terça-feira, julho 11, 2006

A QUEM INTERESSA O VOTO NULO

A oposição tem, pois, uma tarefa árdua.Terá que convencer o eleitor desiludido de que ele foi vítima de uma grande mistificação em 2002. Terá que apresentar ao eleitor um programa viável e consistente, baseado no compromisso com a aplicação correta dos recursos públicos e com o crescimento do pais.



A QUEM SERVE O VOTO NULO

Anular o voto nem sempre chega a ser um atentado contra a democracia representativa ou uma prova de pouca cidadania. Em certos momentos, chega a ser uma atitude de afirmação democrática diante de um quadro político-eleitoral deteriorado, ou diante da absoluta falta de alternativas.Lembro-me que na eleição presidencial de 1989, a primeira, após um prolongado jejum de 29 anos, fui impulsionado, no turno final, a anular o meu voto, diante das opções que me foram colocadas - Lula ou Collor? O primeiro simbolizava o atraso, e o segundo, o símbolo do aventureirismo e da corrupção.O que fazer, então? No primeiro turno, havia votado em Mario Covas, mas no segundo turno não encontrei outra alternativa a não ser a da anulação.Não se tratava, nesse caso, sequer da escolha do “menos ruim”, porque ambos eram péssimos, como, aliás, os seus governos vieram a comprovar.

O fato é que diversas razões podem levar um eleitor, consciente ou inconscientemente, a anular o seu voto: desinteresse permanente pela política, adesão ou simpatia pelos princípios anarquistas, desencanto com a política em determinados momentos, ou, mesmo erro na hora de votar. Anarquistas, desinteressados e analfabetos políticos sempre existiram em todas as eleições, mesmo as mais motivadoras. O que surpreende agora é o grande número de “desencantados” com a política e os políticos que estão não só dispostos a anular o seu voto, como a fazer com que mais pessoas façam o mesmo.É sobre os desiludidos que os candidatos, principalmente os da oposição, deverão trabalhar no sentido de conquistar a sua confiança e o seu voto.?


Mas o que levou estas pessoas a manifestar em 2006 um tão veemente repúdio ao processo eleitoral? Sem dúvida, o grande show de corrupção, incompetência e falta de compromisso com os valores morais e éticos patrocinados pelo governo petista e pela sua base de apoio parlamentar, com também a percepção – correta - de que a oposição nada mais queria senão tirar proveito eleitoral destes fatos, quando deveria ter agido de maneira mais contundente no sentido de colocar um freio e moralizar o quadro político.

Este desencanto tem a sua origem e a sua razão de ser na aura de transformação política assentada sobre a promessa do mais perfeito comportamento ético, construída pela propaganda eleitoral vitoriosa em 2002. Uma vez no governo, veio o desencanto.O governo Lula não só conservou como até multiplicou todas as mazelas praticadas nos governos anteriores. O fisiologismo, o clientelismo, o nepotismo,o autoritarismo e a corrupção em geral não só continuaram a ser praticas freqüentes, como se tornaram institucionais, pois foram incorporadas pelas lideranças do governo- Lula, J Dirceu, l Gushcken, A Palocci- do partido – J Genoino, Delubio soares, Silvio Pereira –, e até do Congresso - João Paulo, Severino Cavalcanti.Os poucos membros do partido que passaram a exigir comportamento ético e coerência entre o discurso e a prática foram sumariamente expulsos.

O eleitor, que em 2002 havia votado na “esperança que venceu o medo”,chega ao final do governo desencantado, desiludido. E, pior, certos de que todos os políticos são farinha do mesmo saco.E é aí que mora o perigo que,nos final das contas, pode favorecer o principal causador desta desesperança. Isto porque nas circunstâncias atuais, em que Lula tenta se manter no governo ao custo da compra de voto do eleitor mais pobre e mais desinformado, a anulação do voto em sinal de protesto em nada ajudará a purificar o processo político, e só deverá beneficiar Lula, pois são votos que, em circunstâncias normais, deveriam ser descarregados na oposição.



A oposição tem, pois, uma tarefa árdua.Terá que convencer o eleitor desiludido de que ele foi vítima de uma grande mistificação em 2002. Terá que apresentar ao eleitor um programa viável e consistente, baseado no compromisso com a aplicação correta dos recursos públicos e com o crescimento do pais. Terá, sobretudo, que apresentar ao eleitor - a começar pelo candidato presidencial - políticos que transpareçam credibilidade, seriedade, correção, compromisso com a ética pública. Em outras palavras, que não pareçam, todos, farinha do mesmo saco.Difícil? Se a oposição não for capaz disto, pode se preparar para mais quatro anos de governo Lula. Talvez, então, aprenda a ser oposição a um governo que não merece ser governo.

110706

7 comentários:

voto NULO sim disse...

O voto nulo interessa ao cidadão.É a única maneira dele se defender desta corja de políticos que infestou o país. Lula ganha com o voto nulo? Pra mim pouco importa. O recado do povo tem que ser dado, A oposição tb não tem moral. Portanto fica tudo igual

nídia disse...

Na verdade tanto faz ser um ou outro a ganhar a eleição, como vc mesmo disse são todos farinha do mesmo saco. Não vejo como a oposição poderá trabalhar pra ganhar credibilidade. As pessoas conscientes perderam a identidade, a dignidade, a auto estima. O problema no Brasil é o sistema político que é podre e tem que mudar. Pra que a gente precisa de quase 600 parlamentares lá em Brasília pra nos representar? Cada parlamentar custa muito aos cofres públicos. Cada deputado federal, estadual, senador,tem um séquito de "empregados" que a gente tem que sustentar. Pra que uma cidade pequena precisa de 9 vereadores. A gente sabe que a maioria deles são semi analfabetos e não tem a mínima condição de discutir leis e projetos. Pra encurtar, precisamos mudar radicalmente tudo, virar essa página negra da nossa história. Mudar a constituição. Queremos um governo onde o povo seja ouvido e verdadeiramente representado. Temos que acabar com a impunidade que é o que alimenta essas quadrilhas.

janos disse...

Nidia
Os nobres deputados e senadores passam 80% do tempo de trabalho eleaborando leis que os interessam diretamente e 20% em leis que beneficiam o povo. O pior é que entra eleição e sai eleição, e o povo volta a escolher os mesmos corruptos e safados de sempre. jader Barbalho foi eleito deputado federal após gravíssimas denúncias de corrupção. Será que cada povo tem os polítiocs que mercem???

Fernando Soares disse...

"Voto Nulo sim", Nídia e Janos

Que os últimos acontecimentos políticos sirvam para aumentar a nossa indignação, mas não a nossa descrença na política. Sei que muitas vezes parecemos fracos e impotentes diante de tanta desfaçatez, tanto cinismo.Mas se nos deixarmos levar pelo desencanto total estaremos, ao invés de contribuirmos para que isto tenha um fim,fazendo com que este comportamento imoral seja uma norma permanente em nosso processo político. E isto poderá levar a uma ditadura. Sei que dinte da desilusão com a "democracia" muitos apelam para o regime autoritário, mas o caminho não é por aí.
Nídia propõe uma saída que é a da redução do número de parlamentares.Concordo. Precisamos de uma reforma no Estado, que diminua o seu tamanho, torne-o menos oneroso e mais funcional.
Janos tem razão ao dizer que os parlamentares pensam primeiro em sí, em seus projetos políticos,e depois nos projetos que beneficiam a sociedade.
Um abraço a todos

Clarinha disse...

Eloqüente seu artigo.
Sempre votei nulo. E continuarei a votar sempre no voto nulo.
Pq? Definitivamente não acredito na classe política em nenhuma esfera.
Acredito que quanto menor for a participação, interferência, intervenção e ação do governo melhor será para a sociedade. Tudo passará a funcionar bem melhor.

Anônimo disse...

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