sexta-feira, dezembro 29, 2006

O RIO CONTINUA LINDO?

A cidade do Rio de Janeiro merece um tratamento diferenciado por tudo o que representou e ainda pode representar para o Brasil em termos econômicos, culturais, esportivos e turísticos.: retrato vivo da associação harmônica de uma dádiva da natureza com o que a inteligência humana foi capaz de criar em termos urbanísticos , ainda é o cartão postal do Brasil no exterior. Infelizmente, apesar da natureza no Rio ainda continuar bela, parece que a pobreza material da população, somada à pobreza de espírito da elite e dos governantes, conspira para destruí-la.



RIO DE JANEIRO
Os recentes e lamentáveis atentados de traficantes no RJ ,incendiando ônibus, destruindo cabines policiais e atingindo indiscriminadamente alvos civis e militares, colocaram mais um tijolo na obra de construção de uma cidade totalmente controlada por criminosos, sejam eles traficantes ou- novidade deste verão – membros de milícias formadas por ex-policiais que , segundo o jornalismo da TV Globo, já ocupam 90 favelas cariocas.

O fato é que muito mais do que a natureza exuberante e os atraentes pontos turísticos de fama mundial, o que vem chamando a atenção na cidade do Rio nas manchetes da imprensa é a sua decadência progressiva associada a uma violência crescente. A crise que atinge o Rio de Janeiro é resultado da crise que atinge o Brasil. Só que no Rio ela vem com mais dramaticidade, com mais evidência. A outrora cidade-maravilhosa tem sofrido nas últimas décadas um processo gradativo de esvaziamento econômico, político e cultural, onde o empobrecimento da população, o crescimento do tráfico de armas e de drogas e a incompetência dos seus governantes formam uma mistura explosiva que retratam o grau de deterioração a que chegou a ex-capital da República.


Mas o Rio não chegou a este estágio de um momento para o outro. Na verdade, é fruto de um lento processo de degradação que teve começo quando, no início dos anos 60, o Rio deixou de ser a capital do país. Até então centro político do Brasil, o Rio sofreu o primeiro grande processo de esvaziamento com a transferência de milhares de funcionários e de centenas de órgãos públicos para Brasília. Outro golpe mortal na cidade foi a sua fusão com o antigo Estado do Rio, em 1976, por obra e graça do regime militar. Até então, constituindo o Estado da Guanabara e conservando um pouco da sua antiga pujança, a cidade teve que engolir a sua forçada união com um estado pobre e provinciano, com perdas evidentes para a metrópole.

Com o seu esvaziamento político, restou-lhe ainda um pouco da sua condição de importante centro econômico e cultural.Mas a crise econômica, que atingiu o país no início dos anos 80, foi extremamente perversa para o Rio.
A cidade, que era indiscutivelmente o segundo polo econômico do país, assistiu passivamente a ascensão de outros centros econômicos localizados em MG e na região sul . Centenas de indústrias, até então sediadas no Rio, ou abandonaram a capital partindo para outros centros, ou simplesmente faliram e desapareceram.

Acompanhando a decadência econômica, ocorreu a degradação social, resultando no aumento do número de desempregados e na favelização descontrolada. As favelas cariocas cresceram e se multiplicaram assustadoramente, envolvendo,como um cinturão de pobreza, as áreas mais ricas da cidade, de tal forma que do Leme (Copacabana) a S Conrado, todos os bairros de classe média do Rio foram envolvidos por favelas, o que possibilita um forçada convivência democrática entre ricos e pobres nos bairros da zona sul.Nem a outrora ilha de riqueza, a Barra da Tijuca, ficou livre do contato com o lado pobre da cidade, depois da construção da Linha Amarela, que agora possibilita o acesso direto do subúrbio à ilha de prosperidade da zona oeste.

Resultado da crise econômica foi também a decadência cultural do Rio. Cidade que se orgulhava, a décadas atrás, de possuir os melhores teatros, os melhores cinemas, os maiores jornais, as mais influentes emissoras de rádio e de televisão, e - por que não dizer?- o melhor futebol, hoje se coloca num plano secundário quando comparado, sob s aspectos à cidade de S Paulo, por exemplo. Não fosse a Rede Globo, que ainda mantém, não se sabe até quando, a sua sede no RJ e o Rio teria que se contentar em ser uma simples sucursal cultural de SP. Décadas atrás, falar do Rio era falar de Carlos Drumond, Carlos Lacerda, Pixinguinha, Tom Jobim, Rubem Braga, João Saldanha, Nelson Rodrigues, Paulo Gracindo, Leila Diniz, Zico, Garrincha, Vinicius de Moraes, Mario Lago, só para citar alguns poucos. Hoje, o Rio está mais associado a figuras como Fernandinho Beira-Mar, Elias Maluco, Lulu, Dudu, Caixa d’Água, Eurico Miranda e outras figuras do gênero.


A favelização descontrolada, fruto do empobrecimento e da falta de oportunidades ,sem nenhuma assistência do setor público, levou ao fato de que as favelas e bairros periféricos tornaram-se , em pouco tempo , numa terra de ninguém, ou melhor numa terra dos chefões do tráfico , que, ante a ausência do poder público, transformaram-se em verdadeiros donos dos seus territórios, sobre os quais exercem o poder pela força das armas e das drogas.

Mas atribuir a culpa da decadência do Rio apenas aos fatores acima mencionados -perda do poder político, crise econômica e decadência cultural – é esquecer a grande parcela de culpa que deve ser atribuída aos que administraram a cidade-estado nestas últimas décadas. Nisso a população carioca tem a sua parcela de responsabilidade. Afinal, em poucos locais do Brasil um eleitor tem uma vocação tão grande para eleger governantes incompetentes.

A lista é grande. Vai desde Chagas Freitas que dominou o estado no tempo do regime militar, passa pelo caudilho Brizola, pelo titubeante Moreira franco, e chega finalmente no casal Garotinho-Rosinha, sem esquecermos de figuras como de Benedita da Silva e Luis Paul0 Conde. Com governantes deste naipe, fica fácil para traficantes de toda ordem estabelecerem o seu poder , ditar ordens nos seus territórios e promoverem guerras entre quadrilhas, deixando a cidade indefesa e os cidadãos assustados.

Adotando uma posição política quase sempre de oposição ao governo federal, os governantes do RJ atraíram a antipatia e uma má vontade sistemática de Brasília para com os problemas do Rio. Só a título de exemplo, todos os governos do estado do Rio nas duas últimas décadas, exceto o de Marcello Alencar(1995-1998), anunciaram-se como de oposição ao governo federal. Tal incompatibilidade entre o poder federal e estadual, fez com que jamais houvesse uma vontade eficaz nem uma política coordenada na repressão, por exemplo, ao tráfico de armas e de drogas que entram pelas fronteiras do Brasil, antes de chegar ao Rio. Nesta briga, quem sai perdendo é a cidade e sua população.


Mas a doença que atinge a cidade do Rio tem cura. O paciente ainda não se encontra em estado terminal. É preciso que uma série de fatores e uma forte determinação política se conjuguem a fim de salvar a cidade.

No plano estadual, o pontapé inicial deve partir da própria população, que tem como lição de casa parar de eleger governantes incompetentes e demagogos. Não se sabe ao certo qual a política de segurança do governador eleito, Sérgio Cabral. Mas pelo menos, pelo que tem declarado, se pode supor que ele trabalhará articulado com o governo federal, colocando fim à prática infantil de se fazer oposição gratuita e receber em troca o desprezo do governo federal para com o estado do Rio.

Do governo do estado- e do município - o resgate da dignidade da cidade deveria envolver tanto políticas preventivas como políticas de concretização imediata. No plano preventivo, nada melhor do que a implementação de uma revolução educacional no estado, com a inserção da maioria absoluta das crianças cariocas em escolas de tempo integral -tal como projetado por Darci Ribeiro, com um ensino de primeira linha.
No plano imediato, a reformulação de toda a polícia estadual, capacitando-a a atuar tanto no campo da prevenção quanto na repressão em áreas da cidade hoje dominadas pelo tráfico, seguida pela ocupação efetiva pelo estado destas áreas carentes com escolas, postos de saúde, creches e postos policiais, de tal forma que o tráfico não voltasse a atuar.

É evidente que, por mais boa vontade e discernimento político que tenham os governos locais, a recuperação do Rio passa por uma recuperação do país como um todo, com o retorno do crescimento e a conseqüente geração de empregos, que possibilitem a milhões de pessoas saírem da marginalidade.

A cidade do Rio de Janeiro merece um tratamento diferenciado por tudo o que representou e ainda pode representar para o Brasil em termos econômicos, culturais, esportivos e turísticos.: retrato vivo da associação harmônica de uma dádiva da natureza com o que a inteligência humana foi capaz de criar em termos urbanísticos , ainda é o cartão postal do Brasil no exterior. Infelizmente, apesar da natureza no Rio ainda continuar bela, parece que a pobreza material da população, somada à pobreza de espírito da elite e dos governantes, conspira para destruí-la.

291206

4 comentários:

Nunes disse...

Acho que a ajuda do governo Federal no caso do RJ é fundamental, até para dividir responsabilidades e demonstrar a boa-vontade em resolver a questão.
Em SP Lembo poderia aceitar, não fosse as eleições, que beneficiaria Lula, mas deveria ter aceito.

Quanto a Rosinha é lamentável a sua posição e pior ainda a declaração que tem tudo sob controle...
Pat[etico...
Cabral age corretamente, e deveria se unir a Serra, Aécio e Hartung, nessa aliança contra o crime.
A violência tem que ser combatida com rigor absoluto e não cabe partidarização, ou vaidades...

Nem tudo é perfeito disse...

análise perfeita ou quase...
Salvo "...Nisso a população carioca tem a sua parcela de responsabilidade. Afinal, em poucos locais do Brasil um eleitor tem uma vocação tão grande para eleger governantes incompetentes..."

Salvo se um dia essa sociedade for capaz de produzir representantes melhores, por ter ela mesmo melhorado. dos que estão por aí tá difícil escolher com rigor...

rosena disse...

Olá Fernando o Rio continua igual ao Brasil Temos um governo frouxo e incompetente,políticos corruptos,um judiciário fraco,políciais vendiodos e um povo que não luta pelos seus direitos de cidadão e sem determinação.E pior,ausência de luz no fudo do túnel. Mesmo assim te desejo e a todos do blog um FELIZ 2007. Quem sabe algo de bom aconteça a todos nós...

ZÉ LIMPESA disse...

Mesclagem venenosa entre policiais e bandidos ...

ELES FAZEM CONCHAVOS COM BANDIDOS E TRAFICANTES......depois ficam se fazendo
de vítimas....A BANDA PÔDRE DA POLÍCIA ESTÁ AUMENTANDO CADA VEZ MAIS...

SE POLICIA FOSSE POLÍCIA E BANDIDO FOSSE BANDIDO....ESSA NOVELA DA VIOLÊNCIA
JÁ TERIA TERMINADO....NO ENTANTO..., ELES ESTÃO MESCLADOS.

ACONTECE QUE A MAIORIA DOS POLICIAIS BEIJAM AS MÃO DOS BANDIOS E TRAFICANTES PRA PEGAR
UNS DONATIVOS $$$$..(JÁ ESTÃO VICIADOS NISSO)...VENDEM ARMAR E MUNIÇÕES PARA OS TRAFICANTES E BANDIDOS..
POLICIAL QUE GANHA 1.500,00 E TEM CARRO DO ANO,CASA DE PRÁIA, TOMA WISK IMPORTADO,tá na cara, É DA BANDA POÔDRE. (O homem honesto não se vende)

O POVO QUER AÇÃO E ATITUDE

AS AUTORIDADES COVARDES TEM QUE CORAJOSAMENTE FAZER UMA RASPAGEM NA BANDA PÔDRE E LIBERAR A
POLICIA "HONESTA" PRA FAZER O SEU SERVIÇO E A LIMPESA NA MEDIDA NECESSÁRIA.

A POLICIA, POR FAZER CONCHAVOS, SABE QUEM SÃO OS BANDIDOS , SABE ONDE ESTÃO E QUANTOS SÃO..
DEPOIS DE LIMPAR A BANDA PÔDRE :
URGE LIBERDADE E CARTA BRANCA PRA POLICIA AGIR,... BALÁÇO NOS BANDIDOS.....NADA DE HOSPEDAR
EM PRISÕES DE LUXO PARA SEREM SUSTENTADOS PELOS PARENTES DOS INICENTES QUE ELES
MATARAM E PELO POVO ..(balaço neles).. BANDIDO INVETERADO E PERIGOSO TEM QUE SER ELIMINADO
PELA PROTEÇÃO DA COLETIVIDADE...NÃO QUEREMOS SUSTENTAR FACÍNORAS EM CADEIAS...JÁ BASTA A
DESPESA QUE O POVO TEM PRA SUSTENTAR OS VAGABUNDOS LÁ NO CONGRESSO.