quinta-feira, janeiro 04, 2007

O QUE REALMENTE INTERESSA

Nunca o Brasil assistiu a um divórcio tão grande entre as reais necessidades da população e as “necessidades” da categoria política. Em resumo: enquanto esta elite dirigente parece estar mais dedicada à tarefa de defender os seus próprios interesses, ou seja, a disputa por cargos e posições de poder, ao mesmo tempo em que luta por engordar os seus contra-cheques, a população paga impostos cada vez mais exorbitantes, e vive as agruras do dia-a-dia cercada de muita violência e vitimada pelo total descaso do Estado no que se refere à prestação de serviços de qualidade nos campos da educação, saúde e saneamento

Cabral constata o caos nos hospitais do Rio: quando os dirigentes vão se dedicar ao que interessa a população?

O QUE REALMENTE INTERESSA

A possibilidade de uma reforma política tem assanhado os políticos, assim como o retorno, em breve, da discussão sobre o aumento de seus salários. É isto, mais do que qualquer outra coisa o que tem motivado a classe política nos últimos tempos. São prioridades restritas à categoria política, mas que não empolgam a população. Não que a reforma política seja desnecessária neste confuso panorama político, mas deve permanecer bem atrás numa fila de prioridades, onde as reformas nos setores da educação, saúde e segurança são gritantemente mais emergenciais.

Vejamos a questão da segurança. A violência patrocinada por traficantes, milícias e afins chegou a tal ponto de descontrole que pela primeira vez o governo federal e os governos dos principais estados envolvidos na questão começaram a falar a mesma língua. Tanto a proposta do governador de SP, José Serra, para a criação de um “Gabinete de Segurança” que articularia as ações conjuntas dos estados de SP, RJ, MG e ES contra o crime organizado, quanto o pedido do governador fluminense Sérgio Cabral, para que as Forças armadas e a Força Nacional de Segurança prestem socorro ao RJ parecem indicar uma nova era nas relações entre os estados e o governo federal, ultimamente marcadas por desavenças políticas eleitorais e por disputas de vaidades.

Quanto à questão da saúde pública, o próprio governador Sérgio Cabral, ao vistoriar, nesta quarta feira, um dos hospitais da rede estadual confirmou o quadro de descaso, indigência e falência em que se encontra o setor da saúde na segunda maior cidade do país. Mas se o Rio é um caso extremo da falta de recursos somada à má gestão no setor, não é uma exceção. O quadro dantesco encontrado no Rio se repete, talvez com menos intensidade, em quase todas as grandes cidades do Brasil, deixando milhões de pacientes entregues a própria sorte.

Finalmente, a questão da educação, que continua sendo tema preferencial nas campanhas eleitorais, e tratada com desdém de sempre quando o governante assume o poder.Em seu discurso de posse, o presidente Lula – o mesmo que demitiu o ministro Cristovam Buarque da pasta da Educação quando este passou a exigir mais recursos para o setor – afirmou que o setor será prioridade em seu governo. O mesmo fez o governador reeleito de Minas Aécio Neves.Ambos suscitaram uma indagação recorrente quando o assunto é reforma educacional: o que eles entendem por “priorizar a educação?” Estarão se referindo à simples ampliação do número de vagas na rede escolar e à construção de novos prédios escolares, ou pretendem uma transformação na qualidade do ensino, envolvendo novos currículos, novos métodos, novas tecnologias? Se for a segunda opção, que tal começar na qualificação do magistério, investindo pesado no aperfeiçoamento profissional e na remuneração do professor, cujo salário atual não vai muito além de um salário mínimo?

O fato é que nunca o Brasil assistiu a um divórcio tão grande entre as reais necessidades da população e as “necessidades” da categoria política. Em resumo: enquanto esta elite dirigente parece estar mais dedicada à tarefa de defender os seus próprios interesses, ou seja, a disputa por cargos e posições de poder, ao mesmo tempo em que luta por engordar os seus contra-cheques, a população paga impostos cada vez mais exorbitantes, e vive as agruras do dia-a-dia cercada de muita violência e vitimada pelo total descaso do Estado no que se refere à prestação de serviços de qualidade nos campos da educação, saúde e saneamento.Portanto, que os políticos trabalhem menos em causa própria, roubem menos e passem a cuidar daquilo que realmente interessa ao povo.
040107

5 comentários:

Leo w disse...

Na pratica nada vai melhorar.O mesmo jogo de empurra já começou. Veja só:Sérgio Cabral pede ajuda a Força Nacional A Força Nacional vai vir não sabe quando. Sérgio Cabral diz que o Exército tem que ficar perto dos quartéis. O Exército diz que depende da assinatura do presidente Lula. Sérgio Cabral diz que o Lula se animou com o pedido dele. Lula vai tirar férias no Guarujá, amanhã. Pode deixar, o povo carioca pode esperar...

nidia disse...

Saudações professor!

O caos é geral. Encontrar solução para mudar o rumo das coisas é como achar agulha no palheiro. Está tudo errado, em todos os setores,e muito errado, absurdamente errado (saúde, educação, segurança e atitude dos politiqueiros). Pra onde a gente olhar, vê sp algo errado. Por onde começar?
Acho que existem soluções a curto e a médio prazo plausíveis, porém teríamos que contar com a boa vontade e o bom senso dos nossos dirigentes, o que é muito difícil.
Acho que o grande problema ainda é corrupção e impunidade. Se todos cumprissem as leis e o cidadão que a infringisse fosse punido, independente de credo, posição social, cargo político, começaria aí uma mudança de verdade. Por isso acho que a principal atitude desse "novo" governo deveria ser a reforma política. Ela é fundamental e talvez o início de tudo!!!!
Estamos na expectativa de que o exército nas ruas vá nos trazer a tranquilidade esperada. Hoje ainda temos essa "solução" potencial. Mas, e na prática? vai funcionar?
E depois? o que mais teremos?
Agora os soldados estão em quartéis, de uma certa forma, protegidos... Quando vierem para as ruas e estiverem a merçê dos bandidos, quem nos garante que eles não se corromperam como muitos dos policiais civis!!
Então, acho que colocar exercito nas ruas não é a solução.
Temos que acabar com a impunidade. Se é presídio de segurança máxima, que seja de acordo e que ninguém tenha privilégios. A gente fica falando que é absurdo celulares em presídio mas, ninguém faz nada pra coibir isso. É difícil? eu penso que não. É só a gente ser um pouco mais sério. Temos que acabar com a bagunça lá de Brasília. Como é que esses politiqueiros vão conseguir pensar em educação, saúde, etc, se só pensam no poder e no dinheiro? Fazem e desfazem e não são punidos.
Porém, sincerammente não sei como seria uma reforma política decente com esses parlamentares que aí estão.
Um abraço

Anônimo disse...

Os petralhas estão apavorados. O Cabral pediu ajuda e elles mostraram que são um bando de incompetentes. Agora o Serra também pediu e elles estão desesperados. Não sabem o que fazer então fazem aquilo que sabem: difamar os outros.

Fernando Soares disse...

Olá Nídia!
Também acho que uma reforma política é uma necessidade urgente. Congresso, partidos políticos e sistema eleitoral realmente precisam de uma reformulação total. O problema, como vc mesma diz, é a qualidade do Congresso que vai promover a tal reforma politica: boa coisa não vai sair dali.A coisa fica mais complicada ainda quando se sabe que o executivo – isto é, o governo petista de Lula da Silva – procurará influir decisivamente na dita reforma.Creio que uma reforma política só teria chances de sucesso se for debatida por um Congresso menos suspeito, sob um governo mais democrático e com a participação de setores da sociedade comprometidos com o fortalecimento da cidadania no Brasil. Em resumo, não acredito numa reforma com este Congresso e com este governo. Melhor aguardar mais quatro anos e esperar a passagem da petezada...
Um abraço

nidia disse...

Olá Fernando
Concordamos que nada vai mudar, mas parece que o buraco é cada vez mais fundo, e que sempre esses politiqueiros encontram uma maneira inédita de nos roubar.Onde será que isso vai dar? Me faz lembrar a história de Sodoma e Gomorra. Será que vamos ter que esperar uma chuva de fogo e enxofre?
Um abraço