quarta-feira, novembro 29, 2006

SEM OPOSIÇÃO É FÁCIL

Lula já disse que governar para os pobres é fácil. Deve achar mais fácil ainda governar sem oposição. É o sonho de dez entre dez governantes com pouca afeição à democracia.; Não ter, constantemente, nos seus calcanhares, pessoas a criticar, fiscalizar, cobrar, organizar CPIs e tudo mais que é possibilitado à oposição fazer num regime democrático, deve ser o melhor dos mundos para este tipo de governante.

SEM OPOSIÇÃO É FÁCIL

Lula já disse que governar para os pobres é fácil. Deve achar mais fácil ainda governar sem oposição. É o sonho de dez entre dez governantes com pouca afeição à democracia.; Não ter, constantemente, nos seus calcanhares, pessoas a criticar, fiscalizar, cobrar, organizar CPIs e tudo mais que é possibilitado à oposição fazer num regime democrático, deve ser o melhor dos mundos para este tipo de governante.

Felizmente para a democracia, todos os governos anteriores ao atual ,desde o general Figueiredo, sofreram pesada marcação e não tiveram a tranquilidade que Lula pretende para o seu segundo mandato. O PT não permitiu. Fazendo uma oposição extremada e muitas vezes intransigente , Lula e seus companheiros praticaram durante as duas décadas e meia de oposição, tudo aquilo que, hoje, querem evitar que seja feito por seus adversários.

Lula ,guiado pelo seu Ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, se encantou com a palavra “coalizão” e partiu célere para cooptar o maior número possível de partidos, a começar, é claro, pelo sempre disponível e fisiológico PMDB. Não satisfeito, já fala em conversar com todos, inclusive com os de oposição, em busca de uma pretendida trégua, tão necessária a um governo que inicia um novo mandato com as feridas não fechadas do mandato anterior.

A oposição, formalmente representada pelo PSDB, PFL e PDT, tem se comportado de maneira dúbia e reticente. É certo que aos governadores destes partidos não interessa um clima de confronto com o governo, logo no início de seus mandatos.. Para isto, tendem a influenciar as suas bancadas no Congresso no sentido de votar favoravelmente ao governo ,em troca da boa vontade de Lula para com os seus respectivos governos.

No Congresso, este clima de boa vontade recíproca chegou a tal ponto que tem influenciado para pior o trabalho da CPI dos sanguessugas, que anda devagar, quase parando. Não fosse pela dedicação de alguns poucos parlamentares, à frente Fernando Gabeira e Raul Jungmann, e os trabalhos desta CPI estariam paralisados ou definitivamente encerrados por falta de quorum e de interesse. A oposição, antes tão assídua nos trabalhos de investigação, agora se ausenta e mostra pouco apetite, parecendo torcer para que tudo termine sem grandes traumas para o governo. Os “aloprados”, figuras menores neste imbróglio, que fiquem com a culpa de tudo.

Com um Congresso dócil, partidos políticos fisiológicos, e uma oposição pouco disposta à luta, os cerca de 40 milhões de eleitores que no segundo turno votaram em Alckmin, sinalizando o desejo de uma oposição forte e atuante, sentem-se, agora, órfãos.

291106

segunda-feira, novembro 27, 2006

A NOMENKLATURA BRASILEIRA

Felizmente, não vivemos sob o totalitarismo, e talvez não precisemos de uma revolução para colocar um freio neste festival de cinismo e desfaçatez de nossa nomenklatura tupiniquim. Mas algo precisa ser feito, em nome do aperfeiçoamento da nossa frágil democracia, e para o bem dos nossos bolsos.


A presidente do STF, Ellen Gracie, destacado membro da nomenklatura brasileira reividica um aumento salarial...

A NOMENKLATURA BRASILEIRA

O Brasil possui, como se sabe, uma casta de privilegiados que se alimenta fartamente do dinheiro público. São pessoas que, por força de eleição, nomeação ou concurso, ocupam posições de destaque na hierarquia política e administrativa e fazem de suas carreiras ou mandatos um negócio altamente rentável em comparação com a maior parte da população que vive as agruras do dia a dia na luta pela sobrevivência.

Estes privilegiados ocupam os altos escalões do executivo, do legislativo e do judiciário. São ministros do Supremo, desembargadores e juizes dos tribunais superiores, ministros dos tribunais de conta, ministros e secretários executivos dos diversos ministérios, procuradores de estado, deputados e senadores, presidentes de estatais e de autarquias, e muito mais.Com raras e honrosas exceções, costumam desfilar sua empáfia e prepotência diante dos pobres mortais que pagam os impostos que os sustentam. São especialistas na formulação de leis que os beneficiam, muito mais do que leis que beneficiam a maioria da população. Pouca importância parecem dar à causa pública, afinal de contas, a razão primordial da existência dos cargos que ocupam. São capazes de fazer belos discursos em defesa dos mais nobres propósitos, como os da moralização do setor público, da diminuição dos gastos perdulários, da racionalização da máquina pública até o ponto em que tais reformas não toquem nos seus privilégios. Neste ponto, o discurso muda e eles passam a defender a manutenção de suas vantagens como uma necessidade para se manter a “eficiência do estado”.

Para fundamentar o que eu estou a dizer, neste momento estamos assistindo a mais um episódio de cinismo e desfaçatez protagonizado pelos mesmos atores de sempre: membros do alto escalão do judiciário e do legislativo numa batalha pelo aumento de seus próprios vencimentos. Deputados e senadores consideram o seu salário básico – R$12.700,00 – insuficiente, e querem nada mais do que a sua equiparação ao salário dos ministros do STF que é de R$24.500,00, o que significa um aumento de 91%. Seria “irrisório’ o salário dos nobres parlamentares não fosse o fato de ele vir acompanhado de uma série de vantagens tais como verba de gabinete, verba indenizatória, cota postal e telefônica, auxílio moradia, passagens aéreas, material gráfico, o que eleva o total de vantagens a algo em torno de R$103 000,00 mensais.A reação a mais esta tentativa de assalto aos cofres do contribuinte se faz através da criação de um comitê suprapartidário, cujo núcleo é constituído pelos deputados Raul Juungmann e Fernando Gabeira, e pelos senadores Jefferson Peres e Heloisa Helena.Menos mal assim.

Um aumento salarial desta ordem, além de ser um tapa na cara do cidadão contribuinte que acaba de participar de uma eleição onde os discursos e promessas dos candidatos salientavam nobres ideais no campo da educação, saúde , crescimento econômico e segurança, provocaria o efeito cascata, se multiplicando pelas assembléias legislativas e câmaras de vereadores de todo o Brasil.

Mas engana-se quem pensa que os privilegiados parlamentares federais estão solitários na luta por melhores salários. Eles têm a companhia dos não menos privilegiados membros do poder judiciário. Neste caso, a reivindicação parte da própria presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministra Ellen Gracie, que alegando uma sobreposição de atividades e sobrecarga de trabalho dos conselheiros reivindica a criação de um jeton de 12% por sessão do Conselho, o que posto em prática elevaria a remuneração de 14 conselheiros de R$ 23.275,00 para R$28.861,00. A própria Ellen Gracie que já recebe o teto de R$24.500,00, passaria a receber R$30.380,00.

Na década de 1980, uma das razões mais fortes para a derrocada do totalitarismo comunista na URSS e nos seus satélites da Europa Oriental, foi a constatação da existência na estrutura do estado de uma casta de cidadãos privilegiados que comandavam a máquina partidária e estatal e que eram em tudo e por tudo diferentes do restante da população. Detentores de mansões, casas de campo, automóveis de luxo e bens de consumo inacessíveis à maioria do povo, a nomenklatura soviética – nome pelo qual era conhecida esta casta de burocratas – soube construir o seu paraíso particular dentro do inferno de trabalho servil, pobreza e repressão política que constituía a vida da maioria do povo. Quando este desconfiou que no socialismo havia os mais iguais dentre os iguais, a queda do regime foi inevitável.

Felizmente, não vivemos sob o totalitarismo, e talvez não precisemos de uma revolução para colocar um freio neste festival de cinismo e desfaçatez de nossa nomenklatura tupiniquim. Mas algo precisa ser feito, em nome do aperfeiçoamento da nossa frágil democracia, e para o bem dos nossos bolsos. Não vamos pregar a extinção dos tribunais e das câmaras legislativas. Mas precisamos reafirmar o fato de que o preço da liberdade é a eterna vigilância, e este comportamento imoral destes altos servidores se dá, sobretudo, pelo nosso alheamento e pela nossa passividade. O fato é que quão menos atenta e vigilante estiver a sociedade, mais os grandes saguessugas do dinheiro público continuarão a agir, protegidos pelo manto da legalidade constituída por leis por eles mesmos elaboradas em seu próprio benefício.
271106

sexta-feira, novembro 24, 2006

OPOSIÇÃO NECESSÁRIA

Apóio a idéia do presidente de dialogar, mas deixo minha preocupação com a intenção de cooptar. Não há democracia em que todos apóiem o governo (CB)


O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse hoje ser contra a participação do seu partido em um eventual governo de coalizão. Apesar de não discordar com a conversa que os dirigentes pedetistas terão com o presidente Lula na próxima terça-feira, Cristovam disse que não participará desse encontro, mas antecipou sua posição, em discurso no plenário, ao alertar que a coalizão é um risco para a democracia. "Isso anula a oposição e sem oposição não existe democracia", afirmou.

O senador receia, inclusive, que o presidente tente uma manobra para conseguir um terceiro mandato, com o apoio de todos os partidos. O caminho para isso, segundo ele, seria aprovar o fim da reeleição, no Congresso, e recorrer à Justiça para que ele tenha o direito de também se candidatar, como se fosse pela primeira vez. "Acho que o Lula está querendo a unanimidade dos partidos e isso não é bom". Cristovam afirmou ser favorável ao diálogo com o presidente e que considera isso positivo. No entanto reconhece que o PDT pode colaborar com o país de outra forma. "Não estamos em guerra contra um outro país. Estamos em guerra é com a desigualdade e com o atraso".

Ele disse que acha muito difícil que o diretório nacional do partido venha a tomar qualquer decisão de apoio. Na avaliação de Cristovam, Lula estaria na verdade cooptando com a oposição. "Quem coopta se beneficia da fragilidade do outro". Ele lembrou que quando foi governador do Distrito Federal ele achou importante ter uma oposição. "Claro que para o presidente da República é melhor ser ditador. Mas isso não é bom para a democracia, que precisa de oposição", repetiu.

http://ultimosegundo.ig.com.br/

quinta-feira, novembro 23, 2006

POBRE FUTEBOL

O falecido treinador Flávio Costa costumava dizer que o futebol brasileiro só era eficiente dentro das quatro linhas, já que fora delas a desorganização era total. Isto num tempo em que os maiores craques ainda desfilavam pelos nossos gramados. Hoje em dia, a desorganização e o pouco profissionalismo afetaram o brilho dos gramados.


Ronaldinho, do Barcelona: O melhor futebol do Brasil é jogado na Europa.
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O atual futebol brasileiro vive uma situação parecida com a de países colonizados , ricos em recursos naturais, porém meros fornecedores de matérias-primas para as nações desenvolvidas. Transformou-se, nas últimas décadas, em uma grande fornecedor de jogadores para clubes europeus, asiáticos e norte-americanos. Mal o jogador, ainda muito jovem, alcança um certo destaque, já é negociado, geralmente por meio de algum “empresário”, para clubes no exterior. A situação chegou a tal ponto que os campeonatos disputados no Brasil se ressentem da completa ausência de craques e de ídolos, uma vez que estes desfilam suas habilidades em gramados europeus.

Se no passado, por exemplo, o Santos podia se orgulhar de Pelé, o Botafogo de Garrincha, o Palmeiras de Ademir da Guia, o Flamengo de Zico, o Cruzeiro de Tostão, hoje estes e outros clubes mal conseguem manter o mesmo time além de seis meses, tamanha é a movimentação de jogadores de um clube para o outro e, principalmente, para o exterior. O resultado é uma queda drástica, para pior, na qualidade do futebol disputado no Brasil.

A forma amadora como os nossos clubes são dirigidos é outro fator determinante para a queda da qualidade do nosso futebol. Dirigentes que fazem dos clubes de futebol verdadeiras propriedades particulares, exercendo o poder de modo discricionário, à revelia da maioria dos torcedores, são rotina no nosso futebol.

Manipulando o poder, sustentados por conselheiros, apanigüados e chefes de torcida comprados, trabalham no sentido de conservar indefinidamente o status quo. Assim, a maioria dos nossos clubes se torna entidades fechadas, nada democráticas e completamente refratárias a mudanças. Junta-se a este quadro o fato de as federações estaduais e a própria CBF, da mesma forma que a maioria dos clubes, serem controladas por oligarquias que se perpetuam no poder através da fraude eleitoral e da manipulação de verbas. Nada ficam a dever às práticas corruptas e fisiológicas de grande parte dos nossos políticos profissionais.

Evidentemente, um futebol gerido desta forma não tem força competitiva para segurar no Brasil os craques que hoje brilham em gramados do exterior. Quando um clube consegue implantar um modelo de gestão acima da média, os resultados não tardam a aparecer. É o caso do São Paulo, que não por outro motivo acaba de conquistar o campeonato nacional com todos os méritos.

O falecido treinador Flávio Costa costumava dizer que o futebol brasileiro só era eficiente dentro das quatro linhas, já que fora delas a desorganização era total. Isto num tempo em que os maiores craques ainda desfilavam pelos nossos gramados. Hoje em dia, a desorganização e o pouco profissionalismo afetaram o brilho dos gramados. O atual futebol praticado no Brasil é uma espécie de segunda divisão do “futebol brasileiro” jogado na Europa. Lá estão os melhores jogadores. Aqui ficam os jogadores em fim de carreira, os apenas razoáveis e os ainda muito jovens. O melhor futebol do Brasil é jogado na Europa.
231106

quarta-feira, novembro 22, 2006

O FALSO DESENVOLVIMENTISMO

Nada está a indicar que Lula estaria disposto a aplicar aquilo que os governantes gostam de chamar “choque de gestão”, ou seja, fazer o setor público ficar mais eficiente com a redução drástica de órgãos, cargos e funções inúteis , de tal modo que mais recursos possam ser destinados para setores prioritários da administração. O que não acontece atualmente.


A busca do crescimento a todo custo poderá trazer de volta a corrida inflacionária.
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Aumentam as pressões para que o segundo mandato de Lula seja marcado pelo aumento da capacidade de investimentos do Estado, numa tentativa de acelerar o crescimento econômico do país, um dos pontos fracos do seu primeiro mandato.Como se sabe, sob pressão do FMI e motivado pela necessidade de dar continuidade à política econômica restritiva que vinha sendo adotada desde o governo FHC, Lula, através da dupla Palocci-Meirelles, manteve uma política econômica onde os pilares fundamentais foram a manutenção de superávits primários como forma de honrar as dívidas, o estabelecimento de metas inflacionárias e a manutenção das taxas de juros em níveis elevados.

Se o resultado de tal política, por um lado, garantiu a manutenção da estabilidade monetária, com taxas inflacionárias reduzidas, por outro lado, e segundo os atuais defensores do “desenvolvimentismo”, foi a razão principal do pífio crescimento econômico no primeiro quadriênio do governo Lula.Não é por outro motivo que em setores da oposição e dentro dos próprios quadros do governo, inicia-se um movimento pela mudança da política econômica, no sentido de liberta-la das amarras do monetarismo do Banco Central, dando ao governo mais flexibilidade nos gastos públicos, principalmente no que se refere a investimentos em infra-estrutura.Que os investimentos em infra-estrutura são necessários, é inegável. Mas o perigo reside no fato de que o aumento desordenado dos gastos possa conduzir à disparada inflacionária.O que fará com que o desejado crescimento se dê sobre bases inseguras.

Mas estará na política adotada pelo Banco Central a causa principal do entrave ao crescimento econômico? A meu ver, a atual baixa capacidade de investimento do Estado se deve muito menos à política econômica mantida pelo Banco Central e muito mais aos excessivos e inúteis gastos governamentais com a manutenção da máquina governamental ,com a Previdência Social, e com as políticas assistencialistas de cunho populista. E, sob este ponto de vista, nada está a indicar que Lula estaria disposto a aplicar aquilo que os governantes gostam de chamar “choque de gestão”, ou seja, fazer o setor público ficar mais eficiente com a redução drástica de órgãos, cargos e funções inúteis , de tal modo que mais recursos possam ser destinados para setores prioritários da administração. O que não acontece atualmente. Mesmo com a racionalização do setor público e uma redução drástica nos gastos inúteis, obras de infra-estrutura necessitam de uma soma de recursos muito além da capacidade de investimento do Estado.Sendo assim, uma solução poderia vir do incremento das parcerias Público Privadas – as PPPs – como modo de aliviar o estado da carga de investimentos necessária para impulsionar o desenvolvimento.

É necessário acentuar que o desejado crescimento econômico do País está muito mais ligado à liberação das forças produtivas da iniciativa privada do que à interferência do Estado no processo econômico, como muitos estão a exigir agora. Este já faria muito se aliviasse os setores produtivos da complexidade burocrática e da carga de impostos aos quais estão submetidos. A cultura secular de que tudo depende da atuação onipresente e centralizada do Estado tem que ser substituída pela cultura de uma ampla liberdade individual e econômica, ancorada na presença de um estado enxuto, porém eficiente e voltado integralmente para seus objetivos básicos: educação, saúde , segurança e justiça. É o que falta ao Brasil.
221106

segunda-feira, novembro 20, 2006

AQUELA MESMA VELHA HISTÓRIA

Talvez para a imensa clientela de Lula, responsável pela sua recondução ao cargo por mais quatro anos, pouco importa a maneira como se processam estas negociações. Mas para o cidadão consciente, que espera um mínimo de ética nas relações entre os políticos, os preparativos para o segundo mandato estão a ocorrer num ambiente tão nebuloso e suspeito quanto o do primeiro mandato.


Lula quer governar com a pior parte do PMDB

Volta aquela mesma velha história.Lula precisa de maioria no Congresso para governar. Os partidos fisiológicos querem cargos e prestígio no governo que se inicia. Então estamos conversados: as negociações se dão, não em torno de idéias, teses, princípios e projetos, mas em nome de poder, influência e prestígio.

Com o PT enfraquecido pelos escândalos, mais uma vez a bola da vez está com o PMDB. Mas acontece que o PMDB é um gigante sem unidade, uma federação de partidos regionais, cada qual entregue à liderança de um cacique político, que se movem na direção do governo ou na direção oposta, dependendo das circunstâncias.Existem , portanto, um PMDB de Quércia, outro de J Sarney, outro de Jader Barbalho, outro de Renan Calheiros, outro de Sérgio Cabral,outro de Roberto Requião, e assim por diante. Existe, ainda, uma ala do PMDB, representada principalmente por gaúchos e catarinenses que parece querer preservar o verniz ideológico do antigo MDB. Mas é uma ala minoritária. A maioria quer se mover na direção o governo.

Início de mandato , mesmo que seja de um governo moralmente desmoralizado como o de Lula, é sempre uma fonte de atração para políticos e partidos que não pensam em outra coisa a não ser disputar, ministérios , secretarias, estatais, autarquias, e cargos em comissão, como cães disputam o osso. Lula já definiu quem será o seu aliado preferencial na busca pela governabilidade: é o PMDB de Sarney, Calheiros e Barbalho, políticos, como se sabe, com pouca tradição de ética, honradez e seriedade.

Talvez para a imensa clientela de Lula, responsável pela sua recondução ao cargo por mais quatro anos, pouco importa a maneira como se processam estas negociações. Mas para o cidadão consciente, que espera um mínimo de ética nas relações entre os políticos, os preparativos para o segundo mandato estão a ocorrer num ambiente tão nebuloso e suspeito quanto o do primeiro mandato.Portanto, nada de novo a nos induzir que o “novo” governo de Lula será menos ruim do que o que está por findar.
201106

quinta-feira, novembro 09, 2006

AVISO PRÉVIO

Seria um final melancólico para um presidente que iniciou o seu mandato sob a desconfiança de muitos que o julgavam fraco e incapaz, atingiu o auge da popularidade e do prestígio após os atentados de 11 de setembro de 2001,envolveu-se numa aventura militar insolúvel e retorna, agora, ao ponto de partida, vendo crescer a desconfiança e a rejeição da maioria do eleitorado norte-americano.




AVISO PRÉVIO

Feliz dos Estados Unidos cujas eleições parlamentares ocorrem em ocasião diferente da presidencial. Podem, ,desta forma, os eleitores avaliarem os erros e acertos tanto do Presidente quanto do Congresso e dar a resposta certa no momento exato. As eleições parlamentares que acabam de ocorrer nos Estados Unidos foram uma forma de julgamento tanto da maioria parlamentar republicana que prevalece desde 1994, quanto da administração de Bush. E pelo resultado final, os eleitores exigiram um basta no que estava ocorrendo: deram uma significativa vitória aos democratas.

Foram várias as causas da insatisfação do eleitorado em relação ao Congresso de maioria Republicana da última legislatura . As queixas envolviam principalmente os seguidos escândalos sexuais ,uma onda de corrupção que teria ser espalhado entre os Republicanos ,e a cultura da preguiça que fez com que esta legislatura tenha sido a menos produtiva e a que teve menor número de sessões nas últimas décadas.

Já em relação a Bush, o eleitorado lançou uma aviso prévio, por conta, principalmente, de sua desastrada aventura no Iraque , que levou a um grande desperdício de vidas e de dinheiro ,e a nenhum resultado prático. O outro calcanhar de Aquiles da administração Bush e que pode ter pesado na decisão do eleitorado, é a questão ambiental. Como se sabe, ao se recusar a assinar o Protocolo de Kyoto, que estabelece metas para redução da emissão de gazes poluentes que comprometem o clima ,, acelerando o aquecimento global, Bush teve a oposição ate mesmo de muitos de seus correligionários Republicanos. No ano passado, por exemplo,168 prefeitos de 37 estados americanos ,entre Republicanos e Democratas se comprometeram a reduzir a emissão de gazes em 7% até2012,numa atitude independente das resoluções da Casa Branca.


Bush, em que pese suas políticas simpáticas à classe média ,com a redução de impostos ,parte para seus dois últimos anos de mandato com sua saúde política seriamente comprometida ,e sob o risco de não eleger o seu sucessor daqui a dois anos. Seria um final melancólico para um presidente que iniciou o seu mandato sob a desconfiança de muitos que o julgavam fraco e incapaz, atingiu o auge da popularidade e do prestígio após os atentados de 11 de setembro de 2001,envolveu-se numa aventura militar insolúvel e retorna, agora, ao ponto de partida, vendo crescer a desconfiança e a rejeição da maioria do eleitorado norte-americano.

091106

segunda-feira, novembro 06, 2006

MARCAÇÃO CERRADA

Como nada está a indicar que Lula tenha tomado juízo e vergonha na cara, a pauta da oposição e de setores democráticos da sociedade não pode ser outra que não a de fazer marcação cerrada sobre o governo. É óbvio e natural que o governo reagirá com o surrado argumento de que a oposição está a praticar o golpismo. Não está. Golpismo é a prática da agressão sistemática e frontal ás instituições, tal como ocorreu no primeiro mandato de Lula. E ao iniciar o segundo mandato, tentar passar a borracha e fingir que nada aconteceu. O fato é que raras vezes na História do Brasil um presidente inicia o mandato sob um manto de tamanha suspeita, desconfiança e contestação da parte dos setores que prezam a legalidade, a ética e a democracia.



Fantasmas do primeiro mandato atormentam o novo mandato de Lula.

CADÁVERES INSEPULTOS
Nada no horizonte político está a indicar que o segundo mandato de Lula será promissor e auspicioso. Pelo contrário, tudo indica que teremos a continuidade de um governo medíocre e conturbado por crises. Crises geradas dentro do próprio governo, é bom que se diga e repita.. Lula carrega para o segundo mandato toda a carga de ilegalidades, malfeitos e trapalhadas praticadas pelo seu governo ao longo do atual mandato. Seu governo está sub judice. Pelo menos, três questões que envolvem ética pública e legalidade estão ainda para serem esclarecias e julgadas.

Na primeira destas três questões, o TSE apura se houve abuso de poder e corrupção eleitoral na tentativa de compra do dossiê contra políticos tucanos por parte de pessoas diretamente ligadas ao Presidente e envolvidas em sua campanha eleitoral. Caso seja comprovada a prática de ilegalidade, Lula poderá ter o seu mandato impugnado a pedido do procurador de República ou dos candidatos derrotados à presidência.

Também está sob investigação pelo TCU o caso de superfaturamento que teria ocorrido, sob responsabilidade do ministro Luiz Gushiken , na confecção de 4,9 milhões de cartilhas promocionais do governo lula. O TCU desconfia que parte do serviço nem foi executada, mas o dinheiro – 11,7 milhões – destinado ao pagamento com certeza saiu dos cofres da União.

O terceiro caso sob investigação, desta vez no âmbito do Congresso, se refere ao superfaturamento de ambulâncias entregue a prefeituras, conhecido como o escândalo da máfia das sanguessugas.Os ex-ministros da Saúde Humberto Costa e Saraiva Felipe foram convocados pela CPI para esclarecer como foi possível um esquema desta envergadura atuar junto ao Ministério sem que eles tivessem conhecimento, como alegam.

Estes três são apenas os casos mais recentes. É bom não esquecer que a denúncia do Procurador Antonio Fernando de Souza, envolvendo 40 pessoas direta ou indiretamente ligadas ao governo com o esquema valerioduto-mensalão está sob análise no STF e poderá voltar à superfície a qualquer momento, com danos definitivos ao governo e à figura do presidente.

Recentes declarações de lideranças da oposição dão a entender que o combate ao governo Lula se fará sem tréguas. Assim tem que ser. Por seu turno, membros do governo, como o ministro Tarso Genro apelam para uma espécie de “conciliação nacional” com o propósito da elaboração de uma agenda mínima, consensual, para a primeira fase do novo mandato de Lula. Dentro da normalidade,seria razoável que a oposição ouvisse este apelo e estabelecesse um período de trégua, quando menos para observar a sinceridade de propósitos do governo que se inicia. Seria razoável, repito, se estivesse o governo Lula a iniciar realmente um novo mandato. Novo, não somente no sentido cronológico, mas também no sentido moral e ético, demonstrando sinceridade de propósitos. Mas não é o que acontece.

Os cadáveres do primeiro mandato estão todos aí, muitos deles à mostra, sem terem sido submetidos à necrópsia, enquanto outros permanecem escondidos. Em nenhum momento do governo ou da campanha eleitoral, Lula teve a hombridade de vir a público reconhecer os erros de seu governo e pedir desculpas sinceras, se dispondo a colaborar para uma investigação profunda e assegurando que dali em diante tudo seria positivamente diferente. Pelo contrário, o tempo todo assistimos o presidente tentando se esconder, fingindo que não era com ele, mentindo continuamente e sendo complacente para com seus subordinados faltosos.Se agiu desta forma, e não fez o mea-culpa devido, é porque ele deve ter o que esconder.

O segundo mandato promete ser uma continuação piorada do primeiro. Na formação da futura maioria no Congresso o presidente já negocia apoios para a formação do novo governo nos mesmos moldes em que atuou para formar o governo que agora se encerra. Lula negocia com o PMDB e com os pequenos partidos, dentro do mesmo esquema fisiológico do toma-lá-dá-cá que marcou o atual mandato, e que foi a origem do mensalão denunciado por Roberto Jefferson.

Portanto, como nada além do apelo de alguns políticos petistas pela conciliação, está a indicar que Lula tenha tomado juízo e vergonha na cara, a pauta da oposição e de setores democráticos da sociedade não pode ser outra que não a de fazer marcação cerrada sobre o governo. É óbvio e natural que o governo reagirá com o surrado argumento de que a oposição está a praticar o golpismo. Não está. Golpismo é a prática da agressão sistemática e frontal ás instituições, tal como ocorreu no primeiro mandato de Lula. E ao iniciar o segundo mandato, tentar passar a borracha e fingir que nada aconteceu. O fato é que raras vezes na História do Brasil um presidente inicia o mandato sob um manto de tamanha suspeição, desconfiança e contestação da parte dos setores que prezam a legalidade, a ética e a democracia.

061106

domingo, novembro 05, 2006

CHINA

Muito curiosa é a situação da China.Se de um lado consegue se modernizar e avançar no campo da tecnologia, da produção industrial e do comércio, por outro conserva um sistema político fechado, arcaico e totalitário.Se no campo da economia deu um chute nos dogmas econômicos comunistas, no campo da política mantém com mão de ferro a mesma estrutura burocratizada, herdada dos tempos do maoísmo.



Os bolsões de riqueza estão localizados nas grandes metrópoles e se comparam, pelo seu dinamismo, aos vizinhos Japão e Tigres Asiáticos Os bolsões de miséria se multiplicam no interior,onde persiste uma agricultura rudimentar, e se comparam ao que de mais atrasado existe no continente asiático.A elite dominante da China abriu espaços para a modernização do país como única forma de sua sobrevivência . Mas tal situação não pode persistir assim por muito tempo, pois os ares da modernização trazem consigo as propostas de liberdade e de democracia. Até quando a elite dirigente, herdeira do velho comunismo de Mao-Tsetung vai se sustentar no poder?

sexta-feira, novembro 03, 2006

RETALIAÇÃO E INTIMIDAÇÃO

O fato é que quando um governante autoritário resolve usar o seu arsenal contra a imprensa, a luta se torna muito desigual. De um lado, a imprensa tem apenas a força da palavra.Do outro, o governante, levado ao extremo, tem o argumento das armas. O Brasil já assistiu a este filme nas décadas de 60 e 70.



Na URSS, só existia uma verdade:a do Partido

RETALIAÇÃO E INTIMIDAÇÃO
Conviver com a imprensa num regime democrático não é fácil para certos governantes. Para estes, maravilhoso seria se pudessem governar um país onde a diversidade de opiniões fosse sufocada e reduzida a uma única verdade - pravda, em russo -, em nome de um suposto interesse coletivo, que nada mais é do que o interesse do grupo ou grupos que ocupam o poder.As manifestações agressivas contra a imprensa de muitos petistas, na semana seguinte á vitória de seu líder nas urnas, são motivo de preocupação e temor entre aqueles que prezam a democracia e a liberdade de opinião.

Vejamos algumas destas manifestações. O site oficial do PT na internet publicou artigos e reportagens contrários ao que seus autores definem como “comportamento parcial da imprensa”na campanha eleitoral.Entre os alvos de suas críticas não escapou nem mesmo a apresentadora de TV Ana Maria Braga, por seu suposto apoio ao candidato Alckmin.No site petista pode ser encontrada também textos em defesa da atitude de militantes do partido que agrediram jornalistas que trabalhavam na cobertura da festa da vitória, bem como um artigo do Secretário de Relações Internacionais, Walter Pomar, no qual ele afirma que “uma parte da imprensa continua a serviço de quem perdeu as eleições. E depois querem falar em objetividade jornalística...” Enfim, o tom predominante nas críticas petistas é que a imprensa perdeu a credibilidade junto ao povo durante a campanha.

Mas estas manifestações no site do partido seriam pouco preocupantes se não estivessem acompanhadas por outras de gente mais importante e também por ações que consolidam a certeza de que está em curso um processo de retaliação e intimidação contra a imprensa. Principalmente contra os órgãos mais críticos deste governo. A mais preocupante ocorreu na terça feira passada, quando dois jornalistas da revista Veja foram constrangidos e intimidados na Polícia Federal, sob o pretexto de uma investigação interna do órgão para apurar responsabilidades nos fatos citados na reportagem destes jornalistas, publicada na última edição da revista.

As declarações de alguns figurões do partido e do governo, como também do próprio presidente, serviram para acirrar os ânimos e colocar mais lenha na fogueira das relações entre o governo e a imprensa. Numa delas, o presidente do PT, Marco Aurélio Garcia exige que os meios de comunicação revejam suas criticas ao governo, e impõe como obrigação da imprensa um “pedido de desculpas” pelo tratamento dado aos escândalos de corrupção. Em outra declaração, o mesmo Marco Aurélio sugere que os jornalistas cuidem de suas obrigações, que o PT sabe cuidar de si. Em outro momento, o ex-ministro Ciro Gomes, fiel cão de guarda deste governo, provavelmente de olho num futuro ministério defende que as concessões e financiamentos públicos à órgãos de imprensa sejam feitos exclusivamente para veículos “amigáveis”.Por fim, o presidente Lula, tentando jogar água na fogueira, cometeu um ato falho ao dizer que “ a retaliação não é conveniente, pois transforma a imprensa em vítima”. Quer dizer, Lula não repudia os ataques de seus partidários à imprensa por convicção democrática, mas sim por uma opção tática. A emenda presidencial saiu pior que o soneto.

É público, notório e inegável que durante o seu governo e na campanha eleitoral, o presidente foi alvo de reportagens e críticas contundentes, e algumas até mesmo injustas, por parte de alguns órgão da imprensa, em especial da revista Veja.Mas também foi o centro de muitas reportagens benevolentes e bajuladoras de outros órgãos como as revistas Carta capital e Isto É.Ótimo que assim tenha sido. Críticas e elogios fazem parte do jogo democrático, e cada órgão de imprensa, não se pode negar este fato, tem a sua orientação política e ideológica. É perfeitamente natural, pois, que órgãos como a Editora Abril e o Estado de São Paulo, que nunca esconderam a sua posição em defesa do capitalismo, da livre iniciativa e do estado de direito, tenham um pé atrás em relação a um governo que parece não gostar de nenhuma das três coisas.

Se por alguma razão Lula se sentiu agredido em sua honra pessoal, ou vítima de alguma mentira ou calúnia, ele tinha como arma de defesa o instrumento da Justiça.Se não usou este instrumento,esperamos que não tenha sido com o propósito de estocar mágoas e ressentimentos como pretexto para a prática de arbitrariedades contra os meios de comunicação em seu segundo mandato. O fato é que quando um governante autoritário resolve usar o seu arsenal contra a imprensa, a luta se torna muito desigual. De um lado, a imprensa tem apenas a força da palavra.Do outro, o governante, levado ao extremo, tem o argumento das armas. O Brasil já assistiu a este filme nas décadas de 60 e 70.

Na Itália e na Alemanha, durante as décadas de 20 e 30, a perseguição à imprensa também se iniciou com militantes fascistas e nazistas agredindo jornalistas, quebrando e incendiando jornais. Foi o primeiro passo para que se eliminassem completamente as vozes da contestação aos regimes totalitários que estavam nascendo naqueles países.Esperamos que as recentes manifestações do PT contra a imprensa não sejam um indício de que este primeiro passo esteja sendo dado neste momento no Brasil de Lula.

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quarta-feira, novembro 01, 2006

O DILEMA DE BUSH

Bush parte enfraquecido para as eleições legislativas, e tendo diante de si um dilema: o que fazer com o Iraque?Aumentar ainda mais o efetivo militar na região poderia significar o mergulho num turbilhão sem fim, com o aumento do número de mortos e de feridos. A retirada total das tropas poderia significar o reconhecimento da inutilidade da empreitada e a desmoralização política de Bush e de seu partido, conduzindo certamente, não apenas à perda das eleições legislativas deste ano, mas também a perda da presidência.



O DILEMA DE BUSH

O presidente norte-americano George W Bush cumprimentou Lula pela vitória e aproveitou para pedir sugestões de como ganhar eleições. Como se ele não fosse também especialista no assunto, apesar de seu primeiro mandato ter sido conseguido de maneira duvidosa. O que preocupa Bush é o fato de ter se metido numa enrascada e correr o risco de perder para os democratas as eleições parlamentares de 7 de novembro. Tudo por conta do impasse surgido pela desastrada intervenção norte-americana no Iraque.

O sentimento contrario à intervenção é crescente na sociedade norte-americana, e isto se reflete nos resultados das pesquisas eleitorais que vêm dando uma vantagem aos democratas de 49% a 38% .Muitos dos que há cerca de três anos apoiavam incondicionalmente as ações de Bush, agora passaram a vê-las como inútil. Na verdade, todo este processo de intervenção armada promovida por Bush, sob o pretexto de varrer o terrorismo do mundo, se, aparentemente, foi coroado de êxito no Afeganistão -um quase deserto controlado por um bando de aloprados talibãs – no Iraque, revelou-se um colossal fracasso. Além de não ter eliminado o terrorismo, alastrou o caos e não conseguiu dar estabilidade ao arremedo de governo democrático imposto ao país. Enfim, transformou o país num sorvedouro de vidas e de dinheiro do contribuinte.

É bom recordar que há três anos, a sociedade norte americana, ainda traumatizada pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 apoiou incondicionalmente as ações agressivas de Bush no Iraque, mesmo que estas ações tenham sido deflagradas sob documentos falsos e pretextos falaciosos, como o que atribuía ao Iraque a posse de um grande arsenal de armas químicas de grande poder destrutivo.Mais tarde, o próprio governo norte-americano foi forçado a reconhecer que mentira.

O crescente envolvimento armado dos Estados Unidos no Iraque ressuscitou a lembrança da escalada norte-americana no Vietnã nas décadas de 60 e 70. Como se recorda, arvorando-se em justiceiro do mundo livre, os Estados Unidos envolveu-se numa desastrosa guerra não declarada contra o Vietnã do Norte e seu braço armado no Vietnã do Sul, os guerrilheiros comunistas do Vietcong. Em 1975, foi obrigado a se retirar, humilhado, da península indochinesa, e a assistir a unificação do Vietnã sob a tutela dos comunistas vitoriosos. Mas para a sociedade norte americana, a cicatriz maior não foi a da humilhação, mas sim a da perda de milhares de vidas.

Ao invadir o Iraque, Bush desprezou a diversidade étnica, cultural, religiosa e política daquela sociedade, e, numa visão arrogante e míope, própria do caráter político norte-americano, julgou-se tratar apenas de eliminar Saddam Hussein, para que todo o país caísse aos seus pés. Não foi o que aconteceu.O poder de reação dos grupos nacionalistas e religiosos sunitas, partidários de Saddam, tem se mostrado mais forte do que era esperado pelo governo Bush. As tropas norte-americanas não conseguem impor a ordem no país, e muitos já pensam se não seria mais sensato simplesmente retirar-se do país.

Bush parte enfraquecido para as eleições legislativas, e tendo diante de si um dilema: o que fazer com o Iraque?Aumentar ainda mais o efetivo militar na região poderia significar o mergulho num turbilhão sem fim, com o aumento do número de mortos e de feridos. A retirada total das tropas poderia significar o reconhecimento da inutilidade da empreitada e a desmoralização política de Bush e de seu partido, conduzindo certamente, não apenas à perda das eleições legislativas deste ano, mas também a perda da presidência daqui a dois anos. O fato é que, passada a força do impacto emocional casado pelos atentados de 11 de setembro, volta à tona a lembrança dos anos amargos da guerra do Vietnã.
011106