segunda-feira, fevereiro 05, 2007

MUITO TROVÃO E POUCA CHUVA

Longe de ser um “acelerador do crescimento”, conforme o pretensioso marketing do governo,o PAC poderá vir a ter, se implementado com correção, grande utilidade no sentido de recuperar a combalida infra-estrutura do país. Nada, além disso. O crescimento, e, mais tarde, o desenvolvimento consolidado, somente virão como resultados de reformas estruturais no estado, na economia e na educação do país.Mas, pela amostra dos quatro primeiros anos, isto não parece estar nos planos deste governo.


Lula nem precisou constituir o novo ministério para o anuncio do PAC. Para fins práticos, o ministério se chama Dilma Roussef...

MUITO TROVÃO, POUCA CHUVA
O anunciado “Programa de Aceleração do Crescimento” – PAC – pode estar se constituindo numa bela jogada de marketing político a dar visibilidade ao governo Lula neste início de segundo mandato, ou em mais um daqueles programas que são anunciados com muito estardalhaço, mas que de prático pouco resultam.

O fato é que, visto sob o ângulo político, o governo conseguiu marcar um oportuno gol. Sufocado nos dois últimos anos do seu primeiro mandato por denúncias de corrupção e por conflitos em sua base de apoio, Lula precisava de algo que o livrasse desta carga negativa e apagasse da memória de muitos as marcas deixadas pelo seu primeiro mandato. Afinal, não bastasse o aspecto político, criticas ao pífio crescimento econômico partiam não somente de setores oposicionistas, mas principalmente de setores que apóiam Lula.E, no que parece ser uma bem bolada jogada de marketing, conseguiu ocupar as primeiras páginas da imprensa com algo que , a primeira vista e aos olhos de observadores menos atentos pode parecer a tão esperada redenção da economia do País.

Mas não é bem assim.Examinado com mais rigor,o PAC não passa de um conjunto de intenções – algumas razoáveis, outras inúteis – na área de investimentos estatais e de contenção de gastos. Pelo que foi anunciado, o eixo central são projetos de infra-estrutura – recuperação de estradas e portos, construção de hidrelétricas e obras de saneamento. Ótimo que assim seja: são tarefas inerentes ao estado, e o descaso do governo com o setor nos últimos anos conduziu ao estágio de calamidade pública, dificultando o comércio, as exportações, e afugentando investimentos na produção.

O primeiro resultado prático do anúncio do PAC tem sido o da intensa movimentação dos governadores dos estados, cada qual tentando puxar a brasa para sua sardinha e reclamando que o plano beneficia o governo federal, mas prejudica os estados. Os governadores reclamam que o governo federal tenta fazer caridade com o chapéu alheio, argumentam que a União não lhes repassa recursos devidos e pedem uma urgente reformulação tributária que distribua com “maior justiça”o dinheiro tomado do bolso da sociedade.

Aliás, este é o grande pecado de todos os planos econômicos formulados nos últimos anos: acreditar no Estado como o grande agente propulsor do desenvolvimento econômico do país. Tal tese poderia ter lógica nas décadas de 50, 60 e 70, quando tudo ainda estava por fazer e os recursos privados eram insuficientes para as grandes obras necessárias ao desenvolvimento, mas não agora, quando a economia tem uma dinâmica própria e é capaz de caminhar pelas próprias pernas, desde que o governo não as amarrem.O que se pede agora, é que o governo não trave esta dinâmica.

Portanto, o grande e autêntico programa de crescimento econômico teria que começar por uma reforma do Estado, que diminuísse o seu tamanho, o seu custo e a sua complexidade burocrática; uma reforma tributária que desonerasse o setor produtivo e aliviasse o bolso do cidadão; uma reforma trabalhista que, sem anular os direitos básicos do trabalhador,acabasse com uma série de normas paternalistas e corporativistas contidas na CLT, proporcionando, assim, uma maior oferta de empregos.

Longe de ser um “acelerador do crescimento”, conforme o pretensioso marketing do governo,o PAC poderá vir a ter, se implementado com correção, grande utilidade no sentido de recuperar a combalida infra-estrutura do país. Nada, além disso. O crescimento, e, mais tarde, o desenvolvimento consolidado, somente virão como resultados de reformas estruturais no estado, na economia e na educação do país.Mas, pela amostra dos quatro primeiros anos, isto não parece estar nos planos deste governo.
050207

2 comentários:

atento disse...

Esse PAC não passa de uma enganação-mais uma!O estado falido não tem a minima chance de investir em infraestrutura de tal forma que recupere o que anos de abandono deixaram chegar ao ponto atual. O governo tenta mais uma jogada de propaganda e passara a impressão de que algo esta sendo feito. É o que basta para conquistar o voto destes millhões de alienados que votaram em Lula.Crescimento econõmico no governo Lula? So se for no papel. Virtual como tudo neste governo.

arlindo disse...

Acertou em cheio!Jogada de marketing, como tudo neste governo Lula. No ano passado, foi a operação tapa buracos, que agora com as chuvas transformam-se em crateras. Dou um ano para ver se alguem vai se lembrar deste tal PAC. O inicio do mandato de Lula foi marcado pelo Fome Zero...Alguém ainda se lembra??