terça-feira, agosto 22, 2006

A SOCIALIZAÇÃO DA POBREZA

As praticas assitencialistas do governo Lula aliviam momentânea e artificialmente as dores da pobreza, mas sem reduzi-la de maneira consistente e permanente.Dá votos ao governo, mas, somada à estagnação econômica que empobrece a classe média, promove uma espécie de socialização da pobreza no país.


Será Lula um Robin Hood contemporâneo?

A SOCIALIZAÇÃO DA POBREZA
Os dados da Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar( PNAD), recentemente divulgada, nos revelam que a renda dos 10% da população brasileira que estão no topo da pirâmide social caiu 10,9% entre 2001 e 2004, enquanto a renda dos 40% mais pobres cresceu 10,2% acima da inflação do período.Entre os 10% mais ricos do Brasil, a pesquisa inclui todas as famílias que em setembro de 2004 viviam com mais de 853,11 por pessoa, ou seja, a maior parte da classe média brasileira.

Primeira conclusão óbvia: a classe média está mais pobre e a classe pobre menos pobre.Na última década ocorreu um processo de proletarização da classe média, fruto da política econômica adotada desde o Plano Real, que se por um lado estabilizou a moeda, por outro privilegiou o aumento da carga tributária e dos juros, aumentando a renda do setor público e dos banqueiros, em detrimento do setor privado produtivo.Tudo isto, mais a negligência governamental em relação a investimentos em infra-estrutura e fomento à produção, conduziram o país à estagnação econômica, com a inevitável queda na oferta de empregos e redução da massa salarial.Tal política, na prática, atingiu os extratos mais baixos da classe média, que se viu sem condições de sustentar o mesmo padrão de vida anterior, sendo obrigada a reduzir os gastos com bens de consumo, lazer e cultura, tendo em vista a necessidade mais premente de gastos com moradia, saúde, educação e alimentação.

Esta situação agravou-se na medida em que o governo Lula, acentuando a política econômica de desestímulo à produção, conduziu ao aumento da recessão, acentuando o desemprego e acelerando inda mais este processo de empobrecimento da classe média.O gigantismo da máquina estatal, somado ao aumento da carga de tributos sobre os setores produtivos e sobre a classe média completaram este quadro de estagnação econômica.Não foi sem motivo que o país, no último ano, apresentou um crescimento superior apenas ao do Haiti na América Latina.

Numa forma de compensar esta situação, o governo petista, preferiu o caminho aparentemente mais fácil- quem disse que “governar para os pobres é fácil”, não fui eu – e incorporou definitivamente a política de ajuda aos pobres que havia sido iniciada no governo de FH. Trata-se basicamente, como numa espécie de Robin Hood governamental, de retirar dos “ricos” para dar aos pobres, num processo de transferência de renda jamais visto antes.Tal política ,de fato, tem provocado um fenômeno momentâneo da melhoria de vida das camadas mais pobres da população, beneficiadas com programas como a Bolsa-Família.O problema é que tais programas não exigem desta população contrapartida alguma, a não ser a obrigação constitucional de manter as crianças na escola..

Não se trata de uma política consistente e permanente de inserção das camadas mais pobres no mercado de trabalho e nos quadros da cidadania, o que somente seria possível se viesse acompanhada de crescimento econômico e de uma revolução educacional. Trata-se, isto sim, de uma política meramente assistencialista, de caráter paternalista e de resultados duvidosos, porque tende a conserva-los na pobreza, tornando-os eternos dependentes da generosidade governamental, além de criar uma gigantesca clientela eleitoral de apoio ao governo. E tudo isto com o dinheiro alheio, que deveria ser empregado em serviços de educação, saúde e segurança, em situação de calamidade.

Tais práticas, adotadas pelo governo Lula, aliviam momentânea e artificialmente as dores da pobreza, mas sem reduzi-la de maneira consistente e permanente.Dá votos ao governo, mas, somada à estagnação econômica que empobrece a classe média, promove uma espécie de socialização da pobreza no país.
220806

5 comentários:

Ramos disse...

Não tem sentido criticar Lula por ter dado atenção aos pobres. A situação do Brasil,não é muito diferente de outros países, todos vítimas do neoliberalismo.A população de um país não pode ficar submetida aos ditames do capitalsmo mundial. Apesar de vcs defenderem o capitalismo, a globalização, a livre concorrência, vcs não enxergam que o capítalismo globalizado está sob o controle de meia dúzia de grupos poderosos. Livre concorrência no contexto atual é balela.

O que Lula faz é o que pode ser feito no momento. O próprio governo percebe que esta política de transferencia de renda não é a ideal, mas já é alguma coisa.Critica-se um governo que pela primeira vez dá atenção aos pobres e chama-se isto de socializar miséria?É por estas e outras que o povo sabiamente vai reeleger Lula.

Ingovernável disse...

Lula está c&a para estes comentários.Brasilia é outro mundo.A caravana passa e os cães auauauauauauau
Vamos ver se vcs tem a solução?
Alckmin, Heloisa? Já que é assim fico com Lula.
Gostaria que não existisse nenhum deles. O mundo seria mais bonito e mais barato.

INDIGNADO disse...

A CARGA TRIBUTÁRIA NO ATUAL GOVERNO FEDERAL CHEGOU AOS 18% DO PIB. UM ABSURDO. COMO SE PODE FALAR EM CRESCIMENTO DO PAÍS, SE O DINHEIRO DESTINADO AO CONSUMAO E AOS INVESTIMENTOS, VAI PARA A CORRUPÇAÕ, OS ALTOS SALÁRIOS E OS MENSALÕES DESTA CORJA DE CORRUPTOS?

Fernando Soares disse...

Ramos.O que vc propõe?Que democratizemos o capitalismo, ou que acabemos com ele? Está provado que quanto mais o país se insere de maneira competitiva no mercado, mais a população deste país é beneficiada.Não fosse assim, e a miséria seria maior em países como Austrália, Japão, Itália, e menor no Afeganistão, no Chade e na Somália.Existe muito dogmatismo nesta sua maneira de pensar.Sou contra a pura e simples "transferência de renda”.O que defendo são políticas que efetivamente promovam a inclusão social. E esta somente se consegue com educação e saúde, tão negligenciadas pelo governo que vc defende.

Pat disse...

o exemplo de socialização da pobreza é Cuba do vovô carniceiro