segunda-feira, julho 31, 2006

CÂMARA DOS DEPUTADOS OU COVIL DE LADRÕES?

Foram três anos e meio em que os “representantes do povo”, em vez de representa-lo, se dedicaram a variadas atividades – nepotismo, recebimento de propinas, desvio de verbas públicas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, absenteísmo, fisiologismo, e até orgias - que atiraram na lama o que restava da honorabilidade do parlamento brasileiro, fazendo com que muitos passassem a duvidar da sua necessidade no quadro das instituições políticas. E isto é perigoso.



Dança da pizza: símbolo de um Congresso desmoralizado

CÂMARA DOS DEPUTADOS OU COVIL DE LADRÕES?

A imagem sugerida no título acima pode parecer um pouco forte. Mas que nome dar a uma instituição cujo comportamento dos seus membros, na legislatura que caminha para o seu final, a aproximou muitíssimo mais das páginas policiais do que das seções sobre política? Afinal, foram cerca de quatro anos de sucessivos escândalos que envolveram deputados de quase todos os partidos – a maioria, da base governista – e que culminou , agora, com o escândalo dos sanguessugas.

Foram três anos e meio em que os “representantes do povo”, em vez de representa-lo, se dedicaram a variadas atividades – nepotismo, recebimento de propinas, desvio de verbas públicas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, absenteísmo, fisiologismo, e até orgias - que atiraram na lama o que restava da honorabilidade do parlamento brasileiro, fazendo com que muitos passassem a duvidar da sua necessidade no quadro das instituições políticas. E isto é perigoso.

É perigoso porque nenhum país que se pretenda realmente democrático pode prescindir de um Parlamento forte e atuante. Afinal, em tese, ele é a voz, os olhos e os ouvidos do povo no governo. É através dele que o povo reivindica as obras públicas que necessita e exerce o poder de fiscalização sobre os responsáveis pela execução, evitando os abusos e as arbitrariedades.No Brasil, infelizmente, em virtude de uma tradição histórica e de um alheamento crônico do povo em relação à política e à coisa pública em geral, o Parlamento sempre caminhou dissociado daqueles a quem deveria representar. A não ser em alguns raríssimos momentos da nossa história, republicana, o Congresso, em especial a Câmara dos Deputados, se comportou como um clube fechado, centrado em seus próprios interesses particulares, fazendo leis que interessavam à classe política ou a grupos econômicos poderosos, estes com forte lobby nos corredores da Casa.

Todo este comportamento irresponsável só poderia culminar, como culminou na atual legislatura, na retirada da máscara que fazia com que a Câmara dos Deputados aparentasse ser o que de fato não era: uma instituição séria e comprometida com projetos que visam o bem coletivo.As denúncias do deputado R Jefferson, se caíram como uma bomba no colo do poder executivo e do partido governista, atingiu como um míssil o que restava da credibilidade da Câmara dos Deputados.

A partir de então, tomamos conhecimento de que grande número de deputados, pertencentes a partidos apoiadores do governo, possuíam o hábito se sacar e embolsar generosas quantias depositadas em bancos suspeitos por um tal de Marcos Valério. Dentre estes parlamentares figurava nada menos do que o próprio presidente da Câmara, o petista João Paulo Cunha.Ficamos sabendo, também, que o sucessor de João Paulo, o pitoresco e nocivo Severino Cavalcanti, costumava embolsar propinas pagas por um dono de restaurante que funcionava nas dependências da Câmara, ameaçado de perder o seu negócio.

A Comissão de Ètica bem que tentou colocar um pouco de ordem nesta farra. Recomendou a cassação de 19 parlamentares denunciados com provas consistentes.No julgamento do Plenário, protegidos pelo voto secreto, falou mais alto o espírito de corpo, e apenas três deputados acabaram cassados, onze foram absolvidos, quatro renunciaram e um ainda aguarda o julgamento do Plenário.Mas esta história de auto-desmoralização não poderia terminar sem um fecho de ouro, que pode ser simbolizado na grotesca dança da deputada paulista Ângela Guadagnin ( PT ) , ao comemorar a absolvição de um colega acusado de mensaleiro.

Quando todos pensávamos que a história de terror protagonizada pelo Congresso às custas do nosso dinheiro tivesse chegado ao fim, vem à luz a denúncia de que cerca de 100 parlamentares estariam envolvidos num gigantesco esquema de fraude na compra de ambulâncias superfaturadas, o chamado escândalo dos sanguessugas. Investigados pelo MP e pela PF, o esquema envolveria, além de parlamentares, 26 ex-parlamentares, 60 prefeitos, 12 assessores parlamentares, 18 funcionários públicos e 21 empresários.Não terá sido por coincidência que alguns dos parlamentares envolvidos e absolvidos no escândalo do mensalão – Pedro Henry ( PP- MT ) e Wanderval dos Santos ( PP- SP ) também se façam presentes na máfia dos sanguessugas.

Fazer o quê, para corrigir tamanha distorção na atuação do Parlamento? É evidente que mecanismos de funcionamento do Congresso precisam ser aperfeiçoados, e novos mecanismos criados, no sentido de possibilitar uma maior eficiência e rapidez na descoberta e extirpação de tumores como estes, que colocam em risco o próprio estado de direito em nosso país. Mas muito mais do que do que a existência destes mecanismos, é o processo de seleção, que tem que levar ao parlamento pessoas comprometidas com o bem comum e com a democracia, e não um bando de criminosos, tal qual assistimos nesta legislatura.Uma excelente oportunidade para uma faxina exemplar do Congresso seria proporcionada pelas eleições deste ano, não fosse o fato de as eleições parlamentares terem se tornado secundárias , pouco visíveis aos olhos da mídia e do eleitor, obscurecidas pelas eleições para os cargos executivos, em especial pelas eleições presidenciais.

Corremos o risco, então, de assistirmos a reeleição de figuras que, durante estes últimos anos, só fizeram denegrir a imagem da instituição e zombar as opinião pública.Sá para lembrar, a maioria dos envolvidos vai tentar a reeleição, e muitos têm ótimas chances de serem reeleitos para mais quatro anos.Fora os mensaleiros que tentam a sua reeleição,estão no páreo para tentar uma vaga no parlamento, gente como Severino Cavalcanti, Antonio Palocci, José Genoino, Waldemar Costa Neto. Por sorte, Delúbio Soares e Marcos Valério não anunciaram esta intenção... Resultado: a próxima legislatura já nascerá enfraquecida e desmoralizada.

Enfraquecida e desmoralizada diante de um presidente que, se eleito já no primeiro turno, se sentirá compelido a usar e abusar do seu já conhecido apetite pelo populismo e pelo autoritarismo e desprezo pelo parlamento, o que representará, sem dúvida, num risco para a democracia. Impulsionado pelos milhões de votos recebidos, Lula se sentirá, quem sabe, compelido a colocar em prática as suas pretensões de se fortalecer e se perpetuar no poder, às custas de um Congresso fraco, submisso, e vena,l e de um povo silenciado por meia dúzia de projetos assistencialistas, alimentados com o dinheiro arrancado dos setores produtivos da população. Devemos, pois pensar seriamente nas eleições legislativas deste ano, se não quisermos lamentar por muito tempo a nossa incapacidade de ver onde mora o perigo.

310705

domingo, julho 30, 2006

O PÚBLICO E O PRIVADO

Para muitos observadores,O presidente Lula tem uma personalidade que o identifica à do brasileiro médio. Intuitivo, sagaz, falastrão, bom de copo, torcedor do Corinthians, pouco afeito aos estudos e ao trabalho duro, estas características pessoais do presidente é que lhe dão o “carisma”que o faz querido entre a população pobre e menos informada do país. Esta mesma que será responsável pela sua provável reeleição. O problema é quando estes traços de personalidade não combinam com as virtudes que se espera de um homem público,em especial do supremo mandatário do País.A economista Adriana Vandoni vê muito mais do que apenas isto. Ela enxerga em Lula aquilo que ela chama de “psicótico múltiplo destituído de consciência moral e ética, de discernimento do que é seu ou do outro, sem limites”.O comportamento de Lula durante seus três anos e meio de mandato, e especialmente agora na campanha eleitoral dão razão à autora, cujo artigo, por interessante, reproduzo aqui. ( FS )


O PÚBLICO E O PRIVADO

Adriana Vandoni

O Presidente da República usou carro oficial no seu comício. Usou um bem público em benefício próprio. Eureca!, encontrei a diferença entre Lula e o povo brasileiro. De quem é o bem público? Deveria ser de todos nós. Mas a cultura brasileira diz que o bem público é de ninguém e para Luiz Inácio o bem público é dele.

Lula nunca soube fazer a diferença entre o que é dele, do partido ou do Brasil, não por maldade, mas por ninguém ter ensinado. Na infância e juventude isso nunca tinha feito parte dos seus pensamentos e ele ainda era povo, logo, a pracinha de perto da sua casa era de ninguém.

Lula foi inventado por Zé Dirceu e alguns intelectuais. Muitos desses já deixaram o PT e hoje são anti-Lula. Perceberam que criaram não um monstro, mas um ser disforme e incompleto.

Lula era um líder sindical. Sim, isso é indiscutível. Mas quem o transformou em um líder que defendia uma ideologia foi uma meia dúzia ou mais de intelectuais marginalizados pelo regime, que para passarem a existir politicamente, precisavam de um Ser com algumas habilidades: ser um bom orador para a massa de trabalhadores, que falasse a língua do povo sem compromisso com a teoria. Alguém que não possuísse capacidade de percepção de riscos e que se mostrasse tão destituído de idéia que conseguisse burlar a rígida Lei de Segurança Nacional e passasse pelo sistema sem representar uma ameaça. Alguém que mesmo com restrita habilidade intelectual, possuísse capacidade de reprodução, isto é, poderiam colocar na cabeça dele o que deveria fazer ou falar.

Esse homem era Lula. Perfeito!

Os pensadores do PT já tinham o líder, agora precisavam inventar a esquerda. Partiram do marco zero. Desprezaram tudo que já existia no Brasil em termos de luta revolucionária e se colocaram como os primeiros. O momento ajudou, claro. Lula foi feito presidente do partido e líder das massas. Os pensadores passavam a ele as diretrizes, cuidavam da vida dele, instruíam como deveria agir, pensar e falar. Sua família virou o partido e sua vida foi se mesclando com o PT. Não o ensinaram a diferenciar o que era dele e o que era do partido, mesmo em termos físicos, da estrutura física mesmo, dos bens do partido. A sede do partido era uma extensão da sua casa. Era seu trabalho e seu lazer.

Viajava pelo Brasil e pelo mundo e nunca soube quem pagava as despesas. O partido tratava desse assunto. Tinha, e isso é fato, clara noção de como os operários/trabalhadores/militantes contribuíam com para a criação do PT. Aliás, essa é uma reclamação de muitos que hoje são senhores aposentados e vivem com míseros salários. Assim como no filme de Elia Kazan, “Sindicato dos Ladrões”, os operários do ABC eram induzidos a entregar parte dos seus salários para a construção de um “ideal”. Os que não aceitavam, eram marginalizados pelos outros, com eles era feita uma espécie de pressão que os fazia sentir politicamente incorretos. Não existia o meio termo, quem não contribuía era do mal e os outros do bem. Acabavam cedendo. Assim nasceu Lula.

A personalidade do presidente sempre me intrigou. Procurei algumas descrições da psiquiatria tentando encaixá-lo, mas ele é um mix. Lula possui vários tipos de Transtornos de Personalidade. É um psicótico múltiplo, se é que isso existe. Apresenta traços de Transtorno Dependente, aquele que tem dificuldades para tomar decisões e necessita que os outros assumam a responsabilidade de seus atos. Por mais incrível que pareça, Lula apresenta sinais de Transtorno anti-social, descrito como aqueles que “desrespeitam e violam os direitos dos outros, não se conformando com normas. Mentirosos, enganadores e impulsivos, sempre procurando obter vantagens sobre os outros”. Luis Inácio apresenta também traços de psicopatia narcisística, definida como: “auto-referência excessiva, grandiosidade, tendência à superioridade e exibicionismo, dependência excessiva da admiração por parte dos outros, superficialidade emocional, crises de insegurança que se alternam com sentimentos de grandiosidade”.

Esse foi o produto da invenção de Zé Dirceu e seus amigos, um ser de comportamento Psicótico, destituído de consciência moral e ética, de discernimento do que é seu ou do outro, sem limites.

Essas pessoas não conseguem captar que o que é de todos não é só seu. Em termos mais simples, imagine que eu fosse governadora e para conseguir algo em benefício próprio, tipo um empréstimo privado, eu desse como aval um pedaço do Estado.


Fonte:http://www.diegocasagrande.com.br/

sábado, julho 29, 2006

CORROMPENDO A DEMOCRACIA

Para muitos, o PT no poder destruiu os nobres ideais que o partido sempre defendeu ao longo dos anos em que foi oposição a tudo e a todos. Os defensores desta tese partem do princípio de que o partido, diferentemente dos demais, era ético, puro, e sempre comprometido com os nobres ideais da política.No caso do PT, a lenda falou mais alto do que a realidade. E a realidade é que o fato do PT no poder revelar-se um partido corrupto, venal e preocupado prioritariamente com a manutenção do poder, revelou apenas uma de suas faces, contraditória à sua retórica dos tempos de oposição. A outra é a do autoritarismo, já esboçada mesmo nos anos em que o partido militava no campo oposicionista.



CORROMPENDO A DEMOCRACIA

Para muitos, o PT no poder destruiu os nobres ideais que o partido sempre defendeu ao longo dos anos em que foi oposição a tudo e a todos. Os defensores desta tese partem do princípio de que o partido, diferentemente dos demais, era ético, puro, e sempre comprometido com os nobres ideais da política.No caso do PT, a lenda falou mais alto do que a realidade. E a realidade é que o fato do PT no poder revelar-se um partido corrupto, venal e preocupado prioritariamente com a manutenção do poder, revelou apenas uma de suas faces, contraditória à sua retórica dos tempos de oposição. A outra é a do autoritarismo, já esboçada mesmo nos anos em que o partido militava no campo oposicionista.


Em nenhum momento dos 25 anos de sua existência, o PT demonstrou compromisso sério com a democracia e suas instituições. Sob a máscara do perfeccionismo e do falso moralismo , o PT não cansou de dar seguidas demonstrações de pouco apreço com os valores democráticos e suas instituições.Alguns exemplos, já fazem parte da História. Em 1984, por ocasião da eleição de Tancredo Neves, se recusou a participar do Colégio Eleitoral, alegando ser um mero arranjo das elites políticas para afastar a participação popular. Como resultado, expulsou deputados que se colocaram a favor, numa prova de que a intransigência já vem do berço.

Combateu duramente o Plano Real,com o argumento de que se tratava de um plano eleitoreiro e fadado ao fracasso. Em diversas votações no Congresso, quando estava em jogo o interesse da nação, o PT boicotou, ou votou contra, simplesmente porque se tratavam de projetos concebidos pelos que o partido definia como representantes das “elites decadentes”. Em mais de uma ocasião o PT contribuiu para um clima de caça as bruxas, incentivando a criação de CPIs a torto e a direito, nas quais denúncias fundamentadas se misturavam com denúncias sem fundamento algum, e cidadãos de bem eram jogados na mesma vala de notórios corruptos. Enfim, o PT foi especialista na criação de um ambiente do “quanto pior melhor.”

Para o partido, as instituições tradicionais não bastam.É preciso mobilizar parcelas da população o povo no sentido de fazê-lo atuar mais diretamente, como força de pressão a favor dos interesses do partido. Neste sentido, o apoio explícito aos movimentos sociais teve como alvo prioritário o fortalecimento do partido. Tais “movimentos”tornaram-se muito mais braços organizacionais do partido do que organizações de defesa dos interesses das categorias que alegavam representar. Não é por nada que estes movimentos, quando da ascensão do PT ao poder se mostram tão submissos aos interesses do governo petista, e tão inativos na defesa dos interesses populares.

Atuando na oposição, mas preparando o caminho para a ocupação do poder, o partido tratou de ocupar posições estratégicas no serviço público, com militantes fiéis dispostos a colaborar com o partido acima dos interesses do Estado. De fato o PT jamais assumiu uma postura de defesa da democracia e da liberdade.E nem poderia, já que seu time era outro. Sempre argumentou a favor de um difuso e incerto “socialismo democrático” Difuso e incerto quanto as correntes que conviviam sob o mesmo teto, que iam desde trotskistas a stalinistas, passando por maoístas, castristas e até mesmo sindicalistas, que lhe emprestavam um caráter de partido autenticamente operário. Em comum o mesmo desprezo pelo liberalismo e pela democracia “burguesa”, e o mesmo apreço ao autoritarismo, apesar da queda do muro de Berlim ter limitado o seu discurso socialista.


Ao chegar ao poder, tratou de aparelhar o Estado, ocupar todos os espaços, submeter aliados através da compra do apoio, limitar a liberdade de imprensa por meio do “Conselhão” de jornalismo, mas sem mexer nos fundamentos da economia. Procurou aplicar a fórmula de unir a política autoritária “de esquerda”, o que lhe garantia a manutenção do poder político ao sistema capitalista, o que lhe garantiria o apoio do sistema financeiro .No poder,abandonou o indefinido discurso socialista, deixou órfãos militantes como Heloisa Helena, e adotou o máximo de pragmatismo possível, dado que uma aventura do tipo socialista traria nada menos do que o caos.

A propósito,dentro deste contexto, o exemplo mais evidente de que o pragmatismo supera a ideologia é o da China,onde o totalitarismo político de esquerda convive com as delícias do capitalismo globalizado no qual a China se encontra cada vez mais inserido, apesar de ainda se definir comunista..O PT parece se espelhar neste modelo.Só que para concretiza-lo teve que se aliar ao que de pior existia na política.E seus novos aliados, formados num mundo distante da disciplina partidária que caracteriza os partidos de tendência totalitárias, quando se sentiram prejudicados deram com a língua nos dentes e colocaram todo o esquema de perpetuação no poder a perder.A débâcle só não foi total porque, por paradoxal que possa parecer, o PT se agarrara na tábua de salvação que pode leva-lo a mais quatro anos de poder, ou seja o próprio presidente Lula. Com o prestígio aparentemente incólume junto as parcelas mais pobres da população, sempre carentes de uma figura messiânica e paternal, e ancorado na generosidade dos programas assistencialistas, não são pequenas as chances de Lula ser reeleito.

sexta-feira, julho 28, 2006

EX-PETISTAS NO CAMINHO DO PT


EX-PETISTAS NO CAMINHO DO PT
As possibilidades de crescimento das candidaturas pequenas nesta campanha não são desprezíveis. Refiro-me, obviamente, a Heloisa Helena e Cristovam Buarque, já que os outros – os chamados nanicos - não contam.O discurso de ambos, apesar de não empolgar a maioria, tem forte apelo junto à classe média.

Heloisa Helena ataca pela esquerda com suas repetitivas contundentes críticas à política econômica, à corrupção e a defesa de um estado forte na área social; Cristovam enfatiza a necessidade de uma revolução no setor educacional, e parece ter um projeto pronto para isto.Misturando os discursos dos dois, o resultado é o mesmo discurso que o PT fazia há dez, quinze, ou vinte anos atrás, quando criticava todos os governos de então, e o tornou merecedor do voto de uma parcela significativa da classe média. Esta mesma classe média, decepcionada com o governo Lula,abandona agora o barco petista, e procura novas alternativas. Uma parte , certamente votará em Alckmin, mas outra parte poderá embarcar na canoa de Heloisa ou de Cristovam.Afinal, ambos têm o mesmo DNA petista.

Apesar do tempo reduzido a que terão direito no horário eleitoral da TV,e da participação ainda incerta de HH nos debates televisivos, por força da legislação eleitoral, ambos praticam um discurso aparentemente consistente,têm uma história política mais ou menos conhecida, e já ocuparam, ou ocupam, cargos eletivos importantes: Cristovam foi governador de Brasília e é senador, além de ter sido ministro da educação; Heloisa é senadora, por sinal das mais atuantes e conhecidas.

Portanto, é de se esperar que não fiquem estagnados nos atuais níveis de intenção de votos em que se encontram.Por algumas projeções, Heloisa poderá crescer ainda até a marca dos 15%, e Cristovam poderá ficar próximo dos 6%, que somados aos votos brancos, e aos votos dados a Alckmin, poderá levar à eleição presidencial ao segundo turno. Aí , então, começará uma nova história.

28/0706

quinta-feira, julho 27, 2006

ITAMAR FRANCO



ITAMAR TONTO

Não sei que tipo de ganho terá candidatura Alckmin com o apoio declarado do ex-presidente Itamar Franco, ou “Itamar Tonto”, como querem as más-línguas.
Inseguro, incerto e tatibitate como só ele, Itamar é um político pouco mais do que medíocre que galgou o mais alto posto do país por pura sorte. Foi um dos fundadores do MDB, mas nunca conseguiu se estabilizar neste partido, entrando e saindo, por diversas vezes.

Quando assumiu a presidência, devido à renúncia de Collor, suas indecisões em matéria da escolha de auxiliares e da política a adotar no sentido de combater a inflação, estavam colocando a sua figura mais nas páginas dos humorísticos do que nos cadernos de economia.Em mais um lance de sorte – o que não falta a ele -escolheu Fernando Henrique como ministro da Fazenda, depois de uma série de escolhas malsucedidas.Assumindo controle total da economia, e coordenando a equipe que elaborou o projeto de estabilização econômica do pais -O Plano Real – Fernando Henrique salvou o governo Itamar de um fiasco histórico.

Ao deixar o governo, Itamar dedicou-se ,com de hábito, ao vai- e -vem político. Brigou com Fernando Henrique , mas aceitou o cargo de embaixador na OEA.Aliou-se à Newton Cardoso, com quem depois brigou. Conquistou o governo de Minas, rompeu com FH, suspendeu o pagamento das dividas de Minas com a União e , em mais um lance cômico, colocou as tropas de Minas de prontidão, contra uma eventual privatização de Furnas.Deixou o estado endividado e não disputou a reeleição.

Agora, quando tudo indicava que apoiaria Lula – o que aconteceu em 2002- o nosso incrível Itamar resolve apoiar Alckmin. Pelo que se sabe – nunca se sabe realmente o que ele pensa ou quer – ficou magoado pelo apoio de Lula aos seus adversários políticos do PMDB em Minas, quando tentava a sua candidatura ao Senado..Se desfiliou – pela quarta vez ! – do partido e, agora, anuncia o seu apoio à candidatura tucana à presidência.Já que nenhuma contribuição aproveitável ele parece ter a oferecer, que, pelo menos, traga um pouco de sorte à Alckmin. Ele bem que necessita.
270706

quarta-feira, julho 26, 2006

COTAS QUE DISCRIMINAM

Querem que os negros, os mestiços, os brancos, as mulheres, os nisseis, os homossexuais, os indígenas, os anões, os carecas, os míopes, os corintianos e os flamenguistas tenham as mesma s condições de acesso às universidades?A solução não está em estabelecer uma cota para cada um deles.Mas sim que se faça uma revolução na escola pública brasileira. E, por extensão, em todo serviço público brasileiro. O resto é conversa mole pra boi dormir.


Negros nas Universidades: pelos seus méritos, não por dádiva governamental...


COTAS QUE DISCRIMINAM

Mais uma vez, a questão das cotas.Sejamos francos, porque na discussão deste tema o que tem faltado é franqueza e bom-senso e sobrado hipocrisia e demagogia.A verdade é que, devido à incapacidade e ao secular desprezo dos nossos dirigentes pela coisa pública, a maior parte de nossa população ficou à margem do processo de crescimento econômico e sem acesso a serviços públicos com um mínimo de qualidade.Essa marginalização contínua e progressiva foi o que conduziu ao que podemos denominar apartheid social, que faz de nosso país um dos líderes mundiais na modalidade de exclusão social. Neste quadro de exclusão, devido às contingências históricas, que fizeram com que os negros ficassem durante quatro séculos submetidos à escravidão, são os negros e mulatos a maioria, mas também se incluem um grande número de brancos, mestiços, indígenas e outras etnias. Portanto, a questão central é a da desigualdade social.Como corrigir tal distorção?

A solução sensata e óbvia seria o investimento maciço em educação, saúde e saneamento, no sentido de possibilitar a esta população as mesmas oportunidades que são oferecidas à classe média por força de seu maior poder aquisitivo. Isto é o que foi feito em dezenas de países que, nas últimas três décadas deram um salto no seu ritmo de crescimento econômico e no se padrão de desenvolvimento social.

Mas os nossos dirigentes parecem querer inventar a roda, e com sua visão deturpada da realidade, a sua incapacidade histórica de traduzir discursos em ações benéficas e sua crônica vocação para a demagogia e o populismo, preferem, ao invés de atacar as causas do problema,amenizar as suas conseqüências, porque isto pode trazer resultados mais imediatos em termos eleitorais.Deste modo, partiram para o estabelecimento de cotas raciais nas universidades públicas, sob o falso argumento de que o difícil acesso de negros e mulatos ao ensino superior publico fosse motivada por alguma espécie de discriminação racial, o que não é verdadeiro.

Além de não resolver o problema da marginalização social, o sistema de cotas gera uma série de outras distorções Primeiro, sob o pretexto de diminuir a desigualdade racial, o sistema de cotas discrimina, isto sim, os brancos pobres, que não terão o mesmo benefício dos negros pobres. Segundo, é totalmente injusto para com aqueles que, ricos ou pobres, obtiveram notas superiores às obtidas pelos cotistas, mas que deverão ceder o lugar aos beneficiários da lei. Terceiro, em vez de propiciar a integração dos cotistas na vida acadêmica, em igualdade de condições com os demais estudantes, oriundos de escolas mais qualificadas,poderá gerar uma forma de segregação daqueles que entraram por força de uma lei populista. Quarto, poderá provocar a queda da qualidade do ensino nas universidades públicas, pela entrada de alunos menos qualificados e menos exigentes, oriundos, em sua maioria, de escolas públicas de qualidade duvidosa. Quinto, a facilitação por lei do acesso de estudantes negros e pobres, antes de ser um estímulo ao aperfeiçoamento do ensino público fundamental e médio, poderá, ao contrário, ser uma forma de mascarar a situação destes níveis de ensino, e servir como um fator de queda de investimentos governamentais neste setor, já que uma parcela significativa dos estudantes se sentirá atendida em sua reivindicação de entrar nas universidades públicas.

Já fui claro em outro artigo ao dizer que, no Brasil, muitíssimo mais do que discriminação racial, existe uma discriminação social. As pessoas são discriminadas antes de tudo porque são pobres, e muito menos porque têm a pele preta, morena ou vermelha. Tal afirmação não exclui o fato de que não exista preconceito racial, mas isto é uma questão particular, de foro íntimo.Sobre a discriminação racial,a Constituição Brasileira e as diversas leis que tratam da questão, já asseguram a igualdade de todos perante à Lei. Portanto, cabe aos nossos dirigentes fazer cumpri-las e à sociedade cobrar dos dirigentes o seu cumprimento.

Portanto, é falacioso o argumento de que negros e mulatos não têm acesso às universidades públicas por causa de sua origem étnica. Eles têm dificuldade de acesso não porque são negros, mas porque são pobres. E, como pobres que são, freqüentam péssimas escolas, não se alimentam adequadamente, não têm esgoto em suas casas, não têm acesso à informação - internet, bibliotecas, etc. É isto.

Querem que os negros, os mestiços, os brancos, as mulheres, os nisseis, os homossexuais, os indígenas, os anões, os carecas, os míopes, os corintianos e os flamenguistas tenham as mesma s condições de acesso às universidades?A solução não está em estabelecer uma cota para cada um deles.Mas sim que se faça uma revolução na escola pública brasileira. E, por extensão, em todo serviço público brasileiro. O resto é conversa mole pra boi dormir.
26/07/06

terça-feira, julho 25, 2006

REAÇÃO IRRACIONAL

Não estou com isto defendendo a idéia de que o governo israelense deva cruzar os braços e ser condescendente com grupos ou organizações que querem a sua destruição, mas sim que concentrem todos os esforços militares, financeiros e de inteligência para que o alvo correto – a força bélica do Hizbollah – seja aniquilada definitivamente. E não alvos civis do Líbano ou de qualquer outro lugar.



Soldados israelenses em ação no Líbano: motivação certa, alvo errado.

REAÇÃO IRRACIONAL

É condenável, sob todos os ângulos, a agressão militar de Israel contra o Líbano, mesmo que o motivo que levou o governo israelense a agir de uma forma tão extrema seja o mais justo possível, ou seja, reagir aos ataques terroristas do Hizbollah . O fato é que a agressão israelense contra alvos civis no Líbano tende a colocar-la no rol dos crimes de guerra, o que de modo algum será positivo para a causa israelense nesta luta contra os árabes.Contra as agressões bárbaras do Hizbollah, Israel responde da mesma forma e com maior intensidade. Não é por aí que irá se impor sobre quem quer a sua destruição.

Sou simpático à causa israelense. Compreendo a sua histórica dificuldade para se impor como estado livre e soberano num ambiente hostil, cercado de países sob permanentes regimes ditatoriais ou teocráticos, a maioria dos quais não consegue esconder a sua ansiedade em se ver livre do vizinho incômodo. Admiro o fato de, mesmo sob condições tão adversas, Israel ter construído uma sociedade moderna, solidificado a sua democracia e resistido às agressões árabes.

Ao contrário do que querem fazer crer alguns, Israel tem demonstrado boa vontade em negociar com representantes palestinos que demonstrem o mínimo de bom-senso e desejo sincero de estabelecer a paz na região, o que não é o caso, obviamente, do Hizbollah. Foi assim que foram conseguidos avanços que resultaram na devolução de territórios aos palestinos e no estabelecimento de um governo palestino na região.

Mas Israel tem razão em endurecer quando se trata de organizações terroristas como o Hizbollah, evidentemente alimentado militarmente e financeiramente pelos governos da Síria e do Irã, a realizar incursões freqüentes em território de Israel, com seguidos ataques, a maioria suicidas, contra alvos civis, que tem resultado em milhares de mortos e de feridos.Portanto, uma reação contundente de Israel contra tais ações terroristas é esperada e desejada. Mas, a minha simpatia por Israel não vai a ponto de aplaudir, ou, mesmo, justificar ações irracionais e de puro barbarismo como as que agora pratica contra o Líbano. Contra o Líbano? Sim, porque muito mais do que o Hizbollah, quem leva a pior nesta história é o Líbano, por sinal, um dos poucos estados árabes a praticar algo próximo à uma democracia.

Ao reagir às agressões terroristas do Hizbollah com uma agressão de tamanha intensidade, não estará o governo israelense se nivelando aos terroristas que visa combater e atraindo contra si a antipatia da opinião pública internacional? Outra questão: qual o resultado prático que o governo de Israel espera de ações deste tipo? Tem o governo a certeza de que, assim, irá destruir ou enfraquecer a força desta organização terrorista? Afinal, por mais que o governo de Israel comemore o sucesso de sua empreitada contra o Hizbollah, sempre haverá um louco que, em nome de Alá, estará disposto a amarrar meia dúzia de bombas na cintura e entrar num restaurante de Tel-Avid ao meio dia de um domingo qualquer, pronto a explodir tudo. Teria, então, valido a pena a morte de milhares de libaneses e turistas inocentes?

Mais uma vez, não estou com isto defendendo a idéia de que o governo israelense deva cruzar os braços e ser condescendente com grupos ou organizações que querem a sua destruição, mas sim que concentrem todos os esforços militares, financeiros e de inteligência para que o alvo correto – a força bélica do Hizbollah – seja aniquilada definitivamente. E não alvos civis do Líbano ou de qualquer outro lugar.
250706

segunda-feira, julho 24, 2006

O TOM DA CAMPANHA

Na verdade, os candidatos jogam com o baixo nível para esconder as suas próprias ( grandes ) deficiências e também , é óbvio, porque a maioria do eleitorado é desinformada e com pouca consciência política. Acreditam os candidatos, talvez, que a troca de desaforos, muito mais do que a discussão de projetos, é o que empolga este eleitorado. Num país onde a maioria da população é analfabeta, ou quase, tal crença não deixa de ter sentido, infelizmente.




“Meçam suas línguas porque também temos línguas”. Foi assim que o presidente Lula se dirigiu à oposição num discurso de campanha em recife. Parece ter dado o tom da campanha , disposto a não incorporar mais o “Lulinha Paz e Amor” da campanha anterior.Pelo que se tem visto até agora, a troca de desaforos, os xingamentos, os ataques pessoais, vão superar em muito o debate sobre idéias, propostas e programas. É uma pena.

Na verdade, os candidatos jogam com o baixo nível para esconder as suas próprias ( grandes ) deficiências e também , é óbvio, porque a maioria do eleitorado é desinformada e com pouca consciência política. Acreditam os candidatos, talvez, que a troca de desaforos, muito mais do que a discussão de projetos, é o que empolga este eleitorado. Num país onde a maioria da população é analfabeta, ou quase, tal crença não deixa de ter sentido, infelizmente.

Tudo indica que, mais uma vez, as grandes questões nacionais ficarão ao largo nesta campanha, ou serão citadas, por conveniência de cada momento, apenas de passagem.Em lugar da eterna troca de acusações para se definir quem é mais safado ou corrupto do que quem,seria positivo se os quatro principais candidatos tivessem respostas convincentes para, ao menos, quatro questões fundamentais. Primeiro, como fazer para tornar o setor público menos oneroso e mais eficiente? Segundo, O que fazer para que o país cresça nos próximos quatro anos, ao menos, acima da média dos demais países latino-americanos? Terceiro, como tornara a educação a prioridade das prioridades, no sentido de integrar os jovens no mercado de trabalho, no mundo da tecnologia e nos quadros da cidadania?

Se Alckmin, Heloisa ou Cristovam têm respostas críveis para estas questões, não sabemos ainda. O que sabemos é que Lula, pelo que se viu no seu atual mandato, não tem. Isto porque o país foi o vice -lanterna latino americano em crescimento, superando apenas o Haiti. Em seu governo, Lula inflou, como nenhum outro, a maquina pública, aumentou a carga de tributos e montou, ou deixou que montassem sob seus olhos, um esquema de corrupção envolvendo empresários e políticos, fato que em qualquer país sério já teria provocado a queda do governo. Em relação à educação, a não ser pela tomada de algumas medidas populistas como o ProUni e o estabelecimento de cotas para “afrodescendentes” nas universidades públicas, nada foi feito.

Os candidatos oposicionistas têm a faca e o queijo na mão para tentarem elevar o nível do debate eleitoral, não tanto pelas suas possíveis virtudes -que, desconfia-se , não são muitas - ,mas muito pela fraqueza que este governo demonstrou ao longo destes quase quatro anos de mandato. Se a campanha continuar abaixo do nível do ventre, Lula só tem a ganhar, pois, como disse em seu discurso no Recife , “também temos línguas”. E como!

240706

quinta-feira, julho 13, 2006

VIOLÊNCIA E INCOMPETÊNCIA

O que a população paulista está a exigir é que tanto o governo estadual quanto o governo federal assumam as suas responsabilidades, coloquem de lado as divergências eleitorais, sentem –se diante de uma mesa, e elaborem um plano emergencial mínimo que restaure a ordem no estado e evite novos ataques.


VIOLÊNCIA E INCOMPETÊNCIA

Enquanto o governo de SP e o governo federal trocam acusações e tentam tirar proveito eleitoral da situação, a Grande São Paulo e a Baixada Santista outra vez é sacudida por mais uma onda de violência. Postos policiais, veículos, residências, bancos e supermercados são alvos de atentados terroristas comandados pelo Primeiro Comando da Capital, o PCC. Impotentes diante da ação desafiadora dos bandidos, o governo federal oferece “ajuda” ao governo do estado, que por sua vez recusa a generosidade e diz que “a situação está sob controle”.

Na verdade, nem o governo federal tem , no momento a ajuda de que o estado necessita – a não ser uma incipiente e mal treinada Força Nacional de Segurança Pública – nem o governo do estado tem sido capaz de controlar a situação.Não desconsiderando a hipótese, levantada por alguns, de que esta onda de violência possa ter, por parte da organização criminosa, algum intuito político-eleitoral, no sentido de enfraquecer a aliança PSDB-PFL e fortalecer o PT no estado e no país, o fato é que à população o que interessa no momento é que a ordem e a segurança sejam estabelecidas no estado.O que a população paulista está a exigir é que tanto o governo estadual quanto o governo federal assumam as suas responsabilidades, coloquem de lado as divergências eleitorais, sentem –se diante de uma mesa, e elaborem um plano emergencial mínimo que restaure a ordem no estado e evite novos ataques.

Sem isto, a população paulista continuará a sofrer as conseqüências da incompetência crônica de nossos governantes diante da competência da ação do crime organizado. Competência esta que nos leva a sugerir, por exemplo, que Lula e Lembo se mirem no exemplo de Marcola, o chefete do PCC. Talvez aprendam com ele algo em termos de organização.
130706

terça-feira, julho 11, 2006

A QUEM INTERESSA O VOTO NULO

A oposição tem, pois, uma tarefa árdua.Terá que convencer o eleitor desiludido de que ele foi vítima de uma grande mistificação em 2002. Terá que apresentar ao eleitor um programa viável e consistente, baseado no compromisso com a aplicação correta dos recursos públicos e com o crescimento do pais.



A QUEM SERVE O VOTO NULO

Anular o voto nem sempre chega a ser um atentado contra a democracia representativa ou uma prova de pouca cidadania. Em certos momentos, chega a ser uma atitude de afirmação democrática diante de um quadro político-eleitoral deteriorado, ou diante da absoluta falta de alternativas.Lembro-me que na eleição presidencial de 1989, a primeira, após um prolongado jejum de 29 anos, fui impulsionado, no turno final, a anular o meu voto, diante das opções que me foram colocadas - Lula ou Collor? O primeiro simbolizava o atraso, e o segundo, o símbolo do aventureirismo e da corrupção.O que fazer, então? No primeiro turno, havia votado em Mario Covas, mas no segundo turno não encontrei outra alternativa a não ser a da anulação.Não se tratava, nesse caso, sequer da escolha do “menos ruim”, porque ambos eram péssimos, como, aliás, os seus governos vieram a comprovar.

O fato é que diversas razões podem levar um eleitor, consciente ou inconscientemente, a anular o seu voto: desinteresse permanente pela política, adesão ou simpatia pelos princípios anarquistas, desencanto com a política em determinados momentos, ou, mesmo erro na hora de votar. Anarquistas, desinteressados e analfabetos políticos sempre existiram em todas as eleições, mesmo as mais motivadoras. O que surpreende agora é o grande número de “desencantados” com a política e os políticos que estão não só dispostos a anular o seu voto, como a fazer com que mais pessoas façam o mesmo.É sobre os desiludidos que os candidatos, principalmente os da oposição, deverão trabalhar no sentido de conquistar a sua confiança e o seu voto.?


Mas o que levou estas pessoas a manifestar em 2006 um tão veemente repúdio ao processo eleitoral? Sem dúvida, o grande show de corrupção, incompetência e falta de compromisso com os valores morais e éticos patrocinados pelo governo petista e pela sua base de apoio parlamentar, com também a percepção – correta - de que a oposição nada mais queria senão tirar proveito eleitoral destes fatos, quando deveria ter agido de maneira mais contundente no sentido de colocar um freio e moralizar o quadro político.

Este desencanto tem a sua origem e a sua razão de ser na aura de transformação política assentada sobre a promessa do mais perfeito comportamento ético, construída pela propaganda eleitoral vitoriosa em 2002. Uma vez no governo, veio o desencanto.O governo Lula não só conservou como até multiplicou todas as mazelas praticadas nos governos anteriores. O fisiologismo, o clientelismo, o nepotismo,o autoritarismo e a corrupção em geral não só continuaram a ser praticas freqüentes, como se tornaram institucionais, pois foram incorporadas pelas lideranças do governo- Lula, J Dirceu, l Gushcken, A Palocci- do partido – J Genoino, Delubio soares, Silvio Pereira –, e até do Congresso - João Paulo, Severino Cavalcanti.Os poucos membros do partido que passaram a exigir comportamento ético e coerência entre o discurso e a prática foram sumariamente expulsos.

O eleitor, que em 2002 havia votado na “esperança que venceu o medo”,chega ao final do governo desencantado, desiludido. E, pior, certos de que todos os políticos são farinha do mesmo saco.E é aí que mora o perigo que,nos final das contas, pode favorecer o principal causador desta desesperança. Isto porque nas circunstâncias atuais, em que Lula tenta se manter no governo ao custo da compra de voto do eleitor mais pobre e mais desinformado, a anulação do voto em sinal de protesto em nada ajudará a purificar o processo político, e só deverá beneficiar Lula, pois são votos que, em circunstâncias normais, deveriam ser descarregados na oposição.



A oposição tem, pois, uma tarefa árdua.Terá que convencer o eleitor desiludido de que ele foi vítima de uma grande mistificação em 2002. Terá que apresentar ao eleitor um programa viável e consistente, baseado no compromisso com a aplicação correta dos recursos públicos e com o crescimento do pais. Terá, sobretudo, que apresentar ao eleitor - a começar pelo candidato presidencial - políticos que transpareçam credibilidade, seriedade, correção, compromisso com a ética pública. Em outras palavras, que não pareçam, todos, farinha do mesmo saco.Difícil? Se a oposição não for capaz disto, pode se preparar para mais quatro anos de governo Lula. Talvez, então, aprenda a ser oposição a um governo que não merece ser governo.

110706

segunda-feira, julho 10, 2006

CRIME SEM CASTIGO

CRIME SEM CASTIGO

Todos eles esperam levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima, na certeza da impunidade. Impunes, os mensaleiros torcem como nunca pela reeleição de Lula,






O jornal O Tempo deste domingo (http://www.otempo.com.br/ )
mostra reveladora reportagem sobre alguns dos principais personagens do escândalo do valerioduto-mensalão. A maioria continua a agir como se nada tivesse acontecido. O ex-ministro J Dirceu, por exemplo, usa de sua, ainda, grande influência para auxiliar empresas privadas que precisam resolver problemas no país e no exterior. L Gushken, apesar de não mais ocupar cargo no governo, continua a ter intensa atuação nos bastidores do poder. O empresário M Valério leva uma vida de marajá numa luxuosa mansão na região da Pampulha ( BH ), cujo custo total é estimado em 10 milhões de reais.J Genoíno, o ex- presidente do PT, após um período na moita, se prepara para a campanha eleitoral, e espera ser eleito deputado com ótima votação. O mesmo acreditam alguns dos demais deputados que renunciaram ou que não foram cassados – Professor Luizinho,João Paulo Cunha, José Mentor, Waldemar Costa Netto – que se preparam para mais quatro anos de mandato, reconduzidos pelo voto do povo.

Todos eles esperam levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima, na certeza da impunidade.Nas declarações públicas, nenhum deles, é claro, assume a culpa ou mostra arrependimento.No máximo, “reconhecem” haver cometido uma “contravenção”. Afinal, a prática do caixa dois em campanhas eleitorais está arraigada nos costumes políticos, e é praticada por quase todos os políticos, tal qual o jogo do bicho.As investigações das CPIs e do Ministério Público demonstraram que não se tratava apenas disto, mas os membros da quadrilha petista contam com a fraca memória dos brasileiros para questões deste tipo, ao contrário do gol francês de Henry nas costas de R. Carlos, que permanecerá fresco na memória do brasileiro por muito tempo.

O fato é que, impunes, os mensaleiros torcem como nunca pela reeleição de Lula, por dois motivos. Primeiro, porque acreditam que a reeleição do presidente se constituirá num atestado de bons antecedentes passado pelo povo, numa espécie de absolvição moral a todos eles. Segundo, porque a reeleição do presidente e a conseqüente reestruturação de sua base de apoio no Congresso, esfacelada devido à crise do mensalão,reservará a muitos dos mensaleiros – acreditam – um espaço ao sol no futuro jogo político, passada a atual fase de hibernação forçada pelas circunstâncias.É ver para crer.Se a oposição não souber conduzir a campanha, e o eleitor absolver Lula, e, por extensão, a quadrilha governista, devemos nos preparar para dias piores na política brasileira.

100706

domingo, julho 09, 2006

CLASSE MÉDIA ESPOLIADA



CLASSE MÉDIA ESPOLIADA
O estado brasileiro e os sucessivos governantes, nestas últimas décadas, têm se dedicado a uma tarefa contínua e sistemática de destruição da classe média. São décadas de políticas econômicas equivocadas, tributação casuística , regulamentações excessivas, projetos mal elaborados, que visam sugar seus recursos e transferi-los para as mãos do Estado. O propósito alegado é o de promover o bem comum, a tão propalada “justiça social”, num país onde a maioria da população transita entre a pobreza e a indigência.Na verdade, tal política tem conduzido mais ao empobrecimento gradativo da classe média do que provocado a ascensão econômica das classes baixas.

Neste sentido, governo petista superou a todos os anteriores. Sob o pretexto de resgatar de miséria os milhões de brasileiros que permanecem neste estágio, praticamente tomou de assalto o bolso da classe média , através de uma carga tributária escandalosa, e de uma política restritiva ao crescimento econômico. Manietada em sua iniciativa , a classe média tem assistido a queda dos seus rendimentos , de seu poder de consumo , e, em muitos casos, de sua capacidade de investimentos em micros e pequenos negócios, o que contribui para a queda das atividades econômicas.

Para piorar, o dinheiro arrecadado, que deveria ser corretamente aplicado em obras e serviços de qualidade em benefício da população, não o é. Os exemplos estão aí. Assistimos, mais do que nunca, a um processo de destruição das estradas, dos serviços de infra- estrutura, saúde, educação, segurança, e por aí vai. A classe média, que sustenta com seus impostos a má gestão é a que mais sofre as consequências já que , para garantir um mínimo de qualidade às suas necessidades básicas, é obrigada a empregar grande parte de seu orçamento familiar no pagamento de escolas particulares, segurança privada e planos de saúde., Isto se não quiser que seus filhos sejam deseducados em uma das escolas públicas de péssima qualidade, assistir algum membro de sua família ser atirado numa maca de um hospital público qualquer, ou correr o risco de ser assaltado, sequestrado ou vítima de uma bala perdida... Desta forma, vive a classe média a situação paradoxal de sustentar um sistema que não funciona e do qual ela é excluída, e ainda pagar para ter direito a um mínimo de qualidade de vida.

Mas o mais grave é a desfaçatez com que os homens públicos em geral, e os políticos em particular, fazem uso dos recursos compulsoriamente colocados à sua disposição . São usados uma série de artifícios legais e ilícitos para transferir grande parte destes recursos para os bolsos e as contas bancárias de parlamentares, altos funcionários , magistrados e empresários , tudo sob o manto da impunidade.
O Brasil, sem dúvida, é um dos campeões no ranking da corrupção e do mal uso do dinheiro público. O esquema de corrupção montado pelo partido governista e, até agora, não totalmente esclarecido, é o exemplo mais evidente de como no Brasil os negócios públicos e os interesses escusos se confundem, incentivados pela impunidade prevalente. Passado mais de um ano da revelação do esquema do “valerioduto-PT”, com exceção de dois deputados cassados , nenhuma outra punição se concretizou, e o governo e o partido responsável por tudo correm o risco de serem reeleitos.

Pouco se tem discutido sobre o papel da classe média na cena política do Brasil. Os manuais se sociologia preferem dar atenção aos anseios e às organizações das “classes populares”, e pouco estudam o papel da classe média. Por seu turno, tem sido fraca a força de mobilização desta classe na defesa de seus interesses, que são, ao final das contas, os interesses do próprio país, se este pretende se afirmar como uma nação dinâmica,inserida de maneira competitiva no contexto do capitalismo global.Sendo assim, o fortalecimento da classe média representará o fortalecimento da livre iniciativa ,do aumento dos recursos produtivos e do poder de consumo.

Parte, desta forma, o Brasil para mais uma campanha eleitoral onde o debate sobre o real papel do Estado e da sua dimensão é negligenciado , em troca das discussões fúteis,das promessas demagógicas e das agressões verbais . Lula vai investir muito nisto. Sabedor de que seu prestígio junto à classe média ficou abalado, Lula usa todo o seu poder de sedução- e o dinheiro público – na conquista das camadas carentes, para o seu projeto de continuação no poder. Sua vitória representará , certamente, mais quatro anos de sofrimento para a classe média e de empobrecimento do País.

090706

quinta-feira, julho 06, 2006

DE OLHO EM 2010



DE OLHO EM 2010


Em Minas, o governador Aécio Neves se prepara para a campanha pela reeleição de olho nas eleições presidenciais de 2010.Isto porque, apesar de todas as declarações no sentido contrário, ele não acredita que Alckmin possa derrotar Lula este ano.E não faz muito esforço para tal.Sendo assim, aparece como o mais forte nome do PSDB para a disputa em 2010. Neste sentido é que o governador de Minas vem trabalhando e, para tanto, procurado reeditar a mesma aliança que o conduziu ao atual mandato e lhe deu governabilidade nesses três anos e meio.

O relativo sucesso alcançado por Aécio neste primeiro mandato foi alcançado basicamente pela implementação do que ficou conhecido como “choque de gestão”.Consistiu na reorganização das finanças do estado, profundamente abaladas na gestão irresponsável do governador anterior, na reforma administrativa, com a implantação dos planos de carreira de diversas categorias do funcionalismo, e nos investimentos na área da educação, embora os salários dos docentes permaneçam congelados em níveis extremamente baixos, o que não deixa de ser vergonhoso.

Tendo atuado no primeiro mandato com ênfase no pagamento das dívidas do estado e na execução do ajuste fiscal, o governador anuncia um segundo mandato de “obras”.E aí mora o perigo.Existem, na cabeça e na mesa do governador, projetos, no mínimo, polêmicos, como o da criação de um “centro administrativo”, que reuniria a sede do governo e todas as secretarias numa nova área em BH, transformando a antiga sede do governo, na Praça da Liberdade num corredor cultural.Para muitos, trata-se de um projeto megalomaníaco e, portanto, desnecessário O governador garante que tal projeto – uma espécie de mini Brasília em BH? – não gerará despesas absurdas como temem os opositores , pois será feito em parceria com a iniciativa privada.É ver para crer. Se for atacado pela “síndrome de Juscelino”, o governador, na sua vontade de chegar ao Planalto, poderá por em terra todo o trabalho de recomposição do estado, efetuado no atual mandato.

Contudo, a gestão de Aécio - que herdou de seu avô Tancredo o dom da moderação, da negociação e da conciliação - tem sido bem avaliada pela maioria dos mineiros. Pelo menos é isto que mostram as pesquisas, que lhe dão um amplo favoritismo nas eleições deste ano, com possibilidade de vitória no primeiro turno.

No campo oposto , o PT, principal opositor do governo de Aécio Neves, volta a disputar com o mesmo candidato derrotado em 2002 - o ex-ministro dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda. Sem muito o que criticar em outros setores – em especial o da ética pública, tão desmoralizado pelo partido, no governo Lula – o PT de Minas volta as suas baterias contra o que considera descaso do governo com os problemas sociais do estado, fruto, segundo ele, da adoção de uma política “neoliberal”. Pelo menos é assim que os principais representantes do PT na Assembléia legislativa atacam o governo.

Em busca da ampliação de sua aliança, limitada, até então, aos inexpressivos partidos de esquerda, o PT foi buscar apoio e tempo na TV no velho PMDB de Newton Cardoso. Isto causou um certo constrangimento nas hostes petistas, porque Newtão, não faz muito tempo , era uma espécie de “Geni”da política. Mesmo o mais desmemoriado dos eleitores deve se lembrar o quanto o robusto político sofreu nas mãos dos petistas, quando esteve no governo de Minas.Mas tal constrangimento é mínimo e facilmente superado, considerando que o PT de hoje tem muito mais coisas em comum com o Newton Cardoso de ontem, do que com o próprio PT de ontem, se é que me entendem. Assim como, em nível nacional, o partido tem muito mais em comum com figuras como Jader Barbalho, José Sarney, Renan Calheiros, Ney Suassuna, e por aí vai. Em Minas, Newtão foi indicado candidato ao Senado, na chapa majoritária da coligação encabeçada pelo PT e dividirá o palanque com Nilmário e com Lula. Que assim seja, pois eles têm muito em comum. Apesar de todo esforço, o PT mineiro parece irremediavelmente condenado a uma nova derrota

O que será de Minas, nos próximos quatro anos, é uma incógnita. Dependerá do comportamento do provável futuro governador. Se souber separar as suas ambições políticas do trabalho administrativo, poderá, ao final, colher uma ótima safra de realizações que o impulsionará ao cargo mais alto. Caso contrário, e a exemplo do que ocorre com a maioria dos nossos políticos, comprometerá o estado em nome de seu projeto pessoal.E verá este projeto cair no precipício.

060706

quarta-feira, julho 05, 2006

ALLEZ LES BLEUS!




Saindo um instante do ramerrão da política. Sei que estou indo contra a corrente.Hoje, a torcida brasileira é uma pátria portuguesa de chuteiras, com certeza.As pesquisas apontam que esta preferência é por conta de nossas origens, do nosso sangue português, de nossa língua comum, do brasileiro Felipão , do brasileiro Deco, etc, etc.. Eu preferia que fosse por causa do bom futebol da seleção portuguesa. Eu prefiro deixar de lado tudo isso e olhar apenas o futebol. E, futebol por futebol, sou mais a seleção de Zidane.Por quê?

No futebol como nos outros setores da vida, prefiro a arte , o talento, a técnica e a vontade de vencer. E, pelo que demonstrou nas partidas contra a Espanha e o Brasil, a seleção francesa tem tudo isso.Como se não bastasse, teve o mérito de despachar mais cedo para casa a pseudo seleção de Parreira, Cafu, Roberto Carlos e Ronaldos & cia. Por que, então não torcer por ela?Portanto, a parir das 16 horas, “ALLEZ LES BLEUS!!!!”
050706

terça-feira, julho 04, 2006

MANTENDO A POBREZA CATIVA



MANTENDO A POBREZA CATIVA

Provavelmente devido à sua origem humilde, aos seus poucos anos de escola, e, segundo as más-línguas, ao seu apreço por algumas doses a mais, o presidente Lula costuma ser em certos momentos de uma sinceridade rústica, chocante e surpreendente pelos padrões de hipocrisia que costumam dar o tom dos pronunciamentos dos nossos políticos.Foi assim quando confessou ter inveja de um ditador africano por se perpetuar no poder do seu país; foi assim quando sugeriu que os brasileiros tirassem o traseiro do sofá e se mobilizassem pela queda dos juros; foi assim, agora, quando disse ser mais prazeroso governar para os pobres porque eles não dão trabalho, não vão à Brasília reivindicar, e se contentam com pouco.

Já foi o tempo em que Lula e seu partido desprezavam os setores desmobilizados da população pobre e davam preferência por aqueles que, tanto nas classes baixas como na classe média,de alguma forma estavam sob o raio de ação de organizações sob o controle ou sob a influência do PT. Foi na interação com estes movimentos – sindicatos, associações, movimentos rurais - que o PT cresceu, apareceu e alcançou o poder máximo do país.

A crise política e ética que abalou o governo petista no último ano, retirou de Lula uma parcela do apoio que desfrutava junto a setores da classe média, em especial a do funcionalismo público, e levou o presidente a buscar naquela maioria pobre, deseducada e desmobilizada, que antes ele e seu partido desprezava, a sua base eleitoral para um novo mandato.Nos últimos meses, o presidente não tem feito outra coisa se não, literalmente, cair nos braços do povo mais pobre, assumindo integralmente o discurso populista.

Ao contrário da campanha passada, onde, por força da pressão do seu partido e dos tais movimentos organizados,e pela necessidade de arrebanhar votos na classe média, havia um esboço de programa de governo no sentido da eliminação gradativa da pobreza através de políticas inclusivas ligadas ao crescimento econômico e à diminuição do desemprego, o que se vê agora é diferente.O que se vê hoje é que Lula não tem nenhum projeto que resgate essa imensa maioria da pobreza, através de políticas públicas que promovam, por exemplo, a educação, o crescimento e o emprego. Nada disso.O que temos é a manutenção da pobreza cativa à custa do esmolário oficial – Fome Zero, Bolsa Família – emoldurado por uma intensa e dispendiosa propaganda na mídia.

O resultado disso, longe de representar a diminuição das desigualdades sociais poderá acentuar a secessão social – ricos x pobres – e a acentuação do apartheid social, com o presidente, demagogicamente, tomando partido dos pobres. E, sustentado por eles, tentando se perpetuar no poder. Já temos assistido a este filme na Venezuela de Hugo Chavez.Lula quer repeti-lo, como uma farsa, no Brasil.

040706

segunda-feira, julho 03, 2006

A PÁTRIA (SÓ ) DE CHUTEIRAS




Para a imensa maioria, o futebol é o único motivo para o exercício de seu sentimento, digamos, patriótico. É compreensível, num país onde existe pouco do que se orgulhar. Assim, a cada quatro anos o brasileiro se veste de verde-amarelo e .incorpora aquele sentimento que deveria ser permanente. Até aí tudo bem. Já que não temos do que nos orgulhar em outros campos mais importantes como os da tecnologia, das ciências, da educação, dos indicadores sociais, da política, que nos orgulhemos ao menos do nosso futebol.

O problema começa quando este sentimento se exacerba e extrapola os limites do razoável, e/ou passa a ser manipulado por outros interesses que não o esportivo.Por força de interesses comerciais gigantescos e pela atuação de uma mídia que supervaloriza o espetáculo, tratando-o como o acontecimento mais importante do planeta, o país perde o senso do razoável, e durante cerca de um mês é levado a uma espécie de catarse coletiva, onde nada mais parece importar a não ser a conquista do caneco.A se acreditar no que a mídia insistiu em fazer crer, adversários como Austrália e Japão, em tudo e por tudo superiores ao Brasil, não passariam de países de quinta categoria pelo simples fato de seus jogadores – coitados! - não terem a mesma habilidade de nossos craques com a bola nos pés.Eu trocaria toda a nossa magnificência futebolística pela metade do desenvolvimento técnico, científico, e social destes países.

No sábado, o que a seleção francesa fez foi despertar este país da ilusão e traze-lo de volta ao mundo real. Por mais feio que ele seja, é o que temos.E tem que ser encarado como ele é, mesmo que tenhamos que agüentar mais quatro anos de Lula na presidência. O fato é que o sonho acabou nos pés de um craque de verdade – Zidane. Duraria mais algum tempo, se o Brasil tivesse prosseguido no torneio e viesse a conquistar a Copa. Mas em algum momento retornaríamos à realidade.

Melhor então a derrota?Se reduzíssemos o espetáculo à sua verdadeira dimensão esportiva, certamente que não. Isto se os nossos craques não se comportassem de maneira tão apática em campo quanto o foram no jogo de sábado.Mas, se, pelo contrário, depositamos na seleção toda a carga de sentimentos patrióticos reprimidos pela impossibilidade de extravasa-los em outros setores da nossa vida social, talvez a derrota de sábado não tenha sido um mal. Quem sabe contribua de alguma forma para despertar um povo inerte e faze-lo exercer sobre Lula ou sobre qualquer homem público a mesma marcação cerrada com que brindaram o treinador Parreira nesses últimos meses.Seria ótimo se assim fosse.

Em tempo, mergulhados nesta onda ilusionista que insistiu em vender a imagem de um país nota dez em matéria de futebol ,mal paramos para pensar que não é bem assim.Idêntico aos demais setores, o futebol brasileiro não é aquilo que muitos querem fazer crer.O que somos, na verdade, é grande exportador de craques, que fazem a alegria dos torcedores de clubes espanhóis, italianos, alemães e franceses. Mas o futebol brasileiro – nossos clubes, nossos campeonatos – é tão pobre, medíocre e ineficiente quanto a nossa educação, a nossa saúde, a nossa tecnologia, e por aí vai.
03/07/06