domingo, junho 04, 2006

NÃO ACABOU !






Em 1986, quando o Presidente J Sarney lançou o Plano Cruzado, manifestei a minha opinião de que aquela decisão, inédita sob todos os ângulos, conduziria a um dos dois caminhos: ou o presidente sairia consagrado e entraria para o rol dos gênios políticos como o estadista que conseguiu erradicar a inflação, mal crônico do país, ou não terminaria o seu governo, sendo destituído por impeachment, ou obrigado a renunciar e a responder pelo desastre causado ao país. Como sou democrata, adepto do capitalismo e favorável ao mercado livre, evidentemente não acreditava na primeira hipótese. Em conversa com amigos, no auge da aplicação do plano, estava convicto de que o que se passava no Brasil, por obra e graça do estadista do Maranhão, era uma agressão às leis do mercado, aos direitos do trabalhador e não passava de uma intervenção absurda do estado na economia.



Mesmo que a causa fosse nobre – e era, pois se tratava de combater a inflação - o remédio aplicado era inadequado e, em muitos aspectos, inconstitucional. Para quem não se lembra ou não viveu aquela época ,o plano Cruzado foi engendrado por meia dúzia de economistas da chamada escola heterodoxa, adaptada do Plano Austral da Argentina, e apresentado à sociedade como um golpe mortal na inflação. Consistia basicamente na mudança do nome da moeda e no congelamento dos preços, tarifas e salários por tempo indeterminado. A creditou-se que um país de economia capitalista pudesse ser controlado por regras arbitrárias e medidas policialescas.



Como se sabe, o plano fracassou. Após as eleições de 1986, a experiência intervencionista sofreu o golpe mortal quando o próprio governo reajustou suas tarifas , fazendo com que os preços , comprimidos, explodissem novamente. Mas ao final, nenhuma das hipóteses que eu admitia se concretizou. O governo Sarney nem foi consagrado nem foi destituído. Apesar de ter patrocinado um dos maiores crimes contra a economia do país, provocando falências, desestimulando investimentos, reduzindo salários, e provocando, como resultado, o retorno mais intenso da inflação, Sarney não só permaneceu no governo durante mais três anos, como teve a ousadia de, durante este período,, impor mais dois planos intervencionistas: o Plano Bresser e o Plano Verão.



O resultado de toda esta sucessão de absurdos impunes foi que , ao encerrar o seu mandato, Sarney deixava o país num total caos econõmico, com a inflação beirando a casa dos três dígitos. Pela primeira vez compreendi que, ao supor que o fracasso de tal política econômica absurda e intervencionista traria o castigo merecido aos seus responsáveis , estava sendo ingênuo, por talvez imaginar que o Brasil tivesse o mesmo grau de evolução política e institucional de países como a Suécia, a Dinamarca ou Alemanha. Grave erro. Tanto é que o principal responsável pelo desastre econômico da década de 80 continua a dar as cartas na política nacional. Apesar de ter encerrado o seu governo desmoralizado politicamente, Sarney conseguiu, pouco depois, ser eleito senador pelo Amapá, foi presidente do Congresso por duas vezes e exerce influencia sobre o governo de Lula.



Como disse, cometi grave erro ao acreditar na seriedade do processo político brasileiro . Mas o pior é que não aprendi a lição. Quase vinte anos depois, em 11-07-05,postei em alguns sites da internet um artigo intitulado “ACABOU.” Estávamos no auge da crise política que assolava o governo Lula , e eu não via outro caminho viável a não ser a abertura imediata de um processo de impeachment contra o presidente, por força de uma pressão dos setores organizados e esclarecidos da sociedade e dos partidos de oposição. No trecho inicial desse artigo eu afirmava: “Acabou. Durou pouco, mas acabou. Refiro-me, é claro, ao governo Lula. Não no aspecto institucional, mas no aspecto da governabilidade. Mesmo que consiga permanecer na presidência, Lula será, até o final do mandato, um mero fantasma do que pretendeu ser. Não tem nem a autoridade moral, nem a sustentação parlamentar, nem o apoio popular de dois anos e meio atrás, para dar ao País um mínimo de governabilidade..E olhe que este vaticínio pouco otimista está baseado no estágio atual da crise, no que a mídia vem mostrando até agora. Ainda não cheguei ao pior dos mundos , que poderia vir com a comprovação da relação consciente e direta do presidente com este esquema de corrupção montado pelo seu partido, o que fatalmente desaguaria num processo de impeachment”.



Àquela altura, sob o meu ponto de vista, seria quase impossível Lula escapar de responder a um processo político por crime de responsabilidade, caracterizado estava que, por cumplicidade, omissão ou inaptidão ao cargo, o presidente era sim o responsável maior por tudo o que ocorria no seu governo e no seu partido. Pressionado por graves denúncias que iam desde financiamento ilegal de campanhas eleitorais até formação de quadrilha, passando por distribuição de propinas entre parlamentares, corrupção nas estatais e nos fundos de pensão, favorecimento de parentes do presidente em negócios suspeitos, envio ilegal de dinheiro ao exterior, era difícil imaginar outro caminho a não ser a destituição legal deste governo. Afinal, por muito menos ,F. Collor havia sido investigado, processado e destituído. Mas confesso que, mais uma vez ,a exemplo do que havia acontecido em relação ao governo Sarney, depositei demasiada crença no funcionamento das instituições e na qualidade e seriedade dos nossos políticos.



O fato é que no Brasil é diferente. Aqui grande parte da oposição tem o rabo tão preso quanto os dos governistas, aqui os interesses privados se sobrepõem ao público,aqui a parcela esclarecida da sociedade da sociedade é minoritária, aqui uma boa parcela da população parece disposta a trocar o seu voto por uma bolsa esmola qualquer, aqui o populismo, o carisma e a demagogia do governante são ais fortes do que a seriedade ,o bom senso . Enfim, aqui, por culpa de uma educação deficiente e de um processo de alienação de setores cada vez maiores da sociedade, fica difícil exigir que o processo político percorra caminhos que seriam os esperados por uma sociedade politicamente madura.



Resultado: Lula não só não foi destituído, como renasceu das cinzas e voltou a crescer nas pesquisas eleitorais. No quadro atual, poucos duvidam da sua reeleição, o que era inconcebível há seis meses atrás. Quanto a mim, fica a lição de que o nosso país tem as suas particularidades, as suas idiossincrasias , as suas mazelas, que o torna mais parecido com seus vizinhos latino americanos do que com qualquer uma das democracias avançadas da Europa nórdica ou da Europa Ocidental. Creio ter aprendido esta lição.



300506

5 comentários:

LULA LÁ disse...

E não acabou mesmo!!!!!!!!!!!!!
A oposição criou um clima para desmoralizar o governo de Lula mas se ferrou.Seu comentário demonstra a mágoa daqueles quenão se conformam em ter no puder um político que pelo menos se lembra do povão. E o povão sabe distinguir bem. Por isto é LULALÁ outra vez

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