sexta-feira, dezembro 28, 2007

O GALINHO, DE QUINTINO PARA O MUNDO

Zico em dois tempos: o ex-craque tenta reviver no Fenerbach, como técnico, o mesmo sucesso dos tempos de Flamengo, como jogador.


Muito mais do que participar de uma festa beneficente e rever velhos ídolos, as 40.000 pessoas que foram ao Maracanã na noite desta quinta feira o fizeram para homenagear Zico, um dos maiores craques da História do nosso futebol. Apesar dos 54 anos de idade, em campo, o ex-craque do Flamengo não decepcionou, e mostrou parte das muitas habilidades que o consagraram. Conhecido como "Galinho de Quintino", Zico brilhou nos gramados do Brasil, da Europa e do Japão, nas décadas de 70 e 80, por força de seus passes precisos, suas cobranças de faltas certeiras, seus dribles desconcertantes e seus gols maravilhosos, e, agora, parece querer repetir, como técnico do time turco do Fernebach, o mesmo sucesso dos tempos de jogador.

A carreira vitoriosa de Zico foi construída com muito esforço.Somente se tornou unanimidade nacional depois de superar o preconceito de uma grande parte da mídia esportiva paulista que, bairrista como ela só, teimava em não reconhecer no jogador carioca as virtudes que os demais observadores viam.Durante muito tempo , Zico foi rotulado por esta imprensa de "craque fabricado", que brilhava apenas no Maracanã.Puro preconceito.

Mas além da má vontade da provinciana imprensa paulista, o jogador teve que amargar o fardo de duas malsucedidas participações em copas do mundo - em 1978, quando foi reserva de Jorge Mendonça, e em 1986, quando lutava para superar uma contusão -, o trauma da eliminação do Brasil pela Itália, na Copa de 1982, e uma gravíssima e criminosa contusão provocada por um jogador do Bangu no Campeonato Carioca de 1985,que o levou a sucessivas cirurgias e intermináveis sessões de fisioterapia e musculação.

Neste ponto, o que diferencia Zico da maioria dos craques do futebol brasileiro é o profissionalismo com que sempre encarou a sua atividade. Muito mais do que o seu enorme talento, a determinação, a persistência e a dedicação foram as suas marcas registradas. Numa época em que assistimos jogadores talentosos e consagrados a trocar a luminosidade dos gramados pelo lusco - fusco das casas noturnas, a história de Zico, mais do que nunca, serve de referência para muitos garotos que iniciam uma carreira profissional.É paradoxal que num tempo em que se destacam Ronaldos , Adrianos e Edmundos, esses garotos tentem se espelhar em alguém que eles nunca viram jogar.É a força do (bom) exemplo atravessando a barreira do tempo. Ainda bem.
281207

quarta-feira, dezembro 26, 2007

OS 'DEMOS" COMEÇAM A INCOMODAR

A substituição de velhos caciques por novas caras não será suficiente para fazer do ex-PFL um partido que se imponha como alternativa à alternância de poder entre o PT e o PSDB. Será preciso muito mais...


A batalha da CPMF no Congresso trouxe um fato novo no cenário político: o crescimento do Democratas como uma força de oposição que incomoda o governo. A sua posição firme, contrária desde o início à prorrogação das CPMF, constituiu-se numa verdadeira pedra no sapato do governo petista, a ponto do presidente Lula referir-se a ele como os "demos"- numa alusão óbvia ao demônio - que sem responsabilidade de governo e sem perspectiva imediata de poder querem ver instalados o caos e a ingovernabilidade no País. Sintomaticamente, ao mesmo tempo em que demonizava os ex-pefelistas, Lula poupava o PSDB.

De fato, o comportamento dos tucanos na questão da CPMF foi dúbio e hesitante. Refletindo divisões internas do partido, alinharam-se , de um lado, os governadores, capitaneados pelos presidenciáveis José Serre e Aécio Neves que se posicionaram a favor da continuidade do imposto. Do outro lado, os senadores do partido transitaram de uma posição inicial contrária à prorrogação para uma posição de defesa da negociação com o governo, retornando, ao final, à sua posição original. Se para alguns este comportamento refletiu a capacidade do partido de transigir e saber negociar, para muitos ficou a impressão de que os tucanos constituem uma oposição tatibitate, o que reforçou a velha crença de que eles têm mais semelhanças do que diferenças em relação ao PT.

Com a falta de determinação dos tucanos, quem ganhou foram os democratas, que ao assumirem desde o início uma posição de combate ao imposto do cheque respaldaram o desejo de uma significativa parcela da sociedade que abomina a elevada carga tributária .Ao contrário da tibieza dos tucanos, o partido fechou questão contra a prorrogação e passou a incomodar o Planalto.Com isto, ao findar o ano político, o Democratas pode comemorar o fato de ter sido o único agrupamento político a colher vitórias, num ano tão pobre de acontecimentos dignificantes.Para isso, contribuiu o fato do partido ter passado por um processo de renovação que começou com a troca do nome, passou pela mudança dos quadros diretivos e pela reformulação do programa partidário.

Na verdade, o DEM tenta se livrar do fardo de ter sido nas décadas de 60, 70 e 80 o sustentáculo político do regime militar - como herdeiro direto da ARENA e do PDS -, habitat de velhos e conhecidos caciques da política brasileira e com raízes fincadas no clientelismo político do nordeste, ou seja, um partido genuinamente conservador. Mas para isto não bastarão as mudanças de sigla, a troca da direção, dos velhos nomes para políticos mais jovens, ou algumas jogadas de marketing. Será preciso que a mudança aconteça no campo das idéias , do programa partidário e , principalmente , da ação política. O DEM terá que transitar do velho conservadorismo para o novo liberalismo.

Em outras ocasiões, já me referi a respeito da ausência no cenário político de um partido que represente a parcela da sociedade- em especial a classe média - que deseja um governo eficiente num estado enxuto , menos burocrático ,menos intervencionista e com menos impostos. O Democratas , após a renovação , insinua que pretende trilhar este caminho. Se assim for, poderá se impor como uma das forças hegemônicas de nossa política, distinguindo-se do PSDB e deixando de caminhar a reboque dos tucanos, o que acontece desde 1994. As posições divergentes dos dois partidos na questão da CPMF pode ter sido o primeiro passo nessa direção.
261207

quarta-feira, dezembro 19, 2007

HUGO, EVO E A DEMOCRACIA EM RISCO

Hugo Chávez e Evo Morales encarnam aquele tipo de governante que incorpora a mística de salvador da pátria e de redentor dos pobres e dos oprimidos.Em consequência, tais líderes costumam transformar a população mais humilde numa imensa massa de manobra de seus planos de poder e exacerbam os conflitos sociais em seus países. Chávez, com o seu pretenso "socialismo bolivariano”tem se esmerado em conduzir a Venezuela a uma extrema bipartição social. Morales vai pelo mesmo caminho, e o seu "socialismo indígena"praticamente dividiu a sociedade boliviana a tal ponto que, agora, corre o risco de provocar o separatismo político.



Governantes desse naipe vicejam em países pobres, com extrema desigualdade social e instituições políticas claudicantes. Mas, ao contrário do que os seus discursos demagógicos prometem , suas políticas quase sempre levam a um maior empobrecimento econômico - pela fuga dos investimentos - , enfraquecem ou liquidam a democracia e acentuam o caos social, prejudicando principalmente os que , em tese, seriam os maiores beneficiários de tais políticas, ou seja os mais pobres.

Infelizmente, a democracia , principalmente onde ela ainda é frágil, padece de fatores de risco que permitem que demagogos ascendam ao poder nos braços do povo e dele não se afastem mais, por força de plebiscitos manipulados, de eleições fraudadas e de toda sorte de artifícios e arbitrariedades que golpeiam aos poucos as liberdades.

A Venezuela e a Bolivia vivem essa experiência. Felizmente, uma imensa parte das populações desses países tem reagido e repudiado com veemência as tentativas de liquidação da democracia. Na Venezuela, a maioria da população manifestou o seu repúdio ao propósito de Chávez de permanecer indefinidamente no poder por meio de sucessivas reeleições. Na Bolívia, o radicalismo inconsequente de Morales provocou a reação das regiões mais ricas acentuando nelas o desejo de autonomia política ou, mesmo, de independência. Além de exacerbar a divisão social, as políticas tresloucadas de Chávez e Morales podem acabar levando seus países à sangrentas guerras civis.
191207

terça-feira, dezembro 18, 2007

ORIGINAL E SIMILARES



Neste imbróglio da prorrogação da CPMF, a posição dos governadores Aécio Neves e Jose' Serra foi idêntica a de Lula: todos estavam favoráveis à prorrogação do imposto do cheque. Aliás, muita gente tem se perguntado em que aspectos, de fato, os presidenciáveis de oposição se diferenciam do presidente petista. Dizer que são favoráveis à diminuição da carga tributária, e quando têm uma oportunidade concreta de reduzi-la, pressionarem a favor da sua manutenção - como no caso da votação da CPMF - não vai ajudar a identificá-los com os setores da sociedade que lutam por menos impostos. Continuando assim tão parecidos com Lula, correm o risco de, na hora do voto, os eleitores mais uma vez prefiram o original petista aos similares tucanos

IMPRENSA CHORA COM O GOVERNO

É impressionante a posição da mídia em relação à derrubada da CPMF pelo Senado. Nos dias seguintes, jornais, TVs, emissoras de rádios e internet só se referiam aos “prejuízos” do governo, às “perdas” do governo, às “dificuldades futuras” do governo, et cetera e tal. A mídia repercutiu o fato predominantemente sob o ponto de vista oficial e pouco falou nos ganhos da sociedade com o fim desse imposto. A imprensa chorou as mágoas do governo, mas não comemorou os ganhos da sociedade.

A TÁTICA DA ESPERTEZA




O presidente Lula desautorizou o seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, de especular a respeito de aumento de alíquotas nos tributos atuais ou, mesmo, criação de novos impostos de para cobrir o desfalque deixado pela finada CPMF. Teria o presidente tido um surto de lucidez e de bom senso? Que nada! Lula é muito mais esperto que seus áulicos. Ele sabe que sem a colaboração da oposição no Senado nada conseguirá daqui para frente. Nesta altura do campeonato, provocar mais uma briga com a oposição, que já deu a sua demonstração de força, é prejuízo na certa.

terça-feira, dezembro 11, 2007

A TV LULA

Nem TV pública, nem Tv estatal. O que se pretende é uma TV governamental que sirva aos propósitos políticos de Lula e do PT...



A TV LULA
O controle dos meios de comunicação e da informação constitui-se num passo importante em qualquer processo de instalação e consolidação de regimes despóticos, assim como, inversamente, a liberdade de imprensa é a garantia da democracia.

A existência de uma rede pública de TV não é, em si, um mal, desde que tenha uma gestão autônoma e se submeta ao controle da sociedade. Existem exemplos de TVs públicas bem sucedidas - é o caso da BBC de Londres -que mantêm uma programação diversificada e independente, livre do monitoramento do governante de plantão.

O que se pretende no Brasil não parece ser uma TV pública nem uma TV estatal, mas uma tv governamental. É evidente a intenção do governo petista ao criar uma rede de alcance nacional o propósito de ser um canal de transmissão das glórias do governo e da glorificação do presidente.ou um imenso painel eletrônico onde os propagandistas do governo procurarão mostrar o país pela sua face rósea e esconder o seu lado cinza. Certamente ficarão longe do canal governamental as crises, as mazelas e os atos pouco dignos praticados pelo governo.Assim, o modelo que inspirado governo petista é menos a BBC e mais a TELESUR, o canal governamental do venezuelano Hugo Chávez.

Na verdade, o que o governo fez foi unir os canais educativos já existentes em alguns estados, que mantinham uma relativa autonomia e uma programação menos política e mais cultural e colocá-los sob o controle centralizado do Ministério da Comunicação de Franklin Martins, a presidência da jornalista Tereza Cruvinel, e a direção de jornalismo de Helena Chagas,jornalistas oriundos do Sistema Globo, que sempre se destacaram pelo apoio ao governo Lula como porta vozes informais da verdade do Planalto.

E o preço dessa empreitada não é pequeno. sendo todo ele bancado com o dinheiro do contribuinte.A ampliação da rede significará a contratação nde centenas de funcionários , a aquisição de equipamentos e investimentos em tecnologia, que levarão à estratosfera o custo anual da manutenção da rede oficial de TV

Mas o que mais preocupa é o aspecto político e ideológico deste projeto. Sabe-se que o governo e setores do PT têm reclamado da cobertura que as redes privadas de TV, em especial a rede Globo,tem feito e fazem a defesa do "controle social da mídia" . Ao implementar a rede oficial o governo pretende estabelecer um contraponto ao alcance nacional da Rede Globo e das demais emissoras privadas.Não que a Globo e os demais canais sejam parte de um complô oposicionista. Pelo contrário, ao longo de sua existência eles têm se comportado muito mais como órgãos oficiosos do que como um órgãos comprometidos com o interesse público e com a verdade.

Portanto,apesar de todo o discurso em contrário, o que o governo Lula quer é um poderoso canal que sirva aos propósitos do partido e do governo de se perpetuar no poder sobre os alicerces de uma gigantesca arquitetura de comunicação e de propaganda que só repercuta as verdades que interessem aos propósitos do governo. Afinal, a propaganda é a alma do negócio e a manipulação dos fatos é o segredo do poder.
111207

quarta-feira, dezembro 05, 2007

RENAN E O SENADO SE MERECEM

"Não ha uma só prova contra mim!", parece dizer Renan Calheiros. Por cumplicidade, medo ou conveniência, 51 senadores fingiram que acreditaram nisso, e absolveram Renan...


RENAN E O SENADO SE MERECEM

Por 48 votos contra 29, e quatro abstenções, o ex-presidente do Senado, Renan Calheiros, foi absolvido da acusação de que teria usado laranjas na aquisição de meios de comunicação em Alagoas.

Considerando o seu comportamento padrão nos últimos tempos, o Senado fez o que dele se esperava. Pelo espírito de corpo e pela cumplicidade que prevalece entre os senadores quando se trata de julgar um colega, surpresa seria se tomasse outra atitude que não a absolvição do chefe.

Durante todo o processo que mergulhou o senador alagoano num mar de denúncias que iam desde o recebimento de propina de empreiteira até a espionagem de colegas, passando pelo favorecimento a uma cervejaria e a sociedade secreta com o usineiro João Lira,na aquisição de meios de comunicação, ficou patente que a maioria dos senadores somente se movia no sentido contrário ao de Renan quando a pressão da opinião pública e da mídia era insuportável.

Licenciado da presidência Renan viu arrefecer os ânimos contra ele, e o clima do Senado desanuviar, ao mesmo tempo em que crescia o sentimento generalizado na Casa de que renunciando à presidência ele estaria suficientemente punido.Livre do cerco constante da imprensa e da pressão da opinião pública, que marcaram os meses em que ele esteve sentado na cadeira de presidente, Renan pode gozar de um quase providencial ostracismo, com liberdade para atuar nos bastidores em favor de sua absolvição.

A partir de então, a questão Renan deixou de ser uma questão predominantemente moral e ética, e passou a ser um caso eminentemente político (e imoral ), ou seja, a sua cassação ou não passou a estar condicionada a disputa entre o governo e a oposição pela aprovação da CPMF.

A princípio, o governo quis separar as duas questões com receio de que a volta da discussão sobre o caso Renan contaminasse e jogasse para segundo plano as discussões sobre a prorrogação do imposto. Percebendo que seria impossível divorciar as duas questões, o governo mudou de tática e patrocinou um acordo na sua base de apoio: o PT daria os votos pela absolvição de Renan sob o compromisso do PMDB de votar pela prorrogação do tributo. A primeira parte foi cumprida. Falta a segunda parte.

Justiça seja feita: não se pode culpar exclusivamente o posicionamento da bancada do PT pelo resultado da votação de ontem, embora ele tenha o seu peso. Igualmente contribuíram para o fim trágico, o pífio relatório do senador Jefferson Peres e a dissensão na bancada oposicionista – tucanos e democratas – onde alguns senadores discursaram a favor da ética , mas, na votação secreta, votaram com Renan.

Este Senado e o seu ex-presidente se merecem. Devem pedir desculpas um ao outro pelos transtornos mútuos causados nos últimos meses.O senadores partem, agora, após resolverem o problema da sucessão da presidência , para a decisão sobre a prorrogação da CPMF. Alguém ainda duvida do resultado?
051207

segunda-feira, dezembro 03, 2007

A ARTE DE GOVERNAR É A ARTE DE GASTAR

Apesar da aparente resistência do Senado, a CPMF deverá ser aprovada até o final do ano. Talvez o governo tenha que fazer algumas concessões, mas nada que prejudique a essência (má) desse tributo. Para isso, a máquina do executivo já entrou em ação com toda força para garantir os votos dos que se anunciam indecisos, ou dos que se anunciam contrários ao imposto mas não demonstram muita convicção. E para tal possui argumentos "sólidos": a liberação de uma verba aqui, outra ali, outra acolá; a concessão de um cargo aqui,outro ali, outro acolá, e por aí vai.



A ARTE DE GOVERNAR É A ARTE DE GASTAR

Indo na contramão da racionalidade e do bom senso , o presidente Lula afirma que governar é gastar. E acrescenta que sem muito arrecadar não consegue governar. Usando de uma franqueza despudorada, Lula revela um estilo de governar completamente desconectado dos padrões de probidade, seriedade, racionalidade e bom senso que se espera de um boa gestão dos recursos públicos.

Infelizmente estamos sendo governados por quem acredita que tais recursos jorram de uma fonte inesgotável. A sociedade brasileira tem pago um alto preço por isso. A nossa carga tributária é uma das campeãs mundiais , o que faz com que o país se inclua no ranking dos menos competitivos.
O Brasil carece de uma legislação tributária que coloque disciplina no caos tributário em que estamos metidos.Mas tal disciplina parece não interessar ao governo , pois colocaria ordem e limites na barafunda atual, que permite ao governante criar taxas e contribuições, a seu livre arbítrio.

No atual sistema existem impostos, taxas e contribuições para tudo, mas a eficiência com que os recursos são aplicados é inversamente proporcional ao montante do valor arrecadado, como comprovam o estado de nossas escolas públicas, estradas e hospitais .O maravilhoso país descrito na propaganda governamental e nos discursos do presidente só existe na cabeça dele e do grupo que o cerca

Neste momento, o governo se empenha, como poucas vezes se viu em outra causa, na prorrogação da CPMF. Afirma que é esta é uma causa de vida ou morte, pois que sem ela o país se tornaria ingovernável.Não é bem assim. A política de austeridade fiscal somada ao excesso de arrecadação, que foram marcas do primeiro mandato de Lula , sob a batuta da dupla Palocci e Meirelles, possibilitaram um equilíbrio financeiro que, infelizmente, no atual mandato, o presidente , secundado pelos ministros Guido Mantega e Dilma Roussef, quer implodir.

Exemplo de que o governo não anda com os bolsos vazios foi o anúncio feito pelo Banco Central de que de janeiro a outubro deste ano o setor público atingiu um superávit primário recorde de R$106,6bilhões. O fato é que mesmo sem os recursos da CPMF, a carga tributária continuaria altíssima o suficiente para que o governo pudesse fazer um excelente administração, desde que cortasse gastos, limitasse as despesas com o pessoal e combatesse a corrupção e o desperdício, ou seja, fizesse o dever de casa.. Mas o governo parece não estar disposto a fechar as torneiras por onde entram os tributos e a tapar os ralos do desperdício.

Apesar da aparente resistência do Senado, a CPMF deverá ser aprovada até o final do ano. Talvez o governo tenha que fazer algumas concessões, mas nada que prejudique a essência (má) desse tributo. Para isso, a máquina do executivo já entrou em ação com toda força para garantir os votos dos que se anunciam indecisos, ou dos que se anunciam contrários ao imposto mas não demonstram muita convicção. E para tal possui argumentos "sólidos": a liberação de uma verba aqui, outra ali, outra acolá; a concessão de um cargo aqui,outro ali, outro acolá, e por aí vai.

Quem parece não estar disposto a afinar é o Democratas.Não foi coincidência o fato de o presidente Lula o ter escolhido como o seu inimigo preferencial. Em mais de uma oportunidade na semana passada, o presidente disse que somente "os sonegadores e o PFL" seriam contrários à CPMF. Os democratas ficaram agradecidos ao presidente. Nenhum trabalho de marketing do partido teve tanta eficiência quanto as palavras de Lula, para colocá-los na posição de oposicionistas intransigentes e radicais.Era tudo o que eles queriam. Em contrapartida, ao privilegiar o ex-PFL como inimigo numero um do governo, Lula colocou o PSDB no seu devido lugar: o de um partido oposicionista ma non troppo,ou seja, o de um partido disposto a ceder.

Portanto, neste trabalho de cooptação de senadores para a sua causa , o governo conta com algumas deserções na bancada oposicionista por força da pressão dos quatro governadores tucanos- Aécio Neves (MG), José Serra (SP), Yeda Crusius (RS), e Cássio Cunha Lima (PB) -, tão interessados quanto Lula na manutenção do tributo.Tal qual o presidente, eles receiam que sem os recursos tenham dificuldades de governar os seus estados. Além disso, Serra e Aécio , de olho em 2011, não querem começar um eventual mandato presidencial sem esta fonte de recursos.

Como se pode ver, a perspectiva do poder faz com que os tucanos falem grosso no Senado, mas afinem o seu discurso na hora de negociar com o Planalto.E é acreditando no colaboracionismo tucano que o governo acredita que os fartos recursos da CPMF farão parte dos orçamentos até o ano de 2011. Sendo assim, o governo continuará a tentar nos convencer de que a arte de (bem) governar é a arte de (muito) gastar.
031207

quinta-feira, novembro 29, 2007

A BOLIBURGUESIA DE CHÁVEZ

O socialismo bolivariano é uma grande ficção. Não passa de mero pretexto para que Chávez se perpetue no poder. Se de algum modo a população mais pobre tem sido beneficiada, certamente este benefício é infinitamente menor do que os conseguidos pela nova casta de privilegiados, que aplaude o governo de Chávez Mesmo que algum significativo benefício social houvesse, nada compensaria o gradativo aniquilamento das instituições democráticas e das liberdades em geral, sob a égide do burlesco porém perigoso líder da Venezuela.


A atual burguesia participa dos comícios, usa camisa e boné vermelhos, mas tem carro luxuoso e mora em mansões


A BOLIBURGUESIA DE CHÁVEZ
Ditadores de esquerda na AL, ou projetos de ditadores, costumam justificar o seu despotismo pela necessidade urgente de reformas sociais que diminuam ou eliminem as grandes desigualdades existentes neste continente.. Segundo eles,tais reformas não seriam possíveis num ambiente político monopolizado pelos grandes interesses econômicos e financeiros, Tal ambiente político, definido pejorativamente de “democracia burguesa” possibilitaria que representantes de grupos econômicos poderosos se instalem nos parlamentos e passem a atuar contra as reformas populares. Daí a necessidade de se ampliar o raio de ação do poder executivo como forma de eliminar a oposição “elitista” e criar os instrumentos necessários para a implementação das reformas.Este aumento da força do executivo respaldado pelo apoio direto das massas mais carentes é o que eles definem como a verdadeira democracia, ou “democracia popular”.

Na AL, o maior representante desse estilo de governar tem sido o presidente Chávez, da Venezuela. Ao ascender à presidência da Venezuela em 1999, Chavez passou a implementar o seu projeto de poder, adotando para isto um discurso demagógico em que mistura altas doses de nacionalismo, defesa do socialismo e anti-americanismo com praticas assistencialistas que ele define como o embrião do socialismo bolivariano.

Tal comportamento não seria preocupante se não viesse acompanhado por atitudes que revelam o seu nenhum apreço pela democracia.Na prática, o presidente venezuelano vem aumentando de forma gradativa o seu poder pessoal, se perpetuando no governo através de mudanças constitucionais que possibilitam sucessivas reeleições, exercendo o controle sobre a maioria do parlamento, castrando a liberdade de opinião, aparelhando as Forças Armadas, e usando os superávits obtidos com as exportações de petróleo para consolidar o seu poder caudilhesco.

Mas Chávez não se encontra isolado nesta empreitada. O seu estilo de governo, populista e fanfarrão, repercute na AL e possibilita a ascensão de projetos de ditadores sem o carisma e o petróleo do venezuelano, porém com o mesmo discurso, o mesmo estilo, e idêntico sentimento antidemocrático.

Mas, como sempre acontece em países que abandonam a democracia e o livre mercado em favor de um pretenso igualitarismo social, a Venezuela de Chávez tem produzido a ascensão de uma nova elite econômica, em detrimento da velha elite que se coloca em franca oposição ao presidente. É a burguesia bolivariana ou boliburguesia, conforme a voz do povo venezuelano.

Seus componentes são, na maioria, empresários e executivos de empresas que prestam serviços para o governo, principalmente para a estatal de petróleo - a PDVSA. Além do petróleo, os setores de construção e de finanças são os que mais impulsionam, a formação dos novos ricos. Mas ha também neste time, os políticos e executivos de empresas públicas e os altos funcionários de carreira dos ministérios e das estatais na nova burguesia venezuelana, a burguesia sustentada com dinheiro público.Muitos deles militam intensamente nas hostes do chavismo, participando de comícios , passeatas e manifestações públicas.

O “socialismo bolivariano” tem impulsionado a riqueza e multiplicado os privilégios dessa nova casta ,fato que tem contribuído para abrir ainda mais o fosso que separa a minoria rica da maioria pobre da população. Em que pese os longos e inflamados discursos do chefe e a massiva propaganda governamental, a massa pobre não tem se beneficiado de maneira efetiva de suas políticas sociais assistencialistas e pouco consistentes.

Para exemplificar,a ascensão da nova burguesia tem conduzido o país à paradoxal situação de possuir um comércio de artigos de luxo plenamente ativo, enquanto o mercado de gêneros de primeira necessidade se ressente das medidas restritivas impostas pelo governo. O país vive uma grave crise de abastecimento provocada pelo rigoroso controle de preços dos artigos de primeira necessidade. O resultado é a falta no mercado de leite, ovos, farinha de trigo, carnes e outros produtos da cesta básica, pela falta de oferta, enquanto no comércio de artigos de alto luxo a falta de carros importados e tvs de plasma tem sido motivada pelo excesso de demanda.

O socialismo bolivariano é, pois, uma grande ficção. De fato, não passa de mero pretexto para que Chávez se perpetue no poder. Se de algum modo a população mais pobre tem sido beneficiada, certamente este benefício é infinitamente menor do que os conseguidos pela nova casta de privilegiados, que aplaude o governo de Chávez Mesmo que algum significativo benefício social houvesse, nada compensaria o gradativo aniquilamento das instituições democráticas e das liberdades em geral, sob a égide do burlesco porém perigoso líder da Venezuela.
291107

segunda-feira, novembro 26, 2007

O VALERIODUTO MINEIRO

Importa acentuar que tanto agora, por ocasião da denúncia do procurador-geral, quanto por ocasião do mensalão petista, os tucanos perderam uma excelente oportunidade para se afirmarem como um partido diferenciado do PT no que tange ao comportamento ético. Naquela ocasião – é sempre bom lembrar – tiveram a faca e o queijo nas mãos para dar ao país um rumo mais democrático e republicano, mas acabaram perdendo o bonde da História quando em meio às denúncias envolvendo o bando petista apareceu o nome do senador Eduardo Azeredo.

Apesar de proporcionalmente menor, se comparado ao mensalão petista, o valerioduto mineiro que beneficiou Eduardo Azeredo e Mares Guia se constituiu num crime conra os cofre públicos...
O VALERIODUTO MINEIRO

Valerioduto é Valerioduto, seja ele praticado por petistas ou por tucanos, em Brasília ou em Minas Gerais.Por isto, carece de base sólida o argumento de que o esquema montado em Minas, em 1998, visando reconduzir ao governo do Estado o atual senador Eduardo Azeredo, e incrementar as campanhas de outros políticos do PSDB e partidos aliados, seria muito diferente – e por isso, menos grave – do esquema petista revelado em 2005.Pode até diferir na forma e nos objetivos imediatos, mas não na substância: ambos se constituíram num assalto aos cofres públicos.

É certo que no esquema tucano-mineiro, por exemplo , a transferência de recursos para o bolso dos políticos beneficiados não aconteceu de forma contínua e sistemática, como ocorreu no esquema do mensalão federal. Constituiu muito mais na prática do já conhecido “caixa-dois” com recursos de estatais mineiras visando as eleições daquele ano, enquanto o esquema petista visava comprar o apoio de políticos para as propostas do governo no Congresso. Mas estas diferenças não diminuem a gravidade do fato. E o fato, denunciado pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, é que na campanha eleitoral de 1998 foram desviados recursos da ordem de R$3 bilhões, e isto é o que importa.

Importa também acentuar que tanto agora, por ocasião da denúncia do procurador-geral, quanto por ocasião do mensalão petista, os tucanos perderam uma excelente oportunidade para se afirmarem como um partido diferenciado do PT no que tange ao comportamento ético. Naquela ocasião – é sempre bom lembrar – tiveram a faca e o queijo nas mãos para dar ao país um rumo mais democrático e republicano, mas acabaram perdendo o bonde da História quando em meio às denúncias envolvendo o bando petista apareceu o nome do senador Eduardo Azeredo.

Os até então valentes tucanos recuaram de sua posição de ataque e, por tática e por temor, preferiram guardar as armas, também porque supunham que o presidente Lula, àquela altura, já estivesse ferido de morte. Em vez de serem contundentes tanto em relação a seu correligionário mineiro, quanto em relação ao presidente Lula, os tucanos preferiram ficar entre a cumplicidade e a complacência, e por isso, tiveram a resposta das urnas no ano seguinte: grande parte do eleitorado passou a considera-los farinha do mesmo saco.

A denúncia do procurador-geral, que envolve os nomes de 15 pessoas, entre as quais o ex-ministro das Relações Institucionais Walfrido dos Mares Guia, coloca as coisas no seu devido lugar. As investigações subseqüentes provavelmente revelarão muito do que ainda está escondido. Poderão revelar , por exemplo, os nomes de todos os políticos mineiros que se beneficiaram da fonte de Marcos Valério, dentre os quais é insinuado com freqüência o do atual governador Aécio Neves, naquela ocasião, candidato à deputado federal.

Sabe-se que a grande imprensa mineira tem em relação ao governador uma atitude que mistura dependência ( dos fartos recursos publicitários do Estado), submissão e cumplicidade,e por isto o seu nome pouco é mencionado no imbróglio. Tal como acontece com a imprensa petista em relação a Lula, Aécio Neves é fortemente blindado contra atos e fatos que comprometam a sua aura de político dinâmico e correto.Sem desprezar o fato de sua grande popularidade em Minas, Aécio representa hoje muito mais o símbolo de uma aspiração da elite política econômica e política mineira que quer porque quer que o Estado conquiste o topo da política nacional, desbancando os paulistas. A união desta elite em torno do seu nome em Minas é algo que impressiona.

Mas o procurador-geral Antônio Fernando parece estar acima dessas injunções políticas. Apenas cumpre o seu dever de ofício, não importando a cor ideológica e partidária dos denunciados por ele. E faz muito bem. Não fosse por ele, e o mensalão petista já teria caído na vala do esquecimento. Não fosse ele, e o valerioduto mineiro não teria voltado à tona. Teremos que torcer para que o STF, no julgamento dos dois casos, seja tomado por um ainda não conhecido espírito de agilidade, precisão e justiça, para que práticas como a do valerioduto tucano e do mensalão petista sejam definitivamente banidas da nossa tradição política para sempre. Amém.
271107

segunda-feira, novembro 19, 2007

O SENADO NA BERLINDA

O Senado caminha para o encerramento de 2007 com uma rara oportunidade de se redimir dos pecados acumulados ao longo do ano. Para isto, bastaria tomar uma atitude altiva, em consonância com o que deseja a sociedade, ou seja, eliminar do panorama político e econômico do país duas excrescências: o senador Renan Calheiros, símbolo do que de mais atrasado e corrupto existe na política brasileira, e a CPMF, símbolo do que de mais atrasado e injusto existe na economia brasileira.


O que a sociedade quer nem sempre é o que o governo e os parlamentares querem. O Senado tem a última chance de se redimir dos pecados acumulados neste ano...

O SENADO NA BERLINDA
O Senado Federal foi , ao longo deste ano, o centro das atenções como palco de uma sucessão de atos e fatos pouco dignos e que acabaram por colocar em dúvida a própria necessidade de sua existência como instituição republicana. Pois agora, ao findar o ano político, o Senado permanece na berlinda em razão de duas questões importantes , cujas decisões estão nas suas mãos: a aprovação, ou não, da CPMF; e a cassação, ou não, do senador Renan Calheiros.

Os ânimos se exaltaram entre os partidários do governo e os oposicionistas justamente porque estes duas questões, que caminhavam paralelos, se interpenetraram e se tornaram peças de uma mesma engrenagem, de tal forma que a decisão sobre uma depende da decisão sobre a outra.Não era o que o governo queria. A ele não interessa essa interposição dos dois fatos, é claro. A oposição sabe disto e, por isto, quer que um fato se sobreponha ao outro, ou seja, quer que a decisão sobre o destino da CPMF venha apenas depois da decisão sobre o caso Renan. O governo teme que esta confusão dos fatos provoque a derrubada da CPMF, o que significaria a retirada, das mãos do governo, de recursos da ordem de R$40 bilhões.

Para evitar a procrastinação, o governo age no sentido de descolar o caso Renan das negociações em torno do imposto. O governo quer priorizar a votação da CPMF e adiar o julgamento de Renan com a conseqüente e imediata abertura do processo de sucessão da presidência da Casa.Para isto,foi sugerido a Renan, por exemplo, que prorrogue a sua licença da presidência por mais um período, a fim de evitar que a sua renúncia precipite as discussões sobre a sua sucessão, colocando de vez para escanteio a votação da CPMF. Em troca, o governo garantiria a Renan a sua absolvição no julgamento em plenário, com os votos da bancada petista.

Neste embate entre governo e oposição pela manutenção ou não da CPMF, um pequeno, porém decisivo, grupo de senadores tem a faca e o queijo nas mãos. São os que mesmo pertencendo à base aliada tendem a votar com a oposição.São senadores do PMDB, do PTB e do PDT, que não passam de uma dezena, mas que certamente terão um peso decisivo na aprovação de uma emenda constitucional que necessitará de três quintos - 49 votos – do Senado para a aprovação.

Em contrapartida, o governo trabalha com a possibilidade de que alguns senadores da oposição venham a compor com o time do governo por pressão dos seus governadores – Aécio Neves à frente – de olho na sua parcela quando da divisão do butim. Por evidente temor da opinião pública este grupo de senadores oposicionistas ainda não veio à luz externar a sua tendência.

O fato é que o Senado caminha para o encerramento de 2007 com uma rara oportunidade de se redimir dos pecados acumulados ao longo do ano. Para isto, bastaria tomar uma atitude altiva, em consonância com o que deseja a sociedade, ou seja, eliminar do panorama político e econômico do país duas excrescências: o senador Renan Calheiros, símbolo do que de mais atrasado e corrupto existe na política brasileira, e a CPMF, símbolo do que de mais atrasado e injusto existe na economia brasileira.

Mas eu duvido que o Senado Federal seja capaz de uma atitude que contrarie tão frontalmente o que ele foi ao longo de todo este ano, ou seja, o retrato da corrupção, da falta de ética, do corporativismo canhestro. É quase certo que terminaremos o ano tendo que engolir a CPMF até 2011, e o senador Renan Calheiros, pelo menos, até 2010.
191107

segunda-feira, novembro 12, 2007

AS ONGs FORA DE CONTROLE

Defendo que nenhum centavo dos cofres do Estado seja destinado a essas entidades, por mais nobres que sejam os seus ideais, por mais sinceros que sejam os seus propósitos e por mais competentes e honestos que sejam os seus dirigentes e integrantes.Se tais entidades quiserem continuar a praticar as boas ações a que se propõem, que as pratiquem com recursos próprios ou advindos da iniciativa privada. Acredito que muitas empresas estarão dispostas a associar o seu nome às boas causas.


AS ONGs FORA DE CONTROLE

Que as organizações civis, sem fins lucrativos, são importantes instrumentos para a promoção do progresso econômico, do bem estar social, da defesa do meio ambiente, da ajuda humanitária, da promoção da cultura e da consolidação da cidadania e da democracia, principalmente em setores onde os governos se mostram incompetentes ou incapazes de atuar, estamos de acordo.

Entretanto, paradoxal é que estas organizações denominadas "não governamentais" dependam de recursos públicos para sobreviver e atuar.Mais grave é que denúncias envolvendo as ONGs vêm se sucedendo na mídia com uma constância perturbadora, indicando que algo precisa ser feito com urgência. São denúncias que indicam o desvio da finalidade destas entidades, com diversos casos de malversação dos recursos públicos a elas destinadas, lavagem de dinheiro, transferência ilegal de recursos financeiros para o exterior e enriquecimento ilícito de seus dirigentes.No rol das denúncias, destacam-se os casos de desvios na Petrobrás, operação sanguessuga, atendimento da saúde em tribos indígenas e o Programa Brasil Alfabetizado.

Para se ter uma idéia do provável tamanho do rombo, ainda encoberto, o governo anunciou ter repassado, através de convênios, R$19,98 bilhões, entre 2002 e 2006 para essas organizações.Segundo reportagem do jornal O Tempo, trata-se de uma quantidade de recursos suficiente para a compra de 201 jatos Airbus A-319, o “Aerolula”.Essa monumental transferência de recursos públicos para os cofres dessas entidades se faz sem nenhum critério objetivo- licitação ou concorrência - para a escolha da entidade merecedora de tal vantagem .Também não existe o acompanhamento ou a fiscalização da destinação dos recursos repassados.

A expansão descontrolada das ONGs no governo petista traz a lume uma outra grave questão, esta de caráter político: a de que estas entidades estão a prestar o papel de braços partidários do PT e do governo Lula, criando um elo de solidariedade entre os beneficiários das ações dessas entidades e o governo provedor dos recursos, da mesma forma que, no âmbito do governo, o Bolsa Família ampliou e consolidou uma vasta e fiel clientela eleitoral do lulo-petismo.

A gravidade das denúncias tem levado O MP, o TCU e o Congresso Nacional a darem, tardiamente, os primeiros passos no sentido de investigar e estancar mais esta hemorragia dos recursos tomados da sociedade através dos mais diversos tributos. No Senado, a forte resistência da base governista vem dificultando a instalação e o início do funcionamento da CPI das ONGs, que, talvez, somente engrene a partir do próximo ano.

Não estou entre os que admitem que as ONGs devam continuar a receber recursos públicos sob o manto de uma legislação específica e de uma fiscalização rígida, como muitos estão a defender. Neste aspecto sou radical, pois defendo que nenhum centavo dos cofres do Estado seja destinado a essas entidades, por mais nobres que sejam os seus ideais, por mais sinceros que sejam os seus propósitos e por mais competentes e honestos que sejam os seus dirigentes e integrantes.

Se tais entidades quiserem continuar a praticar as boas ações a que se propõem, que as pratiquem com recursos próprios ou advindos da iniciativa privada. Acredito que muitas empresas estarão dispostas a associar o seu nome às boas causas. E estarão dispostas, também, a exigir dessas organizações a justeza e a seriedade na aplicação dos recursos a elas destinadas. Enfim, se essas entidades quiserem sobreviver e serem úteis à sociedade, que honrem o seu nome e sejam, de fato, não governamentais.
121107

segunda-feira, novembro 05, 2007

A RECEITA DO GOLPE

O fato é que os balões de ensaio lançados por alguns áulicos de Lula são apenas o aspecto menor no contexto muito mais amplo em que parece se conduzir o processo político rumo ao golpe continuista. E neste contexto estão incluídos a gradativa desmoralização do Congresso , o aparelhamento cada vez maior da maquina governamental por adeptos do lulismo, a criação de uma poderosa rede de TV pública ( leia-se, estatal), que certamente massificará a propaganda pró-Lula, a ampliação continua e ilimitada do Bolsa Família, e a atitude por demais cordata da oposição, sempre disposta a compor com o governo quando o sentimento de parte significativa da sociedade exige o contrário.




A RECEITA DO GOLPE

Tomado pelo espírito de Hugo Chávez que assola a América do Sul, o nosso Lula prepara o caminho para o continuísmo, consubstanciado na possibilidade de disputar um terceiro mandato.De quebra, está sendo discutida a possibilidade da prorrogação do atual mandato por mais um ano. Como se pode ver, está em curso uma trama visando golpear duramente a democracia. O que não é novidade. No Brasil republicano, é comum o presidente de plantão tentar, de alguma forma, aumentar a sua força , prorrogar o seu mandato ou se eternizar no poder. Foi assim com Getulio Vargas, com Jânio Quadros, com Jango, com Sarney, e foi assim com Fernando Henrique. Não haveria de ser diferente com Lula e o PT.

A fidelidade do PT e do seu principal líder aos princípios democráticos sempre foi posta em dúvida, mesmo quando atuavam na oposição a tudo e a todos. Ao assumirem o governo , em 2003, Lula e seus companheiros ou não possuíam um projeto de governo próprio, ou o seu projeto era inviável. O fato é que a política econômica petista não passou de mera continuação da política econômica de FHC, implementada pela dupla Malan e Armírio Fraga.As reformas administrativas, que dariam continuidade às reformas iniciadas no governo tucano foram tímidas e incompletas, evidenciando ainda mais a pouca originalidade do governo de Lula.

O que o PT possuía, e isto ficou explícito por ocasião do escândalo do mensalão, era um projeto de poder. Projeto este que ia muito além dos constitucionais oito anos de mandato de Lula. A revelação pela CPI dos Correios de que um esquema de compra de parlamentares, com a consequente desmoralização do Congresso, estava em andamento , era a prova mais contundente da existência do projeto petista de perpetuação no poder. O aparelhamento da máquina governamental, com sectários do partido ocupando postos estratégicos era a outra evidência da existência de tal esquema. A compra de mentes, corações e votos de milhões de eleitores com a doação de esmolas mensais através do programa Bolsa Família, fechava o círculo das evidências e não deixava dúvidas dos propósitos do lulo -petismo.

Ao iniciar o segundo mandato após uma consistente vitória sobre o candidato tucano Geraldo Alckmin, Lula tem cada vez mais se afastado do estilo adotado no primeiro mandato, no qual a máquina partidária sob o comando de José Dirceu possuia um peso significativo, e se aproximado do neopopulismo de esquerda que conquista grandes espaços na América Latina, através de figuras como Hugo Chávez (Venezulela), Evo Moralez( Bolívia), Rafael Correa ( Equador) e Nestor Kirchner ( Argentina), no qual o partido passa a ter uma importância secundária. Neste sentido, a desmoralização do PT e de seus principais líderes - J Dirceu, J Genoino, Delubio Soares - foi, de certa forma benéfico aos planos de Lula. Livre dessa gente, pode fortalecer o seu poder individual,livre dos compromissos com o partido e baseado exclusivamente no seu carisma e na sua popularidade.

Os balões de ensaio do projeto continuista já estão sendo lançados. Iniciou com a campanha publicitária do Banco do Brasil, na qual a ênfase ao número 3 não conseguiu esconder o propósito de sugerir sublinarmente um terceiro mandato ao presidente.Depois, aqui e acolá, parlamentares petistas e de outras agremiações aliadas pregaram o desengavetamento de emendas constitucionais adormecidas no Congresso, que dão ao presidente o direito de convocar plebiscitos - hoje, exclusividade do Congresso - ou simplesmente garantem a ele o direito de disputar mais um mandato.Como parte da farsa, Lula vem a público e reafirma que não quer um "terceiro sucessivo mandato", e finge desautorizar os seus áulicos a tratar deste assunto. Tudo no mais puro estilo " me engana que eu gosto".

O fato é que estes balões de ensaio são apenas o aspecto menor no contexto muito mais amplo em que parece se conduzir o processo político rumo ao golpe continuista. E neste contexto estão incluídos a gradativa desmoralização do Congresso protagonizada por partidários e aliados do atual governo, o aparelhamento cada vez maior da maquina governamental por adeptos do lulismo, a criação de uma poderosa rede de TV pública ( leia-se, estatal) que certamente massificará a propaganda pró-Lula, a ampliação continua e ilimitada do Bolsa Família, e a atitude por demais cordata da oposição, sempre disposta a compor com o governo quando o sentimento de parte significativa da sociedade exige o contrário.É o que acontece agora por ocasião da votação da CPMF.

A receita do golpe do continuismo ficará completa se a esses elementos mencionados forem juntados a cooptação das Forças Armadas para o projeto, o amordaçamento da parte da imprensa que ainda age com lucidez e altivez e , finalmente, a mudança constitucional, seguida de um referendum ou precedida por um plebiscito, o que dará ao golpe uma roupagem legal e democrática aos olhos dos menos avisados.Por mais que o presidente insista em dizer que não quer permanecer no poder após 2010, os fatos conspiram contra as suas palavras.
051107

quarta-feira, outubro 31, 2007

JOGANDO NO CAMPO DO GOVERNO

A discussão sobre a prorrogação da CPMF no Senado seria uma ótima oportunidade para que a sociedade manifestasse, de forma contundente, a sua contrariedade em relação à opressão tributária a que está submetida.Infelizmente, a discussão do tema no Congresso parece ser do interesse de meia dúzia de iluminados e o tema , que afeta diretamente toda a sociedade, parece empolgar menos do que a escolha do Brasil como sede da Copa do mundo no distante 2014.



O MANTO DA IMPUNIDADE

A Mesa Diretora do Senado decidiu que o senador tucano Eduardo Azeredo não pode ser julgado no Conselho de Ética, sob o argumento de que a prática pela qual havia sido representado pelo PSOL -utilização de caixa dois na campanha eleitoral de 1998 - havia ocorrido antes de assumir o mandato como senador.Era de se esperar que assim acontecesse.

No auge da crise do valerioduto - mensalão, quando ficou evidente o comprometimento da cúpula petista e do alto escalão do governo Lula com práticas pouco dignificantes, e quando tudo indicava que a crise poderia bater na porta do presidente Lula, descobriu-se que um esquema semelhante protagonizado pelo mesmo Marcos Valério já havia sido praticado em Minas por ocasião das eleições para o governo do Estado em 1998, que beneficiava o candidato à reeleição, governador Eduardo Azeredo , do PSDB. Foi o que bastou para que a cúpula tucana , até então contundente no ataque ao governo petista,se recolhesse, arrefecesse os ânimos e permitisse que Lula fosse poupado.Agora, o PT, empenhado na prorrogação da CPMF, retribui com um favor a complacência demonstrada pelos tucanos naquela ocasião, e poupa o senador Mineiro de um processo de cassação.

Era de se esperar que isto acontecesse, não somente para se criar um clima propício para a aprovação da CPMF no Senado, mas também porque existe um acordo tácito entre os partidos brasileiros visando cobrir com o manto da impunidade suas principais figuras apanhadas em alguma travessura. Eduardo Azeredo é uma destas figuras. Foi governador de Minas, presidente do seu partido, e é considerada uma das figuras da elite política..No Brasil, criou-se entre os políticos a cultura de que o pecado de alguns é perdoado pelo pecado de outros.

Tem sido assim sempre. As práticas antiéticas da política brasileira são comuns a todos os partidos e a todos os escalões de nossa vida pública. Partidos e políticos que há pouco tempo se mostravam como guardiões da ética , da moral e dos bons costumes , agora se apresentam se mostraram tão especializados em práticas delituosas quanto os partidos e políticos que eles combatiam. Talvez por isto não cause tanto espanto o espírito de corpo e a cumplicidade com que uns tratam as mazelas dos outros. Afinal são todos pecadores. Não se deve, portanto, esperar que o senador Eduardo Azeredo e todos os figurões envolvidos no escândalo do valerioduto mineiro -entre eles se destaca Mares Guia, atual Ministro das Relações |Institucionais do governo Lula - sejam punidos.


A passividade e a alienação política da sociedade são as maiores responsáveis pela impunidade no mundo político. É sintomático que quando a sociedade se manifesta, mesmo que de forma tímida, o seu repúdio ao comportamento antiético de muitos políticos eles de alguma forma agem no sentido de dar uma satisfação à sociedade. Foi o que aconteceu no caso de Renan Calheiros, que teve grande repercussão na mídia e causou protestos em parcelas da sociedade.Mas foi uma exceção. Na maioria dos casos , os escândalos se sucedem e a sociedade permanece muda o que dá ensejo para que tais práticas se renovem indefinidamente.

JOGANDO NO CAMPO DO GOVERNO
Mais uma vez, o Congresso tem uma grande oportunidade de caminhar no mesmo sentido da sociedade. Mas tudo indica que mais uma vez vai caminhar na direção contrária.O governo insiste na manutenção da CPMF, argumenta que sem ela o país ficará ingovernável, não dá um passo sequer na direção da reforma tributária, e, mais ainda, não faz o dever de casa no sentido de uma rigorosa redução de gastos na máquina pública.

O PSDB,principal partido de oposição, mas de olho na possibilidade de ser poder a partir de 2011, faz um discurso crítico em relação à prorrogação do tributo, mas trabalha no sentido de compor com o governo petista um acordo que atenda os interesses de ambos.Neste sentido, os tucanos reivindicam algumas alterações no texto original, que está sob exame no Senado. Qurem reduzir a alíquota do tributo, destinar uma parcela maior para o setor da Saúde, e repartir o que for arrecadado entre os estados.

Na verdade, os tucanos dão uma no cravo e outra na ferradura. Ao mesmo tempo em que tendem convencer o público em geral de que são contrários ao tributo e ao aumento da carga tributária, trabalham com o governo pela sua manutenção, porque acreditam, assim como o PT, de que é impossível governar sem ele.

O DEM, outro partido de oposição, tenta compatibilizar o seu discurso com a prática. Apresentando-se como radicalmente contrário à prorrogação do tributo , fechou questão e não está disposto a negociar com o governo. Pelo menos a sua postura traduz o sentimento da maioria da sociedade que não suporta uma carga de impostos tão pesada agravada pela total ausência da contrapartida governamental em serviços de qualidade. Pelo contrário, assiste o suceder de notícias que dão conta do descontrole, do desperdício e da malversação dos recursos arrecadados.

O governo petista, como sempre faz, não dá ouvidos para as críticas que lhe são dirigidas e insiste em dizer que o peso da carga tributária condiz com o tamanho da máquina governamental , e esta condiz com as necessidades do país, e que assim deve ser para que o governo promova as reforma sociais. Pura balela.

A discussão sobre a prorrogação da CPMF no Senado seria uma ótima oportunidade para que a sociedade manifestasse, de forma contundente, a sua contrariedade em relação à opressão tributária a que está submetida.Infelizmente, a discussão do tema no Congresso parece ser do interesse de meia dúzia de iluminados e o tema , que afeta diretamente toda a sociedade, parece empolgar menos do que a escolha do Brasil como sede da Copa do mundo no distante 2014..

O governo não terá, pois, dificuldades para aprovar a permanência do imposto. As alterações propostas pela oposição certamente não mudarão a sua essência. Mais uma vez, a velha troca de favores, a oferta de cargos e de vantagens prevalecerão sobre a discussão de principios e de idéias.No campo de fisiologismo, o governo é especialista.A batalha travada no Senado se dá neste campo. A vitória do governo, portanto, é certa.
311007

quarta-feira, outubro 24, 2007

AS TAREFAS URGENTES DO SENADO

Os senadores têm duas tarefas intrincadas para resolver: a primeira é a votação da prorrogação da CPMF, que o governo quer aprovar, mas a maioria da sociedade rejeita; a segunda é dar um destino a Renan Calheiros, cuja cassação a maioria da sociedade quer, mas alguns ainda rejeitam.


Os principais líderes do Senado:sobre eles ainda paira o fantasma de Renan.
AS TAREFAS URGENTES DO SENADO

O afastamento de Renan da presidência do Senado, sob pressão do governo, criou um aparente clima de paz , mas não resolveu a questão. Renan continua senador, e carrega nas costas o peso de quatro representações no Conselho de Ética. Tentando aliviar o clima e negociando nos bastidores a sua absolvição, Renan se licenciou por alguns dias de suas funções como senador.Mesmo afastado da presidência , a sua presença em plenário durante o processo de votação da CPMF causaria constrangimentos, voltaria a acirrar os ânimos, e seria prejudicial aos interesses do governo. A sua licença foi, portanto, providencial.

Na primeira semana após o seu afastamento, o Senado, sob a presidência do petista Tião Viana, respirou um clima de alívio e pode fazer o que há muito não fazia , ou seja, trabalhar.Após meses exibindo cenas de atentado explícito ao decoro, os senadores parecem ter tomado juízo e procuraram demonstrar que , quando querem, é possível cumprir as suas obrigações constitucionais.

Mas os senadores têm duas tarefas intrincadas para resolver: a primeira é a votação da prorrogação da CPMF, que o governo quer aprovar, mas a maioria da sociedade rejeita; a segunda é dar um destino a Renan Calheiros, cuja cassação a maioria da sociedade quer, mas alguns ainda rejeitam.

Na questão relativa à CPMF, a oposição se dividiu. O PSDB, por interesse dos governadores tucanos e por uma velha e conhecida tendência a ser transigente quando não deve ser, tenta negociar com o governo uma gradativa redução da alíquota, a desoneração tributária e a redistribuição dos recursos entre os estados. O DEM, mostrando mais coerência entre o que prega e o que pratica, tomou uma posição mais radical: não quer a prorrogação do imposto , e fechou questão neste sentido.

Na questão relativa a Renan Calheiros, é visível o constrangimento geral.Os senadores têm a faca e o queijo nas mãos mas não sabem o que fazer com eles. O presidente licenciado parece estar convencido de que agora é impossível o seu retorno â cadeira presidencial. Tenta , então, negociar a sua absolvição nos processos que estão sub judice e manter o seu mandato. Para isto conta com a cumplicidade dos três relatores – o relator do quarto processo ainda não foi escolhido – que, sob o argumento de que faltam provas para a sua condenação, estão colocando a pizza no forno.

O Senado, portanto, se coloca diante de um dilema: se absolver Renan, ficará difícil explicar ao público em geral a razão do seu afastamento da presidência. O que reforçará a tese de seus defensores de que tudo não passou de um golpe para tirá-lo do poder. Por outro lado, a sua condenação definitiva gera outra espécie de temor em muitos senadores : o de que Renan, perdido por mil, poderá finalmente concretizar a promessa, tantas vezes insinuada, de trazer a público muito do que ele sabe sob a vida pública , privada e íntima de grande parte dos seus colegas. E não são, com certeza, fatos abonadores para grande parte deles.

O Senado está, portanto, diante da obrigação moral de dar prosseguimento à tarefa que iniciou.Não pode perder o fôlego. Caso contrário, as raras semanas em que os senadores trabalharam cairá no vazio e o Senado voltará à sua rotina de muita intriga e pouca produtividade.
241007

segunda-feira, outubro 22, 2007

DÁ PRA COMEMORAR?

Ao ampliar e incorporar os diversos programas sociais do governo de FHC sob a rubrica de Programa Bolsa Família, o governo petista encontrou o mapa da mina quando percebeu que num país constituído por milhões de pessoas socialmente carentes, desempregadas e desinformadas seria mais fácil dar-lhes uma espécie de esmola mensal do que implementar políticas sociais consistentes nos campos da educação, saúde e saneamento básico, e desenvolvimento econômico para a geração de empregos.


Lula e uma beneficiária do Bolsa Família: aonde vai dar este esmolismo oficial?

DÁ PRÁ COMEMORAR?

O programa Bolsa Família completou, sábado, quatro anos de vida. Considerado pelo governo como um importante instrumento de distribuição de renda, o programa é a síntese de toda a política social do governo Lula.O que, apesar da grandiosidade dos números, não significa muita coisa em termos de resultados consistentes.

Nas décadas em que foi oposição, o PT e seu líder , verbalizando o velho e radical discurso em defesa da classe trabalhadora e dos oprimidos em geral, sempre mantiveram uma posição de crítica e de desprezo em relação às políticas sociais de cunho meramente assistencialistas. Ideologicamente, o partido transitou do socialismo -que defende a incorporação dos meios de ´produção pelo Estado como forma de promover o igualitarismo social - para a social democracia - que defende a intervenção do Estado na economia e na sociedade como forma de promoção de bem-estar social. Jamais se ouviu, então,da boca do PT, a defesa de um estado prioritariamente assistencialista, que a prática do governo petista tornou padrão e modelo.

Pouco após assumir o governo, em 2003, ainda em meio a massiva propaganda que tentava nos convencer de que o programa "Fome Zero" acabaria com a miséria do Brasil, o presidente disse que era fácil governar para os pobres: "eles se satisfazem com pouco, não reclamam e não vão a Brasília reivindicar". Estava na prática, inaugurando a fórmula simplista de governar tomando recursos da sociedade- em especial da classe média - e simplesmente transferindo uma parte destes para os cadastrados em seu programa.

De fato, ao ampliar e incorporar os diversos programas sociais do governo de FHC sob a rubrica de Programa Bolsa Família. o governo petista encontrou o mapa da mina, quando percebeu que num país constituído por milhões de pessoas socialmente carentes, desempregadas e desinformadas seria mais fácil dar-lhes uma espécie de esmola mensal do que implementar políticas sociais consistentes nos campos da educação, saúde e saneamento básico, e desenvolvimento econômico para a geração de empregos.

Mas o governo tenta fazer a defesa do seu programa e critica os que o criticam.. Argumenta que ele tem aumentado a renda das camadas mais pobres e incrementado as atividades econômicas nas comunidades carentes, pelo aumento da circulação de dinheiro.De acordo com os dados do Ministério do Desenvolvimento Social, atualmente, 11 milhões de famílias -mais de 45 milhões de pessoas - são beneficiadas com o programa. São números, de fato, impressionantes, mas que ao invés de nos fazer regozijar, nos enchem de preocupação, pois ,a meu ver, o que este esmolismo oficial patrocinado com dinheiro dos nossos impostos, tem possibilitado é a multiplicação de cidadãos dependentes, acomodados, desmotivados para o trabalho e o estudo, e sem a perspectiva de um futuro efetivamente melhor, o que somente se daria se , em lugar da esmola mensal, lhes fossem oferecidos educação de qualidade e emprego.

O outro aspecto negativo do assistencialismo petista é o seu caráter eminentemente eleitoreiro. Ao ampliar o programa , aumentando o número de pessoas beneficiadas,Lula nada faz do que assegurar e aumentar o seu eleitorado ,ou seja, gente disposta a assegurar-lhe sucessivos mandatos, tanto em sinal de agradecimento pela dádiva governamental, como pelo medo de que sua substituição por outro governante e por outro partido signifique o fim desta dádiva. Lula e os seus partidários não têm feito outra coisa senão usar do programa como instrumento de chantagem eleitoral , quando insinua- conforme fez na última campanha – que uma vitória da oposição significaria o fim dos benefícios.A oposição, talvez por não ter um programa social alternativo e consistente a oferecer, cai na armadilha e repete que não tem intenção de acabar com o programa petista, mas apenas “aprimora-lo”.

Portanto, a política assistencialista do governo lulo-petista não passa de um gigantesco engodo e é péssima para o futuro do Brasil.É péssima sob o ponto de vista social, porque muito antes de possibilitar o resgate de milhões de pessoas da condição de marginalidade social em que se encontram, possibilita a permanência destas pessoas nesta condição, com a agravante de leva-las ao acomodamento e à dependência. É péssima sob o ponto de vista político, porque serve de instrumento de chantagem eleitoral para a perpetuação no poder de um partido e de um governante.

Por fim, o que o governo vê como motivo de júbilo deve ser motivo de constrangimento para os cidadãos conscientes deste país.Permanece mais atual do que nunca os versos da música “Vozes da Seca” de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, por traduzir com exatidão este sentimento: ‘Seu dotô, uma esmola a um pobre que é são, ou lhe mata de vergonha , ou vicia o cidadão”. Infelizmente, falta vergonha a muitos neste país.
221007

segunda-feira, outubro 15, 2007

CARTA FORA DO BARALHO

Renan Calheiros deixou a presidência do Senado forçado não por uma ação coletiva dos seus pares, mas por uma determinação do chefe do poder Executivo. O afastamento de Renan Calheiros não se deveu, portanto, a um repentino e surpreendente surto de moral, ética e civismo entre os seus colegas, mas a uma razão de ordem pragmática, ou seja, a necessidade do governo de aprovar a prorrogação da CPMF, sem a qual ele se julga incapaz de governar o País nos próximos anos.



CARTA FORA DO BARALHO

Renan Calheiros deixou a presidência do Senado forçado não por uma ação coletiva dos seus pares, mas por uma determinação do chefe do poder Executivo. Durante os cinco meses em que durou a crise - iniciada com a divulgação pela revista Veja de que o senador custeava as despesas de sua ex-amante com dinheiro fornecido por uma empreiteira - o Senado teve todas as chances do mundo de se mostrar sério , digno e respeitável. Bastaria ter dado andamento no Conselho de Ética, de forma ágil, precisa e sem subterfúgios, ao processo movido pelo PSOL contra o senador. Mas, ao invés disso, preferiu tomar o rumo de uma grande farsa, onde não faltaram generosas doses de hipocrisia, cinismo, desfaçatez e chantagem que, nas palavras precisas do senador Jarbas Vasconcelos, fizeram o Senado "feder".

O afastamento de Renan Calheiros não se deveu, portanto, a um repentino e surpreendente surto de moral, ética e civismo entre os seus colegas, mas a uma razão de ordem pragmática, ou seja, a necessidade do governo de aprovar a prorrogação da CPMF, sem a qual ele se julga incapaz de governar o País nos próximos anos.

Enquanto a CPMF não estava na pauta, era claro que a Lula e sua corte do Planalto pouco importavam os aspectos éticos que envolviam a crise no Senado. Ao contrário, naquele momento interessava ao governo manter Renan, mesmo que enfraquecido, na cadeira da presidência, porque julgava que sua remoção poderia abrir o caminho para a ascensão de um oposicionista ou mesmo de um aliado pouco fiel ao executivo.

Por isto, Lula ordenou que a bancada petista, no julgamento do processo em plenário, votasse pela absolvição ou se abstivesse, garantindo, deste modo, a permanência do alagoano na presidência. A contrapartida de Renan seria o seu afastamento “voluntário” pelos dias necessários à votação do imposto do cheque. O problema é que Renan não cumpriu a sua parte no acordo. Ao contrário, com as suas atitudes arbitrárias a atabalhoadas, fez a crise recrudescer.

O choque entre ele e os que queriam a sua saída foi inevitável e atingiu o clímax na tarde de terça feira quando foi afrontado pelos principais líderes da oposição e até por alguns de seus antigos aliados, o que deixou evidente de que havia perdido completamente o controle da situação e que a sua presença se constituía numa imensa barreira às pretensões imediatas do governo.

O afastamento de Renan, embora sob a forma de uma licença por 45 dias, parece ser definitiva.A questão está na forma como foi conseguido, aparentemente sob a égide de uma barganha que possibilitaria a manutenção de seu cargo de Senador. Ou seja, o senador seria inocentado em todos os processos que estão sob a análise do Conselho de Ética, ou, no máximo, seria beneficiado pela aplicação de penas mais suaves do que a cassação do seu mandato.

A aceitação pelo Senado de um acordo indecoroso desta ordem somente faria algum sentido, a esta altura, se confirmassem os rumores de que , perdido o mandato, Renan estaria disposto a jogar m... no ventilador, ou seja , abrir o jogo e revelar tudo o que ele diz saber sobre a vida pública, privada e íntima da maioria dos seus colegas. Durante todo este processo tal ameaça pairou de forma velada sobre a cabeça de muitos senadores, e soou como uma grande chantagem, sendo motivo de medo e de constrangimento generalizado. O que explica, em parte, por que o processo vem se arrastando por tanto tempo.

A solução provisória da crise demonstrou que o governo tem ascendência sobre o Legislativo. Terminada a votação da CPMF, a próxima etapa será se livrar definitivamente de Renan e abrir caminho pára o seu sucessor. Alguns nomes estão sendo cogitados pela mídia - Gerson Camata, Edison Lobão, Garibaldi Alves, Tião Viana -, mas o escolhido certamente será o que tiver as bênçãos de Lula.O presidente, embora seja um fracasso em termos administrativos parece cada vez mais forte politicamente.

Embora insista em repetir que não pensa nem deseja um terceiro e sucessivo mandato, todas as mais recentes ações do governo caminham no sentido contrário. Os rumores de que o governo apoiaria a instituição de uma Assembléia Constituinte "exclusiva", a criação de uma rede de TV estatal, a submissão da Câmara dos Deputados e a desmoralização do Senado confirmam a tese de que Lula prepara um golpe para prorrogar a sua permanência no poder.Neste contexto, Renan Calheiros foi útil enquanto pode ajudar Lula no Senado. Quando se transformou num estorvo ,passou a ser considerado carta fora do baralho.
151007

terça-feira, outubro 09, 2007

LULA E RENAN

Renan não tem feito outra coisa a não ser cavar a sua própria sepultura e a esta altura se torna num gigantesco incômodo para o governo. Por mais que o presidente Lula tenha o dom de permanecer imune às trapalhadas protagonizadas por seus aliados e por ele próprio , a crise no Senado chegou a uma situação limite, a partir do qual quem mais tem a perder é o próprio governo e a figura do presidente.



Renan tenta se amparar em Lula, mas o seu fim está próximo.

LULA E RENAN

Renan Calheiros somente permaneceu na presidência do Senado porque Lula quis. E Lula quis Renan na presidência porque acha que a aprovação da CPMF no Senado- seu principal objetivo no momento - se já é complicada com ele , seria muito mais complicada em meio a uma crise provocada pelo seu afastamento e pela incerteza do que viria depois. Por isto, Lula colocou todas as fichas na permanência de Renan, e ordenou que a tropa de choque petista no Senado se colocasse ao lado da tropa de choque renanzista para que , unidas,possibilitassem a absolvição do senador no primeiro processo por falta de decoro. O problema é que no acordo entre petistas e renanzistas estava combinado o afastamento de Renan no período em que a CPMF fosse discutida e votada no Senado. Renan não só descumpriu o acordo, como com suas atitudes, aumentou o clima de tensão em que o Senado tem vivido desde maio.

No início da crise, o Planalto encarava este imbróglio como mais um episódio de uma disputa partidária pelo comando do Congresso entre governo e oposição do que como um problema ético e moral, com repercussões em toda a sociedade brasileira . Por isto, Lula , aparentemente adotando uma postura de neutralidade, jogava todas as fichas na permanência de Renan no comando..Sabia que seu afastamento, por cassação ou renúncia significaria um novo processo eleitoral, no qual os acordos internos poderiam escapar do controle do Planalto e serem desfavoráveis aos seus interesses, favorecendo a ascensão ao poder do Senado de um nome da oposição, ou de um outro nome que, mesmo em tese pertencente aos quadros da aliança governista , poderia não ser tão fiel às determinações do Planalto quanto Renan tem sido.

Entretanto, o crescimento da crise com o acúmulo de denúncias contra o presidente do Senado forçaram o comando do Planalto mudar de tática e a dar sustentação a Renan somente o tempo necessário a aprovação da CPMF. Neste sentido, a bancada petista no senado agiu como o fiel da balança e foi a principal responsável, com as seis abstenções , na permanência do senador alagoano.O que o governo não esperava é que a absolvição de Renan provocasse tão grande sentimento de indignação na opinião pública, e que o próprio Renan , com suas atitudes arrogantes e arbitrárias, fizesse com que este sentimento aumentasse cada vez mais.

Ao invés de assumir uma atitude mais humilde e contemporizadora, o presidente do Senado, talvez inebriado pelo resultado do julgamento na sessão secreta, não só não cumpriu o suposto acordo com os petistas, se negando a se licenciar e permanecendo na presidência, como continuou a praticar toda sorte de arbitrariedades e atitudes de puro terror que vão fazendo com que perca o apoio até de senadores que ha pouco se colocavam do seu lado.

O afastamento dos senadores Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos da Comissão de Constituição e Justiça do Senado foi mais uma manobra tresloucada, pois se tratam de dois políticos históricos do PMDB, considerados por muitos como reservas morais da política brasileira. Os senadores foram sumariamente afastados da CCJ e substituídos por membros da tropa de choque de Renan, o que trouxe aos dois senadores a solidariedade de muitos e aumentou o sentimento de revolta contra Renan.. O motivo alegado pelo líder do PMDB de que os dois senadores eram votos contrários à aprovação da CPMF não conseguiu resistir à evidência de que se tratava de mais uma manobra de Renan, cujo principal propósito era o de facilitar naquela comissão uma tramitação favorável a ele dos processos que se encontram no Conselho de Ética.

Em seguida, a denúncia de que o presidente do senado comandaria um esquema de espionagem contra seus próprios colegas com o objetivo de montar dossiês contra eles.Segundo o senador goiano Demóstenes Torres, na mira de Renan estariam o senador Marconi Perillo, além do próprio Demóstenes. Tais denúncias levaram a bancada do DEM à decisão de apresentar a quinta representação por quebra de decoro contra o presidente do Senado.

O fato é que por tudo isto e por muito mais Renan não tem feito outra coisa a não ser cavar a sua própria sepultura e a esta altura se torna num gigantesco incômodo para o governo. Por mais que o presidente Lula tenha o dom de permanecer imune às trapalhadas protagonizadas por seus aliados e por ele próprio , a crise no Senado chegou a uma situação limite, a partir do qual quem mais tem a perder é o próprio governo e a figura do presidente. Portanto, a lógica indica que Lula só estará disposto a sustentar Renan no curto período necessário à aprovação da CPMF.Depois , não haverá forças que consigam sustentar uma figura tão enlameada e tão desmoralizada na presidência do Senado.
090907

segunda-feira, outubro 08, 2007

A VEZ DOS MALANDROS

Não se trata de negar a essas pessoas o direito de pleitear um cargo eletivo.Afinal, são todos cidadãos maiores de idade, vacinados, e no pleno exercício dos seus direitos políticos. É melhor que consigam por meio do voto do que por outros meios. O que se trata é de mostrar que a cada eleição aumenta o número de pessoas desqualificadas, famosas ou não, a postular um cargo eletivo, em detrimento de pessoas qualificadas, que, por comodismo ou ojeriza à atividade política, se negam a envolver de forma positiva na atividade pública.




O CHOQUE DE GESTÃO PETISTA
O presidente Lula continua a dizer e a praticar absurdos que agridem a lógica e o bom senso administrativo. Na semana passada, disse que “o Brasil não pode ter medo de arrecadar mais, porque o mal do Brasil é que durante muito tempo arrecadou menos”. Primeiro, ele confunde a capacidade de governar com a capacidade de arrecadar. Depois, ele confunde o Brasil com o seu governo: quem arrecada mais não é o Brasil, mas o governo brasileiro, em nome do Estado.

Além do mais, o aumento da arrecadação não advém de recursos captados devido ao crescimento econômico ou ao incremento das exportações. São recursos tomados de modo sistemático e compulsório de uma sociedade cada vez mais empobrecida, especialmente da classe média, o alvo preferencial da ganância governamental.A perda de recursos da sociedade em favor de um governo reconhecidamente corrupto e incapaz significa, ao contrário do que quer Lula , uma perda para o Brasil.

Na mesma linha da declaração de que o “Brasil precisa arrecadar mais”, Lula, desta vez acompanhado da ministra Dilma Roussef, voltou a meter os pés pelas mãos . Ao afirmarem que “choque de gestão é contratar mais funcionários”(Lula), e “choque de gestão é apenas propaganda”(Roussef), o alvo eram as administrações tucanas, em especial a de Aécio Neves , em Minas. Mas o que acabou agredido foi o equilíbrio e o bom senso, em matéria de gestão pública.

Como se sabe, desde que assumiu o governo de Minas, Aécio Neves vem promovendo uma reforma no setor público, investindo na sua racionalização ao promover a contenção de gastos,e o corte e o remanejamento de funcionários.É uma reforma muito tímida, diga-se de passagem. Mas mesmo assim vem provocando aplausos de muitos, e críticas de setores que , como Lula, defendem o inchaço da máquina pública.

O fato é que o choque de gestão é a principal peça publicitária com a qual o governador mineiro conta para a sua pretendida caminhada rumo ao Planalto em 2010. Ao atacar a principal vitrine do tucano, Lula - secundado por Dilma - para muitos, a candidata preferida de Lula, depois dele próprio –, tenta antecipar o debate eleitoral. Mas o faz de forma canhestra.

A VEZ DOS MALANDROS
As eleições municipais de 2010 prometem uma safra de candidatos de fazer rir para não chorar. Sem contar os milhões de anônimos semi-analfabetos, despreparados , venais, oportunistas, espertalhões de toda ordem, sem nenhum compromisso com o bem público, que se lançam a concorrer a uma vaga de vereador, prefeito ou vice-prefeito, as eleições prometem uma outra safra de candidatos que têm a maior parte dos defeitos dos acima mencionados , porém com uma diferença substancial para os partidos, em busca do voto farto do eleitor desinformado: são “famosos”. Famosos, bizarros e decadentes, eu diria.

Encerrado o prazo de filiação para quem pretende disputar as eleições municipais, os partidos apostaram em artistas, ex-atletas e personalidades populares com presença na mídia , na tentativa de puxar votos.Incentivados pelo sucesso de Clodovil ( 494 mil votos) e de Frank Aguiar (145 mil votos ) nas ultimas eleições para o Congresso, nomes do porte de Sérgio Mallandro, Ronaldo Esper, Rafael Ilha Gretchen, Rita Cadillac, Marly Marley, Oscar Marrone ( dono de um prostíbulo de luxo) e Ronaldo ( ex-goleiro) já anunciaram a sua disposição de concorrerem.

Não se trata de negar a essas pessoas o direito de pleitear um cargo eletivo.Afinal, são todos cidadãos maiores de idade, vacinados, e no pleno exercício dos seus direitos políticos. É melhor que consigam por meio do voto do que por outros meios. O que se trata é de mostrar que a cada eleição aumenta o número de pessoas desqualificadas, famosas ou não, a postular um cargo eletivo, em detrimento de pessoas qualificadas, que, por comodismo ou ojeriza à atividade política, se negam a envolver de forma positiva na atividade pública

Enquanto os cidadãos de bem permanecerem atônitos e passivos, descomprometidos com a democracia, o mundo político continuará entregue à escória da sociedade, fazendo com que as conseqüências nefastas de suas ações recaiam sobre todos nós.

080907

terça-feira, outubro 02, 2007

O SEM-DIPLOMA E A EXPANSÃO DAS UNIVERSIDADES

Ao adotar uma política de expansão da rede pública universitária, sem adotar critérios que enfatizem a qualidade das novas escolas, Lula poderá estar cometendo o mesmo erro cometIdo por ocasião da expansão da rede pública de ensino fundamental e médio. Se hoje já é difícil encontrar profissionais de nível qualificado , é de se imaginar que tipo de profissionais – médicos , engenheiros , advogados – advirão da proliferação sem critérios de faculdades federais .O governo Lula não pode continuar a fazer da expansão da rede universitária apenas uma vitrine para seus projetos eleitorais futuros. Quem vai sofrer com isto é mais uma vez a qualidade do ensino.


Lula e representantes do Movimento dos Sem Universidade(MSU): a expansão universitária se faz em detrimento da qualidade...


O SEM-DIPLOMA
Na semana passada, o presidente Lula, em visita às futuras instalações da Universidade Federal do ABC, em Santo André, rejeitou a tese de que para ser presidente do Brasil seja necessário ter um diploma universitário. Segundo ele, “saber gerenciar e tomar decisões políticas independem do tempo de estudo”. E concluiu dizendo que “o metalúrgico que não tem diploma universitário vai passar para a História como o presidente que mais fez universidades e escolas técnicas no Brasil”.

Lula, por esta e outra declarações anteriores, parece , fazer da sua condição de sem-diploma um marketing pessoal com fins eleitorais. Talvez esteja querendo enfatizar a sua condição de “homem do povo”, semelhante à maioria dos brasileiros,que, como se sabe, é semi alfabetizada, mas, a se acreditar na lenda, muito intuitiva e prática. Entretanto, ao reafirmar a desnecessidade do diploma universitário para bem governar, o presidente nada mais faz do que dar um pontapé na educação formal, num país onde a carência neste setor é gigantesca.,

Se por um lado é possível que um portador de diploma de ensino superior seja um mal governante e um sem-diploma se revele um ótimo administrador, este fato se constitui numa exceção, pois é inegável que a boa governança exige dos gestores um
cabedal de conhecimentos técnicos , administrativos e jurídicos que vão embasar a sua capacidade de gerenciar e de tomar decisões. E este conjunto de conhecimentos será tanto maior quanto maior for a formação acadêmica do dirigente político.

Lula mais do que a maioria dos brasileiros teve tempo e condições para prestar um vestibular e fazer um curso superior. Não fez porque não quis. Não pode e não deve, portanto, ficar fazendo apologia da sua condição de sem-diploma e , pelo mau exemplo, desestimulando as pessoas que com esforço pessoal e sacrifício financeiro dedicam uma boa parte da sua juventude aos bancos de uma faculdade, na esperança de melhorar de vida.

QUANTIDADE SEM QUALIDADE

O outro aspecto da fala de Lula é a afirmação de que o seu governo multiplicou o número de universidades públicas no Brasil. Segundo ele, até 2010, o governo terá inaugurado dez novas universidades federais e aumentado o número de escolas técnicas de ensino profissionalizante de “140 ( até 2003) para 214”. Mais uma vez, a ênfase na quantidade em detrimento da qualidade. O governo tenta fazer crer que a multiplicação de escolas públicas é um atestado de que o ensino vai bem. Não vai.

É preciso lembrar o que aconteceu com a expansão desordenada do ensino público fundamental e médio , nas últimas décadas. De fato, ocorreu uma expansão de investimentos estatais no setor, com a construção de escolas e a multiplicação do número de matrículas. Mas o crescimento numérico não foi acompanhado por uma proporcional melhoria na qualidade. O resultado é que temos hoje a maioria das crianças e dos adolescentes matriculados em escolas públicas, de onde não saem qualificados nem para o mercado de trabalho – no qual perdem para estudantes oriundos de instituições particulares de ensino – nem para os quadros da cidadania.

Ao adotar uma política de expansão da rede pública universitária, sem adotar critérios que enfatizem a qualidade das novas escolas, Lula poderá estar cometendo o mesmo erro cometIdo por ocasião da expansão da rede pública de ensino fundamental e médio. Se hoje já é difícil encontrar profissionais de nível qualificado , é de se imaginar que tipo de profissionais – médicos , engenheiros , advogados – advirão da proliferação sem critérios de faculdades federais .O governo Lula não pode continuar a fazer da expansão da rede universitária apenas uma vitrine para seus projetos eleitorais futuros. Quem vai sofrer com isto é mais uma vez a qualidade do ensino.
021007

quinta-feira, setembro 27, 2007

CRISE NO FUTEBOL BRASILEIRO

Os recentes acontecimentos envolvendo o Corinthians Paulista , nos motivou a questionar a quantas anda o futebol brasileiro, considerado pelos ufanistas de plantão como “o melhor do mundo”.Mas o fato é que o futebol jogado no Brasil carece de craques, de estádios, de organização, e de público nos estádios. Mesmo assim, continua a fazer a alegria e a riqueza de cartolas encastelados na direção dos clubes, das federações estaduais e da CBF.



Ausência de craques nos gramados , estádios vazios:sintoma de que algo vai mal com o "melhor futebol do mundo".

CRISE NO FUTEBOL BRASILEIRO

Os recentes acontecimentos envolvendo o Corinthians Paulista , nos motivou a questionar a quantas anda o futebol brasileiro, considerado pelos ufanistas de plantão como “o melhor do mundo”.Mas o fato é que o futebol jogado no Brasil carece de craques, de estádios, de organização, e de público nos estádios. Mesmo assim, continua a fazer a alegria e a riqueza de meia dúzia de cartolas encastelados na direção dos clubes, das federações estaduais e da CBF.As tentativas moralizadoras da Lei Pelé e do Estatuto do Torcedor deram poucos resultados práticos, e o que assistimos é o esvaziamento progressivo do nosso futebol, com uma revoada de craques para o exterior e uma revoada de torcedores dos estádios.

Já afirmei, em artigo anterior sobre o mesmo tema, que o melhor futebol do Brasil é hoje jogado na Europa, e aí não vai nenhum exagero. Nossos melhores jogadores desfilam em gramados italianos, espanhóis, alemães, ingleses, franceses, e, até, turcos, disputando campeonatos organizados,altamente rentáveis e jogados em estádios geralmente cheios. Contrastando com a riqueza do futebol europeu,aqui é disputada uma espécie de “segunda divisão” do futebol brasileiro, já que a primeira divisão é disputada na Europa.

O declínio do nosso futebol está refletido na quase total falência dos nossos principais clubes.A maioria é dominada por dirigentes venais, incompetentes e inescrupulosos, que assumem totalmente a estrutura administrativa, controlam os conselhos administrativos e, a partir daí, se perpetuam no poder. Tratam os clubes com o mesmo zelo com que nossos políticos costumam administrar o patrimônio público. O interessante é que muitos dos dirigentes que se esmeraram para levar os clubes ao naufrágio, continuam no poder,e choram a falta de recursos, como se nada tivessem a ver com a coisa. É o que acontece com os notórios Eurico Miranda do Vasco e Marcio Braga do Flamengo,para ficar com dois dos mais conhecidos. Desde a década de 70 estes senhores dominam a política destes clubes. O Flamengo é o clube que mais deve à Previdência Social.

O fato é que os nossos clubes de futebol, com poucas exceções, sobrevivem na penúria e submersos em dívidas crescentes que estes dirigentes construíram nas últimas décadas. Tal estado de indigência e de desorganização tem levado alguns deles a fazerem de seus clubes autênticos balcões de negócios ilícitos e lavanderia de dinheiro sujo.. Celebram com empresas de fachada estrangeiras, ligadas a máfias criminosas, contratos altamente lesivos,como ocorreu com o Corinthians, que só agora viu cair a ficha de um negócio altamente suspeito com uma empresa mafiosa, especializada em lavagem de dinheiro de origem desconhecida . E a ligação Corinthians –MSI era aplaudida por muitos.

A fabulosa e impagável dívida dos clubes para com o INSS motivou o governo Federal a vir em socorro destes gestores fraudulentos. Para isto, foi criada no governo Lula a “Timemania”, uma loteria administrada pela CEF, cujos recursos arrecadados supostamente servirão para abater a dívida que cada clube tem para com a União. O interessante é que ao lançar mais esta fonte de recursos , tomados da sociedade sob a forma de loteria, o governo não teve a preocupação de promover uma faxina nos clubes, acionando judicialmente os dirigentes que foram , afinal, os responsáveis pela construção destas dívidas.Ao contrário, tornou-os beneficiários da ajuda federal aos clubes.

Mesmo diante deste quadro de crise no nosso futebol, que não difere muito da crise brasileira, nosso país se lançou oficialmente como candidato a sediar a Copa do Mundo de 2014. Candidato único, dado que outros países , com mais juízo, não se lançaram. Tudo estaria nos eixos, se tal iniciativa tivesse o suporte financeiro exclusivo da iniciativa privada e da própria CBF. Mas, ao que tudo indica, deverá ser bancada pelos cofres públicos.

A oficialização do Brasil como sede do mundial exige, como condição, o cumprimento de uma série de exigências relacionadas pela FIFA. A construção e a remodelação de estádios, vias de acesso, meios de comunicação, meios de transporte e rede hoteleira, exigirão investimentos astronômicos , que somente seriam suportáveis se fossem resultado de um mutirão de esforços da iniciativa privada.Será um crime se forem bancados, como deverão ser, com dinheiro público, levando-se em conta os desvios de verbas, superfaturamento de obras e corrupção que certamente irão acarretar. Sem falar no óbvio de que tais gastos serão feitos num país com imensas carências sociais e extremas deficiências no campo dos serviços públicos, como o nosso.

Portanto, que o futebol brasileiro renasça das cinzas e se reconstrua pelas suas próprias forças, livrando-se de todas as suas mazelas e de seus cartolas corruptos é o que desejamos. O que não pode é a sociedade pagar pelos desmandos de irresponsáveis e criminosos travestidos de dirigentes esportivos, numa atividade que pertence exclusivamente á esfera privada.Não pode também pagar caro por um evento esportivo mundial , que sob o pretexto de resgatar o “orgulho brasileiro”, na verdade vai encher os bolsos e as contas bancárias de um punhado de cartolas espertos e políticos malandros.
270907

quarta-feira, setembro 26, 2007

VITÓRIA DE PIRRO



VITÓRIA DE PIRRO
A decisão das lideranças partidárias do Senado em estabelecer uma agenda de trabalhos que destranque a pauta e coloque um fim à obstrução estabelecida pela oposição foi feita à revelia de Renan Calheiros, e atende tanto aos interesses da oposição, que quer o fim das votações secretas, quanto do governo, que quer aprovar a prorrogação da CPMF

Paradoxalmente enfraquecido após sua vitória no julgamento secreto no plenário, Renan pode sentir nos dias seguintes que o resultado da votação- 40 votos pela absolvição, 35 contra ,e seis abstenções , havia se constituido de fato numa vitória de Pirro. A repercussão negativa do resultado do julgamento e o fato de Renan acumular mais três processos no Conselho de Ética minaram qualquer tentativa do senador de sair fortalecido e fazer o Senado retornar a sua rotina normal.

Ao contrário do que esperavam Renan e seus aliados,a crise no Senado adquiriu mais força. O PT ,o fiel da balança na permanência do senador,parece ter se arrependido. Cobra de Renan um suposto acordo em que a sua absolvição estaria condicionada a um afastamento do cargo enquanto fossem votadas no Senado as matérias de interesse do governo. Se realmente aconteceu este acordo, Renan espertamente não o cumpriu, porque pode ser tudo, menos bobo. Conseguiu o que queria e, agora ,se julgou no direito de exercer plenamente as atribuições do seu cargo.

A oposição, derrotada,partiu para o contra ataque e iniciou um processo de obstrução enquanto não fosse atendida a sua pauta de exigências na qual constavam o fim das sessões secretas para a cassação de mandatos,, o fim do voto secreto nas votações, e a obrigatoriedade de afastamento de indiciados por quebra de decoro que ocupem cargos na mesa diretora ou exerçaM presidênciaS de comissões técnicas. Neste ponto os interesses do governo e os da oposição se confluíram e deram como resultado o acordo para que o Senado volte a funcionar nesta quarta feira.

Ao insistir em se manter no cargo, Renan bate de frente tanto com os interesses do governo quanto com os da oposição e fica cada vez mais isolado, pavimentando o caminho para o seu afastamento definitivo.
260907