quarta-feira, dezembro 13, 2006

COALIZÃO OU COLISÃO?

Assistimos com absoluta descrença as atuais negociações lideradas pelo governo no sentido de formar um governo com o maior número possível de partidos. Se o propósito inicial for o de enfraquecer a já combalida oposição, pode ter algum resultado prático. Se o objetivo é mais nobre e grandioso, ou seja, o de cimentar as bases para a execução de a um projeto de governo que leve ao crescimento do Brasil, pode esquecer.

COALIZÃO OU COLISÃO?

Um governo de coalizão se faz em torno de teses, princípios e projetos. Pelo menos é o que o que parece acontecer nas democracias mais avançadas e é o que deveria ser no Brasil. Mas não é. Aqui, o pretendido governo de coalizão não parece ir além de uma aliança partidária na qual o eixo das negociações se dá em torno da velha troca de favores e interesses no estilo do mais puro fisiologismo. Culpa do sistema partidário brasileiro, e, até mais do que isto, culpa do regime presidencialista imperial que prevalece desde a proclamação da República..

É difícil, mesmo para um observador atento da política brasileira, saber o que distingue os diversos partidos políticos no Brasil. A distinção ideológica que se pretende fazer pouco significado tem. Afinal, partidos considerados de direita, na prática, adotam posturas que entram em choque como que deveria ser a sua linha programática. É o caso do PFL que passou os quatro anos do governo Lula defendendo a austeridade fiscal e, no final, votou a favor do aumento de 16% para os aposentados do INSS,além de,através do senador Efraim de Morais propor um 13º salário para os beneficiários do bolsa família. De repente substituiu a defesa da responsabilidade fiscal pela pratica de um populismo tão canhestro e irresponsável como o do presidente que eles tanto criticam.

Na verdade, além de vergonha na cara,falta aos partidos brasileiros conteúdo ideológico que oriente a sua atuação política e não deixem desorientados os eleitores. Qual a posição de cada um dos partidos brasileiros no que concerne a questões estruturais como o tamanho do estado, a carga tributária, a reforma na educação, dentre outras?

Nisto e em outras questões fundamentais, os partidos se confundem, se misturam e pouco se distinguem uns dos outros. Não foi por outro motivo que durante a campanha presidencial, o PT, ao colocar em pauta a discussão sobre as privatizações, provocou no PSDB uma reação contrária ao que era de se esperar vinda de um partido que durante o governo de FH comandou o maior processo de privatizações da História. Ao invés de assumir as privatizações como uma das marcas registradas de seu projeto de governo,. o candidato tucano preferiu na campanha ficar parecido com o candidato do PT e ao ser encostado contra a parede, negou e renegou que estivesse em seus planos o prosseguimento das privatizações.

Não são poucos os que reclamam da ausência, no quadro político brasileiro, de um partido assumidamente conservador ,que faça da defesa intransigente da livre iniciativa e da diminuição do tamanho do estado a sua bandeira de luta.Não são poucos os que , como eu, admitem que o aperfeiçoamento dos partidos, no sentido de terem maior nitidez ideológica, somente será possível dentro de um desejado regime parlamentarista.Infelizmente, no Brasil, o parlamentarismo passou a ser visto mais como um remédio para impasses políticos momentâneos do que uma solução permanente e necessária para a consolidação do sistema político.

Por isto, assistimos com absoluta descrença as atuais negociações lideradas pelo governo no sentido de formar um governo com o maior número possível de partidos. Se o propósito inicial for o de enfraquecer a já combalida oposição, pode ter algum resultado prático. Se o objetivo é mais nobre e grandioso, ou seja, o de cimentar as bases para a execução de a um projeto de governo que leve ao crescimento do Brasil, pode esquecer. Este suposto projeto durará até que a primeira disputa por cargos e verbas coloque qualquer boa intenção a pique, e transforme o pretendido governo de coalizão em governo de colisão.
131206

5 comentários:

rosena disse...

Pois é fernando. Acabo de ler em outro blog que o PDt vai apoiar o governo É muita perda de tempo ficar tentando entender esses políticos. O pdt ja está escolhendo os seus ministérios, e olha que o apoio seria desinteressado. So bobos acreditam nisso

TF disse...

O governo não vai ser mais irresponsável de deixar os partidos de fora de uma aliança, como fez no primeiro mandato. Principalmente o PMDB.

Fora do governo eles dão muito trabalho ao nosso lulinha. imagina só a grana de mensalão que ele vai gastar a cada votação no Congreso. Acho que o PDT apenas fez o que o PMDB faz a muito tempo< caiu na real. O senador Jefferson peres já disse que fica na oposição. O Crristovam tb Vamos ver

Joyce R disse...

Mais de 60% dos eleitores( votos válidos)quiseram a continuação deste governo e desta política desonesta praticada por Lula e pelo PT. De quem é a culpa?? No brasil existe o costume de se tratar o povo como coitadinhos. Pois ele, o povo, é o responsável pelo que está acontecendo na poítica. Já sabia de quem se tratava a peste e votarm nele novamente. Agora aguentem. Se eu puder me mando para o exterior

nidia disse...

Meu caro Fernando, a coisa está de matar. Quando estamos nos "acostumando" com tanta barbaridade e já achamos que não pode acontecer mais nada depois de tanto absurdo, os políticos conseguem se superar aumentando seus próprios salários em 91%. Chega a dar nojo tanta imoralidade. Sinto-me muito mal morando nesse país.
Recebi o e-mail da enquete da folha que trazia o seguinte comentário: Esses caras subestiman nossa capacidade de pensar,ai que
saudade de pessoas revolucioanarias,é preciso termos um pouco de sangue
argentino,uruguaio,francês nas veias,isso revolta e passou da hora de
aparecer alguem clamando a população a ir para as ruas.

Eu estou mais por aí também. Temos que ir para as ruas!!!
Um abraço

fabio disse...

Surpreende que os congressistas sintam-se tão à vontade no lulopetismo, para beneficiarem a si mesmos de 200% de aumento em três anos?
Ou isto é reflexo da maneira sistemática com que o lulopetismo vem trabalhando para acabar com a imagem do Legislativo, primeiro instituindo o Mensalão, agora inventando a Coalizão, que nada mais é do que um novo loteamento do aparelho estatal?
Em que base se dá a relação Executivo e Legislativo? Em cima de um projeto nacional? Em cima de um grande plano? Ou apenas em cima da troca de cargos, da troca de favores, da troca de benefícios?
O que o lulopetismo fez em quatro anos? Tomou o estado de assalto, tendo este como único objetivo. Para alcançar esta meta, manteve uma relação promíscua e suja com o Legislativo, fomentando Severinos, Renans e Aldos, políticos da pior espécie, capazes de vender a alma ao diabo para fazer aquilo que o PT mais ama: manter o poder.