quarta-feira, novembro 22, 2006

O FALSO DESENVOLVIMENTISMO

Nada está a indicar que Lula estaria disposto a aplicar aquilo que os governantes gostam de chamar “choque de gestão”, ou seja, fazer o setor público ficar mais eficiente com a redução drástica de órgãos, cargos e funções inúteis , de tal modo que mais recursos possam ser destinados para setores prioritários da administração. O que não acontece atualmente.


A busca do crescimento a todo custo poderá trazer de volta a corrida inflacionária.
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Aumentam as pressões para que o segundo mandato de Lula seja marcado pelo aumento da capacidade de investimentos do Estado, numa tentativa de acelerar o crescimento econômico do país, um dos pontos fracos do seu primeiro mandato.Como se sabe, sob pressão do FMI e motivado pela necessidade de dar continuidade à política econômica restritiva que vinha sendo adotada desde o governo FHC, Lula, através da dupla Palocci-Meirelles, manteve uma política econômica onde os pilares fundamentais foram a manutenção de superávits primários como forma de honrar as dívidas, o estabelecimento de metas inflacionárias e a manutenção das taxas de juros em níveis elevados.

Se o resultado de tal política, por um lado, garantiu a manutenção da estabilidade monetária, com taxas inflacionárias reduzidas, por outro lado, e segundo os atuais defensores do “desenvolvimentismo”, foi a razão principal do pífio crescimento econômico no primeiro quadriênio do governo Lula.Não é por outro motivo que em setores da oposição e dentro dos próprios quadros do governo, inicia-se um movimento pela mudança da política econômica, no sentido de liberta-la das amarras do monetarismo do Banco Central, dando ao governo mais flexibilidade nos gastos públicos, principalmente no que se refere a investimentos em infra-estrutura.Que os investimentos em infra-estrutura são necessários, é inegável. Mas o perigo reside no fato de que o aumento desordenado dos gastos possa conduzir à disparada inflacionária.O que fará com que o desejado crescimento se dê sobre bases inseguras.

Mas estará na política adotada pelo Banco Central a causa principal do entrave ao crescimento econômico? A meu ver, a atual baixa capacidade de investimento do Estado se deve muito menos à política econômica mantida pelo Banco Central e muito mais aos excessivos e inúteis gastos governamentais com a manutenção da máquina governamental ,com a Previdência Social, e com as políticas assistencialistas de cunho populista. E, sob este ponto de vista, nada está a indicar que Lula estaria disposto a aplicar aquilo que os governantes gostam de chamar “choque de gestão”, ou seja, fazer o setor público ficar mais eficiente com a redução drástica de órgãos, cargos e funções inúteis , de tal modo que mais recursos possam ser destinados para setores prioritários da administração. O que não acontece atualmente. Mesmo com a racionalização do setor público e uma redução drástica nos gastos inúteis, obras de infra-estrutura necessitam de uma soma de recursos muito além da capacidade de investimento do Estado.Sendo assim, uma solução poderia vir do incremento das parcerias Público Privadas – as PPPs – como modo de aliviar o estado da carga de investimentos necessária para impulsionar o desenvolvimento.

É necessário acentuar que o desejado crescimento econômico do País está muito mais ligado à liberação das forças produtivas da iniciativa privada do que à interferência do Estado no processo econômico, como muitos estão a exigir agora. Este já faria muito se aliviasse os setores produtivos da complexidade burocrática e da carga de impostos aos quais estão submetidos. A cultura secular de que tudo depende da atuação onipresente e centralizada do Estado tem que ser substituída pela cultura de uma ampla liberdade individual e econômica, ancorada na presença de um estado enxuto, porém eficiente e voltado integralmente para seus objetivos básicos: educação, saúde , segurança e justiça. É o que falta ao Brasil.
221106

2 comentários:

Anônimo disse...

Não existe inflação de demanda no Brasil. A inflação neste país é causada pelos gastos absurdos do governo.Portanto, investimentos em atividades produtivas não ocasionarão a disparada da inflação.

NAM disse...

Roubar , roubar roubar. É para isto que vem servindo o governo e toda a corja de políticos. Como falar então em desenvolvimento?Se o governo diminuisse os impostos absurdos talvez sobrsse algo para se aplicar em investimento que gerariam empregos.