segunda-feira, setembro 25, 2006

LULA E O JABÁ ELEITOREIRO

CORONÉ LULA
A reeleição traz consigo a possibilidade de abuso de poder e do uso da máquina pública para fins eleitorais.Lula tem usado e abusado deste expediente.Sem escrúpulos, como é do seu feitio, promoveu neste último ano de governo um autêntico trem da alegria , beneficiando funcionários federais, aposentados que ganham um salário mínimo e beneficiários do bolsa Família.Trata-se de farta distribuição de dinheiro para camadas da população que hoje garantem a liderança de Lula nas pesquisas. O economista Roberto Macedo, em artigo no Estado de São Paulo, transcrito no blog Argumento e Prosa - http://argumentoeprosa.blogspot.com/ - .faz uma interessante analogia entre a generosidade governamental com o dinheiro público e o “jabá” que as gravadoras pagam às emissoras de rádio para a execução de determinadas músicas. É o jabá eleitoral.Eu diria mais: trata-se da ampliação, em nível nacional, das práticas dos antigos coronéis da política em seus redutos eleitorais: uma dentadura em troca de um voto; um saco de cimento em troca de um voto; um remédio em troca de um voto. Lula consolida, então, o coronelismo em dimensão nacional .Mas, vamos ao artigo de Roberto Macedo ( FS)




LULA E O JABÁ ELEITOREIRO

Por Roberto Macedo em O Estado de São Paulo
A eleição presidencial deste ano tem uma escandalosa, enorme e custosa novidade em matéria de vícios do processo eleitoral, pois nunca “neste país” um candidato usou tanto dinheiro público para cooptar eleitores a votar nele. Refiro-me às práticas do presidente-candidato Lula, ao distribuir benesses claramente programadas e agendadas com esse objetivo.
A mais importante e custosa foi a elevação, este ano, do salário mínimo - também piso do INSS - de R$ 300 para R$ 350, um reajuste de 16,7% para uma inflação de cerca de 5% desde o reajuste anterior, caracterizando, assim, um aumento real acima de 10%. Custo estimado para o bolso do contribuinte: R$ 7,8 bilhões. Desde seu início o governo Lula vinha adotando expressivos reajustes reais do mínimo, mas o último foi particularmente acentuado.
Também de enorme custo foram vários reajustes concedidos a servidores públicos e aprovados pelo Congresso no seu último “esforço” concentrado antes do período eleitoral. Segundo matéria publicada ontem neste jornal, alcançaram mais de 110 mil servidores, a um custo de R$ 5,2 bilhões até 2008, quando a última parcela da farra entrar em vigor. Digo farra porque no processo foram atropelados critérios que deveriam pautar esses reajustes, como o da equivalência salarial com o setor privado.
Neste caso também há um histórico que vem do início do governo, que recorreu ainda a forte ampliação do número de funcionários, inclusive por meio de mais cargos sem concursos para a turma da “boquinha”, como a desse Freud que acaba de sair. A mesma reportagem informa que a folha de pagamentos do Executivo se ampliou de R$ 75 bilhões, em 2003, para R$ 112 bilhões, neste ano.
Como o forte reajuste do salário mínimo, outra medida mais claramente eleitoreira no seu tempo e no seu alcance foi a ampliação do programa Bolsa-Família, cujo número de beneficiárias passou de 8,3 milhões para 11,1 milhões este ano, ainda segundo a mesma notícia. A medida ampliará em mais R$ 2 bilhões por ano as despesas com o programa.

Tais benesses de cunho marcadamente eleitoreiro me lembram o jabaculê, ou simplesmente jabá, nome dado ao esquema pelo qual empresas fonográficas fazem pagamentos a rádios para que incluam determinadas gravações na sua programação usual. É claro que benesses eleitoreiras como as apontadas não têm o voto como condicionante do recebimento, mas a falta de ética é a mesma. Em particular, dadas as carências de aposentados que ganham o salário mínimo e das beneficiárias do Bolsa-Família, é muito alta a probabilidade de sucesso desse é-dando-que-se-recebe.
Outro aspecto comum aos dois jabás é que vêm de forma disfarçada. Nas gravadoras e rádios se fala de “verba de divulgação”, no jabá eleitoreiro há sempre o pretexto do “tudo pelo social”. Não há razões legítimas para que a preocupação com o social esteja ligada ao ciclo eleitoral. Assim, é claro o interesse em buscar votos. Como no jabá radiofônico, há uma programação a executar.
Quando, em 2003, o deputado Fernando Ferro (PT-PE) apresentou projeto de criminalização deste último jabá, declarou que os ouvintes “consomem uma operação financeira, e não uma opção de programação”. Hoje, o que há é a distribuição de dinheiro público para que seu tilintar torne os ouvidos mais abertos ao canto de um candidato, influenciando preferências por sua música eleitoral. Nos dois casos, em troca também se aperta um botão: o da execução da música e o do voto na urna.
Tal perniciosa prática eleitoreira precisa ser proibida e criminalizada, para o que há duas alternativas, isoladas ou complementares. A primeira seria acabar com a o instituto da reeleição, o que diminuiria o interesse presidencial pela prática. A segunda seria proibir, nos dois anos finais de mandato, reajustes acima da inflação tanto para o salário mínimo como para salários de servidores, aposentadorias pagas pelo governo e verbas de programas sociais pagos em dinheiro.
Alguém poderia argumentar que propostas como essas são de economistas distantes da realidade política nacional. Ora, nosso papel é sugerir soluções econômico-financeiras, e sabemos que as chances de adoção são bem maiores quando o problema se torna mais grave, como nesse caso, e como ocorreu com a inflação e com a crise das dívidas estaduais.
É essa crise que deve servir de exemplo, pois foi na esteira dela que se consolidaram limites para o endividamento e para gastos (como os de pessoal) relativamente às receitas públicas, culminando com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Infelizmente, o governo federal não tem limites correspondentes para gastos como o Bolsa-Família e os ligados ao salário mínimo, nem para endividamento, os quais precisariam ser criados e aperfeiçoados.
A propósito, não se vê neste ano eleitoral notícia de que os governadores estaduais estejam envolvidos em farras de gastos como a que ocorre no plano federal. E não se pode dizer que por vocação sejam menos gastadores que o presidente. O que acontece é que estão sujeitos a uma legislação proibitiva que segue o velho ditado: cavalo comedor, cabresto curto.
Assim, sem um cabresto fiscal-eleitoral para o governo federal, vamos continuar observando essa orquestração eleitoreira que tem o presidente-candidato como maestro a comprometer as finanças públicas do País, e a viciar o processo eleitoral. Claramente, há uma distribuição de dinheiro público em busca de votos, com alta probabilidade de sucesso junto a eleitores propensos a votar em reconhecimento das dádivas recebidas. Estas de mais um “pai dos pobres” cujo governo também contribui para mantê-los nessa condição.
250906

10 comentários:

alguem disse...

Que o Lula e o PT são corruptos isso tá quase todo mundo sabendo.

Só falta o Geraldo prometer um aumento no Bolsa Família que está tudo resolvido.

Quem sabe, na quinta a noite, quando de 65 a 70 milhões de pessoas estarão ligadinhos na Globo...??????

rosena disse...

Que este bolsa isso, bolsa aquilo é uma vergonha , sito é. É compra escancarada de votos. O Alckmin em vez de denunciar isto diz que está tudo bem que ele vai até ampliar. Quer garantir uns votinhos no terreno do Lula. Assim não dá.

jose carlos lima disse...

Amigo
jose carlos lima
Depois que troquei o portal UOL(ckmin) pelo meu próprio blog a dor sumiu. Tal provedor estava me machucando, impondo-me cicatrizes no corpo e na alma com seu manchetismo imparcial. E olhe lá que sou assinante. E como todo mês desembolso grana pra eles, eu deveria ser respeitado, senão como cidadão, pelo menos como consumidor. No sentido de alertar outras pessoas, favor passar este texto prá frente. Que todos saibam o que pode estar acontecendo com muita gente, quadros de ansiedade provocados por um noticiário chulo e mentiroso que inclusive pode provocar uma morte súbita. Chega de permitir que nos matem=massacrem=torturem. Que as pessoas saibam o quão mal à saúde pode provocar uma página noticiosa mentirosa que ela nomeia como seu site principal. Cuidado! Esteja atento(a). Este gesto é a favor de si mesmo e da sua saúde.

M Lopes disse...

Compra de votos, chantagem, assassinatos...o que virá a seguir?Os métodos petistas são estes mesmos e continuarão a ser.A sociedde precisa reagir com urgencia, e expulsar pelo voto esta corja do poder.Ainda resta um fio de esperança. Se acontecer o segundo turno, acredito que a sociedade vai acordar do sono e tirar o cachaceiro do poder

Sofia disse...

Sempre fui contra a ação assistencialista/paternalista do governo Lula e principalmente a ação e presença máxima da máquina estatal em todos os setores da sociedade. Sou a favor de uma máquina mais enxuta, mais eficiente e principalmente uma ação real na área educacional. Somente através de educação de qualidade poderíamos reverter a real situação social e econômica no Brasil. É até paradoxo de minha parte, que lá no meu íntimo, até aceito a bolsa –família para aquelas famílias láááá do rincão do Brasil, daquela região bem pobre mesmo e que atenderia em um certo período para “ajudar” na sobrevivência até que esta população tenha aprendido a fazer uma cultura de subexistência( pequenas lavouras, criação de animais etc etc etc). Atender as necessidades de sobrevivência durante um período apenas é justo e aceitável. Mas, do jeito que é feito, não aceito mesmo. É a compra de votos oficializada e o pior com o aval da sociedade.Nenhum político irá mudar este quadro, pois sempre será favoravél a eles. Com relação aos aumentos dados ao salário-mínimo sairão muito caro para todos nós a médio prazo e quem sabe para os próprios assalariados. O tempo nós dirá isso.
A descrença junto a classe política é tamanha que a sociedade não consegue reagir, ir para as ruas manifestar, falar, criticar. Com certeza absoluta acredito que “se não fóssemos obrigados a votar neste próximo domingo mais de 60% da população não iria votar. Esta seria a melhor manifestação de repulsa, de descredito junto aos políticos.
Nós, enquanto sociedade organizada, tínhamos que reagir contra esta situação tão vergonhosa que assola o país.O que fazer Fernando? O que fazer pessoal?

Rebeca disse...

É..... Fernando e comentaristas, o jeito de governar do PT é este mesmo: coagir, massacrar, assassinar, plantar provas, comprar votos, mentem o tempo todo, nunca são transparentes, querem ganhar tudo na força, têm sempre um plano “B” para por em ação, desviam dinheiro, abusam da inteligência alheia achando que estão acima até de Deus e a eles tudo podem.
E pensar que milhares de pessoas ainda acreditam nestas pessoas, acreditam no Lula com aquela cara de safado(desculpa-me, queria dizer bandido mesmo) que não transmite por um só segundo credibilidade. Tem que haver o segundo turno e que possa ocorrer uma mudança neste quadro.

Sofia disse...

As últimas do nosso glorioso Lula: se compara a Jesus e a Tiradentes, é mole????
“O presidente da República se comparou a Cristo e errou porque Cristo nunca foi beijar Judas, nunca foi chamar Judas de companheiro”, começou Fernando Henrique, citando as declarações de Lula após afastar Ricardo Berzoini, presidente do PT, da coordenação de sua campanha. Berzoini foi afastado por ter tido seu nome relacionado à compra do dossiê contra o PSDB. “Isso não é Cristo, é o demônio e nós temos que expulsar ele daqui!”.
Leia a reportagem completa em G1.

Fernando Soares disse...

Amigos,a coisa não está tão feia como se anunciava,Cresce a possibilidade de haver o segundo turno. O eleitor costuma surpreender em cima da hora. O sentimento de indignação da sociedade tem crescido neste últimos dias, causado por mais esta denúncia envolvendo o dossiê contra os tucanos. A aproximação do dia da eleição faz com que muitos reflitam melhor.Lula começa a sentir o golpe. Só um imbecil completo ou algum mal intencionado é capaz de acreditar que com todo o primeiro time de companheiros íntimos envolvidos em atos ilícitos , somente o líder de todos eles não sabia.Lula vai encontrando dificuldades para persistir na mentir

Rebeca disse...

Fernando, espero que você esteja certo mesmo e em cima da hora, lá no momento de votar, a consciência do povo brasileiro fale mais alto. Se Lula neste mandato tinha "n" pessoas com maior poder de decisão ao lado e foi só casos de corrupção um atrás do outro, como será se se eleito neste próximo mandato? Quem estará o apoiando? Será que vamos pagar muito caro por isto?

Júlio César Montenegro disse...

Realmente, é um escândalo pagar um salário mínimo de 350 reais! Gentinha que devia ter se acostumado com os reajustes do Príncipe de l0, 8 e até 6 merrecas por ano! Uma exorbitância aumentar o fucionalismo depois que o FHC demitiu, aposentou e o manteve de cabresto curto por 8 aninhos! Já dar a Vale e outras propriedades do nosso povinho ignorante e ingrato para os grandes tubarões de fora e seus peixinhos de dentro da panela tucana... é o mínimo que um país que quer continuar colônia-amiga dos EEUU deve fazer.
Só queria saber quem paga ao economista que se revolta tanto pela vida dos brasileiros mais pobres estar melhorando. Tanto que nós, a maioria que recebe salários de patrões brasileiros, vamos votar: É LULA DE NOVO, COM A FORÇA DO POVO.