segunda-feira, novembro 06, 2006

MARCAÇÃO CERRADA

Como nada está a indicar que Lula tenha tomado juízo e vergonha na cara, a pauta da oposição e de setores democráticos da sociedade não pode ser outra que não a de fazer marcação cerrada sobre o governo. É óbvio e natural que o governo reagirá com o surrado argumento de que a oposição está a praticar o golpismo. Não está. Golpismo é a prática da agressão sistemática e frontal ás instituições, tal como ocorreu no primeiro mandato de Lula. E ao iniciar o segundo mandato, tentar passar a borracha e fingir que nada aconteceu. O fato é que raras vezes na História do Brasil um presidente inicia o mandato sob um manto de tamanha suspeita, desconfiança e contestação da parte dos setores que prezam a legalidade, a ética e a democracia.



Fantasmas do primeiro mandato atormentam o novo mandato de Lula.

CADÁVERES INSEPULTOS
Nada no horizonte político está a indicar que o segundo mandato de Lula será promissor e auspicioso. Pelo contrário, tudo indica que teremos a continuidade de um governo medíocre e conturbado por crises. Crises geradas dentro do próprio governo, é bom que se diga e repita.. Lula carrega para o segundo mandato toda a carga de ilegalidades, malfeitos e trapalhadas praticadas pelo seu governo ao longo do atual mandato. Seu governo está sub judice. Pelo menos, três questões que envolvem ética pública e legalidade estão ainda para serem esclarecias e julgadas.

Na primeira destas três questões, o TSE apura se houve abuso de poder e corrupção eleitoral na tentativa de compra do dossiê contra políticos tucanos por parte de pessoas diretamente ligadas ao Presidente e envolvidas em sua campanha eleitoral. Caso seja comprovada a prática de ilegalidade, Lula poderá ter o seu mandato impugnado a pedido do procurador de República ou dos candidatos derrotados à presidência.

Também está sob investigação pelo TCU o caso de superfaturamento que teria ocorrido, sob responsabilidade do ministro Luiz Gushiken , na confecção de 4,9 milhões de cartilhas promocionais do governo lula. O TCU desconfia que parte do serviço nem foi executada, mas o dinheiro – 11,7 milhões – destinado ao pagamento com certeza saiu dos cofres da União.

O terceiro caso sob investigação, desta vez no âmbito do Congresso, se refere ao superfaturamento de ambulâncias entregue a prefeituras, conhecido como o escândalo da máfia das sanguessugas.Os ex-ministros da Saúde Humberto Costa e Saraiva Felipe foram convocados pela CPI para esclarecer como foi possível um esquema desta envergadura atuar junto ao Ministério sem que eles tivessem conhecimento, como alegam.

Estes três são apenas os casos mais recentes. É bom não esquecer que a denúncia do Procurador Antonio Fernando de Souza, envolvendo 40 pessoas direta ou indiretamente ligadas ao governo com o esquema valerioduto-mensalão está sob análise no STF e poderá voltar à superfície a qualquer momento, com danos definitivos ao governo e à figura do presidente.

Recentes declarações de lideranças da oposição dão a entender que o combate ao governo Lula se fará sem tréguas. Assim tem que ser. Por seu turno, membros do governo, como o ministro Tarso Genro apelam para uma espécie de “conciliação nacional” com o propósito da elaboração de uma agenda mínima, consensual, para a primeira fase do novo mandato de Lula. Dentro da normalidade,seria razoável que a oposição ouvisse este apelo e estabelecesse um período de trégua, quando menos para observar a sinceridade de propósitos do governo que se inicia. Seria razoável, repito, se estivesse o governo Lula a iniciar realmente um novo mandato. Novo, não somente no sentido cronológico, mas também no sentido moral e ético, demonstrando sinceridade de propósitos. Mas não é o que acontece.

Os cadáveres do primeiro mandato estão todos aí, muitos deles à mostra, sem terem sido submetidos à necrópsia, enquanto outros permanecem escondidos. Em nenhum momento do governo ou da campanha eleitoral, Lula teve a hombridade de vir a público reconhecer os erros de seu governo e pedir desculpas sinceras, se dispondo a colaborar para uma investigação profunda e assegurando que dali em diante tudo seria positivamente diferente. Pelo contrário, o tempo todo assistimos o presidente tentando se esconder, fingindo que não era com ele, mentindo continuamente e sendo complacente para com seus subordinados faltosos.Se agiu desta forma, e não fez o mea-culpa devido, é porque ele deve ter o que esconder.

O segundo mandato promete ser uma continuação piorada do primeiro. Na formação da futura maioria no Congresso o presidente já negocia apoios para a formação do novo governo nos mesmos moldes em que atuou para formar o governo que agora se encerra. Lula negocia com o PMDB e com os pequenos partidos, dentro do mesmo esquema fisiológico do toma-lá-dá-cá que marcou o atual mandato, e que foi a origem do mensalão denunciado por Roberto Jefferson.

Portanto, como nada além do apelo de alguns políticos petistas pela conciliação, está a indicar que Lula tenha tomado juízo e vergonha na cara, a pauta da oposição e de setores democráticos da sociedade não pode ser outra que não a de fazer marcação cerrada sobre o governo. É óbvio e natural que o governo reagirá com o surrado argumento de que a oposição está a praticar o golpismo. Não está. Golpismo é a prática da agressão sistemática e frontal ás instituições, tal como ocorreu no primeiro mandato de Lula. E ao iniciar o segundo mandato, tentar passar a borracha e fingir que nada aconteceu. O fato é que raras vezes na História do Brasil um presidente inicia o mandato sob um manto de tamanha suspeição, desconfiança e contestação da parte dos setores que prezam a legalidade, a ética e a democracia.

061106

4 comentários:

indignado disse...

O fato é que os criminosos da turma do lulla são investigados, denunciados e ... Mais nada!Nada acontece! Incrível! É só falação e mais falação.Quero ver prender algum amigo do Lulla. Duvido! Se prenderem alguém, Lulla vai junto, e sabe disso.

ghiraldelli disse...

Concordo com o conteúdo de suas críticas.
Enquanto isso, no Brasil: "Deixa o homem trabalhar" é a antítese da democracia. É o equivalente do PT ao "Brasil. Ame-o ou deixe-o". Ou seja: se o cidadão deseja fiscalizr, participar e interferir no processo de tomada de decisões, para evoluir a democracia representativa para uma forma mais participativa, é taxado de golpista.
A democracia participativa vai muito além do voto. É bom para o país e fortalece as instituições. A corrupção virou ferramenta de governo, sem a qual o companheiro Lula não consegue "trabalhar".

val disse...

A VERDADE É que um governo corrupto, que usa mentiras , calunias e factóides para se reeleger, portanto uma reeleição discutivel, tem tudo para levar o Brasil para o lanterninha.
Isso se não sumir do mapa antes.

Quem diz que não aprova privatizações mas pratica doações do patrimônio público, certamente levará este país ao abismo.
Só não concordo quando o autor do artigo, Fernando, diz que a oposição vai fazer marcação cerrada. Acho esta oposição frouxa demais para isto. Ela está mas para deixar a água correr e esperar 2010. É só ver o comportamento de Aécio, Serra, Alckmin, Jereissati .
Os unicos que pegam firme contra o governo são alguns políticos do PFL. mas o PFL saiu enfraquecido nas eleições.

ed disse...

DEXA U HOME TRABAIÀ!!!
quando será mesmo que isso vai acontecer? Será que ele vai conseguir fechar as contas deste primeiro mandato? Será que ele será absolvido de todos as mancadas que seus companheiros fizeram? Será que ele vai conseguir reunir pessoas menos alopradas para seu ministério?
Será??? Será???