quinta-feira, março 29, 2007

O EXEMPLO VEM DA COLÔMBIA

Não se diminui a violência nas cidades brasileiras sem ações planejadas, corretas e efetivas, tanto no campo da repressão quanto no campo da ação social em benefício das populações mais pobres. E isto significa policiamento ostensivo, eficaz e permanente, mas significa também transporte, escolas de qualidade, postos de saúde, saneamento, centros de esporte , cultura e lazer nas favelas. A aplicação de tais políticas resultará numa sensível diminuição da violência, tal como acontece hoje na Colômbia.

OMetro Cable facilita o transporte nos bairros pobres de Medellin
O EXEMPLO VEM DA COLOMBIA

Longe do assistencialismo populista que vêm marcando a (in)ação do governo brasileiro nos últimos anos, a Colômbia,até então considerada inviável na visão da maior parte dos pesquisadores e observadores,mostra que é possível, através de uma política bem planejada, conjugar ações de repressão ao crime com ações sociais de efetivo benefício para as camadas mais pobres da população.

Enquanto no Brasil perde-se tempo com a discussão sobre a questão da maioridade penal, e os projetos de leis penais ficam paralisados no Congresso à espera da boa vontade dos representantes do povo, uma ação conjunta do governo federal colombiano e das prefeituras de Medellín e Bogotá, com financiamento do Bird, vêm conseguindo reverter o quadro de violência miséria e desagregação social que caracteriza o país.

O princípio sobre o qual se assenta a implementação dos diversos projetos sociais é bastante simples: não bastam ações policiais ; será necessário que o estado se faça efetivamente presente nestas áreas , recuperando-as do poder do tráfico e realizando obras públicas que integrasse as populações de favelas e bairros periféricos ao restante da cidade. E assim vem sendo feito com grande sucesso.

O Projeto Urbano Integrado(PUI), implementado na área periférica de Medellín é o melhor exemplo. Consiste num teleférico ligado ao metrô – denominado Metrô Cable – utilizado para descer e subir os morros, e conectado, ainda a uma linha de ônibus que faz a ligação com a estação. A presença permanente e ostensiva da polícia deu mais segurança aos moradores, e a sua atuação ostensiva nas vias urbanas e nas estações tem inibido a ação do narcotráfico e dos criminosos em geral. Ainda em Medellín, o governo colombiano criou áreas de lazer , parques e centros esportivos nas favelas, entregando a coordenação destas atividades a jovens e membros da comunidade, numa espécie de incentivo ao surgimento de novas lideranças comunitárias voltadas para ações positivas.


O comércio de Medellín já sente os efeitos desta política social. Na avenida central do bairro de Andaluzia existiam antes do projeto 33 pontos comerciais. Hoje são 250, muito deles incentivados pelo programa “Crédito Fácil”, destinado aos microempresários. A educação vem sendo alvo de especial atenção. No último sábado, os reis da Espanha estiveram no bairro periférico de Santo Domingo Sávio para a inauguração de uma grande biblioteca, que já contava com 17 mil livros doados. Igualmente, o parque Explore Ciência e Tecnologia foi criado em meio aos barracos.

É difícil prever os resultados destas medidas a médio e longo prazo, uma vez que dependerá da continuidade da linha política adotada pelo atual presidente Álvaro Uribe. Ao lado da presidente do Chile, Michelle Bachelet, Uribe é uma raridade na América Latina dominada pelo populismo e pela inconsequência de líderes como Hugo Chávez e Evo Morales e congêneres. Se a Colômbia cair na tentação fácil do populismo, é quase certo que políticas sociais corretas como estas percam lugar em favor de medidas assistencialistas e demagógicas que costumam ser as marcas deste tipo de governante.


Nesta sentido, a Colômbia parece estar superando o velho dilema que ainda persiste no Brasil e marca a discussão sobre a solução para a questão da violência em nosso país.Infelizmente, continuamos a marcar passo , com a tendência irreversível ao maniqueísmo estéril. De um lado, ficam aqueles que defendem maior eficiência na repressão e desconsideram as medidas de caráter social; do outro, estão aqueles que propugnam por medidas sociais e desprezam a urgência de maior eficácia na repressão. A Colômbia vem mostrando que esta dicotomia não faz sentido, e ambos os tipos de ação não se excluem. Pelo contrário, se conjugam e se complementam.

Não se diminui a violência nas cidades brasileiras sem ações planejadas, corretas e efetivas, tanto no campo da repressão quanto no campo da ação social em benefício das populações mais pobres. E isto significa policiamento ostensivo, eficaz e permanente, mas significa também transporte, escolas de qualidade, postos de saúde, saneamento, centros de esporte , cultura e lazer nas favelas. A aplicação de tais políticas resultará numa sensível diminuição da violência, tal como acontece hoje na Colômbia. Portanto, é inútil que leve em conta apenas um lado da solução.

Na semana passada, os governadores Aécio neves(MG), Sérgio Cabral(RJ) e José Roberto Arruda(DF) estiveram na Colômbia, onde conheceram de perto estes projetos sociais. Afirmaram terem ficado impressionados e convencidos de que existe solução para o problema da criminalidade. Se estão sendo sinceros, espera-se que coloquem em prática o que aprenderam . E que também – aí é bem mais difícil- consigam convencer o presidente Lula de que é possível realizar ações sociais que vão mais além do puro esmolismo oficial e que levem ao cidadão mais pobre o que é seu direito constitucional, resgatando-o do domínio do tráfico e inserindo-o no domínio da cidadania.
300307

6 comentários:

Anônimo disse...

OS GOVERNADORES fizeram esta viagem por pura demagogia e não vão aprender nada.Duvido que o aecinho, o cabralzinho ou o governador do painel façam algo semelhante. A Colômbia luta com dificuldades mas tem gente mais séria do que aqí. pode escrever

Meline disse...

Por um lado podemos dizer que foi positivo a visita dos governadores à Colômbia.
Foi notícia na mídia; estamos discutindo aqui e em outros blogs e o mais importante: existe uma solução para o caos da violência. Esta solução só começa a acontecer quando existe verdadeiramente um compromisso político dos governos; programas eficientes e governos responsáveis; respeito ao cidadão; respeito e boa aplicabilidade do dinheiro público. NÃO EXISTE ESPAÇO para a demagogia política, para programas assistencialistas com efeitos positivos apenas para a próxima eleição; para o egoísmo, descasos, imoralidades dos políticos. Espero que Lula e demais governadores aprendam bem a lição de casa com nosso vizinho.A sociedade agradece.

nuno disse...

Se o exemplo vem da CoLômbia como vc diz, então estamos perdidos mesmo. Um país completamente dominado pelo narcotrafico, exportador mundial de drogas e dividido não pode servir de exemplo. Mais uma vez a crítica às política de Lula definida como "assistencialistas" não fazem sentido e não tem lógica.Lula tem sido o unico presidente a praticar uma política de elevação de renda das classes pobres, aumentando o seu poder de consumo.

Tb acho que a eliminação da pobreza vai diminuir a violência mas acho que o governo do Brasil vai pelo caminho certo e não precisa de exemplo de um país de baixíssimos indices de desenvolvimento social.

orlando tambosi disse...

Longa vida ao blog!!

Meline disse...

Nuno, de uma coisa concordo plenamente com você: “Lula tem sido o único presidente a praticar uma política de elevação de renda das classes pobres, aumentando o seu poder de consumo”. Mas faço uma retificação em sua afirmativa: a classe média está extinta e passou a pertencer a classe pobre. Então, Lula conseguiu o inédito: NIVELAR por baixo uma grande parcela da população e fazer da população brasileira ser igualitária na pobreza.

E uma outra observação: o Brasil só dará certo se tiver um investmento real na qualidade do sistema educacional.Este é o caminho. E cá pra nós Nuno, Lula não é um bom exemplo para as crianças, jovens deste país: ele bem avesso a uma boa leitura, estudar....escola....provas....

daniel layrton nunes araujo disse...

o apagão àereo e só mais um retrato da incompetêcia do desgoverno lula