quarta-feira, dezembro 20, 2006

ESQUERDA OU DIREITA?

Nos países desenvolvidos pouca importância se dá atualmente à velha dicotomia entre esquerda e direita. Mas no Brasil, talvez pelo fato de sua imensa desigualdade social, talvez pelo fato de nossas elites dirigentes ao longo da História terem demonstrado um supremo desprezo pelo povo, estas duas posições ideológicas ainda são capazes de provocar muita radicalização e discussões apaixonadas. Por isto, não passou batida a declaração de Lula, terça feira passada, de que "quem tem 60 anos e se diz de esquerda tem problemas, e quem é jovem e se diz de direita também tem".Vozes de condenação se fizeram ouvir, com veemência, de todos os cantos, condenando a declaração do presidente. Em muitos setores, Lula foi mais criticado por esta declaração do que por muitas das asneiras cometidas ao longo dos quatro anos de mandato.


Questão de idade? À esquerda, Lula esquerdista; à direita, Lula direitista.

ESQUERDA OU DIREITA?
Mas afinal, esquerda ou direita? Cansei de ser chamado de “direitista”, num tom nada amistoso, a cada manifestação em defesa da livre iniciativa, da democracia, do direito à propriedade privada, da diminuição do tamanho do Estado, da redução dos tributos ..Isto porque no Brasil ser “de direita” é como se o sujeito tivesse contaminado por um virus contagioso, que traz consigo as síndromes do egoísmo, retrocesso, conservadorismo, autoritarismo, com alta taxa de insensibilidade para com os problemas sociais. Enfim, uma pessoa condenada ao fogo do inferno. Em contrapartida, ser esquerdista é sinônimo de altruísmo, progressismo, humanismo, com alta taxa de sensibilidade social,e, com todo charme do mundo .Não é sem razão que, no Brasil, partidos políticos e candidatos em campanha jamais se definem como “de direita”.Preferem ser “de esquerda” ou, no mínimo, de “centro-esquerda”.

No pensamento político predominante no Brasil, a grosso modo, esquerdistas seriam aqueles para quem o capitalismo é um grande gerador de injustiças, e para quem somente através da intervenção – ou da apropriação -do Estado na economia, seria possível a promoção da justiça social. E os direitistas? Bem, estes seriam todos os demais que não se enquadrassem naquilo que os teóricos de esquerda pensam sobre si. Aí incluídos, desde liberais autênticos, democratas sinceros, até obscurantistas de toda sorte, defensores de regimes ditatoriais e adeptos de nacionalismos extremados.E é aí que reside o erro, pois mistura no mesmo balaio gatos de raça diferentes.

A verdade é que nestas últimas décadas a direita foi tão estigmatizada pela esquerda ,que fica difícil estabelecer o seu campo, de acordo com os valores que ela defende.Se tomarmos como valores fundamentais a defesa intransigente do liberalismo econômico e da democracia política, como os delimitadores deste campo, não tenho por que me envergonhar de ser rotulado de direitista. Se dentre os valores atribuído à direita estiver incluída a negação da democracia, mesmo que seja em nome da liberdade econômica, por favor, me excluam deste time.A esquerda costuma jogar tudo no mesmo balaio, e considerar, por exemplo, Winston Churchill ,Hitler, Margareth Tratcher e Pinochet como membros de um mesmo time.Para mim, Hitler tem muito mais em comum com Stálin, um ícone da esquerda, do que com Churchill. Mas muitos não pensam assim.

Como se pode ver, esta dicotomia esquerda X direita é, na maioria das vezes, simplificadora e enganosa, pois restringe uma ampla e contraditória gama de valores e de idéias que envolvem uma discussão deste nível, a uma briga passional e simplista entre dois campos opostos..Mas esta simplificação interessa ao proselitismo de certos setores da esquerda, que, desta forma, foge do debate no que é essencial, e estigmatiza aqueles que, com argumentos consistentes e lúcidos,conseguem se contrapor a certos dogmas ultrapassados.

Portanto, aqui não se trata de uma declaração de princípios, mas considero como valores fundamentais a democracia política e a liberdade econômica. Defendo que o Estado é um mal necessário, e que, por causa disto, deve ter o seu campo de atuação limitado, porém, sem abrir mão da eficiência onde a sua atuação é essencial e onde a iniciativa privada tem interesse diminuto. Defendo intransigentemente estes valores. Assim como não admito que em nome da liberdade econômica haja cerceamento da liberdade política, também me coloco contra quaisquer formas de restrição da liberdade econômica em nome de um suposto e improvável bem estar coletivo.A propósito, considero que a melhoria dos padrões sociais virá como conseqüência natural da melhoria dos padrões econômicos conjugado com políticas governamentais efetivas - e não meramente paliativas e assistencialistas – fundamentalmente no campo da educação.
Em tempo, a respeito da declaração acima, Lula se desculpou e disse que tudo não passava de uma brincadeira. Ele também, é claro, tem ojeriza ao estigma...
201206

3 comentários:

Anônimo disse...

Não existe esta de direita e esquerda no Brasil. Aqui os políticos são TODOS safados sem -vergonhas corruptos, ladrões do dinheiro público, caras de pau, arrogantes e muito mais. Muita gente se decepcionou com Lula que chamava FHC de direita e que no poder fez pior aliando-se a Sarney, barbalho Quércia e toda esta canalha. Não precisamos perder tempo discutindo direita e esquerda neste país. Aqui temos que discutir os LADRÕES( a maioria) e os NÃO LADRÓES ( A MINORIA) iDEOLOGIA???? eU QUERO UMA PARA VIVER.

Sofia disse...

Fernando,
Esta dicotomia em ser de esquerda versus direita gera muitas discussões de acordo com a ótica e “momento” vivido por políticos. Desde que ele tenha sempre o melhor proveito da situação.
A verdade um dia sempre vem a tona , não conseguimos viver eternamente na mentira.
Com Lula não foi diferente, de acordo com tudo que vemos nos jornais, mídia...hoje Lula se diz um social-democrata.
Ser de esquerda, para mim, é definir de modo crítico, realista e criterioso e não-doutrinário, um "modelo" de socialismo e um caminho para viabilizá-lo, respondendo e adaptando as grandes transformações geradas pela globalização econômica e aos avanços tecnológicos. Lula e o PT não agem assim.
Ser de esquerda no Brasil é sempre mentir. É sempre colocar a culpa no capitalismo ou nos governos anteriores pelos males gerados pelas políticas anti-socialistas. É fazer coalizões, alianças que até possam pequenos avanços aqui, acolá. Mas, quando as melhoras substanciais, NADA. O futuro continua tão cinza e/ou preto, sem nenhuma perspectiva de melhora.

Nunes disse...

Esquerda e direita pouco significam para Lula. Ele sempre se guiou pela sua intuição genial. Sim poque por mais que seus opositores não aceitem ele é isto mesmo: genial!Ele navega de acordo com a suas cinveni~encias. Quem quis fazer dele um esquerdista foi o PT. Mas ele deu um solene chute na bun da do PT e agotra traça o seu proprio caminho. Se quisere chamar este caminho de esquerda ou d direita, para ele pouco importa.