quinta-feira, agosto 31, 2006

CRISTIANIZARAM O GERALDO


Enquanto Alckmin caminha sozinho em 2006, tem gente de olho em 2010 e até em 2015...


A campanha presidencial terminou, Lula praticamente está com a mão na faixa. Só não avisaram pro Geraldo. E pra meia dúzia de eleitores que ainda acreditam na virada.O PSDB já entregou o jogo, de olho em 2010 quando, acredita, terá reais chances de ganhar a presidência com um candidato realmente competitivo - Aécio ou J Serra.Existe um acordo entre as principais lideranças tucanas e petistas, com o apoio de outros partidos, para que seja votado o projeto que coloca um fim ao instituto da reeleição. . Este acordo constitui-se na porta de entrada para um acordo muito mais amplo, que implicaria principalmente a alternância de poder entre estes dois partidos nos próximos 10 anos. Com a queda da reeleição, o mandato de cargos executivos – inclusive o de Presidente - – passaria para cinco anos , abrindo, desta forma, caminho para volta de Lula em 2015, sucedendo a um possível governante tucano. Fantasia? Ficção política? Imaginação fértil? A jornalista Eliane Catanhede sugeriu esta hipótese na sua coluna de terça feira.E no mundo maluco da política brasileira, não é de todo impossível.

O fato é que parece que Geraldo Alckmin se transformou no boi de piranha da vez. Abandonado pela cúpula tucana e pelos candidatos aos governos dos estados que mal mencionam o seu nome, Alckmin caminha solitariamente para a derrota. A sua situação lembra muito a vivida por Cristiano Machado(1), político mineiro , candidato à presidência pelo PSD em 1950, que foi solenemente desprezado pelos seus próprios correligionários que se bandearam para a campanha – vitoriosa – de Getúlio Vargas.Nesta campanha, Geraldo está sendo ostensivamente “cristianizado”.

Não é sem motivo que a campanha presidencial está tão desanimada e tão desanimadora para aqueles que tinham esperanças de reverter o quadro. De um lado, um presidente malandro,em pleno exercício do cargo, controlando a máquina , manipulando verbas, e voltando a fazer cara de messias salvador dos pobres. Do outro, um candidato tímido, comedido,e, pior, abandonado pelos seus aliados.

A verdade é que, por mais triste que seja, Lula está reeleito. E não sou eu que afirmo isto. São os próprios políticos da oposição – mais o PSDB e menos o PFL – que por sua pouca ação e muita omissão, já entregaram o jogo.Fazem o mesmo que fizeram há alguns meses quando preferiram poupar Lula de um impeachment, na crença de que ele estava morto. Agora fazem corpo mole na campanha de Alckmin na crença de que em 2010 são favas contadas.Nesta história, o eleitor, especialmente de oposição, fica como bobo. É por estas e outras que o senador Jefferson Peres se disse desiludido e enojado com a política, e disposto a renunciar no final deste ano.

(1) Ver: http://www.pitoresco.com.br/historia/republ303x.htm
310806

quarta-feira, agosto 30, 2006

ÉTICA, QUE ÉTICA?

São justos a surpresa e o assombro de muitos que tomaram conhecimento deste episódio. O que causa pasmo e asco no comportamento desta gente não foi tanto o fato de terem declarado apoio a um candidato suspeito de corrupção, mas tão somente o desprezo assumido destas pessoas pela ética – “qualquer ética” – bem como a motivação - $$$ - que levou a este comportamento. Bajulação, subserviência e parasitismo são os ingredientes que se misturam nesta comédia de mau-gosto , protagonizada por artistas que se julgam mais importantes do que realmente são. Na internet, muitos estão sugerindo o boicote aos filmes, peças teatrais, shows e CDs deste pessoal. Bem feito! Seria um castigo merecido.


Lula e os artistas no Rio:alguns apoiadores sinceros e muitos bajuladores interesseiros


ÉTICA, QUE ÉTICA?
Nada tenho contra o fato de um grupo de artistas se reunir para prestar apoio a um candidato à presidência. É democrático, estamos em época eleitoral e todos são maiores de idade, vacinados e em pleno gozo de seus direitos políticos. É compreensível. Mesmo que este candidato seja um político suspeito de envolvimento no maior esquema de corrupção já denunciado no Brasil.Afinal, mesmo pertencendo à elite cultural do Brasil estes cidadãos podem estar sendo vítimas do vírus da Velhinha de Taubaté – aquela que nada sabia do que acontecia no regime militar – e, deste modo, acreditam que tudo o que foi divulgado pela mídia nos últimos meses não passou de uma obra de ficção da “direita raivosa e golpista’ para desestabilizar um governo “democrático e popular”.

O que causa espanto é que este grupo de músicos, atores e cineastas se confraternizem a fim de prestar solidariedade tanto ao candidato, como ao comportamento ético deste candidato e seus aliados. Isto depois que estes foram devidamente enquadrados pelo Ministério Público como pertencentes a uma quadrilha que assaltava os cofres do estado. Não foi outra coisa o que fizeram, dentre outros, o músico Wagner Tiso, os atores José Mayer e Paulo Betti, e o produtor de cinema Luiz Caros Barreto, que se sobressaíram nos elogios e justificativas ao comportamento ético do governo petista.O músico Wagner “Coração de Estudante” Tiso mandou o pudor às favas e declarou literalmente não estar preocupado com a ética do PT ou com qualquer ética, já que o que o preocupa é o jogo do poder.

Na verdade, o que os preocupam não é nem a ética nem o jogo do poder, mas sim , os generosos patrocínios que recebem do governo petista através de órgãos e empresas federais, em especial a Petrobrás. É isto o que os conduzem a lamber as botas dos poderosos de plantão, como muito bem denunciou o articulista Diogo Mainardi, na última edição da revista Veja.Tal e qual muitos empresários brasileiros, avessos à competição e incapazes de levar adiante as suas empresas sem o guarda-chuva governamental, estes artistas não conseguem produzir uma peça, um filme , um show musical sem uma substancial ajuda do governo, ou melhor do contribuinte. Por isto se derretem em mesuras e atitudes de subserviência aos poderosos de plantão.

O ator Paulo Betti, por exemplo, é típico deste comportamento. Petista de carteirinha e garoto propaganda do partido de Lula nas campanhas eleitorais, em 1998 teve um surto existencial e político, saltando do barco petista para o barco tucano, em apoio à candidatura de FHC à reeleição.Alegou, na época, que Lula era pouco dado à cultura e que nunca havia assistido uma peça sua -vejam só que absurdo! Na verdade, agora sabemos, sua atitude foi motivada pelo fato de FHC ser o dono da caneta e das verbas, e Lula não passar de um candidato a caminho de sua terceira derrota consecutiva.Hoje Lula é o dono da caneta e das verbas e está a caminho da reeleição, razão pela qual passou a ser novamente alvo da admiração e da bajulação do ator.

Portanto, são justos a surpresa e o assombro de muitos que tomaram conhecimento deste episódio. O que causa pasmo e asco no comportamento desta gente não foi tanto o fato de terem declarado apoio a um candidato suspeito de corrupção, mas tão somente o desprezo assumido destas pessoas pela ética – “qualquer ética” – bem como a motivação - $$$ - que levou a este comportamento. Bajulação, subserviência e parasitismo são os ingredientes que se misturam nesta comédia de mau-gosto , protagonizada por artistas que se julgam mais importantes do que realmente são. Na internet, muitos estão sugerindo o boicote aos filmes, peças teatrais, shows e CDs deste pessoal (1). Bem feito! Seria um castigo merecido.

(1) Estiveram presentes na casa de Gilberto Gil, no ato de apoio à reeleição de Lula: Sergio Mamberti, Marcos Winter, José Mayer, Tonico Pereira,Paulo Betti,Alcione,Geraldo Azevedo, Wagner Tiso, Jorge Mautner,Leci Brandão, Zeca Pagodinho, Jards Macalé,Otto,Luiz Carlos Barreto,Augusto Boal, Roberto Farias , Tássia Camargo, Letícia Sabatella e Renata Sorrah.
300806

terça-feira, agosto 29, 2006

RISCO PARA A DEMOCRACIA

São desanimadoras, pois, as perspectivas para a próxima legislatura.Teremos um parlamento tão ou mais corrupto e fisiológico do que o atual. Tal fato, somado ao de um presidente eleito com expressiva maioria no primeiro turno, certamente conduzirá a um desequilíbrio entre os poderes. Isto per si não seria um mal, se à frente do executivo estivesse um político sensato e com fortes convicções democráticas.Mas tal desequilíbrio, administrado por um presidente populista e com tendências autoritárias, certamente será danoso para a democracia brasileira.

Reunião de CPI: cena cada vez mais constante no Congresso

RISCO PARA A DEMOCRACIA
Lula, quando ainda militava na oposição e dava lições de ética e de bom comportamento político, assinalou que no Congresso Nacional existiam pelo menos 300picaretas.Referia-se , é claro, àqueles políticos que, por ação ou omissão, desvirtuavam a função parlamentar, fazendo desta atividade algo mais parecido com um balcão de negócios ilícitos do que com uma instituição de representação do povo.Uma vez no governo, Lula contribuiu - e muito! – para reforçar esta má impressão que a sociedade tem do Congresso, ao levar ao extremo a pratica do “é dando que se recebe” praticada pelos governos anteriores ao seu. Para isto, conforme apuraram as CPIs e o Ministério Público, o seu governo e o seu partido criaram o mensalão, a premiar generosamente parlamentares que votavam a favor do governo.Hoje, são poucos os que acreditam na existência de “apenas” 300 picaretas. Devem existir muito mais. O fato é que, mais do que nunca, o Congresso precisa de uma renovação quase total no seu quadro de representantes.Mas, infelizmente, tudo indica que esta renovação não irá acontecer.

Há muito, o comportamento de boa parte dos parlamentares nada fica a dever ao enredo de um filme proibido para menores,com muita pornografia e violência. Tal comportamento,vem tornando o Congresso aos olhos da sociedade mais parecido com um covil de criminosos do que com uma casa de representantes do povo. Sem contar com a tradição já enraizada de trabalhar pouco e receber muito dos cofres públicos, os deputados e senadores tem se esmerado em práticas que agridem o bom senso, a ética e os bons costumes políticos. Sucessivos escândalos vêm marcando a vida do parlamento, pelo menos desde o início da década passada.Só para refrescar a memória, em pouco mais de uma década, assistimos o escândalo dos anões do orçamento, o escândalo da compra de votos para a reeleição, o escândalo do painel do Senado, o escândalo do mensalão, e, ainda atual, o escândalo dos sanguessugas.Ao mesmo tempo, diversos parlamentares renunciaram ou foram cassados por mau comportamento antes ou durante o exercício do mandato. A situação chegou a tão baixo nível que nem mesmo presidentes de ambas as casas escaparam da prática de malfeitos. Antonio Carlos Magalhães, Jader Barbalho ,Severino Cavalcanti e João Paulo Cunha, estiveram no palco de rumorosas práticas de agressão a ética que levaram os três primeiros à renúncia para evitar a cassação. Quanto a João Paulo, foi preservado pelo mesmo corporativismo que poupou a maioria dos envolvidos no mensalão.


O mais desanimador, é que todo este quadro de auto-desmoralização parece não será revertido tão cedo. O fato de as eleições legislativas ocorrerem na mesma ocasião das eleições para cargos executivos é um complicador.Com o foco da mídia totalmente voltado para as eleições presidenciais e de governadores, as eleições legislativas ficam pouco visíveis, o que possibilita a proliferação de candidatos sem nenhuma qualificação para o cargo e torna menos difícil a tarefa daqueles que tentam a reeleição, pelo fato óbvio de já serem, de alguma forma, conhecidos do eleitor. Junta-se a este fato, o abuso do poder econômico, a prática da compra de votos e a desinformação de grande parte do eleitorado, que mal consegue se lembrar em quem votou na última eleição, e teremos os ingredientes necessários para que o próximo parlamento seja tão ou mais deficiente do que o atual.

Parte dos eleitores numa tentativa de protesto vem fazendo a campanha pela anulação do voto nestas eleições.Trata-se de um ato compreensível, mas de poucos resultados práticos no sentido de moralização da política.Poderá, inclusive, ter um efeito contrário ao pretendido, pois a anulação do voto pelos desiludidos e descrentes na ação política inevitavelmente levará ao Congresso um número ainda maior de picaretas eleitos com os votos de eleitores picaretas dispostos a vender o seu voto por qualquer migalha.

São desanimadoras, pois, as perspectivas para a próxima legislatura.Teremos um parlamento tão ou mais corrupto e fisiológico do que o atual. Tal fato, somado ao de um presidente eleito com expressiva maioria no primeiro turno, certamente conduzirá a um desequilíbrio entre os poderes. Isto per si não seria um mal, se à frente do executivo estivesse um político sensato e com fortes convicções democráticas.Mas tal desequilíbrio, administrado por um presidente populista e com tendências autoritárias, certamente será danoso para a democracia brasileira.
290806

segunda-feira, agosto 28, 2006

ARRECADA MUITO E GASTA MAL

Qualquer proposta séria no sentido de se pensar o futuro do Brasil tem que levar em conta duas questões fundamentais: a questão educacional e a questão do tamanho do Estado – aí incluídos os três poderes, os três níveis da administração, a previdência social, as estatais e a carga tributária.. A primeira , bem ou mal, está sendo tocada nesta campanha, graças ao fervor missionário de Cristovam Buarque, não por coincidência com apenas 1% de intenções de votos.Da segunda, os candidatos parecem fugir como o diabo foge da cruz.


Fila do INSS: bomba de efeito retardado.

ARRECADA MUITO E GASTA MAL

O Governo arrecada cada vez mais e gasta cada vez mais. Este ano, as despesas do governo da União apresentaram um crescimento maior do que o crescimento da arrecadação.Entre janeiro e julho, os gastos do governo central – 211,489 bilhões - cresceram 14,8% em relação ao mesmo período de 2005. Já a arrecadação chegou a 306, 019 bilhões, um crescimento de 11, 1%. O superávit primário do governo central foi de 41, 373 bilhões, uma queda de 4,06%.

Certamente o fato de este ser um ano eleitoral foi fator decisivo para o aumento das despesas e a queda do superávit.Afinal, nos anos eleitoral, principalmente quando os governantes são candidatos à reeleição, são propícios para a generosidade demagógica com o chapéu alheio. Grande parte do aumento dos gastos se deveu ao aumento do salário mínimo e ao aumento salarial de muitas categorias funcionalismo federal.

As maiores despesas se concentraram na Previdência Social, com o aumento dos gastos com benefícios e aposentadorias e na própria máquina governamental, com o aumento do custeio – manutenção e salários. São estes os dois maiores geradores de despesas públicas e os dois maiores desafios administrativos a serem enfrentados pelo futuro governo, seja quem for o presidente. Desde que ele esteja disposto a enxugar e racionalizar o setor público.

Não é de agora que a questão previdenciária desafia os governos e está a exigir uma reforma definitiva. Muitos especialistas consideram que não ha muito que fazer enquanto o Brasil não retomar o crescimento. Defendem que, até que isto aconteça, o que pode ser feito é nada mais do que aumentar a idade mínima, o tempo de contribuição, e estabelecer tetos ainda mais reduzidos para os benefícios.Mas acentuam que se tratam de medidas provisórias,paliativas, capazes de retardar a explosão da bomba, mas não de desativa-la definitivamente. O que só viria com o crescimento econômico e a inserção de milhões de trabalhadores no mercado formal de trabalho,gerando o aumento da arrecadação previdenciária. Para outros especialistas, a previdência pública gigantesca e centralizada,
tal como está, é inviável. Defendem a descentralização , ao mesmo tempo em que propõem o fortalecimento e o aumento da credibilidade da previdência privada, como forma de atrair a classe média, aliviando, assim, a carga de despesas sobre a previdência pública.

O fato é que até agora, tanto no governo Lula quanto no anterior, as reformas da previdência geraram mais controvérsias do que resultados práticos. Uma nova reforma está sendo proposta para o próximo ano, dentro dos mesmos moldes das anteriores. Aumenta-se a idade mínima e o tempo de contribuição necessário para se requerer a aposentadoria, e adia-se para um futuro não muito distante o momento em que o déficit inviabilizar todo este sistema previdenciário público.

O outro gigantesco ralo por onde escoa grande parte do que o governo toma do contribuinte são os gastos absurdos com a manutenção da máquina governamental e o pagamento dos servidores. E sobre este aspecto o governo petista não tem como escapar de sua responsabilidade quase total. Defensor da tese de que o “estado máximo” é sinônimo de estado forte, fundamental para a promoção do que ele considera “justiça social”, o governo Lula aumentou de forma irresponsável o número de ministérios e de secretarias, multiplicou o número de funcionários e aparelhou a máquina com a militância do partido. Demonstrando pouco ou nenhum compromisso com a racionalidade e a eficiência, Lula preferiu o fácil caminho do aumento da carga de tributos sobre a sociedade, mesmo num período caracterizado por um medíocre crescimento das atividades produtivas, do emprego e dos salários.Isto é, o apetite voraz do governo não poupou a sociedade num período de vacas magras.

A atual campanha eleitoral nos traz pouquíssimas esperanças de que este quadro irá melhorar nos próximos quatro anos. Primeiro, porque, dos candidatos que realmente contam, quem lidera as pesquisas de opinião já deu demonstrações de como é o seu jeito de governar, e parece não estar tomado por nenhum arrependimento.Teremos certamente a continuação de uma previdência deficitária e de uma máquina governamental inchada e dispendiosa. O seu principal oponente, Alckmin, faz promessas genéricas de diminuir o tamanho do estado e aliviar a carga tributária, mas não especifica nem detalha tais propostas neste sentido.De Heloisa Helena, que já afirmou que o déficit previdenciário é “uma balela”, nada se pode esperar. Adepta que é do socialismo, se pudesse, transformaria toda a sociedade em serva do estado.

Reafirmando o que já disse em outros artigos, qualquer proposta séria no sentido de se pensar o futuro do Brasil tem que levar em conta duas questões fundamentais: a questão educacional e a questão do tamanho do Estado – aí incluídos os três poderes, os três níveis da administração, a previdência social, as estatais e a carga tributária.. A primeira , bem ou mal, está sendo tocada nesta campanha, graças ao fervor missionário de Cristovam Buarque, não por coincidência com apenas 1% de intenções de votos.Da segunda, os candidatos parecem fugir como o diabo foge da cruz.

280806

sexta-feira, agosto 25, 2006

HELOISA HELENA

Heloisa Helena entrou na disputa presidencial para promover o seu pequeno partido. Mas as circunstâncias fizeram com que ela crescesse, aparecesse e se transformasse na musa dos descrentes e desiludidos. Muitos passaram a ver nela o símbolo máximo da oposição a tudo de ruim que vem marcando a nossa política nos últimos tempos. Ela se declara contra o governo Lula, contra o governo FHC, contra o Congresso corrompido, contra a política econômica neoliberal, enfim, contra tudo e contra todos que, no julgamento dela, cheire à desgoverno e à falta de compromisso com o bem público.Ela se coloca como uma nova justiceira da ética e da moral, combatente incansável das mazelas políticas e defensora dos fracos e oprimidos, isto é , de todos aqueles que o mito criado pela pseudo-sociologia coloca como vítimas de um capitalismo selvagem e perverso. Sua atuação no Congresso criou em torno dela a aura de mulher decidida e corajosa, pronta a desfiar velhos e poderosos caciques da nossa política acomodados no Senado. Mas o que o seu sorriso maroto, o seu discurso contundente e sua aparência propositalmente despojada não conseguem esconder é o seu real compromisso com uma causa politicamente autoritária e historicamente falida, ou seja, a da implantação de um regime socialista no país.

É o que mostra o artigo abaixo, escrito por Christina Fontenelle. Nele, a autora diagnostica alguns elementos do comportamento político da Senadora alagoana, questiona o sposto caráter democrático de seu partido e denuncia a presença destacada em seus quadros de um terrorista italiano - Achille Lollo – fugitivo da justiça do seu país. E finaliza, alertando para o perigo que o seu discurso agridoce pode representar no sentido de iludir a muitos, capazes de se sugestionar pela crença de que um(a) messias será capz de redimir o país e salvar o seu povo. É a mesma fé irracional que levou à eleição de Collor , em 1989 e de Lula , treze anos depois. Deu no que deu.Vamos, então, à leitura, aos comentários e às críticas. (FS)

250806


Candidata “Me-Engana-Que-Eu-Gosto”
Christina Fontenelle

Ela vem chegando empunhando o estandarte da coerência, da ética e da honestidade, assim como Lula, que a muitos enganou antes de chegar à Presidência. Já vimos esse filme: acusar os outros daquilo que se pratica, justamente para poder continuar praticando sem que ninguém desconfie. A imagem é de guerreira implacável contra os inimigos corruptos e de mãe amorosa com os colegas de partido e com as pessoas do povo. Calça Jeans, camiseta branca, cabelos presos, sorriso nos lábios e uma braçada de flores na mão são as peças do uniforme da candidata Heloísa Helena. Ela não precisa de espaço no horário eleitoral gratuito e nem de desperdiçar vultosas quantias com propaganda – a mídia faz um trabalho de marketing promocional “voluntário” dos mais amplos e solidários com a senadora-candidata. A moça tem cobertura de gente grande mesmo. Fora isso, há, por todos os lados, gente graúda e famosa dizendo estar caída de amores pela guerreira de ética.

Em recente entrevista ao Jornal Nacional, na Rede Globo de Televisão, ao ser perguntada por Fátima Bernardes se não seria incoerente apresentar um programa de governo que não pretendia cumprir, Heloísa Helena, respondeu que o objetivo estratégico de um partido é algo que se pensa implementar em 30 anos, 40 anos, ressaltando que talvez quem não fosse militante de partido não entendesse muito bem isso. Eu concordo com a senadora: quem não milita em um partido com as origens do dela não entende mesmo que mentir seja necessário para chegar ao poder; ou seja, como quase ninguém lê programa de partido, fica lá o documento que poderá legitimar futuras ações, mas, da boca para fora, pode-se dizer o que quer que mande a conveniência.


Respondendo à mesma pergunta, a senadora ainda disse que é uma socialista por convicção e que teria aprendido a sê-lo na Bíblia, antes de ler os clássicos da história socialista: “Acho que nada de mais belo existe, a mais bela declaração de amor à humanidade de cada um conforme suas possibilidades e para cada um conforme sua necessidade”. Heloísa Helena já repetiu essa frase, como se da Bíblia fosse, por diversas vezes. É bom que se esclareça que o princípio é bíblico, mas a frase não. Outra coisa: é um princípio que é usado pela Igreja para que se atribua a ela o papel de intermediária no recolhimento e na redistribuição das riquezas – exatamente o mesmo que rege o comunismo, onde se substitui, no caso, a figura da Igreja pela do Estado. Portanto, de bíblico pode até ter um pouco o pensamento da senadora-candidata, mas de cristianismo não (1).


Isso para não falar do fato de Heloísa Helena ter sido expulsa do PT justamente por cobrar do Governo Lula atitudes coerentes com o que estava estabelecido no programa de governo do PT. Hoje, a senadora e candidata à presidência regozija-se da expulsão, com ares de quem já estivesse enxergando os escândalos de corrupção que estavam para estourar com as confissões do deputado Roberto Jefferson sobre o mensalão e outras coisas mais. Na verdade, a senadora foi expulsa porque agia como quem quisesse a “revolução socialista”, segundo os princípios e o próprio programa de governo do partido: "Dediquei toda a minha vida à construção do PT, que agora mudou de lado ao chegar ao governo". Mas, há algo de muito esquisito nesse comportamento revolucionário radical da senadora, assim, pouco antes da crise do mensalão, já que, desde que o PT começou a ocupar as primeiras prefeituras, é sabido que o partido aceitava dinheiro de bancos, de empresas privadas, de multinacionais, entre outras coisinhas bem ilícitas sobre as quais muitos de nós já sabemos faz tempo! Entretanto, HH, Luciana Genro, Babá e outros sempre participaram dos processos eleitorais, apoiando Lula, concorrendo pelo PT e, inclusive, sendo eleitos pelo partido.

Eu costumo desconfiar de fenômenos “casuais” que começam a ter uma função “inesperadamente” bastante útil em qualquer situação e principalmente se isso acontece no mundo da política. E não precisa ser muito velho para isso não – basta, por exemplo, que se tenha presenciado a ascensão e queda do ex-presidente Fernando Collor de Melo. Alguém, por exemplo também, se lembra do fato que acabou redundando na eliminação de Roseana Sarney da corrida presidencial que resultou na vitória a Lula, em 2002? Uma investigação mal feita e abafada acabou culpando justamente aquele que foi prejudicado no processo eleitoral, o candidato José Serra. Só há um comentário a fazer: nos cursos mais elementares de técnicas de investigação, a primeira coisa que se aprende é prestar atenção ao que responda a duas perguntas básicas – 1) A quem interessa? e 2) Quem acabou se beneficiando?

Voltando ao caso de Heloísa Helena, não podemos negar que seu desligamento do PT acabou por resultar na preservação dos princípios revolucionários que, afinal, fazem parte do PT e estão plenamente estabelecidos no Foro de São Paulo. Uma segunda coisa que não se pode negar é que, assim como era Roseana em 2002, uma mulher “ética e guerreira” representa uma tentadora opção eleitoral diante do quadro de caos político em que se encontra propositalmente o país. Outra coisa que não se pode negar é que a candidata do PSOL acabou representando uma alternativa de voto aos eleitores que se decepcionaram com Lula, de modo que seus votos não migrassem para Alckmin, que, aliás, também perde votos para HH, pelo fato de não apresentar as características de guerreiro que a senadora tanto faz questão de realçar na sua campanha e com a qual os eleitores tanto se identificam.


A seqüência de fatos e de conseqüências é tão extraordinariamente harmoniosa que causa estranheza. Parece até que o PT já sabia que os escândalos do mensalão estavam para estourar, com as denúncias de Roberto Jefferson, e que acabou providenciando o desligamento da parte do partido que deveria ser conservada como pura e como futura opção de voto e de continuidade dos ideais revolucionários. A pergunta é: quem se beneficiou afinal com a expulsão de Heloísa H. do PT? No mínimo a própria HH, o socialismo revolucionário e o Foro de São Paulo – o mesmo que ajudou Lula a chegar onde chegou.


O PSOL foi fundado algum tempo depois que a senadora Heloisa Helena e três deputados - Luciana Genro, João "Babá" Batista Araújo e João Fontes – foram expulsos do PT (2). Os argumentos formais para a expulsão foram os votos desses legisladores contra a reforma do sistema previdenciário exigida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e promovida pela administração Lula. Mas não foi só por isso. Heloisa Helena foi acusada de votar 19 vezes contra medidas apoiadas pelo governo no curso de um ano. Ela e outros membros da ala radical do PT vinham entrando em choque com a liderança partidária desde a campanha presidencial de 2002, quando se opuseram à escolha de José Alencar para vice-presidente - grande empresário do ramo têxtil e dirigente do PL e de uma igreja evangélica.


O site do PSOL (http://www.psol.org.br/) mostra o programa do partido, oferece links para os mais diversos movimentos revolucionários. Vale a pena dar uma olhada para que se tenha a medida exata do que está por trás da candidata “mãe-de-todos”, Heloísa Helena. Co-fundador do P-SOL, o companheiro de lutas de HH, Achille Lollo, escreve artigo sobre os fundamentos do partido (http://www.psolsp.org/?id=548). Não há, entretanto, menção a quem seja Achille Lollo, nem no site do P-SOL nem por parte da mídia de grande alcance.


Achille Lollo é um italiano que militava no Partido Operário nos Anos de Chumbo do terrorismo na Itália. Num episódio que chocou aquele país, em 1973, Lollo e dois companheiros de partido participaram do atentado que ficou conhecido como “Rogo di Primavalle” (incêndio de Primavalle, um bairro da cidade de Roma), onde morreram dois dos filhos de Mario Mattei - gari e secretário da seção do MSI (Movimento Social Italiano, de direita) daquele bairro. Mattei, sua mulher e seus seis filhos moravam em um pequeno apartamento da Rua Bibbiena. Lollo e seus dois comparsas jogaram 5 litros de gasolina por baixo das entradas da residência onde a família vivia e atearam fogo. O casal conseguiu escapar, junto com quatro filhos; mas Virgilio, de oito anos, não conseguiu sair de seu quarto e Stefano, seu irmão de 22 anos, tentou salvá-lo, mas não conseguiu e os dois morreram queimados.

Em 1987, Achille Lollo e os dois companheiros de partido foram julgados e condenados a 18 anos de prisão. Lollo cumpriu 2 anos e os outros dois nunca foram localizados. Consta que Lollo teria sido solto para cumprir o resto da pena sob condicional, mas, ele fugiu da Itália e veio para o Brasil. Em 1993, como parte da nova ofensiva do Ministério Público italiano contra os procurados por terrorismo no exterior, o governo italiano pediu a extradição de Achille Lollo (3). Entretanto, o governo brasileiro negou-se a extraditá-lo, sustentando que, pela nossa Constituição, “não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião”. Assim, ele vive até hoje no país, mas não como um simples e pacato cidadão que, pela situação de fugitivo da justiça italiana, se imaginaria dever ser seu comportamento. Ao contrário, ainda um cidadão italiano, Achille Lollo é Presidente da Associação para o Desenvolvimento da Imprensa Alternativa (Adia), é diretor e editor da revista trimestral Crítica Social e, ao lado da senadora Heloísa Helena, co-fundador do PSOL, partido cujo jornal oficial publica artigos de teoria marxista de sua autoria.


No Blog Síndrome de Estocolmo pode-se ler a declaração de um brasileiro que vive na Itália e que acompanha o caso do incêndio de Primavalle (http://www.sindromedeestocolmo.com/). O texto diz o seguinte:
“O grande Flávio Prada deixou essa excelente contribuição para o post: _ ‘Denise, o caso Achille Lollo é ainda muito comentado por aqui... Somente recentemente ele falou do caso. Disse que a intenção não era matar, mas apenas... de deixar um sinal forte de advertência. Porém, deixou nas entrelinhas, também, que a morte de um fascista não era assim um crime tão grave, era antes, a conseqüência da luta revolucionária... No fim, ele sustenta que foi um acidente... Eles foram armados de gasolina, ácido dentro de preservativos e um estopim. Diz que ninguém botou fogo em nada, pois o preservativo estourou e eles saíram correndo deixando tudo lá. Ele jura até hoje que ouviu vozes do outro lado da porta dizendo: "Eles chegaram" em uma evidência de que estavam sendo esperados. Todo seu depoimento, depois de trinta anos de "silencio ideológico", tenta jogar luz nesse fato, de que o atentado que foi planejado por eles, não deu certo e que foi concluído por outro alguém com o objetivo de culpá-los. Uma história muito obscura e cheia de contradições... O que sobra de tudo isso é que Lollo tem uma história de terrorista e fugitivo, não se mostra particularmente arrependido por isso e parece atuar ainda no mesmo espectro político de sempre...’”.

Mas, como não poderia deixar de ser, Heloísa Helena tem outros companheiros no partido e na coligação PSol-PSTU-PCB pela qual ela concorre à presidência da república. Victor Madeira, dirigente do Partido Comunista Revolucionário (PCR) e diretor do Sindicato dos Servidores Públicos Federais é um deles. Madeira disse, durante o lançamento oficial da candidatura de HH, no Rio de Janeiro, entre outras coisas, que a meta do seu partido "é eleger Heloísa Helena pelo voto, mas a implantação de um regime socialista por meio do uso de armas também não está descartada", e mais, que "se me perguntarem se fazemos treinamentos com armas, não vou dizer que sim e também que não. Obviamente não vamos entregar o jogo". Ações inconstitucionais também foram defendidas pelo candidato a deputado federal pelo PCB Ivan Pinheiro: "Venceremos pelo voto, mas não descartamos uma militância por meios não institucionais”. Nesse dia, uma empolgada Heloísa dedicou sua campanha aos mortos durante o regime militar e exaltou o companheiro César Benjamin, antigo dissidente do PT e candidato a vice na chapa da senadora, por ter sido “torturado nos porões”, sem ter por isso entregado seus companheiros.

Depois de ler tudo isso sobre os companheiros de HH, vejam com que tamanha incoerência a candidata termina sua entrevista no Jornal Nacional, falando sobre o que considera um bom governo: “Um governo que possa acolher as crianças brasileiras e a juventude brasileira, do mesmo jeito que eu, mãe, acalento os meus próprios filhos. E eu quero também agradecer o carinho, a delicadeza, as flores e os beijinhos que a gente tem recebido nas nossas caminhadas pelo Brasil. É uma luta que tem que fazer nascer um Davi por dia nos nossos corações, nós estamos firmes, fé em Deus e fé na luta do povo sempre”.
Um discurso que ofende a inteligência de quem é bem informado nesse país e uma propaganda enganosa explícita para a maioria propositadamente desinformada dos brasileiros. Uma verdadeira engana “trouxas”!

Fonte: http://infomix-cf.blogspot.com/

quinta-feira, agosto 24, 2006

GETULIO VARGAS

Rememora-se hoje o 52º aniversário da morte de Getúlio Vargas. Num país onde a história é pouco cultuada- é um país sem memória, costuma-se dizer – o nome e o legado de Vargas talvez sejam pouco estudados pelas novas gerações, o que nos faz esquecer que muito da herança getulista permanece forte até os dias atuais.A herança de Getúlio não é pequena nem desprezível.Certamente é o suficiente para que o nome, a ação e a herança de Vargas não sejam esquecidos pela História, e que deste período se possa se tirar lições importantes sobre o que deve ser feito e o que não deve ser feito para que o país evolua de maneira livre e democrática.



A ERA VARGAS

Rememora-se hoje o 52º aniversário da morte de Getúlio Vargas. Num país onde a história é pouco cultuada- é um país sem memória, costuma-se dizer – o nome e o legado de Vargas talvez sejam pouco estudados pelas novas gerações, o que nos faz esquecer que muito da herança getulista permanece forte até os dias atuais. A Era Vargas representou uma transição daquilo que poderíamos chamar de economia rural para uma economia capitalista.E fincou as raízes do capitalismo brasileiro, que, como veremos, nasceu sob o signo da mais absoluta tutela do Estado.

Até o início da década de década de 30, predominava em nosso país uma economia agrária e rural, com ênfase na cultura cafeeira voltada para a exportação. Tal tipo de economia era praticamente uma continuidade da economia do séc XIX, exceto talvez pela ausência do escravismo. A maioria da população brasileira habitava o meio rural, mas as grandes cidades já davam os primeiros sinais de mudança. A entrada de um número significativo de imigrantes europeus, principalmente em SP dinamizava o ambiente das grandes cidades e introduzia lentamente as primeiras indústrias, gerando uma incipiente burguesia industrial e um nascente proletariado urbano, dando o pontapé inicial na formação do capitalismo brasileiro, que, nesta fase inicial, se afirmou com quase nenhum apoio ou interferência estatal. Os anos 20, com as manifestações artísticas do modernismo, com as primeiras greves operárias, com a formação do Partido Comunista, com o movimento tenentista assistiram, pois , as primeiras contradições entre o conservadorismo rural e o novo dinamismo urbano, entre o semi-feudalismo e o pré- capitalismo..


As divergências ocorridas entre as elites oligárquicas dos estados no final dos anos 20 levaram ao rompimento entre as alianças que controlavam politicamente o país e provocaram o golpe político e militar que os livros de História definem como “Revolução de 1930”, que colocou Vargas no poder. .A ascensão de Vargas coincidiu, pois, com um período de mudanças na economia brasileira; mudanças que já vinham ocorrendo, independente de qualquer política governamental, desde a década anterior.

As décadas de 30 e de 40 , a conjuntura internacional acentuou no Brasil esta tendência à industrialização e à urbanização. Vargas soube se aproveitar deste momento para construir uma gigantesca e onipresente máquina governamental, aumentar o seu poder pessoal, e se perpetuar no poder. Afinal, foram 18 anos de getulismo, entre 1930 e 1954, com um breve intervalo de 5 anos – de 1946 a 1950 - em que o poder foi ocupado pelo general Eurico Dutra, braço direito de Vargas e uma das bases de sustentação de Vargas junto ao exército.

Vargas centralizou e aparelhou o Estado como nunca antes havia acontecido. Aproveitou-se do enfraquecimento das elites agrárias, provocado pelo declínio do nosso principal produto de exportação , o café, nos mercados internacionais,e do fato de tanto a burguesia industrial quanto o operariado urbano não estarem consolidados como forças influentes na sociedade.Construiu um gigantesco aparato burocrático, centralizou a administração, interveio nos estados, aparelhou e modernizou o exército.Construiu, desta forma, uma máquina estatal que, em muitos aspectos, lembrava os regimes fascistas , em voga na Europa da época..

É bom lembrar, que neste mesmo período, a depressão econômica que atingia os Estados Unidos e o continente europeu, havia acentuado a descrença tanto no liberalismo como forma de atuação econômica, quanto na democracia como regime político. Mesmo nos Estados Unidos, onde a crença nos valores democráticos parecia não ter sido abalada, o liberalismo econômico foi afetado com a viabilização do New Deal, política intervencionista colocada em prática por Roosevelt. Na Europa, foi pior.Tanto a democracia quanto o liberalismo foram golpeados com violência em muitos países.A pretexto de combater tanto o liberalismo quanto o comunismo, uma mistura de intervencionismo, militarismo e nacionalismo extremado,conduziram diversos países ao totalitarismo e ao caldeirão explosivo que conduziu à segunda guerra mundial.

Neste contexto, Vargas se espelhava muito mais no estilo europeu do que no norte-americano, ou seja, desprezava tanto os valores do liberalismo econômico quanto os da democracia. Em 1937,sob o falso pretexto da existência de um plano comunista para tomar o poder no Brasil, aplicou um golpe definitivo no que restava de instituições democráticas e implantou o “Estado Novo”, um regime ditatorial de características totalitárias que pouco ficava a dever às ditaduras de direita e de esquerda que proliferavam na Europa

Sob o ponto de vista econômico, Vargas pode consolidar a sua política intervencionista, reguladora e estatizante, onde o Estado deveria ser não só o indutor e planejador do crescimento, mas também o proprietário direto dos setores considerados estratégicos para o desenvolvimento, tais como os de energia, transporte e infra-estrutura,.assumindo plenamente o papel de empreendedor. O argumento era o de que o Brasil não possuía financiamento privado suficiente para esta tarefa, e que o Estado deveria, portanto, assumir as funções de empreendedor econômico, proprietário do capital e empregador direto da mão de obra, sobrando pouco espaço para a livre iniciativa privada. No final de 40 e início dos anos 50, é quase certo que grande parte dos assalariados que viviam nas grandes áreas urbanas dependiam direta ou indiretamente do Estado, ou como funcionários públicos,como trabalhadores das centenas de empresas estatais, ou como fornecedores de bens e de serviços ao estado.

O resultado disso é que o capitalismo brasileiro, tanto do lado patronal quanto do lado do trabalhador cresceu sob a tutela do Estado, e, até hoje, não conseguiu se libertar desta tutela.Tal característica, a meu ver, trouxe péssimas conseqüências para a evolução do país como um país capitalista fundamentado nas leis do mercado, na livre-iniciativa, e na autonomia do movimento sindical dos trabalhadores.Ao contrário,enraizou na mentalidade empresarial brasileira uma profunda dependência em relação ao estado, ao mesmo tempo em que os sindicatos de trabalhadores ficaram submetidos à mais profunda dependência em relação ao Estado Novo, com dirigentes sindicais escolhidos a dedo pelo Ministério do Trabalho, numa forma extremada daquilo que se convencionou chamar de peleguismo. Mesmo com o fim da ditadura getulista, grande parte dos sindicatos continuou a ter fortes relações com determinados partidos políticos, principalmente aqueles que se arvoraram em defensores dos trabalhadores – antes, o PTB, mais recentemente, o PT.O fato é que Vargas construiu um estado paternalista, assumind,o de cima para baixo, o papel de protetor do trabalhador, estabelecendo os direitos trabalhistas, e subjugando os sindicatos à tutela do Estado.

O fim da segunda guerra havia colocado o país uma situação privilegiada..As condições do período eram muito favoráveis para um choque capitalista no país,baseado na retirada gradativa do estado e no incentivo à livre iniciativa. Mas não foi o que ocorreu. A volta de Vargas ao governo, desta vez através de eleição, fez aumentar os conflitos ideológicas entre setores empresariais e trabalhista. Tais contradições giravam em torno daqueles que defendiam uma maior liberdade para a entrada e circulação de capitais no país ( os liberais ) e aqueles que, em contrapartida, defendiam uma política nacionalista baseada na forte atuação do estado no campo econômico.Vargas, é claro,mesmo que em alguns momentos manifestasse uma certa dubiedade, representava simbolicamente este segundo grupo.Tais choques se radicalizaram de tal forma que acabaram levando ao suicídio de Vargas em 24 de agosto de 1954.

O suicídio de Vargas, por ironia, acabou se constituindo no seu terceiro golpe – o primeiro foi em 1930, o segundo em 1937. Desta vez foi contra aqueles que acreditavam e defendiam uma maior liberdade no campo das relações econômicas. O choque e a comoção provocados pela sua morte trágica,mais a Carta Testamento, onde ele se colocava como defensor dos fracos e dos oprimidos, e como uma espécie de mártir da causa nacionalista contra a espoliação estrangeira, criaram um mito.Tal mito atravessou mais de três décadas de História, deixou alguns herdeiros diretos ( Jango e Brizola ), muitos herdeiros indiretos ( a esquerda brasileira de um modo geral ) e só começou a ser desmontado no início da década de 90, quando a idéia da liberdade nas relações econômicas retomou parte da sua força perdida.

Durante mais de três décadas, e, com menor intensidade ainda hoje, acreditou-se que o estado gigantesco, protetor, onipresente e onisciente, com uma burocracia ineficiente , e sugando recursos do povo e empréstimos impagáveis no exterior, poderia ser, ao mesmo tempo, um impulsionador do desenvolvimento e um construtor de igualdade social. Não foi nem uma coisa nem outra.A crise do Estado nos anos 80 mostrou toda a fragilidade deste modelo.

O fato é que a chamada Era Vargas deixou marcas negativas profundas Dentre estas marcas, a mentalidade de que somente o estado máximo será capaz de fazer o país avançar. Esta mentalidade está impregnada não só em setores da esquerda, mas , o que é pior , é forte também no empresariado , pelo menos naqueles setores que temem o risco e se acostumaram a se socorrer do dinheiro público, sempre que seus negócios não vão bem.

A verdade é que na última década a máquina getulista começou a ser desmontada, embora com muita lentidão. Tendo início no atribulado governo de Collor e prosseguido nos governos de FH, o desmonte desta máquina encontra resistências no governo de Lula..No atual governo, algumas medidas para se desonerar e diminuir o tamanho e o peso da máquina governamental foram tomadas, ainda que de modo muito tímido, muito mais por pressão do FMI do que por um surto de clarividência dos petistas. Afinal, apesar das críticas que Lula fazia a Vargas, o PT, por seu turno, nunca abdicou da crença no estado gigante talvez muito mais por conveniência e oportunismo do que por ideologia.

O fato é que mais e mais reformas que visem diminuir o aparelho estatal e desonerar a sociedade serão necessárias. Até mesmo a legislação trabalhista, a mais forte herança de Vargas, precisa ser revista, atualizada e adaptada ao novo contexto do capital e do trabalho. Como se pode ver, a herança de Getúlio não é pequena nem desprezível.Certamente é o suficiente para que o nome, a ação e a herança de Vargas não sejam esquecidos pela História, e que deste período se possa se tirar lições importantes sobre o que deve ser feito e o que não deve ser feito para que o país evolua de maneira livre e democrática.
240806

quarta-feira, agosto 23, 2006

O QUE ACONTECE - 23 AGO

OPOSICIONISTAS NÃO SE ENTENDEM

Confusão generalizada no ninho dos tucanos. O candidato Alckmin despenca nas pesquisas, enquanto os seus correligionários não se entendem. Nos estados, os candidatos tucanos aos governos, tentam desvincular as suas campanhas da imagem de Alckmin.Em SP, Serra faz corpo mole e se distancia da campanha presidencial.No Ceará, a situação foi ao extremo, com o apoio declarado do candidato Lúcio Alcântara à candidatura de Lula. Trata-se de um ato de retaliação ao fato do presidente do PSDB, Tasso Jereissati apoiar a candidatura de Cid Gomes, irmão de Ciro Gomes, amigo de Tasso.

O PFL, principal aliado dos tucanos nesta inglória jornada, não consegue esconder a insatisfação ante o que eles chamam de passividade do discurso de Alckmin. Segundo os pefelistas, Alckmin parece ter incorporado com convicção o apelido “picolé de chuchu”, e faz uma campanha morna, insípida e inodora. Segundo os pefelistas, ACM e César Maia à frente, a hora é de colocar os podres do PT na vitrine e realizar uma campanha agressiva, única maneira de chamar a atenção do eleitorado sobre a apagada figura de Alckmin.

É o que tem feito Heloisa Helena, apesar do seu tempo restrito na TV. E deve estar dando certo o estilo HH: assumiu a vice-liderança em dois estados importantes – Rio e Bahia.O pior para a aliança tucano-pefelista é que a subida de HH se dá às custas da queda de Alckmin. Isto significa que a candidata do PSOL não tira votos de Lula, mas sim de Alckmin, sem, no entanto, se constituir ainda num fator que possa levar o pleito ao segundo turno.Enquanto isso, Lula zomba de seus adversários e desfila arrogância, certo de que leva esta no primeiro turno. Também com adversários deste nível, Lula nem precisa de aliados.
(FS)
----------------------------------
Senado adia processos contra sanguessugas
Manobra de Renan Calheiros pode atrasar
o início das investigações;
Câmara instala processo contra 67 deputados.


Datafolha confirma crescimento de Lula

Pesquisa divulgada ontem mostra que o petista teria 49%
das intenções de votos e venceria no primeiro turno das eleições.


Lucro de empresas amplia 200% com Lula
Na comparação com o segundo mandato de
Fernando Henrique Cardoso, resultado dos bancos é 80% superior.


TSE determina retirada de propaganda de Lula da TV

Inserção impugnada se valeu de cenas externas ao fazer menção ao Bolsa Família.
Uso de externas é proibido por lei


Seguranças do tesoureiro PC Farias vão a Tribunal do Júri
Adeílton dos Santos, Reinaldo Correia, José Geraldo da Silva
e Josemar dos Santos foram denunciados pela morte de PC e da namorada



Trabalhador poderá escolher banco para receber salário
"As empresas negociam a folha de pagamento com o banco
e levam vantagem em troca. E aí, a conta não pode sair de lá",
disse o ministro Mantega


Presidente de Israel é suspeito de estuprar funcionária
A imprensa local especula se Moshe Katsav terá que renunciar.
Fontes ligadas à presidência descartam a possibilidade


Bush anuncia envio de mais de US$ 230 milhões ao Líbano
George W. Bush qualificou de "crucial" o posicionamento d
e uma força internacional das Nações Unidas na região.


Irã impede inspeções em instalação nuclear
Em Teerã, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei,
disse que o país continuará a desenvolver sua tecnologia nuclear.
Fonte: www.otempo.com.br

terça-feira, agosto 22, 2006

A SOCIALIZAÇÃO DA POBREZA

As praticas assitencialistas do governo Lula aliviam momentânea e artificialmente as dores da pobreza, mas sem reduzi-la de maneira consistente e permanente.Dá votos ao governo, mas, somada à estagnação econômica que empobrece a classe média, promove uma espécie de socialização da pobreza no país.


Será Lula um Robin Hood contemporâneo?

A SOCIALIZAÇÃO DA POBREZA
Os dados da Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar( PNAD), recentemente divulgada, nos revelam que a renda dos 10% da população brasileira que estão no topo da pirâmide social caiu 10,9% entre 2001 e 2004, enquanto a renda dos 40% mais pobres cresceu 10,2% acima da inflação do período.Entre os 10% mais ricos do Brasil, a pesquisa inclui todas as famílias que em setembro de 2004 viviam com mais de 853,11 por pessoa, ou seja, a maior parte da classe média brasileira.

Primeira conclusão óbvia: a classe média está mais pobre e a classe pobre menos pobre.Na última década ocorreu um processo de proletarização da classe média, fruto da política econômica adotada desde o Plano Real, que se por um lado estabilizou a moeda, por outro privilegiou o aumento da carga tributária e dos juros, aumentando a renda do setor público e dos banqueiros, em detrimento do setor privado produtivo.Tudo isto, mais a negligência governamental em relação a investimentos em infra-estrutura e fomento à produção, conduziram o país à estagnação econômica, com a inevitável queda na oferta de empregos e redução da massa salarial.Tal política, na prática, atingiu os extratos mais baixos da classe média, que se viu sem condições de sustentar o mesmo padrão de vida anterior, sendo obrigada a reduzir os gastos com bens de consumo, lazer e cultura, tendo em vista a necessidade mais premente de gastos com moradia, saúde, educação e alimentação.

Esta situação agravou-se na medida em que o governo Lula, acentuando a política econômica de desestímulo à produção, conduziu ao aumento da recessão, acentuando o desemprego e acelerando inda mais este processo de empobrecimento da classe média.O gigantismo da máquina estatal, somado ao aumento da carga de tributos sobre os setores produtivos e sobre a classe média completaram este quadro de estagnação econômica.Não foi sem motivo que o país, no último ano, apresentou um crescimento superior apenas ao do Haiti na América Latina.

Numa forma de compensar esta situação, o governo petista, preferiu o caminho aparentemente mais fácil- quem disse que “governar para os pobres é fácil”, não fui eu – e incorporou definitivamente a política de ajuda aos pobres que havia sido iniciada no governo de FH. Trata-se basicamente, como numa espécie de Robin Hood governamental, de retirar dos “ricos” para dar aos pobres, num processo de transferência de renda jamais visto antes.Tal política ,de fato, tem provocado um fenômeno momentâneo da melhoria de vida das camadas mais pobres da população, beneficiadas com programas como a Bolsa-Família.O problema é que tais programas não exigem desta população contrapartida alguma, a não ser a obrigação constitucional de manter as crianças na escola..

Não se trata de uma política consistente e permanente de inserção das camadas mais pobres no mercado de trabalho e nos quadros da cidadania, o que somente seria possível se viesse acompanhada de crescimento econômico e de uma revolução educacional. Trata-se, isto sim, de uma política meramente assistencialista, de caráter paternalista e de resultados duvidosos, porque tende a conserva-los na pobreza, tornando-os eternos dependentes da generosidade governamental, além de criar uma gigantesca clientela eleitoral de apoio ao governo. E tudo isto com o dinheiro alheio, que deveria ser empregado em serviços de educação, saúde e segurança, em situação de calamidade.

Tais práticas, adotadas pelo governo Lula, aliviam momentânea e artificialmente as dores da pobreza, mas sem reduzi-la de maneira consistente e permanente.Dá votos ao governo, mas, somada à estagnação econômica que empobrece a classe média, promove uma espécie de socialização da pobreza no país.
220806

segunda-feira, agosto 21, 2006

AS TENTAÇÕES CHAVISTAS DE LULA

Algumas das bases para esta possível agressão à democracia já estão lançadas. Temos um Congresso fraco, uma oposição tímida e a prática descarada do assistencialismo com fins eleitoreiros.Se a parte da sociedade que preza a democracia permanecer muda e inerte, e se Lula tiver a competência de levar adiante tal projeto de poder, estarão consolidadas todas as condições para que tal atentado aconteça.



Lula pode se deixar encantar por H Chávez e E Morales

TENTAÇÕES CHAVISTAS

Estaria Lula abandonado o petismo pelo lulismo?Sim, se nos basearmos no comportamento do candidato nesta campanha. Fica muito evidente o seu desejo de descolar a sua imagem do partido que ele construiu.Lula sabe que tem mais a perder do que a ganhar com esta associação. A crise moral e política de 2005 atingiu em cheio o partido, mas pegou apenas de raspão no presidente, quando muitos pensavam que ele estava mortalmente ferido.. Rolaram cabeças coroadas do partido. Nomes como J Dirceu, A Palocci, J Genoino, João Paulo Cunha, Delúbio Soares e Sílvio Pereira, que eram protagonistas até o ano passado, caíram vitimados pela cassação, pelo ostracismo, ou pelo descrédito político.

Lula foi preservado.Deu uma de bobo, mal-informado e “traído”, e com isso, mais a conivência da oposição que não quis iniciar um processo de impeachment no momento certo, conseguiu rapidamente recuperar a popularidade, fato que não ocorreu com o seu partido, que continua a ser, aos olhos da maioria, sinônimo de corrupção. Por isto, Lula investe cada vez mais na própria figura, seja por mera tática eleitoral, ou por estratégia, tendo em vista o seu , quase certo, segundo governo.E é justamente isso o que muitos temem: vitorioso e consagrado nas urnas, Lula esteja planejando para o seu segundo mandato um governo extremamente personalista.

O ex-petista Cristovam Buarque, que deve conhecer Lula melhor do que nós,teme que o nosso presidente venha a cair em “tentações chavistas”, numa referência ao governo autoritário de esquerda na Venezuela.O fato da popularidade de Lula ser muitíssimo maior do que a de seu partido, principalmente entre os segmentos mais carentes e desinformados da população, pode, perfeitamente, estar levando o presidente a este tipo de tentação. Modelos não lhe faltam: o próprio Hugo Chávez, na Venezuela e Evo Morales na Bolívia, para ficarmos nos dias atuais.. Se Lula fosse dado à leitura e à pesquisa, poderia buscar no passado alguns exemplos históricos, como os de Perón, na Argentina e Vargas no Brasil.

Todos eles guardam muitas semelhanças e poucas diferenças entre eles. São, em geral, governos autoritários, populistas e paternalistas, mesmo que alguns deles mantenham a aparência de democracia.. Na prática, tal modelo consiste na existência de um líder de massas, com uma boa dose de carisma pessoal, que conta com o apoio majoritário da população mais pobre, à qual se dirige de forma direta, dispensando a intermediação do parlamento, e à qual presta permanente assistência material e financeira, numa forma de clientelismo nacional.Ao contrário do que muitos supõem, apesar do discurso de esquerda, na prática não atacam as bases do capitalismo, e, por isto, costumam ser assimilados pela elite econômica e financeira , além de contar com a com a sustentação militar das forças armadas.

Contudo, existiria espaço para tal aventura autoritária e populista no Brasil, em pleno alvorecer do século XXI? Em tese, não. Mas a prática política poderá levar a tal.Algumas condições para que isto aconteça já começam a se fazer presentes.Na prática, tal projeto poderá se concretizar se a votação em Lula somada aos votos nulos for tão significativa a ponto de reduzir a oposição à insignificância, se o futuro Congresso continuar tão desmoralizado quanto o atual, se a oposição continuar tão enfraquecida e tatibitate quanto agora, se os setores democráticos da sociedade continuarem tão passivos quanto estão, se o assistencialismo governamental continuar tão ou mais intenso do que o atual, se as forças armadas forem cooptadas , e se os setores empresariais e financeiros não se sentirem ameaçados por tal projeto de poder.

Como se pode ver, algumas das bases para esta possível agressão à democracia já estão lançadas. Temos um Congresso fraco, uma oposição tímida e a prática descarada do assistencialismo com fins eleitoreiros.Se a parte da sociedade que preza a democracia permanecer muda e inerte, e se Lula tiver a competência de levar adiante tal projeto de poder, estarão consolidadas todas as condições para que tal atentado aconteça.

210806

domingo, agosto 20, 2006

O QUE ACONTECE - 20 AGO

MAIA CRITICA CAMPANHA OPOSICIONISTA



INCRÍVEL ! NENHUM CANDIDATO A PRESIDENTE TOCOU NESSES ASSUNTOS ! BEM, ATÉ AQUI
CÉSAR MAIA

Ninguém fala nada ! Passa para a opinião pública que todos são assim, e ninguém pode falar do outro !
De 2005 para cá os presidentes do PT, PL, PTB e do PP foram acusados e afastados ou perderam o mandato. O poderoso ministro chefe da casa civil foi demitido e cassado e acusado de chefe de quadrilha. Seu assessor mais importante foi demitido por corrupção demonstrada em vídeo. Todas as diretorias de poderosas empresas como Furnas, Correios, IRB, foram afastadas por denúncias de corrupção. A executiva do partido do presidente foi afastada por corrupção. O presidente da câmara de deputados do PT e os líderes do PT e do governo na câmara e no senado, foram afastados por denúncias de corrupção.

O ministro da fazenda foi demitido e responde a vários processos por corrupção em Ribeirão Preto e violação de conta bancária. O poderoso vice-presidente do mais importante fundo de pensão do Brasil -Previ-BB- do PT, foi afastado por corrupção. O ministro que mandava na propaganda do governo e nos fundos de pensão, foi afastado num quadro de corrupção. Um canal de corrupção entre agencia de publicidade, o PT, o governo, bancos e políticos da base do governo foi descoberta na mais ampla rede de corrupção política de que se tem noticia. O ministério da saúde, articulado com a casa civil, uma empresa privada e dezenas de parlamentares, criou um sistema de liberação de emenda com pagamento de propina.

A Caixa Econômica, bingos e a casa civil armaram licitação milionária e fraudulenta. Um carro landrover dado como compensação ao secretario geral do PT. Os cartões de crédito -secretos- da presidência, seus amigos e parentes, foram usados para gastos privados. O prefeito de Santo André foi provavelmente assassinado por caixa 2 do PT. A esposa do prefeito do PT,de Campinas diz que ele foi assassinado por razões políticas. Telefônicas combinavam seus negócios no Planalto com interveniência do tesoureiro do PT e de uma agência de publicidade. O relator da CPI da evasão de divisas deputado do PT, mantinha relações espúrias com doleiros. A agência de publicidade que fez a campanha do presidente reconheceu que recebeu caixa 2 de campanha no exterior e continua com contas do governo federal.

O amigo do presidente pagou suas contas dizendo que o presidente não sabia. Depois o presidente disse que sabia. O sigilo do mesmo não foi aberto. E muito mais, que se sabe,... e que não se sabe.



Fonte: http://cesarmaia.blogspot.com/

sábado, agosto 19, 2006

O QUE ACONTECE - 19 AGO.

TSE multa Lula em R$ 900 mil; presidente vai recorrer
Advogado de Lula, José Antônio Toffoli disse que a decisão
contraria ao menos quatro dispositivos constitucionais


Sanguessugas têm até segunda-feira para renunciar
O prazo, definido pela direção da Câmara, permite oficializar
a renúncia com a publicação no Diário Oficial da Casa


Cristovam diz temer que Lula sofra "tentações chavistas"
O senador Cristovam Buarque, reiterou que teme a vitória de Lula
no primeiro turno com uma esmagadora votação.




Aécio Neves mantém Alckmin fora do programa eleitoral
Nilmário Miranda, ao contrário, tentou colar sua imagem na de Lula,
que apareceu na abertura e no fim do programa.


Candidatura Alckmin entra em crise
São cada vez mais numerosos os sinais de crise na campanha
do candidato a presidente Geraldo Alckmin (PSDB),
da Coligação Por um Brasil Decente (PSDB-PFL).


Consumidor deve pagar 20% a mais por energia até 2015
Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica,
não estimou aumento para a distribuição nem para tributos e encargos


Reajustes salariais têm melhor 1º semestre desde 1996
Os dados são mais uma notícia positiva para o mercado interno,
que vem sendo estimulado pela queda do desemprego
.

País é condenado por violar direitos
Corte da OEA concluiu que portador de transtorno mental
sofreu maus tratos no Ceará e Justiça foi morosa no caso
.

OAB mantém suspensão de advogada de Marcola
Advogada é acusada de comprar gravação de reunião secreta da CPI
do Tráfico de Armas e repassá-la a criminosos


Apenas seis países aderem à força de paz da ONU
Até agora, apenas Bangladesh, Finlândia, Indonésia, Itália,
Malásia e Nepal fizeram declarações formais de contribuição.


Al Qaeda pode ter ligação com complô terrorista em Londres
Número três foi identificado por fontes de segurança como
o principal idealizador do complô terrorista em Londres


Fonte: www.otempo.com.br

sexta-feira, agosto 18, 2006

O CANTO DE SEREIA DO SAPO BARBUDO

Democracia é assim mesmo. Se o povo preferir o canto de sereia do sapo barbudo, que assim seja. Aos que não foram seduzidos pelo canto da sereia, resta continuar na trincheira, combatendo, vigiando e denunciando. Pela amostra que nos foi oferecida nestes quase quatro anos de governo, pouca esperança nos resta em relação aos próximos quatro anos.

O CANTO DE SEREIA DO SAPO BARBUDO

O processo eleitoral chegou ao fim? Pelo menos no que se refere às eleições presidenciais, parece que sim. A se considerar os resultados das pesquisas, o noticiário da mídia, a opinião de analistas e a euforia dos petistas, Lula já pode se considerar eleito e empossado.O que eu estou a dizer pode parecer uma heresia para muitos que , como eu, ansiaram para que o segundo semestre de 2006 chegasse depressa para que pudéssemos dar um final glorioso e democrático ao governo petista.Mas, a permanecer a tendência atual, teremos que esperar por mais quatro anos.Como entender esta tendência majoritária do eleitorado?

Segundo a opinião de muitos, este processo eleição apresenta muitas semelhanças com o de 1998. Naquela oportunidade, quem tentava a reeleição era o tucano Fernando Henrique, tendo o petista Lula como seu principal oponente, e Ciro Gomes como representante de uma terceira via ,cujo crescimento não foi suficiente para levar o pleito ao segundo turno. O ambiente econômico internacional, marcado por uma sucessão de crises, conduzia à prudência e foi o mote usado pelos marqueteiros da campanha de FH para garantir a sua reeleição.A continuação da estabilidade, representada por FH, em contraposição à incerteza a aventura, e ao risco representada pelas outras candidaturas garantiram a vitória tranqüila de FH no primeiro turno.

Hoje a história parece se repetir, com os personagens em posições inversas. Existe agora, como em 1998, um presidente em busca da reeleição e no uso e abuso da máquina pública. Seu principal adversário é um tucano, que defende mudanças. Há também uma “terceira via”, desta vez representada pela candidatura de Heloisa Helena. Muitos observadores da política, mesmo os de oposição à Lula, consideram que tanto hoje como em 98, a maioria do eleitorado já fez a opção pela estabilidade, que, na cabeça deste eleitorado, significa a continuidade.

A intensa propaganda governamental ao longo deste ano, parece ter conseguido, com sucesso, divulgar a idéia de que o Brasil cresceu e a vida da população desfavorecida melhorou, mesmo sendo evidente que nada disso ocorreu.Para acentuar esta falsa impressão, um conjunto de medidas assistencialistas foi implementado e ampliado neste ano eleitoral. Para complicar a vida dos oposicionistas, os governistas, maldosamente, insinuam que todos estes programas serão abolidos pelo novo presidente, caso ele não seja Lula.Com isto, coloca os seus adversários na defensiva.

Estes, por sua vez , não estão sendo capazes de passar à população algumas verdades incontestáveis: que o crescimento do país nestes anos se deu em ritmo de tartaruga; que o desemprego é uma realidade; que a educação e a saúde estão entregues ao abandono; que as estradas são um buraco só;que o tráfico de armas e de drogas é a atividade comercial em expansão;que os juros altos desestimulam o crescimento; que o excesso de tributos e o excesso de burocracia desestimulam os investimentos; e que o governo e seu partido montaram o maior esquema de corrupção institucionalizada da história deste país.Como se pode ver, é uma série de fatos que atestam a incompetência política e administrativa deste governo , bem como o nenhum compromisso com a ética e a coisa pública.Em muitos países, teria bastado a questão ética para derrubar o governo.Mas o Brasil é diferente.

No Brasil, à alienação política e/ou ao conservadorismo de grande parte do eleitorado, à farta distribuição de bolsas assistenciais e à incapacidade da oposição em denunciar as mazelas do governo, somou-se a escolha de um candidato de oposição que não consegue empolgar o eleitorado.Tudo isto talvez explique esta tendência amplamente favorável à Lula neste momento, e acentua em muitos esta convicção de que nada mais pode ser feito para detê-lo.

Mas democracia é isto mesmo. Se o povo preferir o canto de sereia do sapo barbudo, que assim seja. Aos que não foram seduzidos pelo canto da sereia, resta continuar na trincheira, combatendo, vigiando e denunciando. Pela amostra que nos foi oferecida nestes quase quatro anos de governo, pouca esperança nos resta em relação aos próximos quatro anos.
180806

quinta-feira, agosto 17, 2006

ALCKMIN PAZ E AMOR?

Na campanha presidencial de 2002, o “gênio” Duda Mendonça – quem não se lembra? - construiu a imagem de um Lula virtual: o” Lulinha Paz e Amor”Tratava-se de um candidato simpático, cordial, conciliador e dedicado às propostas de governo.Deu certo. Na atual campanha, o que muitos exigem de Alckmin é o contrário. Que ele abandone o estilo “paz e amor” e adote um tom mais contundente, sem abandonar, é claro, a apresentação de propostas. Afinal, não se combate o PT apenas com flores.


Muitos querem que Alckmin denuncie o lado Pinóquio de Lula.

ALCKMIN PAZ E AMOR?

Não bastasse o fato de Lula estar liderando com folga as pesquisas, e aparentemente recuperado da crise que atingiu o seu governo no ano passado, a campanha do tucano Geraldo Alckmin ainda não encontrou o rumo certo. É fato que, desde o início, a candidatura de Alckmin tem sido alvo d divergências. Nascida não de um consenso dentro do partido, mas de uma imposição de Alckmin, sua candidatura nunca conseguiu agregar nem empolgar os próprios tucanos, nem seus aliados pefelistas.

Dentro das hostes tucanas é evidente a má vontade de José Serra e de seus aliados, que não digeriram o “atrevimento” do ex-governador, ao atropelar a candidatura do ex-prefeito paulistano. Agora,Serra prefere uma campanha independente da presidencial, dando a entender que Alckmin mais atrapalha do que ajuda o seu propósito de chegar ao governo do estado. Também é notório o alheamento do governador mineiro Aécio Neves, que só se “engajou” na campanha de Alckmin depois que um acordo que possibilitou o inicio da tramitação no Congresso da emenda que acaba com a reeleição. Como se sabe, o objetivo de Aécio é concorrer à presidência em 2010, o que seria impossível com Alckmin eleito e o instituto da reeleição em vigor.

Nas hostes pefelistas, o clima de insatisfação é maior ainda. Consideram a campanha de Alckmin moderada demais para quem se pretende enfrentar Lula e a máquina governamental. O que eles propõem é que o tucano bata sem piedade em Lula. Consideram que o presidente deixou impressões digitais espalhadas por toda cena do crime, e que, por isto, deve ser atacado sem tréguas.No entender dos pefelistas é o único modo de desmascara-lo junto ao eleitorado e reverter a tendência favorável a ele.

Até agora, Alckmin tem mantido o estilo light-diet. Defende o que ele define como campanha propositiva em contraposição à campanha denuncista. Afirma que campanha eleitoral é argumento e convencimento, não agressão, e que não pretende se afastar desta linha de atuação. Na verdade, o estilo pessoal e o temperamento do candidato tucano não combinam com a agressividade e a contundência que os aliados estão a exigir dele. Em SP suas campanhas sempre procuraram enfatizar mais o seu lado gerencial, de bom administrador, do que o lado de combatente político.

Na campanha presidencial de 2002, o “gênio” Duda Mendonça – quem não se lembra? - construiu a imagem de um Lula virtual: o” Lulinha Paz e Amor”Tratava-se de um candidato simpático, cordial, conciliador e dedicado às propostas de governo. Tal construção se fez necessária para ampliar as intenções de votos no candidato petista, que era visto, até então, como agressivo, intransigente, radical e mau-humorado. Deu certo. Na atual campanha, o que muitos exigem de Alckmin é o contrário. Que ele abandone o estilo “paz e amor” e adote um tom mais contundente, sem abandonar, é claro, a apresentação de propostas. Afinal, não se combate o PT apenas com flores.
170806

quarta-feira, agosto 16, 2006

O QUE ACONTECE - 16 AGO.

Começou o horário eleitoral no rádio e na TV. Arghh. A legislação eleitoral bem que nos poderia privar de tal castigo.Do jeito em que são apresentados os programas,pouco ou nada acrescentam na tarefa de convencimento do eleitor.São trabalhos de marketing retocando imagens pessoais desgastadas e emoldurando promessas vazias e propostas irrealizáveis.O Lula apresentado pelo marketing eleitoral, por exemplo, é completamente diferente do Lula da entrevista do JN. O “Lula” dos marqueteiros, virtual, é seguro, articulado, simpático e cheio de projetos maravilhosos para o país. O Lula do JN, real, é inseguro, titubeante, desarticulado e incapaz de explicar as falhas políticas e éticas do seu governo. No bloco reservado aos candidatos majoritários a apresentação é mais elaborada. Os marqueteiros governistas procuram nos fazer crer que vivemos no melhor dos mundos, enquanto os marqueteiros da oposição tentam nos convencer de que vivemos no pior dos infernos.O bloco reservado aos candidatos proporcionais – deputados estaduais e federais – é uma tragédia só.São centenas de candidatos que se atropelam num curto espaço de tempo, com apresentações toscas e ridículas, numa verdadeira agressão aos nossos ouvidos e à nossa inteligência. Como programa humorístico até que faria sentido. Mas, como o seu propósito, acredito, não é fazer rir, acaba produzindo no eleitor um efeito contrário ao pretendido, pois ao invés de atrai-lo, afugenta-o.( FS )

Lula diz que viagens o fizeram conhecer Brasil
Candidato visita Montes Claros e recebe o apoio
de cerca de cem prefeitos das regiões mais pobres do Estado.


Amenidades marcam tom da campanha
Candidatos à Presidência da República iniciam
horário eleitoral gratuito no rádio e na TV
sem fazer ofensas pessoais


Deputado da Bahia é o 1º a renunciar
Para evitar a cassação pelo conselho de ética e a inelegibilidade,
Coriolano Sales (PFL) comunica afastamento.



Justiça ordena prorrogação de prisão dura para chefe do PCC
Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, permanecerá
por mais 30 dias no presídio de Presidente Bernardes, em SP.


Preço dos combustíveis pode sofrer novo reajuste
Motivos se deve a atual alta do petróleo, a crise no Oriente Médio
e o verão nos EUA, em um momento de baixos estoques


Ministro assina contratos de concessão de usinas
Concessão das sete usinas hidrelétricas negociadas em leilão,
será hoje, no auditóriodo Ministério de Minas e Energia.


Justiça adia processo contra a polícia no caso Jean Charles
O adiamento foi autorizado depois que o advogado
representando a polícia, disse que a defesa precisava de mais tempo


Hezbollah lidera reconstrução do Líbano
Exército libanês começa a reconstruir pontes, estradas e casas do país.
Reconstrução seria financiada pelo Irã


Fonte: www.otempo.com.br

terça-feira, agosto 15, 2006

CONVERSA DE COMADRES

Ausente, Lula se livrou da pressão que certamente sofreria, das gafes que certamente cometeria e dos questionamentos que certamente não saberia responder.Escondeu suas próprias fraquezas e deixou seus adversários expostos. E não fez nada mais do que todos os candidatos em situação folgada nas pesquisas costumam fazer. Inclusive os tucanos.



CONVERSA DE COMADRES

Mesmo ausente, Lula foi a figura mais presente no debate da Band. Culpa de seus adversários. Era visível a preocupação dos demais candidatos em mencionar a sua ausência, o que de certa forma provocou um efeito contrário ao pretendido. Se os seus oponentes queriam enfatizar o negativo de sua atitude, a tática foi errada. Afinal, ao mencionar Lula a todo instante, colocaram-no no centro da ribalta e diminuíram a importância de suas próprias presenças. Perderam uma ótima oportunidade de exporem suas virtudes e enfatizarem os seus projetos. Para Lula, ficou aquela máxima: “falem mal , mas falem de mim.”

De fato, o debate foi monótono e desinteressante. Faltou contraposição de idéias e apresentação de propostas consistentes e convincentes. Parecia conversa de comadres no final de tarde. Culpa, em parte, da própria estrutura do debate que não permitia muita coisa além da apresentação genérica de promessas vagas, mas também culpa dos candidatos que pareciam não ter muito a dizer, como se não acreditassem nas próprias possibilidades.

Alckmin insistia em repetir mecanicamente -falta emoção ao candidato tucano – suas “prioridades”, entre as quais destacava a segurança e a educação – é impressionante como em época eleitoral se fala tanto em educação! Só não soube explicar por que, durante o seu mandato como governador do mais rico estado brasileiro, não conseguiu nestas duas áreas o sucesso que promete para o Brasil. Heloisa Helena começou tímida e comedida, mas depois ensaiou ser a Heloisa de sempre, batendo em petistas e tucanos com igual rigor. Quando foi chamada a falar sobre os seus propósitos de governo, ficamos sabendo que ela é favorável à “eficiência do estado”, sobre o que nada temos a opor, não fosse o fato de que para ela isto significa nada menos do que aumentar o tamanho da máquina pública, mais funcionários, mais impostos, desperdício, e por aí vai. Cristovam Buarque voltou a insistir no seu projeto de “revolução educacional”. Em tese, ele está absolutamente certo, mas, como candidato à presidente, ele precisa apresentar projetos em outras áreas também prioritárias. Afinal, segurança, saúde, saneamento e infra –estrutura não podem esperar que a revolução educacional proposta pelo candidato comece a dar os seus primeiros frutos.

Neste ritmo, estamos mal. Ausente, Lula se livrou da pressão que certamente sofreria, das gafes que certamente cometeria e dos questionamentos que certamente não saberia responder.Escondeu suas próprias fraquezas e deixou seus adversários expostos. E não fez nada mais do que todos os candidatos em situação folgada nas pesquisas costumam fazer. Inclusive os tucanos.Em 1998, FHC se recusou a comparecer a debates; em Minas e SP, tanto Aécio Neves quanto José Serra já avisaram que não comparecerão.Melhor para eles, pior para nós. No caso de Lula, temos na presidência um candidato que se recusa a debater e a prestar conta sobre o que fez e o que não fez. Apesar dos quase quatro anos de governo, Lula demonstra desconhecimento técnico, desinformação e temor de ver expostas as verdades sobre o seu, no mínimo, polêmico governo.

Infelizmente, para o eleitor consciente, o presidente sabe que sua ausência dos debates terá pouca ou nenhuma influência nos índices das pesquisas eleitorais. O seu eleitorado, com certeza, não é aquele que ficou sintonizado na Band entre 22 e 24 horas desta segunda -feira. O seu eleitorado estava sintonizado em outros canais, ou se dedicando a outros afazeres. Creio que até o próprio Lula estava sintonizado em outro canal.
150806

segunda-feira, agosto 14, 2006

DESCRENTES E DESILUDIDOS

Com seu discurso estridente e contundente, Heloisa costuma se colocar acima de todos os demais políticos. O fato de combater, com a mesma veemência, tanto o atual governo quanto o anterior, a coloca numa posição privilegiada na disputa autofágica entre petistas e tucanos pelo poder. Com isto, consegue atrair tanto os desiludidos com o PT quanto os descrentes com a política em geral.




OS DESCRENTES E OS DESILUDIDOS

Nesta campanha eleitoral para a presidência são perceptíveis, basicamente, três tipos de eleitores os conservadores, os renovadores e os descrentes e desiludidos. Os primeiros, demonstram estar satisfeitos com a política atual,- quaisquer que sejam os motivos desta satisfação - ou, pelo menos, acham que se a situação está ruim com Lula, pior seria sem ele. São pessoas que têm uma crítica pontual aqui e acolá, mas não estão dispostas a “arriscar” o seu voto em outro candidato. A liderança de Lula nas pesquisas realizadas até agora indica que esta tendência tem predominado.

Os renovadores são os insatisfeitos com a política deste governo, ou, com este governo em si. Repudiam o seu comportamento ético e julgam-no incapaz de promover as mudanças que levem o país ao desenvolvimento. Certamente, darão o seu voto a um dos candidatos oposicionistas, o que considerem mais indicado para fazer esta mudança desejada. Já os descrentes e desiludidos proliferam de modo heterogêneo, e vão desde aqueles que são , diríamos, descrentes crônicos, pelo seu repúdio à política e aos políticos em geral, aos descrentes agudos, aqueles que passaram a ter ojeriza pela política em virtude dos mais recentes acontecimentos no governo e no Congresso. Há também aqueles que se desiludiram especificamente com Lula e com o PT.

Nesta campanha eleitoral, mais do que qualquer outro candidato, Heloisa Helena está catalisando este sentimento de descrença e de desilusão de parte do eleitorado. A crise política e ética protagonizadas pelo governo Lula, pelo seu partido e pelo Congresso fortaleceram, nestes setores da sociedade, em especial em setores da classe média, a convicção de que todos os políticos farinha do mesmo saco de malfeitos. Todos, em maior ou menor grau, são antiéticos, corruptos, cínicos, hipócritas e safados.

Com seu discurso estridente e contundente, Heloisa costuma-se colocar acima de todos os demais políticos. O fato de combater, com a mesma veemência, tanto o atual governo quanto o anterior, a coloca numa posição privilegiada na disputa autofágica entre petistas e tucanos pelo poder. Com isto, consegue atrair tanto os desiludidos com o PT quanto os descrentes com a política em geral. Os desiludidos com o PT são aqueles que mantiveram a sua crença nas teses que foram defendidas durante anos pelo partido de Lula: uma junção de política econômica nacionalista e estatizante com a defesa da ética da moral e dos bons costumes na atividade pública. Como se sabe, uma vez no poder, o PT abandonou tanto uma quanto outra, e este eleitorado parece ter encontrado em HH – defensora destas teses, e, por isto, expulsa do PT – aquilo que Lula e seus companheiros pareciam representar num passado recente.Os descrentes com a política em geral, dispostos, inicialmente, a anular o seu voto em outubro, também podem ser convencidos pelo discurso rebelde e apelativo da candidata do PSOL, enxergarem nela um símbolo da anti-política, e descarregarem nela parte de seus votos.


Não obstante a sua ascensão nas pesquisas, HH não consegue esconder o essencial: o seu discurso rancoroso e contundente é também atrasado e autoritário. Da mesma forma que o PT no passado, revela uma profunda repulsa pela democracia representativa e suas instituições. A isto, soma-se a sua visão arcaica da economia, e a fé no socialismo como sistema redentor da humanidade.

Pelo que dá a entender sobre o seu, digamos, pensamento político e econômico, fica claro que, para ela, o mercado deve sofrer um processo de permanente interferência do Estado. Para isto, o Estado deve ser o mais amplo possível, o mais intervencionista possível. Radicalizando os velhos conceitos da esquerda, HH é mais uma entre os defensores da tese de que a “justiça social” depende exclusivamente da ação onipresente e onisciente do Estado, interferindo em todas as esferas da sociedade. Traduzindo em bom português: regulamentação excessiva, carga tributária elevadíssima, quebra de contratos, inchaço da máquina pública, controle do governo sobre as instituições civis. Em resumo: Estado amplo, sociedade fraca e economia vigiada.

Muito menos por suas convicções políticas e econômicas, a senadora entrou nesta disputa com o propósito de expandir o seu insignificante partido, ameaçado pela cláusula de barreira. Impulsionada pelo resultado das recentes pesquisas e pela atenção que vem recebendo da mídia, já trabalha com a possibilidade de superar o apático Geraldo Alckmin e chegar ao segundo turno,hipótese que, pelo andar da carruagem, não chega a ser completamente absurda.Muito mais do que o candidato tucano, que não consegue engrenar um convincente discurso de oposição, HH, como franco-atirador, só tem a ganhar, se for capaz de agregar o maior número possível de votos dos descrentes e dos desiludidos..

Quase sempre, este sentimento de repulsa, descrença e desilusão com o status-quo político carrega o vírus do autoritarismo. Esta parcela da sociedade costuma associar as mazelas políticas, que permeiam o sistema político brasileiro, como inerentes ao próprio sistema democrático, e deixam-se encantar por qualquer tipo de discurso que encarne esta tendência pelo autoritarismo. No momento, é o discurso da senadora aquele que mais traduz esta tendência. Tal fato seria preocupante se a senadora tivesse uma base partidária forte e bem estruturada, o que não acontece. Com a estrutura que tem, HH poderá aspirar no máximo, a levar a eleição ao segundo turno, numa disputa em que ela ficará de fora.A não ser que a incompetência de tucanos e pefelistas seja tão grande que possibilite uma final entre ela e Lula. Aí seria desgraça demais, e, aos verdadeiros democratas, só nos restaria orar ao santo protetor da democracia. Mas existe este santo?

140806

sábado, agosto 12, 2006

O QUE ACONTECE HOJE - 12 AGO

Não sei porque falam que Lula se saiu mal na entrevista da Globo! Sinceridade é um mal? Afinal, Lula disse que o seu governo “combateu a ética” como nenhum outro. Disse também que o “salário caiu”. Absolutamente certo. Ah, ele queria dizer corrupção e inflação. Foi um ato falho.Lula tem a memória curta. Não se lembra de que seus auxiliares imediatos- Dirceu e Palocci - pediram demissão, e foram até homenageados pelo presidente. Disse que ele “demitiu seus auxiliares”. Grande mentiroso é o que Lula é. Pinóchio!!! .Enquanto isso, os corruptos da máfia das ambulâncias tratam de ajeitar a sua vida futura. Alguns pensam em renunciar, outros já estão em plena campanha eleitoral, certos de que o eleitor é cego.Alguns poucos desistiram de uma nova candidatura. Só em Minas, os seis deputados denunciados pela CPI embolsaram mais de R$530 mil. Dinheiro de impostos do meu, do seu, do nosso suado e explorado trabalho.( FS)


São Paulo libera presos; Lembo e Lula selam a paz
O presidente Lula e o governador paulista, Cláudio Lembo,
tiveram um encontro para acabar com disputa política
provocada pela violência no Estado


Outra pesquisa dá vitória a Lula no 1º turno
Ainda absorvendo os efeitos de seus atos falhos em entrevista à TV,
presidente assiste à queda de Geraldo Alckmin.


Mineiros teriam embolsado R$ 530 mil
CPI dos Sanguessugas encaminha denúncia pedindo
a cassação do mandato de seis deputados do Estado.


CPI investigará Executivo e prefeituras em nova fase
Esquema envolveu quase 600 prefeituras, entidades privadas
e manipulou 1/3 dos convênios para compra de ambulâncias.


Quadrilha que desviou R$ 354 mi é presa
30 servidores públicos, militares e empresários são
acusados de fraude em licitações de merenda escolar.


Londres: presos são ligados à Al Qaeda
O estado de alerta de segurança máximo continua em vigor
no Reino Unido; aeroporto londrino tem outro dia de transtornos


IGP-M aumenta 0,16% em agosto
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC)
foi o único componente a ter alta: saltou de
-0,28%, em julho, para 0,01%.


Israel libera ampliação de ofensiva terrestre no Líbano
A ampliação, aprovada na última quarta-feira, autorizou
o avanço das tropas israelenses, que devem ir além do rio Litani


Fonte : www.otempo.com.br

quinta-feira, agosto 10, 2006

QUANTIDADE SEM QUALIDADE

Mas o pior é que nossos dirigentes parecem nunca aprenderem a óbvia lição de que é na qualidade da educação que se pode projetar um futuro melhor para o país e para os cidadãos. Como não aprenderam a lição, insistem em repeti-la cometendo os mesmos erros. Quando se referem à melhoria do ensino, a sua visão não ultrapassa os limites da construção de mais escolas, o que significa apenas, mais uma vez, privilegiar a quantidade em detrimento da qualidade.




QUANTIDADE SEM QUALIDADE

O ensino público brasileiro à medida que ganha em quantidade perde em qualidade.Refiro-me ao ensino médio e fundamental, que, a partir da ampliação da rede pública em todo o país, sofreu uma acentuada queda na qualidade do ensino ministrado nas escolas. O chamado processo de democratização do ensino, iniciado nos anos 70, durante os governos militares e prosseguido nas décadas seguintes, foi mal planejado, mal executado e com resultados catastróficos. A conclusão a que se chega é que tal política educacional destinava-se muito mais a rechear as estatísticas no que se refere à demanda por vagas, do que realmente qualificar os jovens para o mercado de trabalho em expansão.O fato é que a partir dos anos 70, as escolas públicas se multiplicaram pelos bairros e periferias das médias e grandes cidades, abrindo vagas para milhões de crianças e jovens e passando a falsa impressão de que o país assistia a uma revolução no setor.Pelos resultados visíveis agora, se pode constatar que a expansão das escolas, não acompanhada de uma revolução nos métodos e na qualidade do ensino, não passou de uma grande falácia.


A péssima qualidade do ensino ministrado na maioria das escolas deveu-se principalmente a associação de alguns fatores.Primeiro, a expansão da rede escolar e a multiplicação de alunos matriculados geraram a necessidade da contratação em massa de professores, fato que promoveu a formação de um corpo docente desqualificado, com baixa remuneração, e desmotivado, refletindo automaticamente na qualidade do ensino ministrado nas escolas. Aliado a isto, um currículo defasado, que não se atualiza diante da rápida multiplicação de conhecimentos e de tecnologias gerada pelo processo da globalização, e pelo conseqüente aumento da competitividade.O resultado do pouco rigor no ensino é um sistema de avaliação escolar falho e permissivo, que permite que o aluno avance através das séries sem a aquisição mínima dos conhecimentos e das habilidades necessárias para tal. Uma tragédia só, como podem ver.

Mas o pior é que nossos dirigentes parecem nunca aprenderem a óbvia lição de que é na qualidade da educação que se pode projetar um futuro melhor para o país e para os cidadãos. Como não aprenderam a lição, insistem em repeti-la cometendo os mesmos erros. Quando se referem à melhoria do ensino, a sua visão não ultrapassa os limites da construção de mais escolas, o que significa apenas, mais uma vez, privilegiar a quantidade em detrimento da qualidade.Nas condições atuais, mais escolas significam apenas mais alunos matriculados, mais professores desqualificados e com salários aviltantes, mais alunos terminando o ciclo escolar sem saber ler e escrever , e mais dinheiro público sendo jogado ao vento do desperdício.

A campanha eleitoral seria uma ótima oportunidade para se colocar na pauta principal tema tão fundamental, mas, pelo o que se tem visto até agora, as perspectivas não são animadoras.Não obstante, merece consideração a insistência com que pelo menos um dos candidatos presidenciais – o senador Cristovam Buarque – vem tratando da questão educacional. Ele a tornou no tema central da sua pobre campanha e a tem divulgado como se fosse uma missão. De modo quixotesco, até. Menos mal.

O problema das propostas de Buarque é que elas pecam pelo paternalismo.A defesa de programas como o Bolsa-Escola e a Poupança Educação, - o primeiro, para fazer com que a criança permaneça na escola e o segundo para incentivar a sua promoção através das séries - na verdade acaba por se constituir numa prova evidente de que, incapaz de manter o estudante na escola pela qualidade do ensino ministrado, o estado paga para que ele lá permaneça.O que só pode levar à conclusão de que, de tão ruim, a escola atual é incapaz de fazer com que o estudante se interesse por ela pelos seus próprios méritos. O que deveria ser uma necessidade individual passa a ser uma obrigação recompensada pelo governo.

Apesar de suas propostas merecerem críticas e reparos, somente o fato de o candidato tê-las colocado na pauta da campanha já é um fato positivo. Caso contrário, seria apenas mais um entre mil temas discutidos na campanha e mesmo assim como promessas de construção de mais escolas, mais contratação de professores, mais alunos matriculados. Sem questionar, afinal, para que servirão estas escolas e este tipo de ensino.
090706

quarta-feira, agosto 09, 2006

AS ETERNAS FÉRIAS PARLAMENTARES

Com este tipo de comportamento, os parlamentares brasileiros parecem querer dar razão àqueles que defendem a tese de que o poder legislativo, por inútil e dispendioso, deveria ser simplesmente abolido.Aos democratas cabe o dever da crítica sem tréguas e da cobrança permanente por um comportamento mais ético e menos despudorado dos nossos parlamentares.


Congresso às moscas:rotina em anos eleitorais


Será que os parlamentares brasileiros realmente se levam a sério? Ou melhor, será que levam a sério os seus eleitores?

A pergunta surge devido à freqüência com que os parlamentares se mantém ausentes de Brasília, e, portanto, afastados de suas funções básicas de legislar e de fiscalizar o executivo. Agora mesmo, à pretexto de se manterem próximos de seus redutos eleitorais devido às eleições, senadores e deputados decretaram o que eles chamam de “recesso branco”, isto é, as sessões das duas casas do Congresso no segundo semestre não serão deliberativas, o que significa que os parlamentares ausentes não sofrerão desconto em seus nutridos contra-cheques.E vários projetos importantes para a sociedade deixam de ser votados, inclusive a LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias – que está no Congresso desde abril, mas que devido a uma disputa entre oposição e governo quanto ao percentual de aumento dos proventos dos aposentados da Previdência, ainda não foi votado.

Em anos não-eleitorais, já é muito baixa a produtividade do Congresso nacional. Os parlamentares têm praticamente três meses – janeiro, fevereiro, julho – de férias anuais. Nos demais meses, os parlamentares instituíram o hábito da semana de três dias - terça, quarta e quinta. Reservam os demais dias para “visitas ás suas bases eleitorais”. Nas semanas em que existe algum feriado, praticamente não há trabalho legislativo, pois os nobres parlamentares costumam adotar a prática muito comum entre os escolares de “enforcar” os dias úteis entre o feriado e o fim -de -semana.

Devido à sua baixa produtividade durante os meses legislativos, muitas vezes o Congresso vem sendo convocado para sessões extraordinárias nos meses de férias, para que os parlamentares façam aquilo que deveriam ter feito durante os meses legislativos. E para isto, ao invés de castigo, têm um prêmio, ou seja, um reforço de até três vezes o valor dos seus salários mensais.

Contra estas críticas, os parlamentares costumam se defender com o argumento de que o trabalho parlamentar não se limita às suas atribuições no Congresso.Segundo eles, é preciso um contato permanente com seus respectivos redutos eleitorais, um diálogo constante com a população, o que não é possível na distante Brasília. O comparecimento às cerimônias, assembléias, reuniões, encontros partidários, festas e demais atividades sociais em suas comunidades. são exigências das quais não podem fugir. Não deixam de ter razão, mas são atribuições secundárias dos seus mandatos e podem perfeitamente ser cumpridas nos fins de semana e nos recessos.Nada disto justifica a desídia com que os parlamentares encaram as suas funções primeiras
.
E assim a barca vai... Com este tipo de comportamento, os parlamentares brasileiros parecem querer dar razão àqueles que defendem a tese de que o poder legislativo, por inútil e dispendioso, deveria ser simplesmente abolido.É a tese dos antidemocratas, dos viúvos da ditadura militar, dos autoritários de toda ordem. Aos democratas cabe o dever da crítica sem tréguas e da cobrança permanente por um comportamento mais ético e menos despudorado dos nossos parlamentares. Isto pelo bem da democracia, que, como já foi dito, é o pior dos regimes, exceto todos os outros.


090806