segunda-feira, junho 12, 2006

O GORDO E O BÊBADO


O GORDO E O BÊBADO

Lula falou o que na devia e ouviu o que não queria. Mais uma vez, assomado por uma crise de populismo, e esquecendo-se que a solenidade e a importância do cargo que ocupa lhe impõe uma certa contenção verbal que não é devida aos mortais comuns, Lula deu uma de torcedor boquirroto e fez uma referência maliciosa à já conhecida obesidade do jogador Ronaldo. Recebeu o troco na mesma moeda. Na Alemanha, o craque respondeu que “Todos sabem que o presidente bebe prá caramba.Eu não acredito nisso,. como não acredito que eu esteja gordo”.

Por uma referência semelhante – quem não se lembra? – o jornalista norte-americano Larry Hother quase foi expulso do Brasil.É claro que Lula não quer comprar uma briga com Ronaldo. Num ano eleitoral, seria um péssimo negócio para o candidato-presidente. Por isto, talvez orientado por assessores e marqueteiros, enviou um pedido de desculpas ao craque que, por seu turno, talvez orientado por assessores e marqueteiros, enviou uma mensagem carinhosa ao presidente. E assim todos se deram por satisfeitos, para o bem da pátria de chuteiras.

Importante neste momento – devem estar a pensar assessores e marquetiros de Lula e de Ronaldo – é que nada atrapalhe a performance de nossos craques em gramados germânicos, o que de alguma forma poderá ter a sua importância na definição do próximo presidente da República.Afinal, alguém duvida de que Lula não pretende incluir uma eventual conquista da seleção no rol de suas realizações no governo?É assim que os governantes tiram proveito das conquistas esportivas em seu benefício, e Lula, mais do que qualquer outro, sinaliza neste sentido.
Ao final desta “briga” entre o presidente –torcedor e o craque, uma certeza: ambos estavam certos.Ronaldo está realmente gordo, e Lula realmente bebe pra caramba.



COLEÇÃO DE ERROS

Não fosse por uma imposição do calendário eleitoral, que estabelece a data de cinco de julho como limite final para a homologação de candidaturas, e a realização da Convenção nacional do PSDB neste último domingo poderia ser considerada mais um erro estratégico entre muitos que os tucanos vêm cometendo na disputa pelo Palácio do Planalto. Afinal, desde sexta feira última todas as atenções da mídia e do público estão voltadas para a Copa do Mundo. Mas este até que seria um erro menor na coleção de erros que os oposicionistas vêm praticando desde que começou , em meados do ano passado, o imbróglio que envolveu o governo e seu partido.

Os tucanos e seus aliados pefelistas vêm se esmerando em chutar para fora do gol desde a escolha de Alckimin como candidato da partido. Não pelo candidato em si, mas pela forma como a escolha se processou. Era consenso entre os analistas e parte da opinião pública – e as pesquisas da época confirmavam – que o candidato ideal para se contrapor à Lula seria J Serra. Mas, por causa de uma persistente atuação de bastidor de Alckmin e do seu grupo e um comportamento indeciso do então prefeito paulistano, o primeiro acabou impondo o seu nome como candidato. O fato inegavelmente gerou mal estar e ressentimentos dentro do partido, o que foi agravado pelo desempenho fraco de Alckmin nas pesquisas eleitorais.

Por seu turno, o PFL não parece demonstrar o menor entusiasmo pelo candidato tucano. Na verdade, dividido entre as alas comandadas pelo presidente do partido, senador J. Bornhausen, e a ala que segue as orientações do cacique baiano ACM, o partido parece tomado por surtos de arrependimento por ter embarcado a canoa de Alckmin, quando a maioria não esconde a sua preferência por J Serra.Dando a sua parcela de contribuição à coleção de erros patrocinada pelos tucanos, o PFL escolheu como Vice um político tão ou mais sem carisma do que o próprio ex-governador paulista. Era de se esperar que , para se contrapor à pouca luminosidade de Alckmin, fosse escolhido como companheiro de chapa um político com algum brilho. O senador J Agripino Maia, por exemplo, é pelo menos, um tribuno brilhante, de posições evidentemente oposicionistas, e muito mais conhecido pelo público do que o senador J Jorge, o escolhido.Mais conhecido como o ministro das Minas e Energia por ocasião da grande crise de energia elétrica no governo passado, J Jorge poderá inspirar os marqueteiros petistas a se referir ironicamente à chapa oposicionista como a união do “picolé de chuchu” com o “ministro do apagão”. O que poderá ser mortal para os oposicionistas.

O fato é que, divididos entre os que ainda sonham em ter Serra como candidato da aliança oposicionista- como o senador Arthur Virgílio - , os que querem mais é que Alckmin se dane, pois estão de olho na eleição de 2010 – como o governador de Minas, Aécio Neves – e os que ainda acreditam que Alckmin, iniciado o horário eleitoral na TV, possa crescer e aparecer, a candidatura oposicionista, a permanecer o quadro atual, parece caminhar rumo ao abismo.

E , neste caso, que não se culpe Lula pelos erros de seus opositores, pois não terá contribuído o mínimo sequer para a derrocada oposicionista.Esta, se acontecer, terá sido fruto exclusivo do estoque de erros que os tucanos vêm colecionando desde que, em meados do ano passado, adotaram a estratégia de preservar o presidente, quando era mais forte a crença de que,, por ação ou omissão, era grande a sua responsabilidade no esquema valerioduto-mensalão. Em lugar de deferir o golpe mortal, os oposicionistas preferiram mantê-lo vivo, ferido e sangrando, crentes de que não mais se recuperaria até às eleições.Como se viu, Lula deixou a UTI, cresceu nas pesquisas,e, ancorado nas políticas assistencialistas como o Bolsa-família e nas mentiras e meias-verdades da propaganda oficial, já traça planos para o próximo mandato, desdenhando a oposição. Mas ainda é tempo de reverter o jogo. Desde que a oposição mude de estratégia e não cometa mais tantos erros.

120606

2 comentários:

Contra a seleção Contra o PT disse...

Pois o gordo não jogou nada na estréia so Brasil na Copa. E o bêbado precisa das boas jogadas do gordo para o seu sucesso poítico

Anônimo disse...

Existe mais preocupação com a obesidde de Ronaldo do que com a sobriedade de Lula. No país do futebol o jogador obeso é mais criticado do que o presidente bebado. Um gol não marcado por Ronaldo é mais importante do que uma má jogada de Lula no governo? O que afeta mais a população?