sexta-feira, dezembro 29, 2006

O RIO CONTINUA LINDO?

A cidade do Rio de Janeiro merece um tratamento diferenciado por tudo o que representou e ainda pode representar para o Brasil em termos econômicos, culturais, esportivos e turísticos.: retrato vivo da associação harmônica de uma dádiva da natureza com o que a inteligência humana foi capaz de criar em termos urbanísticos , ainda é o cartão postal do Brasil no exterior. Infelizmente, apesar da natureza no Rio ainda continuar bela, parece que a pobreza material da população, somada à pobreza de espírito da elite e dos governantes, conspira para destruí-la.



RIO DE JANEIRO
Os recentes e lamentáveis atentados de traficantes no RJ ,incendiando ônibus, destruindo cabines policiais e atingindo indiscriminadamente alvos civis e militares, colocaram mais um tijolo na obra de construção de uma cidade totalmente controlada por criminosos, sejam eles traficantes ou- novidade deste verão – membros de milícias formadas por ex-policiais que , segundo o jornalismo da TV Globo, já ocupam 90 favelas cariocas.

O fato é que muito mais do que a natureza exuberante e os atraentes pontos turísticos de fama mundial, o que vem chamando a atenção na cidade do Rio nas manchetes da imprensa é a sua decadência progressiva associada a uma violência crescente. A crise que atinge o Rio de Janeiro é resultado da crise que atinge o Brasil. Só que no Rio ela vem com mais dramaticidade, com mais evidência. A outrora cidade-maravilhosa tem sofrido nas últimas décadas um processo gradativo de esvaziamento econômico, político e cultural, onde o empobrecimento da população, o crescimento do tráfico de armas e de drogas e a incompetência dos seus governantes formam uma mistura explosiva que retratam o grau de deterioração a que chegou a ex-capital da República.


Mas o Rio não chegou a este estágio de um momento para o outro. Na verdade, é fruto de um lento processo de degradação que teve começo quando, no início dos anos 60, o Rio deixou de ser a capital do país. Até então centro político do Brasil, o Rio sofreu o primeiro grande processo de esvaziamento com a transferência de milhares de funcionários e de centenas de órgãos públicos para Brasília. Outro golpe mortal na cidade foi a sua fusão com o antigo Estado do Rio, em 1976, por obra e graça do regime militar. Até então, constituindo o Estado da Guanabara e conservando um pouco da sua antiga pujança, a cidade teve que engolir a sua forçada união com um estado pobre e provinciano, com perdas evidentes para a metrópole.

Com o seu esvaziamento político, restou-lhe ainda um pouco da sua condição de importante centro econômico e cultural.Mas a crise econômica, que atingiu o país no início dos anos 80, foi extremamente perversa para o Rio.
A cidade, que era indiscutivelmente o segundo polo econômico do país, assistiu passivamente a ascensão de outros centros econômicos localizados em MG e na região sul . Centenas de indústrias, até então sediadas no Rio, ou abandonaram a capital partindo para outros centros, ou simplesmente faliram e desapareceram.

Acompanhando a decadência econômica, ocorreu a degradação social, resultando no aumento do número de desempregados e na favelização descontrolada. As favelas cariocas cresceram e se multiplicaram assustadoramente, envolvendo,como um cinturão de pobreza, as áreas mais ricas da cidade, de tal forma que do Leme (Copacabana) a S Conrado, todos os bairros de classe média do Rio foram envolvidos por favelas, o que possibilita um forçada convivência democrática entre ricos e pobres nos bairros da zona sul.Nem a outrora ilha de riqueza, a Barra da Tijuca, ficou livre do contato com o lado pobre da cidade, depois da construção da Linha Amarela, que agora possibilita o acesso direto do subúrbio à ilha de prosperidade da zona oeste.

Resultado da crise econômica foi também a decadência cultural do Rio. Cidade que se orgulhava, a décadas atrás, de possuir os melhores teatros, os melhores cinemas, os maiores jornais, as mais influentes emissoras de rádio e de televisão, e - por que não dizer?- o melhor futebol, hoje se coloca num plano secundário quando comparado, sob s aspectos à cidade de S Paulo, por exemplo. Não fosse a Rede Globo, que ainda mantém, não se sabe até quando, a sua sede no RJ e o Rio teria que se contentar em ser uma simples sucursal cultural de SP. Décadas atrás, falar do Rio era falar de Carlos Drumond, Carlos Lacerda, Pixinguinha, Tom Jobim, Rubem Braga, João Saldanha, Nelson Rodrigues, Paulo Gracindo, Leila Diniz, Zico, Garrincha, Vinicius de Moraes, Mario Lago, só para citar alguns poucos. Hoje, o Rio está mais associado a figuras como Fernandinho Beira-Mar, Elias Maluco, Lulu, Dudu, Caixa d’Água, Eurico Miranda e outras figuras do gênero.


A favelização descontrolada, fruto do empobrecimento e da falta de oportunidades ,sem nenhuma assistência do setor público, levou ao fato de que as favelas e bairros periféricos tornaram-se , em pouco tempo , numa terra de ninguém, ou melhor numa terra dos chefões do tráfico , que, ante a ausência do poder público, transformaram-se em verdadeiros donos dos seus territórios, sobre os quais exercem o poder pela força das armas e das drogas.

Mas atribuir a culpa da decadência do Rio apenas aos fatores acima mencionados -perda do poder político, crise econômica e decadência cultural – é esquecer a grande parcela de culpa que deve ser atribuída aos que administraram a cidade-estado nestas últimas décadas. Nisso a população carioca tem a sua parcela de responsabilidade. Afinal, em poucos locais do Brasil um eleitor tem uma vocação tão grande para eleger governantes incompetentes.

A lista é grande. Vai desde Chagas Freitas que dominou o estado no tempo do regime militar, passa pelo caudilho Brizola, pelo titubeante Moreira franco, e chega finalmente no casal Garotinho-Rosinha, sem esquecermos de figuras como de Benedita da Silva e Luis Paul0 Conde. Com governantes deste naipe, fica fácil para traficantes de toda ordem estabelecerem o seu poder , ditar ordens nos seus territórios e promoverem guerras entre quadrilhas, deixando a cidade indefesa e os cidadãos assustados.

Adotando uma posição política quase sempre de oposição ao governo federal, os governantes do RJ atraíram a antipatia e uma má vontade sistemática de Brasília para com os problemas do Rio. Só a título de exemplo, todos os governos do estado do Rio nas duas últimas décadas, exceto o de Marcello Alencar(1995-1998), anunciaram-se como de oposição ao governo federal. Tal incompatibilidade entre o poder federal e estadual, fez com que jamais houvesse uma vontade eficaz nem uma política coordenada na repressão, por exemplo, ao tráfico de armas e de drogas que entram pelas fronteiras do Brasil, antes de chegar ao Rio. Nesta briga, quem sai perdendo é a cidade e sua população.


Mas a doença que atinge a cidade do Rio tem cura. O paciente ainda não se encontra em estado terminal. É preciso que uma série de fatores e uma forte determinação política se conjuguem a fim de salvar a cidade.

No plano estadual, o pontapé inicial deve partir da própria população, que tem como lição de casa parar de eleger governantes incompetentes e demagogos. Não se sabe ao certo qual a política de segurança do governador eleito, Sérgio Cabral. Mas pelo menos, pelo que tem declarado, se pode supor que ele trabalhará articulado com o governo federal, colocando fim à prática infantil de se fazer oposição gratuita e receber em troca o desprezo do governo federal para com o estado do Rio.

Do governo do estado- e do município - o resgate da dignidade da cidade deveria envolver tanto políticas preventivas como políticas de concretização imediata. No plano preventivo, nada melhor do que a implementação de uma revolução educacional no estado, com a inserção da maioria absoluta das crianças cariocas em escolas de tempo integral -tal como projetado por Darci Ribeiro, com um ensino de primeira linha.
No plano imediato, a reformulação de toda a polícia estadual, capacitando-a a atuar tanto no campo da prevenção quanto na repressão em áreas da cidade hoje dominadas pelo tráfico, seguida pela ocupação efetiva pelo estado destas áreas carentes com escolas, postos de saúde, creches e postos policiais, de tal forma que o tráfico não voltasse a atuar.

É evidente que, por mais boa vontade e discernimento político que tenham os governos locais, a recuperação do Rio passa por uma recuperação do país como um todo, com o retorno do crescimento e a conseqüente geração de empregos, que possibilitem a milhões de pessoas saírem da marginalidade.

A cidade do Rio de Janeiro merece um tratamento diferenciado por tudo o que representou e ainda pode representar para o Brasil em termos econômicos, culturais, esportivos e turísticos.: retrato vivo da associação harmônica de uma dádiva da natureza com o que a inteligência humana foi capaz de criar em termos urbanísticos , ainda é o cartão postal do Brasil no exterior. Infelizmente, apesar da natureza no Rio ainda continuar bela, parece que a pobreza material da população, somada à pobreza de espírito da elite e dos governantes, conspira para destruí-la.

291206

quarta-feira, dezembro 20, 2006

ESQUERDA OU DIREITA?

Nos países desenvolvidos pouca importância se dá atualmente à velha dicotomia entre esquerda e direita. Mas no Brasil, talvez pelo fato de sua imensa desigualdade social, talvez pelo fato de nossas elites dirigentes ao longo da História terem demonstrado um supremo desprezo pelo povo, estas duas posições ideológicas ainda são capazes de provocar muita radicalização e discussões apaixonadas. Por isto, não passou batida a declaração de Lula, terça feira passada, de que "quem tem 60 anos e se diz de esquerda tem problemas, e quem é jovem e se diz de direita também tem".Vozes de condenação se fizeram ouvir, com veemência, de todos os cantos, condenando a declaração do presidente. Em muitos setores, Lula foi mais criticado por esta declaração do que por muitas das asneiras cometidas ao longo dos quatro anos de mandato.


Questão de idade? À esquerda, Lula esquerdista; à direita, Lula direitista.

ESQUERDA OU DIREITA?
Mas afinal, esquerda ou direita? Cansei de ser chamado de “direitista”, num tom nada amistoso, a cada manifestação em defesa da livre iniciativa, da democracia, do direito à propriedade privada, da diminuição do tamanho do Estado, da redução dos tributos ..Isto porque no Brasil ser “de direita” é como se o sujeito tivesse contaminado por um virus contagioso, que traz consigo as síndromes do egoísmo, retrocesso, conservadorismo, autoritarismo, com alta taxa de insensibilidade para com os problemas sociais. Enfim, uma pessoa condenada ao fogo do inferno. Em contrapartida, ser esquerdista é sinônimo de altruísmo, progressismo, humanismo, com alta taxa de sensibilidade social,e, com todo charme do mundo .Não é sem razão que, no Brasil, partidos políticos e candidatos em campanha jamais se definem como “de direita”.Preferem ser “de esquerda” ou, no mínimo, de “centro-esquerda”.

No pensamento político predominante no Brasil, a grosso modo, esquerdistas seriam aqueles para quem o capitalismo é um grande gerador de injustiças, e para quem somente através da intervenção – ou da apropriação -do Estado na economia, seria possível a promoção da justiça social. E os direitistas? Bem, estes seriam todos os demais que não se enquadrassem naquilo que os teóricos de esquerda pensam sobre si. Aí incluídos, desde liberais autênticos, democratas sinceros, até obscurantistas de toda sorte, defensores de regimes ditatoriais e adeptos de nacionalismos extremados.E é aí que reside o erro, pois mistura no mesmo balaio gatos de raça diferentes.

A verdade é que nestas últimas décadas a direita foi tão estigmatizada pela esquerda ,que fica difícil estabelecer o seu campo, de acordo com os valores que ela defende.Se tomarmos como valores fundamentais a defesa intransigente do liberalismo econômico e da democracia política, como os delimitadores deste campo, não tenho por que me envergonhar de ser rotulado de direitista. Se dentre os valores atribuído à direita estiver incluída a negação da democracia, mesmo que seja em nome da liberdade econômica, por favor, me excluam deste time.A esquerda costuma jogar tudo no mesmo balaio, e considerar, por exemplo, Winston Churchill ,Hitler, Margareth Tratcher e Pinochet como membros de um mesmo time.Para mim, Hitler tem muito mais em comum com Stálin, um ícone da esquerda, do que com Churchill. Mas muitos não pensam assim.

Como se pode ver, esta dicotomia esquerda X direita é, na maioria das vezes, simplificadora e enganosa, pois restringe uma ampla e contraditória gama de valores e de idéias que envolvem uma discussão deste nível, a uma briga passional e simplista entre dois campos opostos..Mas esta simplificação interessa ao proselitismo de certos setores da esquerda, que, desta forma, foge do debate no que é essencial, e estigmatiza aqueles que, com argumentos consistentes e lúcidos,conseguem se contrapor a certos dogmas ultrapassados.

Portanto, aqui não se trata de uma declaração de princípios, mas considero como valores fundamentais a democracia política e a liberdade econômica. Defendo que o Estado é um mal necessário, e que, por causa disto, deve ter o seu campo de atuação limitado, porém, sem abrir mão da eficiência onde a sua atuação é essencial e onde a iniciativa privada tem interesse diminuto. Defendo intransigentemente estes valores. Assim como não admito que em nome da liberdade econômica haja cerceamento da liberdade política, também me coloco contra quaisquer formas de restrição da liberdade econômica em nome de um suposto e improvável bem estar coletivo.A propósito, considero que a melhoria dos padrões sociais virá como conseqüência natural da melhoria dos padrões econômicos conjugado com políticas governamentais efetivas - e não meramente paliativas e assistencialistas – fundamentalmente no campo da educação.
Em tempo, a respeito da declaração acima, Lula se desculpou e disse que tudo não passava de uma brincadeira. Ele também, é claro, tem ojeriza ao estigma...
201206

sábado, dezembro 16, 2006

É UM CRIME!

Muito mais do que um abuso de autoridade, o autoconcedido reajuste de 91% dos parlamentares federais é um crime contra a economia nacional e um soco na cara de uma sociedade que, compulsoriamente, deposita nos cofres públicos 40% do que ganha por força do seu trabalho. Algo precisa ser feito para reverter esta medida.




É impossível não ser tomado de indignação diante deste show de cinismo, desfaçatez e arrogância, protagonizado por deputados e senadores, ao apagar das luzes do ano legislativo. Esta legislatura, considerada por muitos dos próprios parlamentares como a pior de toda a história do Congresso brasileiro, poderia ter sido encerrada de maneira mais digna, após um quadriênio em que pontificaram mensaleiros, sanguessugas, severinos e outras máfias, numa sucessão de escândalos jamais vista e contribuindo de vez para a desmoralização de um Congresso que já não era visto com bons olhos pela sociedade.

Mas, para deputados e senadores não bastaram os vexames anteriores. Faltava a “consagração” final. E ela veio na forma de um aumento salarial de 91%, passando de R$12.847,00 para R$24.500,00, num momento em que o crescimento econômico do país se dá em ritmo de jabuti, a sociedade passa por momentos de grande restrição financeira e as obras públicas e serviços fundamentais – infra-estrutura, educação, saúde - estão praticamente paralisados, sob a justificativa governamental de que faltam verbas.

Segundo dados publicados na Folha de sexta-feira, somados o salário básico aos diversos benefícios recebidos, cada parlamentar custará aos cofres públicos o absurdo de R$140.000,00. Comparado a outroa países, o salário dos nossos parlamentares supera o de seus colegas em países como os Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, México, Chile, Nova Zelândia e Portugal, todos eles com PIB per capita superior ao do Brasil.O agravante nesta decisão criminosa – e não há outro adjetivo mais apropriado para defini-la – é que ela certamente vai gerar efeito cascata sobre os legislativos estaduais e sobre as câmaras municipais provocando, de imediato, uma avalanche de aumentos e reivindicações por aumentos em todo o funcionalismo.

Mais espantoso é a passividade com que a sociedade brasileira, pelo menos até o momento, tem reagido a esta agressão. O assalto praticado contra os cofres públicos está a exigir uma resposta contundente da sociedade. Alguns setores – OAB e CNBB – já externaram de maneira tímida o seu protesto. Mas somente isto não basta. É necessário que estes protestos se multipliquem, que a mídia continue, sem trégua, a destacar o assunto , que sejam promovidas quantas ações judiciais forem necessárias exigindo a anulação do ato do Congresso, que seja feito uma pressão no sentido de que se moralize a legislação que trata dos salários de parlamentares e de altos funcionários da administração. Enfim, é preciso que o povo, literalmente, vá às ruas e de lá não saia enquanto os parlamentares não reverterem a sua decisão.

Se isto não for feito, se o silêncio e a passividade prevalecerem sobre as poucas vozes de lúcida indignação, os parlamentares brasileiros terão recebido um aval tácito da sociedade. Estarão autorizados para, nos anos subseqüentes, voltarem a praticar o crime com a mesma desfaçatez e cinismo.
161206

quarta-feira, dezembro 13, 2006

COALIZÃO OU COLISÃO?

Assistimos com absoluta descrença as atuais negociações lideradas pelo governo no sentido de formar um governo com o maior número possível de partidos. Se o propósito inicial for o de enfraquecer a já combalida oposição, pode ter algum resultado prático. Se o objetivo é mais nobre e grandioso, ou seja, o de cimentar as bases para a execução de a um projeto de governo que leve ao crescimento do Brasil, pode esquecer.

COALIZÃO OU COLISÃO?

Um governo de coalizão se faz em torno de teses, princípios e projetos. Pelo menos é o que o que parece acontecer nas democracias mais avançadas e é o que deveria ser no Brasil. Mas não é. Aqui, o pretendido governo de coalizão não parece ir além de uma aliança partidária na qual o eixo das negociações se dá em torno da velha troca de favores e interesses no estilo do mais puro fisiologismo. Culpa do sistema partidário brasileiro, e, até mais do que isto, culpa do regime presidencialista imperial que prevalece desde a proclamação da República..

É difícil, mesmo para um observador atento da política brasileira, saber o que distingue os diversos partidos políticos no Brasil. A distinção ideológica que se pretende fazer pouco significado tem. Afinal, partidos considerados de direita, na prática, adotam posturas que entram em choque como que deveria ser a sua linha programática. É o caso do PFL que passou os quatro anos do governo Lula defendendo a austeridade fiscal e, no final, votou a favor do aumento de 16% para os aposentados do INSS,além de,através do senador Efraim de Morais propor um 13º salário para os beneficiários do bolsa família. De repente substituiu a defesa da responsabilidade fiscal pela pratica de um populismo tão canhestro e irresponsável como o do presidente que eles tanto criticam.

Na verdade, além de vergonha na cara,falta aos partidos brasileiros conteúdo ideológico que oriente a sua atuação política e não deixem desorientados os eleitores. Qual a posição de cada um dos partidos brasileiros no que concerne a questões estruturais como o tamanho do estado, a carga tributária, a reforma na educação, dentre outras?

Nisto e em outras questões fundamentais, os partidos se confundem, se misturam e pouco se distinguem uns dos outros. Não foi por outro motivo que durante a campanha presidencial, o PT, ao colocar em pauta a discussão sobre as privatizações, provocou no PSDB uma reação contrária ao que era de se esperar vinda de um partido que durante o governo de FH comandou o maior processo de privatizações da História. Ao invés de assumir as privatizações como uma das marcas registradas de seu projeto de governo,. o candidato tucano preferiu na campanha ficar parecido com o candidato do PT e ao ser encostado contra a parede, negou e renegou que estivesse em seus planos o prosseguimento das privatizações.

Não são poucos os que reclamam da ausência, no quadro político brasileiro, de um partido assumidamente conservador ,que faça da defesa intransigente da livre iniciativa e da diminuição do tamanho do estado a sua bandeira de luta.Não são poucos os que , como eu, admitem que o aperfeiçoamento dos partidos, no sentido de terem maior nitidez ideológica, somente será possível dentro de um desejado regime parlamentarista.Infelizmente, no Brasil, o parlamentarismo passou a ser visto mais como um remédio para impasses políticos momentâneos do que uma solução permanente e necessária para a consolidação do sistema político.

Por isto, assistimos com absoluta descrença as atuais negociações lideradas pelo governo no sentido de formar um governo com o maior número possível de partidos. Se o propósito inicial for o de enfraquecer a já combalida oposição, pode ter algum resultado prático. Se o objetivo é mais nobre e grandioso, ou seja, o de cimentar as bases para a execução de a um projeto de governo que leve ao crescimento do Brasil, pode esquecer. Este suposto projeto durará até que a primeira disputa por cargos e verbas coloque qualquer boa intenção a pique, e transforme o pretendido governo de coalizão em governo de colisão.
131206

segunda-feira, dezembro 11, 2006

OS NOVOS DEMAGOGOS DA AMÉRICA LATINA

O fato é que a integração latino- americana nos moldes pretendidos por Hugo Chávez, é uma grande falácia que poderá levar parte da América Latina a um ambiente de conturbação política que certamente resultara em fuga de capitais, mais atraso econômico e maior desigualdade social. Melhor seria se ao invés de embarcar na irresponsabilidade demagógica de Chávez, o governo brasileiro se mirasse no exemplo do Chile.


Chávez, Lula e Morales: o que está em queda é a democracia no continente.

OS NOVOS DEMAGOGOS DA AMÉRICA LATINA

São cada vez mais freqüentes os encontros entre os líderes – Lula incluído – da chamada nova esquerda latino-americana. Em pauta, um improvável projeto de integração da América nos velhos moldes do nacionalismo anti norte-americano, que parecia morto e enterrado desde a década de sessenta, mas que ressurge lépido e fagueiro por obra e graça do venezuelano Hugo Chávez, pretendente ao trono de novo rei das esquerdas latino-americanas, agora que Fidel castro parece partir desta para melhor.

Chávez sabe que tem cacife para tal empreitada. Ancorado nos superávits obtidos graças às exportações do petróleo e do gás venezuelanos, conseguiu mais uma reeleição e já planeja nova mudança na Constituição do país, tendo como alvo a sua perpetuação no poder, com o propósito de levar adiante o seu projeto de liderança continental, em contraposição à liderança norte-americana. Para isto tem procurado ampliar o número de aliados no continente.

Neste sentido, Chávez tem contado com ventos favoráveis. Uma onda de populismo nacionalista tem invadido diversos países e colocado ou recolocado no poder lideranças que usam e abusam do discurso demagógico da defesa dos fracos e dos oprimidos contra a ganância das elites e contra o imperialismo ianque.Foi com esta retórica de fácil aceitação entre as massas desfavorecidas que políticos do porte de Evo Morales(Bolívia),Rafael Correa( Equador), Daniel Ortega( Nicarágua), Lula ( Brasil) se incorporaram ao time comandado pelo venezuelano.

A matéria-prima que possibilita a ascensão e dá sustentação a este tipo de dirigente é uma só: e extrema pobreza na qual vivem milhões de pessoas no continente. Carentes, fragilizados e deseducados, esta imensa massa é presa fácil do discurso simplista e propositalmente maniqueísta destes políticos, que insiste em atribuir à perversidade das elites e à ganância capitalista a origem de todos os males sociais. Com isto, colocam-se como paladinos do bem na luta contra os exploradores do povo.

Sabemos que não é tão simples assim. Muitíssimo mais do que vítimas indefesas de uma política intencionalmente perversa, perpetrada pela elite econômica em conluio com o governo norte-americano, estas populações são vítimas de mazelas seculares, resultantes de sua histórica incapacidade de gerir o seu próprio destino.Muito antes de buscarmos entender as razões do atraso econômico e social destes países numa suposta aliança entre as “elites” e o capital imperialista, melhor seria se as buscássemos no ambiente político, econômico e social de cada um destes países, onde certamente encontraríamos os germes de seu subdesenvolvimento: uma mistura de descaso secular com a educação, ineficácia e corrupção no setor público, ausência de investimentos no setor produtivo e falta de uma política de planejamento familiar,. ou controle da natalidade, para sermos mais precisos..

Ao desviar o foco da questão e insistir na repetição de velhos chavões, os líderes desta esquerda populista sinalizam que preferem continuar usando estas populações como gigantescas massas de manobra para seus projetos de poder. Projetos esses que passam ao largo do compromisso com a democracia, pois pressupõe mudanças na Constituição, controle do Congresso, cerceamento da liberdade de imprensa e enfraquecimento das instituições democráticas, tal como acontece neste momento na Venezuela e na Bolívia, e pode vir a acontecer no Brasil e nos demais países sob a tutela destes novos demagogos. Não é sem motivo que muitas cabeças lúcidas deste país têm alertado para os rumos perigosos que o segundo governo Lula poderá tomar, caso ele resolva incorporar de vez o espírito chavista.

O fato é que a integração latino- americana nos moldes pretendidos por Hugo Chávez, é uma grande falácia que poderá levar parte da América Latina a um ambiente de conturbação política que certamente resultara em fuga de capitais, mais atraso econômico e maior desigualdade social. Melhor seria se ao invés de embarcar na irresponsabilidade demagógica de Chávez, o governo brasileiro se mirasse no exemplo do Chile, onde uma política sensata de atração de capitais, incentivo à educação e moralização do setor público tem feito o país manter razoáveis índices de crescimento econômico.Mas seriedade e bom senso são artigos raros no atual governo brasileiro.
111206

sexta-feira, dezembro 08, 2006

CEIA MACABRA



CEIA MACABRA
REINALDO AZEVEDO*
Lula ficou quase cinco horas com Chávez. Dá para supor quem estava dando lições a quem. Como o próprio Babalorixá de Banânia já disse, a Venezuela tem democracia até demais, não é mesmo? Por aqui, assistimos aos primeiros rasgos do Lula à moda bolivariana. E o alvo é a imprensa. O PT vai tentar atuar com um pouco mais de cuidado porque a sociedade brasileira é mais complexa. Mas as ações para encabrestar o jornalismo estão em curso. Por enquanto, os veículos dos amigos estão sendo compensados com a papa do dinheiro oficial. Dá para imaginar o que planejam para os inimigos
É escandalosa tanta proximidade com um chefe de Estado que acaba de anunciar que vai mudar a Constituição — e ele tem maioria para isso — para instituir a reeleição sem limites no país. É uma lei que só tem um beneficiário: o próprio Chávez. Enquanto o petróleo lhe garantir os dólares do assistencialismo, ele vai continuar no poder, comandando um simulacro de democracia. Ah, quanta inveja Miraflores provoca no Planalto!

Como vocês podem ler abaixo, os dois países não avançaram quase nada em ações bilaterais. E Chávez ainda consegue atrapalhar o Brasil e o Mercosul. A razão é muito simples: à parte o seu petróleo, ninguém quer saber dele, um maluco com retórica exacerbadamente antiamericana, que diz estar dando passos para conduzir a Venezuela ao socialismo. O Doido de Caracas está, imaginem só!, revendo os conceitos dessa tal “propriedade privada”. Com Chávez, o Mercosul vira um circo.

Mas Lula, está posto, é seu principal aliado. A grande imprensa gosta de supor que o Foro de São Paulo, que reúne líderes e partidos de esquerda da América Latina, fundado por Lula, é uma fantasia um tanto paranóica. Claro! Prefere acreditar que os que acusam a sua existência apontam para alguma entidade secreta. Para começo de conversa, de secreta não tem nada. O PT e o presidente se orgulham de seu feito. O Foro de São Paulo é isso que vimos nestes dois dias: Chávez vem ao Brasil anunciar o seu projeto ditatorial, comemora com Lula e ainda se atreve a oferecer o “seu” petróleo para o crescimento do Brasil (leia abaixo). À esteira da reunião, ficamos sabendo que o Apedeuta pretende visitar o ditador Fidel Castro. O Foro de São Paulo é o que vimos na Bolívia: Evo Morales “tomou” a Petrobras do Brasil, mas não de Lula, que deu de presente a empresa dos brasileiros aos “oprimidos” bolivianos. O Foro de São Paulo é esta contínua degradação da democracia no continente.

O governo Lula, no fim das contas, é isto: enquanto o chefe da nação confraterniza com um tiranete de manual, ambos sonhando com a constituição de um novo eixo de poder no mundo de que seriam protagonistas, os brasileiros penam nos aeroportos: sem avião, sem banho, sem comida, sem o direito de ir e vir. O presidente quer distância da crise. Ela acontece num outro país: o real. Deixa o homem sonhar. Ele prefere as utopias redentoras que o espírito do vinho anima. Dois provincianos perdidos no oco da América Latina a planejar irrelevâncias para povos cada vez menos relevantes...


* http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/

segunda-feira, dezembro 04, 2006

AS SETE PRAGAS DO BRASIL

Será possível construir no Brasil uma sociedade livre, democrática e consciente e assentada num ambiente econômico de plena liberdade e de desenvolvimento integral ? Acredito que sim. Não a curto prazo, mas dentro de um período razoável, em que os jovens de hoje ainda possam usufruir dos frutos desta desejada nova era.Mas, nada de falsas utopias. Para se chegar lá é preciso de muito trabalho,estudo, esforço e poupança. E que nos livremos destas sete pragas que infestam o país e nos impedem de trabalhar e de construir.


Sete pragas do Apocalipse são profecias. As pragas do Brasil são reais.

AS SETE PRAGAS DO BRASIL

Tal como no Egito bíblico, o Brasil tem sido vitima de sete terríveis pragas, que dificultam o seu desenvolvimento. Diferente, entretanto, do Antigo Egito,as pragas que assolam o nosso país não são desígnios de algum deus, mas tão somente um castigo que nos tem sido imposto por uma casta de privilegiados que se apossou do estado brasileiro.Isto mais a permanência entre nós de certos costumes que criaram raízes, e que são frutos de uma mistura de tradição e de ignorância, explicam o fato do Brasil não andar para frente.

As tais pragas penetraram bem fundo nas nossas estruturas econômicas, políticas e sociais, e, algumas delas, se incorporaram à nossa própria cultura. Sendo assim, o Brasil passou a ser o país aonde o futuro nunca chega, e onde todo esforço no sentido do desenvolvimento resulta inútil, a não ser que nos livremos de cada uma delas.São as seguintes pragas que infestam a vida brasileira: descaso com a educação; gigantismo do Estado; ausência do Estado; desqualificação dos nossos políticos; concentração de renda; corporativismo; populismo.Vamos a cada uma delas.

1- O DESCASO COM A EDUCAÇÃO. Nossos governantes sempre trataram a educação das crianças e dos jovens com desprezo. A educação pública sempre foi tema da demagogia eleitoral, mas passadas as eleições nada é feito para eleva-la à um nível de excelência.Os ricos se socorrem das escolas particulares , que ainda oferecem uma qualidade de ensino menos ruim do que as públicas. Os pobres ficam condenados a engolir um ensino de péssima qualidade, ministrado por professores desqualificados e desmotivados pelos baixos salários. O resultado é evidente: anualmente milhões de jovens concluem o ensino fundamental ou médio completamente despreparados tanto para o mercado de trabalho quanto para o exercício da cidadania. O principal meio para a sua ascensão social lhes é negado pela omissão do Estado, através dos sucessivos governos.

2- O ESTADO GIGANTE. O Estado brasileiro se agigantou de tal modo a se tornar no grande empecilho ao desenvolvimento.Isto , nas três esferas de poder ( executivo, legislativo e judiciário ), e nos três níveis da administração( federal, estadual, municipal ). A máquina estatal, com o seu cipoal de regulamentos, e sua pesadíssima carga de tributos - cerca de 40% do PIB - tira todo o estímulo ao livre empreendimento econômico e, portanto, contribui para a estagnação econômica e para o desemprego.Os empresários e os trabalhadores são tratados como se servos medievais fossem,tal o número de impostos, taxas e contribuições que são compelidos a depositar nos cofres estatais.Ao invés de ser um agente da promoção do desenvolvimento e do incentivo à livre-iniciativa, o estado brasileiro, ao impor estas barreiras acaba por desestimular a instalação legal de empresas, levando muitos à informalidade, o que faz com que a pesada carga tributária caia sobre um número menor de empreendedores, aqueles que permanecem na legalidade. E isto gera um ciclo vicioso pois os custos dos empreendimentos são repassados ao consumidor, com o encarecimento do produto final.Mas, o pior é o destino que é dado ao que o governo retira do povo: uma grande parte, é claro, vai para o custeio desta onerosa máquina estatal, outra parte, vai para as mãos do sistema financeiro, como forma de juros de dívidas contraídas no passado.

3- O ESTADO AUSENTE. Paradoxalmente, o Estado brasileiro se faz ausente onde mais deveria se fazer presente. No campo social - educação, saúde, segurança e justiça - chega a ser criminosa a omissão dos agentes do Estado no cumprimento de funções que lhes são inerentes. Ao invés de aplicar políticas efetivas no campo social, os sucessivos governos têm se esmerado em promover políticas meramente assistencialistas que só fazem perpetuar o problema. Exemplos desta omissão estão nas filas dos hospitais públicos, no crime organizado que toma conta das favelas e bairros periféricos, das escolas depredadas, dos bairros sem saneamento, e por aí vai. O paradoxo está em que o estado se torna presente e eficiente quando se trata de tomar o dinheiro do contribuinte ,e completamente ausente quando se trata de prestar serviços à população.

4- A ( PÉSSIMA ) QUALIDADE DOS POLÍTICOS. O nosso país tem sido castigado, eleição após eleição, com uma safra de políticos que nos dão pouquíssimas esperanças de que as coisas vão melhorar algum dia.Com as poucas e honrosas exceções de sempre, os nossos políticos têm se caracterizado pelo cultivo ao carreirismo, ao nepotismo,ao fisiologismo, à demagogia e ao populismo, quando não encontramos casos de corrupção explícita.Fazem da atividade pública menos um meio para se promover o bem coletivo do que um caminho para se alcançar e se perpetuar no poder, com tudo o que isso pode trazer de benefício pessoal. Alguém já disse que os políticos de um país são o retrato fidedigno do povo que os elegeu. Se assim for, o retrato do povo brasileiro não é nada dignificante.Prefiro acreditar que os nossos políticos sejam uma cópia corrompida do nosso povo, não um retrato fiel.E que a melhor qualificação do nosso povo através da educação tornará possível também um quadro de políticos mais qualificados e honrados.

5- A RENDA CONCENTRADA. O Brasil é um país extremamente desigual, onde a maior parte da renda está concentrada nas mãos de meia dúzia. Este é um fato gritantemente óbvio, e o argumento preferido de certos setores da esquerda para desqualificar o sistema capitalista e a liberdade econômica.Segundo eles, é o sistema capitalista em sua versão mais liberal o grande gerador da concentração de renda e da conseqüente desigualdade social aqui existente.Ao contrário do que afirmam, é justamente a falta de tradição do país no campo da livre-iniciativa e dos empreendimentos lucrativos que geram empregos e democratizam a renda, a razão de tamanha desigualdade.Esta tradição é que possibilitou no país o crescimento das instituições parasitas, que são, estas sim , as verdadeiras responsáveis pela concentração da renda nacional.Falo do Estado brasileiro que arrecada em impostos cerca de 40% do PIB nacional e também do sistema financeiro especulativo - bancos - beneficiado pela política de juros altos. São estes os maiores responsáveis pela concentração de renda no país.Num país onde muitos se acostumaram a viver das benesses do Estado e da especulação financeira,os setores produtivos ligados ao capital e ao trabalho são os maiores prejudicados. Talvez aí esteja a explicação do porquê o governo e os bancos neste país se entenderem tão bem.

6- O CORPORATIVISMO. Outra herança típica do medievalismo que ainda se faz presente em nossa mentalidade é o corporativismo que permeia a maioria das associações de classe, sindicatos profissionais e patronais, conselhos profissionais, partidos políticos e associações diversas.A maioria deles é incapaz de enxergar além dos próprios umbigos. Colocam a defesa dos seus interesses particulares acima de quaisquer interesses de ordem mais abrangente. O corporativismo é mais grave ainda porque se torna um valor em si mesmo, um fim a ser alcançado pelos agentes de instituições públicas.É o que acontece quando congressistas e magistrados defendem, cinicamente, o aumento dos seus próprios vencimentos e de suas mordomias, ou quando tentam acobertar colegas pilhados em atos pouco dignos.Também no campo privado, a falta de tradição para a concorrência, e a falta de iniciativa no campo do livre empreendimento , levam muitos a se associarem em alguma forma de cartel, que não tem outro objetivo a não ser o de impedir a entrada de novos concorrentes. Tudo isto é um entrave ao desenvolvimento.

7- O POPULISMO. É outra marca registrada do Brasil. A fraqueza histórica das instituições, bem como a alienação política de grande parte da população,fizeram com que alguns governantes assumissem um certo tipo de liderança que, desprezando ou subjugando as instituições democráticas, procuraram manter uma relação direto com a massa popular, colocando-se como paladinos de suas causas.Alguns, como Getúlio Vargas, conseguiram relativo sucesso, outros , como Jânio e Collor, não passaram de meros farsantes. O fato é que o populismo no Brasil tornou impossível a existência de projetos de governo consistentes, de médio e longo prazo, uma vez que são características destes governos promessas demagógicas e políticas urgentes que atendam ao clamor da massa por medidas imediatas. Quase sempre, os governos populistas não terminam bem: Vargas suicidou; Jânio renunciou, Jango foi deposto por um golpe; Collor teve os seus direitos políticos cassados, e Lula ainda é uma exceção, porque mesmo carregando nas costas um governo denunciado por corrupção, teve apoio popular suficiente para se conservar no poder e ser reeleito com 60% dos votos válidos.Mas a sua história ainda não terminou. O fato é que no Brasil, a presença do populismo tem se mostrado trágica para a democracia, uma vez que atitudes irresponsáveis destes governantes têm levado à sucessão de crises políticas que acabam abrindo caminho para a instalação do autoritarismo, como aconteceu em 1964.. Os governantes populistas se fixam num anseio nacional e fazem dele a sua bandeira: Vargas tinha a defesa do nacionalismo e do trabalhismo; Jânio, a defesa da moralidade pública; Jango, as reformas de base; Collor, a caça aos "marajás", e Lula o combate à fome e ao desemprego.O populismo é uma chaga que enfraquece as instituições, tornando-as submissas ao executivo, desvaloriza os projetos sérios em troca de propostas demagógicas, fortalece o personalismo e o clientelismo político, enfraquece a cidadania e é um entrave à consolidação da democracia e ao progresso do país.

Será possível construir no Brasil uma sociedade livre, democrática e consciente e assentada num ambiente econômico de plena liberdade e de desenvolvimento integral ? Acredito que sim. Não a curto prazo, mas dentro de um período razoável, em que os jovens de hoje ainda possam usufruir dos frutos desta desejada nova era.Mas, nada de falsas utopias. Para se chegar lá é preciso de muito trabalho,estudo, esforço e poupança. E que nos livremos destas sete pragas que infestam o país e nos impedem de trabalhar e de construir.
041206