segunda-feira, dezembro 04, 2006

AS SETE PRAGAS DO BRASIL

Será possível construir no Brasil uma sociedade livre, democrática e consciente e assentada num ambiente econômico de plena liberdade e de desenvolvimento integral ? Acredito que sim. Não a curto prazo, mas dentro de um período razoável, em que os jovens de hoje ainda possam usufruir dos frutos desta desejada nova era.Mas, nada de falsas utopias. Para se chegar lá é preciso de muito trabalho,estudo, esforço e poupança. E que nos livremos destas sete pragas que infestam o país e nos impedem de trabalhar e de construir.


Sete pragas do Apocalipse são profecias. As pragas do Brasil são reais.

AS SETE PRAGAS DO BRASIL

Tal como no Egito bíblico, o Brasil tem sido vitima de sete terríveis pragas, que dificultam o seu desenvolvimento. Diferente, entretanto, do Antigo Egito,as pragas que assolam o nosso país não são desígnios de algum deus, mas tão somente um castigo que nos tem sido imposto por uma casta de privilegiados que se apossou do estado brasileiro.Isto mais a permanência entre nós de certos costumes que criaram raízes, e que são frutos de uma mistura de tradição e de ignorância, explicam o fato do Brasil não andar para frente.

As tais pragas penetraram bem fundo nas nossas estruturas econômicas, políticas e sociais, e, algumas delas, se incorporaram à nossa própria cultura. Sendo assim, o Brasil passou a ser o país aonde o futuro nunca chega, e onde todo esforço no sentido do desenvolvimento resulta inútil, a não ser que nos livremos de cada uma delas.São as seguintes pragas que infestam a vida brasileira: descaso com a educação; gigantismo do Estado; ausência do Estado; desqualificação dos nossos políticos; concentração de renda; corporativismo; populismo.Vamos a cada uma delas.

1- O DESCASO COM A EDUCAÇÃO. Nossos governantes sempre trataram a educação das crianças e dos jovens com desprezo. A educação pública sempre foi tema da demagogia eleitoral, mas passadas as eleições nada é feito para eleva-la à um nível de excelência.Os ricos se socorrem das escolas particulares , que ainda oferecem uma qualidade de ensino menos ruim do que as públicas. Os pobres ficam condenados a engolir um ensino de péssima qualidade, ministrado por professores desqualificados e desmotivados pelos baixos salários. O resultado é evidente: anualmente milhões de jovens concluem o ensino fundamental ou médio completamente despreparados tanto para o mercado de trabalho quanto para o exercício da cidadania. O principal meio para a sua ascensão social lhes é negado pela omissão do Estado, através dos sucessivos governos.

2- O ESTADO GIGANTE. O Estado brasileiro se agigantou de tal modo a se tornar no grande empecilho ao desenvolvimento.Isto , nas três esferas de poder ( executivo, legislativo e judiciário ), e nos três níveis da administração( federal, estadual, municipal ). A máquina estatal, com o seu cipoal de regulamentos, e sua pesadíssima carga de tributos - cerca de 40% do PIB - tira todo o estímulo ao livre empreendimento econômico e, portanto, contribui para a estagnação econômica e para o desemprego.Os empresários e os trabalhadores são tratados como se servos medievais fossem,tal o número de impostos, taxas e contribuições que são compelidos a depositar nos cofres estatais.Ao invés de ser um agente da promoção do desenvolvimento e do incentivo à livre-iniciativa, o estado brasileiro, ao impor estas barreiras acaba por desestimular a instalação legal de empresas, levando muitos à informalidade, o que faz com que a pesada carga tributária caia sobre um número menor de empreendedores, aqueles que permanecem na legalidade. E isto gera um ciclo vicioso pois os custos dos empreendimentos são repassados ao consumidor, com o encarecimento do produto final.Mas, o pior é o destino que é dado ao que o governo retira do povo: uma grande parte, é claro, vai para o custeio desta onerosa máquina estatal, outra parte, vai para as mãos do sistema financeiro, como forma de juros de dívidas contraídas no passado.

3- O ESTADO AUSENTE. Paradoxalmente, o Estado brasileiro se faz ausente onde mais deveria se fazer presente. No campo social - educação, saúde, segurança e justiça - chega a ser criminosa a omissão dos agentes do Estado no cumprimento de funções que lhes são inerentes. Ao invés de aplicar políticas efetivas no campo social, os sucessivos governos têm se esmerado em promover políticas meramente assistencialistas que só fazem perpetuar o problema. Exemplos desta omissão estão nas filas dos hospitais públicos, no crime organizado que toma conta das favelas e bairros periféricos, das escolas depredadas, dos bairros sem saneamento, e por aí vai. O paradoxo está em que o estado se torna presente e eficiente quando se trata de tomar o dinheiro do contribuinte ,e completamente ausente quando se trata de prestar serviços à população.

4- A ( PÉSSIMA ) QUALIDADE DOS POLÍTICOS. O nosso país tem sido castigado, eleição após eleição, com uma safra de políticos que nos dão pouquíssimas esperanças de que as coisas vão melhorar algum dia.Com as poucas e honrosas exceções de sempre, os nossos políticos têm se caracterizado pelo cultivo ao carreirismo, ao nepotismo,ao fisiologismo, à demagogia e ao populismo, quando não encontramos casos de corrupção explícita.Fazem da atividade pública menos um meio para se promover o bem coletivo do que um caminho para se alcançar e se perpetuar no poder, com tudo o que isso pode trazer de benefício pessoal. Alguém já disse que os políticos de um país são o retrato fidedigno do povo que os elegeu. Se assim for, o retrato do povo brasileiro não é nada dignificante.Prefiro acreditar que os nossos políticos sejam uma cópia corrompida do nosso povo, não um retrato fiel.E que a melhor qualificação do nosso povo através da educação tornará possível também um quadro de políticos mais qualificados e honrados.

5- A RENDA CONCENTRADA. O Brasil é um país extremamente desigual, onde a maior parte da renda está concentrada nas mãos de meia dúzia. Este é um fato gritantemente óbvio, e o argumento preferido de certos setores da esquerda para desqualificar o sistema capitalista e a liberdade econômica.Segundo eles, é o sistema capitalista em sua versão mais liberal o grande gerador da concentração de renda e da conseqüente desigualdade social aqui existente.Ao contrário do que afirmam, é justamente a falta de tradição do país no campo da livre-iniciativa e dos empreendimentos lucrativos que geram empregos e democratizam a renda, a razão de tamanha desigualdade.Esta tradição é que possibilitou no país o crescimento das instituições parasitas, que são, estas sim , as verdadeiras responsáveis pela concentração da renda nacional.Falo do Estado brasileiro que arrecada em impostos cerca de 40% do PIB nacional e também do sistema financeiro especulativo - bancos - beneficiado pela política de juros altos. São estes os maiores responsáveis pela concentração de renda no país.Num país onde muitos se acostumaram a viver das benesses do Estado e da especulação financeira,os setores produtivos ligados ao capital e ao trabalho são os maiores prejudicados. Talvez aí esteja a explicação do porquê o governo e os bancos neste país se entenderem tão bem.

6- O CORPORATIVISMO. Outra herança típica do medievalismo que ainda se faz presente em nossa mentalidade é o corporativismo que permeia a maioria das associações de classe, sindicatos profissionais e patronais, conselhos profissionais, partidos políticos e associações diversas.A maioria deles é incapaz de enxergar além dos próprios umbigos. Colocam a defesa dos seus interesses particulares acima de quaisquer interesses de ordem mais abrangente. O corporativismo é mais grave ainda porque se torna um valor em si mesmo, um fim a ser alcançado pelos agentes de instituições públicas.É o que acontece quando congressistas e magistrados defendem, cinicamente, o aumento dos seus próprios vencimentos e de suas mordomias, ou quando tentam acobertar colegas pilhados em atos pouco dignos.Também no campo privado, a falta de tradição para a concorrência, e a falta de iniciativa no campo do livre empreendimento , levam muitos a se associarem em alguma forma de cartel, que não tem outro objetivo a não ser o de impedir a entrada de novos concorrentes. Tudo isto é um entrave ao desenvolvimento.

7- O POPULISMO. É outra marca registrada do Brasil. A fraqueza histórica das instituições, bem como a alienação política de grande parte da população,fizeram com que alguns governantes assumissem um certo tipo de liderança que, desprezando ou subjugando as instituições democráticas, procuraram manter uma relação direto com a massa popular, colocando-se como paladinos de suas causas.Alguns, como Getúlio Vargas, conseguiram relativo sucesso, outros , como Jânio e Collor, não passaram de meros farsantes. O fato é que o populismo no Brasil tornou impossível a existência de projetos de governo consistentes, de médio e longo prazo, uma vez que são características destes governos promessas demagógicas e políticas urgentes que atendam ao clamor da massa por medidas imediatas. Quase sempre, os governos populistas não terminam bem: Vargas suicidou; Jânio renunciou, Jango foi deposto por um golpe; Collor teve os seus direitos políticos cassados, e Lula ainda é uma exceção, porque mesmo carregando nas costas um governo denunciado por corrupção, teve apoio popular suficiente para se conservar no poder e ser reeleito com 60% dos votos válidos.Mas a sua história ainda não terminou. O fato é que no Brasil, a presença do populismo tem se mostrado trágica para a democracia, uma vez que atitudes irresponsáveis destes governantes têm levado à sucessão de crises políticas que acabam abrindo caminho para a instalação do autoritarismo, como aconteceu em 1964.. Os governantes populistas se fixam num anseio nacional e fazem dele a sua bandeira: Vargas tinha a defesa do nacionalismo e do trabalhismo; Jânio, a defesa da moralidade pública; Jango, as reformas de base; Collor, a caça aos "marajás", e Lula o combate à fome e ao desemprego.O populismo é uma chaga que enfraquece as instituições, tornando-as submissas ao executivo, desvaloriza os projetos sérios em troca de propostas demagógicas, fortalece o personalismo e o clientelismo político, enfraquece a cidadania e é um entrave à consolidação da democracia e ao progresso do país.

Será possível construir no Brasil uma sociedade livre, democrática e consciente e assentada num ambiente econômico de plena liberdade e de desenvolvimento integral ? Acredito que sim. Não a curto prazo, mas dentro de um período razoável, em que os jovens de hoje ainda possam usufruir dos frutos desta desejada nova era.Mas, nada de falsas utopias. Para se chegar lá é preciso de muito trabalho,estudo, esforço e poupança. E que nos livremos destas sete pragas que infestam o país e nos impedem de trabalhar e de construir.
041206

4 comentários:

FABIO disse...

No Brasil hoje em dia as coisas funcionam como nas grandes empresas, aquele que cresce dentro das empresas não é o que trabalha melhor, mas sim o que tem o melhor marketing pessoal. No plano político tem sido mais importante para os governos medidas de efeito imediato para vender sua imagem e permanecer no poder por mais tempo do que realmente buscar uma solução definitiva para nossos problemas.
A politica, como tudo neste mundo tão consumista em que vivemos se tornou um produto.
Acredito que a solução nunca virá de cima para baixo e sim começando de baixo com a conscientizacao do povo, economia solidaria, educação voluntária, etc...é um processo muito lento mas é a única solução

Anônimo disse...

Qual o modesto papel do povo brasileiro, das pessoas quando se diz que:

.... os governantes isso...
.... o estado aquilo ....
.... os políticos aqueloutro....
.... o Brasil mais isso....

Qual o papel que tu desempenhas, os teus vizinhos, o teu chefe, a pessoa do outro lado da cidade desempenha neste drama ?

Não votam, não moram, não escolhem o que comprar, não escolhem como gastar o seu tempo, não escolhem participar ou não da sociedade, não aceitam (ou rejeitam) certas pessoas ?

As pessoas fizeram o Brasil o que ele é. Deus fez a natureza e depois é tudo obra da gente. O Estado, o povo, a classe média, a opinião pública são apenas idéias, artifícios que usamos como muletas.

São as pessoas que não valorizam a educação e escolhem os políticos. São as pessoas que falsificam informações para fraudar a Receita e o INSS. São pessoas que jogam colchões nos regatos e depois assistem os vizinhos serem inundados. São pessoas que cavam túneis e roubam bancos. Que puxam gatilhos.

nidia disse...

Concordo com Fabio, concordo com anônimo, concordo com Fernando. Já sabemos há tempos que tem que hover uma mudança bastante radical na forma como deverá ser conduzido o País e que terá que começar com o povo. O problema é como se chegar a isso. Como reverter essa mentalidade da massa "impensante", que age por instinto?
Um abraço

Sofia disse...

Oi Fernando!
Ótimo artigo.
Talvez, concorde comigo, a pior de todas as pragas citadas por você, seja a falta de um sistema educacional eficiente, com qualidade. Um povo analfabeto e/ou semi-analfabeto e/ou os analfabetos funcionais(caso dos universitários de hoje)fazem com que todas as demais pragas se propaguem. Reverter o quadro atual? Somente com uma revolução educacional.