sexta-feira, junho 22, 2007

CONSELHO ANTIÉTICO E INDECOROSO

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado decidiu que, por enquanto, nada irá decidir. Em claro conflito com a opinião pública, os senadores têm se dedicado a um show de hipocrisia, e mal conseguem dissimular o desejo de arquivar o caso e se livrar da pesada carga. Neste sentido, a atuação do Conselho de Ética tem sido marcada muito mais por atitudes antiéticas e indecorosas do que por atitudes que justifiquem a razão pela qual foi criado.


CONSELHO ANTIÉTICO E INDECOROSO

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado decidiu que, por enquanto, nada irá decidir. Em claro conflito com a opinião pública, os senadores têm se dedicado a um show de hipocrisia, e mal conseguem dissimular o desejo de arquivar o caso e se livrar da pesada carga. No princípio da investigação, sob a coordenação do presidente Sibá Machado , e orientados pelo simulacro de relatório do senador Epitácio Cafeteira, decidiram estabelecer um rito sumaríssimo: votariam o relatório Cafeteira na manhã de sexta feira passada, e ponto final.

Mas as novas denúncias apresentadas pelo JN da Globo, na noite de quinta –feira, colocaram novamente o presidente do Congresso contra a parede e conduziram as investigações a novos rumos. Cresceu na sociedade o sentimento anti-Renan, bem como a suspeita de que o Senado tinha se tornado cúmplice do seu presidente, na medida em que ficava cada vez mais nítida a disposição da maioria em absolver Renan, numa inequívoca demonstração de corporativismo canhestro.

As contradições e as falhas nos documentos apresentados por Renan, numa tentativa de provar a origem legal de seus rendimentos, e o depoimento do advogado de Mônica Veloso, Pedro Calmon Filho, no Conselho, colocaram mais lenha na fogueira e fizeram com que alguns senadores , antes aliados incondicionais de Renan, se bandeassem para o lado daqueles que aparentemente,exigem maior apuração do caso. A situação chegou a um impasse a partir do afastamento do relator titular por motivo de doença e a desistência do relator substituto, Wellington Salgado, menos de 24 horas depois de ter sido escolhido para o cargo.

Neste momento, o sentimento predominante é o de que os senadores querem procrastinar, empurrando o caso com a barriga até que ele caia no esquecimento, ou até que fatos consistentes incriminem definitivamente o presidente do Congresso . O pretexto para esta nova estratégia é a necessidade de novas perícias e investigações. Neste sentido, a morosidade interessaria tanto os apoiadores de Renan quanto os oposicionistas. Enquanto isso, Renan permaneceria no cargo como se nada estivesse acontecendo, e se sentiria livre para exercer o seu poder de pressão sobre senadores flexíveis, submissos ou temerosos, fortalecendo, assim, a sua tropa de choque e aumentando as suas chances de escapar impune deste imbróglio.

Neste sentido, Renan não tem perdido tempo e resolve dar uma pequena amostra do que poderá vir pela frente.No Senado, fez circular boatos de que , caso perdesse a batalha, estaria disposto a levar com ele boa parte de seus algozes.É sabido que, tal e qual Renan, grande parte dos senadores mantém relações extra-republicanas com empreiteiras e empresas ligadas ao governo, e relações extra conjugais com amantes. E estas revelações poderiam incendiar de vez o Senado, colocar em situação constrangedora muita gente boa que posa de defensor da ética, da moral e dos bons costumes, e provocar uma crise institucional.

O fato é que ao adotar a posição de adiar para as calendas gregas o esclarecimento do caso,o Conselho de Ética,e, por extensão, o Senado, se desmoralizam ainda mais junto à opinião pública. Do ponto de vista dos senadores tal atitude pode se revelar uma faca de dois gumes: tanto pode dar certo, levando o caso ao esquecimento, quanto pode, neste intervalo de tempo, possibilitar a revelação pela mídia de novos casos desabonadores a respeito tanto do presidente do senado quanto de muitos que hoje o investigam.De qualquer forma, a atuação do Conselho de Ética tem sido marcada muito mais por atitudes antiéticas e indecorosas do que por atitudes que justifiquem a razão pela qual foi criado.
220607

7 comentários:

reinaldo disse...

Olá Fernando. Muito bem analisada a farsa dos senadores.Primeiro queriam enterrar a investigação, antes mesmo de avaliar qualquer documento, valendo para isso acordo descarado para aplaudir o discurso do Renan e Romeu Tuma jogando sua biografia no lixo.Não deu.Depois armaram uma comissão de cartas marcadas para dar um atestado de idoneidade para Renan.Não deu.O petralhas fizeram de tudo para calar a mídia. Não deu.Agora, mesmo vendo que a vaca foi para o brejo, adiam o caso e posam de tranquilos, como se nada estivesse acontecendo, apostando que a poeira baixando, tudo se esquece e Renan será livre, leve e solto.É a aposta na impunidade e na cumplicidade.Se solta um balão de ensaio de que Renan irá abrir o bico.Esquema desmentido publicamente, como manda a cartilha, mas o recado já foi dado.É a intimidação velada.Esqueminha mais manjado, que só cego não enxerga.A quem esses senhores pensam que enganam?

totti disse...

É muito boa a charge,reflete o nível dos nosssos políticos.O ANGELI conseguiu sintetizar a aparencia que hoje tem os políticos para as pessoas que realmente enxergam o que está acontecendo no país em relação a corrupção.Claro que os pelegos não vão gostar,afinal se o chefe maior também está elameado,só não consta na fota "ainda".

joyce ranez disse...

É possível haver ética na política? Olha, sou otimista e acredito que sim. Depende é claro do grau de educação política do povo, pois é ele que terá condição de cobrar dos políticos a ética e o compromisso público. Infelizmente, enquanto no Brasil o poco for deseducado em todos os sentidos os políticos vão continuar a roubar e zombar de todos nós.

Anônimo disse...

Preste atenção eleitor. Os Senadores tem a caneta nas mãos para colocar para fora Renan. Se não fizerem porque não querem. Preste atenção eleitor, aquele que não votar contra Renan dê o troco em 2010.

reinaldo disse...

Fernando, mais um senador se complica.Se eles acham que vão usar o caso Roriz para abafar o caso do Renan, ledo engano. A população não está disposta a engolir a desfaçatez nem de um nem de outro . Os dois episódios deverão ser tratados como merecem, não vamos aliviar nem no repúdio , nem na indignação. Mas o que complica para o Renan é o fato de ocupar o cargo de presidente da Casa, e como tal traz prejuízo para a própria instituição. Todas as suas tentativas em arquivar o caso, mais as ameaças,os documentos que deveriam provar sua defesa e o tornaram mais suspeito, e estes movimentos que sugerem verdadeiras maquinações e que por si só já se caracterizam como confissões de culpa, tudo isto já demonstra o caráter de alguém que há muito deveria ter se afastado do cargo, não para se preservar, não, isto não tem mais jeito, mas para preservar seus pares, o Senado e em respeito à população. É, no caso Renan não precisamos nem dar nome aos bois, já sabemos como eles se chamam, ou melhor, sabemos como ele se chama.

Rebeca disse...

Olá Fernando,
Muito eloqüente o seu artigo.
O que nos deixa triste é ver toda artimanha montada da "comissão de ética" para livrar Renan.
Nossos políticos deveriam ter o mínimo de sensatez, respeito ao povo, as leis do país, um pouco de honestidade não fará mal algum e agir como se deve agir: cassar Renan simplesmente.O mais breve possível.
Vamos aguardar.

rosena disse...

Fernando O congresso está cada vez mais parecido com o "far west": cowboys (de chapéu e tudo), faendeiros, bois, bebidas, mulheres, pistoleiros, coveiros, xerifes, delegados federais, juizes, duelos e etc..parece o velho oeste americano , uma terra sem lei Como será que isso vai ficar no século XXI?