sábado, setembro 30, 2006

A PROVA DO CRIME




Imagens que valem mais do que mil palavras...

sexta-feira, setembro 29, 2006

VOTO NUMA CAUSA

O Brasil provou estar muito mais preparado para o falatório populista e oco de Lula do que para o didatismo de Cristovam, em sua vã tentativa de mostrar o óbvio ululante: o de que a revolução educacional é a base necessária ao desenvolvimento e a justiça social neste país.


VOTO EM UMA CAUSA

Paradoxalmente, a eleição presidencial deste ano que, pelo que de ruim que aconteceu no governo Lula, tinha tudo para ser a mais disputada, a mais empolgante dos últimos tempos, acabou por se tornar na mais monótona, na mais apática, na mais medíocre. Culpa de quê?Basicamente, da descrença que tomou conta da sociedade, em especial da classe média, pela atividade política e pelos políticos em geral. No mesmo momento em que em Taiwan, na Tailândia e na Hungria – apenas para citar os mais recentes – a população vai às ruas contra governos corruptos, no Brasil, a indignação dos setores mais esclarecidos da sociedade não se transforma em ação efetiva contra o governo. Toda esta indignação fica limitada às páginas da imprensa, e aos sites da internet.

Lula e seu grupo tiveram a competência de reforçar a tese de que, no Brasil, todos os políticos são farinha do mesmo saco em matéria de malfeitos,e que, portanto, os desvios de rotas do PT são comuns a todos os demais partidos e políticos do Brasil. Trata-se de uma falácia. Mas grande parte da sociedade se convenceu disto, e esta convicção serviu como luva aos propósitos de Lula de se livrar da carga que pesava sobre si desde meados do ano passado e tentar reconstruir a sua imagem de “homem do povo” sensível às causas dos mais pobres.

A oposição deu grande contribuição, ao trocar o seu dever de fiscalizar o governo e de fazer cumprir a Constituição pela motivação de ordem eleitoral. A campanha pelo voto nulo, por seu turno, também partiu desta desmotivação do eleitor, desta falsa premissa de que todos os políticos são iguais, e, por isto, também vem servindo aos propósitos do governo.Se bem sucedida, retirará de cena votos válidos que certamente seriam dirigidos a candidatos de oposição. O voto nulo, portanto, será ao final das contas, muito mais um voto em Lula, podendo ser fator decisivo para a reeleição do sapo barbudo ainda no primeiro turno.

Não obstante eu ter sido, ao longo desta campanha, um duro crítico de alguns candidatos da oposição – em especial, do principal deles, Geraldo Alckmin – sou obrigado a reconhecer , agora, que numa comparação com aquele que está no poder, o trio principal de oposicionistas é muito melhor.Se, por um lado, não são candidatos que empolguem pela suas biografias, pelos seus projetos e pela suas atuações políticas, ao menos temos são três candidatos que não constrangiriam o eleitor que em algum deles confiasse o seu voto.Pelo menos, e isto não é pouco nas atuais circunstâncias, aparentam ser mais sérios, honestos e comprometidos com a coisa pública do que o atual presidente.Mas, como disse, tenho restrições à maioria deles.

Sobre Heloisa Helena as minhas restrições são de ordem ideológica. Ela representa hoje o que o PT de Lula representavam em décadas passadas, e um hipotético governo seu seria em termos políticos e econômicos nada menos do que o caos total. Sobre Alckmin, as minhas ressalvas são de ordem administrativa. Apesar da propaganda do candidato ter enfatizado suas realizações como governador de SP, Alckmin, a meu ver, falhou em dois setores fundamentais: educação e segurança. A vergonhosa oitava posição conseguida pelos estudantes paulistas no ranking de avaliação escolar, e a multiplicação das ações terroristas do PCC são a comprovação do que digo.Mesmo assim o considero capaz de exercer a presidência de um modo muito mais competente do que Lula, desde que , vitorioso, consiga unificar o seu partido, ultimamente tomado por divergências, intrigas e vaidades.

Critovam Buarque é um caso à parte, e motivo principal deste artigo. Não a figura do político propriamente dita, mas a causa que ele defende, com obsessiva persistência, nesta campanha,.Sempre considerei que, muito mais do que um simples projeto de governo, falta ao Brasil um projeto de Estado e um projeto de Nação. Lula provou que não tinha sequer um projeto de governo, mas tão somente um projeto de poder. E continua no mesmo caminho.Alckmin anuncia um heterogêneo e pouco consistente projeto de governo. Heloisa Helena esconde um projeto de Estado socialista e autoritário.Cristovam é o único que vai além e parece ter um projeto de Nação.

Assisti com simpatia a sua entrada na corrida presidencial - http://blogdofasoares.blogspot.com/2006/06/debate-qualificado_21.html - e saudei este fato como a esperança de que o debate eleitoral ganharia em qualidade. E ganhou. Mesmo assim, não foi o que eu muitos esperavam. Infelizmente, o Brasil provou estar muito mais preparado para o falatório populista e oco de Lula do que para o didatismo de Cristovam, em sua vã tentativa de mostrar o óbvio ululante: o de que a revolução educacional é a base necessária ao desenvolvimento e a justiça social neste país.O resultado desta pregação tem sido, na maioria das vezes, a desatenção e a ironia com que o candidato tem sido tratado pela mídia, que prefere dar atenção às asneiras ditas por Lula e às generalidades proferidas por Alckmin.

Apesar de tudo, Cristovam termina a campanha ancorado nos 2% de intenção de votos.Quem serão estes dois por cento de eleitores dispostos a votar no senador?Certamente, não são pessoas preocupadas apenas com as política de resultados imediatos e pouco consistentes. Certamente são pessoas que conseguem enxergar além dos próximos quatro anos, e compreendem que muitos dos problemas com os quais nos debatemos todos os dias somente serão resolvidos a médio e longo prazo, desde que iniciada com urgência a tão necessária revolução na educação brasileira. Certamente são pessoas que não se conformam com o velho e inútil debate sobre crescimento econômico e taxas de juros e pensam em termos de desenvolvimento econômico real e consistente, tal como ocorreu no Japão, na Coréia do Sul, em Cingapura, Taiwan, e agora vem ocorrendo na Espanha, na Irlanda, no Chile, países que colocaram a educação no topo das prioridades.Certamente são pessoas que desprezam estas políticas assistencialistas de cunho eleitoreiro praticadas por este governo e enxergam a inclusão destas multidões nos quadros da cidadania e no mercado do trabalho e do capital pela educação de qualidade. É isto! Portanto, muito mais do que no candidato Cristovam Buarque, voto em uma causa.

Tenho, inclusive, pontos de vista divergentes aos do candidato em matéria de educação.muitas vezes ele peca pelo excesso de romantismo plítico e por uma prática muito paternalista. Foi dele, quando governador de Brasília, a semente do projeto Bolsa Escola, ampliado em nível nacional pelo governo FHC e que acabou por se transformar no monstrengo do Bolsa Família no governo Lula, que o candidato pedetista repudia..É dele também o projeto da poupança educação, ou seja, uma conta bancária em nome de cada aluno de escola pública, que terá direito ao saque quando concluir o segundo grau. Vejo com bastante reservas ações deste tipo. Considero que se a escola é boa o governo não precisa pagar para que o aluno nela permaneça.E pagar para que o aluno permaneça numa escola ruim é no mínimo um contra senso e desperdício de dinheiro. Também sou crítico a respeito da pedagogia socialista de Paulo Freire da qual Cristovam parece ser entusiasta. Não obstante as restrições que eu tenha à visão pedagógica do candidato elas não são suficientes para invalidar a sua virtude de colocar o tema na agenda do debate eleitoral com sinceridade e conhecimento de causa, ao contrário dos demais candidatos que não demonstram uma coisa nem outra.

Portanto, votando em Cristovam estarei votando em uma das duas causas que mais me motivam a escrever e a discutir sobre política-a outra é a defesa de um Estado menor e mais eficiente. Estarei também, espero, dando a minha cota de contribuição para que ocorra o segundo turno. Que os eleitores de Alckmin, Heloisa e demais candidatos façam a sua parte, e que os eleitores que pensam em anular o voto como ato de protesto revejam a sua determinação. Já que não tivemos a altivez de sair às ruas e protestar contra a corrupção deste (des)governo, que ouçamos as palavras do ator Carlos Vereza, e não sejamos cúmplices. Farei a minha parte para que ocorra o segundo turno, e, caso ocorra, lá estarei de novo para dar o meu voto contra Lula. Assim seja.
290906


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quinta-feira, setembro 28, 2006

OBRIGAÇÃO MORAL

Hoje em dia, debate eleitoral virou apenas um mero instrumento tático dos partidos e dos candidatos: quem lidera as pesquisas se ausenta, quem está atrás comparece.Quem lidera acha que só tem a perder se comparecer, quem não lidera acha que só tem a ganhar comparecendo.

OBRIGAÇÃO MORAL

Debate eleitoral, como muitas outras, já foi coisa séria neste país. Já se foi o tempo em que contavam com o comparecimento de todos os candidatos e serviam como ponto de referência para a decisão final do eleitor.Hoje em dia, debate eleitoral virou apenas um mero instrumento tático dos partidos e dos candidatos: quem lidera as pesquisas se ausenta, quem está atrás comparece.Quem lidera acha que só tem a perder se comparecer, quem não lidera acha que só tem a ganhar comparecendo.

Não deveria ser assim.O comparecimento de todos aos debates é uma obrigação moral do candidato, já que impossível é obriga-lo legalmente.O candidato, não importa a posição que ocupe nas pesquisas tem o dever de expor as suas idéias ao crivo da opinião pública, questionar e ser questionado pelos seus adversários. A sociedade em geral e o eleitor em particular têm o direito de conhecer o que cada candidato pensa e propõe.

Infelizmente, a ausência dos líderes - justamente os que mais interessam ao cidadão – tem se tornado tão freqüente que já criou uma espécie de jurisprudência.Na última terça feira, por exemplo, o aguardado confronto entre os candidatos ao governo de Minas, Aécio Neves( PSDB) e Nilmário Miranda( PT), transformou-se num tedioso monólogo do segundo, pela ausência do primeiro, frustrando principalmente os eleitores de Aécio, que estão interessados em seus projetos de governo.

No debate de logo mais na TV Globo, o candidato Lula ameaça não comparecer.Quem não deve não teme, mas Lula está temeroso de que seja alvo de pesada artilharia dos adversários, especialmente de Heloisa Helena. Tem muito que responder,mas prefere, talvez, ficar na tranqüilidade do Palácio, convicto de que o resultados das próximas pesquisas eleitorais vão refletir muito pouco a sua ausência.

Para o eleitor consciente, questões táticas e estratégicas dos candidatos não interessam. E também não vale o argumento muito freqüente de que Lula não vai a debates mas os tucanos nos estados – vide Aécio Neves e José serra – também não vão.O que interessa é que eles têm que prestar contas ao cidadão de cada passo, de cada palavra e de cada ato público. Se eles agem desta forma como meros candidatos, é de se imaginar que nível de responsabilidade pública terão depois de eleitos. Portanto, o comparecimento de todos eles ao debate de logo mais é muito mais do que conveniente e aconselhável. É um dever moral.
280906

quarta-feira, setembro 27, 2006

O PERSONALISMO NA POLÍTICA E A ESTRELA CADENTE


Lula não transfere a sua popularidade ao PT nos estados.

A política brasileira se faz muito mais em função de nomes e de pessoas do que de partidos e de idéias. Não é sem motivo que Lula lidera as pesquisas de intenção de votos, enquanto o seu partido claudica na maioria dos estados. É claro que , neste caso ,também contribuiu em muito a crise vivida pelo PT desde o ano passado. Os escândalos do mensalão, valerioduto, dólar na cueca, e a recente crise do dossiê, foram decisivos para a queda do partido. Mas parecem não ter afetado a popularidade de Lula.

Mas este fenômeno do personalismo na política e da fraqueza partidária não ocorre apenas com o PT. É comum aos demais partidos brasileiros. Políticos como Aécio Neves(MG), José Serra(SP), Paulo Souto(BA) e outros, que alcançam um grande índice de popularidade em seus estados, certamente conservariam estes altos índices independente dos partidos aos quais estivessem filiados.O povo não vota no partido, vota em candidatos. É capaz de votar, por exemplo, num candidato petista para presidente, num tucano para o governo de seu estado, num pemedebista para o senado e num pedetista para deputado. Interessa ao eleitor, sobretudo, as qualidades pessoais do candidato, seu carisma ou simpatia, e a sua capacidade administrativa ou legislativa É este forte personalismo que marca a nossa política e esta falta de tradição partidária são o que fazem com que os políticos mudem de partido como quem troca de camisa, sem que isto perturbe o eleitor.Sem dúvida, trata-se de – mais um - um grande mal da nossa política, que somente será corrigido num processo de educação política do povo.

No caso do PT, por mais que Lula se esforce para transferir parte de sua popularidade aos candidatos petistas nos estados, isto não acontece, se o candidato não tiver a sua própria identidade com o eleitorado. E os levantamentos de intenção de votos confirmam isto. O PT só consegue liderar em estados onde já é governo, tanto por força da personalidade do candidato à reeleição quanto do uso da máquina pública em função de sua candidatura.São estes os casos do Acre e do Piauí. Ou onde o candidato já é político conhecido e aprovado pelo eleitor, caso de Sergipe, onde o ex-prefeito de Aracaju, Marcelo Deda, lidera as pesquisas.

Portanto, voltando às eleições presidenciais, Lula só perderá o segundo mandato se a sua imagem pessoal ficar manchada definitivamente perante o eleitor. Trocando em miúdos, se o povo se convencer de que , pessoalmente , usufruiu de toda esta roubalheira patrocinada pelo seu partido.Enquanto ele tiver competência para continuar enganando e convencendo a maioria de que nada sabia e de que foi traído por um bando de aloprados, ele continuará a ter força suficiente para ser reeleito e assumir um segundo mandato. Não importando que o partido que ele fundou, ajudou a construir e liderou, esteja no pior dos infernos. Para a maioria, partidos pouco importa. O que importa são as pessoas.
270906

terça-feira, setembro 26, 2006

O APEDEUTA E OS ALOPRADOS

Mais uma vez, Lula não sabia.Foram os “aloprados” que, à sua revelia, aprontaram mais esta confusão do dossiê contra os candidatos tucanos. Assim como devem ter sido os “aloprados” os responsáveis pelo valerioduto, pelo mensalão e por todos os demais malfeitos que envolveram este governo.A se acreditar em Lula – e tem muita gente que acredita! – nos resta indagar o que faz o presidente num partido que só quer ver a sua caveira.


O APEDEUTA E OS ALOPRADOS.

Mais uma vez, Lula não sabia.Foram os “aloprados” que, à sua revelia, aprontaram mais esta confusão do dossiê contra os candidatos tucanos. Assim como devem ter sido os “aloprados” os responsáveis pelo valerioduto, pelo mensalão e por todos os demais malfeitos que envolveram este governo.A se acreditar em Lula – e tem muita gente que acredita! – nos resta indagar o que faz o presidente num partido que só quer ver a sua caveira. Isto porque todo o primeiro time de colaboradores de Lula, gente que privava ou que ainda priva de sua amizade quase íntima, chega ao fim do mandato, afastados do governo ou do partido, por suspeita de corrupção. Quem poderia imaginar, no início do governo, que José Dirceu, Antonio Palocci, José Genoino, Luis Gushiken, Delúbio Soares, João Paulo Cunha, Silvio pereira, e Ricardo Berzoini cairiam um a um, como pedras de dominó?É muita trição para um homem apenas. Nem cristo , que foi traído por Judas deve ter tido tanta decepção.

Mas, acredite nisto quem quiser.Lula prefere continuar a assumir o papel de idiota do que perder o mandato por acusação de cumplicidade. É o que lhe resta.Por seu turno, os seus subordinados diretos flagrados com a mão na massa, sabem que silêncio é a melhor arma para garantir um novo mandato ao líder. Por isto, ninguém espere que algum deles dê com a língua nos dentes. Sílvio Pereira tentou fazer isto, mas foi “convencido” pelos colegas de partido a retornar ao mutismo e ao anonimato.

Tolos são aqueles que acreditam que os figurões e as figurinhas afastadas por conta das sucessivas crises deixaram de atuar ou de exercer influência no partido. A começar por José Dirceu, que continua forte e influente como sempre, apesar de não possuir nenhum cargo no partido.Nos bastidores do partido e no submundo do poder estas figuras continuam a manipular , a intrigar, a chantagear, como sempre fizeram, e contam com a reeleição de Lula para lenta e discretamente retomarem o controle de cargos e a exercer influência no futuro governo do apedeuta.

Quanto a nós, resta torcermos para que tudo seja esclarecido o mais rápido possível, para que a origem de toda esta grana seja apurada,para que os culpados sejam punidos.Como isto não será possível antes de 1º de outubro que a sociedade saia da letargia, atire no lixo esta idéia de anular o voto e provoque o segundo turno. Havendo o segundo turno, que Lula seja mandado de volta para São Bernardo e responda pelos crimes que cometeu.É só o que pedimos.
260906

segunda-feira, setembro 25, 2006

LULA E O JABÁ ELEITOREIRO

CORONÉ LULA
A reeleição traz consigo a possibilidade de abuso de poder e do uso da máquina pública para fins eleitorais.Lula tem usado e abusado deste expediente.Sem escrúpulos, como é do seu feitio, promoveu neste último ano de governo um autêntico trem da alegria , beneficiando funcionários federais, aposentados que ganham um salário mínimo e beneficiários do bolsa Família.Trata-se de farta distribuição de dinheiro para camadas da população que hoje garantem a liderança de Lula nas pesquisas. O economista Roberto Macedo, em artigo no Estado de São Paulo, transcrito no blog Argumento e Prosa - http://argumentoeprosa.blogspot.com/ - .faz uma interessante analogia entre a generosidade governamental com o dinheiro público e o “jabá” que as gravadoras pagam às emissoras de rádio para a execução de determinadas músicas. É o jabá eleitoral.Eu diria mais: trata-se da ampliação, em nível nacional, das práticas dos antigos coronéis da política em seus redutos eleitorais: uma dentadura em troca de um voto; um saco de cimento em troca de um voto; um remédio em troca de um voto. Lula consolida, então, o coronelismo em dimensão nacional .Mas, vamos ao artigo de Roberto Macedo ( FS)




LULA E O JABÁ ELEITOREIRO

Por Roberto Macedo em O Estado de São Paulo
A eleição presidencial deste ano tem uma escandalosa, enorme e custosa novidade em matéria de vícios do processo eleitoral, pois nunca “neste país” um candidato usou tanto dinheiro público para cooptar eleitores a votar nele. Refiro-me às práticas do presidente-candidato Lula, ao distribuir benesses claramente programadas e agendadas com esse objetivo.
A mais importante e custosa foi a elevação, este ano, do salário mínimo - também piso do INSS - de R$ 300 para R$ 350, um reajuste de 16,7% para uma inflação de cerca de 5% desde o reajuste anterior, caracterizando, assim, um aumento real acima de 10%. Custo estimado para o bolso do contribuinte: R$ 7,8 bilhões. Desde seu início o governo Lula vinha adotando expressivos reajustes reais do mínimo, mas o último foi particularmente acentuado.
Também de enorme custo foram vários reajustes concedidos a servidores públicos e aprovados pelo Congresso no seu último “esforço” concentrado antes do período eleitoral. Segundo matéria publicada ontem neste jornal, alcançaram mais de 110 mil servidores, a um custo de R$ 5,2 bilhões até 2008, quando a última parcela da farra entrar em vigor. Digo farra porque no processo foram atropelados critérios que deveriam pautar esses reajustes, como o da equivalência salarial com o setor privado.
Neste caso também há um histórico que vem do início do governo, que recorreu ainda a forte ampliação do número de funcionários, inclusive por meio de mais cargos sem concursos para a turma da “boquinha”, como a desse Freud que acaba de sair. A mesma reportagem informa que a folha de pagamentos do Executivo se ampliou de R$ 75 bilhões, em 2003, para R$ 112 bilhões, neste ano.
Como o forte reajuste do salário mínimo, outra medida mais claramente eleitoreira no seu tempo e no seu alcance foi a ampliação do programa Bolsa-Família, cujo número de beneficiárias passou de 8,3 milhões para 11,1 milhões este ano, ainda segundo a mesma notícia. A medida ampliará em mais R$ 2 bilhões por ano as despesas com o programa.

Tais benesses de cunho marcadamente eleitoreiro me lembram o jabaculê, ou simplesmente jabá, nome dado ao esquema pelo qual empresas fonográficas fazem pagamentos a rádios para que incluam determinadas gravações na sua programação usual. É claro que benesses eleitoreiras como as apontadas não têm o voto como condicionante do recebimento, mas a falta de ética é a mesma. Em particular, dadas as carências de aposentados que ganham o salário mínimo e das beneficiárias do Bolsa-Família, é muito alta a probabilidade de sucesso desse é-dando-que-se-recebe.
Outro aspecto comum aos dois jabás é que vêm de forma disfarçada. Nas gravadoras e rádios se fala de “verba de divulgação”, no jabá eleitoreiro há sempre o pretexto do “tudo pelo social”. Não há razões legítimas para que a preocupação com o social esteja ligada ao ciclo eleitoral. Assim, é claro o interesse em buscar votos. Como no jabá radiofônico, há uma programação a executar.
Quando, em 2003, o deputado Fernando Ferro (PT-PE) apresentou projeto de criminalização deste último jabá, declarou que os ouvintes “consomem uma operação financeira, e não uma opção de programação”. Hoje, o que há é a distribuição de dinheiro público para que seu tilintar torne os ouvidos mais abertos ao canto de um candidato, influenciando preferências por sua música eleitoral. Nos dois casos, em troca também se aperta um botão: o da execução da música e o do voto na urna.
Tal perniciosa prática eleitoreira precisa ser proibida e criminalizada, para o que há duas alternativas, isoladas ou complementares. A primeira seria acabar com a o instituto da reeleição, o que diminuiria o interesse presidencial pela prática. A segunda seria proibir, nos dois anos finais de mandato, reajustes acima da inflação tanto para o salário mínimo como para salários de servidores, aposentadorias pagas pelo governo e verbas de programas sociais pagos em dinheiro.
Alguém poderia argumentar que propostas como essas são de economistas distantes da realidade política nacional. Ora, nosso papel é sugerir soluções econômico-financeiras, e sabemos que as chances de adoção são bem maiores quando o problema se torna mais grave, como nesse caso, e como ocorreu com a inflação e com a crise das dívidas estaduais.
É essa crise que deve servir de exemplo, pois foi na esteira dela que se consolidaram limites para o endividamento e para gastos (como os de pessoal) relativamente às receitas públicas, culminando com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Infelizmente, o governo federal não tem limites correspondentes para gastos como o Bolsa-Família e os ligados ao salário mínimo, nem para endividamento, os quais precisariam ser criados e aperfeiçoados.
A propósito, não se vê neste ano eleitoral notícia de que os governadores estaduais estejam envolvidos em farras de gastos como a que ocorre no plano federal. E não se pode dizer que por vocação sejam menos gastadores que o presidente. O que acontece é que estão sujeitos a uma legislação proibitiva que segue o velho ditado: cavalo comedor, cabresto curto.
Assim, sem um cabresto fiscal-eleitoral para o governo federal, vamos continuar observando essa orquestração eleitoreira que tem o presidente-candidato como maestro a comprometer as finanças públicas do País, e a viciar o processo eleitoral. Claramente, há uma distribuição de dinheiro público em busca de votos, com alta probabilidade de sucesso junto a eleitores propensos a votar em reconhecimento das dádivas recebidas. Estas de mais um “pai dos pobres” cujo governo também contribui para mantê-los nessa condição.
250906

quinta-feira, setembro 21, 2006

A RESPONSABILIDADE DE LULA

O fato é que, desde que assumiu o governo, o comportamento de Lula e seus companheiros têm ultrapassado os limites da legalidade,e muitas vezes, entrado em choque frontal com a Constituição, com a moral e os bons costumes políticos, numa atitude típica de quem não se adapta ao mundo da democracia.



CULPA DA OPOSIÇÃO?Quem colocou esta turma no governo?
A RESPONSABILIDADE DE LULA

Pressionado pelos fatos, o PT mais uma vez tenta escapar pela tangente, se enrola, se complica , se contradiz e tenta atribuir à oposição os seus malfeitos, as suas trapalhadas.Flagrado numa ainda mal explicada montagem de um dossiê contra o candidato ao governo paulista, José Serra,membros e lideranças do partido se contradizem.

O fato é que, desde que assumiu o governo, o comportamento de Lula e seus companheiros têm ultrapassado os limites da legalidade,e muitas vezes, entrado em choque frontal com a Constituição, com a moral e os bons costumes políticos, numa atitude típica de quem não se adapta ao mundo da democracia.Atuam como se permanecessem no submundo da política, como se mafiosos fossem, e como se nenhuma responsabilidade tivessem no sentido de preservar a ordem e as instituições democráticas do país.

Ao contrario, tomam atitudes que parecem visar muito mais a implosão da democracia, agindo como terroristas e usando como armas o golpe baixo, a chantagem contra adversários, e muito dinheiro, cuja origem é incerta e duvidosa.Atuam na política como se esta fosse uma guerra sangrenta pelo poder, onde qualquer meio é válido para se alcançar o fim pretendido.

É irrelevante, agora, saber se o presidente tinha ou não conhecimento deste episódio específico. Durante mais de um ano estamos a discutir se Lula sabia ou não sobre os fatos escabrosos que envolvem o seu governo, como se o fato de saber ou não saber o tornasse culpado ou inocente. Não é esta a questão. A questão é que o presidente da República tem, sim, responsabilidade sobre os fatos criminosos que ocorrem. Foi por sua obra e graça que estas pessoas se incrustaram na administração federal. Foi sob seu comando e orientação que pessoas como José Dirceu, José Genoino, Delubio Soares,Antonio Palocci e Ricardo Berzoine assumiram os principais postos da administração e do partido. Foi sob sua orientação que a máquina pública federal foi aparelhada com militantes inescrupulosos , dispostos a agir contra a nação em defesa de interesses mesquinhos e particulares. Enfim, Lula colocou no governo o que de pior existe nos quadros da militância partidária, e se isto deu no que deu, é ele o responsável principal.

Se Lula for responsabilizado por crime eleitoral e perder o cargo, não terá o PT como culpar a oposição, que, ao longo de todos os episódios que vem marcando o governo Lula, tem tido um comportamento discreto, tímido e condescendente demais.Terá o PT que olhar para a própria casa, e encontrar os elementos que levaram o governo de Lula ao abismo. Se Lula escapar ileso de mais esta, for reeleito e assumir por mais quatro anos, terá que agradecer à oposição, pois foi ela a sua grande aliada nestes momentos de crises, provocadas, todas elas, por seus próprios partidários. Tivesse Lula nos seus calcanhares uma oposição tão intransigente quanto a do PT nos governos anteriores, estaria há muito, fora do poder.
210906

terça-feira, setembro 19, 2006

QUE SE INVESTIGUE TUDO!


O assessor da Presidência, Lula e Serra: quem vai dançar nessa história?

QUE SE INVESTIGUE TUDO!
O PT não toma juízo! Depois de protagonizar valerioduto, mensalões, dólar na cueca, dança da pizza e outros atos pouco dignos, o nome do partido mais uma vez aparece envolvido numa história que precisa ser esclarecida para o bem do interesse público. Trata-se da negociação entre Luis Antonio Vedoin, pessoas ligadas ao PT e a revista Isto É de um dossiê contendo supostas provas do envolvimento de José Serra com a máfia das ambulâncias superfaturadas. Não se sabe até onde vai a participação do partido ou do governo neste episódio, mas, pelo que foi apurado, chega bem próximo ao gabinete de Lula, pois envolve um assessor da Presidência, Freud Godoy

. O caso é grave porque tanto envolve situações e revelações que podem comprometer a imagens e candidaturas De Lula, se ficar provado o seu envolvimento ou de sua campanha neste episódio. De Serra, se ficar provado que o tal dossiê diz a verdade sobre a participação do tucano no esquema das ambulâncias.

O primeiro aspecto a ser enfocado é o do provável uso de métodos escusos para se conseguir “provas” contra um político. Se os Vedoin possuíam um dossiê com revelações bombásticas contra os candidatos Serra e Alckmin, deveriam tê-lo apresentado há mais tempo, quando de suas primeiras denúncias, e usando os canais competentes do Ministério Público e da Polícia Federal. Se não o fizeram na ocasião propícia, e agora usam como instrumentos o PT e a revista Isto É, colocam sob suspeita a veracidade do que divulgam, e sinalizam que se trata, isto sim, de uma grande farsa.Por fim, em sendo verdadeiros os fatos, cometeram crime de ocultação de provas.

O segundo aspecto é sobre a participação de pessoas ligadas ao partido e ao governo. Sabe-se que seriam pagos cerca de dois milhões pelo dossiê, mas se desconhece a origem deste dinheiro.Ao mesmo tempo, não se sabe como seria usado o material, mas está óbvio que o objetivo era detonar a candidatura de Serra ao governo do estado, com benefício imediato para o seu concorrente mais próximo, o petista Mercadante. De qualquer forma, o estrago na candidatura de Serra já começou a ser feito com a divulgação da reportagem da revista, neste final de semana. Nela, Darci Vedoin acusa as gestões de Serra e de seu sucessor no Ministério da Saúde, Barjas Negri, de facilitação da ação da máfia das ambulâncias, entre 2000 e 2002. Portanto, independente do fato das revelações e documentos serem verídicos ou não, o crime eleitoral já está caracterizado.

Um outro aspecto, que a rivalidade entre os partidos e a parcialidade de certos setores da mídia têm desprezado, é que, por mais desqualificados que sejam os acusadores, por mais descrédito que mereçam os intermediários, e por mais sujos que sejam os propósitos de todos,o fato é que há uma acusação grave contra José Serra. Como provas, existiriam vídeos, agendas, fotos. Se José Serra quer preservar o bom conceito que desfruta no mundo político, deve ser o primeiro a exigir que se investigue e se esclareça este episódio. Não pode ter o mesmo comportamento de Lula, que “não sabia, não via, não conhecia”, gerando dúvidas e inquietações sobre sua pessoa e seu comportamento ético.

Portanto, para o bem de todos e felicidade geral da nação, este episódio tem que ser investigado e esclarecido sob todos os ângulos. Se, por um ângulo, a investigação levar à comprovação de que todo o dossiê não passa de uma grande farsa, montada para derrubar uma candidatura, fica caracterizado o crime eleitoral , se provado o envolvimento do PT ou do próprio candidato.Neste caso,.que a candidatura de Lula seja impugnada, e ,se eleito e empossado, que seja destituído. Se, por outro ângulo, as investigações provarem o envolvimento de Serra com o esquema das ambulâncias superfaturadas, que ele seja responsabilizado e exemplarmente punido. É assim que se processa nos países democráticos. O que não pode é a sociedade continuar a assistir perplexa a uma sucessão de denúncias e de escândalos sem que nenhuma providência seja tomada e tudo termine no vazio.
190906

segunda-feira, setembro 18, 2006

DEIXAR COMO ESTÁ

A tendência do eleitorado é pela não renovação do poder executivo, tanto o da União quanto os dos estados. Nestes, se permanecer a vontade majoritária do eleitorado, apontada pelos diversos levantamentos de opinião, a maioria dos atuais governadores será reeleita. Fato que revela a disposição do eleitor de deixar como está, pra ver como fica.



Aprovados:Aécio, Souto,Hartung, Braga e Maggi deverão ser reeleitos no 1º turno
DEIXAR COMO ESTÁ

A tendência do eleitorado é pela não renovação do poder executivo, tanto o da União quanto os dos estados. Nestes, se permanecer a vontade majoritária do eleitorado, apontada pelos diversos levantamentos de opinião, a maioria dos atuais governadores será reeleita. Fato que revela a disposição do eleitor de deixar como está, pra ver como fica.

No campo federal, nem os sucessivos escândalos envolvendo o governo,nem o baixo desempenho da economia, nem os ínfimos investimentos federais em educação, infra- estrutura, saneamento e saúde, foram capazes de demover a maioria dos eleitores de seu propósito de renovar a confiança em Lula. Não se sabe ainda se envolvido por seu discurso populista, se atraído pela cor do dinheiro do Bolsa Família, ou se por ambos e mais alguma coisa. O fato é que a oposição não soube, ou não quis, se contrapor à Lula, contribuindo com sua parte para, provavelmente,a sua reeleição no primeiro turno.

Nos estados, o eleitorado adota uma atitude menos passional e mais refletida.Parece disposto a renovar o voto naqueles que , a seu ver, se não realizaram milagres, pelo menos realizaram o possível. É o caso de Minas, Bahia, Mato Grosso, Espírito Santo e Amazonas, onde os atuais governadores, Aécio Neves(PSDB), Paulo Souto(PFL), Blairo Maggi(PPS), Paulo Hartung(PMDB), e Eduardo Braga(PMDB) serão reeleitos em primeiro turno.Em outros estados, apesar da disputa mais acirrada, é muito provável que , ao final, os atuais dirigentes tenham o seu mandatos renovados, como nos casos do Amapá ( Waldez Góes-PDT), Rio grande do Sul ( Germano Rigotto-PMDB), Piauí (Welhington Dias-PT) Paraíba ( Cássio Cunha Lima- PSDB), Pernambuco (Mendonça Filho-PFL), e Paraná (Roberto Requião-PMDB).

Existem, ainda, estados onde governador em exercício, embora não tente a reeleição, apóia o candidato líder nas pesquisas. É este o caso do Acre, onde o governador Jorge Vianna apóia Binho Marques( PT); do Pará, onde o atual governador Simão Jatene(PSDB) apóia o favorito Almir Gabriel (PSDB); do Rio de Janeiro, onde Sérgio Cabral (PMDB) é apoiado pela governadora Rosinha Matheus(PMDB); e de São Paulo, onde José Serra (PSDB) é apoiado pelo governador Cláudio Lembo (PFL). É importante notar que nestes dois últimos estados é mínima a influência dos atuais dirigentes sobre o favoritismo de “seus” candidatos.Exceção a este quadro é o Mato Grosso do Sul, onde o atual governador, Zeca do PT não consegue atrair votos para o seu candidato Delcídio Amaral(PT), que vem sendo superado amplamente pelo pemedebista André Puccinelli.

Em cinco estados e no Distrito Federal, a persistir o quadro atual, os governadores em exercício cederão lugar a oposicionistas: Goiás, onde Maguito Vilela(PMDB) supera o atual governador Alcides Rogrigues(PP), Ceará, onde Lúcio Alcântara)PSDB) perde para Cid Gomes(PSB); Sergipe, onde João Alves(PFL) é superado por Marcelo Deda(PT); Rio Grande do Norte, onde Garibaldi Alves Filho(PMDB) leva vantagem sobre Wilma Faria (PSB), Tocantins, onde o oposicionista Eduardo Siqueira(PSDB) leva uma pequena vantagem sobre o atual governador Marcelo MirandaPMDB); e no Distrito Federal, onde o oposicionista José Roberto Arruda leva grande distância sobre Maria Abadia (PSDB).

Mesmo considerando as nuances de cada estado, é visível tendência do eleitor pela continuidade. Podem existir algumas explicações que levam a esta tendência. Em primeiro lugar, o conservadorismo do eleitorado que, num ambiente de estabilidade, prefere deixar as coisas como estão a arriscar vôos maiores. Também a Lei de Responsabilidade Fiscal contribuiu para que o comportamento dos dirigentes nos últimos anos, tenha se tornado menos irresponsável, colocando fim na farra com o dinheiro público que caracterizava muitas administrações estaduais em décadas passadas. A crise política e ética do ano passado não afetou os governadores, nem mesmo os do PT, preservando-os , assim, do descrédito e da desmoralização que atingiram em cheio o Congresso, o executivo federal e alguns partidos, em especial o PT.

Por falar no PT, é sintomático também que, com exceção do Sergipe com Marcelo Deda e mais dois estados onde o PT já era governo – Acre e Piauí –, o partido não consiga avançar eleitoralmente. Fica evidente que, neste caso, existe uma reação de repúdio do eleitorado ao comportamento do partido no imbróglio do ano passado. Se Lula, espertamente, lavou as mãos e desvinculou a sua imagem do partido, parece ter caído sobre os ombros do PT todo o ônus de seu comportamento imoral nestes últimos anos. Talvez isto explique porque o partido vai tão mal nas eleições para o executivo dos estados.
180906

sexta-feira, setembro 15, 2006

CAMPANHA MEDÍOCRE

Muito mais do que a educação, a segurança, o crescimento econômico e a ética na política, o que está mobilizando o eleitorado em favor de uma candidatura é a dependência desta esmola governamental intitulada Bolsa Família, que os membros do governo preferem denominar “política de transferência de renda”. Desta forma, esta campanha que já ganha o titulo de a mais desanimada dos últimos tempos, corre o risco de se transformar na mais medíocre de todas.


Bolsa-Família: política de transferência de renda ou esmolário oficial?

CAMPANHA MEDÍOCRE
Houve um tempo em que o eleitorado se mobilizava por causas mais nobres. Nas últimas quatro eleições presidenciais, não faltaram temas a centralizar a atenção do eleitor. Em 1989, a necessidade de se combater à inflação. Fernando Collor soube mais do que outro candidato aparecer como possuidor de uma fórmula milagrosa para acabar com a inflação, e por isto foi eleito.Em 1994, mais do que um tema, havia uma política consistente de estabilidade econômica sendo implantada, através do Plano Real, fato que levou o até então desconhecido Fernando Henrique ao poder.Este mesmo Fernando Henrique foi a garantia , nas eleições de 1998, de que a estabilidade conseguida com o Real,ameaçada por sucessivas crises internacionais, não correria riscos, e por isto foi reeleito..Em 2002, foi a necessidade de crescimento econômico e diminuição da pobreza, após oito anos de estabilidade, mas de baixo crescimento,o fator que motivou a maioria a despejar seus votos em Lula.

A campanha presidencial deste ano, ao contrário das campanhas anteriores, se ressente da ausência de uma grande causa, ou de um tema consistente que empolgue o eleitorado, e o mobilize em torno de um ou mais candidatos.. Poderia ser a educação, se a certeira proposta de Cristovam Buarque motivasse a mídia, a opinião pública, e convencesse as camadas mais pobres da população.Poderia ser o combate à corrupção, se a oposição não se omitisse tanto neste tema -talvez com receio de mostrar o próprio rabo – e conseguisse mobilizar a sociedade contra as peripécias do governo Lula. Poderia ser a segurança, se Alckmin não tivesse tanto constrangimento em encarar um tema que foi o seu ponto fraco na administração de SP.

Por paradoxal que pareça, num momento em que o país atravessa uma de suas maiores crises éticas, em que o crescimento econômico é medíocre, em que a segurança do cidadão corre riscos, em que o ensino público e a saúde estão em completo abandono, o eleitorado parece não estar sensibilizado por nenhuma destas questões ou, de fato, não acredita que algum dos candidatos seja capaz de resolve-las..

Diante da incapacidade ou falta de credibilidade da oposição de empunhar uma bandeira que, de fato, mobilize a sociedade, Lula ocupou o seu espaço, e usando e abusando da máquina governamental, empunhou a única bandeira que lhe restou após quatro anos de medíocre governo, ou seja, o assistencialismo. E com isso conseguiu o apoio maciço das camadas mais carentes da população.Em plena campanha, acenou com a continuidade do programa assistencialista e, veladamente, chantageou seus prováveis eleitores com a ameaça de que a vitória da oposição significaria o fim dos programas.

Resultado: muitíssimo mais do que a educação, a segurança, o crescimento econômico e a ética na política, o que está mobilizando o eleitorado em favor de uma candidatura é a dependência desta esmola governamental intitulada Bolsa Família, que os membros do governo preferem denominar “política de transferência de renda”. Desta forma, esta campanha, que já ganha o titulo de a mais desanimada dos últimos tempos, corre o risco de se transformar na mais medíocre de todas.
150906

quinta-feira, setembro 14, 2006

FUGA DE CAPITAIS II


Gerdau no Chile: melhor ambiente para investimentos atrai empresas brasileiras.

FUGA DE CAPITAIS II

O Brasil é um país atrativo aos investimentos produtivos e à realização de negócios? A se acreditar na propaganda governamental, sim. Pelo relatório Fazendo Negócios 2007, elaborado pelo Banco Mundial,não. O país ficou em 121° lugar num ranking de 175 países, em termos de facilidade para abertura de negócios. Na América Latina, o Brasil é o quarto país com ambiente mais difícil de se fazer negócios. Ficou na frente apenas do Equador, Bolívia e Venezuela.

O relatório considera dez quesitos relacionados à facilidade para se começar um negócio: abertura, licenciamentos, contratação de funcionários, registro de marcas, obtenção de crédito, proteção de investidores, impostos, comércio entre países, respeito à contratos e fechamento de negócios. Na maioria deles o Brasil foi reprovado.O Brasil é, por exemplo, o país latino-americano onde mais se demora a abrir uma empresa: em média 152 dias. Isso é mais de cinco vezes o prazo necessário no Chile ou no México.

A alta carga tributária, o excesso de regulamentação e os baixos investimentos públicos em infra-estrutura são apontados como as principais razões do desestímulo aos investimentos e da fuga de capitais do Brasil.Enquanto isto, a propaganda oficial do governo Lula mais uma vez entra em choque com os números e com a realidade.
140906

RANKING DOS PAÍSES QUE TÊM MELHOR AMBIENTE PARA SE FAZER NEGÓCIOS.

NA AMÉRICA LATINA:
1. Chile
2. México
3. Uruguai
4. Peru
5. Nicarágua
6. El Salvador
7. Colômbia
8. Panamá
9. Argentina
10. Costa Rica
11. Honduras
12. Paraguai
13. Guatemala
14. Brasil
15. Equador
16. Bolívia
17. Venezuela

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NO MUNDO

1.Cigapura
2.Nova Zelândia
3.EUA
4.Canadá
5.Hong Kong
6.Reino Unido
7.Dinamarca
8.Australia
9.Noruega
10. Irlanda
28. Chile
64. Uruguai
93. China
112. Paraguai
121. Brasil
131. Bolívia
164 .Venezuela
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Fonte:ONU

terça-feira, setembro 12, 2006

DE OLHO EM 2010 II

Menos pela falta de carisma do candidato, e mais pela disputa em torno de 2010, Alckmin não vingou.Calouro, num ninho de cobras criadas, o ex-governador acreditou que bastava o prestígio e a força do seu cargo para se impor, mesmo contra a vontade dos caciques tucanos. Não se impôs. De olho em 2010,todos eles abandonaram Alckmin à própria sorte, e, assim, contribuíram de alguma forma para consolidar a vitória de Lula.Pela segunda vez, em menos de um ano, Lula deve agradecer a generosidade tucana.




DE OLHO EM 2010 - II

Com a eleição residencial praticamente definida, faltando apenas o ritual de formalização em outubro, os caciques políticos já trabalham com o pensamento voltado para 2010. Isto, se, no segundo mandato de Lula, tudo correr nos trilhos, coisa que muita gente, na qual eu me incluo, duvida. Se eleito no primeiro turno com esmagadora maioria, poderá ser tentado a governar acima dos partidos, do Congresso e das instituições, estabelecendo um canal direto com as massas, e assumindo de vez o papel de “pai dos pobres”. Para quem no atual mandato constituiu ou deixou que se constituísse um ardiloso esquema de corrupção com o propósito de perpetuação no poder, tudo é possível de acontecer num segundo mandato.

Uma coisa é certa: se Lula quiser governar sobre os trilhos da democracia e do respeito às instituições, encontrará dificuldades maiores do que no atual mandato. Isto porque nada ,por enquanto, permite vislumbrar um Congresso menos fisiológico e corrupto do que o atual , e partidos mais dispostos a promover idéias e projetos do que negociar posições e cargos na administração federal,como acontece agora.

Ao que tudo indica, Lula contará com o apoio de um PT enfraquecido e desmoralizado, um PMDB dividido, e meia dúzia de partidos fracos e não confiáveis. Por isto, são plenamente compreensíveis e razoáveis as suspeitas de que Lula, a exemplo do venezuelano Chávez e do boliviano Morales, tente enveredar pelo caminho do autoritarismo populista, e, num golpe constitucional, promova a prorrogação do seu mandato.Mas vamos, ao menos nesta análise, tentar ser otimistas e imaginar que Lula não tente o caminho da aventura política.

É com esta possibilidade que os seus principais adversários, os tucanos, contam. Eles torcem para que Lula exerça um mandato medíocre, porém dentro da normalidade constitucional. Os tucanos obviamente não têm interesse em ver o circo em chamas, confiantes que estão de que 2010 será o seu grande ano.A principio, mais do que qualquer outro partido, o PSDB tem candidatos fortes – os próximos governadores de SP e MG – mas precisam, primeiro, de colocar ordem na própria casa, desarrumada com as intrigas e conflitos que vêm marcando a campanha de Alckmin. Existe um choque de interesses entre as principais lideranças tucanas. J Serra não se entende com Aécio, porque sabe ser ele o seu principal oponente, dentro do partido, em 2010. Aécio critica a hegemonia paulista no partido e defende a descentralização, admitindo até mesmo deixar o PSDB se não conseguir vencer as resistências dos serristas. Tasso Jereissati é criticado porque, sendo presidente do partido, não assumiu as sua responsabilidades, e, praticamente, abandonou a campanha de Alckmin para se dedicar à sua província, onde anda às turras com o governador tucano Lúcio Alcântara, que resolveu apoiar Lula. Até mesmo Fernando Henrique , que andava murcho e isolado, resolveu colocar fogo no ninho dos tucanos . Numa Carta Aberta divulgada no final da semana passada, desabafa toda a sua indignação e mágoa com o governo Lula e com o comando do seu partido.( ver: http://www.psdb.org.br/noticias.asp?id=25740

Além de arrumar a própria casa, têm que contar com um desempenho medíocre de Lula no segundo mandato, evitando repetir o erro de menosprezar a sua capacidade de reação em situações adversas, o que aconteceu quando da crise do mensalão. Se Lula realizar um governo um pouco acima da média , com ênfase no assistencialismo populista, certamente terá forças suficiente para indicar um candidato competitivo, pronto para tirar o sono e o sonho dos tucanos com relação à presidência em 2010. Afinal, não é de todo falsa a imagem de que um governante forte consegue eleger até mesmo um poste.

O fato é que, muito menos pela falta de carisma do candidato, e mais pela disputa em torno de 2010, Alckmin não vingou.Calouro, num ninho de cobras criadas, o ex-governador acreditou que bastava o prestígio e a força do seu cargo para se impor, mesmo contra a vontade dos caciques tucanos. Não se impôs. De olho em 2010,todos eles abandonaram Alckmin à própria sorte, e, assim, contribuíram de alguma forma para consolidar a vitória de Lula.Pela segunda vez, em menos de um ano, Lula deve agradecer a generosidade tucana.
120906

segunda-feira, setembro 11, 2006

O MARCO INICIAL



O MARCO INICIAL
Os atentados de 11 de setembro de 2001 ainda não estão distantes, no tempo, o suficiente para que deles possamos tirar conclusões definitivas. Mesmo assim, os cinco anos que nos separam do acontecimento já são suficientes para acentuar a percepção de que a intensificação dos limites à liberdade dos cidadãos, em nome de uma suposta segurança coletiva, parece ser uma marca definitiva , deixada como herança, dos atentados.A opinião pública, os intelectuais e a mídia têm questionado se esse não seria um preço muito alto que as democracias ocidentais teriam que pagar pela sensação de segurança. O fato é que caminhamos para ter estados cada vez mais militarizados, e o controle sobre a vida individual dos cidadãos tenderá a ser cada vez maior.Por outro lado, o terrorismo passa a assumir um caráter cada vez mais globalizado, ao mesmo tempo em que o distanciamento entre o ocidente e o oriente islâmico assume uma proporção ainda inédita na História, pelo menos desde a expansão dos árabes, entre os séculos VII e XI.

Demorará algum tempo ainda para que possamos compreender em toda a sua dimensão e profundidade que representaram os ataques terroristas de 11 de setembro. Não temos dúvidas, entretanto, de que representaram o marco inicial do século XXI.
110906

sexta-feira, setembro 08, 2006

LIBERDADE ECONÔMICA E ESTADO EFICIENTE

Mas o Brasil está muito longe de perceber isto.Ao lado da pequena vocação do nosso empresariado para os riscos da livre-iniciativa, temos a ineficiência secular do Estado.O que trava o progresso econômico e gera receio dos empreendedores econômicos mais dinâmicos é a onipresença e a ineficiência do Estado, com suas políticas indefinidas, com sua sanha tributária, com sua regulamentação excessiva, com sua corrupção desenfreada, com seu incontrolável desperdício de dinheiro, com suas dívidas impagáveis, com seu assistencialismo exagerado e inútil.


Ineficiência do Estado, desestímulo à livre iniciativa e pobreza: combinação trágica...




LIBERDADE ECONÔMICA E ESTADO EFICIENTE
Não creio serem incompatíveis a liberdade econômica e a presença do Estado.O problema aparece quando se tenta reduzir tudo à dicotomia Estado Máximo X Estado Mínimo. Se de um lado somos conduzidos ao gigantismo e à ineficiência, do outro, o termo passou a tomar um sentido pejorativo, uma vez que, na maioria dos casos, passou a significar a total ausência de políticas sociais.Melhor seria então falar em Estado eficiente: um estado pequeno, racional, suficiente para colocar em prática, políticas sociais básicas.Políticas que signifiquem a oferta de instrumentos –educação, saúde e emprego - que possibilitem aos mais pobres a igualdade de oportunidades.O que não é pouco.

O que eu quero afirmar é que, ao contrário do que tenta argumentar a esquerda ,a liberdade econômica é perfeitamente compatível com o que chamamos de "inclusão social".Pois é o próprio dinamismo das atividades econômicas, baseado na livre iniciativa e na livre competição, que vai promover a multiplicação das oportunidades de trabalho e de ganhos..É a liberdade econômica que promove o crescimento, e, com ele, a oferta de empregos. O papel do governo será o de implementar políticas sociais efetivas que possibilitarão a inserção do maior número possível de pessoas neste processo.

Mas o Brasil está muito longe de perceber isto.Ao lado da pequena vocação do nosso empresariado para os riscos da livre-iniciativa, temos a ineficiência secular do Estado.O que trava o progresso econômico e gera receio dos empreendedores econômicos mais dinâmicos é a onipresença e a ineficiência do Estado, com suas políticas indefinidas, com sua sanha tributária, com sua regulamentação excessiva, com sua corrupção desenfreada, com seu incontrolável desperdício de dinheiro, com suas dívidas impagáveis, com seu assistencialismo exagerado e inútil.

Resultado: o Estado, nestas condições, só serve de guarida para empresários parasitas, com nenhuma visão empreendedora, desacostumados à competição e que fazem do dinheiro público uma muleta para seus negócios mal-sucedidos, quando não para seus negócios escusos. O Estado e este tipo de gente costumam viver na mais perfeita promiscuidade, e os escândalos do mensalão e das sanguessugas são provas vivas do que eu falo. Enquanto isto, o empresário independente - falo especialmente do pequeno e médio empresário - vê seus esforços tolhidos pelo excesso de regulamentação e tributos impostos pelo Estado.

Portanto, colocado o debate Estado eficiente X Estado ineficiente, creio ser impossível exigir eficiência de uma máquina estatal como a do Brasil. Nesta questão, erram tanto os setores de esquerda, atrasados e sectários, que propugnam pela ampliação da máquina estatal, com a incorporação de empresas já privatizadas, julgando ser este o meio para se promover o que eles consideram progresso econômico com maior igualdade social, como os setores da direita ultraliberal que partem para o extremo oposto ao pregar a quase abolição do Estado. Se os primeiros pecam pelo excesso, os segundos pecam pela ausência.

O Estado eficiente tem que priorizar as questões sociais, mas não da forma paternalista e assistencialista que tem predominado, por exemplo, no atual governo.É preciso trocar a mera política de se dar o peixe pela de ensinar a pescar, isto é, é preciso trocar o mero assistencialismo por uma política de investimento social. E investimento social se faz prioritariamente com educação.

Quando falamos de educação não queremos nos referir ao que aí está, mas num novo modelo que faça com que o garoto da mais pobre favela tenha a mesma qualidade de ensino do filho do empresário que mora no bairro mais rico. Para tanto, é preciso uma revolução educacional, que proporcione a todos um ensino que prepare para o mercado de trabalho e para o pleno exercício da cidadania.É aí que o conceito de igualdade de oportunidades tão caro aos liberais se concretiza plenamente.

Não estou a defender que o Estado cuide exclusivamente da educação, mas se já fizesse bem isto, estaria fazendo pelo país muito mais do que fez até agora com todo o seu gigantismo.

Portanto, o desenvolvimento do país a que todos aspiramos, depende fundamentalmente de três fatores : primeiro, que o Estado diminua de tamanho e aumente a sua eficiência; segundo, que empresários e trabalhadores, libertos da tutela do Estado, saibam se inserir na dinâmica do livre-mercado; terceiro,que o Estado, livre das tarefas que podem perfeitamente serem executadas pela iniciativa privada, abandone também as "políticas sociais " meramente paliativas e invista recursos e esforços num novo modelo de educação, numa tentativa de fazer com que milhões sejam inseridos no mercado de trabalho e nos quadros da cidadania.

Como se pode ver, liberdade econômica,Estado eficiente e diminuição drástica da pobreza são perfeitamente compatíveis e viáveis Diversos países capitalistas aprenderam esta lição.No Brasil de hoje ,se faz exatamente o contrário.
080906

quarta-feira, setembro 06, 2006

O QUE FALTA AO BRASIL


Retrato do Brasil: pouca produção, pouca educação, muita corrupção.

O QUE FALTA AO BRASIL

Dizia um antigo slogan da TV Globo, usado numa campanha de incentivo à leitura: “Um País se faz com homens e livros”. Eu diria mais: um país se faz com homens, livros ( educação), trabalho e ética. Infelizmente, tudo isto falta ao Brasil.

Falta educação.E esta é a razão primordial pela qual este país não se desenvolve. Tudo começa pela educação e o quadro atual da educação pública brasileira é trágico. As escolas são péssimas, os currículos completamente defasados, incompatíveis com as exigências de um mundo globalizado, e os professores, desqualificados e mal-pagos. Existe uma ênfase excessiva e infrutífera no aspecto quantitativo – quantidade de escolas, quantidade de alunos matriculados, quantidade de dias letivos, quantidade de horas de permanência dos alunos na escola, quantidade de alunos aprovados – e nenhuma ênfase na qualidade do ensino. O tema é insistentemente martelado por ocasião das campanhas eleitorais, e completamente esquecido ao seu término.E o país continua à deriva sob este aspecto fundamental.

Falta trabalho. Faltam investimentos no setor produtivo e sobram aplicações no setor especulativo. Esta ausência de investimentos acarreta um crescimento ridículo, que gera o desemprego e multiplica a falta de oportunidades para novos negócios. Como o governo não ajuda a impulsionar este crescimento, era de se esperar que , ao menos, não atrapalhasse. Mas isto não acontece. O governo tem toda a responsabilidade, ao adotar uma política de permanente aumento da carga tributária, de juros elevadíssimos, e de burocracia excessiva que são um desestímulo aos investimentos produtivos e um convite à especulação. Não é por outro motivo que a rentabilidade dos bancos cresce na proporção em que diminuem os lucros do setor industrial, comercial,agrícola e de serviços.

Falta ética nas relações sociais e políticas. Falta vergonha na cara. O país parece tomado pela busca do ganho fácil,pela certeza de que o errado é que é o certo, pela crença de que o crime compensa. Esta “cultura” do levar vantagem em tudo, permeia todos as classes e todos os setores da vida social, em especial a política, onde se materializa em muita corrupção e em todas os demais desvios de comportamento que caracterizam a atividade pública, incentivadas pela certeza da impunidade, que realimenta a continuidade de tais práticas...Tal comportamento é trágico porque causa prejuízos irremediáveis ao país , tanto no aspecto moral e ético, quanto no financeiro e no social.

Talvez tudo isto explique, em parte, o porquê da preferência de grande parte do eleitorado brasileiro por Lula. Não seria ele o candidato que melhor simbolizaria todas estas mazelas que formam o lado ruim do Brasil? Não estaria este eleitor, ao votar em Lula, consciente ou inconscientemente, admitindo que o Brasil é isto mesmo e que não adianta mudar?Afinal, quem é Lula senão um sujeito que tem pouca educação formal, trabalhou pouco, passou a maior parte de sua vida às custas de dinheiro público e comanda hoje um governo reconhecidamente corrupto? Ou seja, uma síntese do Brasil atual.Não seria , pois, de todo absurda a aceitação do argumento de que grande parcela do seu eleitorado, além de não se sentir diferente dele , se espelha em sua figura, passando a ver nos seus defeitos, virtudes que merecem ser admiradas, copiadas e recompensadas com o voto. Triste país. Tem razão Cristovam Buarque quando diz que tudo deve começar pela educação.Talvez aí também esteja a explicação de seus míseros 1% de intenções de votos.
060906

terça-feira, setembro 05, 2006

O QUE HÁ DE ERRADO COM A OPOSIÇÃO?

O paradoxal nesta história é que, aparentemente, nunca foi tão fácil fazer oposição a um governo.Sem contar a ética jogada ao lixo, e o social tratado como mero assistencialismo, o governo Lula se saiu mal em todos os demais quesitos, a começar pelo pífio crescimento econômico, o penúltimo da América Latina.A pergunta que fica é:afinal, o que há de errado com a oposição brasileira?




O QUE HÁ DE ERRADO COM A OPOSIÇÃO?

O principal candidato da oposição, Geraldo Alckmin, padece da falta de um tema, de um discurso, de uma idéia sobre a qual possa desenvolver a sua campanha e empolgar o eleitorado.Lula, pela segunda campanha consecutiva, se apropriou, com a competência populista que lhe é peculiar, dos temas sociais,e, com isto, lidera tranqüilamente a corrida pelo voto

A oposição pensou que o mote das eleições deste ano fosse a defesa da ética e o combate à corrupção. Errou. O tema preocupa a classe média, mas não empolga o povão.Além do mais, a oposição tucano-pefelista não soube, não teve competência ou não teve credibilidade para se apropriar da defesa da ética e fazer dela a sua bandeira na campanha eleitoral deste ano.Teve esta chance, mas a perdeu quando compactuou com a falta de ética de alguns de seus quadros.

Só para refrescar a memória, quando eclodiu o escândalo do mensalão e, depois, suas ramificações, o governo petista parecia irremediavelmente perdido. A cada denúncia, a cada depoimento nas CPIs, parecia não haver outro caminho do que a abertura de um processo de impeachment contra Lula por crime de responsabilidade. De repente, foi revelado que em 1998, na campanha para o governo de Minas, o cacique tucano Eduardo Azeredo e diversos parlamentares do PSDB mineiro haviam se utilizado de um esquema semelhante ao que o PT empregaria em âmbito nacional.Foi o bastante para que os tucanos se encolhessem e moderassem os ataques ao governo petista, na esperança de que o tempo e novas revelações mais graves se encarregassem de desmoralizar definitivamente o governo Lula.O recuo da oposição tucana foi a senha para o PT se reerguesse das cinzas e Lula recuperasse a popularidade momentaneamente abalada.

Tucanos e pefelistas ficaram sem crédito para assumir o discurso pela ética. A partir de então, a propaganda petista se encarregou de tentar convencer ,com uma seqüência de argumentos falaciosos, que, se o governo pecou pela corrupção, a oposição é tão ou mais pecadora do que ele; se o governo é corrupto, pelo menos se ocupa da questão social, coisa que a oposição durante os oito anos de poder não fez;se o governo é corrupto, esta corrupção é em nome de uma “nobre causa”, numa versão adaptada de que os fins justificam os meios.

A verdade, que a oposição não foi capaz de mostrar, é que apesar de a corrupção ser endêmica no Brasil, e enraizada nas estruturas de nossos costumes políticos nunca ela foi usada desta forma, como parte de um esquema de perpetuação no poder, como este que foi engendrado pelo partido de Lula. Ficou, em muitos, a impressão, em grandes parcelas da sociedade, de que se tratava apenas de um esquema de financiamento ilegal de campanhas políticas, o caixa dois.

Sem o discurso da defesa da ética e sem o discurso do social, o que resta à oposição nesta campanha?Sintomaticamente, o candidato Geraldo Alckmin quando instado a dizer as suas prioridades, não perde tempo, e solta: segurança, educação, desenvolvimento, emprego, saúde, moradia...Um candidato quando tem muitas “prioridades” na verdade não tem nenhuma.O paradoxal nesta história é que, aparentemente, nunca foi tão fácil fazer oposição a um governo.Sem contar a ética jogada ao lixo, e o social tratado como mero assistencialismo, o governo Lula se saiu mal em todos os demais quesitos, a começar pelo pífio crescimento econômico, o penúltimo da América Latina.A pergunta que fica é:afinal, o que há de errado com a oposição brasileira?
050806

segunda-feira, setembro 04, 2006

O CUSTO SOCIAL DO FINANCIAMENTO ELEITORAL

Do jeito que as coisas estão, com uma máquina pública gigantesca a demandar uma quantidade crescente de recursos financeiros retirados do bolso do cidadão e a exigir campanhas eleitorais cada vez mais caras, qualquer forma de financiamento – público ou privado – pesará da mesma forma. De maneira direta, através do imposto eleitoral, ou, indireta, através da corrupção e do desvio de recursos.Portanto, a questão tem solução. O que falta são políticos dispostos a resolvê-la.


Quem financia cobra depois. Quem paga é a sociedade...

O FINANCIAMENTO ELEITORAL

Um estudo do pesquisador norte-americano David Samuel sobre as três últimas eleições realizadas no Brasil, e que integra o conteúdo do livro “Gasto Público Menor e Mais Eficiente”, comprova o que muitos já sabiam: poucas empresas colocam dinheiro legal nas campanhas políticas do Brasil. São menos de 2000 empresas num universo de cinco milhões de empresas registradas. Estas financiadoras de campanhas eleitorais são, em sua maioria, empresas fornecedoras de bens e prestadoras de serviços ao estado.

Elas investem pesado na expectativa de uma futura contrapartida dos políticos eleitos, contrapartida esta que se materializa na forma de contratos altamente vantajosos com o setor público. Neste ponto, David Samuel observa que, ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, onde as empresas investem num candidato motivadas por uma idéia ou causa política – aborto, pena de morte, controle de armas, subsídios, impostos – no Brasil este investimento se dá em função de um privilégio futuro nas suas negociações com os governos. Uma pura troca de favores, ou, para ser mais preciso, uma das formas do “é dando que se recebe” que tão mal caracteriza o comportamento dos nossos políticos. Resultado:devedor que se torna, o candidato , ao assumir o cargo, acaba se transformando num procurador dos interesses da empresa que o ajudou a eleger-se, pautando, assim, a sua ação legislativa ou executiva pela defesa destes interesses.

O deputado fluminense Alexandre Cardoso ( PSB) que é o relator, na Câmara dos Deputados, da reforma política, depois de uma pesquisa nos arquivos do TSE, esclarece que tipo de empresas são as maiores financiadoras. Segundo ele, nos municípios, são as empresas de ônibus e as de limpeza urbana; nos estados, são as empreiteiras, as de prestação de serviço e as concessionárias; no âmbito federal, são os grandes bancos, as seguradoras e as grandes empresas industriais.

O estudo de David Samuel nos leva à confirmação de que uma grande parcela dos candidatos se utiliza nas campanhas de um discurso popular – educação, moradia, emprego, saúde – mas negociam nos bastidores outros interesses que tem pouquíssimo a ver com o povo que eles dizem defender. É interessante notar que muitos candidatos já anunciaram que gastarão mais de R$ 1 milhão para receber R$ 580.000 de salário em quatro anos de mandato. Faz sentido? Quem na lucidez mental estaria disposto a entrar na vida pública para ter tão grande prejuízo? Somente um tolo acreditaria nisso.

Como a pesquisa do norte-americano focou apenas as contribuições legais, o chamado caixa 1, em que não faltam indícios de que a atuação do parlamentar é pautada pela defesa dos interesses de seus patrocinadores, pode-se imaginar o que acontece nas relações entre partidos, políticos e empresas financiadoras no mundo do chamado caixa 2, ou “recursos não contabilizados”, conforme prefere Delúbio Soares e os homens do PT. A crise do mensalão, e, agora, dos sanguessugas talvez seja apenas uma pequena amostra do que se esconde debaixo dos tapetes das relações promíscuas entre poder público e estas empresas com interesses no setor público.

Desta forma, toda a atividade do parlamentar e, mais ainda, todo o sistema político, alimentados por recursos de tal ordem, ficam sob a suspeita de que, muito mais do que empregados na promoção do bem coletivo, os recursos públicos estão sendo usados em negócios e negociatas visando o cumprimento de acordos de campanha, envolvendo tanto agentes públicos com mandatos financiados, quanto empresas privadas financiadoras de mandatos, em que todos estes lucram e a sociedade perde.

Diante deste quadro, muitos perguntam se não seria o momento de se estabelecer o financiamento público das campanhas eleitorais. Esta proposta, em tramitação no Congresso, encontra a resistência de muitos, dentre os quais eu me incluo, que vêem nela mais uma forma de assalto ao bolso do cidadão brasileiro.Mas, a meu ver, esta é uma discussão estéril. Muito mais importante do que estabelecer quem deve financiar as campanhas eleitorais, é saber o que fazer para que as campanhas sejam definitivamente menos caras e como os recursos públicos envolvidos nas transações entre governos e empresas privadas sejam menos volumosos e mais bem fiscalizados.E isto só se consegue de uma forma: reduzindo radicalmente o tamanho da máquina estatal e reduzindo na mesma proporção os gastos públicos.O que somente seria possível com uma reforma drástica no Estado.

Do jeito que as coisas estão, com uma máquina pública gigantesca a demandar uma quantidade crescente de recursos financeiros retirados do bolso do cidadão e a exigir campanhas eleitorais cada vez mais caras, qualquer forma de financiamento – público ou privado – pesará da mesma forma. De maneira direta, através do imposto eleitoral, ou, indireta, através da corrupção e do desvio de recursos.Portanto, a questão tem solução. O que falta são políticos dispostos a resolvê-la.
040906

sexta-feira, setembro 01, 2006

A ÉTICA E O VOTO

A ética – ou melhor, a falta dela – se tornou no tema dominante da campanha eleitoral deste ano. Pelo menos entre os eleitores de classe média, com bom nível de instrução e de informação. Entretanto, parece não ser a preocupação central de grande parte das classes populares, com menos grau de instrução e menos informada. Quer dizer, o eleitorado cativo de Lula está menos preocupado com o tema. Não é sem motivo que Lula tem liderado as pesquisas e cantado vitória antes do tempo, com uma certa arrogância e desprezo zombeteiro pela oposição.


Lula trabalha sobre o eleitor pobre e desinformado: garantia de vitória

ÉTICA E O VOTO
A ética – ou melhor, a falta dela – se tornou no tema dominante da campanha eleitoral deste ano. Pelo menos entre os eleitores de classe média, com bom nível de instrução e de informação.. Entretanto, parece não ser a preocupação central de grande parte das classes populares, com menos grau de instrução e menos informada. Quer dizer, o eleitorado cativo de Lula está menos preocupado com o tema. Não é sem motivo que Lula tem liderado as pesquisas e cantado vitória antes do tempo, com uma certa arrogância e desprezo zombeteiro pela oposição.

O tema da ética empolga a classe média por uma razão muito óbvia: é ela, mais do que qualquer outra, que sente no bolso o peso do Estado. É ela a maior responsável , como pessoa física ou jurídica, pelo pagamento de impostos, taxas, tarifas e contribuições diversas, que sustentam a máquina pública e alimentam a corrupção endêmica.Daí o motivo mais do que justo da indignação desta classe com o desfile de crimes, malfeitos, desfaçatez e cinismo praticado por ministros, parlamentares, empresários e líderes de partidos, sob os olhares complacentes do Presidente da república, a que fomos obrigados a assistir nestes últimos meses.

Não que o peso dos tributos caia exclusivamente sobre a classe média. A carga tributária pesa também absurdamente sobre o ombro dos pobres, mas de uma forma menos evidente, pois está embutida nos preços de produtos e de serviços, e a consciência deste fato pela população pobre é muito pequena. Muito acima da questão ética, são prioridades para estas pessoas o emprego, a alimentação, a moradia, a saúde, o transporte, isto é , aquelas questões básicas para a sobrevivência humana. É compreensível esta priorização..Como também é compreensível que, devido a seu baixo grau de instrução, estas pessoas não compreendam que todas estas questões, que as angustiam, dependem basicamente dos impostos pagos por toda a sociedade. E que parte destes impostos estão escapando pelo ralo da corrupção pela ação antiética e criminosa dos homens públicos.O que é incompreensível é que o governo Lula manipule estas pessoas e consiga delas o apoio necessário para prosseguir com o seu governo marcado pela corrupção.

Não se trata aqui de preconceito contra as classes desfavorecidas, nem estou, com isto, generalizando e afirmando que a totalidade dos pobres não liga para atos de corrupção e a classe média como um todo é a favor da ética . Se assim fosse, não teríamos assistido as cenas de bajulação explícita e de apoio à falta de ética do governo, protagonizadas por artistas e intelectuais no Rio.Boa parcela dos pobres tem consciência dos malefícios da corrupção, enquanto uma parte da classe média despreza tanto a ética governamental quanto a ética privada. O que estou afirmando é que a tendência de repúdio à corrupção e ao desperdício é muitíssimo maior na classe média do que nas classes baixas.

Sabedor disso, Lula investe como nunca neste eleitorado de baixa renda. É ele que irá confirma-lo no Planalto para mais um período de quatro anos.Um prêmio à corrupção e aos corruptos? Talvez. Com certeza, tem razão o candidato Cristovam Buarque: o que falta no Brasil é educação. Ah, e também, eu acrescentaria, muita vergonha na cara.
010906