sexta-feira, junho 02, 2006

USANDO E ABUSANDO



USANDO E ABUSANDO

No exercício da Presidência, Lula usa e abusa de atitudes que condenava com veemência quando atuava na oposição. São memoráveis as críticas que fazia ao governo de FHC por causa de sua política econômica, pelas negociatas entre o executivo e os parlamentares, pela adoção da reeleição, e pelo uso da máquina governamental na campanha eleitoral de 1998. Pois no poder, Lula comporta-se da mesma maneira que o antecessor, que tanto criticava.

No setor econômico, Lula não se cansava de dirigir críticas contundentes à política monetarista, ao contingenciamento de verbas, e às taxas elevadas de juros. Considerava tudo isto como fruto de um projeto “neoliberal” que assolava o país, impedia o seu desenvolvimento e aumentava as desigualdades sociais. .Pois não é que no seu governo, Lula repetiu a mesma receita? Por comodismo, falta de projeto próprio ou pressão dos mercados, o governo petista, além de não alterar uma vírgula desta política econômica, foi até mais rigoroso do que o seu antecessor, no que se refere, por exemplo, à constituição de superavits primários, ao bloqueio de despesas necessárias e à adoção de taxas de juros elevadas.

No que se refere às relações com o Congresso, o governo parece ter aperfeiçoado o “toma lá dá cá” praticado prelo governo anterior. As revelaçãoes de R Jefferson, as apurações das CPIs, e a denúncia do procurador da República comprovaram que o governo petista montou um ardiloso esquema de corrupção de parlamentares, alimentando-os com generosas mesadas em troca de apoio parlamentar aos projetos governamentais. Da mesma forma, ao estabelecer o instituto da reeleição, FH sofreu pesadíssimas críticas do PT, que ao assumir o governo, não só não moveu uma palha para eliminá-lo da Constituição, como dele procurou se beneficiar largamente.

Mas o pior está acontecendo neste período pré-eleitoral. Não havendo se declarado formalmente candidato à sua própria sucessão, Lula usa e abusa de seu cargo e da máquina governamental que dirige, para se promover. Aumentou o número de viagens pelo interior do país , onde, a pretexto de inaugurar coisa alguma, promove encontros com autoridades locais e profere discursos de caráter claramente eleitoral. A liberação de verbas, de acordo com seus interesses eleitorais, se tornaram freqüentes. Obras que foram negligenciadas durante os três anos anteriores, de repente começaram a se materializar como que por encanto.

A mídia, por seu turno, não consegue distinguir o que é ação governamental, portanto, de interesse público, do que é ação eleitoreira, e abre amplos espaços às ações de Lula, colocando-o, desta forma, com uma enorme vantagem em relação aos demais candidatos. Enquanto estes aguardam pacientemente o início oficial da campanha e a oportunidade de aparecerem no horário eleitoral da TV, o presidente desfila lépido e fagueiro pelo Brasil, distribuindo favores, proferindo discursos, e arrebanhando votos. É por estas e outras que o instituto da reeleição merece ser morto e enterrado. Com urgência .

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