quinta-feira, agosto 10, 2006

QUANTIDADE SEM QUALIDADE

Mas o pior é que nossos dirigentes parecem nunca aprenderem a óbvia lição de que é na qualidade da educação que se pode projetar um futuro melhor para o país e para os cidadãos. Como não aprenderam a lição, insistem em repeti-la cometendo os mesmos erros. Quando se referem à melhoria do ensino, a sua visão não ultrapassa os limites da construção de mais escolas, o que significa apenas, mais uma vez, privilegiar a quantidade em detrimento da qualidade.




QUANTIDADE SEM QUALIDADE

O ensino público brasileiro à medida que ganha em quantidade perde em qualidade.Refiro-me ao ensino médio e fundamental, que, a partir da ampliação da rede pública em todo o país, sofreu uma acentuada queda na qualidade do ensino ministrado nas escolas. O chamado processo de democratização do ensino, iniciado nos anos 70, durante os governos militares e prosseguido nas décadas seguintes, foi mal planejado, mal executado e com resultados catastróficos. A conclusão a que se chega é que tal política educacional destinava-se muito mais a rechear as estatísticas no que se refere à demanda por vagas, do que realmente qualificar os jovens para o mercado de trabalho em expansão.O fato é que a partir dos anos 70, as escolas públicas se multiplicaram pelos bairros e periferias das médias e grandes cidades, abrindo vagas para milhões de crianças e jovens e passando a falsa impressão de que o país assistia a uma revolução no setor.Pelos resultados visíveis agora, se pode constatar que a expansão das escolas, não acompanhada de uma revolução nos métodos e na qualidade do ensino, não passou de uma grande falácia.


A péssima qualidade do ensino ministrado na maioria das escolas deveu-se principalmente a associação de alguns fatores.Primeiro, a expansão da rede escolar e a multiplicação de alunos matriculados geraram a necessidade da contratação em massa de professores, fato que promoveu a formação de um corpo docente desqualificado, com baixa remuneração, e desmotivado, refletindo automaticamente na qualidade do ensino ministrado nas escolas. Aliado a isto, um currículo defasado, que não se atualiza diante da rápida multiplicação de conhecimentos e de tecnologias gerada pelo processo da globalização, e pelo conseqüente aumento da competitividade.O resultado do pouco rigor no ensino é um sistema de avaliação escolar falho e permissivo, que permite que o aluno avance através das séries sem a aquisição mínima dos conhecimentos e das habilidades necessárias para tal. Uma tragédia só, como podem ver.

Mas o pior é que nossos dirigentes parecem nunca aprenderem a óbvia lição de que é na qualidade da educação que se pode projetar um futuro melhor para o país e para os cidadãos. Como não aprenderam a lição, insistem em repeti-la cometendo os mesmos erros. Quando se referem à melhoria do ensino, a sua visão não ultrapassa os limites da construção de mais escolas, o que significa apenas, mais uma vez, privilegiar a quantidade em detrimento da qualidade.Nas condições atuais, mais escolas significam apenas mais alunos matriculados, mais professores desqualificados e com salários aviltantes, mais alunos terminando o ciclo escolar sem saber ler e escrever , e mais dinheiro público sendo jogado ao vento do desperdício.

A campanha eleitoral seria uma ótima oportunidade para se colocar na pauta principal tema tão fundamental, mas, pelo o que se tem visto até agora, as perspectivas não são animadoras.Não obstante, merece consideração a insistência com que pelo menos um dos candidatos presidenciais – o senador Cristovam Buarque – vem tratando da questão educacional. Ele a tornou no tema central da sua pobre campanha e a tem divulgado como se fosse uma missão. De modo quixotesco, até. Menos mal.

O problema das propostas de Buarque é que elas pecam pelo paternalismo.A defesa de programas como o Bolsa-Escola e a Poupança Educação, - o primeiro, para fazer com que a criança permaneça na escola e o segundo para incentivar a sua promoção através das séries - na verdade acaba por se constituir numa prova evidente de que, incapaz de manter o estudante na escola pela qualidade do ensino ministrado, o estado paga para que ele lá permaneça.O que só pode levar à conclusão de que, de tão ruim, a escola atual é incapaz de fazer com que o estudante se interesse por ela pelos seus próprios méritos. O que deveria ser uma necessidade individual passa a ser uma obrigação recompensada pelo governo.

Apesar de suas propostas merecerem críticas e reparos, somente o fato de o candidato tê-las colocado na pauta da campanha já é um fato positivo. Caso contrário, seria apenas mais um entre mil temas discutidos na campanha e mesmo assim como promessas de construção de mais escolas, mais contratação de professores, mais alunos matriculados. Sem questionar, afinal, para que servirão estas escolas e este tipo de ensino.
090706

5 comentários:

Haroldo disse...

A educação sempre interessou muito a mim e aos brasileiros de boa fé. O Brasil é o eterno país do futuro. Nenhum país cresceu sem educar o seu povo. Temos dois problemas sérios: a falta de educação do povo brasileiro e os gastos públicos ( impostos imorais sustentam uma máquina pública ineficiente ). Cristovam Buarque seria num país civilizado, endeusado. No Brasil é ridicularizado. Uma pena, porém não poderia ser diferente, pois temos um presidente semi-analfabeto, que glamouriza a ignorância e a mediocridade.

Anônimo disse...

Mais uma vez, Cristóvam apontou o caminho certo para o Brasil. Os analistas vivem reclamando que o povo só vota em político que faz "obra grande", que promete o que não pode ser cumprido. Mas onde estão os complementos dos analistas às propostas viáveis que podem mudar o destino do Brasil, ao político que faz a "obra grande" sem alarde e sem grande visibilidade, mas que muda drasticamente a vida de toda a população? Assim fez Cristóvam em seu governo no DF, quando levou saneamento básico a 99% dos domicílios, mesmo aqueles que se situavam em virtuais favelas.

Sofia disse...

Muito, muito bom o seu artigo. Concordo com vc, Fernando, em muitos pontos e com Haroldo e anônimo.
Para o desenvolvimento do ser humano, de um país se faz necessário que o sistema educacional seja eficiente, capaz de faz transformações no ser humano, e claro, transmitir e exercitar os direitos e deveres para o completo domínio da cidadania.Somente através da educacção chegamos em algum lugar.
Mas, como a história nos mostra, no Brasil há uma tradição de dar pouca importância à educação, desde os primórdios, que vai de mal a pior desde a educação infantil, onde deveria ser a base mais fortalecida do sistema até no pós-universitário. O mais grave ainda é a má formação, valorização salarial dos profissionais da educação. Foi de se espantar o ar "blasé" de W. B., do JN dizer que um piso de R$800,00 para professores seria muito e difícil de ser pagado. É com grande tristeza que assistimos passivamente isto e a sociedade não reage e muito mesmo os professores conseguem mais reagir, de tanto massacre.
Quanto ao C.B. de fato é o único entre todos os candidatos que tem como pauta principal a Educação como fator primordial, mas acho que tem uma visão paternalista por demais.
É abnegável a atitude do presidente: vangloriar de ser semi-analfabeto e nunca tentou mudar isto e com certeza teve "n" oportunidade de alterar isto.
Torcemos, torcemos, sonhemos e vislumbremos uma possível mudança em tudo.

iducassao praque? disse...

iducassão pra que. cum iducassão o povu aprendi qui us puliticus e tudu safadu e sen vegonha.decha de vota nelis ai elis perdi a boca boa né?intao é mió dexa comu ta.o povu anaffabetu memo.qui elis continua montandu nu povu né?

Fernando Soares disse...

Amigos
Haroldo colocou o dedo na ferida. Os dois problemas mencionados são realmente fundamentais para o futuro deste país. Infelizmente, a cegueira e a má-fé dos nossos dirigentes nunca encararam de frente estas questões.
Anônimo, as “obras grandes” dão votos, pois são de resultados visíveis e imediatos. Investir na qualidade da educação não traz resultados imediatos. O próprio Cristovam reconhece isto e costuma ironizar o fato de estar com apenas 1% de intenção de voto com a resposta " criança não vota". O campo de visão de um político não vai além de quatro anos. Investimento em educação, hoje, só começará a frutificar dentro de 10/20 anos. Daí a principal causa do desinteresse.
Sofia,em terra de cego quem tem um olho... Lula é um semi-analfabeto num país de analfabetos.Numa terra onde a esperteza e a malandragem valem mais do que o conhecimento técnico e científico, Lula está no seu lugar certo. Então, temos a seguinte escolha: ou mudamos o país, ou mudamos de país. Não é?
Abraço a todos