terça-feira, outubro 17, 2006

ESPARTA CONTEMPORÂNEA

O fato é que a presença de um Estado totalitário e assumidamente fora –da- lei na comunidade internacional é preocupante. Governado por um ditador vaidoso e paranóico ,que, praticando uma lavagem cerebral coletiva, faz de sua população massa de manobra à serviço de seus propósitos bélicos, e desenvolve nela o permanente temor pela ameaça de invasão estrangeira, a Coréia do Norte merece atenção e cuidado.





O conselho de Segurança da ONU acaba de aprovar uma série de sanções contra a Coréia do Norte em resposta ao teste nuclear realizado por aquele país na semana passada . Era necessário uma resposta firme da comunidade internacional à crescente militarização e ao desenvolvimento sem controle de um arsenal atômico, embora isto possa significar muito pouco em termos práticos .

Como se sabe, a Coréia do Norte é uma espécie de aleijão na comunidade internacional. Resultado da divisão do mundo em dois blocos antagônicos após a Segunda Guerra , o país adotou uma política de extremo isolamento em relação aos demais, e de extrema repressão em relação à sua própria população. Este isolamento e esta repressão interna parecem ter se acentuado após a débâcle do comunismo no final dos anos 80, e da morte do líder Kim Il- Sung em 1994,sucedido pelo filho Kim Jong-Il.

País extremamente militarizado, espécie de Esparta contemporânea, fechado e tomado pela paranóia de uma permanente ameaça dos Estados Unidos ,Japão e Coréia do Sul, a Coréia investe a maior parte de seus parcos recursos no crescimento do arsenal bélico, em especial no desenvolvimento da energia atômica para fins militares. E é aí que reside o perigo, já que o governo de Pyongyang se recusa a ser fiscalizado e a se submeter a qualquer espécie de controle por parte da AIEA, da qual se retirou em 2002. O teste atômico realizado recentemente faz parte, talvez ,de uma estratégia do governo norte-coreano de atemorização dos seus inimigos ,ao mesmo tempo em que reforça a unidade interna em torno de uma anunciada guerra.

Ao contrário do que aconteceu em relação ao Afeganistão e ao Iraque- países sem qualquer poder de defesa – o governo Bush mantém uma saudável prudência em relação às atitudes provocativas dos norte coreanos. Como os canais diretos de negociação com o regime comunista se encontram fechados ,os norte-americanos não sabem que tipo de reação se pode esperar de um governo completamente isolado e tomado por este espírito bélico, caso os Estados Unidos resolvam adotar medidas militares. Esta reação poderia ir desde um recuo de sua atual atitude de provocação a uma reação extremamente agressiva o que conduziria a consequências imprevisíveis e trágicas.

O fato é que a presença de um Estado totalitário e assumidamente fora –da- lei na comunidade internacional é preocupante. Governado por um ditador vaidoso e paranóico ,que, praticando uma lavagem cerebral coletiva, faz de sua população massa de manobra à serviço de seus propósitos bélicos, e desenvolve nela o permanente temor pela ameaça de invasão estrangeira, a Coréia do Norte merece atenção e cuidado. Por mais que setores da esquerda insistam na tese de que se trata de um país coitadinho, vítima de malvados imperialistas que nada mais faz do que se colocar-se numa postura de defesa de sua soberania, a Coréia do Norte é ,isto sim, uma sangrenta ditadura que representa um perigo concreto à paz mundial.
171006

4 comentários:

cURIOSO disse...

ENTENDO POUCO DE POLÍTICA INTERNACIONAL, MAS ALG PODERIA ME RESPODER O SEGUINTE: PQ EUA, RUSSIA, FRANÇA E CHINA PODEM TER ARMAS NUCLEARES E OS DEMAIS NÃO? TB ACHO O REGIME COREANO UMA DITADURA NOJENTA, MAS O BAIXINHO LÁ PODERIA FAZER A SEGUINTE PROPOSTA AO BUSH: VC ACABA COM O SEU ARSENAL QUE EU ACABO COM O MEU. BUSH TOPARIA???

nidia disse...

Todo ser humano vive um certo conflito interno entre o bem e o mal, uns com mais intensidade e outros com menos. Mas o fato é que todo ser humano precisa de "rédeas", limites, leis que o façam ponderar sobre suas atitudes e desejos.Quando uma pessoa se sente o centro do universo e acha que sua vontade e seus pensamentos devem ser "a lei", quando uma pessoa é poderosa a ponto de determinar quem vive e quem morre e volta as costas para as convenções, as leis, essa pessoa está pondo em risco muita coisa. Existem armas, o que fazer? Vamos desarmar todos e pronto? Não é bem assim, mas tem que haver um regulamento que quem quizer ter uma arma tem que seguir. Quando as pessoas aceitam as convenções e tem plena consciência e auto controle sobre seus atos, respeitando as leis elas poderam agir como as outras pessoas que cumprem as normas.

Anônimo disse...

No mundo globalizado de hoje, dominado pela vontade dos Estados unidos, qualquer governo ou regime que ouse enfrentá-lo de peito aberto é considerado um MAL que deve ser eliminado a todo custo. Foi assim com o Afeganistão, com o Iraque e está sendo com o Irã e com a Coréia. Com a Coréia o buraco é mais embaixo, e os Estados Unidos tem que pensar das vezes antes de atacá-lo

Júlio César Montenegro disse...

Ponderáveis pontos levantados pelo Curioso e o Anônimo. Quanto as "rédeas" que a Nídia equipara às leis, lembro que todas as regras legais são feitas POR e PARA quem tem o poder de fazê-las. Não esquecer que houve época em que mesmo na "democracia" americana as mulheres não podiam votar. No Brasil sempre se muda leis de acordo com os desejos e MEDOS da classe dominante. Quando Lula ameaçou chegar à Presidência, o mandato encurtou para 4 anos. Já FHC comprou uma reeleição a 200 mil o voto de deputado e o mundinho da mídia da classe dominante nem se abalou. Mas os tempos mudam...e os dominadores?
Quanto ao Bush... Comanda o país com a classe dominante mais guerreira, mais ambiciosa, desrespeitadora de povos e do meio-ambiente, mais assassina... justamente por ser a mais poderosa. Mas como tem fãs (palavra aliás de origem inglesa) INCONDICIONAIS pelo mundo. E tome fumaça de Hollywood sem filtro!