terça-feira, junho 27, 2006

A VERDADEIRA JUSTIÇA SOCIAL




No Brasil; a expressão “justiça social”é empregada além da conta. Políticos, jornalistas, professores, comentaristas, não se cansam de repeti-la.Às vezes de maneira adequada, mas, na maioria das vezes, de forma simplista e demagógica.Há muito esta expressão vem sendo repetida por todos aqueles que de alguma forma se julgam possuidores da fórmula mágica para se acabar com o drama da desigualdade que atinge o país, e querem fazer com que o povo acredite neles. Mas “justiça social” nunca foi tão usada quanto agora, com a ascensão do PT ao governo do país. O problema é que da palavra à ação vai uma grande distância, pois nunca também, como agora, os índices de desenvolvimento humano estiveram tão baixos, apesar da propaganda governamental insistir em dizer o contrário..

Durante anos na oposição o PT fez da busca pela “justiça social” a sua mais cara bandeira.Pela via da estatização, do repúdio ao mercado, do antiamericanismo, do intervencionismo, do corporativismo e, em alguns casos, da defesa de um nunca bem definido “estado socialista”. O fato é que , em nome da “justiça social”, Lula e seus companheiros sempre argumentaram contra a liberdade econômica -por eles execrado sob o nome de neoliberalismo- e sempre a favor da maior presença do Estado, com o argumento de que era preciso corrigir as distorções geradas pelo capitalismo,segundo eles, o causador das desigualdades sociais e da miséria.

Uma vez no poder, viu-se que a prática petista só tem sido coerente com o seu discurso no que se refere ao tamanho da máquina estatal: eles não só aumentaram o seu tamanho como também a sua ineficiência. Quanto à Justiça social ela ficou limitada apenas aos quadros do PT e de alguns de seus aliados fisiológicos: o governo petista tem sido pródigo na distribuição de cargos e empregos aos seus amigos e aliados. Passou bem longe da massa de trabalhadores pobres e miseráveis, vítimas da injustiça social que o PT dizia combater. .A verdade é que a busca pela justiça social – não a “igualdade social”, não confundam – depende de dois pressupostos que o atual governo não soube ou não quis encarar, ou sejam, a educação e o emprego. O governo quer fazer crer que a justiça social se alcança com uma política do mais puro assistencialismo, melhor dizendo, de esmolas.Pratica, com requintes de “modernidade” a mesma velha política paternalista tão a gosto dos velhos coronéis da política brasileira, muito dos quais se aliaram ao governo petista.

O paternalismo praticado pelo governo é cômodo , atende às necessidades do marketing governamental , e traz resultados imediatos, o suficiente para a conquista de votos nas próximas eleições. Mas não leva absolutamente à lugar algum em termos de se alcançar a justiça social. Leva, isto sim, à perpetuação da dependência do povo em relação ao Estado, o que tem sido ótimo para os políticos, prontos a renovar suas promessas a cada eleição.

Como disse, justiça social de verdade se faz com educação e com emprego. Educação de qualidade se alcança com maciços investimentos, feitos de forma racional, de tal maneira que promova a reestruturação e a diversificação dos currículos escolares, a implementação de novas tecnologias, a re-qualificação dos professores acompanhado da valorização dos seus salários,e a renovação completa do ambiente escolar. Emprego se consegue com investimentos privados, liberdade de competição, diminuição dos impostos, desburocratização do Estado.

O governo petista não enxerga isto, ou finge não enxergar..Faz justamente o contrário.Não investe um centavo em ensino básico e desestimula a geração de empregos pela elevada taxa de juros e pela pesadíssima carga tributária.Prefere continuar a praticar as chamadas “políticas compensatórias” em vez de atacar o mal pela raiz. Prefere, assim, manter milhões sob a dependência do guarda-chuva estatal e usar isto como uma justificativa para aumentar de vez o tamanho da máquina governamental. “O Brasil precisa de um estado forte para empreender suas políticas públicas” disse algum tempo atrás o ex-todo-poderoso José Dirceu.É isto. Na verdade, os políticos deste país precisam da continuação da miséria como justificativa para a permanência de uma máquina pública cada vez mais inchada e que faz a alegria destes políticos

270606

4 comentários:

C Miguel disse...

CONTRADITÓRIO
Caro amigo
Percebi que voce é daqueles que defendem a idéia de que é preciso diminuir o estado. Tudo bem.De um tempo para cá tenho percebido que esta tese vem ganhando cada vez amis adeptos. Acontece que o liberalismo , como vc deve saber é o maior criador de injustiças e seu artigo parece contraditório. Voce ao mesmo tempo defende uma maior ação do estado na área social, mas ao mesmo tempo prega a diminuição do estado. Me explique como um estado pequeno e sem força poderá ter uma atuaão correta na área social. É uma contadição, não acha??

Fernando Soares disse...

C Miguel

O que eu defendo é um estado enxuto, racional e eficiente. Não vejo contradição no fato de um estado ser menor e ao mesmo tempo mais eficiente . O exemplo mais evidente de como um estado gigante pode ser ineficiente é o nosso. O problema é direcionar o orçamento para as prioridades- educação em especial- qualificar melhor os seus funcionários, e eliminar todas os ralos através dos quais o dinheiro dos nossos impostos desaparece. Portanto, acho perfeitamente compatível, e necessário, a existència de um estado menor e a sua eficiência.

Um abraço

COM LUTA!!!!!!! disse...

Aqui a Elite se entende muito bem. Não importa se da iniciativa privada ou do serviço público. Na verdade, toda a máquina governamental e estatal esta a serviço desta elite- empresarios , banqueiros , latifundiaários, que exploram o trabalho do povo e dilapidam as nossas riquezas.
Os interesses da elite são semelhantes em contradição aos interesses do povo.
SOCIALISMO NELES!!!!!!!!!!!!!!!!!!

deol disse...

Não é verdade que esse governo não tem feito nada. Os números não mentem, o desemprego diminuiu, e a renda elevou-se. Isso é o princípio de um processo, que poderá levar-nos para uma sociedade mais justa, e estas medidas precisam ser aprofundadas. Num segundo mandato, eleito no primeiro turno, com um apoio muito maior no congresso, esse governo teria condições de promover as mudanças que estão faltando; pois é injustiça criticar o Lula, sem admitir que as propostas mais profundas não teriam condições de ser aprovadas pelos atuais deputados e senadores. A justiça social só será alcançada com o aumento real da renda.
Temos dois grandes grupos econômicos no país: Os exportadores, e os exploradores do mercado interno. Desde 1500, salvo em determinadas épocas, o país foi dominado pelos exportadores, onde destacam-se as empresas multinacionais, donas, graças a FHC, de cerca de 50% do nosso capital industrial. E, por incrível que pareça, os exploradores do mercado interno, por falta de visão e personalidade, acabavam acompanhando essas grandes empresas exportadoras, sem perceber que seus interesses eram contraditórios. Veja:


EXPORTADOR MERCADO INTERNO

SALÁRIO 50.000 SALÁRIO 50.000
CUSTOS 50.000 CUSTOS 50.000
VENDAS200.000 VENDAS200.000
- - - - - - - - - - - - - - - -
LUCRO 100.000 LUCRO100.000


Temos dois tipos de empresas, do mercado interno, e exportadora, parem para pensar. O que aconteceria com elas, se a renda do trabalhador dobrasse? Vamos ver:

EXPORTADOR MERC INTERNO

SAL 100.000 SAL 100.000
CUST 50.000 CUST 50.000
VEND200.000 VEND400.000
- - - - - - - - - - - - - - -
LUC 50.000 LUC 250.000

O lucro dos exportadores ( maioria multinacional ) encolheria, e o dos exploradores do mercado interno dispararia ( botecos, lojinhas, lojões, oficinas, proficionais liberais, fábricas não exportadoras, etc. ). A Europa, EUA, e Japão já descobriram isso há muito tempo, daí a razão dos altos salários de lá, pois, quanto mais elevada a renda, mais elevada as vendas e os lucros no mercado interno. É simples, você escolhe o arrocho salarial do FHC/PSDB, ou o aumento da renda promovida pelo LULA, que deverá se intensificar no segundo mandato.
Agora, se você pensar ao contrário, analisando o que aconteceria se a renda diminuísse, aí estaria descobrindo os mais profundos anceios do setor exportador, e principalmente das multinacionais. Acho desnecessário fazer demonstração esquemática, é óbvio que o lucro dos exportadores subiria, e os do mercado interno minguariam. Também é óbvio e desnecessário dizer que tais interesses foram arduamente defendidos por FHC/PSDB.