terça-feira, agosto 29, 2006

RISCO PARA A DEMOCRACIA

São desanimadoras, pois, as perspectivas para a próxima legislatura.Teremos um parlamento tão ou mais corrupto e fisiológico do que o atual. Tal fato, somado ao de um presidente eleito com expressiva maioria no primeiro turno, certamente conduzirá a um desequilíbrio entre os poderes. Isto per si não seria um mal, se à frente do executivo estivesse um político sensato e com fortes convicções democráticas.Mas tal desequilíbrio, administrado por um presidente populista e com tendências autoritárias, certamente será danoso para a democracia brasileira.

Reunião de CPI: cena cada vez mais constante no Congresso

RISCO PARA A DEMOCRACIA
Lula, quando ainda militava na oposição e dava lições de ética e de bom comportamento político, assinalou que no Congresso Nacional existiam pelo menos 300picaretas.Referia-se , é claro, àqueles políticos que, por ação ou omissão, desvirtuavam a função parlamentar, fazendo desta atividade algo mais parecido com um balcão de negócios ilícitos do que com uma instituição de representação do povo.Uma vez no governo, Lula contribuiu - e muito! – para reforçar esta má impressão que a sociedade tem do Congresso, ao levar ao extremo a pratica do “é dando que se recebe” praticada pelos governos anteriores ao seu. Para isto, conforme apuraram as CPIs e o Ministério Público, o seu governo e o seu partido criaram o mensalão, a premiar generosamente parlamentares que votavam a favor do governo.Hoje, são poucos os que acreditam na existência de “apenas” 300 picaretas. Devem existir muito mais. O fato é que, mais do que nunca, o Congresso precisa de uma renovação quase total no seu quadro de representantes.Mas, infelizmente, tudo indica que esta renovação não irá acontecer.

Há muito, o comportamento de boa parte dos parlamentares nada fica a dever ao enredo de um filme proibido para menores,com muita pornografia e violência. Tal comportamento,vem tornando o Congresso aos olhos da sociedade mais parecido com um covil de criminosos do que com uma casa de representantes do povo. Sem contar com a tradição já enraizada de trabalhar pouco e receber muito dos cofres públicos, os deputados e senadores tem se esmerado em práticas que agridem o bom senso, a ética e os bons costumes políticos. Sucessivos escândalos vêm marcando a vida do parlamento, pelo menos desde o início da década passada.Só para refrescar a memória, em pouco mais de uma década, assistimos o escândalo dos anões do orçamento, o escândalo da compra de votos para a reeleição, o escândalo do painel do Senado, o escândalo do mensalão, e, ainda atual, o escândalo dos sanguessugas.Ao mesmo tempo, diversos parlamentares renunciaram ou foram cassados por mau comportamento antes ou durante o exercício do mandato. A situação chegou a tão baixo nível que nem mesmo presidentes de ambas as casas escaparam da prática de malfeitos. Antonio Carlos Magalhães, Jader Barbalho ,Severino Cavalcanti e João Paulo Cunha, estiveram no palco de rumorosas práticas de agressão a ética que levaram os três primeiros à renúncia para evitar a cassação. Quanto a João Paulo, foi preservado pelo mesmo corporativismo que poupou a maioria dos envolvidos no mensalão.


O mais desanimador, é que todo este quadro de auto-desmoralização parece não será revertido tão cedo. O fato de as eleições legislativas ocorrerem na mesma ocasião das eleições para cargos executivos é um complicador.Com o foco da mídia totalmente voltado para as eleições presidenciais e de governadores, as eleições legislativas ficam pouco visíveis, o que possibilita a proliferação de candidatos sem nenhuma qualificação para o cargo e torna menos difícil a tarefa daqueles que tentam a reeleição, pelo fato óbvio de já serem, de alguma forma, conhecidos do eleitor. Junta-se a este fato, o abuso do poder econômico, a prática da compra de votos e a desinformação de grande parte do eleitorado, que mal consegue se lembrar em quem votou na última eleição, e teremos os ingredientes necessários para que o próximo parlamento seja tão ou mais deficiente do que o atual.

Parte dos eleitores numa tentativa de protesto vem fazendo a campanha pela anulação do voto nestas eleições.Trata-se de um ato compreensível, mas de poucos resultados práticos no sentido de moralização da política.Poderá, inclusive, ter um efeito contrário ao pretendido, pois a anulação do voto pelos desiludidos e descrentes na ação política inevitavelmente levará ao Congresso um número ainda maior de picaretas eleitos com os votos de eleitores picaretas dispostos a vender o seu voto por qualquer migalha.

São desanimadoras, pois, as perspectivas para a próxima legislatura.Teremos um parlamento tão ou mais corrupto e fisiológico do que o atual. Tal fato, somado ao de um presidente eleito com expressiva maioria no primeiro turno, certamente conduzirá a um desequilíbrio entre os poderes. Isto per si não seria um mal, se à frente do executivo estivesse um político sensato e com fortes convicções democráticas.Mas tal desequilíbrio, administrado por um presidente populista e com tendências autoritárias, certamente será danoso para a democracia brasileira.
290806

5 comentários:

JR disse...

Se Lula for reeleito vai juntar a fome com a vontade de comer. Um presidente corrupto a negociar com um congreso igualmente corrupto. Ai de nós!

Sofia disse...

Concordo plenamente com o que Fernando escreveu e com vc Jr. Pobre de nós brasileiros, que pagamos altas taxas de impostos para serem desviadas por toda a cúpula de Brasília.
O que vamos fazer diante desta situação caótica????

Nídia disse...

Infelizmente, também concordo com vcs. Acho que teremos que descer até o inferno, uma espécie de Sodoma e Gomorra, ou coisa parecida para purificarmos nossas almas!!!

Fernando Soares disse...

Jr, Sofia e Nidia
O desestímulo é geral e está incorporado nas pessoas esclarecidas e os cidadãos de bem, justamente aqueles que poderiam de alguma forma reverter este quadro.A campanha eleitoral está um marasmo só.Parece proposital. O principal candidato da oposição não ataca o governo como deveria atacar. É como um jogo combinado. Li hoje que existiria um acordo tácito entre o PSDB e o PT no sentido de o PT ganhar este ano para ceder- para Aécio ou J Serra- o governo nas próximas eleições( 2010), desde que fosse votado no Congresso o fim da reeleição.Desta forma, com o acordo dos tucanos, Lula voltaria em 2015. Pode uma coisa destas? O que vcs pensam disto?
Um abraço

Nídia disse...

Eu não duvido disso e de mais nada. Tive e tenho indiretamente, oportunidade de frequentar bastidores da política, e a gente nota que pros políticos "acordo" é prática "normal" e "legal". Não levam em conta, absolutamente, os interesses a que se propuseram. Quando eles atingem o poder, sofrem uma transformação, e os valores morais que por ventura um dia tiveram, perdem-se na ganância. Vai daí a revolta de parte da população e do movimento do voto nulo.Por essas e por outras é que não dá pra se confiar em ninguém.