quarta-feira, maio 02, 2007

MAQUIAGEM E REVOLUÇÃO


Quem examina e estuda com mais cuidado as razões da péssima qualidade de nosso ensino sabe que ela decorre, fundamentalmente, da completa inadequação do atual currículo escolar às necessidades da sociedade contemporânea e da ausência de professores preparados, estimulados com salários dignos e sustentados por uma infra-estrutura escolar de qualidade. O plano lulista não aborda nenhuma destas causas.
Foto Acima:Lula e o ministro da Educação, Fernando Haddad

MAQUIAGEM E REVOLUÇÃO

A educação pública no Brasil vai de mal a pior. E, ao que tudo indica, caminha a passos largos para o naufrágio completo. E o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) lançado pelo governo Lula , apesar de toda a publicidade que o cerca, só confirma esta impressão.O projeto do Ministério da Educação, ao contrário do que pretende fazer crer a publicidade enganosa do governo, parece muito mais um dessas jogadas de marketing tão a gosto deste governo do que algo sério e conseqüente. Revela, antes de tudo total desconhecimento das verdadeiras causas da deterioração do nosso ensino público. E estas causas são, sobretudo, estruturais.Faltou aos planejadores do governo examinar com seriedade as causas estruturais e, a partir daí, implementar as modificações.

Quem examina e estuda com mais cuidado as razões da péssima qualidade de nosso ensino sabe que ela decorre, fundamentalmente, da completa inadequação do atual currículo escolar às necessidades da sociedade contemporânea e da ausência de professores preparados, estimulados com salários dignos e sustentados por uma infra-estrutura escolar de qualidade. O plano lulista não aborda nenhuma destas causas. O estabelecimento de um piso salarial nacional, carro-chefe do plano, só vem confirmar o completo divórcio entre o plano e a realidade vivida por professores e alunos em milhares de escolas de todo o país.

Ao estabelecer um piso de R$800,00 por 40 horas semanais de trabalho, o governo parece desconhecer que, com exceção das regiões mais pobres do Brasil, a maioria dos professores já recebe salário igual ou superior. É preciso levar em conta que a carga máxima de trabalho suportada pelo professor é de 20 horas semanais, aí incluídas as aulas e o tempo dedicado ao preparo das aulas e à correção dos trabalhos escolares. Ao propor um piso salarial por 40 horas de trabalho, o governo está sugerindo que o professor dobre a sua jornada, trabalhando 20 horas a mais que o suportável e pedagogicamente indicado. Mas o governo anuncia o PDE como se tratasse da redenção do ensino público neste país. Não é.

Quer o governo empreender uma verdadeira reforma no ensino brasileiro? Promova-se uma reestruturação completa no currículo escolar, remunere o professor com um salário que atraia para o magistério vocações e competências que se encontram fora por absoluto desestímulo. E que a União , detentora da maior parcela dos impostos arrecadados, assuma definitivamente a responsabilidade sobre o ensino básico e médio , naquilo que o senador Cristovam Buarque costuma definir como a federalização da educação.Fora disto, tudo se resumirá a medidas paliativas, retoques superficiais, que não alterarão um milímetro o quadro vergonhoso de nosso ensino público. O que o Brasil precisa é de uma revolução na área educacional, não de uma maquiagem, como faz o governo Lula.020507

5 comentários:

rosena disse...

Fernando, quem liga para pobre, preto e feio no Brasil? Pobre so serve para entrar na fila em dia de eleição, nada mais.A escola pública é pra quem?Pra ricos ou filhos de classe média? Claro que não. Então quem está realmente se lixando pra educação no Brasil?brasil não é Cpréia, não é Japão , não é Cingapura, nem mesmo o Chile.Como disse o senador cristovam Buarque, se analfabetismo fosse contagioso e atingisse tambémn os ricos a problemática da educação ja teria encontrado a solucionática.

nidia disse...

Olá Fernando
Continuo dizendo, as coisas não vão mudar porque ninguém reclama efetivamente. Não gosto de greves, acho um absurdo, e não mostra a força das classes profissionais e mesmo dos consumidores. Acho que cada classe tem que se mobilizar, criar comissões pra ficar enchendo o saco do presidente, e exigir o que se quer. Os sindicatos de classes foram criados para isso mesmo, mas, na era Lula agiram equivocadamente e perderam a força. Não devemos pensar em greve. Isso só prejudica o lado fraco. Quem perde com greves somos nós mesmos, e depois, quando não se consegue atingir os objetivos, tem-se que voltar ao trabalho com o rabinho no meio das pernas.
Quando se faz um movimento estruturado, com bases sólidas e com poder econômico para bancar o trabalho de fiscalizar o governo, é possível exigir prestação de contas, exigir que culpados sejam punidos, exigir que ladrões devolvam aos cofres públicos o dinheiro que roubaram, exigir condições adequadas de trabalho, exigir remuneração adequada, etc...
Isso também faz parte da educação de um povo e, felizmente (pq vcs tem a oportunidade) ou infelizmente (pque é uma carga pesada), está nas mãos dos professores iniciarem essa mudança.
Um abraço

ricardo disse...

Acho que as escolas estão defasadas. o que se aprende hoje as escolas não se aplica na prática.O país está muito utilitarista, muito mercantilista. A cultura fica num plano secundario. O modelo das nossas crianças não são os escritores, os artistas os intelectuais. O modelo das nossas crianças são os jogadores de futebol, as modelos das passarelas e das revistas, os cantores de m sertaneja e aché e por aí vai. Gente que venceu na vida com pouco ou nenhum estudo. O nosso presidente é um exemplo de como fazer sucesso no Brasil sem precisar de muito estudo.No dia em que o Brasil pensar mais em termos coletivos, em termos de sociedade e de nação, talvez tenhamos uma educação de qualidade. Enquanto prevalecer o imediatismo e o utilitarismo, nada feito

Anônimo disse...

Educação significa povo esclarecido e consciente, pronto para avaliar, criticar e combater governos mediocres e corruptos como este. Ainda mais: da as pessoas o senso da cidadanis. Algum político estará disposto a assumir isto?

Sofia disse...

O sistema educacional no Brasil está um caos absoluto.
E diante desta proposta feita pelo governo mostra o total descaso, preocupação, sensibilidade com a educação, com o professor.
Qualquer trabalhador doméstico, porteiro de prédio, vendedor de sanduíche(com todo respeito a todos eles) tem mais direitos e ganha mais que um professor.
São escolas depredadas, baixos salários, sobrecarga de trabalho, falta apoio das famílias (família......o que é isto hoje em dia?). Falta valores. A sociedade está passiva diante do caos. É a pior violência que sofremos todos os dias: o silêncio conivente da sociedade.
Os professores já não conseguem reagir mais. São massacrados por todo o sistema com muita pressão.Acredito que muitos ainda estão trabalhando por ter muitos anos de trabalho. Ninguém mais quer ser professor.E bobo de quem queira.
Poderia dizer que a educação no Brasil está falida, morta e não tem como modificar nada, a não ser acabar com tudo que está aí e começar do zero.