sexta-feira, junho 02, 2006

OS INIMIGOS AMIGOS


Com os “inimigos” que tem, o presidente Lula nem precisa de aliados. Explico. Com a campanha eleitoral praticamente em curso, Lula desfila tranqüilo, alegre e fagueiro rumo a mais um mandato, sem ser acossado por ninguém. Não tendo se declarado ainda candidato, usa e abusa do seu cargo, e utiliza-se da máquina governamental para se promover e avançar junto ao eleitorado, recuperando pontos que havia perdido devido a crise que assolou o seu governo em meados do ano passado.

Os últimos acontecimentos lhe têm favorecido. Por mais que a oposição alegue, com boa dose de razão, de que a recente crise na segurança em SP é de responsabilidade também do governo federal, o fato é que junto a opinião pública prevalece a convicção de que a responsabilidade é exclusiva do governo estadual tucano-pefelista. Por intuição política ou orientado por seus marqueteiros, Lula demagogicamente, é claro, soube faturar politicamente a situação. Declarou-se solidário ao governador e ao povo paulistano, e ofereceu “ajuda” do governo federal. Mas escondeu o fato de que se a situação chegou aonde chegou, em SP e em outros estados, em grande parte devido à inação e ao descaso com que o atual governo petista tratou o tema da segurança pública. Mas, ao final, prevaleceu a impressão de que o governo estadual- leia-se Geraldo Alckmin – foi o grande responsável pela situação ter chegado ao ponto trágico. Portanto, nem é preciso dizer quem foi o grande perdedor nesta crise.

Em contraposição às atitudes demagógicas de Lula, a posição do ex-governador Alckmin durante o desenrolar da crise foi a pior possível para um candidato que se pretende o anti-Lula. Escondeu-se e omitiu-se o tempo todo, fazendo de conta de que não era com ele. Aliás, esta vem sendo uma característica de sua candidatura . A disposição e a habilidade que demonstrou ao se lançar na disputa interna contra J Serra pela escolha do candidato do partido, Alckmin não demonstra agora. Fazendo jus à alcunha “picolé de chuchu”, o candidato oposicionista comporta-se timidamente e burocraticamente, perdendo as oportunidades de aparecer mais contundente contra as falhas do governo petista . Assim, deixa o espaço aberto para a ação eleitoral do seu adversário. Lula agradece, e utiliza-se bem do espaço cedido pela oposição amiga.

As principais lideranças tucanas fazem a sua parte neste jogo de erros.Comportam-se como se tivessem se arrependido da escolha de Alckmin e trabalham contra o candidato. Sem conseguir esconder sua preferência por J Serra, algum chegam a admitir a hipótese de mudança das candidaturas, caso Alckmin não deslanche até meados de julho. Concretizada ,tal hipótese poderia se constituir num verdadeiro suicídio eleitoral dos tucanos, visto que Serra, já lançado candidato ao governo de SP aparece na liderança das pesquisas e a sua transmutação para a candidatura presidencial poderia levar os tucanos a perder tanto o governo da república quanto o governo do estado.

Ao mesmo tempo em que a candidatura de Alckmin não deslancha, o restante da oposição se pulveriza em diversas candidaturas com quase nenhuma chance de levar a eleição para o segundo turno. São os casos das candidaturas de Heloisa Helena, Roberto freire e Cristóvam Buarque. Com exceção de Heloisa Helena, que pelo menos tem um discurso definido e coerente, embora atrasado e radical, e pode surpreender, os demais tendem a não ultrapassar a casa dos 5%. Nesse quadro, a soma dos votos oposicionistas dificilmente provocará um segundo turno.

A contribuir mais ainda para a confusão pré- eleitoral que tem empurrado para frente a candidatura petista, está a indecisão do PMDB, dividido entre aqueles que querem a candidatura própria e aqueles que preferem deixar o partido livre para formar nos estados alianças eleitorais de acordo com seus interesses locais. Os que desejam o lançamento de candidato próprio, por seu turno, não conseguem se entender em torno de um nome de consenso. Orbitam em torno dos nomes de Garotinho, Itamar Franco e, agora, lançam o nome de Pedro Simon. Mas, a tendência que deverá prevalecer é a de não lançamento de candidatura própria ,o que vai ao encontro do que o governo deseja.

O fato é que há muito não se via tamanha incompetência e tantas oportunidades perdidas por parte da oposição a um governo que ao longo de três anos e meio não cansou de dar demonstrações de incompetência, autoritarismo e corrupção. A oposição foi incapaz de construir uma agenda consistente e clara para se contrapor às fraquezas desse governo. Pelo contrário, durante o auge da crise recuou e deu chance para a recuperação do governo ,e apresenta como principal opositor a Lula um candidato que até o momento tem se mostrado tímido e até mesmo omisso – como no caso da recente crise em SP – como alternativa a um presidente demagogo, populista, porém sagaz.

O que no segundo semestre do ano passado era considerado praticamente impossível – a reeleição de Lula – nas condições atuais está se constituindo numa certeza. A dúvida é saber se acontecerá ainda no primeiro turno.
230506

3 comentários:

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