quinta-feira, março 08, 2007

O BOLSA ESCOLA DO AÉCIO


O BOLSA ESCOLA DO AÉCIO

O esmolário oficial em que tem se constituído o governo federal nos últimos anos , em especial no de Lula da Silva, parece ter feito escola e se espalhado por outras administrações. Nesta última segunda-feira, o governador de Minas, Aécio Neves, lançou o programa "Poupança Jovem" que visa premiar o estudante de ensino médio, com idade entre 15 e 18 anos que conseguir concluir sem repetir os três anos do ensino médio, com uma bolsa de R$ 3 mil reais, corrigidos monetariamente, resultante de um depósito anual de 1 mil reais , efetuado no mês de aniversário. O fato mereceu inclusive destaque no Jornal Nacional e da mídia em geral. Na maioria, elogiosos.

Segundo o governador mineiro, o programa pretende atender prioritariamente adolescentes que moram em municípios com baixo índice de desenvolvimento humano(IDH), e objetiva melhorar as condições de vida e de ingresso desses jovens no mercado de trabalho. Para isto, estão previstos R$50 milhões no orçamento de 2007.

A idéia não é nova. No Brasil, já foi defendida pelo senador Cristovam Buarque, tendo como beneficiários estudantes do ensino fundamental da rede pública. Aécio preferiu privilegiar estudantes do ensino médio, não por acaso os que estão entrando no time dos eleitores.

O fato é que , apesar das nobres intenções expressas , trata-se de mais um programa de caráter assistencialista, tão ao gosto dos governantes atuais. Começou com FHC e seu Bolsa Escola, prosseguiu de forma ampliada no governo Lula e seu Bolsa Família. E , agora, chega a Minas sob a forma de uma bolsa-escola restrita aos estudantes do ensino médio.

Tenho enormes reservas em relação a qualquer tipo de ação governamental no sentido de pagar para que o estudante freqüente a escola. Trata-se , antes de tudo, de um sintoma claro de que a escola pública é ruim, e não atende a outra finalidade senão tirar o jovem da rua. Não o afasta dos perigos das drogas e da violência porque sabemos de vários casos de agressões e trafico de drogas que acontecem justamente dentro das escolas, em especial, as dos bairros pobres e periféricos.

Melhor faria o governador se, ao invés de praticar um ato de populismo caro com o dinheiro do contribuinte, investisse pesado e racionalmente no ensino público mineiro, melhorando a sua qualidade, e desta forma, atraindo naturalmente o jovem para as salas de aula.
Premiar o jovem por ele ter freqüentado a escola ruim, além de demagógico e eleitoreiro se constitui num ato de desperdício de dinheiro. Afinal, se o ensino público mineiro fosse bom, o jovem se sentiria naturalmente atraído para a sala de aula, e não precisaria de uma espécie de doping governamental. Que o governador mineiro não siga as pegadas populistas de Lula, cuide melhor da educação pública do seu estado e faça com que os jovens freqüentem as escolas atraídos não pelo dinheiro retirado – mais uma vez- do bolso do contribuinte mineiro, mas pela excelência do ensino.
080307

2 comentários:

marco disse...

Não concordo. Pelo que sei, o programa atingirá apenas populações mais pobres. E esta´claro de quem recebe o beneficio, os estudantes, terão que dar a sua contrapartida: frequencia, aprovação e participação em ativodades comunitárias. Não se trata simplesmente de uma esmola como vc diz e como é o programa bolsa familia do apedeuta.

Rebeca disse...

É um paradoxo a bolsa e proposta do governador.
Se por um lado pode até ser positiva, auxiliando os mais carentes residentes de áreas perigosas, por outro lado menospreza e intensifica o quanto é ruim a escola pública. Seria de melhor proveito para toda sociedade se houvesse a melhoria da qualidade da escola pública.