segunda-feira, outubro 30, 2006

O POVO E A MAIORIA DO POVO


A MAIORIA DO POVO
Não devemos tomar a parte pelo todo, mesmo que esta parte seja a maior.De fato, a maioria do povo brasileiro preferiu continuar com Lula. Não a totalidade do povo. Fora aqueles que votaram em branco, anularam seus votos ou não compareceram à votação, cerca de 39% dos eleitores ao votar em Alckmin, deram, de certa forma, o seu voto de desconfiança ou de repúdio a Lula. E isto não é pouco. E é sobre estes 39%- 37,5 milhões de votos - que recusaram um novo mandato a Lula, que reside a certeza de que nem tudo está perdido.

Mas a decepção provocada pelo resultado das urnas fez com que muitos partissem para uma avaliação equivocada dos fatos, onde não faltou uma boa dose de preconceito.Como exemplo, publico abaixo duas mensagens colhidas ao acaso, e que mostram uma boa dose de indignação com a vontade da maioria: a primeira é de um leitor do jornal O TEMPO, publicada sábado; a segunda é do jornalista Reinaldo Azevedo, publicada ontem no seu blog. Ambas contêm equívocos flagrantes.. Primeiro porque tomam a maioria como a totalidade, segundo porque, ao generalizar, voltam a reproduzir o velho preconceito de que o povo- tomado em sua totalidade, insisto – não sabe votar. E ao ir mais além ao sugerir uma espécie de democracia das elites, como faz Reinaldo.

Como, por enquanto, não foi possível inventar um sistema menos ruim do que a democracia, ou uma democracia que prescindisse da presença do povo, temos que nos conformar com a vontade soberana da maioria, mesmo sabendo que esta maioria foi vítima de um estelionato eleitoral construído sobre farsas e mentiras e sobre a compra de suas consciências. O que a vontade da maioria não pode sobrepujar são as leis e as instituições. Se ficar provado, por exemplo, que o segundo mandato de Lula foi conseguido às custas da prática da ilegalidade eleitoral, ele deverá ser destituído do cargo, por maior que tenha sido o número de votos que o elegeu e por mais que a vontade da maioria insista para que ele permaneça.

Se a maioria, por infelicidade nossa, optou por Lula é porque, dentro de suas limitações, viu nele virtudes que nós não enxergamos, ao mesmo temo em que não viu os defeitos que nós cansamos de ver. Pode parecer simplista demais, mas assim foi o que aconteceu.Lula provou ser um líder oportunista, esperto e demagogo, o que no atual estágio de desenvolvimento político da maioria do nosso povo é uma virtude, no sentido que facilitou a sua chegada ao poder.

Afirmar que a maioria do povo não tem uma bagagem de informação e um nível de educação política desejável faz mais sentido do que simplesmente dizer que “o povo” não sabe votar. A solução está no aperfeiçoamento da cidadania. O instrumento para isto está na revolução da educação.Pela educação, e somente por ela, poderemos fazer com que todas as mazelas apontadas por Aggeo Lúcio sejam reduzidas e todas as mazelas praticadas por um governo sejam reconhecidas e repudiadas. Não como acontece agora,perdoadas e consagradas.
301006

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O “POVO”

1-POVO BRASILEIRO
Por Aggeo Lucio G. Ribeiro

Povo que destrói cabines telefônicas públicas, picha paredes e muros de propriedades particulares,incendeia ônibus,rasga poltronas de cinemas, destrói laboratórios de pesquisas, invade e queima fazendas e mata o gado, ataca e destrói dependências do Congresso, elege Collor, barbalho, Sarney, Maluf, Clodovil e outros congêneres, queima e destrói florestas, polui rios e lagos com lixo e produtos tóxicos, coloca meninos no tráfico e meninas na prostituição, dá dinheiro para falsos pregadores da fé, guerreia em estádios de futebol, destrói escolas públicas, queimando livros e computadores, merece esta qualidade de governo que temos atualmente e que certamente será reeleito.

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É LULA DE NOVO COM A CULPA DO POVO
Por Reinaldo Azevedo (1)

Um monte de gente — tentando disfarçar o sotaque petralha — me cobra: “Você não falou da entrevista de FHC em que ele se diz contra o impeachment de Lula”. Em primeiro lugar, o ex-presidente fez a defesa da legalidade. Não pregou impeachment como mote de luta política; não propôs um “Fora Lula”, a exemplo do que setores do petismo fizeram com ele: “Fora FHC”. A começar de Tarso Genro, o “republicano”. Em segundo lugar, abordei, sim, a questão num longo texto (clique aqui quem não leu). Quanto à diferença entre Lula e Alckmin, o que escrevi (e basta recuperar) é que acho que ela tende a ser menor do que indicam os institutos. Mas é só impressão. Não tenho como justificar tecnicamente. Ibope e Datafolha estão dentro do esperado.

Há certo tipo de leitor que só lê o que quer. Também deixei claro aqui umas 300 vezes que pesquisas sobre debates reproduzem as preferências eleitorais. O eleitor quase sempre acha que o seu candidato venceu. E até usei o exemplo de Serra e Lula em 2002: o tucano foi melhor em todos em embates, mas os levantamentos apontavam o contrário. Afirmei que Alckmin venceu os debates da Band, Record e Globo. E que Lula faturou o do SBT. Dava, como sempre, a minha opinião, não a do “povo” — a maioria diria, é claro, como disse, que Lula mandou bem.

Eu não tenho o menor interesse na opinião do povo. Quase sempre ele está errado. Aliás, a opinião de muito pouca gente me interessa. A democracia sempre foi salva pelas elites e posta em risco justamente pelo “povo”, essa entidade. Vai acontecer de novo. Lula, reeleito, tende a levar o país para o buraco. E uma elite política terá de ser convocada para impedir o desastre.

O “povo”, nos assuntos realmente importantes, não apita nada. É uma sorte! Aqui e no mundo inteiro. Não apitou quando se fez o Plano Real. Ou nas privatizações. Teria votado contra a venda da Telebrás ou da Embraer. Junto com Lula. Estaríamos sem telefones e sem produzir aviões. Os petralhas sabem: fico aqui queimando as pestanas, tentando achar um jeito de eliminar o povo da democracia. Ainda não consegui. Quando encontrar, darei sumiço no dito-cujo em silêncio. Ninguém nem vai perceber... Povo pra quê?
(1)-http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/

domingo, outubro 29, 2006

MOMENTO TRISTE

Mas a vitória de Lula por um número expressivo de votos não significa uma absolvição pelos crimes de seu governo, nem um passaporte para a continuação, no próximo governo, dos atos ilegais e antiéticos do seu atual governo. É bom que ele não esqueça que uma parcela significativa da população, que votou em Alckmin, repele este tipo de comportamento e quer que o Brasil seja passado a limpo.


Provavelmente pela primeira vez na História do Brasil a vitória de um candidato à presidência, entre aqueles que se preocupam com os valores éticos e morais na política, é motivo muito maior de tristeza, preocupação e cautela do que de comemoração. É óbvio que os partidários da candidatura de Lula devem estar eufóricos, pois o seu candidato partiu do fundo do poço em que parecia metido em meados do ano passado, para uma vitória significativa sobre o candidato oposicionista. Mas para eles é difícil explicar o que esta vitória significa em termos de aperfeiçoamento político do País.

Envolvidos pelo discurso “anti-elite” que sobrepujou o discurso “pela ética na política”da oposição, a maioria dos eleitores optou pela falácia petista de que Lula é o único capaz de acabar com as desigualdades neste país. Enfim, uma vitória do povo sofrido contra a elite malvada. Convencidos de que no Brasil existe uma elite egoísta que só quer ver a caveira da massa excluída – sem que lhes fosse explicado bem se desta elite faz parte o governista J Sarney ou o oposicionista ACM – os eleitores de Lula o escolheram como uma espécie de messias capaz de tir´-lo do cativeiro e conduzi-lo à terra prometida da igualdade social.Poucas vezes o Brasil assistiu um trabalho tão bem feito de manipulação das massas e de compra de consciências com o dinheiro tomado da classe média e transferidos para o bolsa família e outros programas assistencialistas.

Este é, sobretudo, um momento triste. Mais triste, porque sabemos que se deu pela vontade da maioria do povo, enganado e iludido por uma propaganda maniqueísta onde não faltaram mentiras, manipulação de consciências,tentativas de desmoralização dos adversários e uso e abuso da máquina pública.

Já tivemos outros momentos em que a maioria iludida e enganada consagrou nas urnas candidatos que, no governo, mostraram-se verdadeiros desastres, como foram os casos de Jânio Quadros e Fernando Collor Mas a grande diferença é que enquanto estes candidatos ainda não tinham sido experimentados , Lula foi reconduzido ao poder, após quatro anos de poder em que as evidências de inaptidão para o cargo e suspeitas de cumplicidade com esquemas corruptos.já seriam mais do que suficientes para que fosse submetido a uma humilhante derrota.Não foi. Pelo contrário, foi “premiado”com uma votação expressiva.

Mas a vitória de Lula por um número expressivo de votos não significa uma absolvição pelos crimes de seu governo, nem um passaporte para a continuação, no próximo governo, dos atos ilegais e antiéticos do seu atual governo. É bom que ele não esqueça que uma parcela significativa da população, que votou em Alckmin, repele este tipo de comportamento e quer que o Brasil seja passado à limpo.E esta parcela da população já será suficiente para cobrar do novo governo Lula seriedade e compromisso com as causas públicas e para exigir que os fatos passados não fiquem vencidos. Se Lula, embriagado pela vitória, optar por um governo fora dos trilhos da democracia e carregado de demagogia populista encontrará resistência dos setores mais lúcidos e conscientes da sociedade.Este será um dever de todos nós.
291006

sexta-feira, outubro 27, 2006

ERROS E ACERTOS

Para muitos, os maiores erros de Alckmin devem ser atribuídos a uma estratégia errada de marketing.Mas não foi apenas isso. Faltou muito mais à campanha oposicionista. Como numa partida de futebol decisiva, faltou ao time tucano unidade, garra, técnica, força no ataque e vontade de vencer. Por seu turno, a campanha petista teve tudo o que faltou na campanha tucana e mais alguma coisa.



Democracia é assim mesmo. Agora não adianta chorar sobre o leite derramado.Lula venceu tanto pelas virtudes quanto pelas mazelas de sua campanha, e Alckmin perdeu pelos sucessivos erros de sua campanha .A passagem de Alckmin ao segundo turno entusiasmou seus partidários e criou a falsa impressão de que dali para frente ele só teria a crescer, conquistando novos eleitores, órfãos das candidaturas de Cristovam Buarque e Heloisa Helena, enquanto a Lula só restava o caminho ladeira abaixo. Aconteceu o contrário.

Ao iniciar o segundo turno, iniciou-se também a série de erros cometidos pelo candidato tucano. Perdeu a semana inicial em busca de apoios políticos equivocados e insignificantes, como o do casal Garotinho no RJ, que além de não acrescentar nada em sua campanha provocou uma cisão entre os seus aliados cariocas.A esperada recusa do apoio de Heloisa Helena a qualquer dos candidatos afetou menos do que o esperado, e negado, apoio do PDT de Cristovam Buarque, que também preferiu declara-se neutro. Ponto para Lula.

Contribuiu para esfriar a campanha também o adiamento, com a concordância do candidato, da propaganda eleitoral na TV e no rádio que somente teve início no dia 12 de outubro, o que só favoreceu a Lula, que teve uma semana de exposição constante na mídia por força de seu cargo de presidente. Lula e os petistas agradeceram a generosidade tucana e souberam aproveitar bem este tempo.

Contribuindo para deixar Alckmin sempre na defensiva, Lula e sua turma partiam para o jogo duro e rasteiro, e tratavam de espalhar boatos. Como os que diziam que , caso vitorioso, Alckmin retomaria a política de privatizações- o que assustou boa parte da classe média – e acabaria com o Bolsa Família- o que espantou mais ainda a classe pobre. Tratava-se, evidentemente, de um factóide lançado pelos petistas sobre a candidatura tucana, mas para uma partido que no governo fez coisa muito pior, a onda de terror eleitoral significava nada mais do que um golpe abaixo da linha da cintura. E seu certo. Os tucanos pegos de surpresa,perderam um enorme tempo se defendendo de algo que, aparentemente, não estavam em seus planos de campanha.

Mais uma vez,usando a arma da esperteza , a campanha de Lula insistiu em associar Alckmin ao governo de FHC. O candidato oposicionista poderia ter aproveitado o ensejo para explicar que sentia orgulho de muitas das realizações de FHC. Afinal, foi no governo tucano que a estabilidade monetária foi conquistada, a renda média do brasileiro teve um aumento real, a reforma da previdência, tão necessária, foi iniciada, e a Lei de Responsabilidade Fiscal foi criada. Ocorreram avanços na área da educação e da saúde, e a criação de programas de assistência social – Bolsa Escola, Programa de Erradicação do trabalho Infantil- exigiam uma contrapartida de quem recebia estes benefícios.Em vez de assumir o lado positivo do governo anterior, Alckmin continuou caindo nas armadilhas construídas pela campanha petista, limitando-se a permanecer na defesa.

Finalmente, a campanha televisiva foi outro aspecto decisivo na vitória do petista. Tendo como alvo principal o eleitor médio, cuja fonte de informação política não vai além do JN da Globo, a campanha de Lula no rádio e na TV foi muito mais bem construída e direcionada que a do adversário.O marketing petista funcionou bem ao apresentar realizações e projetos carregados com tintas de emoção e de otimismo,enquanto ao programa tucano faltou emoção,criatividade e indignação. Alckmin insistia em reprisar indefinidamente acusações contra o petista. O que funcionou no primeiro turno, mas pareceu cansar no segundo turno. O eleitorado majoritário carecia muito mais de propostas, projetos e promessas, mesmo que a maioria delas parecessem utópicas e enganosas A campanha de Alckmin, sem conseguir convencer em que o seu governo poderia ser diferente, insistiu na mesma tecla do petista – a tecla do assistencialismo- mas o fez sem conseguir transmitir a mesma carga de convencimento da propaganda petista, o que levou a campanha de Lula a criar o bordão “não troque o certo pelo duvidoso”

Os debates cansaram pela repetição dos temas e táticas. Com exceção do primeiro deles, transmitido pela Band, em que Alckmin se apresentou crítico e contundente contra um Lula acuado. Também não ajudaram para o crescimento do candidato tucano porque, em que pese o seu discurso correto, com ênfase no combate à corrupção, transmitiu uma certa dose de arrogância,frieza e provincianismo paulista em contraposição a um Lula mais relaxado, irônico e debochado, porém dotado de uma maior empatia e sabendo como poucos apelar para a emoção.Como o que vale na TV é a imagem muito mais do que as palavras, a de Lula, muito mais conhecida e com uma dose maior de carisma , mesmo a dizer mentiras, parece ter seduzido a maioria dos telespectadores.

Para muitos, o maiores erros de Alckmin devem ser atribuídos a uma estratégia errada de marketing.Mas não foi apenas isso. Faltou muito mais à campanha oposicionista. Como numa partida de futebol decisiva, faltou ao time tucano unidade, garra, técnica, força no ataque e vontade de vencer. Por seu turno, a campanha petista teve tudo o que faltou na campanha tucana e mais alguma coisa: teve o uso e abuso da máquina pública,teve a montagem do falso dossiê antitucano, teve a ação eleitoreira da PF no sentido de retardar as investigações a respeito do dossiê ,teve uma unidade de propósito entre os militantes e os aliados,e , principalmente,teve Lula , que mesmo tendo o seu governo acossado por denuncias, conseguiu convencer a muitos de que era inocente e reforçar a imagem de homem do povo , pai dos pobres. Uma mistura de Moisés com Robin Hood, capaz tanto de tirar dos ricos para dar aos pobres, como de levar o povo carente à terra da fartura.


Mas, como disse no início, democracia é assim mesmo. E eu continuo achando que a pior democracia - esta com Lula no poder, por exemplo – é melhor do que a melhor das ditaduras. Pelo menos a democracia permite que os cidadãos de bem continuem o seu trabalho no sentido de aperfeiçoa-la e de faze-la cada vez melhor,. Para aqueles que viam o Brasil algo além da mediocridade prometida por Lula ,a atual batalha está perdida, mas a guerra mal começou. Vai continuar no segundo mandato de Lula.Não usando as armas do golpismo, como apregoam os petistas,. mas usando as armas da democracia como a Imprensa, o Ministério Público, o Congresso, as organizações civis, as manifestações públicas de protesto e sem sair dos trilhos da Constituição.

O início de um novo mandato não terá o dom de apagar as manchas deixadas pelo mandato anterior. E é para o bem deste novo mandato e da democracia que estas manchas sejam expostas, esclarecidas e eliminadas. Lula pode se preparar. Não terá um caminho fácil. Poderá optar entre trilhar o caminho da ética e da democracia ou continuar no caminho do autoritarismo e da corrupção. De sua escolha dependerá a reação dos setores lúcidos da sociedade. No próximo dia 29 poderá conquistar mais de 60% dos votos,mas certamente haverão mais de 30% que conhecem as suas mazelas e não se deixarão seduzir pelo canto de sereia do sapo barbudo.
271006

quarta-feira, outubro 25, 2006

A QUESTÃO DA PRIVATIZAÇÃO

Privatizar ou não privatizar? O debate ganhou fôlego nos últimos semanas por causa de um factóide petista que atribui ao candidato tucano, caso seja eleito, a retomada das privatizações que marcaram o governo FHC. Alckmin reagiu com veemência negando que isto faça parte de seu projeto de governo. Perdeu uma ótima chance de mostrar os avanços conseguidos com a política de privatização e sugerir que tal tema poderia merecer uma discussão mais séria no seu governo.

Lula e o PT se aproveitam de um sentimento enraizado na mentalidade política brasileira, que vem desde os tempos de Vargas e é reforçado pela cartilha da esquerda dogmatica,que associa qualquer tentativa de privatizar os mastodontes estatais à uma política de “desnacionalização” e “entreguismo”. Tal discurso ainda bate forte no sentimento do brasileiro médio, o que talvez tenha sido responsável, em parte, pela queda de Alckmin nas pesquisas.

Mas a verdade é que os fatos e os números estão a mostrar o sucesso das privatizações. O mais recente é o anúncio, nesta terça-feira, da compra, por 13,2 bilhões de reais da mineradora canadense INCO, segunda maior produtora de níquel do mundo, pela Cia Vale do Rio Doce ,uma das privatizadas no governo passado.

Ao condenar as privatizações, em vez de promover o debate sobre a sua urgente necessidade para o crescimento do Brasil, o governo sinaliza que prefere continuar na contramão da História e do desenvolvimento , ao optar pela manutenção de um estado gigante e ineficiente, em nome de teses econômicas há muito superadas pela dinâmica dos fatos.
Do site de Veja (1) retiro um interessante texto que ajuda a esclarecer e desmistificar muitas das bobagens que a campanha petista vem afirmando nestes últimos dias.( FS)



A Vale do Rio Doce

PRIVATIZAÇÕES: PERGUNTAS E RESPOSTAS

Quando e como s deu o processo de privatização no Brasil?

A partir do início da década de 1990, ocorreu a venda do controle de mais de 100 empresas e concessionárias de serviços públicos . Foi importante porque diminuiu a participação do Estado na economia e tornou os serviços mais eficientes e baratos. Também serviu para recuperar empresas que caminhavam para a falência.

Quais foram as principais empresas privatizadas pelo governo brasileiro?

A Embraer, a Companhia Vale do Rio Doce, o sistema Telebrás (composto por 27 empresas de telefonia fixa e 26 de telefonia celular), a Light e Companhia Siderúrgica Nacional certamente estão entre os negócios mais vultosos do processo nacional. Vale lembrar que bancos estaduais foram federalizados e, em seguida, passados ao controle privado. É o caso do Banespa, antigo Banco do Estado de São Paulo, o cearense BEC, e o maranhense BEM. Além disso, vários estados comandaram seus próprios processos de desestatização.

Quanto o governo brasileiro já faturou com a vendas das antigas estatais?

Até 2005, os negócios ultrapassaram 90 bilhões de dólares. Há ainda ganhos adicionais facilmente percebidos, como transferência de dívidas para os novos donos, além de outras vantagens de difícil contabilização, como aumento de arrecadação - fruto dos novos investimentos e do conseqüente crescimento do faturamento das companhias.

Sob nova direção, as empresas trouxeram benefícios ao país?

Sim, em muitas áreas. A mais emblemática delas talvez seja a da telefonia. Quando as empresas privadas de telefonia entraram no mercado, em 1998, encontraram apenas 22 milhões de telefones em operação no país. A instalação demorava cinco anos e uma linha chegava a custar 8.000 reais. Em menos de uma década, o acesso entrou no caminho da universalização: até o fim de 2005, já haviam 125,7 milhões de aparelhos em funcionamento - entre telefones fixos e celulares.

A eficiência das antigas estatais aumentou nas mãos da iniciativa privada?

Na maioria dos casos, sim. Tome-se novamente como exemplo as telecomunicações. A produtividade cresceu porque as empresas investiram mais em tecnologia e deixaram de ser cabides de emprego. O número de funcionários nessas empresas caiu cerca de 70% - passando de 95.000, em 1995, para 28.000, dez anos depois. Simultaneamente, a receita subiu 900%, partindo de 11 bilhões de reais e batendo em 110 bilhões de reais. O número de telefones em serviço subiu, como já mostrado, de 22 milhões, em 1998, para 125,7 milhões.

Houve setores que enfrentaram problemas com a privatização?


A privatização não foi suficiente para colocar nos trilhos a malha ferroviária brasileira. Na primeira fase, o atendimento piorou, e as metas de segurança não foram cumpridas por mais da metade das empresas concessionárias. Havia ainda outro problema adicional no setor: os contratos de privatização não previam punição para aquelas faltas. Outra crítica freqüente é em relação ao reajuste das tarifas cobradas da população. Baseados em índices de inflação, alguns aumentos passaram, com o tempo, a pesar mais no bolso do consumidor - caso, por exemplo, dos pedágios cobrados nas rodovias. Deve-se lembrar, porém, que os reajustes estavam previstos em contrato.

A privatização do setor elétrico foi responsável pelo apagão de 2001?


Apenas 20% da geração de eletricidade no Brasil está sob a responsabilidade da iniciativa privada. Some-se a essa informação o fato de que o racionamento de energia não foi necessário justamente nos locais onde a privatização foi mais abrangente - caso da Região Sul do Brasil.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um crítico das privatizações, em especial a da Vale do Rio Doce. Ele tem razão?

A Vale era uma empresa funcional mesmo sob o comando estatal. Porém, não pagava impostos e não tinha capital próprio para se modernizar, crescer, nem podia atrair investidores privados. Estava condenada ao sucateamento. Privatizada, tornou-se uma das maiores empresas do setor siderúrgico. Suas ações valorizaram-se 500% nos últimos cinco anos

Ao vender o controle das antigas estatais, o governo perdeu todas as ferramentas para controlar a qualidade dos serviços de concessão pública?

As agências reguladoras assumiram este papel. Elas são departamentos autônomos que criam regras e fiscalizam o funcionamento das concessionárias. Atualmente, são mais de vinte delas, sendo oito federais. Entre elas estão a Anatel, que cuida da telefonia, a Aneel, responsável pela energia elétrica, e a ANP, que trata de petróleo

(1) -Fonte: http://vejaonline.abril.com.br/

terça-feira, outubro 24, 2006

DERROTA MORAL E LEGAL

A vitória de Lula por si não é o começo nem o fim de nada. Significa tão somente a continuidade da crise que se instalou no governo desde metade do ano passado. Somente terminará se Lula descer, for forçado a descer, do pedestal de arrogância em que se colocou ,abrir as portas do seu governo a uma investigação profunda e transparente,e, depois disso, conseguir receber um atestado de idoneidade da Justiça.




Lula e parte dos aloprados...


A popularidade de um líder político não é garantia de democracia. O fato de esta popularidade ter sido conquistada por meio de um gigantesco processo de mistificação coletiva e de compra de consciências faz, isto sim, com que a democracia se torne mais frágil e corra perigo de morte. O fato de Lula ser reeleito com a maioria dos votos válidos em 29 de outubro não lhe tornará isento das acusações, nem vai garantir a legitimidade de sua vitória. O que vai garantir esta legitimidade é a certeza da lisura do processo eleitoral. E esta lisura, no presente caso, está sendo posta em dúvida pelas ações suspeitas protagonizadas por gente do PT e patrocinado por muito dinheiro cuja origem o governo faz questão de esconder.

É quase certo que no mesmo dia da proclamação dos resultados, Lula e sua turma venham a atribuir ao “golpismo das elites” qualquer tentativa da oposição e de setores da sociedade em aprofundar as investigação e de esclarecimento sobre o dossiê anti-tucano e outros fatos mal explicados do governo petista.

Se o esclarecimento deste obscuro caso, dentre outros mal explicados, se fazia necessário com a vitória do tucano Alckmin, muito mais se fará se Lula for o vencedor . Um presidente que inicia um novo mandato sob suspeita de estar envolvido, por ação ou omissão, numa tentativa de fraudar o processo eleitoral através da desmoralização de adversários não merece outro caminho a não ser o da destituição, caso isto seja comprovado.

Certamente os lulistas – sim, passaram a existir mais lulistas do que petistas – reagirão de modo contundente às tentativas de esclarecimento e defenderão a legitimidade do mandato do seu líder. Mas a democracia brasileira estará em perigo se os setores mais lúcidos da sociedade, mais uma vez, se acomodarem ou se deixarem intimidar ao não exigirem este esclarecimento.

A vitória de Lula por si não é o começo nem o fim de nada. Significa tão somente a continuidade da crise que se instalou no governo desde metade do ano passado. Somente terminará se Lula descer, for forçado a descer, do pedestal de arrogância em que se colocou ,abrir as portas do seu governo a uma investigação profunda e transparente,e, depois disso, conseguir receber um atestado de idoneidade da Justiça. Como este dia parece ser o de São Nunca, Lula vai continuar a agir como tem feito até aqui. Vai se esconder, escamotear a verdade, fingir que não é com ele e tentar levar adiante o governo certo de que os milhões de votos recebidos lhe garante uma espécie de imunidade supra-constitucional. Enquanto isso, aqueles que foram removidos do governo por claro envolvimento com esquemas corrupto, continuarão a manipular, a corromper e a fraudar no submundo do poder, como é o caso de J Dirceu, acusado de ser um dos mentores do falso dossiê antitucano.

A verdade é que o atual governo Lula deixa com herança para o novo governo Lula uma sequência de impressões digitais. Continuará a ser noticia mais apropriada para as páginas polícias que para páginas sobre política. Sem que se passe a limpo tudo o que envolve o caso do dossiê –coisa que a PF faz questão de esconder – e a origem do dinheiro que financiaria esta farsa, Lula poderá ter conquistado politicamente o direito a mais um mandato ,mas moral e legalmente terá sido derrotado perante os olhos daqueles que não compactuam com a corrupção, a farsa e a ausência de ética . O seu governo, portanto, terá início sob o signo da contestação e da crise.

241006

segunda-feira, outubro 23, 2006

O TERCEIRO TURNO


A atual batalha eleitoral contra o lulismo parece estar perdida. Mas a guerra mal começou. A provável derrota em 29 de outubro só será pronta e acabada nos meses posteriores, se a oposição e todos aqueles que querem preservar a democracia cruzarem os braços e se conformarem com a vitória de Lula ao final de um processo eleitoral em tudo e por tudo marcado pela suspeita de fraude e corrupção. Sim, porque o falso dossiê antitucano, financiado com dinheiro incerto e duvidoso, visava corromper a vontade soberana do eleitor, através da desmoralização de duas candidaturas antipetistas – a de Serra em SP e a de Alckmin para presidente. As atuais investigações realizadas pela Polícia federal, sob as ordens do Ministro Thomaz Bastos também estão sob suspeita, pois os dias se sucedem, a campanha eleitoral caminha para o final, e a origem do dinheiro permanece propositalmente um mistério. Para agravar, telefonemas suspeitos aproximam perigosamente membros da quadrilha de fraudadores – os “aloprados” – do gabinete presidencial do Palácio do Planalto, através dos contatos telefônicos entre Jorge Lorenzetti e o secretário da Presidência e homem de confiança de Lula, Gilberto Carvalho.

O artigo a seguir, de autoria do jornalista Vittorio Mediolli(1) caminha na mesma direção dos que eu venho publicando nestes últimos dias: o de que a renovação do mandato de Lula não significa o começo de nada. Significa, antes, a continuidade das denúncias, das CPIs, das investigações pela PF e pelo MP...enfim, da crise sem fim. Mas se este for o preço a pagar para purgar o país da mácula da corrupção, que assim seja. Pior é fingir que não houve nada e tentar colocar toda a sujeira sob o tapete.Ao reeleger Lula a maioria talvez nem tenha consciência de ter optado por um terceiro turno, certamente muito mais conturbado que os dois primeiros. Vamos ao artigo( FS)


O TERCEIRO TURNO
VITTORIO MEDIOLI
Já na segunda-feira, dia 30 de outubro, vai se falar de impeachment? Inevitável. A sequência de escândalos, inquéritos e de evidências inquietantes que assolam o processo eleitoral oferece aos defensores da perda de mandato do presidente um arsenal de razões. Dificilmente os adversários de Lula renunciarão a jogar a última pólvora no tapetão do Tribunal Superior Eleitoral ou no Congresso Nacional. Já se enxerga um conturbado momento de contestação da legitimidade da vitória (quase certa) de Lula.

Diferentemente de 2002, o processo eleitoral deste ano será impugnado por motivos que vão do uso eleitoreiro de cartilhas, de verbas de propaganda, de doações não contabilizadas e de elaboração do dossiê anti-tucanos. Tudo e sempre respingando lama no gabinete do presidente Lula.

Aplicando-se a clássica borracha nessa sequela de episódios infames, a jurisprudência de cunho eleitoral no Brasil estaria transformada num pasquim. Isso acabaria de enterrar a “segurança jurídica” que alicerça o sistema democrático. As leis, dessa forma, existiriam “pra valer” apenas para uma categoria de coitados, não para o chefe da nação.

É natural que uma OAB e outras entidades se oponham a uma tentativa de retorno à pedra lascada.

Aconteceria, nessa volta ao passado, a demolição dos alicerces do estado democrático e o endereçamento do Estado para um chavismo tupiniquim – anacrônico e insustentável num país de aspectos heterogêneos e continentais.

Não há dúvida de que momentos de alta tensão se seguirão às eleições; dessa vez azedados pelos antecedentes do “mensalão” que espoliaram a credibilidade do presidente Lula. Ainda um mensalão cuja quadrilha aguarda julgamento para os próximos meses.

A “trégua” que o presidente tentará negociar com os adversários é uma hipótese possível, mas remota. A ferida do “dossiê” ainda arde, a reincidência dos aloprados (sobrevividos ao “mensalão”) é um indício que mais dossiês virão pela frente. Ademais a figura de Aloizio Mercadante (e as rusgas para castigá-lo) manterá um clima de beligerância entre senadores.

A vitória de Lula mais que a um segundo mandato abre as portas para um terceiro turno, talvez o mais difícil dos turnos pelos quais Lula já passou. Um turno que será travado na base de concessões, de pressões dos movimentos sindicais, de interpretações jurídicas, de fisiologismo, de cooptação dos meios de comunicação. Enquanto isso Lula deverá torcer para que um acidente externo não complique a economia interna retirando-lhe o apoio de 50% da população que o julga ótimo ou bom.


(1)http://www.otempo.com.br/colunistas/lerMateria/?idMateria=67518

quinta-feira, outubro 19, 2006

A CONTINUIDADE DA CRISE

Ao contrário de 2002, quando a eleição de Lula representou, para a maioria, a esperança de um governo digno e competente, e de um Brasil mais próspero, o atual processo eleitoral,a se confirmarem as pesquisas, vai recolocar no poder um presidente enfraquecido ,cercado de acusações e pressionado por uma oposição que parece só ter olhos e pensamentos voltados para o ano de 2010.



A reeleição de Lula vai significar a continuação da crise.Talvez em grau mais intenso. O próprio processo eleitoral se encontra sob suspeita, motivada pela ainda mal esclarecida história do falso dossiê contra o candidato tucano. .Lula não moveu uma palha para se redimir de um governo obscuro, nem sequer tomou qualquer providencia no sentido de promover uma limpeza convincente que projetasse um segundo mandato mais ético.Ao contrário, se escondeu, escamoteou a verdade, fingiu que não era com ele e, com isto, consolidou a certeza de que daqui pra frente nada será diferente.

Ao contrário de 2002, quando a eleição de Lula representou, para a maioria, a esperança de um governo digno e competente, e de um Brasil mais próspero, o atual processo eleitoral,a se confirmarem as pesquisas, vai recolocar no poder um presidente enfraquecido ,cercado de acusações e pressionado por uma oposição que parece só ter olhos e pensamentos voltados para o ano de 2010.

Diante da coleção de denúncias mal esclarecidas e de fatos mal explicados, deixados como herança pelo atual mandato de Lula, é razoável esperar pela multiplicação de CPIs no Congresso e pela atuação do MP no sentido de investigar e esclarecer os fatos nebulosos que marcaram o primeiro mandato do Presidente. É claro que o governo usará as suas armas para evitar que o prosseguimento das investigações o paralise e enfraqueça. De qualquer forma, o novo governo de Lula estará , pelo menos no início,sob permanente pressão da oposição, da mídia e da opinião publica,o que certamente levará a sucessivos embates entre governo e oposição no parlamento, atrasando ou impedindo votações de matérias importantes .

Com dificuldades no relacionamento com a oposição e o Congresso,Lula poderá apelar para uma aproximação mais direta com as camadas populares, desprezando os canais institucionais, numa tentativa de ter no povo o apoio que poderá lhe falta no Congresso. E é justamente aí que mora o perigo. Com as instituições democráticas enfraquecidas e paralisadas , a classe média desmobilizada, e as forças armadas dando sustentação ao governo estarão lançadas as bases para o autoritarismo. É uma hipótese ,é claro, mas não de todo absurda,. O fato é que outros países da América Latina estão a mostrar que esta mistura canhestra de populismo, nacionalismo e autoritarismo passou a ser louvada por muitos setores de esquerda como o caminho de redenção da América Latina. Um governante que se inicia um novo mandato sob o signo da corrupção pode ter dado o primeiro passo neste caminho.
191006

quarta-feira, outubro 18, 2006

ACERTOS E ERROS

Não obstante ter realizado um governo medíocre, marcado pela incompetência e pela corrupção, a campanha eleitoral de Lula consegue a proeza de, através de mentiras e de artifícios elaborados por marqueteiros, escamotear a verdade e convencer a maioria do eleitorado de que ele merece mais quatro anos de governo. A oposição, que não soube ou não quis agir com determinação no momento culminante da crise, mas uma vez age com timidez e se atrapalha neste segundo turno. Não consegue convencer à maioria do eleitorado de que suas propostas de governo são mais consistentes e éticas do que as do adversário.


A campanha presidencial caminha para o final e Lula permanece imune a avalanche de denúncias que atingem o seu governo. Pelo menos, é o que indicam as pesquisas de opinião que dão uma grande vantagem ao presidente. As denúncias de corrupção e de malfeitos que vêm marcando o seu governo desde meados do ano passado, além de não fazerem efeito sobre o seu eleitorado cativo, também parecem não ter impressionado desfavoravelmente os neolulistas, ou sejam, aqueles que tendo optado por outros candidatos na primeira etapa, decidiram votar em Lula neste turno. Se no primeiro turno a questão da ética fez algum efeito sobre o eleitorado no sentido de conduzir a eleição ao segundo turno, isto agora não acontece. O eleitorado parece estar se deixando seduzir e envolver pela propaganda mais bem elaborada. E pelo jogo pesado que a candidatura governista vem impondo

Do jogo pesado fazem parte tanto a tática de acobertamento da origem do dinheiro do dossiê pela Polícia Federal, quanto o terrorismo eleitoral que atribui à candidatura oposicionista, caso vitoriosa nas urnas, o extermínio do Bolsa Família, além do reinício das privatizações. Soma-se a isto o fato da campanha petista pelo rádio e TV estar sendo conduzida de maneira mais competente do que a do candidato de oposição. Não entrando no mérito da sinceridade dos projetos, propósitos e promessas que o candidato oficial expõe no horário eleitoral, a sua mensagem tem sido mais direta, objetiva e melhor assimilada pelo eleitorado, pois toca, demagogicamente, em temas que são caros à grande massa da população :a continuidade e ampliação do Bolsa Família, a geração de emprego, e a ênfase na identificação do candidato petista com o povo Tudo isto, mais a identificação da candidatura de Alckmin com o governo de FHC, tem tido um efeito demolidor sobre a candidatura tucana.

Enquanto isto, a campanha de Alckmin parece ter se perdido entre a continuidade das denúncias e os projetos de governo. Neste último aspecto, Alckmin não vem conseguindo marcar as suas diferenças em relação a Lula. O fato é que não basta apenas prometer moralidade e ética – embora isto seja fundamental – é necessário convencer que seus projetos de governo serão capazes de promover o crescimento sem acelerar a inflação e de integrar de maneira efetiva as milhões de pessoas neste processo de crescimento.Ao invés disto, além de não marcar com nitidez estas diferenças, tem permanecido na defensiva dos ataques petistas.

Não obstante ter realizado um governo medíocre, marcado pela incompetência e pela corrupção, a campanha eleitoral de Lula consegue a proeza de, através de mentiras e de artifícios elaborados por marqueteiros, escamotear a verdade e convencer a maioria do eleitorado de que ele merece mais quatro anos de governo. A oposição, que não soube ou não quis agir com determinação no momento culminante da crise, mas uma vez age com timidez e se atrapalha neste segundo turno. Não consegue convencer à maioria do eleitorado de que suas propostas de governo são mais consistentes e éticas do que as do adversário.
191006

terça-feira, outubro 17, 2006

ESPARTA CONTEMPORÂNEA

O fato é que a presença de um Estado totalitário e assumidamente fora –da- lei na comunidade internacional é preocupante. Governado por um ditador vaidoso e paranóico ,que, praticando uma lavagem cerebral coletiva, faz de sua população massa de manobra à serviço de seus propósitos bélicos, e desenvolve nela o permanente temor pela ameaça de invasão estrangeira, a Coréia do Norte merece atenção e cuidado.





O conselho de Segurança da ONU acaba de aprovar uma série de sanções contra a Coréia do Norte em resposta ao teste nuclear realizado por aquele país na semana passada . Era necessário uma resposta firme da comunidade internacional à crescente militarização e ao desenvolvimento sem controle de um arsenal atômico, embora isto possa significar muito pouco em termos práticos .

Como se sabe, a Coréia do Norte é uma espécie de aleijão na comunidade internacional. Resultado da divisão do mundo em dois blocos antagônicos após a Segunda Guerra , o país adotou uma política de extremo isolamento em relação aos demais, e de extrema repressão em relação à sua própria população. Este isolamento e esta repressão interna parecem ter se acentuado após a débâcle do comunismo no final dos anos 80, e da morte do líder Kim Il- Sung em 1994,sucedido pelo filho Kim Jong-Il.

País extremamente militarizado, espécie de Esparta contemporânea, fechado e tomado pela paranóia de uma permanente ameaça dos Estados Unidos ,Japão e Coréia do Sul, a Coréia investe a maior parte de seus parcos recursos no crescimento do arsenal bélico, em especial no desenvolvimento da energia atômica para fins militares. E é aí que reside o perigo, já que o governo de Pyongyang se recusa a ser fiscalizado e a se submeter a qualquer espécie de controle por parte da AIEA, da qual se retirou em 2002. O teste atômico realizado recentemente faz parte, talvez ,de uma estratégia do governo norte-coreano de atemorização dos seus inimigos ,ao mesmo tempo em que reforça a unidade interna em torno de uma anunciada guerra.

Ao contrário do que aconteceu em relação ao Afeganistão e ao Iraque- países sem qualquer poder de defesa – o governo Bush mantém uma saudável prudência em relação às atitudes provocativas dos norte coreanos. Como os canais diretos de negociação com o regime comunista se encontram fechados ,os norte-americanos não sabem que tipo de reação se pode esperar de um governo completamente isolado e tomado por este espírito bélico, caso os Estados Unidos resolvam adotar medidas militares. Esta reação poderia ir desde um recuo de sua atual atitude de provocação a uma reação extremamente agressiva o que conduziria a consequências imprevisíveis e trágicas.

O fato é que a presença de um Estado totalitário e assumidamente fora –da- lei na comunidade internacional é preocupante. Governado por um ditador vaidoso e paranóico ,que, praticando uma lavagem cerebral coletiva, faz de sua população massa de manobra à serviço de seus propósitos bélicos, e desenvolve nela o permanente temor pela ameaça de invasão estrangeira, a Coréia do Norte merece atenção e cuidado. Por mais que setores da esquerda insistam na tese de que se trata de um país coitadinho, vítima de malvados imperialistas que nada mais faz do que se colocar-se numa postura de defesa de sua soberania, a Coréia do Norte é ,isto sim, uma sangrenta ditadura que representa um perigo concreto à paz mundial.
171006

segunda-feira, outubro 16, 2006

OS PROGRESSISTAS “REACIONÁRIOS” E OS REACIONÁRIOS “PROGRESSISTAS”

Gostaria que em oposição a Lula nestas eleições estivessem um candidato e um partido com uma visão holística do processo político , econômico e social, e que marcasse nitidamente as suas diferenças em relação ao pseudo projeto petista. Infelizmente, isto não acontece. Em muitos aspectos, o candidato da aliança de oposição, Alckmin , parece querer ser apenas um “melhorador” do governo de Lula.


O Brasil arcaico e o Brasil moderno: Lula quer eternizar o primeiro...
OS PROGRESSISTAS “REACIONÁRIOS” E OS REACIONÁRIOS “PROGRESSISTAS”

Se Lula tiver o seu mandato renovado , como tudo parece indicar, teremos certamente um país politicamente dividido. Lula já demonstrou que deseja governar apenas para uma parcela da sociedade: a dos “excluídos” em contraposição à “elite perversa” que , segundo ele, tem dominado o Brasil desde Pedro Álvares Cabral. Numa visão extremamente maniqueísta do processo social, o PT encara as contradições inerentes à sociedade capitalista como uma eterna guerra entre ricos e pobres, na qual o PT, é claro, se coloca como um defensor dos pobres e oprimidos, e atribui ao PSDB e seus aliados a defesa dos “ricos”.

Assim, Lula se arvora em paladino desta imensa parcela da população que vive com até dois salários mínimos, mora nas periferias dos grandes centros urbanos ou nos grotões do interior do país. São analfabetos ou semi-analfabetos, têm família numerosa e nenhum acesso à cultura e ao lazer. É para esta gente que Lula pretende governar e, para isto, transformou o Estado numa gigantesca máquina de assistência social às custas do dinheiro arrecadado dos setores produtivos e da classe média. Agindo da forma como age, o governo petista, além de não promover uma inserção efetiva das categorias mais desfavorecidas na dinâmica da economia, empobrece a classe média.

Mas seria esperar muito que Lula e sua turma tivessem uma visão menos paternalista e menos maniqueísta da sociedade. Afinal, eles ascenderam politicamente e galgaram o poder com este tipo de discurso.Eles encaram o Estado como um permanente transferidor de recursos de uma parcela para outra da sociedade.No meio do caminho, é claro, parte destes recursos são desviados para os bolsos dos agentes públicos responsáveis por esta ação caridosa. É uma visão tão simplista e atrasada da relação entre o estado e a sociedade que não seria exagerado dizer que o governo petista pratica em nível nacional o que os velhos coronéis da política praticavam em nível regional e local: o assistencialismo e o clientelismo político.

Gostaria que em oposição a Lula nestas eleições estivessem um candidato e um partido com uma visão holística do processo político , econômico e social, e que marcasse nitidamente as suas diferenças em relação ao pseudo projeto petista. Infelizmente, isto não acontece. Em muitos aspectos, o candidato da aliança de oposição, Alckmin , parece querer ser apenas um “melhorador” do governo de Lula. O candidato tucano diz, por exemplo, que não pretende acabar com o Bolsa Família, mas sim aprimora-lo; que não vai privatizar nenhuma empresa estatal; que não vai acabar com a Zona franca de Manaus, e por aí vai.Quer dizer, o candidato assume a agenda de Lula e promete fazer as mesmas coisas que já vem sendo feitas nestes quatro anos de (des)governo.Esta tibieza, esta falta de propostas claras que marquem bem a sua diferença em relação a Lula foi o que deu ensejo a que os marqueteiros do presidente se utilizassem do bordão “ não troque o certo pelo duvidoso”.

As diferenças entre os dois candidatos seriam marcantes se, ao invés de se defender da boataria petista, Alckmin assumisse claramente a defesa intransigente da diminuição do tamanho do Estado, do apoio à livre-iniciativa, da diminuição dos tributos e da burocracia, da defesa das privatizações, da revolução educacional, enfim, de tudo o que signifique a modernidade e o progresso em oposição à política do atraso defendida pelo PT e por Lula.Mas, cadê coragem para isto? Alckmin e o PSDB parecem tomados pela síndrome dos anos 60/70, quando defensores de teses liberais eram tidos como reacionários, enquanto os defensores da estatização eram tidos como progressistas.. Ainda hoje, reacionários como Lula e sua turma são vistos pela esquerda como se progressistas fossem. Por mais paradoxal que seja, Alckmin, provavelmente não quer ser visto como reacionário ao defender teses progressistas. E por isto se esconde. Enquanto se intimida e não assume uma posição francamente progressista, com medo do epíteto de conservador e reacionário, e enquanto não se coloca frontalmente contra o estatismo e o assistencialismo, Alckmin corre o risco de assistir o crescimento do adversário nas pesquisas e a vitória no dia 29 de outubro.


Adorado e aplaudido por uma massa carente, desinformada, dependente e submissa , o que Lula quer é mantê-la nesta condição indefinidamente – a sua recente declaração de que é fácil governar para os pobres é sintomática neste sentido – não importando que tal política acentue a divisão da sociedade brasileira, a exemplo do que acontece na Venezuela do ditador Chávez. Para isto, basta reforçar o discurso populista que vem sendo praticado pelo candidato e multiplicar os programas assistenciais, por mais irresponsável que isto possa ser.Mas quem disse que Lula e sua turma estão preocupados com responsabilidade? Pelo que demonstraram até agora, o que eles querem é nada mais do que a manutenção e a perpetuação no poder.O que, por força da ausência por parte da oposição de um projeto de claro contraponto ao projeto petista, parece ser cada vez mais possível.
161006

segunda-feira, outubro 09, 2006

VALE TUDO


VALE TUDO
No debate de ontem Alckmin saiu de seu estilo habitual para bater forte em Lula. Precisava ser assim. Nada escapou: valerioduto, mensalão, vampiros sanguessugas, dossiê, cartilha, aerolula...ufa! Lula preferiu usar do cinismo e do deboche , e as perguntas ficaram sem respostas. Ele não soube ou não pode se defender dos malfeitos do seu governo e, mais uma vez, não tendo como atacar diretamente a Alckmin,o fez através do governo do seu antecessor, tentando colar a imagem de Alckmin na do governo Fernando Henrique.

Muitos teriam preferido que o debate fosse mais edificante e mais limpo, com ênfase nas idéias e nas propostas de governo de cada candidato.Mas, como discutir de maneira limpa e elegante com um candidato que usa e abusa dos golpes baixos, e é responsável por um dos governos mais sujos da história? Alckmin não tinha outra saída a não ser a de expor de maneira nua e crua todas as mazelas deste governo e cobrar explicações. Foi o que fez.

Lula tratou dos crimes cometidos por membros do primeiro escalão como se fossem meros desvios de conduta, individuais e isolados. Não foram. Foram partes de um amplo esquema coordenado pelo governo e executado pelo partido.Mentiu também quando disse que demitiu prontamente a todos eles, quando se sabe que eles pediram demissão quando a situação estava insuportável.

O presidente também não conseguiu justificar o fato de nestes últimos dias ter reforçado a tática do terrorismo eleitoral ,usado por Collor contra ele em 1989, inventando fatos ao atribuir ao candidato tucano a determinação de privatizar o que ainda não foi privatizado e acabar com o Bolsa Família. Para mim e muita gente, seria ótimo se o tucano assim fizesse, mas todas as declarações de Alckmin são no sentido contrário.

Todos teríamos preferido que os candidatos discutissem temas que importam ao futuro do Brasil, em termos de crescimento econômico, educação, eficiência da máquina pública, redução de impostos . Mas como discutir de maneira limpa numa casa que está suja? Ao ser agressivo,Alckmin agiu corretamente: expôs a sujeira do governo petista, numa tentativa de varre-la , e, a partir de então tentar construir o que não foi construído, e reerguer o que os quatro anos de governo petista jogou ao chão.
091006

quinta-feira, outubro 05, 2006

BATEU, LEVOU


BATEU, LEVOU
Lula se diz disposto a partir para a briga no segundo turno e a discutir ética com a oposição. Que assim seja. A oposição ao deve ter o que temer. Deve partir para o combate.O governo de SP pode não ter sido o melhor dos mundos, mas certamente foi – e a aprovação de Alckmin pelo eleitorado paulista no primeiro turno confirma – superior ao de Lula no país.Na verdade, Lula ameaça repetir aquela mesma velha cantilena sobre o governo de FH, já que pouca coisa tem a falar sobre a administração tucana em SP. Alckmin herdou do falecido Mario Covas, um estado saneado e com ótimo potencial para investimentos em obras. Terminou o seu governo com fama de bom administrador e realizador. Não deixou de ter, evidentemente, os seus pecados. Falhou em duas questões essenciais: educação e segurança. O resultado obtido por SP no exame nacional de avaliação escolar e a onda de ataques do PCC mostram que por mais que tenha sido eficiente a propaganda governamental nestes dois setores, os fatos mostraram uma outra realidade..


Mas Alckmin pode e deve buscar uma disputa com Lula neste e em outros terrenos. O governo de Lula foi quase um zero à esquerda em matéria de crescimento material. E certamente vários zeros à esquerda em matéria de ética pública.Não tem armas para enfrentar o ex- governador de SP . Bastaria a Alckmin enumerar o prontuário de malfeitos e malversações que marcaram o governo petista e pedir explicações sobre cada um deles. O que teria Lula a dizer? Intriga dos golpistas da direita? Mentiras inventadas pela imprensa à serviço das elites?Ou, mais uma vez, que não sabia de nada, ou que tudo não passou de obra de um bando de aloprados?

Será difícil a tarefa de Lula se quiser escolher o campo da moralidade e da ética. Será igualmente tortuoso se escolher o campo das realizações administrativas.Alckmin por seu turno deve abandonar as generalidades e, de forma clara e incisiva mostrar as metas preferenciais de seu governo. E convencer o eleitorado de que será possível realiza-las com ética, respeito às leis e com democracia.
0050906

quarta-feira, outubro 04, 2006

OS NOVOS RUMOS DA CAMPANHA

Alckmin parte em vantagem. Paradoxalmente, esta vantagem se dá por ser menos conhecido do que o presidente. Enquanto Lula não tem por onde crescer, Alckmin tem espaço a conquistar. Enquanto Lula tem muito que explicar e justificar, Alckmin tem muito a denunciar e a propor. O caminho de Alckmin neste segundo turno é infinitamente mais amplo e sem obstáculos do que o de Lula.



É PAU, É PEDRA, É O FIM DO CAMINHO

A campanha presidencial recomeça. Candidatos procuram definir estratégias e táticas e buscam novos apoios para o segundo turno.Apoios que pouco significam diante dos olhos e da decisão do eleitor. Geraldo Alckmin, de quem poucos, no início da campanha, esperavam alguma coisa, conseguiu reagir e crescer, na medida em que passou a ser mais contundente em suas críticas ao comportamento ético do governo Lula.E foi respaldado em suas críticas com o aparecimento de mais uma denúncia contra o PT, desta vez envolvendo o presidente do partido e coordenador da campanha do PT, Ricardo Berzoini, e assessores com ligação direta com o Planalto.Foi a gota d’água que faltava para que os indecisos depositassem seus votos em Alckmin.Valeu, portanto a recomendação de muitos para que Alckmin batesse forte em Lula. Iniciado o segundo turno, volta à pauta a mesma discussão: deve o candidato oposicionista adotar uma postura predominantemente denuncista, ou , pelo contrário, deve fazer uma campanha baseada em propostas?

Creio que é impossível a um candidato de oposição a este governo deixar de lado as críticas e as denúncias e levar a campanha exclusivamente para o campo dos projetos e das propostas. O governo de Lula está definitivamente associado à corrupção. Alckmin tem por obrigação, se não eleitoral, pelo menos moral e cívica, de denunciar todas as mazelas ocorridas nestes anos de mandato de Lula , expor as chagas deste governo em praça pública. Não pode fechar os olhos, fingir que nada disto existiu em nome de uma suposto fair play na campanha. .

Mas não pode, por outro lado, esquecer que ele tem que marcar terreno no campo político,administrativo, econômico deixando bastante evidente suas qualidades e em que aspectos o seu governo será diferente do que aí está.Esta é a grande tarefa do candidato oposicionista.É neste caminho que ele poderá assegurar a maioria dos votos dados em Heloisa Helena e em Cristovam Buarque, além de capturar uma boa parcela daquele que votaram em Lula no primeiro turno, mas que estão dispostos a mudar ,desde que as propostas do candidato de oposição lhes pareçam mais convincentes.

Alckmin parte em vantagem. Paradoxalmente, esta vantagem se dá por ser menos conhecido do que o presidente. Enquanto Lula não tem por onde crescer, Alckmin tem espaço a conquistar. Enquanto Lula tem muito que explicar e justificar, Alckmin tem muito a denunciar e a propor. O caminho de Alckmin neste segundo turno é infinitamente mais amplo e sem obstáculos do que o de Lula. Para Lula, parafraseando Tom Jobim, é pau, é pedra, é o fim do caminho.
040906

terça-feira, outubro 03, 2006

HELOISA LULA HELENA


HELOISA LULA HELENA

No site Globonline esta pesquisa: Como os eleitores de Heloísa Helena votarão no 2º turno?
Respostas:A maioria votará em Lula 43.06%; A maioria votará em Alckmin 29.23% ;Eles se dividirão entre os dois candidatos ;11.71% A maioria anulará ou votará em branco 15.99% .
Como se pode ver, o sentimento é que os eleitores que votaram em Heloisa são predominantemente de esquerda e, portanto, jamais dariam os seus votos a Alckmin, considerado por eles, nesta disputa final, o representante das forças de direita.

Ao fundar o seu partido e ao lançar-se na corrida presidencial, Heloisa incorporou os anseios e frustrações de uma parcela da sociedade que acreditava em Lula como o paladino das causas da esquerda e do socialismo. Ao assumir o governo , Lula nada mais foi, na visão desta gente, do que um continuador da política macroeconômica do governo anterior, estigmatizada como neoliberal . Junta-se a isto uma política de cortes orçamentários para o pagamento das dívidas, a reforma na da previdência, as taxas de juros elevadas, os fantásticos lucros dos bancos e a corrupção institucionalizada. Tudo isto foi demais para os setores mais ideológicos da esquerda petista que, comandados pela senadora, se desligaram do partido e foram continuar a defender as suas teses em outras plagas.Desta forma, neste primeiro turno o PSOL canalizou o sentimento desta esquerda “autêntica” que repudiou tanto Alckmin como Lula, consideraNdo -os farinha do mesmo saco.

Agora, a maioria do eleitorado de Heloisa, se mantiver a coerência, certamente votará em Lula, para evitar aquilo que eles consideram um mal maior , ou seja, a eleição do “conservador “ Alckmin. Estes votos poderão ser o fator decisivo desta eleição, considerando que os votos dados a Lula no primeiro turno já estão consolidados.
030906

segunda-feira, outubro 02, 2006

VITÓRIA DA RAZÃO

Felizmente, a maior parte do eleitorado, que parecia apática e descrente reagiu com altivez e lucidez.Ao não permitir a eleição de Lula no primeiro turno, ela deu o seu recado, ao deixar claro que quer, nos próximos dias, um debate franco e aberto. Mais do que isto, ela quer que Lula saia da toca onde se escondeu ao longo do primeiro turno, venha a público e seja confrontado com os atos e fatos obscuros do seu mandato.



VITÓRIA DA RAZÃO

Foi uma vitória da razão. A maioria dos eleitores teve um surto de racionalidade que conduziu a decisão final para o segundo turno. Felizmente. Com 100% das urnas apuradas, Lula teve 48,61% dos votos válidos, seguido por Alckmin com 41,64%, Heloisa com 6,85% e Cristovam com 2,64%. Os demais candidatos juntos, ficaram com 0,26%. O percentual de votos nulos chegou a 5, 68%, menor do que o registrado em 2002.Fazendo uso de uma analogia, a oposição conseguiu empatar o jogo no último minuto e levou a decisão para a prorrogação ( 2º turno). No futebol, o time que empata no último minuto, quando o adversário já se considerava vencedor, volta ao jogo com a moral elevada.Espera-se que assim aconteça com a oposição.

Digo que o eleitor brasileiro teve um surto de racionalidade, porque não se deixou contaminar pelo discurso passional, demagógico e populista do presidente-candidato, nem tampouco pela pregação niilista dos que defendiam o voto nulo, que, ao final, certamente favoreceria a Lula.

O primeiro turno realizou-se num clima tenso, com graves acusações e sob forte suspeição. Sem contar que Lula havia chegado às eleições desmoralizado pelas sucessivas denúncias de ilicitudes em seu governo, a campanha eleitoral ficou contaminada pela suspeita de corrupção devido a um , ainda não esclarecido caso de fabricação e compra de dossiê contra adversários tucanos por membros das equipes de campanha de Lula e de Mercadante. Caso ocorresse a vitória de Lula no primeiro turno, certamente ela seria contestada na Justiça – e com razão! – pela oposição, abrindo um ambiente de choque político e de total ingovernabilidade .para Lula.

Felizmente, a maior parte do eleitorado, que parecia apática e descrente reagiu com altivez e lucidez.Ao não permitir a eleição de Lula no primeiro turno, ela deu o seu recado, ao deixar claro que quer, nos próximos dias, um debate franco e aberto. Mais do que isto, ela quer que Lula saia da toca onde se escondeu ao longo do primeiro turno, venha a público e seja confrontado com os atos e fatos obscuros do seu mandato.

Lula sabe que, muito mais do que para a oposição, ele foi derrotado – sim, a realização do 2º turno é uma derrota de Lula! – por ele mesmo. Ele foi derrotado pelos malfeitos de seu governo, pela incompetência na escolha de seus auxiliares, pelo temor de se expor ao diálogo e ao debate, pela arrogância com que tratou seus adversários e aliados, pela ausência de um projeto de governo. Portanto, muito mais do que enfrentar Alckmin, ele terá que se ver consigo mesmo e rever todo o seu (des)governo.

Mas Lula não está morto. Longe disso. A oposição errou quando, no auge da crise do valerioduto-mensalão, pensou que ele estivesse ferido de morte. E tornará a errar se voltar a pensar da mesma forma. Mais do que nunca, Alckmin tem que bater sem piedade e sem tréguas nos pontos fracos do seu adversário. Tem que deixar claro o que o distingue do seu adversário em matéria de ética pública e eficiência administrativa.Tem que apresentar ao eleitor um projeto de governo claro e consistente, que vise o crescimento econômico sem a aceleração da inflação, o enxugamento da máquina governamental com a diminuição dos gastos inúteis e o aumento da eficiência, e com uma política social que integre gradativa e efetivamente grandes parcelas de excluídos , sem a marca do puro assistencialismo.

Por seu turno, Lula, provavelmente sem outros recursos mais convincentes, vai apelar para o seu velho discurso maniqueísta, populista e messiânico. Maniqueísta quando insiste na divisão da sociedade entre a elite malvada e a pobreza explorada, colocando-se, é claro, como o defensor dos segundos e dizendo-se vítima de conspiração dos primeiros.Populista, quando reforça as promessas de transferir cada vez mais os recursos arrecadados dos ricos malvados – leia-se classe média – para os pobres explorados, através de programas assistencialistas como o Bolsa Família, o Fome Zero e outros . Messiânico, quando apela de vez para uma espécie de misticismo político, e misturando Cristo, Tiradentes e Antonio Conselheiro, se considera como corpo e alma do seu povo eleitor disposto a conduzi-lo à terra prometida.

Portanto, o que todos esperamos é que, finalmente, aconteça o debate. Que as questões cruciais envolvendo o Estado brasileiro, as políticas governamentais e a ética na política venham à tona. Que o governo de Lula seja esmiuçado e exposto de maneira nua e crua. E que, mais uma vez, o eleitorado brasileiro seja tomado pela racionalidade, altivez e dignidade , e não permita que a corrupção, a incompetência , o autoritarismo e a arrogância saiam vencedores em 29 de outubro.


QUEM APOIA QUEM

Iniciam-se os acordos visndo o segundo turno presidencial. Aguarda-se com expectativa o rumo que Heloisa Helena e Cristovam Buarque irão tomar. Pela lógica, é de se esperar que a candidata do PSOL permaneça neutra- afinal, bateu tanto em Lula quanto em Alckmin. Mas não será surpresa se o DNA petista falar mais alto e ela declarar o seu voto em Lula.Quanto a Cristovam,por tudo o que ele pregou na campanha, será , no mínimo, contraditório que ele declare seu apoio a Lula ou mesmo que permaneça neutro. Afinal, o PDT, seu partido, se colocou desde o início , em franca oposição ao governo Lula, e o perfil do eleitorado que confiou em Cristovam também é de oposição. Por isto, causa estranheza o fato de Cristóvam ainda não ter declarado o seu voto em Alckmin .Mesmo assim, o voto de um e de outro pouca influência terá sobre “seus” eleitores.
021006