quinta-feira, junho 28, 2007

PALESTINA EM CHAMAS

A paz ainda está muito distante de ser alcançada, e quem sofre é a população palestina, vítima de políticos fanatizados e inescrupulosos, que não pensam duas vezes antes de submeter seu povo ao sofrimento de sucessivas e infindáveis guerras. Muito mais do que Israel, os principais inimigos do povo palestino são os seus próprios dirigentes.



Foto:Disputa sangrenta entre o Fatah de Mahmoud Abbas, e o Hamas de Ismail Haniyeh, dificulta ainda mais a paz e a independência da Palestina.

PALESTINA EM CHAMAS

Não bastasse o infindável conflito com seu principal inimigo externo, Israel,os palestinos , no limiar da constituição de um estado independente, resolveram expor, de forma violenta, os profundos desentendimentos entre eles.O governo de coalizão, que unia os grupos rivais ,Hamas e Fatah, formado em janeiro de 2006 durou pouco, como se previa. E se desfez num sangrento conflito que se soma aos demais conflitos na região ,que fazem do oriente médio um verdadeiro barril de pólvora, há mais de cinqüenta anos.

A origem do atual conflito, que coloca em lados opostos as duas principais organizações políticas e militares palestinas, está nas profundas divergências ideológicas entre as duas correntes que disputam a supremacia política na Palestina e que durante décadas, com estratégias diferentes, lutaram pela expulsão ou até mesmo pela liquidação de Israel , e pela constituição do Estado Palestino.
.
De um lado está o Fatah, organização secular e nacionalista,criada em 1958, liderada por Yasser Arafat,atuando , inicialmente, como braço armado da Organização Para Libertação da Palestina(OLP) e, mais tarde, como uma organização política considerada moderada. Apoiou os acordos de Oslo(1993), que determinaram a retirada das tropas de Isralel sobre a Cisjordânia e Gaza, o reconhecimento de Israel pelos palestinos e a constituição da Autoridade Palestina sobre estes territórios. É o partido do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, e detém o controle das forças de segurança palestina.As principais lideranças do Fatah acreditam que o fim dos ataques palestinos a Israel é a chave para fazer com que Israel admita a existência de um estado palestino soberano.

Do outro lado, o Hamas, formado por militantes islâmicos fundamentalistas, criado em 1987, e que recentemente se transformou num partido político, mas sem perder as suas características de força militar. Até pelo contrário. Posiciona-se contra os Acordos de Oslo,pela retomada de todos os territórios ocupados popr Israel desde 1946, pelo uso permanente da força. Enfim,pela não aceitação da existência do Estado de Israel convivendo ao lado de um estado palestino.

O discurso radical do Hamas aliado ao comportamento pouco ético de políticos do Fatah, acabaram levando os radicais à vitória nas eleições de janeiro de 2006, fato que forçou a formação de um governo de “entendimento”, formado pelo presidente Mahmoud Abbas ( Fatah) e o Primeiro Ministro Ismail Haniyeh ( Hamas). O governo de união, como previsto, durou pouco e foi dissolvido no último dia 15, após uma semana de ataques do Hamas que tomou conta das Forças de Segurança , até então sob controle do Fatah , na faixa de Gaza, fechando as fronteiras da região e matando diversos membros da organização rival.Por seu turno, o partido de Abbas isolou-se na Cisjordânia e ,com o apoio da comunidade internacional, formou um governo de emergência. Começaram as conversações visando encontrar uma solução para o conflito que envolve os palestinos. Mas qualquer tipo de acordo esbarra na intransigência e no radicalismo do Hamas, colocando em risco mais uma vez as tentativas de paz. .

Trata-se,portanto,de uma das maiores crises já observadas na região.Israel reagiu prontamente à radicalização do Hamas e imediatamente fechou as fronteiras do território sobre controle do Hamas, isolando a população que vive neste território.Tal atitude, certamente irá provocar uma crise humanitária, com o isolamento da população e a multiplicação do número de refugiados .Ao mesmo tempo, o confinamento do Hamas no pequeno território de Gaza poderá funcionar como isca para as tropas de Israel, que pode a qualquer momento realizar uma ofensiva contra os seus opositores radicais.

A ONU,os Estados Unidos, a Rússia e a União Européia já se movimentam e, em reunião em Jerusalém , buscaram encontrar um caminho para a Palestina. Do ponto de vista norte-americano este caminho certamente deve passar pelo fortalecimento do poder de Abbas e de seu partido e pelo enfraquecimento , ou mesmo , a destruição do grupo inimigo.A primeira medida consistiu na suspensão dos embargos contra os palestinos, desde que o Hamas continue fora do governo. A posição do governo norte-amenricano e da União Européia em relação a este conflito é de claro repúdio ao Hamas, por considerá-lo radical e terrorista, e por receber apoio financeiro e militar da Síria, e do Irã , tradicionais inimigos dos norte-americanos.

A escolha de Tony Blair , pelo “quarteto da paz” como principal negociador na região, foi uma solução de emergência na tentativa de pacificar a região, mas não encontra respaldo nas forças árabes radicais. O fato de Blair ter enviado tropas ao Iraque e mantido uma fidelidade canina à política externa de Bush,acentuou contra ele o ódio de muitos muçulmanos, e por isto, muitos duvidam da sua capacidade de reverter o quadro conflituoso. O Hamas já anunciou que não reconhecerá Blair como negociador.

A verdade é que o atual conflito está distante de uma solução: o Hamas não entende a linguagem da negociação e do entendimento, a não ser como mera tática para alcançar o seu objetivo final. E na sua cartilha, o objetivo final consiste na pura e simples destruição de Israel e no estabelecimento de um governo islâmico radical e despótico.Do outro lado, a fraqueza do Fatah vem causando dúvidas em grande parte da população palestina, fato que levou inclusive, à vitória eleitoral do Hamas, que não vê no seu oponente capacidade para representar o povo palestino na sua busca pela independência e pela estabilidade na região.

Portanto, a paz ainda está muito distante de ser alcançada, e quem sofre é a população palestina, vítima de políticos fanatizados e inescrupulosos, que não pensam duas vezes antes de submeter seu povo ao sofrimento de sucessivas e infindáveis guerras. Muito mais do que Israel, os principais inimigos do povo palestino são os seus próprios dirigentes.

280607

terça-feira, junho 26, 2007

BLÁ BLÁ BLÁ

O que o cidadão contribuinte não consegue enxergar na prática, ele se cansa de ouvir nos discursos do presidente. A se acreditar nas palavras de Lula,
vivemos no melhor dos mundos, o Brasil navega a pleno vapor, o anunciado “espetáculo do crescimento” já é uma realidade, o país é um canteiro de obras só comparável aos tempos de JK, as reformas política, tributária, previdenciária, trabalhista e agrária, tão necessárias já estão em plena execução. Pessimistas e antipatriotas somos todos que não enxergamos o que o presidente vê e anuncia.



FOTO:Falando demais e agindo pouco:discursos de Lula não vêm acompanhadas por ações de governo.

BLÁ BLÁ BLÁ

Nunca na história deste país um presidente falou tanto. Segundo reportagem
do jornal O Tempo , de Minas, Lula faz um discurso a cada dia útil, e são raros os que duram menos de 15 minutos. Foram 1204 pronunciamentos em quatro anos do primeiro mandato, média de 300 por ano. E mais 160 nos primeiros cinco meses deste ano. Lula já passou três centenas de horas ao microfone, algo como um disco tocando 14 dias sem interrupção.

Todo este blá- blá- blá seria suportável e até compreensível se estivesse vindo
acompanhado por ações governamentais efetivas. Mas este não é o caso.Durante os seus quase cinco anos de governo, a balança de realizações do governo apresenta um acentuado déficit, qualquer que seja o setor da administração posto sob análise. A educação pública, por exemplo, permanece desprezada, o setor da saúde pública continua um caos, a infra-estrutura – estradas, portos, ferrovias, aeroportos – carece de investimentos urgentes. A atual crise nos aeroportos- apagão aéreo - é apenas a manifestação mais evidente desta falta de investimentos.

Se algum mérito existe no atual governo , ele consiste no fato de ter tido o bom senso de, contrariando o discurso oposicionista do PT, dar continuidade à obra de estabilização financeira de seu antecessor, Fernando Henrique, sobre o qual Lula costuma descarregar o seu rancor, atribuindo –lhe a transmissão para a sua gestão de uma certa “herança maldita”. Bendita “herança maldita”! Não fosse ela e a incompetência deste governo ficaria mais exposta.

Mas não vamos responsabilizar este governo por uma completa falta de investimentos. Se há um setor no qual ele tem investido tempo e dinheiro,
sem dúvida, este tem sido o da máquina governamental. Nunca na história
deste país um governo agigantou tanto a administração federal , criando
ministérios e secretarias- a maioria deles, absolutamente desnecessária – multiplicando cargos , criando ou reativando órgãos, e , com isto, aumentando despudoradamente o custeio da máquina pública.

Os exemplos mais recentes estão na criação de mais uma secretaria com
status de ministério – Secretaria de Ações de Longo Prazo (SEALOPRA) –,
surpreendentemente entregue a um feroz crítico do primeiro mandato lulista,
o professor Mangabeira Unger,bem como na criação de 626 novos cargos em
comissão, acompanhado de robustos reajustes salariais, variando de 30,57% a
139,75%, para 21600 funcionários. O primeiro resultado prático desta medida consistirá num reforço de caixa do PT, uma vez que a maior parte dos funcionários comissionados são filiados ao partido governista, e, portanto, obrigados a entregar ao partido 10% de seus proventos. Um presente de
companheiro para companheiros, e mais dinheiro público desperdiçado.

O que o cidadão contribuinte não consegue enxergar na prática, ele se cansa de ouvir nos discursos do presidente. A se acreditar nas palavras de Lula,
vivemos no melhor dos mundos, o Brasil navega a pleno vapor, o anunciado “espetáculo do crescimento” já é uma realidade, o país é um canteiro de obras só comparável aos tempos de JK, as reforma política, tributária, previdenciária, trabalhista e agrária, tão necessárias já estão em plena execução. Pessimistas e antipatriotas somos todos que não enxergamos o que o presidente vê e anuncia.

Mas, como enxergar o que o presidente diz se sabemos que os índices de
crescimento do país são ridículos, superando apenas os do Haiti, na América
Latina, e se assistimos o Congresso Nacional, responsável pelas reformas, praticamente paralisado pela enxurrada de mediadas provisórias que o governo despeja todos os dias, e pelas seguidas denúncias de corrupção que envolvem seus caciques e índios? O fato é que se por um lado o nosso presidente tem se revelado um fenômeno político, por outro ele tem se revelado uma fraude como administrador.

O fato é que o estilo falastrão de Lula não consegue enganar o cidadão atento e bem informado, dono de algum discernimento crítico, e consciente do seu papel na sociedade. Este se indigna ao ver 40% do que consegue com o seu esforço ser compulsoriamente depositado nos cofres do governo para, em
seguida desaparecer no buraco negro da incompetência , do desperdício e da
corrupção.

Mas , infelizmente, este mesmo estilo que entedia e provoca ojeriza nesta parcela da população, faz muito sucesso junto às camadas mais carentes e desinformadas, num fenômeno parecido com o de Hugo Chávez na Venezuela , igualmente boquirroto e populista. Esta parcela majoritária da população, que reelegeu Lula em 2006,e continua a lhe conferir altos índices de popularidade, parece ter plena convicção na veracidade dos discursos presidenciais e parece igualmente disposta a dar a ele tantos votos de confiança quantos ele necessitar..

A comunicação insistente e direta com as massas populares tem sido uma característica da maioria dos políticos populistas que, de alguma forma, mais tarde, acabam caindo na tentação do autoritarismo. Tem sido assim, por exemplo, com o já mencionado Hugo Chávez, que não recusa a chance de subir num palanque , ao mesmo tempo em que vai eliminando os focos de democracia no país.E para não radicalizar o meu argumento, não quero aqui me prolongar nos exemplos de Hitler, Mussolini, e Fidel Castro , governantes que ascenderam ao poder pela força de suas palavras, e nele permaneceram, despoticamente, pela força das armas,

Portanto, enquanto os pitorescos discursos de Lula estiverem acompanhados apenas pela incompetência administrativa, ainda teremos, em contrapartida,
as armas da escrita, da voz e do voto. O perigo estará em que o falatório presidencial passe a ser acompanhado por ações antidemocráticas, sob apoio daqueles que hoje aplaudem os seus incontáveis e infindáveis discursos.
260607

sexta-feira, junho 22, 2007

CONSELHO ANTIÉTICO E INDECOROSO

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado decidiu que, por enquanto, nada irá decidir. Em claro conflito com a opinião pública, os senadores têm se dedicado a um show de hipocrisia, e mal conseguem dissimular o desejo de arquivar o caso e se livrar da pesada carga. Neste sentido, a atuação do Conselho de Ética tem sido marcada muito mais por atitudes antiéticas e indecorosas do que por atitudes que justifiquem a razão pela qual foi criado.


CONSELHO ANTIÉTICO E INDECOROSO

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado decidiu que, por enquanto, nada irá decidir. Em claro conflito com a opinião pública, os senadores têm se dedicado a um show de hipocrisia, e mal conseguem dissimular o desejo de arquivar o caso e se livrar da pesada carga. No princípio da investigação, sob a coordenação do presidente Sibá Machado , e orientados pelo simulacro de relatório do senador Epitácio Cafeteira, decidiram estabelecer um rito sumaríssimo: votariam o relatório Cafeteira na manhã de sexta feira passada, e ponto final.

Mas as novas denúncias apresentadas pelo JN da Globo, na noite de quinta –feira, colocaram novamente o presidente do Congresso contra a parede e conduziram as investigações a novos rumos. Cresceu na sociedade o sentimento anti-Renan, bem como a suspeita de que o Senado tinha se tornado cúmplice do seu presidente, na medida em que ficava cada vez mais nítida a disposição da maioria em absolver Renan, numa inequívoca demonstração de corporativismo canhestro.

As contradições e as falhas nos documentos apresentados por Renan, numa tentativa de provar a origem legal de seus rendimentos, e o depoimento do advogado de Mônica Veloso, Pedro Calmon Filho, no Conselho, colocaram mais lenha na fogueira e fizeram com que alguns senadores , antes aliados incondicionais de Renan, se bandeassem para o lado daqueles que aparentemente,exigem maior apuração do caso. A situação chegou a um impasse a partir do afastamento do relator titular por motivo de doença e a desistência do relator substituto, Wellington Salgado, menos de 24 horas depois de ter sido escolhido para o cargo.

Neste momento, o sentimento predominante é o de que os senadores querem procrastinar, empurrando o caso com a barriga até que ele caia no esquecimento, ou até que fatos consistentes incriminem definitivamente o presidente do Congresso . O pretexto para esta nova estratégia é a necessidade de novas perícias e investigações. Neste sentido, a morosidade interessaria tanto os apoiadores de Renan quanto os oposicionistas. Enquanto isso, Renan permaneceria no cargo como se nada estivesse acontecendo, e se sentiria livre para exercer o seu poder de pressão sobre senadores flexíveis, submissos ou temerosos, fortalecendo, assim, a sua tropa de choque e aumentando as suas chances de escapar impune deste imbróglio.

Neste sentido, Renan não tem perdido tempo e resolve dar uma pequena amostra do que poderá vir pela frente.No Senado, fez circular boatos de que , caso perdesse a batalha, estaria disposto a levar com ele boa parte de seus algozes.É sabido que, tal e qual Renan, grande parte dos senadores mantém relações extra-republicanas com empreiteiras e empresas ligadas ao governo, e relações extra conjugais com amantes. E estas revelações poderiam incendiar de vez o Senado, colocar em situação constrangedora muita gente boa que posa de defensor da ética, da moral e dos bons costumes, e provocar uma crise institucional.

O fato é que ao adotar a posição de adiar para as calendas gregas o esclarecimento do caso,o Conselho de Ética,e, por extensão, o Senado, se desmoralizam ainda mais junto à opinião pública. Do ponto de vista dos senadores tal atitude pode se revelar uma faca de dois gumes: tanto pode dar certo, levando o caso ao esquecimento, quanto pode, neste intervalo de tempo, possibilitar a revelação pela mídia de novos casos desabonadores a respeito tanto do presidente do senado quanto de muitos que hoje o investigam.De qualquer forma, a atuação do Conselho de Ética tem sido marcada muito mais por atitudes antiéticas e indecorosas do que por atitudes que justifiquem a razão pela qual foi criado.
220607

quinta-feira, junho 21, 2007

REFORMA POLÍTICA OU REFORMA NOS POLÍTICOS?


FOTO:Lula, Renan, Sarney e a turma do mensalão: o descréditos dos políticos pelo povo pode levar qualquer reforma política, mesmo as necessárias, ao fracasso...

REFORMA POLÍTICA OU REFORMA NOS POLÍTICOS?

Três temas estão na pauta do Congresso, a respeito da reforma política. Um trata da fidelidade partidária, outro se refere ao financiamento das campanhas eleitorais e o terceiro trata do voto em lista, o que tem provocado maior controvérsia. Para muitos, e neste aspecto os partidos parecem estar chegando a um consenso, o voto no partido, ao contrário do sistema atual em que o eleitor vota no candidato, valoriza o programa partidário, fortalece os partidos e enfraquece o personalismo,a demagogia e o clientelismo das campanhas eleitorais , eliminando da vida política personalidades que têm fácil apelo popular, mas nenhuma vocação para política ou compromisso com a atividade pública. É incontestável que o voto em lista é um passo adiante no sentido do aperfeiçoamento democrático, especialmente se vier acompanhado do regime parlamentarista, o que não é intenção da presente reforma.

A discussão se volta, agora, e neste ponto não existe consenso, para que tipo de lista: lista fechada ou lista flexível.O temor de muitos está em que a adoção do sistema de lista fechada – em que a ordem dos candidatos na lista é preestabelecida pelo partido e não pode ser alterada pelo eleitor – fortaleça o poder dos caciques e desestimule a renovação do parlamento. Como saída, vem sendo proposta a adoção do sistema de “lista flexível” no qual o ordenamento dos candidatos na relação feita pelo partido em suas convenções poderá ser alterado pelo voto do eleitor nos seu candidato preferido.

Porém, a reforma política,, tão necessária e urgente, passa distante das preocupações da maioria dos nossos eleitores. O comportamento pouco ético e as denúncias de corrupção envolvendo políticos, colocaram a classe política na lanterna do ranking da credibilidade e confiabilidade das instituições. Pouca gente acredita nos políticos, e esta descrença contamina quaisquer reformas que venham a ser feitas no Congresso, mesmo que , em tese, tenha um caráter inovador e moralizador da política.

Reconquistar a confiança do cidadão-eleitor através de uma mudança nos padrões de comportamento, na adoção de uma postura ética, e numa demonstração clara de compromisso com os interesse público, é tão ou mais importante do que qualquer reforma política que possa ser feita. Se as mudanças políticas contribuírem para a mudança no comportamento dos nossos políticos, então, elas serão bem-vindas.
190607

segunda-feira, junho 18, 2007

O CÓDIGO CAFETEIRA, O CIRCO E O MCI

Muito mais do que o MST e outros movimentos sectários, que estão voltados para propósitos muito específicos e corporativos, o que o Brasil necessita é de um amplo movimento de cidadãos, visando fazer com que os políticos brasileiros tenham um mínimo de ética,sentimento cívico , responsabilidade e vergonha na cara. Eu chamaria a este movimento de MCI - Movimento dos Cidadãos Indignados. Não existe outra solução que preserve e aprimore a democracia e faça este país funcionar :é preciso passar da pura e simples indignação à ação.


Foto:No circo de Brasília, políticos como Renan e Cafeteira dão o espetáculo e pensam que somos palhaços. Quem sabe, realmente somos?...
O CÓDIGO CAFETEIRA, O CIRCO E O MCI

A farsa montada pelo Senado na pseudo-investigação do seu presidente, Renan Calheiros, pode ganhar novos contornos neste início de semana. Se por um lado existe uma maioria de senadores disposta a estabelecer um rito sumaríssimo com o propósito de arquivar o caso sem muitas delongas,por outro, as denúncias apresentadas pelo JN da Globo fizeram crescer o número de senadores, especialmente da oposição, dispostos a prolongar a agonia do político alagoano.

A nova lógica dos oposicionistas – DEM e PSDB – nasceu da repercussão negativa que o caso tem tido junto a parcelas da opinião pública,dos ganhos políticos que poderão advir deste novo posicionamento, e da evidente inconsistência da defesa apresentada por Renan. É fato que ,se não fosse investigada e denunciada pela mídia, a inconsistência da defesa de Renan já teria sido dada como verdade absoluta e o político alagoano já estaria absolvido, inclusive com os votos dos oposicionistas no Conselho, com a remessa do processo para o arquivamento, conforme conclusão do relator Epitácio Cafeteira, que, por sinal,acaba de pedir afastamento do cargo, alegando problemas de saúde. Passaram os oposicionistas a refletir sobre a conveniência de continuarem fiéis ao presidente do Senado e sobre os prejuízos políticos que advirão do fato de se colocarem ao lado do corporativismo .Também se soma a tudo isto o fato de a oposição ter vislumbrado na renúncia ou na cassação de Renan uma possibilidade, embora longínqua, de chegar à presidência do Senado.

Mas para o cidadão comum, porém bem informado e consciente, pouco importa a lógica, a estratégia e os maquavelismos de políticos, governistas ou oposicionistas. O que importa no presente caso é que um grupo de pessoas eleitas para representa-lo tem se dedicado muito mais às práticas imorais, ilegais e antiéticas, e, numa tentativa de esconde-las, continua a praticar outra série de atos imorais, ilegais e antiéticos. É o que vem fazendo Renan Calheiros.

A propósito disso, circula na internet uma carta de um internauta tão indignado quanto nós todos, sob o sugestivo título de “O Código de Cafeteira”, da qual apresento alguns trechos: “Ficamos combinados que pelo Código Cafeteira todo senador e deputado, de agora em diante pode pagar as contas de R$ 100.000 usando dinheiro vivo, sem declarar os gastos ao Imposto de Renda; valer-se de lobista de empreiteira para resolver questões de foro íntimo e que envolvam dinheiro; apresentar emendas orçamentárias que beneficiam justamente a empresa do lobista-amigo-secretário-tesoureiro; usar escritórios de empreiteiras como sua tesouraria pessoal; usar apartamento de lobista para encontros amorosos; ter lobista fiador de suas despesas pessoais; ter suas campanhas políticas financiadas por empreiteiras; vender bois com recibos frios para compradores fantasmas...” Isto é um pouco do que se sabe até agora a respeito das práticas do presidente do Congresso. O que o feliz internauta conseguiu, com rara habilidade, foi sintetizar uma sucessão de ilegalidades que o senador Epitácio Cafeteira do alto de sua posição de relator do caso no Conselho de Ética não consegue ou não quer enxergar. Resta saber se nesta cegueira continua acompanhado pela maioria dos componentes do Conselho.A reunião desta terça feira dirá.

É fato evidente que a maioria da população brasileira está completamente alheia ao que acontece em Brasília, mas também é incontestável que existe um grupo significativo de cidadãos indignados, porém, infelizmente, inertes e dispersos, que sabem o custo para o seu bolso e para o país dos sucessivos circos armados em Brasília por políticos , como Renan Calheiros e Cafeteira, que insistem em nos fazer de palhaços.

Muito mais do que o MST, tomado como exemplo, e outros movimentos sectários, que estão voltados para propósitos muito específicos e corporativos, o que o Brasil necessita é de um amplo movimento de cidadãos, visando fazer com que os políticos brasileiros tenham um mínimo de ética,sentimento cívico , responsabilidade e vergonha na cara. Eu chamaria a este movimento de MCI - Movimento dos Cidadãos Indignados. Não existe outra solução que preserve e aprimore a democracia e faça este país funcionar :é preciso passar da pura e simples indignação à ação.
180607

quarta-feira, junho 13, 2007

A CERTEZA DA IMPUNIDADE

Se o cidadão aos poucos vai perdendo a capacidade de se indignar diante deste quadro de roubalheira generalizada, o que dizer então de políticos e empresários envolvidos diretamente nesses escândalos? Eles que, de alguma forma, têm acesso aos recursos públicos, continuam a dançar conforme a música. Sabem que apesar de todo o alvoroço provocado pelas ações do MP, da PF, e pelo noticiário da mídia, estão protegidos por uma legislação feita sob medida para punir com severidade os pobres e tratar com benevolência aqueles que possuem uma robusta conta bancária.

A CERTEZA DA IMPUNIDADE

É curioso este país.O Congresso, nestes últimos tempos, mais tem se assemelhado a uma sala de delegacia de polícia em dia de muitas ocorrências do que a uma casa legislativa. Decorrente deste fato, a crônica política não tem sido muito diferente de uma crônica policial. Infelizmente. Seria melhor se ao invés de estarmos falando de corrupção, propinas, desvio de verbas e outras mazelas, estivéssemos discutindo projetos, planos de ação, e tratando das tão necessárias e urgentes reformas , numa tentativa de tirar o país da estagnação econômica e da degradação social: a reforma do Estado, nela incluída a reforma tributária, a reforma educacional, a reforma trabalhista e a reforma política. Mas assim não tem sido.

Tal como a violência nos grandes centros urbanos tem se espalhado de forma assustadora, a corrupção tem se reproduzido como um vírus e parece estar cada vez mais fora de controle. Omitir este fato nas crônicas políticas, como se estivéssemos num mundo de puros e idealistas, é de alguma forma estar conivente com o que ele tem de danoso. Por isto, somos praticamente forçados, mesmo contra a vontade, a voltar freqüentemente ao tema.

Por sinal, assunto é o que não falta. Semana após semana, dia após dia, os fatos se sucedem numa velocidade espantosa, fazendo com que o que até ontem era manchete de primeira página na imprensa, hoje tenha caído quase no esquecimento. As denúncias de que um irmão do presidente foi flagrado em pleno envolvimento com uma quadrilha que atua no ramo dos caça-níqueis quase fez cair no esquecimento uma denúncia muito mais grave - a que envolve parlamentares e empreiteiras, conforme revelado na denominada Operação Navalha da PF. Os fatos levantados pela PF, apesar de mostrarem apenas a ponta do iceberg, são mais contundentes, pois afetam o próprio Congresso como instituição, além de envolver uma soma ainda não avaliada, mas certamente fabulosa, de dinheiro público desviado.O caso está a merecer uma investigação muito mais consistente e profunda do que tem sido até agora.

O senador Renan Calheiros é o símbolo mais evidente neste processo promíscuo e imoral. . Até agora suas explicações , frontalmente contestadas por sua ex-amante Mônica Veloso, são um acinte a qualquer mortal que tenha um mínimo de inteligência. Mas parece terem convencido à maioria de seus colegas no Senado. É o que se deduz da pressa com que eles tratam de inocentar o político alagoano, e o medo que demonstram quanto a qualquer tentativa de aprofundamento do caso, em especial a instalação de uma CPI.Na Comissão de Ética, num arremedo de investigação, o relator do caso, Epitácio Cafeteira, julga“desnecessário” ouvir os depoimentos do senador acusado e de Mônica. Deve ter o dom da onisciência.

É fato reconhecido de que são promíscuas as relações entre empresas que prestam serviços ao governo e parlamentares. O que acontece nos bastidores todos comentam, mas ninguém assume.O fato é que obras públicas, que passam pelo crivo de parlamentares principalmente na elaboração do orçamento, são, em regra, superfaturadas e o fruto deste superfaturamento repartido generosamente entre as partes envolvidas, ou seja, os donos das empreiteiras
e os políticos.

O senador Pedro Simon, ao final da “CPI dos Anões do Orçamento,” em 1993, já havia alertado para a atuação destes “empresários” e sugerido a instalação de outra CPI que, ao seu ver, complementaria e consolidaria o trabalho da anterior- a “CPI dos Corruptores”, segundo suas palavras. A CPI foi abortada no governo de Fernando Henrique pela maioria do Congresso.O senador gaúcho nos últimos anos ainda voltou a insistir, com uma certa dose de ingenuidade, na necessidade desta CPI. Em vão. Por motivos que vão se tornando cada vez mais óbvios,a poucos congressistas interessa mexer neste vespeiro .

Mas o perigo nesta sucessão de escândalos que assola o noticiário, está no fato de se tornarem tão repetitivos a ponto de fazer com que os cidadãos se tornem insensíveis e percam a capacidade de se indignar E é o que já parece estar acontecendo. O fato é que a corrupção é o pior câncer que pode ocorrer no tecido político e social de um país. Ela desvia recursos que deveriam estar aplicados em serviços e obras públicas e afeta principalmente o cidadão pobre, carente de hospitais e postos de saúde, escolas, saneamento, segurança e transporte.Como resultado direto, portanto, a corrupção produz o aumento da pobreza e das desigualdades sociais.

Mas se o cidadão comum aos poucos vai perdendo a capacidade de se indignar diante deste quadro de roubalheira generalizada, o que dizer então de políticos e empresários envolvidos diretamente nesses escândalos? Eles que, de alguma forma, têm acesso aos recursos públicos, continuam a dançar conforme a música. Sabem que apesar de todo o alvoroço provocado pelas ações do MP, da PF, e pelo noticiário da mídia, estão protegidos por uma legislação feita sob medida para punir com severidade os pobres e tratar com benevolência aqueles que possuem uma robusta conta bancária.Um bom time de advogados, treinados a usar em favor de seus clientes as brechas, artifícios e recursos que a lei possibilita, se encarrega de levar a decisão final para as calendas gregas. A certeza da impunidade faz com que todos eles, apesar do estardalhaço provocado por cada denúncia , continuem, lépidos e fagueiros, a trilhar o caminho da corrupção.Infelizmente, no Brasil o crime ainda compensa.
130607

segunda-feira, junho 11, 2007

A SUBMERSÃO DE UM EMERGENTE

O governo brasileiro insiste em manter as condições que permitem o atraso econômico do pais. No Brasil, infelizmente, as condições propícias ao crescimento não são construídas ou incentivadas, por conta de uma série de barreiras absurdas criadas e impostas pelo Governo, que impedem o crescimento e determinam a permanência da estagnação econômica e do atraso social. Não são, portanto, muito animadoras as perspectivas do país para os próximos anos.Pode parecer pessimismo, mas não é. É a nua e crua constatação da realidade que se coloca diante dos nossos olhos. Com todo este esforço de pessoas, grupos e interesses tentando submergir definitivamente o país, é até surpreendente que o Brasil tenha conseguido permanecer no time dos países emergentes.

A SUBMERSÃO DE UM EMERGENTE
O governo brasileiro, e não somente este mas os últimos sucessivos governos, insiste em manter as condições que permitem o atraso econômico do pais. Nas campanhas eleitorais ,nossos políticos se arvoram em salvadores da pátria, redentores de uma população carente de pão e de instrução,possuidores de uma fórmula mágica capaz de fazer a felicidade geral da Nação, mas escondem que a verdadeira solução para o desenvolvimento do país está muito mais na ação de empreendedores privados , dispostos a investir, competir e gerar empregos. Ao governo cabe a tarefa política de criar condições adequadas para este desenvolvimento aconteça.

No Brasil, infelizmente, as condições propícias ao crescimento não são construídas ou incentivadas, por conta de uma série de barreiras absurdas criadas e impostas pelo Governo, que impedem o crescimento e determinam a permanência da estagnação econômica e do atraso social. Já existe o consenso, entre as pessoas que realmente se preocupam com o desenvolvimento do País, de que a onipotência e a onipresença do Estado nas atividades econômicas e na vida social de uma maneira geral se constitui no fator determinante para a permanência da baixa competitividade no mercado internacional.

A pesadíssima carga tributária- cerca de 40% do PIB - sobre a produção,o consumo, os serviços, o trabalho e a renda do cidadão é um desestimulo aos investimentos e à geração de empregos. Isso sem contar que se constitui num verdadeiro assalto ao bolso dos cidadãos e das empresas, uma vez que pouco do que se arrecada é reinvestido em obras e serviços públicos de qualidade, e muito é destinado ao custeio de uma máquina pública inchada, perdulária, complexa, ineficiente e corrupta.Quer dizer, os cidadãos e as empresas pagam caro pela ineficiência e pela roubalheira generalizada no setor público
.
O excesso de burocracia é a outra praga decorrente do gigantismo do Estado, que entrava a livre iniciativa, dificulta ao máximo a instalação de empresas e desestimula a geração de empregos. Por mais boa vontade e espírito empreendedor que o cidadão tenha, abrir um negócio neste país representa ter que se submeter a uma verdadeira maratona, tal o número de papéis, certidões, licenças que o interessado em abrir uma empresa é obrigado a apresentar aos burocratas do governo.

Se somarmos a estes dois fatores a má qualidade da educação, o alto custo do dinheiro (juros) e a infra-estrutura deficiente, estarão formatadas todas as condições que justificam o fato do país se colocar em 48º lugar no ranking da competitividade , elaborado pelo Movimento Brasil Competitivo(MBL) e pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil ( Amcham), que levou em conta 24 indicadores econômicos. Num ranking com Rússia, Índia, China e México,que formam o grupo BRIC-M, de países considerados “emergentes”, o Brasil se coloca em quarto lugar, empatado com o México, atrás dos demais países do grupo. O estudo comparou as condições oferecidas pelo Brasil em 2000 e 2006, e mediu a velocidade da evolução brasileira com a dos países do concorrentes.


Os resultados deste estudo não surpreendem, em face da insistência com que os nossos governantes e homens públicos em geral se esmeram em trabalhar contra o desenvolvimento do país.Nas duas últimas campanhas eleitorais em nível nacional, o candidato petista prometeu mundos e fundos para a dinamização da economia. Feito presidente, Lula referiu-se por diversas vezes ao seu propósito de gerar empregos, alardeou a respeito do advento do “espetáculo do crescimento”, e, iniciado o seu segundo mandato, lançou o PAC- Programa de Aceleração do Crescimento – que, por enquanto, é mais uma miragem num deserto de realizações do que uma ação governamental efetiva. Enquanto isso, o governo perde tempo e dinheiro em obras tão faraônicas quanto inúteis, como a da transposição do rio S. Francisco

Por seu turno, o Congresso permanece inerte e mergulhado em suas crises internas, onde pontuam sucessivas denúncias de corrupção e atentados à ética e ao decoro parlamentar, que não poupam nem mesmo os presidentes de ambas as casas legislativas.Somente para ilustrar,é bom lembrar que, pelo menos nos últimos dez anos, com exceção do falecido Ramez Tebet, todos os presidentes do senado -ACM, Sarney,Jader Barbalho, e, agora Renan Calheiros- tiveram seus nomes envolvidos em graves escândalos. Na Câmara dos Deputados, João Paulo foi um dos protagonistas do escândalo do mensalão, e Severino Cavalcanti de um grotesco caso de recebimento de propina do dono de um restaurante na Câmara. Isto para ficar apenas nos casos envolvendo os caciques do Congresso, já que os relacionados aos demais parlamentares transformou a chamada Casa do Povo mais parecida com uma delegacia de polícia em dia de muito movimento, tal o número de mensaleiros, sanguessugas, vampiros e navalhas,a maioria ainda impune.

. Não são, portanto, muito animadoras as perspectivas do país para os próximos anos. O Estado permanece estruturado para arrecadar de forma voraz e predatória, sem oferecer à sociedade a contrapartida serviços públicos de qualidade. A burocracia insiste em atormentar a vida do cidadão que pretende apenas trabalhar e produzir.A educação publica permanece relegada aos últimos lugares na fila de prioridades. Os altos juros continuam a fazer a festa do capital especulativo e dos banqueiros em detrimento do capital produtivo e dos produtores.A infra -estrutura permanece, literalmente, atirada nos buracos da incompetência que fazem, por exemplo, do nosso sistema viário um dos piores do mundo.Tudo por conta de um Estado que este governo insiste em conservar gigante, centralizador e inoperante, em todos os sentidos.

Aliás, é sintomático que os sucessivos governantes insistam na permanência desta estrutura mastodôntica. É ela um campo fértil para a corrupção que assola o país e que parece completamente fora de controle, apesar das ações espetaculosas da PF e do MP.Resultado: temos um executivo comprovadamente envolvido em casos de corrupção, um Congresso reconhecidamente corrupto e um judiciário cúmplice da corrupção. O que esperar em termos de desenvolvimento econômico e social diante de um quadro desses? Ainda mais com um Presidente que não se cansa de repetir que nada fez, nada viu e nada sabe? Ou seja , um tolo assumido. Pode parecer pessimismo, mas não é. É a nua e crua constatação da realidade que se coloca diante dos nossos olhos. Com todo este esforço de pessoas, grupos e interesses tentando submergir definitivamente o país, é até surpreendente que o Brasil tenha conseguido permanecer no time dos países emergentes.
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segunda-feira, junho 04, 2007

PANIS ET CIRCENSES

PANIS ET CIRCENSES


Foto:Chávez e Fidel: o velho ditador cubano parece querer partir. Chávez se coloca como seu sucessor na liderança do atraso e do autoritarismo na AL
PANIS ET CIRCENSES

Não e sabe se o presidente Hugo Chávez , da Venezuela, tem oferecido pão suficiente aos milhões de pobres e miseráveis que habitam aquele país. Mas, circo ele certamente tem oferecido ao mundo. Por conta de sua política personalista e autoritária, adornada com as cores de um nacionalismo e um socialismo ultrapassados, e sustentada nos lucros da atividade petrolífera, Chávez tem a cada dia oferecido capítulos de um espetáculo cujo tema principal é o absoluto desprezo pela democracia.

O último destes espetáculos se refere à sua decisão de não renovar a licença da RCTV, a emissora mais popular do país, o que causou o seu fechamento. Acusou a emissora de “cúmplice dos interesses antinacionais”, por ter, segundo ele, apoiado o golpe de 2002 contra o seu governo, além de “violar as leis de transmissão e regularmente exibir programação com excessivo conteúdo violência e apelo sexual”.O chefe venezuelano, além de fechar o canal, já tem pronto para instalar o canal de televisão estatal que ocupará o lugar e as instalações da RCTV: a Televisão Venezuelana Social ( TEVES).

Desta forma, apesar da onda de protestos gerada pela sua decisão arbitrária, o ditador venezuelano deu mais um passo no sentido de eliminar do país todos os vestígios de democracia. Primeiro foi a reforma constitucional que lhe possibilitou o direito a sucessivos mandatos. Depois a completa submissão da justiça, do executivo e das entidades representativas à vontade do ditador. Agora, a castração da liberdade de imprensa e a implementação de uma poderosa rede de comunicação estatal.

De pouco tem adiantado os protestos da opinião pública de todo o mundo contra esta última decisão. Chávez age de uma forma messiânica e rechaça tais manifestações com um misto de ódio e desprezo, atribuindo-as a uma reação dos inimigos da pátria e do povo, meros serviçais da elite venezuelana e do imperialismo norte-americano. Até o Congresso brasileiro- vejam só! –, tão atribulado com os seus próprios escândalos internos, ganhou as manchetes internacionais quando, ao protestar contra o fechamento da RCTV, mereceu de Chávez uma resposta insolente, na qual ele colocava em dúvida a sua soberania, ao considera-lo um mero repetidor do discurso de Washington.A resposta de Lula ao ataque de Chávez foi, como sempre, tímida e frouxa :”Chávez cuida da Venezuela, eu cuido do Brasil, Bush cuida dos Estados |Unidos...”. Então ta..

O pior é que a ousadia do ditador venezuelano tem feito escola na América Latina. Na Bolívia, o seu pupilo predileto, Evo Moralez, está implementando o projeto de uma rede estatal de comunicação , composta de 25 rádios e um canal de TV comunitária , a ser inaugurada em 2008,em grande parte com financiamento venezuelano. No Equador, Rafael Correa já entrou em conflito aberto com a imprensa.Está processando, -“por injúria”-o jornal La Hora que tem criticado sistematicamente as suas decisões políticas, em especial a que trata de convocar um referendo sobre a Assembléia Constituinte.

Desta forma, o falastrão venezuelano dá prosseguimento ao seu propósito de ser o novo Fidel Castro da América Latina e fazer da Venezuela uma nova Cuba. Mais rica, é claro, por conta do petróleo.O perigo está em que toda esta pantomima se dissemine pelo continente, contaminando chefes de governo de outros países, como já acontece na Bolívia e no Equador. Neste sentido, o espetáculo circense de Chávez terá muito de trágico e pouco de cômico. Todos continuaremos a nos divertir muito mais com as estripulias do outro Chaves. O divertido e inofensivo mexicano dos programas infantis.
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AMANTES E EMPREITEIRAS


Foto:O atribulado Renan, protagonista de um caso que envolve amante e empreiteira quer a solidariedade cúmplice de seus colegas. Afinal, quem no Senado não tem uma amante e uma empreiteira?


Tragicômica tem sido a atuação de parlamentares brasileiros no que se refere à investigação do presidente do Senado, Renan Calheiros. Como se sabe, Renan está mergulhado até o pescoço num caso que envolve empreiteira e amante. Numa tentativa de escapar ileso, ele tenta, em sua defesa, superdimensionar o lado passional da história – a sua relação extra-conjugal com a jornalista Mônica Veloso que lhe gerou uma filha – para esconder a sua relação pouco republicana com a construtora Mendes Júnior, que lhe cobriria despesas pessoais, em troca não se sabe de quê.

Senadores e deputados, com pouquíssimas exceções, não conseguem esconder que tentam fazer de tudo para que as investigações não evoluam. Consideram desnecessária a instalação de uma CPI, e na corregedoria e no Conselho de Ética tudo caminha para a absolvição de Calheiros, sem muitas delongas.

Calheiros, político influente e muito bem informado do que se passa ao seu redor – ao contrário de Lula, que nada vê e nada sabe –, já deixou implícita uma ameaça de que não irá sozinho para o cadafalso. Ele, mais do que ninguém, sabe que não está sozinho nesta história de empreiteiras e amantes. Pode ser que a mistura explosiva de empreiteira e amante num mesmo caso seja uma exclusividade sua.Mas, quem duvida que a maioria dos senadores e deputados tenha, pelo menos, uma amante e uma empreiteira? As amantes podem lhes trazer problemas sérios em família, assim como as empreiteiras podem lhes trazer sérios problemas políticos. Sendo assim, o silêncio cúmplice e a absolvição de Calheiros, imaginam, é o melhor que eles podem fazer por eles próprios.Afinal, o cinismo e a dissimulação são importantes traços de nossa política.
040507