quarta-feira, novembro 01, 2006

O DILEMA DE BUSH

Bush parte enfraquecido para as eleições legislativas, e tendo diante de si um dilema: o que fazer com o Iraque?Aumentar ainda mais o efetivo militar na região poderia significar o mergulho num turbilhão sem fim, com o aumento do número de mortos e de feridos. A retirada total das tropas poderia significar o reconhecimento da inutilidade da empreitada e a desmoralização política de Bush e de seu partido, conduzindo certamente, não apenas à perda das eleições legislativas deste ano, mas também a perda da presidência.



O DILEMA DE BUSH

O presidente norte-americano George W Bush cumprimentou Lula pela vitória e aproveitou para pedir sugestões de como ganhar eleições. Como se ele não fosse também especialista no assunto, apesar de seu primeiro mandato ter sido conseguido de maneira duvidosa. O que preocupa Bush é o fato de ter se metido numa enrascada e correr o risco de perder para os democratas as eleições parlamentares de 7 de novembro. Tudo por conta do impasse surgido pela desastrada intervenção norte-americana no Iraque.

O sentimento contrario à intervenção é crescente na sociedade norte-americana, e isto se reflete nos resultados das pesquisas eleitorais que vêm dando uma vantagem aos democratas de 49% a 38% .Muitos dos que há cerca de três anos apoiavam incondicionalmente as ações de Bush, agora passaram a vê-las como inútil. Na verdade, todo este processo de intervenção armada promovida por Bush, sob o pretexto de varrer o terrorismo do mundo, se, aparentemente, foi coroado de êxito no Afeganistão -um quase deserto controlado por um bando de aloprados talibãs – no Iraque, revelou-se um colossal fracasso. Além de não ter eliminado o terrorismo, alastrou o caos e não conseguiu dar estabilidade ao arremedo de governo democrático imposto ao país. Enfim, transformou o país num sorvedouro de vidas e de dinheiro do contribuinte.

É bom recordar que há três anos, a sociedade norte americana, ainda traumatizada pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 apoiou incondicionalmente as ações agressivas de Bush no Iraque, mesmo que estas ações tenham sido deflagradas sob documentos falsos e pretextos falaciosos, como o que atribuía ao Iraque a posse de um grande arsenal de armas químicas de grande poder destrutivo.Mais tarde, o próprio governo norte-americano foi forçado a reconhecer que mentira.

O crescente envolvimento armado dos Estados Unidos no Iraque ressuscitou a lembrança da escalada norte-americana no Vietnã nas décadas de 60 e 70. Como se recorda, arvorando-se em justiceiro do mundo livre, os Estados Unidos envolveu-se numa desastrosa guerra não declarada contra o Vietnã do Norte e seu braço armado no Vietnã do Sul, os guerrilheiros comunistas do Vietcong. Em 1975, foi obrigado a se retirar, humilhado, da península indochinesa, e a assistir a unificação do Vietnã sob a tutela dos comunistas vitoriosos. Mas para a sociedade norte americana, a cicatriz maior não foi a da humilhação, mas sim a da perda de milhares de vidas.

Ao invadir o Iraque, Bush desprezou a diversidade étnica, cultural, religiosa e política daquela sociedade, e, numa visão arrogante e míope, própria do caráter político norte-americano, julgou-se tratar apenas de eliminar Saddam Hussein, para que todo o país caísse aos seus pés. Não foi o que aconteceu.O poder de reação dos grupos nacionalistas e religiosos sunitas, partidários de Saddam, tem se mostrado mais forte do que era esperado pelo governo Bush. As tropas norte-americanas não conseguem impor a ordem no país, e muitos já pensam se não seria mais sensato simplesmente retirar-se do país.

Bush parte enfraquecido para as eleições legislativas, e tendo diante de si um dilema: o que fazer com o Iraque?Aumentar ainda mais o efetivo militar na região poderia significar o mergulho num turbilhão sem fim, com o aumento do número de mortos e de feridos. A retirada total das tropas poderia significar o reconhecimento da inutilidade da empreitada e a desmoralização política de Bush e de seu partido, conduzindo certamente, não apenas à perda das eleições legislativas deste ano, mas também a perda da presidência daqui a dois anos. O fato é que, passada a força do impacto emocional casado pelos atentados de 11 de setembro, volta à tona a lembrança dos anos amargos da guerra do Vietnã.
011106

5 comentários:

sandro disse...

Fernando

Existem muito mais coisa no ar do que aviões de carreira. O jogo frio dos barões da guerra é movido pelos interesses da indústria das armas e da indústria do petróleo, no caso de GW Bush. As eleições são um intervalo neste processo contínuo de ação militar.Os interesses pacifistas da população contam mas por breve período, após o qual tudo volta ao leito normal.

SIMPATIZANTE disse...

O "Oriente Médio Vivo" tem como um de seus principais objetivos oferecer informações justas sobre os atuais conflitos no Oriente Médio.
Acesse: www.geocities.com/orientemediovivo

NIhiL disse...

O dilema de bush não me preocupa, o que me preocupa é o nosso, de como superar a fragilidade e inconstância desse sistema de guerra e paz pelo lucro.

NIhiL disse...

O dilema de bush não me preocupa, o que me preocupa é o nosso, de como superar a fragilidade e inconstância desse sistema de guerra e paz pelo lucro.

Anônimo disse...

Ontem após 5 horas em Congonhas esperando o embarque, o povo gritava: Fora Lula: não queremos pão, queremos avião!
Apertem os cintos, o 2o mandato nem começou.