segunda-feira, setembro 18, 2006

DEIXAR COMO ESTÁ

A tendência do eleitorado é pela não renovação do poder executivo, tanto o da União quanto os dos estados. Nestes, se permanecer a vontade majoritária do eleitorado, apontada pelos diversos levantamentos de opinião, a maioria dos atuais governadores será reeleita. Fato que revela a disposição do eleitor de deixar como está, pra ver como fica.



Aprovados:Aécio, Souto,Hartung, Braga e Maggi deverão ser reeleitos no 1º turno
DEIXAR COMO ESTÁ

A tendência do eleitorado é pela não renovação do poder executivo, tanto o da União quanto os dos estados. Nestes, se permanecer a vontade majoritária do eleitorado, apontada pelos diversos levantamentos de opinião, a maioria dos atuais governadores será reeleita. Fato que revela a disposição do eleitor de deixar como está, pra ver como fica.

No campo federal, nem os sucessivos escândalos envolvendo o governo,nem o baixo desempenho da economia, nem os ínfimos investimentos federais em educação, infra- estrutura, saneamento e saúde, foram capazes de demover a maioria dos eleitores de seu propósito de renovar a confiança em Lula. Não se sabe ainda se envolvido por seu discurso populista, se atraído pela cor do dinheiro do Bolsa Família, ou se por ambos e mais alguma coisa. O fato é que a oposição não soube, ou não quis, se contrapor à Lula, contribuindo com sua parte para, provavelmente,a sua reeleição no primeiro turno.

Nos estados, o eleitorado adota uma atitude menos passional e mais refletida.Parece disposto a renovar o voto naqueles que , a seu ver, se não realizaram milagres, pelo menos realizaram o possível. É o caso de Minas, Bahia, Mato Grosso, Espírito Santo e Amazonas, onde os atuais governadores, Aécio Neves(PSDB), Paulo Souto(PFL), Blairo Maggi(PPS), Paulo Hartung(PMDB), e Eduardo Braga(PMDB) serão reeleitos em primeiro turno.Em outros estados, apesar da disputa mais acirrada, é muito provável que , ao final, os atuais dirigentes tenham o seu mandatos renovados, como nos casos do Amapá ( Waldez Góes-PDT), Rio grande do Sul ( Germano Rigotto-PMDB), Piauí (Welhington Dias-PT) Paraíba ( Cássio Cunha Lima- PSDB), Pernambuco (Mendonça Filho-PFL), e Paraná (Roberto Requião-PMDB).

Existem, ainda, estados onde governador em exercício, embora não tente a reeleição, apóia o candidato líder nas pesquisas. É este o caso do Acre, onde o governador Jorge Vianna apóia Binho Marques( PT); do Pará, onde o atual governador Simão Jatene(PSDB) apóia o favorito Almir Gabriel (PSDB); do Rio de Janeiro, onde Sérgio Cabral (PMDB) é apoiado pela governadora Rosinha Matheus(PMDB); e de São Paulo, onde José Serra (PSDB) é apoiado pelo governador Cláudio Lembo (PFL). É importante notar que nestes dois últimos estados é mínima a influência dos atuais dirigentes sobre o favoritismo de “seus” candidatos.Exceção a este quadro é o Mato Grosso do Sul, onde o atual governador, Zeca do PT não consegue atrair votos para o seu candidato Delcídio Amaral(PT), que vem sendo superado amplamente pelo pemedebista André Puccinelli.

Em cinco estados e no Distrito Federal, a persistir o quadro atual, os governadores em exercício cederão lugar a oposicionistas: Goiás, onde Maguito Vilela(PMDB) supera o atual governador Alcides Rogrigues(PP), Ceará, onde Lúcio Alcântara)PSDB) perde para Cid Gomes(PSB); Sergipe, onde João Alves(PFL) é superado por Marcelo Deda(PT); Rio Grande do Norte, onde Garibaldi Alves Filho(PMDB) leva vantagem sobre Wilma Faria (PSB), Tocantins, onde o oposicionista Eduardo Siqueira(PSDB) leva uma pequena vantagem sobre o atual governador Marcelo MirandaPMDB); e no Distrito Federal, onde o oposicionista José Roberto Arruda leva grande distância sobre Maria Abadia (PSDB).

Mesmo considerando as nuances de cada estado, é visível tendência do eleitor pela continuidade. Podem existir algumas explicações que levam a esta tendência. Em primeiro lugar, o conservadorismo do eleitorado que, num ambiente de estabilidade, prefere deixar as coisas como estão a arriscar vôos maiores. Também a Lei de Responsabilidade Fiscal contribuiu para que o comportamento dos dirigentes nos últimos anos, tenha se tornado menos irresponsável, colocando fim na farra com o dinheiro público que caracterizava muitas administrações estaduais em décadas passadas. A crise política e ética do ano passado não afetou os governadores, nem mesmo os do PT, preservando-os , assim, do descrédito e da desmoralização que atingiram em cheio o Congresso, o executivo federal e alguns partidos, em especial o PT.

Por falar no PT, é sintomático também que, com exceção do Sergipe com Marcelo Deda e mais dois estados onde o PT já era governo – Acre e Piauí –, o partido não consiga avançar eleitoralmente. Fica evidente que, neste caso, existe uma reação de repúdio do eleitorado ao comportamento do partido no imbróglio do ano passado. Se Lula, espertamente, lavou as mãos e desvinculou a sua imagem do partido, parece ter caído sobre os ombros do PT todo o ônus de seu comportamento imoral nestes últimos anos. Talvez isto explique porque o partido vai tão mal nas eleições para o executivo dos estados.
180906

2 comentários:

Anônimo disse...

Paulo Souto realmente é um político sério e competente que tem realizado um ótimo governo na bahia. O que atrapalha ele é o ACM que mais atrapalha do que ajuda. Enquanto o senador com suas critica fez tudo para afastar os investimentos da Bahia, o governador trabalhou em silêncio e conseguiu até alguns acordos com o governo federal

Rebeca disse...

Interessante seu artigo e suas posições.
Com relação à eleição de presidente está sendo muito desinteressante, desmotivado influenciado pelos inúmeros casos de corrupção federal e sabemos que neste momento, a camada mais pobre da população é que decidirá o resultado. Não temos muito o que fazer para mudar a situação. Quanto à eleição de governador, o povo reflete mais, participa mais e fica mais atento as realizações do governo estadual. Dá-se a concluir que se Brasília fica distante do povo, lá tudo pode acontecer e que pouco pode influencia-lo no dia-a-dia, mas, como estamos no mesmo estado, é algo mais perto da realidade, fica-se mais atento.
Mas, o que mais importante seria que a população participasse ativamente, com críticas, manifestações tanto na eleição presidencial quanto a estadual.