segunda-feira, dezembro 11, 2006

OS NOVOS DEMAGOGOS DA AMÉRICA LATINA

O fato é que a integração latino- americana nos moldes pretendidos por Hugo Chávez, é uma grande falácia que poderá levar parte da América Latina a um ambiente de conturbação política que certamente resultara em fuga de capitais, mais atraso econômico e maior desigualdade social. Melhor seria se ao invés de embarcar na irresponsabilidade demagógica de Chávez, o governo brasileiro se mirasse no exemplo do Chile.


Chávez, Lula e Morales: o que está em queda é a democracia no continente.

OS NOVOS DEMAGOGOS DA AMÉRICA LATINA

São cada vez mais freqüentes os encontros entre os líderes – Lula incluído – da chamada nova esquerda latino-americana. Em pauta, um improvável projeto de integração da América nos velhos moldes do nacionalismo anti norte-americano, que parecia morto e enterrado desde a década de sessenta, mas que ressurge lépido e fagueiro por obra e graça do venezuelano Hugo Chávez, pretendente ao trono de novo rei das esquerdas latino-americanas, agora que Fidel castro parece partir desta para melhor.

Chávez sabe que tem cacife para tal empreitada. Ancorado nos superávits obtidos graças às exportações do petróleo e do gás venezuelanos, conseguiu mais uma reeleição e já planeja nova mudança na Constituição do país, tendo como alvo a sua perpetuação no poder, com o propósito de levar adiante o seu projeto de liderança continental, em contraposição à liderança norte-americana. Para isto tem procurado ampliar o número de aliados no continente.

Neste sentido, Chávez tem contado com ventos favoráveis. Uma onda de populismo nacionalista tem invadido diversos países e colocado ou recolocado no poder lideranças que usam e abusam do discurso demagógico da defesa dos fracos e dos oprimidos contra a ganância das elites e contra o imperialismo ianque.Foi com esta retórica de fácil aceitação entre as massas desfavorecidas que políticos do porte de Evo Morales(Bolívia),Rafael Correa( Equador), Daniel Ortega( Nicarágua), Lula ( Brasil) se incorporaram ao time comandado pelo venezuelano.

A matéria-prima que possibilita a ascensão e dá sustentação a este tipo de dirigente é uma só: e extrema pobreza na qual vivem milhões de pessoas no continente. Carentes, fragilizados e deseducados, esta imensa massa é presa fácil do discurso simplista e propositalmente maniqueísta destes políticos, que insiste em atribuir à perversidade das elites e à ganância capitalista a origem de todos os males sociais. Com isto, colocam-se como paladinos do bem na luta contra os exploradores do povo.

Sabemos que não é tão simples assim. Muitíssimo mais do que vítimas indefesas de uma política intencionalmente perversa, perpetrada pela elite econômica em conluio com o governo norte-americano, estas populações são vítimas de mazelas seculares, resultantes de sua histórica incapacidade de gerir o seu próprio destino.Muito antes de buscarmos entender as razões do atraso econômico e social destes países numa suposta aliança entre as “elites” e o capital imperialista, melhor seria se as buscássemos no ambiente político, econômico e social de cada um destes países, onde certamente encontraríamos os germes de seu subdesenvolvimento: uma mistura de descaso secular com a educação, ineficácia e corrupção no setor público, ausência de investimentos no setor produtivo e falta de uma política de planejamento familiar,. ou controle da natalidade, para sermos mais precisos..

Ao desviar o foco da questão e insistir na repetição de velhos chavões, os líderes desta esquerda populista sinalizam que preferem continuar usando estas populações como gigantescas massas de manobra para seus projetos de poder. Projetos esses que passam ao largo do compromisso com a democracia, pois pressupõe mudanças na Constituição, controle do Congresso, cerceamento da liberdade de imprensa e enfraquecimento das instituições democráticas, tal como acontece neste momento na Venezuela e na Bolívia, e pode vir a acontecer no Brasil e nos demais países sob a tutela destes novos demagogos. Não é sem motivo que muitas cabeças lúcidas deste país têm alertado para os rumos perigosos que o segundo governo Lula poderá tomar, caso ele resolva incorporar de vez o espírito chavista.

O fato é que a integração latino- americana nos moldes pretendidos por Hugo Chávez, é uma grande falácia que poderá levar parte da América Latina a um ambiente de conturbação política que certamente resultara em fuga de capitais, mais atraso econômico e maior desigualdade social. Melhor seria se ao invés de embarcar na irresponsabilidade demagógica de Chávez, o governo brasileiro se mirasse no exemplo do Chile, onde uma política sensata de atração de capitais, incentivo à educação e moralização do setor público tem feito o país manter razoáveis índices de crescimento econômico.Mas seriedade e bom senso são artigos raros no atual governo brasileiro.
111206

5 comentários:

ANDRADE disse...

AMIGO. VC COMETE UM EQUÍVOCO AO MENOSPREZAR A INFLUÊNCIA NEGATIVA DOS ESTADOS UNIDOS SOBRE A AMÉRICA LATINA. AS MAZELAS A QUE VC SE REFERE SÃO FRUTOS EM GRANDE PARTE DESTE IMPERIALISMO. ACHO QUE HUGO CHAVEZ FAZ O CORRETO AO PEITAR OS ESTADOS UNIDOS E LIDERAR UM MOVIMENTO DE PAÍSES LATINO AMERICANOS CONTRA O IMPERIALISMO E O NEOLIBERALISMO. É POR AÍ MESMO!

rosena disse...

Fernando Concordo em genero numero e grau com o artigo.Estes demagogos, como o nosso presidente, se aproveitam da carência do povo para se colocarem como defensores deste e com isto se perpetuarem no poder. Eles se alimentam da pobreza do povo. São trastes inúteis e perniciosos

Anônimo disse...

É. Vamos ver quanto tempo a America Latrina vai demorar para entender que populismo barato de esquerda não leva a lugar nenhum senão o atraso perante o resto do mundo.

Espero que acordem logo.

Moraes disse...

O Presidente do Brasil virou cabo eleitoral de Chavez e Morales.
Dois políticos que pregam o nacionalismo e o separatismo em plena era da integração econômica no mundo globalizado pela tecnologia da informação.
É a vanguarda do atraso.

Sofia disse...

Oi Fernando!
Mais uma vez tenho que concordar com suas idéias.
E sempre penso e digo quando vejo a admiração, idolatria que Lula tem em relação ao presidente venezuelano, dá arrepios.Há o ditado que diz: um gambá cheira outro gambá, rsrs.Agora há um trio de gambás.
Pq não Lula não admira e imita um pouco Ricardo Lagos, ex-presidente do Chile, que pôs e mantém o país como um dos mais confiáveis com desenvolvimento e avanços importantes tanto na área econômica, social, política externa, educacional e nos direitos humanos? A primeira mulher eleita para presidente do Chile, Michelle Bachelet, certamente seguirá os passos de Ricardo Lagos. Lula deveria se espelhar nela um pouco, e... toda a sociedade ficará muito grata.