quinta-feira, junho 28, 2007

PALESTINA EM CHAMAS

A paz ainda está muito distante de ser alcançada, e quem sofre é a população palestina, vítima de políticos fanatizados e inescrupulosos, que não pensam duas vezes antes de submeter seu povo ao sofrimento de sucessivas e infindáveis guerras. Muito mais do que Israel, os principais inimigos do povo palestino são os seus próprios dirigentes.



Foto:Disputa sangrenta entre o Fatah de Mahmoud Abbas, e o Hamas de Ismail Haniyeh, dificulta ainda mais a paz e a independência da Palestina.

PALESTINA EM CHAMAS

Não bastasse o infindável conflito com seu principal inimigo externo, Israel,os palestinos , no limiar da constituição de um estado independente, resolveram expor, de forma violenta, os profundos desentendimentos entre eles.O governo de coalizão, que unia os grupos rivais ,Hamas e Fatah, formado em janeiro de 2006 durou pouco, como se previa. E se desfez num sangrento conflito que se soma aos demais conflitos na região ,que fazem do oriente médio um verdadeiro barril de pólvora, há mais de cinqüenta anos.

A origem do atual conflito, que coloca em lados opostos as duas principais organizações políticas e militares palestinas, está nas profundas divergências ideológicas entre as duas correntes que disputam a supremacia política na Palestina e que durante décadas, com estratégias diferentes, lutaram pela expulsão ou até mesmo pela liquidação de Israel , e pela constituição do Estado Palestino.
.
De um lado está o Fatah, organização secular e nacionalista,criada em 1958, liderada por Yasser Arafat,atuando , inicialmente, como braço armado da Organização Para Libertação da Palestina(OLP) e, mais tarde, como uma organização política considerada moderada. Apoiou os acordos de Oslo(1993), que determinaram a retirada das tropas de Isralel sobre a Cisjordânia e Gaza, o reconhecimento de Israel pelos palestinos e a constituição da Autoridade Palestina sobre estes territórios. É o partido do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, e detém o controle das forças de segurança palestina.As principais lideranças do Fatah acreditam que o fim dos ataques palestinos a Israel é a chave para fazer com que Israel admita a existência de um estado palestino soberano.

Do outro lado, o Hamas, formado por militantes islâmicos fundamentalistas, criado em 1987, e que recentemente se transformou num partido político, mas sem perder as suas características de força militar. Até pelo contrário. Posiciona-se contra os Acordos de Oslo,pela retomada de todos os territórios ocupados popr Israel desde 1946, pelo uso permanente da força. Enfim,pela não aceitação da existência do Estado de Israel convivendo ao lado de um estado palestino.

O discurso radical do Hamas aliado ao comportamento pouco ético de políticos do Fatah, acabaram levando os radicais à vitória nas eleições de janeiro de 2006, fato que forçou a formação de um governo de “entendimento”, formado pelo presidente Mahmoud Abbas ( Fatah) e o Primeiro Ministro Ismail Haniyeh ( Hamas). O governo de união, como previsto, durou pouco e foi dissolvido no último dia 15, após uma semana de ataques do Hamas que tomou conta das Forças de Segurança , até então sob controle do Fatah , na faixa de Gaza, fechando as fronteiras da região e matando diversos membros da organização rival.Por seu turno, o partido de Abbas isolou-se na Cisjordânia e ,com o apoio da comunidade internacional, formou um governo de emergência. Começaram as conversações visando encontrar uma solução para o conflito que envolve os palestinos. Mas qualquer tipo de acordo esbarra na intransigência e no radicalismo do Hamas, colocando em risco mais uma vez as tentativas de paz. .

Trata-se,portanto,de uma das maiores crises já observadas na região.Israel reagiu prontamente à radicalização do Hamas e imediatamente fechou as fronteiras do território sobre controle do Hamas, isolando a população que vive neste território.Tal atitude, certamente irá provocar uma crise humanitária, com o isolamento da população e a multiplicação do número de refugiados .Ao mesmo tempo, o confinamento do Hamas no pequeno território de Gaza poderá funcionar como isca para as tropas de Israel, que pode a qualquer momento realizar uma ofensiva contra os seus opositores radicais.

A ONU,os Estados Unidos, a Rússia e a União Européia já se movimentam e, em reunião em Jerusalém , buscaram encontrar um caminho para a Palestina. Do ponto de vista norte-americano este caminho certamente deve passar pelo fortalecimento do poder de Abbas e de seu partido e pelo enfraquecimento , ou mesmo , a destruição do grupo inimigo.A primeira medida consistiu na suspensão dos embargos contra os palestinos, desde que o Hamas continue fora do governo. A posição do governo norte-amenricano e da União Européia em relação a este conflito é de claro repúdio ao Hamas, por considerá-lo radical e terrorista, e por receber apoio financeiro e militar da Síria, e do Irã , tradicionais inimigos dos norte-americanos.

A escolha de Tony Blair , pelo “quarteto da paz” como principal negociador na região, foi uma solução de emergência na tentativa de pacificar a região, mas não encontra respaldo nas forças árabes radicais. O fato de Blair ter enviado tropas ao Iraque e mantido uma fidelidade canina à política externa de Bush,acentuou contra ele o ódio de muitos muçulmanos, e por isto, muitos duvidam da sua capacidade de reverter o quadro conflituoso. O Hamas já anunciou que não reconhecerá Blair como negociador.

A verdade é que o atual conflito está distante de uma solução: o Hamas não entende a linguagem da negociação e do entendimento, a não ser como mera tática para alcançar o seu objetivo final. E na sua cartilha, o objetivo final consiste na pura e simples destruição de Israel e no estabelecimento de um governo islâmico radical e despótico.Do outro lado, a fraqueza do Fatah vem causando dúvidas em grande parte da população palestina, fato que levou inclusive, à vitória eleitoral do Hamas, que não vê no seu oponente capacidade para representar o povo palestino na sua busca pela independência e pela estabilidade na região.

Portanto, a paz ainda está muito distante de ser alcançada, e quem sofre é a população palestina, vítima de políticos fanatizados e inescrupulosos, que não pensam duas vezes antes de submeter seu povo ao sofrimento de sucessivas e infindáveis guerras. Muito mais do que Israel, os principais inimigos do povo palestino são os seus próprios dirigentes.

280607

3 comentários:

C Lopez disse...

A maioria da população da Palestina quer paz e trabalho. Aceitam perfeitamente viver em harmonia com Israel. Estive na região em 1999 e sei o que estou falando. A política, e a luta ideológica é que inferniza a vida dos palestinos. Israel desde o início nada mais faz do que reagir contra agressão constante dos palestinos ao seu território. Os extremistas palestinos como o Hamas não respeitam acordos. Não dá pra negociar com esta gente.A paz só virá no dia em que os palestinos reconhecerem o direito de existência de Israel

Anônimo disse...

Falar do Hamas como "fundamentalistas islâmicos" é reproduzir o preconceito difundido pelos sionistas mundo à fora. O Hamas é uma organização política "ELEITA" e representante legitima do povo palestino. O Fatah sempre foi visto com bom olhos pelos sionistas e pelo imperialismo americano por conta de sua postura fraca e corrupta. Seus quadros enriqueceram às custas dos desvios de dinheiro e do investimento pesado feito pelos os que queriam uma oposição fraca e "compravel". Quando o povo palestino elegeu o Hamas, legitimou uma organização politica que nunca esteve envolvida em corrupção e sempre respondeu com firmeza aos ataques do sionistas.

PLANETA CAOS disse...

Visite o nosso sitio.Ótima oportunidade para discutir a questão palestiniana.
Abraços