quarta-feira, junho 28, 2006

O VELHO E FALSO DISCURSO




No Brasil é cada vez mais forte o discurso “povo x elite”. E a prova mais evidente é a posição privilegiada que Lula ocupa nas pesquisas de opinião, motivada em grande parte pelo uso insistente deste discurso. Mais do que qualquer outro político, Lula sabe fazer uso dele. Não poucas vezes ele faz questão de enfatizar a sua origem humilde e a sua dedicação às causas populares, em contraposição aos demais políticos, representantes do “outro lado”, ou seja, daqueles que durante décadas pisaram e cuspiram no povo, acumularam riqueza e poder, e, agora, infernizam o seu governo na tentativa de retomar o poder.Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

É preciso que se estabeleça uma definição clara sobre o que vem a ser a tal “elite” a que tanto os petistas se referem, principalmente quando se sentem pressionados.Este termo, na boca de muitos, torna-se demasiadamente amplo e genérico ao não especificar as diversas categorias em que se subdivide.Na verdade, não existe uma única elite, homogênea, uniforme, com uma unidade de pensamentos, propósitos e ações, mas sim “diversas elites”, se desta forma for apropriado dizer.Podemos falar na existência de uma elite econômica, uma elite política , uma elite cultural, uma elite financeira, uma elite burocrática burocrática, e por aí vai...Quando alguns setores da esquerda colocam todos no mesmo balaio, estão a fazer uma generalização imprópria, que atende muito mais os seus propósitos políticos do que o compromisso com a verdade. Ao fazerem assim, partem de uma visão extremamente maniqueísta e simplificadora, que falseia a realidade,mas que tem uma grande penetração na mente das camadas mais pobres da população. Afinal, é fácil dizer que se são pobres, analfabetos e excluídos é por culpa e uma elite perversa e gananciosa, que embolsa toda a grana e deixa migalhas para a população. O perigo mora aí.

Ao generalizar o conceito de elite, certos demagogos de esquerda, além de não especificar a que tipo de elite se referem, cometem o grave erro de colocar no mesmo balaio de gatos os setores produtivos da elite brasileira e os setores parasitários desta elite.Colocar no mesmo balaio tanto o empresário que investe o seu capital na indústria, no comércio, na agricultura, na construção civil, paga os seus impostos e gera empregos, como também o alto funcionário público de carreira que vive do dinheiro dos impostos, ou o político profissional que se enriquece às custas da sua “dedicação” ao bem-comum.

Esta perigosa generalização cometida pela esquerda talvez tenha alguma explicação naquele recorrente dogma marxista da luta de classes,que pode ser usado sempre que conveniente aos seus propósitos.Ao fazer isto, centra o seu fogo não naquela parcela parasitária da elite que se instala nas sombras do Estado, mas sim na parcela produtiva da elite, que simboliza o capitalismo, a propriedade privada, a livre iniciativa e o lucro, ou seja tudo aquilo que os manuais marxistas estigmatizaram como pecados sociais.. Não existe outra explicação para que movimentos como o MST, por exemplo, não se cansem de invadir e depredar propriedades rurais produtivas, sob o pretexto da luta pela justiça social e sob o olhar complacente deste governo.Afinal, trata-se de mais um ato do contexto da luta do povo contra a elite, justificam os teóricos desta mambembe luta de classes.

Mais do que qualquer outro político atual, Lula tem incorporado ste discurso. Para muitos, trata-se de um embrião para a criação de um “lulismo” no Brasil, a exemplo do “chavismo” venezuelano. Não sei, pode até ser. O fato é que este tipo de discurso cada vez mais presente na oratória presidencial, por intuição do próprio ou por orientação de algum assessor ou marqueteiro, passou a se constituir na tábua de salvação do presidente, desde o momento em que descolou a sua imagem da crise política e ética em que seu governo e seu partido estiveram mergulhados. Ancorado nos bilhões destinados aos programas assistencialistas, Lula tenta, ao menos para fins eleitorais, fortalecer a sua imagem de “pai dos pobres”, defensor dos fracos e dos oprimidos e de messias redentor que vai conduzir o seu sofrido povo ao paraíso prometido.Para que este messianismo fajuto tenha alguma credibilidade junto ao eleitorado carente, é preciso que seja reforçada a crença na existência de um inimigo do povo, contra o qual está o messias a lutar. Este demônio, é claro, atende pelo nome de elite.

Ao praticar o discurso genérico contra as elites, o presidente não toca no foco da questão, que é a existência, sim, de uma elite gananciosa, perdulária, ineficiente, parasitária e que se alimenta da miséria do povo, e na qual não só Lula como todos os membros do alto escalão do seu governo e do seu partido também se inserem. É isto: por mais que Lula faça um discurso anti-elite, ele é parte da pior espécie de elite, a elite política brasileira.Não porque ela seja um mal em si, mas porque por suas ações e omissões tem conduzido o país a sucessivas crises , e condenado-o ao eterno atraso e à permanente miséria de sua população


Lula e seus companheiros de liderança, bem como uma boa parte da esquerda brasileira, por mais que insistam no sentido contrário, há muito deixaram de ser “do povo”, se é que algum dia o foram.Hoje, como qualquer outro burguês que eles fingem odiar, mas com os quais compartilham os mesmos hábitos, as mesmas preferências, as mesmas necessidades,eles estão perfeitamente inseridos nos quadros da elite brasileira.A permanência durante vários anos na atividade política lhes concederam a condição de “burguês com capital alheio”O problema é que não geram riqueza, mas sim despesas. Lula, que se pretende até hoje metalúrgico, é um exemplo pronto e acabado dessa elite.

Por mais convincente que este velho discurso pareça aos ouvidos de muitos, o fato é que o desenvolvimento do país depende muitíssimo mais da atuação da parcela da elite que os petistas esconjuram do que da ação interesseira da parcela da elite a qual eles pertencem. Quando a maioria se convencer desta obviedade, discursos demagógicos e maniqueístas como este não terão vez.

280606

3 comentários:

Mendigo disse...

Pois é amigo.Para fundamentar o que vc disse no artigo é só ver o que Lula disse ontem numa solenidade em Contagem, Minas.Disse que é mais fácil governar para os pobre. Que pobre não enche o saco. Que pobre se satisfaz com um pedaço de pão. É o governo que faz da miséria a sua razão de ser.

Fernando Soares disse...

Mendigo

Acho que o Lula deixou de ser o líder da redenção dos pobres, como se pretendia e vai se tornar no líder da manutenção da pobreza a troco de migalhas de suas bolsas assistencialistas.Mas não devemos esquecer que Lula com uma mão dá migalhas aos pobres, e com a outra afaga os banqueiros

deol disse...

Vamos deixar bem claro sobre quem as esquerdas se dirigem quando falam em elites. Trata-se de uma classe altamente incompetente, traidora, e covarde, que, com raras exceções, sempre exerceu o poder no Brasil. É difícil imaginar como uma classe dessas poderia ser elite, mas a covardia e a traição explicam o seu poder; pois associam-se às oligarquias internacionais , que lhes financiam a ascenção aos cargos eletivos. E nós, povo, é que pagamos a conta, vendo o país ser literalmente vendido aos interesses das nações mais ricas. Por isso FHC/PSDB foram submissos, e merecem nosso repúdio, vejam:

- Subserviência internacional
A timidez marcou a política de comércio exterior do governo FHC. Num gesto unilateral, os Estados Unidos sobretaxaram o aço brasileiro. O governo do PSDB foi acanhado nos protestos e hesitou em recorrer à OMC. Por iniciativa do PT, a Câmara aprovou moção de repúdio às barreiras protecionistas. A subserviência é tanta que em visita aos EUA, no início daquele ano, o ministro Celso Lafer foi obrigado a tirar os sapatos três vezes e se submeter a revistas feitas por seguranças de aeroportos. Lula briga por nosso país no exterior, defendendo com unhas e dentes nossos interesses, e lidera um grupo de 20 países nessas negociações, o G20.
– Verbas do BNDES
Além de vender o patrimônio público a preço de banana, o governo FHC, por meio do BNDES, destinou cerca de R$ 10 bilhões para socorrer empresas que assumiram o controle de ex-estatais privatizadas. Quem mais levou dinheiro do banco público que deveria financiar o desenvolvimento econômico e social do Brasil foram as teles e as empresas de distribuição, geração e transmissão de energia. Em uma das diversas operações, o BNDES injetou R$ 686,8 milhões na Telemar, assumindo 25% do controle acionário da empresa. FHC emprestou dinheiro do BNDES, por cerca de 5% ao ANO, para multinacionais comprarem nossas estatais. E nós, brasileiros, se precisarmos de dinheiro, temos de pagar 13% ao mês de juros.
Base de Alcântara
O governo FHC enfrentou resistências para aprovar o acordo de cooperação internacional que permitia aos Estados Unidos usarem a Base de Lançamentos Espaciais de Alcântara (MA). Os termos do acordo eram lesivos aos interesses nacionais. Exemplos: áreas de depósitos de material americano serão interditadas a autoridades brasileiras. O acesso brasileiro a novas tecnologias fica bloqueado e o acordo determina ainda com que países o Brasil pode se relacionar nessa área. Diante disso, o PT apresentou emendas ao tratado – todas acatadas na Comissão de Relações Exteriores da Câmara, impondo os nossos interesses.
- O escândalo do Sivam
O contrato para execução do projeto Sivam foi marcado por escândalos. A empresa Esca, associada à norte-americana Raytheon, e responsável pelo gerenciamento do projeto, foi extinta por fraudes contra a Previdência. Denúncias de tráfico de influência derrubaram o embaixador Júlio César dos Santos e o ministro da Aeronáutica, Brigadeiro Mauro Gandra. E tudo isso sob os protestos de nossos cientistas, que deixaram claro que tínhamos a capacidade de desenvolver o projeto aqui no Brasil. Aliás, mais claro ainda é nossa capacidade para construir petroleiros para a petrobrás. Mas obscuro é o fato deles serem produzidos no exterior por FHC/PSDB. Quantos empregos não poderiam ser criados naquela época? Onde estavam nossos interesses? Devemos aprender com os governantes de verdade, os americanos sim é que dão lição ao mundo, quando se vêem ameaçados, sobretaxam a laranja, o aço, os produtos agrícolas, e tudo o que for contra seus interesses, chegando até a anular licitações, não se importando em agradar ninguém. Fazem isso, mesmo que o preço desses produtos se elevem em seu mercado, pois o que lhes interessa é a saúde de suas empresas, e os empregos de seu povo.