terça-feira, maio 15, 2007

COALIZÃO OU COLISÃO? ( II )

Mas quem procura acha.E foi o presidente Lula quem optou pela manutenção do fisiologismo político em seu segundo mandato. Em lugar de construir uma aliança baseada em afinidade de princípios, programas e valores, preferiu reforçar a tradição brasileira de busca de apoio no Congresso a qualquer custo. E o preço tem sido bem alto para o contribuinte brasileiro.


COALIZÃO OU COLISÃO?

É incrível o cinismo e a desfaçatez com que os nossos políticos exercitam o seu esporte predileto, o fisiologismo. Também não é para menos: o governo Lula, como nenhum outro, acelerou no Brasil a prática deste hábito político e agora tem que agüentar as conseqüências. Sob o pomposo nome de “governo de coalizão”, Lula submeteu , ou tenta submeter, gregos e troianos , numa tentativa de fazer o seu segundo governo menos turbulento do que o primeiro.

Só que este fisiologismo institucionalizado tem o seu preço. É o preço da luta constante pela manutenção da fidelidade canina de seus aliados ao governo sob o custo cada vez maior, pois exige uma farta distribuição de cargos , verbas e prestígio nos diversos escalões governamentais, nas estatais e nas autarquias. Neste momento o governo enfrenta uma ameaça de rebeldia de deputados do PMDB - o partido preferencial de Lula nesta coalizão – que, contrariados com a demora do Presidente em definir a distribuição de cargos de segundo e terceiro escalões para os partidos do grupo de coalizão, anunciam um boicote a todos os projetos de interesse do governo que aguardam urgência de votação na Câmara Federal. O PMDB está de olho em cinco cargos nas principais estatais federais:Petrobras, Furnas, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB). Disputam estes cargos como urubus disputam a carniça. O governo terá que exercer um permanente monitoramento de sua base aliada, pois, como se vê, ela é muito volúvel.


Mas quem procura acha.E foi o presidente Lula quem optou pela manutenção do fisiologismo político em seu segundo mandato. Em lugar de construir uma aliança baseada em afinidade de princípios, programas e valores, preferiu reforçar a tradição brasileira de busca de apoio no Congresso a qualquer custo. E o preço tem sido bem alto para o contribuinte brasileiro. A prática do fisiologismo explícito, com o loteamento de cargos e de funções, prática que o PT abominava com veemência quando se encontrava na oposição, muito antes de assegurar um governo coerente, norteado por princípios e por programas, estabelece um desgoverno que navega ao sabor das circunstâncias, impelido pelos humores dos parlamentares que passam a estabelecer os limites da fidelidade ou da traição pelo numero de cargos que lhes são garantidos pelo governo.

Ao invés de um governo forte e coerente, Lula construiu um governo que, para se manter, tem que viver sob o signo da permanente ameaça de chantagem política, exercida por seus próprios aliados.Neste cenário, a coalizão imaginada por Lula não passaria de um castelo de areia.. Se Lula não satisfizer a fome do PMDB e dos demais aliados, o governo de coalizão pode virar um governo de colisão.
150507

3 comentários:

lima disse...

Fernando, vc continua com seus comentários oportunos e coerentes.Sobre o nosso Lula,ele foi é e sempre será uma farsa. A mesma farsa engendrada para a sua eleição repetida na reeleição,baseada na demagogia e no discurso fácil de que tudo "será" feito, a seu tempo.A tal coalizão é uma farsa. Esse PAC,evidentemente é mais um engodo presidencial para manter esperançosa grade. pte. da população permitindo que continue com asmaracutaias até o final do novo "reinado" .

No 1º mandato,não realizou sequer 30% do que prometeu , mas acertou a sua vida, a de sua família e dos seus amiguinhos e amigões e correligionários petistas.
Para continuar sossegado no governo tem que arrumar a vida desse pessoal que só sabe fazer politica sugando o orçamento da União e levando vantagem em tudo.Quando fizer tudo isto, a sua obra já está encerrada.

reis disse...

Por que Lula seria diferente? A política é este lamaçal e querem que o presidente tenha um comportamento de santo?Lula precisa de sustentação para governar, certo?Os deputados e senadores querem poder e prestígio , certo?Então seja feita a vontade geral.

Anônimo disse...

Ontem o Lula aproveitou para fazer uma média com a mídia, numa ocasião em que ele anda por cima.Jornalistas se acham muito espertos, mas toda vez que tentam cercar uma raposa peluda dos nossos políticos acabam por sair desmoralizados. O Lula é mais uma raposa peluda. Eu queria viver nese país do qual ele falou na coletiva: economia em ordem, democracia sólida, educação, segurança e saúde para todos.
Será que ninguém tem coragem para perguntar sobre os lucros dos bancos em contraste com a esmola do bolsa família? Antigamente, por muito menos, o sidicato dos bancários publicava jornalecos atacando os bancos e denunciando demissões em massa na categoria. Não é, Gushiken? Será que nenhum jornalista sabe que investidores estrangeiros entram e saem do país sem pagar impostos (tem isenção)? Será que ninguém ainda percebeu que o Lula se inspira no Getúlio: é o pai dos pobres e a mãe dos ricos? Vamos lá: esse esquema de abaixar o dólar aumenta importações. Sobrevivem os mais eficientes, dizem os liberais. Porém os mais eficientes são os que têm mais escala de produção. Isso quer dizer que o modelo é concentrador, excludente, como dizem os teólogos da libertação. Cadê as propostas de economia familiar e de microempresas? Enquanto isso, o governo quer apertar o garrote no pescoço dos profissionais liberais vetando a emenda 3. O país das maravilhas do Lula também tem um Judiciário impoluto, célere e eficiente, um Legislativo operante, insubornável.
E o crescimento nacional, é assim ó! Que desgraça...