terça-feira, junho 20, 2006

OS MOVIMENTOS SOCIAIS NO GOVERNO PETISTA





A invasão do Congresso por um grupo de pessoas a serviço do MLST colocou em pauta a importância, a representatividade e os objetivos de tais movimentos. A princípio, a existência de movimentos organizados dentro da sociedade é bem-vinda, e traduzem a necessidade de determinados setores da sociedade de reivindicar melhores condições de vida e de trabalho. Faz parte do processo democrático, e podem atuar como forças de pressão sobre o Congresso e sobre o executivo, no sentido da elaboração e da execução de leis que os beneficiem.Nada mais justo. Neste sentido, os movimentos que trabalham por uma reforma agrária num país onde, historicamente, a distribuição de terras se fez de forma equivocada, são uma necessidade.Equivocada porque concentrada nas mãos de poucos e, em muitos casos, servindo não como fator de produção, mas sim como fator de especulação.



Mas a prática tem demonstrado ser outra. De movimentos sociais, que deveriam atuar politicamente pela melhoria das condições sociais, tais movimentos passaram a ser meros instrumentos de partidos e de ideologias, visando menos as reformas e mais uma mudança radical nas estruturas sociais e econômicas, após, é claro a mudança do poder político. Desta forma, pouca importância parece ter para as principais lideranças de tais movimentos, o atendimento de reivindicações imediatas, pontuais, e muito mais importância as ações – , marchas, invasões, agressões, depredações - que, à médio e à longo prazos, levem á gradativa desestruturação das instituições que eles chamam de burguesas, o que fatalmente levaria à alguma forma de autoritarismo de esquerda. Mas o mais grave neste contexto é que estes movimentos se alimentam de generosas verbas públicas, o que os tornam parasitas de um Estado que pretendem destruir. Tão grave quanto, é o fato de que tais movimentos são liderados por pessoas com grande intimidade com os gabinetes do Planalto.



É conhecido o fato de que o PT, por conta de sua ideologia e diferentemente dos demais partidos, procurou, desde a sua origem, criar uma rede de apoio nas bases da sociedade. Para um partido em crescimento, que se pretendia representante dos menos favorecidos, com uma estrutura partidária ainda incipiente, era vital esta inserção nos movimentos sociais. Mas com o tempo, estes foram se tornando em instrumentos do próprio partido, com suas lideranças se confundindo com os interesses do partido e sua busca pelo poder político. Desta forma, a medida em que o partido crescia, sindicatos,comunidades de moradores, movimentos dos sem- terra, dos sem- teto, movimentos ligados à “Igreja progressista”, dentre outros , passaram a ter seus movimentos monitorados pelos interesses “maiores” do partido e atuaram como bases avançadas do partido junto às camadas mais pobres da população, no sentido de conquista-las para o partido e para o propósito Maximo de tornar Lula presidente.Ficaram famosas, por exemplo, na década de 80 as sucessivas greves de conteúdo político-partidário, promovidas pela CUT, braço sindical do PT, bem como as invasões de terras e ocupações de repartições públicas, que não conseguiam esconder os seus reais propósitos.



A chegada do PT ao governo e a política econômica adotada pela equipe econômica de Lula, provocou severas críticas dos setores “populares”ao governo, mas jamais o rompimento.É importante, neste ponto, salientar que tais movimentos não são homogêneos, como de resto a esquerda extremada não é homogênea.Dentro da organização dos sem- terra, por exemplo, existe uma ala que poderíamos denominar de xiita, que está disposta a radicalizar as sua s ações, porque não mais enxerga em Lula um defensor da causa.Foram eles, em parte, os responsáveis pela invasão do Congresso. Mas existe uma ala majoritária , os “sunitas”, aliada do Planalto e menos insubmissa aos interesses do governo petista.Lula mostra-se complacente, mesmo com os excessos praticados pelos “xiitas” dos movimentos sociais, e acena com o aumento do prestígio de suas principais lideranças junto ao governo.Estes – inclusive o líder da baderna no congresso – encontram aberta as portas do Planalto ou do Alvorada. Lula sabe que ainda precisa deles e eles não resistem ao aconchego do Poder, apesar de todo o radicalismo do discurso.



É uma incógnita qual seria o comportamento de Lula num eventual segundo mandato. Com o seu partido enfraquecido e com o presidente necessitando ampliar a sua base de apoio no Congresso, talvez haja uma aproximação entre o presidente e os setores mais conservadores, dentre os quais os grandes latifundiários. Isto poderá trazer um esfriamento e um certo distanciamento entre estes movimentos e o governo. Mas nada que leve a um rompimento. Afinal, merece consideração o fato de que no primeiro mandato as alianças do PT com partido fisiológicos foram meramente táticas. A estratégia final de aumento e consolidação do poder de Lula e do PT, com o aumento gradativo do autoritarismo com apoio popular nunca foi abandonada. Pelo contrário. E dentro desta estratégia, não pode faltar a presença sempre bem-vinda dos movimentos que continuarão como o elo de ligação entre o governo e a parcela “organizada” da população, que continuarão como base eleitoral e de apoio político permanente de Lula e do PT



Como disse, Lula ainda precisa deles e eles ainda precisam de Lula.Quem não precisa deles é a Democracia.Movimentos que usam como pretexto as péssimas condições de vida da maioria da população para seus propósitos ideológicos e de poder, devem ser combatidos com a mesma intensidade com que eles combatem a democracia. Movimentos que se dizem representantes legítimos de trabalhadores rurais, mas cuja parcela significativa de militantes visivelmente jamais colocou a mão numa enxada, e é utilizada como mera massa de manobra, devem ser combatidos. Movimentos que são incapazes de se manter com seus próprios recursos e se alimentam do erário público, merecem ser combatidos.



200606

Um comentário:

COM LUTA!!!!!!! disse...

FACIL É ATACAR MOVIMENTO DE TRABALHADORES. FÁCIL É VOMITAR ÓDIO CONTRA OS MAIS FRACOS.
O MLST FEZ POUCO, DEVIA TER FEITO MAIS E ARREBENTADO TODO AQUELE "CONGRESSO"
É FACIL DIZER QUE OS TRABALHADORES SÃO MANIPULADOS E ESTÃO A SERVIÇO DE INTERESSES POLÍTICOS. DIFÍCIL É CRITICAR OS QUE SUSTENTAM ESTA IMPRENSA CORRUPTA E VENAL.