que pode ser o próximo alvo das investigações do conselho que agora preside..

O fato é que esta sucessão de denúncias envolvendo a cada dia um novo senador e as grotescas manobras de acobertamento deste mar de lama, nos fazem pensar e concluir sobre a inutilidade da existência do Senado Federal.Muitas democracias do mundo adotam, com sucesso, o sistema unicameral de representação. No atual contexto, faz sentido a tese dos que defendem uma reforma política de verdade - e não o arremedo de reforma que está acontecendo na Câmara. E que nessa desejável reforma ,ao lado da adoção do Parlamentarismo se decidisse também pela abolição definitiva do Senado.Caso acontecesse, o país não ficaria pior do que já está, nem a democracia ficaria abalada.Mas o contribuinte, com certeza, ficaria sinceramente grato pelo fim deste antro de absorção do dinheiro público e palco permanente do cinismo, da desfaçatez e do desprezo com o interesse público em que se transformou o Senado . E o odor fétido a que se referiu o senador pernambucano certamente seria muito menor.
020707