domingo, julho 09, 2006

CLASSE MÉDIA ESPOLIADA



CLASSE MÉDIA ESPOLIADA
O estado brasileiro e os sucessivos governantes, nestas últimas décadas, têm se dedicado a uma tarefa contínua e sistemática de destruição da classe média. São décadas de políticas econômicas equivocadas, tributação casuística , regulamentações excessivas, projetos mal elaborados, que visam sugar seus recursos e transferi-los para as mãos do Estado. O propósito alegado é o de promover o bem comum, a tão propalada “justiça social”, num país onde a maioria da população transita entre a pobreza e a indigência.Na verdade, tal política tem conduzido mais ao empobrecimento gradativo da classe média do que provocado a ascensão econômica das classes baixas.

Neste sentido, governo petista superou a todos os anteriores. Sob o pretexto de resgatar de miséria os milhões de brasileiros que permanecem neste estágio, praticamente tomou de assalto o bolso da classe média , através de uma carga tributária escandalosa, e de uma política restritiva ao crescimento econômico. Manietada em sua iniciativa , a classe média tem assistido a queda dos seus rendimentos , de seu poder de consumo , e, em muitos casos, de sua capacidade de investimentos em micros e pequenos negócios, o que contribui para a queda das atividades econômicas.

Para piorar, o dinheiro arrecadado, que deveria ser corretamente aplicado em obras e serviços de qualidade em benefício da população, não o é. Os exemplos estão aí. Assistimos, mais do que nunca, a um processo de destruição das estradas, dos serviços de infra- estrutura, saúde, educação, segurança, e por aí vai. A classe média, que sustenta com seus impostos a má gestão é a que mais sofre as consequências já que , para garantir um mínimo de qualidade às suas necessidades básicas, é obrigada a empregar grande parte de seu orçamento familiar no pagamento de escolas particulares, segurança privada e planos de saúde., Isto se não quiser que seus filhos sejam deseducados em uma das escolas públicas de péssima qualidade, assistir algum membro de sua família ser atirado numa maca de um hospital público qualquer, ou correr o risco de ser assaltado, sequestrado ou vítima de uma bala perdida... Desta forma, vive a classe média a situação paradoxal de sustentar um sistema que não funciona e do qual ela é excluída, e ainda pagar para ter direito a um mínimo de qualidade de vida.

Mas o mais grave é a desfaçatez com que os homens públicos em geral, e os políticos em particular, fazem uso dos recursos compulsoriamente colocados à sua disposição . São usados uma série de artifícios legais e ilícitos para transferir grande parte destes recursos para os bolsos e as contas bancárias de parlamentares, altos funcionários , magistrados e empresários , tudo sob o manto da impunidade.
O Brasil, sem dúvida, é um dos campeões no ranking da corrupção e do mal uso do dinheiro público. O esquema de corrupção montado pelo partido governista e, até agora, não totalmente esclarecido, é o exemplo mais evidente de como no Brasil os negócios públicos e os interesses escusos se confundem, incentivados pela impunidade prevalente. Passado mais de um ano da revelação do esquema do “valerioduto-PT”, com exceção de dois deputados cassados , nenhuma outra punição se concretizou, e o governo e o partido responsável por tudo correm o risco de serem reeleitos.

Pouco se tem discutido sobre o papel da classe média na cena política do Brasil. Os manuais se sociologia preferem dar atenção aos anseios e às organizações das “classes populares”, e pouco estudam o papel da classe média. Por seu turno, tem sido fraca a força de mobilização desta classe na defesa de seus interesses, que são, ao final das contas, os interesses do próprio país, se este pretende se afirmar como uma nação dinâmica,inserida de maneira competitiva no contexto do capitalismo global.Sendo assim, o fortalecimento da classe média representará o fortalecimento da livre iniciativa ,do aumento dos recursos produtivos e do poder de consumo.

Parte, desta forma, o Brasil para mais uma campanha eleitoral onde o debate sobre o real papel do Estado e da sua dimensão é negligenciado , em troca das discussões fúteis,das promessas demagógicas e das agressões verbais . Lula vai investir muito nisto. Sabedor de que seu prestígio junto à classe média ficou abalado, Lula usa todo o seu poder de sedução- e o dinheiro público – na conquista das camadas carentes, para o seu projeto de continuação no poder. Sua vitória representará , certamente, mais quatro anos de sofrimento para a classe média e de empobrecimento do País.

090706

7 comentários:

Anônimo disse...

Bom, o DataFolha nos diz que a classe média engordou com migrantes ascendendo das classes D e E. Cadê a espoliação ?
Quem sabe ficou difícil chegar a classe A ? Isto não, a classe A foi a que mais enriqueceu.
Cadê a "limitação do excesso de regulamentação" ?
Fica difícil acompanhar esses raciocínios.

Renato disse...

Por mais espoliada que a classe média esteja, não devemos esquecer que este é um país de miseráveis.Pleo que percebi, o autor é mais um desses defensores do estado mínimo. não conseguiremos tirar o país do atoleiro e reduzir as desigualdades sem uma atuação efetiva do estado. O estado tem que ser corrigido? Tem> Tem muitas distorções? Tem. Mas não é reduzindo o tamanho do estado que conseguiremos superar as desigualdades.

Fernando Soares disse...

Anônimo e Renato
Não contesto que nos últimos anos possa ter ocorrido uma migração de certas categorias das classes inferiores para a classe média. Mas é incontestável o fato de que ocorreu um empobrecimento da classe média brasileira no atual século , em relação aos últimos cinco anos do século passado.E isto se acentuou mais no atual governo.
É tb incontestável que a grande causa das dificuldades por que pasa o Brasil tem origem na máquina governamental lenta, corrupta e dispendiosa. Precisamos, sim, diminuir e racionalizar o estado. Ao mesmo tempo em que nos toma 40% da renda do setor privado, através desta carga pesada de tributos, é incompetente nas tarefas que lhes são inerentes, tais como educação, saúde e segurança.Precisamos de uma classe média fortalecida. Precisamos de uma política que possibilite a ascensão de mais e mais pessoas das classes baixas para a classe média. Isto não se consegue com políticas ( ? ) como a do atual governo petista , que nada mais faz do que esmagar a classe média e perpetuar a pobreza..

nidia disse...

A matemática é uma ciência exata, onde 2+2 sempre será 4, etc..., porém pode-se interpretar os resultados da maneira mais conveniente. A gente vê isso nos resultados de pesquizas de opinião pública, dados de órgãos oficiais que apresentam nºs que não condizem com a realidade (pelo menos com a minha). O que o governo fala sobre crescimento econômico, aumento "real" do salário mínimo, inflação, etc, são dados forjados para enganar trouxa.A gente percebe que a nossa vida não melhorou essa porcentagem que o governo enfia goela abaixo do povo, e muita gente fica repetindo isso como se fosse alguma vantagem. Tudo continua muito difícil, e a gente percebe que num balanço geral a coisa está piorando. Mas acho que é isso que os governantes querem, um bando de miseráveis e esfomeados, quanto mais, melhor, para que eles possam dar esmolas, pra dizer que o governo está fazendo alguma coisa, para cobrar depois, nas urnas, o grande feito, como se não fosse obrigação. Ha muitos anos que o voto conciente é feito no sentido de eleger o "menos ruim", nas eleições e no entanto isso nos conduziu a esse buraco onde nos encontramos. E agora? em quem votar? Vamos perpetuar essa situação e sentir que o buraco é mais embaixo?

Fernando Soares disse...

Nidia
Acho que o caminho é não depositarmos tantas esperanças em mitos criados por marqueteiros nas campanhas eleitorais. Em 2002, o "lulinha paz e amor", empolgou muitos incautos que passaram a acreditar que o país no governo petista entraria numa nova era onde "a esperança venceria o medo". Viu-se que a esperança foi pro beleléu e que o medo aumenta a cada dia.
Temos que votar com senso critico, e, um dia após a posse do vitorioso, iniciar uma sistemática cobrança ao vencedor. Marcação cerrada. Com Alckmin pode haver algo de positivo. Lula é um caso perdido. Grato pela visita

Renato disse...

Esta mais do que provado que todas as nações que optaram pelo neoliberalismo se deram mal.Vcs acham que um país com uma imensa desigualdade pode optar pelo liberalismo.!!??? S

omente um louco é capaz e pensar nisso.Mesmo os países mais ricos em determinados moentos aplicaram principios do socialismo em seus governos e melhoraram a situação social. O estadp tem que se r forte para que possa ser ativo e realizar suas tarefas.

Renato disse...

Esta mais do que provado que todas as nações que optaram pelo neoliberalismo se deram mal.Vcs acham que um país com uma imensa desigualdade pode optar pelo liberalismo.!!??? S

omente um louco é capaz e pensar nisso.Mesmo os países mais ricos em determinados moentos aplicaram principios do socialismo em seus governos e melhoraram a situação social. O estadp tem que se r forte para que possa ser ativo e realizar suas tarefas.