quinta-feira, novembro 23, 2006

POBRE FUTEBOL

O falecido treinador Flávio Costa costumava dizer que o futebol brasileiro só era eficiente dentro das quatro linhas, já que fora delas a desorganização era total. Isto num tempo em que os maiores craques ainda desfilavam pelos nossos gramados. Hoje em dia, a desorganização e o pouco profissionalismo afetaram o brilho dos gramados.


Ronaldinho, do Barcelona: O melhor futebol do Brasil é jogado na Europa.
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O atual futebol brasileiro vive uma situação parecida com a de países colonizados , ricos em recursos naturais, porém meros fornecedores de matérias-primas para as nações desenvolvidas. Transformou-se, nas últimas décadas, em uma grande fornecedor de jogadores para clubes europeus, asiáticos e norte-americanos. Mal o jogador, ainda muito jovem, alcança um certo destaque, já é negociado, geralmente por meio de algum “empresário”, para clubes no exterior. A situação chegou a tal ponto que os campeonatos disputados no Brasil se ressentem da completa ausência de craques e de ídolos, uma vez que estes desfilam suas habilidades em gramados europeus.

Se no passado, por exemplo, o Santos podia se orgulhar de Pelé, o Botafogo de Garrincha, o Palmeiras de Ademir da Guia, o Flamengo de Zico, o Cruzeiro de Tostão, hoje estes e outros clubes mal conseguem manter o mesmo time além de seis meses, tamanha é a movimentação de jogadores de um clube para o outro e, principalmente, para o exterior. O resultado é uma queda drástica, para pior, na qualidade do futebol disputado no Brasil.

A forma amadora como os nossos clubes são dirigidos é outro fator determinante para a queda da qualidade do nosso futebol. Dirigentes que fazem dos clubes de futebol verdadeiras propriedades particulares, exercendo o poder de modo discricionário, à revelia da maioria dos torcedores, são rotina no nosso futebol.

Manipulando o poder, sustentados por conselheiros, apanigüados e chefes de torcida comprados, trabalham no sentido de conservar indefinidamente o status quo. Assim, a maioria dos nossos clubes se torna entidades fechadas, nada democráticas e completamente refratárias a mudanças. Junta-se a este quadro o fato de as federações estaduais e a própria CBF, da mesma forma que a maioria dos clubes, serem controladas por oligarquias que se perpetuam no poder através da fraude eleitoral e da manipulação de verbas. Nada ficam a dever às práticas corruptas e fisiológicas de grande parte dos nossos políticos profissionais.

Evidentemente, um futebol gerido desta forma não tem força competitiva para segurar no Brasil os craques que hoje brilham em gramados do exterior. Quando um clube consegue implantar um modelo de gestão acima da média, os resultados não tardam a aparecer. É o caso do São Paulo, que não por outro motivo acaba de conquistar o campeonato nacional com todos os méritos.

O falecido treinador Flávio Costa costumava dizer que o futebol brasileiro só era eficiente dentro das quatro linhas, já que fora delas a desorganização era total. Isto num tempo em que os maiores craques ainda desfilavam pelos nossos gramados. Hoje em dia, a desorganização e o pouco profissionalismo afetaram o brilho dos gramados. O atual futebol praticado no Brasil é uma espécie de segunda divisão do “futebol brasileiro” jogado na Europa. Lá estão os melhores jogadores. Aqui ficam os jogadores em fim de carreira, os apenas razoáveis e os ainda muito jovens. O melhor futebol do Brasil é jogado na Europa.
231106

5 comentários:

Jairogh disse...

Vc tem razão no seu comentário, mas não vejo uma saída. Como concorrer com os dólares oferecidos pelo exterior?Os jogadores tem que sair mesmo em busca de estabilidade financeira. É claro que a cartolagem também atrpalha, e muito. Os clubes vivem com os salários atrazados.Á decadência do futebol brasileiro é total!!!

Comentarista famoso disse...

Veja o Brasileirão 2006. Do ponto de vista do futebol, sim, esse jogo da paixão, da técnica, dos esquemas táticos, do improviso, do imprevisto, o campeonato foi uma lástima. O nível foi baixíssimo. A não ser o São Paulo que não é grande coisa, nenhuma outra equipe despontou pelo conjunto, pela organização tática, pelo poder de fogo de seus atacantes. Individualmente, é difícil apontar candidatos ao "craque" do ano e ao jogador revelação, que sejam incontestáveis, tal como aconteceu no ano passado com Tevez eleito o melhor jogador e Rafael Sóbis a revelação. Futebolisticamente falando e a exemplo dos últimos anos, o Brasileirão foi um horror, com um ou outro jogo que valeu a pena serem vistos.

nildo disse...

É triste ver 99% dos times do Brasil com a qualidade lá no fundo do poço, torço pelo Náutico, o que me coloca torcedor de algo que faz parte desses 99%, acredito que tirando o São Paulo, nenhum outro time Brasileiro é mais de chegada, considerando que o Internacional tá capenga e deverá fazer feio no mundial. Lástima, futebol brasileiro e como política brasileira, muita falação, muita demagogia e pouca qualidade.

nidia disse...

Olá Fernando
Quando o dinheiro fala mais alto, os caminhos escolhidos nem sempre levam ao melhor resultado. Quem vive em função do dinheiro e do poder se esquece de valores morais,respeito, consideração, discernimento, bom senso, etc, e quase sempre lança mão de formas nem sempre éticas e lógicas para ter seu espaço garantido e não se sentir vulneravel, atitudes que muitas vezes trazem consequencias que fogem do domínio. O futebol brasileiro (como a política) é um mar de lama. Uma vergonha para a nação.
Na política sou favorável a que se exija uma reforma prá valer, que nos traga mais dignidade, que não nos coloque em situações onde não temos escolha, e que nos obriga a mantermos esses f.d.p. no poder. Prá começar o voto não pode ser obrigatório. Outra coisa, o voto nulo tem que valer. O cidadão tem que ter essa alternativa se ele não concorda com os candidatos apresentados. Na contagem dos votos, se o voto nulo é em maior nº a eleição tem que ser anulada. Temos que acabar com essa palhaçada.
Um abraço

Fernando Soares disse...

Pois é , Nidia.
As promessas eleitorais foram esquecidas. Educação, saude, segurança, infra-estrutura ficaram nos palanques. Agora é hora de cada qual cuidar da sua vidinha, afinal o bolo governamental é grande e Lula anda muito generoso. O PMDB que o diga. Enquanto isto, deputados e senadores já falam em elevar o seu salário até o teto, enquanto os nobres ministros do Supremo, insatisfeitos com o teto, querem um sobreteto. Para nós , pobre mortais fica reservado mais uma duzia de impostos, o congelamento dos salários e os aumentos de tarifas que virão com certeza, mal comece o ano de 2007..
Outro abraço