quinta-feira, fevereiro 08, 2007

OPOSIÇÃO AMIGA

Longe do mundo virtual de Brasília, o sentimento oposicionista ao governo Lula é muito maior e mais concreto do que o manifestado pela representação política e parlamentar. Existe na sociedade um forte sentimento contrário à incapacidade deste governo em promover políticas sociais consistentes – e não meramente assistencialistas - , em promover reformas que moralizem o Estado,em adotar uma política de redução drástica dos tributos,em combater com eficácia o crime organizado que toma as grandes cidades,em promover uma política de recuperação de nossa infra-estrutura, e tanta coisa mais. O que falta é uma representação política sincera, atuante, e contundente que incorpore este sentimento e exerça uma oposição de fato.


Aliados , como Zé Dirceu, têm causado mais problemas a Lula do que oposicionistas, como Aécio...


OPOSIÇÃO AMIGA

De alguma forma, Lula da Silva pode se considerar um privilegiado. Passou o quatro anos do seu primeiro mandato praticamente sem uma oposição que mereça este nome., e parece que neste sentido terá pela frente mais alguns anos de bonança. Talvez mal acostumados aos anos de permanência nos salões refrigerados e atapetados do poder,os partidos que lhe deveriam fazer oposição – PSDB e PFL – não encontraram ainda nem a estratégia nem a verdadeira prática oposicionista. Apenas o discurso, não muito convincente.

Surpreendentemente, todos os problemas gerados no seu governo, especialmente nos dois últimos anos de seu primeiro mandato, foram causados pela sua própria base de apoio político.Desde as peripécias de Waldomiro Diniz, passando pelos vampiros da saúde, pelo valerioduto, pelos mensaleiros, pelos sanguessugas, todos os problemas que geraram a grande crise política de 2005 foram protagonizados por gente como José Dirceu, Roberto Jefferson, Humberto Costa, José Genoíno, Delubio Soares, João Paulo Cunha, Antonio Palocci, Duda Mendonça,Waldemar Costa Netto, Ricardo Berzoini, e, até mesmo, o próprio filho do Presidente. Ou seja, ministros, líderes partidários, publicitários e parlamentares até então considerados da mais estrita confiança de Lula.

Durante todo este processo de crise, a atitude da oposição foi tímida, cautelosa e contemporizadora, tendo agido, nos seus momentos agudos, muito mais no sentido da preservação do que eles chamavam de “estabilidade institucional”, mas que no fundo não escondia o verdadeiro desejo de preservar o calendário eleitoral, na esperança de alcançar o poder pelas urnas, diante do enfraquecimento político de Lula e do PT.O problema é que, infelizmente para a oposição, o tiro saiu pela culatra.

Recuperado da crise ética e política, contando com o apoio maciço da população de baixa- renda, seduzidos pelos programas assistencialistas, Lula da Silva foi reeleito com um número expressivo de votos, e sem muito trabalho, arrebanhou uma ampla base de apoio, deixando a oposição menor do que projetava ser quando da ocasião das eleições de 2006:é que muitos parlamentares eleitos por partidos de oposição bandearam para o campo do governo, atrás de verbas e de vantagens, dentro do tradicional toma-lá-dá-cá, que caracteriza a nossa fisiológica política.

O fato é que a oposição atual parece ter pouca disposição para desempenhar o seu papel.Em crise de identidade, o PSDB viu a sua principal bandeira – a do fim da inflação e da estabilidade econômica – lhe ser tomada pelo governo do PT. Durante a campanha eleitoral , os tucanos foram incapazes de defender outra de suas bandeiras mais caras – a das privatizações – dos ataques do candidato petista. Pelo contrário, como Pedro negou Cristo,o candidato Alckmin negou que esta fosse uma das bandeiras tucanas. Deu-se mal, é claro.

Por seu turno, o outro partido oposicionista, o PFL, que, em muitas circunstâncias, tem feito uma oposição até mais contundente que a dos tucanos, peca por possuir uma baixa representatividade, fraca penetração nos grandes centros urbanos, e ainda ser identificado como partido de coronéis nordestinos e herdeiro da ditadura militar. Apesar do nome, não conseguiu se impor como partido de liberais, uma vez que muitas de suas lideranças ainda estão apegadas à velha tradição patrimonialista que marca a política brasileira.

Desta forma, Lula dá início a um mandato onde terá todas as condições de implementar seus projetos – o problema é saber quais são eles! – tendo uma ampla maioria na Câmara e uma apertada, mas negociável, maioria no Senado. Não é sem motivo que muitos neoaliados de Lula temem a nascente campanha pela “anistia” do ex-deputado José Dirceu. O seu retorno ao primeiro plano da política nacional é desvantajoso para Lula pelo potencial de confusão e conflito que poderá desencadear. Dirceu ainda tem muita influência no partido, e o seu projeto de governo parece, agora, não ser o mesmo de Lula. Em matéria de política externa, por exemplo, Lula parece preferir um distanciamento cauteloso de Hugo Chávez, enquanto o seu ex-braço direito é assumidamente favorável ao alinhamento com a chamada “nova esquerda” latino- americana, da qual fazem parte Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua. Praticamente sem oposição, ou tendo, na pior das hipóteses, uma “oposição amiga”, o que de pior que poderia acontecer a Lula seria a volta dos problemas causados pelo seu partido e pelos seus aliados.E eles são especialistas nesta matéria.

O fato é que, distante do mundo virtual de Brasília, o sentimento oposicionista ao governo Lula é muito maior e mais concreto do que o manifestado pela representação política e parlamentar. Existe na sociedade um forte sentimento contrário à incapacidade deste governo em promover políticas sociais consistentes – e não meramente assistencialistas - , em promover reformas que moralizem o Estado,em adotar uma política de redução drástica dos tributos,em combater com eficácia o crime organizado que toma as grandes cidades,em promover uma política de recuperação de nossa infra-estrutura, e tanta coisa mais. O que falta é uma representação política sincera, atuante, e contundente que incorpore este sentimento e exerça uma oposição de fato.
080207

7 comentários:

Laerte disse...

Pergunto: que moral tem o PSDB para criticar o governo Lula??
O psdb prescisa saber que o povo nao é mais trouxa como antes,quando confiou duas vezes no fhc, e agora está colhendo o que plantou.Em oito anos o fhc deixou este pais com uma divida interna cerca de 620 bilhoes, sendo que iniciou com apenas 68 milhoes.Aumentou a carga tributaria do pais em mais de 10 pontos em relaçao ao pib, privatizou um monte de empresas, corretamente, mas o dinheiro sumiu e a divida externa aumentou.Agora é facil ver os reflexos disto. E agora entao.O seu governardor do maior estado do pais, edita um decreto 51520, um afronto a democracia, sem mais sem menos em 30/01/07, cancela os beneficos a micros empresas, eleva a carga tributaria da cesta basica e outros,um absurdo, nao respeita a hierarquias das leis, prazo para aumentos de tributos, enfim, é a sistematica usada pelo psdb, o fim está proximo. O povo não é bobo. Votou em lula novamente pq não acredita nesta canalha aliada ao PFL( este partido do prefeito que chama o cidadaõ de vagabundo.

Anônimo disse...

O que o PSDB/PFL. precisam fazer para ganhar eleições é muito simples: - Deixar de privatizar tudo de bom que existe no Brasil, visto que as multi-nacionais llevam todo o lucro para seus países de origem e, pensar mais nos mais pobres como faz o PT. Não aadianta ficar gastando dinheiro somente na mídia, para tentar enrolar o povo.

Mercia disse...

Fernando:
Para se ter o respaldo do povo e ter crédito como oposição é necessário que se tenha a confiança deste povo.Se o PSDB quiser se aproximar do povão, terá que deixar a sua postura elitista, de forte tonalidade paulista, pró classes rica e média-alta, democratizar as suas decisões internas (perder o caciquismo)e assumir postura receptiva aos movimentos populares, explicitando o franco apoio a programas de distribuição de renda e à decisões participativas. Enfim, terá que assumir uma postura abertamente democrática à participação e anseios populares. Será que os doutores do PSDB vão aguentar o "odor" da participação popular em suas reuniões, de forma mais ou menos permanente, e não apenas nas vésperas das eleições? Será que os caciques do PSDB aceitarão democratizar, tornar mais participativas as decisões do partido? Ou seja, será que perderão a sua pompa, a pose arrogante, e descerão do pedestal para ouvir, sentir verdaderia empatia com o povão?Enquanto isto, Lula continua nadando de braçada.
Parabens pelo seu blog: é crítico e atual.

Rosena disse...

Fernando Vc tem toda a razão qdo diz que esta oposição é fraquinha, fraquinha...O problema é que o povo não acredita neste pessoal. Foi por causa disso que Alckmin perdeu para Lula. E olha que era um Lula desmoralizado. agora o que será de nós? A memoria do povo é curta. pouca gente se lembra daquilo que vc menciona em seu artigo. lula esta c a força toda e pode tentar dar uma de Chavez. deus nos livre!
Um abraço.

Fabio disse...

Não sei qa que tipo de oposição vc se refere qdo fala em oposição amiga. Se for para a oposição ter o mesmo tipo de ação do PT qdo este era oposição a FHC, esqueça. Acho que a oposição cumpre o seu papel. O problema é que Lula , queiramos ou não é extremamente popular e não dá espaço para esta oposição conservadora.

Anônimo disse...

Esta oposição está tão ´perdida que ja falam em refundação. O pfl acaba de trocar de nome: agora é PD-Partido Democratico. Comose idto resolvesse he he

Luis Hipolito disse...

Para onde vamos?