segunda-feira, março 19, 2007

POBRE BRASIL!

O que estamos a assistir neste momento é a reprise de um filme de má qualidade protagonizado por um ator canastrão e coadjuvado por atores de quinta categoria. E, na platéia, a sociedade estática e perplexa assiste a tudo e ainda paga por isto. Boa parte dela aplaude o desempenho do ator principal. O problema é que a parte da platéia que já se deu conta da farsa parece não ter forças nem ânimo para reagir à péssima qualidade do espetáculo nem ao elevado preço do ingresso cobrado.



Charge de Roque Sponholz :Loteamento de cargos em troca de fidelidade canina.

POBRE BRASIL!

O Brasil somente não está parado porque, felizmente, não depende exclusivamente do governo. Se dependesse, estaríamos no pior dos mundos. É a iniciativa privada, investindo e gerando empregos que, bem ou mal, tem movimentado a economia do país. O governo, além de não governar, ainda atrapalha quem quer trabalhar.Governo que se preze tem que cuidar com diligência e eficiência do que realmente lhe compete: educação, saúde, segurança, justiça e infra-estrutura. Os ministérios deveriam se limitar em número suficiente ao atendimento a estas áreas prioritárias da sociedade. Aos demais setores deveriam ser reservados, no máximo,secretarias em nível de segundo escalão, pois são setores que dizem respeito prioritariamente à iniciativa privada.

Mas o atual governo não pensa assim.Neste exato momento, dedica-se à tarefa da composição de seu novo ministério. E ao invés de enxugar a máquina governamental, trata de infla-la ainda mais, aumentando o número de ministérios para 35, numa clara demonstração de que, muito antes da preocupação com a eficiência administrativa, o que vale é garantir o maior espaço possível a seus aliados de primeira ( PT) e de última hora (PMDB). O objetivo final destas negociações marcadas pelo mais puro fisiologismo – na qual o próprio presidente desconhece completamente a vida pregressa de seu indicado e indiciado ministro da Agricultura – não é outro senão o de garantir um cenário favorável ao governo na próximas eleições.

E nesta salada de 35 ministérios que a sociedade será obrigada a engolir e pagar, estão muitos que não têm outra razão a não ser a de satisfazer o ego político de caciques partidários e acomodar apadrinhados e correligionários sedentos por um cargo bem remunerado com dinheiro público, que signifique uma parcela – mesmo ínfima -de poder.Afinal, para que servem ministérios como os do Turismo, Esporte, Cultura, Cidades, Pesca, Reforma Agrária, Relações Institucionais, Integração Nacional, dentre outros?

É comum ouvirmos que o Brasil está parado por conta das indefinições do mundo político. Não está.O que está parado como sempre é o próprio mundo político.Se o Brasil caminha para frente, mesmo que seja em ritmo de jabuti velho, isto se deve sobretudo à iniciativa privada, que se vira como pode, apesar de todas as barreiras impostas pelo governo, em forma de muitos tributos e de muita burocracia. Não fosse isso – as dificuldades impostas pelo governo –, e se tivéssemos também uma cultura de incentivo à ampla liberdade de empreendimento no campo econômico , certamente os nossos índices de crescimento econômico, comparado aos dos demais países, não estariam num patamar tão constrangedor como se encontra. Olhando para trás na América Latina, só encontramos o Haiti.

O verdadeiro programa de aceleração do crescimento deveria ser aquele em que o governo promovesse a desregulamentação da economia, reduzisse drasticamente a carga tributária, promovesse a revolução no ensino básico e fundamental e investisse em obras de infra-estrutura que não podem esperar. Mas aos olhos do governo e da categoria política em geral, tais medidas, se adotadas, significariam a diminuição dos recursos financeiros por eles manipulados, e uma conseqüente perda de seu poder político. E isto eles não admitem que aconteça.

Como o que deveria acontecer não acontece, continuamos a assistir à esta representação mambembe protagonizada por atores de quinta categoria, regiamente recompensados com a grana que compulsoriamente pagamos em cada palito de fósforo que compramos. O governo, como se quisesse justificar a injustificável inércia e incompetência, periodicamente lança um ou outro programa de impacto, de caráter eminentemente propagandístico. No passado recente foi o “Fome Zero” do qual não se tem mais notícia. Agora aparece com um tal de PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), e ,em seguida com um programa de incentivo à educação , uma espécie de PAC educacional. Não conseguimos ver, nestes programas outro o propósito a não ser o de criar espaço na mídia e passar à sociedade a falsa impressão de que este governo governa.

Enquanto o governo finge que governa, a oposição brinca de fazer oposição. Ao invés de colocar o dedo nas feridas do governo – elas são muitas e vêm do primeiro mandato de Lula – e propor um plano alternativo que fuja da tríplice aliança - populismo, corrupção e assistencialismo-, a oposição continua a cometer os mesmos erros e insiste no inconseqüente e velho jogo de intrigas e troca de desaforos. Isto porque também muito mais preocupados como o seu futuro nas próximas eleições do que com o futuro do Brasil, os oposicionistas insistem na tática de abrir CPIs conta tudo e contra todos na Câmara e no Senado.E ameaçam o governo com a obstrução da pauta do Congresso, já tão obstruída pelas próprias MPs do governo.Tal comportamento é o que o jornalista Elio Gaspari tão bem definiu como “oposicionismo policial”.

A oposição parece esquecida de que em 2005 entulhou o Congresso de CPIs, que paralisaram os trabalhos do legislativo sob uma causa mais do que justa: investigar a corrupção do governo Lula.Mas, ao final, tudo foi dar numa gigantesca pizza, fruto de um grande acordo do establishment político. Acordo este que condenou dois ou três parlamentares, salvou a maioria da degola, manteve Lula no poder, e ainda possibilitou a sua consagradora reeleição, sob a aura de inocente e de injustiçado pelos “inimigos do povo”.O que aconteceu foi que na medida em que as investigações começaram a sair dos currais do governo e a penetrar perigosamente dos currais da oposição, esta tratou de encerrar logo os trabalhos e deixar as coisas do jeito em que estavam. Na verdade, tais CPIs não têm se constituído em outra coisa, infelizmente, do que palco para a exibição de certos tipos de políticos, ávidos pelos holofotes da mídia e por seus quinze minutos de fama nacional. Nada mais do que isto.

Portanto, o que estamos a assistir neste momento é a reprise de um filme de má qualidade protagonizado por um ator canastrão e coadjuvado por atores de quinta categoria. E, na platéia, a sociedade estática e perplexa assiste a tudo e ainda paga por isto. Boa parte dela aplaude o desempenho do ator principal. O problema é que a parte da platéia que já se deu conta da farsa parece não ter forças nem ânimo para reagir à péssima qualidade do espetáculo nem ao elevado preço do ingresso cobrado. Pobre Brasil.

190307

10 comentários:

Anônimo disse...

Imagine se Lula dependesse da oposição para governar este País. Pergunto a você tucano e Cia Ltda, o que vocês estão fazendo para que o País seja melhor?. A oposição com certeza nos dois mandatos de Lula só está atrapalhando. O povo deve observar isto e na hora certa ou seja nas urnas, deve ser dado o troco.

Luis Hipolito disse...

O PT e Lula esgotaram as opções políticas que temos no Brasil. O povo tem uma péssima lembrança dos governos do PSDB. Isso é fato comprovado por pesquisas. O PMDB não tem candidato presidencial viável, bem como os outros partidos. Não se trata de gostar ou apoiar o governo que está aí. O problema é que tudo se esgotou no Brasil e hoje elege-se apenas o menos ruim, em qualquer nível de governo.

Rebeca disse...

Pobre país rico.Brasil é como um mulher linda, maravilhosa, escultural, porém, maltrada pela vida, pelo mal casamento,pelos dramas existenciais e provocados pela vida.É um paradoxo isto.
Como mo comentário de Luís: tudo se esgotou no Brasil, principalmente o potencial humano dos políticos. É vergonhoso para qualquer cidadao que paga altas taxas tribuitárias ver o descaso como Lula e demais políticos governam o país.Lidam com a coisa pública. Dá vontade de dar um chute no pau da barraca e mudar de vez para um país mais humano. coerente e respeitador com seu povo.

ATENTO disse...

Só fico imaginando a dor dos petistas de carteirinha que a vida toda ajudaram e apoiaram o grande líder a chegar à presidência. Devem estar para lá de decepcionados, deprimidos, desiludidos com a virada de casaca de seu ídolo. No final ficou bem claro: tudo o que elle queria eram os mesmos privilégios e vida boa dos coronéis que elle tanto combateu. Quem te viu, quem te vê!

rosena disse...

fernando - Pq ninguem reage e vão as ruas protestar como aconteceu contra o Bush?É pq são egoistas e vivem presos no seu mundinho e na sua rotina diária.A ladroagem do PT dói nos nossos bolsos mas preferimos a comodidade do que a ação. Por isso Lula deita e rola...e esperto como é pode provocar mais uma reeleição. É como vc diz: pobre Brasil!!

moura disse...

Quero me ater a um aspecto do seu artigo: o da reforma ministerial.Precisamos de pessoas que conheçam as áreas onde atuam, e não de políticos de carreira. Enquanto a política for mais importante que o povo, o nosso querido Brasil não vai para a frente.

Porque não podemos tratar os cargos publicos como os da atividade privada?
1. Em uma empresa privada não se contrata quem não tem experiência, inclusive hoje se pede muito mais dos candidatos as poucas vagas disponíveis;
2. Se o funcionário de compania privada não desempenha seu papel de forma adequada, e não obtém os resultados esperados podemos dispensar os seus serviços. O mesmo deveria ser aplicado a corja de Brasília, se eles não cumprem as tarefas para as quais foram contratados, temos todo o direito de dispensar os serviços deles, pois no final do dia somos nós, os contribuintes que pagamos os salários deles e nós os "contratamos" através do voto.

Temos que criar um movimento onde o povo enganado e sofrido peça a seus governantes mais seriedade, mais respeito. Utopia eu sei...

nidia disse...

É isso mesmo meu caro Moura. Deveria haver uma reforma política, onde, para se ser um político seria necessário ter-se um diploma universitário, como por ex. administração ou algo até mais específico: administração pública, ou, deveria haver cargos de carreira nos pontos estratégicos do governo, que não fosse por concurso, para que esse profissional pudesse ser exonerado caso naõ estivesse correspondendo às espectativas.
Deveria ser reduzido em muito o número de parlamentares que nos representam. Não é necessário tanta gente lá em Brasília pra representar uma mesma região.
Mas é certo que isso é uma utopia pq quem deveria fazer essas mudanças são ás pessoas que estão interessadas em continuar como está.

Rebeca disse...

É um paradoxo mesmo.
Os verdadeiros `ministros` são os funcionários de carreira dos ministérios.
São eles responsáveis pelo funcionamento da máquina. Eles sim é que deveriam ser os funcionários mais bem preparados do sistema, ter formaçao específica, visao de futuro. Quando um ministro se ausenta, tudo funciona direito demonstrando que a sua presença é dispensável.
Quanto aos `ministros/políticos` são apenas roupagem nova ou velha. O ministro/político tem que ter transito livre em todos os setores do governo, da sociedade, ser carismático, eficiente e competente para atrair investimentos importantes e adesoes e idéias de pessoas influentes da sociedade.
Assim, qualquer ministério atuaria bem melhor. É bem fácil.

Fernando Soares disse...

Moura, Nidia, Rebeca, amigos
Realmente a competência deveria ser a referência principal nas nomeações de cidadãos para cargos importantes no governo, como para tudo mais . Mas o presidente precisa do apoio político no Congresso e, como os partidos não tem ideologia nem programas , tem início o festival de fisiologismo, compadrismo e nepotismo que marcam a política.O próprio Moura reconhece o que de utópico existe em sua sugestão. Mas nem por isto devemos desistir de que o país tenha uma reforma política que possibilite um maior controle da sociedade sobre o governo,o Congresso, os partidos e a atuação dos políticos em geral. Ao meu ver , um passo adiante se daria com a implantação do regime parlamentarista, que, ao menos, não nos obriga a suportar um governo ruim com data marcada para acabar. Um governo fraco pode ser derrubado a qualquer momento por força de uma pressão popular, ou por falta de apoio parlamentar.Sem traumas e sem crise..E não se trata de utopia. Os países mais desenvolvidos politicamente, na Europa, Ásia e Oceania são parlamentaristas...

nidia disse...

Pois é Fernando, concordo. O que eu falo de cargo de carreira, seria quando um "funcionário" de determinado setor é competente, ele pode ficar na função até se aposentar, não há necessidade dessa troca só pq mudou o presidente. Perde-se muito tempo em adaptações e integração à função.