sexta-feira, dezembro 29, 2006

O RIO CONTINUA LINDO?

A cidade do Rio de Janeiro merece um tratamento diferenciado por tudo o que representou e ainda pode representar para o Brasil em termos econômicos, culturais, esportivos e turísticos.: retrato vivo da associação harmônica de uma dádiva da natureza com o que a inteligência humana foi capaz de criar em termos urbanísticos , ainda é o cartão postal do Brasil no exterior. Infelizmente, apesar da natureza no Rio ainda continuar bela, parece que a pobreza material da população, somada à pobreza de espírito da elite e dos governantes, conspira para destruí-la.



RIO DE JANEIRO
Os recentes e lamentáveis atentados de traficantes no RJ ,incendiando ônibus, destruindo cabines policiais e atingindo indiscriminadamente alvos civis e militares, colocaram mais um tijolo na obra de construção de uma cidade totalmente controlada por criminosos, sejam eles traficantes ou- novidade deste verão – membros de milícias formadas por ex-policiais que , segundo o jornalismo da TV Globo, já ocupam 90 favelas cariocas.

O fato é que muito mais do que a natureza exuberante e os atraentes pontos turísticos de fama mundial, o que vem chamando a atenção na cidade do Rio nas manchetes da imprensa é a sua decadência progressiva associada a uma violência crescente. A crise que atinge o Rio de Janeiro é resultado da crise que atinge o Brasil. Só que no Rio ela vem com mais dramaticidade, com mais evidência. A outrora cidade-maravilhosa tem sofrido nas últimas décadas um processo gradativo de esvaziamento econômico, político e cultural, onde o empobrecimento da população, o crescimento do tráfico de armas e de drogas e a incompetência dos seus governantes formam uma mistura explosiva que retratam o grau de deterioração a que chegou a ex-capital da República.


Mas o Rio não chegou a este estágio de um momento para o outro. Na verdade, é fruto de um lento processo de degradação que teve começo quando, no início dos anos 60, o Rio deixou de ser a capital do país. Até então centro político do Brasil, o Rio sofreu o primeiro grande processo de esvaziamento com a transferência de milhares de funcionários e de centenas de órgãos públicos para Brasília. Outro golpe mortal na cidade foi a sua fusão com o antigo Estado do Rio, em 1976, por obra e graça do regime militar. Até então, constituindo o Estado da Guanabara e conservando um pouco da sua antiga pujança, a cidade teve que engolir a sua forçada união com um estado pobre e provinciano, com perdas evidentes para a metrópole.

Com o seu esvaziamento político, restou-lhe ainda um pouco da sua condição de importante centro econômico e cultural.Mas a crise econômica, que atingiu o país no início dos anos 80, foi extremamente perversa para o Rio.
A cidade, que era indiscutivelmente o segundo polo econômico do país, assistiu passivamente a ascensão de outros centros econômicos localizados em MG e na região sul . Centenas de indústrias, até então sediadas no Rio, ou abandonaram a capital partindo para outros centros, ou simplesmente faliram e desapareceram.

Acompanhando a decadência econômica, ocorreu a degradação social, resultando no aumento do número de desempregados e na favelização descontrolada. As favelas cariocas cresceram e se multiplicaram assustadoramente, envolvendo,como um cinturão de pobreza, as áreas mais ricas da cidade, de tal forma que do Leme (Copacabana) a S Conrado, todos os bairros de classe média do Rio foram envolvidos por favelas, o que possibilita um forçada convivência democrática entre ricos e pobres nos bairros da zona sul.Nem a outrora ilha de riqueza, a Barra da Tijuca, ficou livre do contato com o lado pobre da cidade, depois da construção da Linha Amarela, que agora possibilita o acesso direto do subúrbio à ilha de prosperidade da zona oeste.

Resultado da crise econômica foi também a decadência cultural do Rio. Cidade que se orgulhava, a décadas atrás, de possuir os melhores teatros, os melhores cinemas, os maiores jornais, as mais influentes emissoras de rádio e de televisão, e - por que não dizer?- o melhor futebol, hoje se coloca num plano secundário quando comparado, sob s aspectos à cidade de S Paulo, por exemplo. Não fosse a Rede Globo, que ainda mantém, não se sabe até quando, a sua sede no RJ e o Rio teria que se contentar em ser uma simples sucursal cultural de SP. Décadas atrás, falar do Rio era falar de Carlos Drumond, Carlos Lacerda, Pixinguinha, Tom Jobim, Rubem Braga, João Saldanha, Nelson Rodrigues, Paulo Gracindo, Leila Diniz, Zico, Garrincha, Vinicius de Moraes, Mario Lago, só para citar alguns poucos. Hoje, o Rio está mais associado a figuras como Fernandinho Beira-Mar, Elias Maluco, Lulu, Dudu, Caixa d’Água, Eurico Miranda e outras figuras do gênero.


A favelização descontrolada, fruto do empobrecimento e da falta de oportunidades ,sem nenhuma assistência do setor público, levou ao fato de que as favelas e bairros periféricos tornaram-se , em pouco tempo , numa terra de ninguém, ou melhor numa terra dos chefões do tráfico , que, ante a ausência do poder público, transformaram-se em verdadeiros donos dos seus territórios, sobre os quais exercem o poder pela força das armas e das drogas.

Mas atribuir a culpa da decadência do Rio apenas aos fatores acima mencionados -perda do poder político, crise econômica e decadência cultural – é esquecer a grande parcela de culpa que deve ser atribuída aos que administraram a cidade-estado nestas últimas décadas. Nisso a população carioca tem a sua parcela de responsabilidade. Afinal, em poucos locais do Brasil um eleitor tem uma vocação tão grande para eleger governantes incompetentes.

A lista é grande. Vai desde Chagas Freitas que dominou o estado no tempo do regime militar, passa pelo caudilho Brizola, pelo titubeante Moreira franco, e chega finalmente no casal Garotinho-Rosinha, sem esquecermos de figuras como de Benedita da Silva e Luis Paul0 Conde. Com governantes deste naipe, fica fácil para traficantes de toda ordem estabelecerem o seu poder , ditar ordens nos seus territórios e promoverem guerras entre quadrilhas, deixando a cidade indefesa e os cidadãos assustados.

Adotando uma posição política quase sempre de oposição ao governo federal, os governantes do RJ atraíram a antipatia e uma má vontade sistemática de Brasília para com os problemas do Rio. Só a título de exemplo, todos os governos do estado do Rio nas duas últimas décadas, exceto o de Marcello Alencar(1995-1998), anunciaram-se como de oposição ao governo federal. Tal incompatibilidade entre o poder federal e estadual, fez com que jamais houvesse uma vontade eficaz nem uma política coordenada na repressão, por exemplo, ao tráfico de armas e de drogas que entram pelas fronteiras do Brasil, antes de chegar ao Rio. Nesta briga, quem sai perdendo é a cidade e sua população.


Mas a doença que atinge a cidade do Rio tem cura. O paciente ainda não se encontra em estado terminal. É preciso que uma série de fatores e uma forte determinação política se conjuguem a fim de salvar a cidade.

No plano estadual, o pontapé inicial deve partir da própria população, que tem como lição de casa parar de eleger governantes incompetentes e demagogos. Não se sabe ao certo qual a política de segurança do governador eleito, Sérgio Cabral. Mas pelo menos, pelo que tem declarado, se pode supor que ele trabalhará articulado com o governo federal, colocando fim à prática infantil de se fazer oposição gratuita e receber em troca o desprezo do governo federal para com o estado do Rio.

Do governo do estado- e do município - o resgate da dignidade da cidade deveria envolver tanto políticas preventivas como políticas de concretização imediata. No plano preventivo, nada melhor do que a implementação de uma revolução educacional no estado, com a inserção da maioria absoluta das crianças cariocas em escolas de tempo integral -tal como projetado por Darci Ribeiro, com um ensino de primeira linha.
No plano imediato, a reformulação de toda a polícia estadual, capacitando-a a atuar tanto no campo da prevenção quanto na repressão em áreas da cidade hoje dominadas pelo tráfico, seguida pela ocupação efetiva pelo estado destas áreas carentes com escolas, postos de saúde, creches e postos policiais, de tal forma que o tráfico não voltasse a atuar.

É evidente que, por mais boa vontade e discernimento político que tenham os governos locais, a recuperação do Rio passa por uma recuperação do país como um todo, com o retorno do crescimento e a conseqüente geração de empregos, que possibilitem a milhões de pessoas saírem da marginalidade.

A cidade do Rio de Janeiro merece um tratamento diferenciado por tudo o que representou e ainda pode representar para o Brasil em termos econômicos, culturais, esportivos e turísticos.: retrato vivo da associação harmônica de uma dádiva da natureza com o que a inteligência humana foi capaz de criar em termos urbanísticos , ainda é o cartão postal do Brasil no exterior. Infelizmente, apesar da natureza no Rio ainda continuar bela, parece que a pobreza material da população, somada à pobreza de espírito da elite e dos governantes, conspira para destruí-la.

291206

quarta-feira, dezembro 20, 2006

ESQUERDA OU DIREITA?

Nos países desenvolvidos pouca importância se dá atualmente à velha dicotomia entre esquerda e direita. Mas no Brasil, talvez pelo fato de sua imensa desigualdade social, talvez pelo fato de nossas elites dirigentes ao longo da História terem demonstrado um supremo desprezo pelo povo, estas duas posições ideológicas ainda são capazes de provocar muita radicalização e discussões apaixonadas. Por isto, não passou batida a declaração de Lula, terça feira passada, de que "quem tem 60 anos e se diz de esquerda tem problemas, e quem é jovem e se diz de direita também tem".Vozes de condenação se fizeram ouvir, com veemência, de todos os cantos, condenando a declaração do presidente. Em muitos setores, Lula foi mais criticado por esta declaração do que por muitas das asneiras cometidas ao longo dos quatro anos de mandato.


Questão de idade? À esquerda, Lula esquerdista; à direita, Lula direitista.

ESQUERDA OU DIREITA?
Mas afinal, esquerda ou direita? Cansei de ser chamado de “direitista”, num tom nada amistoso, a cada manifestação em defesa da livre iniciativa, da democracia, do direito à propriedade privada, da diminuição do tamanho do Estado, da redução dos tributos ..Isto porque no Brasil ser “de direita” é como se o sujeito tivesse contaminado por um virus contagioso, que traz consigo as síndromes do egoísmo, retrocesso, conservadorismo, autoritarismo, com alta taxa de insensibilidade para com os problemas sociais. Enfim, uma pessoa condenada ao fogo do inferno. Em contrapartida, ser esquerdista é sinônimo de altruísmo, progressismo, humanismo, com alta taxa de sensibilidade social,e, com todo charme do mundo .Não é sem razão que, no Brasil, partidos políticos e candidatos em campanha jamais se definem como “de direita”.Preferem ser “de esquerda” ou, no mínimo, de “centro-esquerda”.

No pensamento político predominante no Brasil, a grosso modo, esquerdistas seriam aqueles para quem o capitalismo é um grande gerador de injustiças, e para quem somente através da intervenção – ou da apropriação -do Estado na economia, seria possível a promoção da justiça social. E os direitistas? Bem, estes seriam todos os demais que não se enquadrassem naquilo que os teóricos de esquerda pensam sobre si. Aí incluídos, desde liberais autênticos, democratas sinceros, até obscurantistas de toda sorte, defensores de regimes ditatoriais e adeptos de nacionalismos extremados.E é aí que reside o erro, pois mistura no mesmo balaio gatos de raça diferentes.

A verdade é que nestas últimas décadas a direita foi tão estigmatizada pela esquerda ,que fica difícil estabelecer o seu campo, de acordo com os valores que ela defende.Se tomarmos como valores fundamentais a defesa intransigente do liberalismo econômico e da democracia política, como os delimitadores deste campo, não tenho por que me envergonhar de ser rotulado de direitista. Se dentre os valores atribuído à direita estiver incluída a negação da democracia, mesmo que seja em nome da liberdade econômica, por favor, me excluam deste time.A esquerda costuma jogar tudo no mesmo balaio, e considerar, por exemplo, Winston Churchill ,Hitler, Margareth Tratcher e Pinochet como membros de um mesmo time.Para mim, Hitler tem muito mais em comum com Stálin, um ícone da esquerda, do que com Churchill. Mas muitos não pensam assim.

Como se pode ver, esta dicotomia esquerda X direita é, na maioria das vezes, simplificadora e enganosa, pois restringe uma ampla e contraditória gama de valores e de idéias que envolvem uma discussão deste nível, a uma briga passional e simplista entre dois campos opostos..Mas esta simplificação interessa ao proselitismo de certos setores da esquerda, que, desta forma, foge do debate no que é essencial, e estigmatiza aqueles que, com argumentos consistentes e lúcidos,conseguem se contrapor a certos dogmas ultrapassados.

Portanto, aqui não se trata de uma declaração de princípios, mas considero como valores fundamentais a democracia política e a liberdade econômica. Defendo que o Estado é um mal necessário, e que, por causa disto, deve ter o seu campo de atuação limitado, porém, sem abrir mão da eficiência onde a sua atuação é essencial e onde a iniciativa privada tem interesse diminuto. Defendo intransigentemente estes valores. Assim como não admito que em nome da liberdade econômica haja cerceamento da liberdade política, também me coloco contra quaisquer formas de restrição da liberdade econômica em nome de um suposto e improvável bem estar coletivo.A propósito, considero que a melhoria dos padrões sociais virá como conseqüência natural da melhoria dos padrões econômicos conjugado com políticas governamentais efetivas - e não meramente paliativas e assistencialistas – fundamentalmente no campo da educação.
Em tempo, a respeito da declaração acima, Lula se desculpou e disse que tudo não passava de uma brincadeira. Ele também, é claro, tem ojeriza ao estigma...
201206

sábado, dezembro 16, 2006

É UM CRIME!

Muito mais do que um abuso de autoridade, o autoconcedido reajuste de 91% dos parlamentares federais é um crime contra a economia nacional e um soco na cara de uma sociedade que, compulsoriamente, deposita nos cofres públicos 40% do que ganha por força do seu trabalho. Algo precisa ser feito para reverter esta medida.




É impossível não ser tomado de indignação diante deste show de cinismo, desfaçatez e arrogância, protagonizado por deputados e senadores, ao apagar das luzes do ano legislativo. Esta legislatura, considerada por muitos dos próprios parlamentares como a pior de toda a história do Congresso brasileiro, poderia ter sido encerrada de maneira mais digna, após um quadriênio em que pontificaram mensaleiros, sanguessugas, severinos e outras máfias, numa sucessão de escândalos jamais vista e contribuindo de vez para a desmoralização de um Congresso que já não era visto com bons olhos pela sociedade.

Mas, para deputados e senadores não bastaram os vexames anteriores. Faltava a “consagração” final. E ela veio na forma de um aumento salarial de 91%, passando de R$12.847,00 para R$24.500,00, num momento em que o crescimento econômico do país se dá em ritmo de jabuti, a sociedade passa por momentos de grande restrição financeira e as obras públicas e serviços fundamentais – infra-estrutura, educação, saúde - estão praticamente paralisados, sob a justificativa governamental de que faltam verbas.

Segundo dados publicados na Folha de sexta-feira, somados o salário básico aos diversos benefícios recebidos, cada parlamentar custará aos cofres públicos o absurdo de R$140.000,00. Comparado a outroa países, o salário dos nossos parlamentares supera o de seus colegas em países como os Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, México, Chile, Nova Zelândia e Portugal, todos eles com PIB per capita superior ao do Brasil.O agravante nesta decisão criminosa – e não há outro adjetivo mais apropriado para defini-la – é que ela certamente vai gerar efeito cascata sobre os legislativos estaduais e sobre as câmaras municipais provocando, de imediato, uma avalanche de aumentos e reivindicações por aumentos em todo o funcionalismo.

Mais espantoso é a passividade com que a sociedade brasileira, pelo menos até o momento, tem reagido a esta agressão. O assalto praticado contra os cofres públicos está a exigir uma resposta contundente da sociedade. Alguns setores – OAB e CNBB – já externaram de maneira tímida o seu protesto. Mas somente isto não basta. É necessário que estes protestos se multipliquem, que a mídia continue, sem trégua, a destacar o assunto , que sejam promovidas quantas ações judiciais forem necessárias exigindo a anulação do ato do Congresso, que seja feito uma pressão no sentido de que se moralize a legislação que trata dos salários de parlamentares e de altos funcionários da administração. Enfim, é preciso que o povo, literalmente, vá às ruas e de lá não saia enquanto os parlamentares não reverterem a sua decisão.

Se isto não for feito, se o silêncio e a passividade prevalecerem sobre as poucas vozes de lúcida indignação, os parlamentares brasileiros terão recebido um aval tácito da sociedade. Estarão autorizados para, nos anos subseqüentes, voltarem a praticar o crime com a mesma desfaçatez e cinismo.
161206

quarta-feira, dezembro 13, 2006

COALIZÃO OU COLISÃO?

Assistimos com absoluta descrença as atuais negociações lideradas pelo governo no sentido de formar um governo com o maior número possível de partidos. Se o propósito inicial for o de enfraquecer a já combalida oposição, pode ter algum resultado prático. Se o objetivo é mais nobre e grandioso, ou seja, o de cimentar as bases para a execução de a um projeto de governo que leve ao crescimento do Brasil, pode esquecer.

COALIZÃO OU COLISÃO?

Um governo de coalizão se faz em torno de teses, princípios e projetos. Pelo menos é o que o que parece acontecer nas democracias mais avançadas e é o que deveria ser no Brasil. Mas não é. Aqui, o pretendido governo de coalizão não parece ir além de uma aliança partidária na qual o eixo das negociações se dá em torno da velha troca de favores e interesses no estilo do mais puro fisiologismo. Culpa do sistema partidário brasileiro, e, até mais do que isto, culpa do regime presidencialista imperial que prevalece desde a proclamação da República..

É difícil, mesmo para um observador atento da política brasileira, saber o que distingue os diversos partidos políticos no Brasil. A distinção ideológica que se pretende fazer pouco significado tem. Afinal, partidos considerados de direita, na prática, adotam posturas que entram em choque como que deveria ser a sua linha programática. É o caso do PFL que passou os quatro anos do governo Lula defendendo a austeridade fiscal e, no final, votou a favor do aumento de 16% para os aposentados do INSS,além de,através do senador Efraim de Morais propor um 13º salário para os beneficiários do bolsa família. De repente substituiu a defesa da responsabilidade fiscal pela pratica de um populismo tão canhestro e irresponsável como o do presidente que eles tanto criticam.

Na verdade, além de vergonha na cara,falta aos partidos brasileiros conteúdo ideológico que oriente a sua atuação política e não deixem desorientados os eleitores. Qual a posição de cada um dos partidos brasileiros no que concerne a questões estruturais como o tamanho do estado, a carga tributária, a reforma na educação, dentre outras?

Nisto e em outras questões fundamentais, os partidos se confundem, se misturam e pouco se distinguem uns dos outros. Não foi por outro motivo que durante a campanha presidencial, o PT, ao colocar em pauta a discussão sobre as privatizações, provocou no PSDB uma reação contrária ao que era de se esperar vinda de um partido que durante o governo de FH comandou o maior processo de privatizações da História. Ao invés de assumir as privatizações como uma das marcas registradas de seu projeto de governo,. o candidato tucano preferiu na campanha ficar parecido com o candidato do PT e ao ser encostado contra a parede, negou e renegou que estivesse em seus planos o prosseguimento das privatizações.

Não são poucos os que reclamam da ausência, no quadro político brasileiro, de um partido assumidamente conservador ,que faça da defesa intransigente da livre iniciativa e da diminuição do tamanho do estado a sua bandeira de luta.Não são poucos os que , como eu, admitem que o aperfeiçoamento dos partidos, no sentido de terem maior nitidez ideológica, somente será possível dentro de um desejado regime parlamentarista.Infelizmente, no Brasil, o parlamentarismo passou a ser visto mais como um remédio para impasses políticos momentâneos do que uma solução permanente e necessária para a consolidação do sistema político.

Por isto, assistimos com absoluta descrença as atuais negociações lideradas pelo governo no sentido de formar um governo com o maior número possível de partidos. Se o propósito inicial for o de enfraquecer a já combalida oposição, pode ter algum resultado prático. Se o objetivo é mais nobre e grandioso, ou seja, o de cimentar as bases para a execução de a um projeto de governo que leve ao crescimento do Brasil, pode esquecer. Este suposto projeto durará até que a primeira disputa por cargos e verbas coloque qualquer boa intenção a pique, e transforme o pretendido governo de coalizão em governo de colisão.
131206

segunda-feira, dezembro 11, 2006

OS NOVOS DEMAGOGOS DA AMÉRICA LATINA

O fato é que a integração latino- americana nos moldes pretendidos por Hugo Chávez, é uma grande falácia que poderá levar parte da América Latina a um ambiente de conturbação política que certamente resultara em fuga de capitais, mais atraso econômico e maior desigualdade social. Melhor seria se ao invés de embarcar na irresponsabilidade demagógica de Chávez, o governo brasileiro se mirasse no exemplo do Chile.


Chávez, Lula e Morales: o que está em queda é a democracia no continente.

OS NOVOS DEMAGOGOS DA AMÉRICA LATINA

São cada vez mais freqüentes os encontros entre os líderes – Lula incluído – da chamada nova esquerda latino-americana. Em pauta, um improvável projeto de integração da América nos velhos moldes do nacionalismo anti norte-americano, que parecia morto e enterrado desde a década de sessenta, mas que ressurge lépido e fagueiro por obra e graça do venezuelano Hugo Chávez, pretendente ao trono de novo rei das esquerdas latino-americanas, agora que Fidel castro parece partir desta para melhor.

Chávez sabe que tem cacife para tal empreitada. Ancorado nos superávits obtidos graças às exportações do petróleo e do gás venezuelanos, conseguiu mais uma reeleição e já planeja nova mudança na Constituição do país, tendo como alvo a sua perpetuação no poder, com o propósito de levar adiante o seu projeto de liderança continental, em contraposição à liderança norte-americana. Para isto tem procurado ampliar o número de aliados no continente.

Neste sentido, Chávez tem contado com ventos favoráveis. Uma onda de populismo nacionalista tem invadido diversos países e colocado ou recolocado no poder lideranças que usam e abusam do discurso demagógico da defesa dos fracos e dos oprimidos contra a ganância das elites e contra o imperialismo ianque.Foi com esta retórica de fácil aceitação entre as massas desfavorecidas que políticos do porte de Evo Morales(Bolívia),Rafael Correa( Equador), Daniel Ortega( Nicarágua), Lula ( Brasil) se incorporaram ao time comandado pelo venezuelano.

A matéria-prima que possibilita a ascensão e dá sustentação a este tipo de dirigente é uma só: e extrema pobreza na qual vivem milhões de pessoas no continente. Carentes, fragilizados e deseducados, esta imensa massa é presa fácil do discurso simplista e propositalmente maniqueísta destes políticos, que insiste em atribuir à perversidade das elites e à ganância capitalista a origem de todos os males sociais. Com isto, colocam-se como paladinos do bem na luta contra os exploradores do povo.

Sabemos que não é tão simples assim. Muitíssimo mais do que vítimas indefesas de uma política intencionalmente perversa, perpetrada pela elite econômica em conluio com o governo norte-americano, estas populações são vítimas de mazelas seculares, resultantes de sua histórica incapacidade de gerir o seu próprio destino.Muito antes de buscarmos entender as razões do atraso econômico e social destes países numa suposta aliança entre as “elites” e o capital imperialista, melhor seria se as buscássemos no ambiente político, econômico e social de cada um destes países, onde certamente encontraríamos os germes de seu subdesenvolvimento: uma mistura de descaso secular com a educação, ineficácia e corrupção no setor público, ausência de investimentos no setor produtivo e falta de uma política de planejamento familiar,. ou controle da natalidade, para sermos mais precisos..

Ao desviar o foco da questão e insistir na repetição de velhos chavões, os líderes desta esquerda populista sinalizam que preferem continuar usando estas populações como gigantescas massas de manobra para seus projetos de poder. Projetos esses que passam ao largo do compromisso com a democracia, pois pressupõe mudanças na Constituição, controle do Congresso, cerceamento da liberdade de imprensa e enfraquecimento das instituições democráticas, tal como acontece neste momento na Venezuela e na Bolívia, e pode vir a acontecer no Brasil e nos demais países sob a tutela destes novos demagogos. Não é sem motivo que muitas cabeças lúcidas deste país têm alertado para os rumos perigosos que o segundo governo Lula poderá tomar, caso ele resolva incorporar de vez o espírito chavista.

O fato é que a integração latino- americana nos moldes pretendidos por Hugo Chávez, é uma grande falácia que poderá levar parte da América Latina a um ambiente de conturbação política que certamente resultara em fuga de capitais, mais atraso econômico e maior desigualdade social. Melhor seria se ao invés de embarcar na irresponsabilidade demagógica de Chávez, o governo brasileiro se mirasse no exemplo do Chile, onde uma política sensata de atração de capitais, incentivo à educação e moralização do setor público tem feito o país manter razoáveis índices de crescimento econômico.Mas seriedade e bom senso são artigos raros no atual governo brasileiro.
111206

sexta-feira, dezembro 08, 2006

CEIA MACABRA



CEIA MACABRA
REINALDO AZEVEDO*
Lula ficou quase cinco horas com Chávez. Dá para supor quem estava dando lições a quem. Como o próprio Babalorixá de Banânia já disse, a Venezuela tem democracia até demais, não é mesmo? Por aqui, assistimos aos primeiros rasgos do Lula à moda bolivariana. E o alvo é a imprensa. O PT vai tentar atuar com um pouco mais de cuidado porque a sociedade brasileira é mais complexa. Mas as ações para encabrestar o jornalismo estão em curso. Por enquanto, os veículos dos amigos estão sendo compensados com a papa do dinheiro oficial. Dá para imaginar o que planejam para os inimigos
É escandalosa tanta proximidade com um chefe de Estado que acaba de anunciar que vai mudar a Constituição — e ele tem maioria para isso — para instituir a reeleição sem limites no país. É uma lei que só tem um beneficiário: o próprio Chávez. Enquanto o petróleo lhe garantir os dólares do assistencialismo, ele vai continuar no poder, comandando um simulacro de democracia. Ah, quanta inveja Miraflores provoca no Planalto!

Como vocês podem ler abaixo, os dois países não avançaram quase nada em ações bilaterais. E Chávez ainda consegue atrapalhar o Brasil e o Mercosul. A razão é muito simples: à parte o seu petróleo, ninguém quer saber dele, um maluco com retórica exacerbadamente antiamericana, que diz estar dando passos para conduzir a Venezuela ao socialismo. O Doido de Caracas está, imaginem só!, revendo os conceitos dessa tal “propriedade privada”. Com Chávez, o Mercosul vira um circo.

Mas Lula, está posto, é seu principal aliado. A grande imprensa gosta de supor que o Foro de São Paulo, que reúne líderes e partidos de esquerda da América Latina, fundado por Lula, é uma fantasia um tanto paranóica. Claro! Prefere acreditar que os que acusam a sua existência apontam para alguma entidade secreta. Para começo de conversa, de secreta não tem nada. O PT e o presidente se orgulham de seu feito. O Foro de São Paulo é isso que vimos nestes dois dias: Chávez vem ao Brasil anunciar o seu projeto ditatorial, comemora com Lula e ainda se atreve a oferecer o “seu” petróleo para o crescimento do Brasil (leia abaixo). À esteira da reunião, ficamos sabendo que o Apedeuta pretende visitar o ditador Fidel Castro. O Foro de São Paulo é o que vimos na Bolívia: Evo Morales “tomou” a Petrobras do Brasil, mas não de Lula, que deu de presente a empresa dos brasileiros aos “oprimidos” bolivianos. O Foro de São Paulo é esta contínua degradação da democracia no continente.

O governo Lula, no fim das contas, é isto: enquanto o chefe da nação confraterniza com um tiranete de manual, ambos sonhando com a constituição de um novo eixo de poder no mundo de que seriam protagonistas, os brasileiros penam nos aeroportos: sem avião, sem banho, sem comida, sem o direito de ir e vir. O presidente quer distância da crise. Ela acontece num outro país: o real. Deixa o homem sonhar. Ele prefere as utopias redentoras que o espírito do vinho anima. Dois provincianos perdidos no oco da América Latina a planejar irrelevâncias para povos cada vez menos relevantes...


* http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/

segunda-feira, dezembro 04, 2006

AS SETE PRAGAS DO BRASIL

Será possível construir no Brasil uma sociedade livre, democrática e consciente e assentada num ambiente econômico de plena liberdade e de desenvolvimento integral ? Acredito que sim. Não a curto prazo, mas dentro de um período razoável, em que os jovens de hoje ainda possam usufruir dos frutos desta desejada nova era.Mas, nada de falsas utopias. Para se chegar lá é preciso de muito trabalho,estudo, esforço e poupança. E que nos livremos destas sete pragas que infestam o país e nos impedem de trabalhar e de construir.


Sete pragas do Apocalipse são profecias. As pragas do Brasil são reais.

AS SETE PRAGAS DO BRASIL

Tal como no Egito bíblico, o Brasil tem sido vitima de sete terríveis pragas, que dificultam o seu desenvolvimento. Diferente, entretanto, do Antigo Egito,as pragas que assolam o nosso país não são desígnios de algum deus, mas tão somente um castigo que nos tem sido imposto por uma casta de privilegiados que se apossou do estado brasileiro.Isto mais a permanência entre nós de certos costumes que criaram raízes, e que são frutos de uma mistura de tradição e de ignorância, explicam o fato do Brasil não andar para frente.

As tais pragas penetraram bem fundo nas nossas estruturas econômicas, políticas e sociais, e, algumas delas, se incorporaram à nossa própria cultura. Sendo assim, o Brasil passou a ser o país aonde o futuro nunca chega, e onde todo esforço no sentido do desenvolvimento resulta inútil, a não ser que nos livremos de cada uma delas.São as seguintes pragas que infestam a vida brasileira: descaso com a educação; gigantismo do Estado; ausência do Estado; desqualificação dos nossos políticos; concentração de renda; corporativismo; populismo.Vamos a cada uma delas.

1- O DESCASO COM A EDUCAÇÃO. Nossos governantes sempre trataram a educação das crianças e dos jovens com desprezo. A educação pública sempre foi tema da demagogia eleitoral, mas passadas as eleições nada é feito para eleva-la à um nível de excelência.Os ricos se socorrem das escolas particulares , que ainda oferecem uma qualidade de ensino menos ruim do que as públicas. Os pobres ficam condenados a engolir um ensino de péssima qualidade, ministrado por professores desqualificados e desmotivados pelos baixos salários. O resultado é evidente: anualmente milhões de jovens concluem o ensino fundamental ou médio completamente despreparados tanto para o mercado de trabalho quanto para o exercício da cidadania. O principal meio para a sua ascensão social lhes é negado pela omissão do Estado, através dos sucessivos governos.

2- O ESTADO GIGANTE. O Estado brasileiro se agigantou de tal modo a se tornar no grande empecilho ao desenvolvimento.Isto , nas três esferas de poder ( executivo, legislativo e judiciário ), e nos três níveis da administração( federal, estadual, municipal ). A máquina estatal, com o seu cipoal de regulamentos, e sua pesadíssima carga de tributos - cerca de 40% do PIB - tira todo o estímulo ao livre empreendimento econômico e, portanto, contribui para a estagnação econômica e para o desemprego.Os empresários e os trabalhadores são tratados como se servos medievais fossem,tal o número de impostos, taxas e contribuições que são compelidos a depositar nos cofres estatais.Ao invés de ser um agente da promoção do desenvolvimento e do incentivo à livre-iniciativa, o estado brasileiro, ao impor estas barreiras acaba por desestimular a instalação legal de empresas, levando muitos à informalidade, o que faz com que a pesada carga tributária caia sobre um número menor de empreendedores, aqueles que permanecem na legalidade. E isto gera um ciclo vicioso pois os custos dos empreendimentos são repassados ao consumidor, com o encarecimento do produto final.Mas, o pior é o destino que é dado ao que o governo retira do povo: uma grande parte, é claro, vai para o custeio desta onerosa máquina estatal, outra parte, vai para as mãos do sistema financeiro, como forma de juros de dívidas contraídas no passado.

3- O ESTADO AUSENTE. Paradoxalmente, o Estado brasileiro se faz ausente onde mais deveria se fazer presente. No campo social - educação, saúde, segurança e justiça - chega a ser criminosa a omissão dos agentes do Estado no cumprimento de funções que lhes são inerentes. Ao invés de aplicar políticas efetivas no campo social, os sucessivos governos têm se esmerado em promover políticas meramente assistencialistas que só fazem perpetuar o problema. Exemplos desta omissão estão nas filas dos hospitais públicos, no crime organizado que toma conta das favelas e bairros periféricos, das escolas depredadas, dos bairros sem saneamento, e por aí vai. O paradoxo está em que o estado se torna presente e eficiente quando se trata de tomar o dinheiro do contribuinte ,e completamente ausente quando se trata de prestar serviços à população.

4- A ( PÉSSIMA ) QUALIDADE DOS POLÍTICOS. O nosso país tem sido castigado, eleição após eleição, com uma safra de políticos que nos dão pouquíssimas esperanças de que as coisas vão melhorar algum dia.Com as poucas e honrosas exceções de sempre, os nossos políticos têm se caracterizado pelo cultivo ao carreirismo, ao nepotismo,ao fisiologismo, à demagogia e ao populismo, quando não encontramos casos de corrupção explícita.Fazem da atividade pública menos um meio para se promover o bem coletivo do que um caminho para se alcançar e se perpetuar no poder, com tudo o que isso pode trazer de benefício pessoal. Alguém já disse que os políticos de um país são o retrato fidedigno do povo que os elegeu. Se assim for, o retrato do povo brasileiro não é nada dignificante.Prefiro acreditar que os nossos políticos sejam uma cópia corrompida do nosso povo, não um retrato fiel.E que a melhor qualificação do nosso povo através da educação tornará possível também um quadro de políticos mais qualificados e honrados.

5- A RENDA CONCENTRADA. O Brasil é um país extremamente desigual, onde a maior parte da renda está concentrada nas mãos de meia dúzia. Este é um fato gritantemente óbvio, e o argumento preferido de certos setores da esquerda para desqualificar o sistema capitalista e a liberdade econômica.Segundo eles, é o sistema capitalista em sua versão mais liberal o grande gerador da concentração de renda e da conseqüente desigualdade social aqui existente.Ao contrário do que afirmam, é justamente a falta de tradição do país no campo da livre-iniciativa e dos empreendimentos lucrativos que geram empregos e democratizam a renda, a razão de tamanha desigualdade.Esta tradição é que possibilitou no país o crescimento das instituições parasitas, que são, estas sim , as verdadeiras responsáveis pela concentração da renda nacional.Falo do Estado brasileiro que arrecada em impostos cerca de 40% do PIB nacional e também do sistema financeiro especulativo - bancos - beneficiado pela política de juros altos. São estes os maiores responsáveis pela concentração de renda no país.Num país onde muitos se acostumaram a viver das benesses do Estado e da especulação financeira,os setores produtivos ligados ao capital e ao trabalho são os maiores prejudicados. Talvez aí esteja a explicação do porquê o governo e os bancos neste país se entenderem tão bem.

6- O CORPORATIVISMO. Outra herança típica do medievalismo que ainda se faz presente em nossa mentalidade é o corporativismo que permeia a maioria das associações de classe, sindicatos profissionais e patronais, conselhos profissionais, partidos políticos e associações diversas.A maioria deles é incapaz de enxergar além dos próprios umbigos. Colocam a defesa dos seus interesses particulares acima de quaisquer interesses de ordem mais abrangente. O corporativismo é mais grave ainda porque se torna um valor em si mesmo, um fim a ser alcançado pelos agentes de instituições públicas.É o que acontece quando congressistas e magistrados defendem, cinicamente, o aumento dos seus próprios vencimentos e de suas mordomias, ou quando tentam acobertar colegas pilhados em atos pouco dignos.Também no campo privado, a falta de tradição para a concorrência, e a falta de iniciativa no campo do livre empreendimento , levam muitos a se associarem em alguma forma de cartel, que não tem outro objetivo a não ser o de impedir a entrada de novos concorrentes. Tudo isto é um entrave ao desenvolvimento.

7- O POPULISMO. É outra marca registrada do Brasil. A fraqueza histórica das instituições, bem como a alienação política de grande parte da população,fizeram com que alguns governantes assumissem um certo tipo de liderança que, desprezando ou subjugando as instituições democráticas, procuraram manter uma relação direto com a massa popular, colocando-se como paladinos de suas causas.Alguns, como Getúlio Vargas, conseguiram relativo sucesso, outros , como Jânio e Collor, não passaram de meros farsantes. O fato é que o populismo no Brasil tornou impossível a existência de projetos de governo consistentes, de médio e longo prazo, uma vez que são características destes governos promessas demagógicas e políticas urgentes que atendam ao clamor da massa por medidas imediatas. Quase sempre, os governos populistas não terminam bem: Vargas suicidou; Jânio renunciou, Jango foi deposto por um golpe; Collor teve os seus direitos políticos cassados, e Lula ainda é uma exceção, porque mesmo carregando nas costas um governo denunciado por corrupção, teve apoio popular suficiente para se conservar no poder e ser reeleito com 60% dos votos válidos.Mas a sua história ainda não terminou. O fato é que no Brasil, a presença do populismo tem se mostrado trágica para a democracia, uma vez que atitudes irresponsáveis destes governantes têm levado à sucessão de crises políticas que acabam abrindo caminho para a instalação do autoritarismo, como aconteceu em 1964.. Os governantes populistas se fixam num anseio nacional e fazem dele a sua bandeira: Vargas tinha a defesa do nacionalismo e do trabalhismo; Jânio, a defesa da moralidade pública; Jango, as reformas de base; Collor, a caça aos "marajás", e Lula o combate à fome e ao desemprego.O populismo é uma chaga que enfraquece as instituições, tornando-as submissas ao executivo, desvaloriza os projetos sérios em troca de propostas demagógicas, fortalece o personalismo e o clientelismo político, enfraquece a cidadania e é um entrave à consolidação da democracia e ao progresso do país.

Será possível construir no Brasil uma sociedade livre, democrática e consciente e assentada num ambiente econômico de plena liberdade e de desenvolvimento integral ? Acredito que sim. Não a curto prazo, mas dentro de um período razoável, em que os jovens de hoje ainda possam usufruir dos frutos desta desejada nova era.Mas, nada de falsas utopias. Para se chegar lá é preciso de muito trabalho,estudo, esforço e poupança. E que nos livremos destas sete pragas que infestam o país e nos impedem de trabalhar e de construir.
041206

quarta-feira, novembro 29, 2006

SEM OPOSIÇÃO É FÁCIL

Lula já disse que governar para os pobres é fácil. Deve achar mais fácil ainda governar sem oposição. É o sonho de dez entre dez governantes com pouca afeição à democracia.; Não ter, constantemente, nos seus calcanhares, pessoas a criticar, fiscalizar, cobrar, organizar CPIs e tudo mais que é possibilitado à oposição fazer num regime democrático, deve ser o melhor dos mundos para este tipo de governante.

SEM OPOSIÇÃO É FÁCIL

Lula já disse que governar para os pobres é fácil. Deve achar mais fácil ainda governar sem oposição. É o sonho de dez entre dez governantes com pouca afeição à democracia.; Não ter, constantemente, nos seus calcanhares, pessoas a criticar, fiscalizar, cobrar, organizar CPIs e tudo mais que é possibilitado à oposição fazer num regime democrático, deve ser o melhor dos mundos para este tipo de governante.

Felizmente para a democracia, todos os governos anteriores ao atual ,desde o general Figueiredo, sofreram pesada marcação e não tiveram a tranquilidade que Lula pretende para o seu segundo mandato. O PT não permitiu. Fazendo uma oposição extremada e muitas vezes intransigente , Lula e seus companheiros praticaram durante as duas décadas e meia de oposição, tudo aquilo que, hoje, querem evitar que seja feito por seus adversários.

Lula ,guiado pelo seu Ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, se encantou com a palavra “coalizão” e partiu célere para cooptar o maior número possível de partidos, a começar, é claro, pelo sempre disponível e fisiológico PMDB. Não satisfeito, já fala em conversar com todos, inclusive com os de oposição, em busca de uma pretendida trégua, tão necessária a um governo que inicia um novo mandato com as feridas não fechadas do mandato anterior.

A oposição, formalmente representada pelo PSDB, PFL e PDT, tem se comportado de maneira dúbia e reticente. É certo que aos governadores destes partidos não interessa um clima de confronto com o governo, logo no início de seus mandatos.. Para isto, tendem a influenciar as suas bancadas no Congresso no sentido de votar favoravelmente ao governo ,em troca da boa vontade de Lula para com os seus respectivos governos.

No Congresso, este clima de boa vontade recíproca chegou a tal ponto que tem influenciado para pior o trabalho da CPI dos sanguessugas, que anda devagar, quase parando. Não fosse pela dedicação de alguns poucos parlamentares, à frente Fernando Gabeira e Raul Jungmann, e os trabalhos desta CPI estariam paralisados ou definitivamente encerrados por falta de quorum e de interesse. A oposição, antes tão assídua nos trabalhos de investigação, agora se ausenta e mostra pouco apetite, parecendo torcer para que tudo termine sem grandes traumas para o governo. Os “aloprados”, figuras menores neste imbróglio, que fiquem com a culpa de tudo.

Com um Congresso dócil, partidos políticos fisiológicos, e uma oposição pouco disposta à luta, os cerca de 40 milhões de eleitores que no segundo turno votaram em Alckmin, sinalizando o desejo de uma oposição forte e atuante, sentem-se, agora, órfãos.

291106

segunda-feira, novembro 27, 2006

A NOMENKLATURA BRASILEIRA

Felizmente, não vivemos sob o totalitarismo, e talvez não precisemos de uma revolução para colocar um freio neste festival de cinismo e desfaçatez de nossa nomenklatura tupiniquim. Mas algo precisa ser feito, em nome do aperfeiçoamento da nossa frágil democracia, e para o bem dos nossos bolsos.


A presidente do STF, Ellen Gracie, destacado membro da nomenklatura brasileira reividica um aumento salarial...

A NOMENKLATURA BRASILEIRA

O Brasil possui, como se sabe, uma casta de privilegiados que se alimenta fartamente do dinheiro público. São pessoas que, por força de eleição, nomeação ou concurso, ocupam posições de destaque na hierarquia política e administrativa e fazem de suas carreiras ou mandatos um negócio altamente rentável em comparação com a maior parte da população que vive as agruras do dia a dia na luta pela sobrevivência.

Estes privilegiados ocupam os altos escalões do executivo, do legislativo e do judiciário. São ministros do Supremo, desembargadores e juizes dos tribunais superiores, ministros dos tribunais de conta, ministros e secretários executivos dos diversos ministérios, procuradores de estado, deputados e senadores, presidentes de estatais e de autarquias, e muito mais.Com raras e honrosas exceções, costumam desfilar sua empáfia e prepotência diante dos pobres mortais que pagam os impostos que os sustentam. São especialistas na formulação de leis que os beneficiam, muito mais do que leis que beneficiam a maioria da população. Pouca importância parecem dar à causa pública, afinal de contas, a razão primordial da existência dos cargos que ocupam. São capazes de fazer belos discursos em defesa dos mais nobres propósitos, como os da moralização do setor público, da diminuição dos gastos perdulários, da racionalização da máquina pública até o ponto em que tais reformas não toquem nos seus privilégios. Neste ponto, o discurso muda e eles passam a defender a manutenção de suas vantagens como uma necessidade para se manter a “eficiência do estado”.

Para fundamentar o que eu estou a dizer, neste momento estamos assistindo a mais um episódio de cinismo e desfaçatez protagonizado pelos mesmos atores de sempre: membros do alto escalão do judiciário e do legislativo numa batalha pelo aumento de seus próprios vencimentos. Deputados e senadores consideram o seu salário básico – R$12.700,00 – insuficiente, e querem nada mais do que a sua equiparação ao salário dos ministros do STF que é de R$24.500,00, o que significa um aumento de 91%. Seria “irrisório’ o salário dos nobres parlamentares não fosse o fato de ele vir acompanhado de uma série de vantagens tais como verba de gabinete, verba indenizatória, cota postal e telefônica, auxílio moradia, passagens aéreas, material gráfico, o que eleva o total de vantagens a algo em torno de R$103 000,00 mensais.A reação a mais esta tentativa de assalto aos cofres do contribuinte se faz através da criação de um comitê suprapartidário, cujo núcleo é constituído pelos deputados Raul Juungmann e Fernando Gabeira, e pelos senadores Jefferson Peres e Heloisa Helena.Menos mal assim.

Um aumento salarial desta ordem, além de ser um tapa na cara do cidadão contribuinte que acaba de participar de uma eleição onde os discursos e promessas dos candidatos salientavam nobres ideais no campo da educação, saúde , crescimento econômico e segurança, provocaria o efeito cascata, se multiplicando pelas assembléias legislativas e câmaras de vereadores de todo o Brasil.

Mas engana-se quem pensa que os privilegiados parlamentares federais estão solitários na luta por melhores salários. Eles têm a companhia dos não menos privilegiados membros do poder judiciário. Neste caso, a reivindicação parte da própria presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministra Ellen Gracie, que alegando uma sobreposição de atividades e sobrecarga de trabalho dos conselheiros reivindica a criação de um jeton de 12% por sessão do Conselho, o que posto em prática elevaria a remuneração de 14 conselheiros de R$ 23.275,00 para R$28.861,00. A própria Ellen Gracie que já recebe o teto de R$24.500,00, passaria a receber R$30.380,00.

Na década de 1980, uma das razões mais fortes para a derrocada do totalitarismo comunista na URSS e nos seus satélites da Europa Oriental, foi a constatação da existência na estrutura do estado de uma casta de cidadãos privilegiados que comandavam a máquina partidária e estatal e que eram em tudo e por tudo diferentes do restante da população. Detentores de mansões, casas de campo, automóveis de luxo e bens de consumo inacessíveis à maioria do povo, a nomenklatura soviética – nome pelo qual era conhecida esta casta de burocratas – soube construir o seu paraíso particular dentro do inferno de trabalho servil, pobreza e repressão política que constituía a vida da maioria do povo. Quando este desconfiou que no socialismo havia os mais iguais dentre os iguais, a queda do regime foi inevitável.

Felizmente, não vivemos sob o totalitarismo, e talvez não precisemos de uma revolução para colocar um freio neste festival de cinismo e desfaçatez de nossa nomenklatura tupiniquim. Mas algo precisa ser feito, em nome do aperfeiçoamento da nossa frágil democracia, e para o bem dos nossos bolsos. Não vamos pregar a extinção dos tribunais e das câmaras legislativas. Mas precisamos reafirmar o fato de que o preço da liberdade é a eterna vigilância, e este comportamento imoral destes altos servidores se dá, sobretudo, pelo nosso alheamento e pela nossa passividade. O fato é que quão menos atenta e vigilante estiver a sociedade, mais os grandes saguessugas do dinheiro público continuarão a agir, protegidos pelo manto da legalidade constituída por leis por eles mesmos elaboradas em seu próprio benefício.
271106

sexta-feira, novembro 24, 2006

OPOSIÇÃO NECESSÁRIA

Apóio a idéia do presidente de dialogar, mas deixo minha preocupação com a intenção de cooptar. Não há democracia em que todos apóiem o governo (CB)


O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse hoje ser contra a participação do seu partido em um eventual governo de coalizão. Apesar de não discordar com a conversa que os dirigentes pedetistas terão com o presidente Lula na próxima terça-feira, Cristovam disse que não participará desse encontro, mas antecipou sua posição, em discurso no plenário, ao alertar que a coalizão é um risco para a democracia. "Isso anula a oposição e sem oposição não existe democracia", afirmou.

O senador receia, inclusive, que o presidente tente uma manobra para conseguir um terceiro mandato, com o apoio de todos os partidos. O caminho para isso, segundo ele, seria aprovar o fim da reeleição, no Congresso, e recorrer à Justiça para que ele tenha o direito de também se candidatar, como se fosse pela primeira vez. "Acho que o Lula está querendo a unanimidade dos partidos e isso não é bom". Cristovam afirmou ser favorável ao diálogo com o presidente e que considera isso positivo. No entanto reconhece que o PDT pode colaborar com o país de outra forma. "Não estamos em guerra contra um outro país. Estamos em guerra é com a desigualdade e com o atraso".

Ele disse que acha muito difícil que o diretório nacional do partido venha a tomar qualquer decisão de apoio. Na avaliação de Cristovam, Lula estaria na verdade cooptando com a oposição. "Quem coopta se beneficia da fragilidade do outro". Ele lembrou que quando foi governador do Distrito Federal ele achou importante ter uma oposição. "Claro que para o presidente da República é melhor ser ditador. Mas isso não é bom para a democracia, que precisa de oposição", repetiu.

http://ultimosegundo.ig.com.br/

quinta-feira, novembro 23, 2006

POBRE FUTEBOL

O falecido treinador Flávio Costa costumava dizer que o futebol brasileiro só era eficiente dentro das quatro linhas, já que fora delas a desorganização era total. Isto num tempo em que os maiores craques ainda desfilavam pelos nossos gramados. Hoje em dia, a desorganização e o pouco profissionalismo afetaram o brilho dos gramados.


Ronaldinho, do Barcelona: O melhor futebol do Brasil é jogado na Europa.
------------------
O atual futebol brasileiro vive uma situação parecida com a de países colonizados , ricos em recursos naturais, porém meros fornecedores de matérias-primas para as nações desenvolvidas. Transformou-se, nas últimas décadas, em uma grande fornecedor de jogadores para clubes europeus, asiáticos e norte-americanos. Mal o jogador, ainda muito jovem, alcança um certo destaque, já é negociado, geralmente por meio de algum “empresário”, para clubes no exterior. A situação chegou a tal ponto que os campeonatos disputados no Brasil se ressentem da completa ausência de craques e de ídolos, uma vez que estes desfilam suas habilidades em gramados europeus.

Se no passado, por exemplo, o Santos podia se orgulhar de Pelé, o Botafogo de Garrincha, o Palmeiras de Ademir da Guia, o Flamengo de Zico, o Cruzeiro de Tostão, hoje estes e outros clubes mal conseguem manter o mesmo time além de seis meses, tamanha é a movimentação de jogadores de um clube para o outro e, principalmente, para o exterior. O resultado é uma queda drástica, para pior, na qualidade do futebol disputado no Brasil.

A forma amadora como os nossos clubes são dirigidos é outro fator determinante para a queda da qualidade do nosso futebol. Dirigentes que fazem dos clubes de futebol verdadeiras propriedades particulares, exercendo o poder de modo discricionário, à revelia da maioria dos torcedores, são rotina no nosso futebol.

Manipulando o poder, sustentados por conselheiros, apanigüados e chefes de torcida comprados, trabalham no sentido de conservar indefinidamente o status quo. Assim, a maioria dos nossos clubes se torna entidades fechadas, nada democráticas e completamente refratárias a mudanças. Junta-se a este quadro o fato de as federações estaduais e a própria CBF, da mesma forma que a maioria dos clubes, serem controladas por oligarquias que se perpetuam no poder através da fraude eleitoral e da manipulação de verbas. Nada ficam a dever às práticas corruptas e fisiológicas de grande parte dos nossos políticos profissionais.

Evidentemente, um futebol gerido desta forma não tem força competitiva para segurar no Brasil os craques que hoje brilham em gramados do exterior. Quando um clube consegue implantar um modelo de gestão acima da média, os resultados não tardam a aparecer. É o caso do São Paulo, que não por outro motivo acaba de conquistar o campeonato nacional com todos os méritos.

O falecido treinador Flávio Costa costumava dizer que o futebol brasileiro só era eficiente dentro das quatro linhas, já que fora delas a desorganização era total. Isto num tempo em que os maiores craques ainda desfilavam pelos nossos gramados. Hoje em dia, a desorganização e o pouco profissionalismo afetaram o brilho dos gramados. O atual futebol praticado no Brasil é uma espécie de segunda divisão do “futebol brasileiro” jogado na Europa. Lá estão os melhores jogadores. Aqui ficam os jogadores em fim de carreira, os apenas razoáveis e os ainda muito jovens. O melhor futebol do Brasil é jogado na Europa.
231106

quarta-feira, novembro 22, 2006

O FALSO DESENVOLVIMENTISMO

Nada está a indicar que Lula estaria disposto a aplicar aquilo que os governantes gostam de chamar “choque de gestão”, ou seja, fazer o setor público ficar mais eficiente com a redução drástica de órgãos, cargos e funções inúteis , de tal modo que mais recursos possam ser destinados para setores prioritários da administração. O que não acontece atualmente.


A busca do crescimento a todo custo poderá trazer de volta a corrida inflacionária.
----------------

Aumentam as pressões para que o segundo mandato de Lula seja marcado pelo aumento da capacidade de investimentos do Estado, numa tentativa de acelerar o crescimento econômico do país, um dos pontos fracos do seu primeiro mandato.Como se sabe, sob pressão do FMI e motivado pela necessidade de dar continuidade à política econômica restritiva que vinha sendo adotada desde o governo FHC, Lula, através da dupla Palocci-Meirelles, manteve uma política econômica onde os pilares fundamentais foram a manutenção de superávits primários como forma de honrar as dívidas, o estabelecimento de metas inflacionárias e a manutenção das taxas de juros em níveis elevados.

Se o resultado de tal política, por um lado, garantiu a manutenção da estabilidade monetária, com taxas inflacionárias reduzidas, por outro lado, e segundo os atuais defensores do “desenvolvimentismo”, foi a razão principal do pífio crescimento econômico no primeiro quadriênio do governo Lula.Não é por outro motivo que em setores da oposição e dentro dos próprios quadros do governo, inicia-se um movimento pela mudança da política econômica, no sentido de liberta-la das amarras do monetarismo do Banco Central, dando ao governo mais flexibilidade nos gastos públicos, principalmente no que se refere a investimentos em infra-estrutura.Que os investimentos em infra-estrutura são necessários, é inegável. Mas o perigo reside no fato de que o aumento desordenado dos gastos possa conduzir à disparada inflacionária.O que fará com que o desejado crescimento se dê sobre bases inseguras.

Mas estará na política adotada pelo Banco Central a causa principal do entrave ao crescimento econômico? A meu ver, a atual baixa capacidade de investimento do Estado se deve muito menos à política econômica mantida pelo Banco Central e muito mais aos excessivos e inúteis gastos governamentais com a manutenção da máquina governamental ,com a Previdência Social, e com as políticas assistencialistas de cunho populista. E, sob este ponto de vista, nada está a indicar que Lula estaria disposto a aplicar aquilo que os governantes gostam de chamar “choque de gestão”, ou seja, fazer o setor público ficar mais eficiente com a redução drástica de órgãos, cargos e funções inúteis , de tal modo que mais recursos possam ser destinados para setores prioritários da administração. O que não acontece atualmente. Mesmo com a racionalização do setor público e uma redução drástica nos gastos inúteis, obras de infra-estrutura necessitam de uma soma de recursos muito além da capacidade de investimento do Estado.Sendo assim, uma solução poderia vir do incremento das parcerias Público Privadas – as PPPs – como modo de aliviar o estado da carga de investimentos necessária para impulsionar o desenvolvimento.

É necessário acentuar que o desejado crescimento econômico do País está muito mais ligado à liberação das forças produtivas da iniciativa privada do que à interferência do Estado no processo econômico, como muitos estão a exigir agora. Este já faria muito se aliviasse os setores produtivos da complexidade burocrática e da carga de impostos aos quais estão submetidos. A cultura secular de que tudo depende da atuação onipresente e centralizada do Estado tem que ser substituída pela cultura de uma ampla liberdade individual e econômica, ancorada na presença de um estado enxuto, porém eficiente e voltado integralmente para seus objetivos básicos: educação, saúde , segurança e justiça. É o que falta ao Brasil.
221106

segunda-feira, novembro 20, 2006

AQUELA MESMA VELHA HISTÓRIA

Talvez para a imensa clientela de Lula, responsável pela sua recondução ao cargo por mais quatro anos, pouco importa a maneira como se processam estas negociações. Mas para o cidadão consciente, que espera um mínimo de ética nas relações entre os políticos, os preparativos para o segundo mandato estão a ocorrer num ambiente tão nebuloso e suspeito quanto o do primeiro mandato.


Lula quer governar com a pior parte do PMDB

Volta aquela mesma velha história.Lula precisa de maioria no Congresso para governar. Os partidos fisiológicos querem cargos e prestígio no governo que se inicia. Então estamos conversados: as negociações se dão, não em torno de idéias, teses, princípios e projetos, mas em nome de poder, influência e prestígio.

Com o PT enfraquecido pelos escândalos, mais uma vez a bola da vez está com o PMDB. Mas acontece que o PMDB é um gigante sem unidade, uma federação de partidos regionais, cada qual entregue à liderança de um cacique político, que se movem na direção do governo ou na direção oposta, dependendo das circunstâncias.Existem , portanto, um PMDB de Quércia, outro de J Sarney, outro de Jader Barbalho, outro de Renan Calheiros, outro de Sérgio Cabral,outro de Roberto Requião, e assim por diante. Existe, ainda, uma ala do PMDB, representada principalmente por gaúchos e catarinenses que parece querer preservar o verniz ideológico do antigo MDB. Mas é uma ala minoritária. A maioria quer se mover na direção o governo.

Início de mandato , mesmo que seja de um governo moralmente desmoralizado como o de Lula, é sempre uma fonte de atração para políticos e partidos que não pensam em outra coisa a não ser disputar, ministérios , secretarias, estatais, autarquias, e cargos em comissão, como cães disputam o osso. Lula já definiu quem será o seu aliado preferencial na busca pela governabilidade: é o PMDB de Sarney, Calheiros e Barbalho, políticos, como se sabe, com pouca tradição de ética, honradez e seriedade.

Talvez para a imensa clientela de Lula, responsável pela sua recondução ao cargo por mais quatro anos, pouco importa a maneira como se processam estas negociações. Mas para o cidadão consciente, que espera um mínimo de ética nas relações entre os políticos, os preparativos para o segundo mandato estão a ocorrer num ambiente tão nebuloso e suspeito quanto o do primeiro mandato.Portanto, nada de novo a nos induzir que o “novo” governo de Lula será menos ruim do que o que está por findar.
201106

quinta-feira, novembro 09, 2006

AVISO PRÉVIO

Seria um final melancólico para um presidente que iniciou o seu mandato sob a desconfiança de muitos que o julgavam fraco e incapaz, atingiu o auge da popularidade e do prestígio após os atentados de 11 de setembro de 2001,envolveu-se numa aventura militar insolúvel e retorna, agora, ao ponto de partida, vendo crescer a desconfiança e a rejeição da maioria do eleitorado norte-americano.




AVISO PRÉVIO

Feliz dos Estados Unidos cujas eleições parlamentares ocorrem em ocasião diferente da presidencial. Podem, ,desta forma, os eleitores avaliarem os erros e acertos tanto do Presidente quanto do Congresso e dar a resposta certa no momento exato. As eleições parlamentares que acabam de ocorrer nos Estados Unidos foram uma forma de julgamento tanto da maioria parlamentar republicana que prevalece desde 1994, quanto da administração de Bush. E pelo resultado final, os eleitores exigiram um basta no que estava ocorrendo: deram uma significativa vitória aos democratas.

Foram várias as causas da insatisfação do eleitorado em relação ao Congresso de maioria Republicana da última legislatura . As queixas envolviam principalmente os seguidos escândalos sexuais ,uma onda de corrupção que teria ser espalhado entre os Republicanos ,e a cultura da preguiça que fez com que esta legislatura tenha sido a menos produtiva e a que teve menor número de sessões nas últimas décadas.

Já em relação a Bush, o eleitorado lançou uma aviso prévio, por conta, principalmente, de sua desastrada aventura no Iraque , que levou a um grande desperdício de vidas e de dinheiro ,e a nenhum resultado prático. O outro calcanhar de Aquiles da administração Bush e que pode ter pesado na decisão do eleitorado, é a questão ambiental. Como se sabe, ao se recusar a assinar o Protocolo de Kyoto, que estabelece metas para redução da emissão de gazes poluentes que comprometem o clima ,, acelerando o aquecimento global, Bush teve a oposição ate mesmo de muitos de seus correligionários Republicanos. No ano passado, por exemplo,168 prefeitos de 37 estados americanos ,entre Republicanos e Democratas se comprometeram a reduzir a emissão de gazes em 7% até2012,numa atitude independente das resoluções da Casa Branca.


Bush, em que pese suas políticas simpáticas à classe média ,com a redução de impostos ,parte para seus dois últimos anos de mandato com sua saúde política seriamente comprometida ,e sob o risco de não eleger o seu sucessor daqui a dois anos. Seria um final melancólico para um presidente que iniciou o seu mandato sob a desconfiança de muitos que o julgavam fraco e incapaz, atingiu o auge da popularidade e do prestígio após os atentados de 11 de setembro de 2001,envolveu-se numa aventura militar insolúvel e retorna, agora, ao ponto de partida, vendo crescer a desconfiança e a rejeição da maioria do eleitorado norte-americano.

091106

segunda-feira, novembro 06, 2006

MARCAÇÃO CERRADA

Como nada está a indicar que Lula tenha tomado juízo e vergonha na cara, a pauta da oposição e de setores democráticos da sociedade não pode ser outra que não a de fazer marcação cerrada sobre o governo. É óbvio e natural que o governo reagirá com o surrado argumento de que a oposição está a praticar o golpismo. Não está. Golpismo é a prática da agressão sistemática e frontal ás instituições, tal como ocorreu no primeiro mandato de Lula. E ao iniciar o segundo mandato, tentar passar a borracha e fingir que nada aconteceu. O fato é que raras vezes na História do Brasil um presidente inicia o mandato sob um manto de tamanha suspeita, desconfiança e contestação da parte dos setores que prezam a legalidade, a ética e a democracia.



Fantasmas do primeiro mandato atormentam o novo mandato de Lula.

CADÁVERES INSEPULTOS
Nada no horizonte político está a indicar que o segundo mandato de Lula será promissor e auspicioso. Pelo contrário, tudo indica que teremos a continuidade de um governo medíocre e conturbado por crises. Crises geradas dentro do próprio governo, é bom que se diga e repita.. Lula carrega para o segundo mandato toda a carga de ilegalidades, malfeitos e trapalhadas praticadas pelo seu governo ao longo do atual mandato. Seu governo está sub judice. Pelo menos, três questões que envolvem ética pública e legalidade estão ainda para serem esclarecias e julgadas.

Na primeira destas três questões, o TSE apura se houve abuso de poder e corrupção eleitoral na tentativa de compra do dossiê contra políticos tucanos por parte de pessoas diretamente ligadas ao Presidente e envolvidas em sua campanha eleitoral. Caso seja comprovada a prática de ilegalidade, Lula poderá ter o seu mandato impugnado a pedido do procurador de República ou dos candidatos derrotados à presidência.

Também está sob investigação pelo TCU o caso de superfaturamento que teria ocorrido, sob responsabilidade do ministro Luiz Gushiken , na confecção de 4,9 milhões de cartilhas promocionais do governo lula. O TCU desconfia que parte do serviço nem foi executada, mas o dinheiro – 11,7 milhões – destinado ao pagamento com certeza saiu dos cofres da União.

O terceiro caso sob investigação, desta vez no âmbito do Congresso, se refere ao superfaturamento de ambulâncias entregue a prefeituras, conhecido como o escândalo da máfia das sanguessugas.Os ex-ministros da Saúde Humberto Costa e Saraiva Felipe foram convocados pela CPI para esclarecer como foi possível um esquema desta envergadura atuar junto ao Ministério sem que eles tivessem conhecimento, como alegam.

Estes três são apenas os casos mais recentes. É bom não esquecer que a denúncia do Procurador Antonio Fernando de Souza, envolvendo 40 pessoas direta ou indiretamente ligadas ao governo com o esquema valerioduto-mensalão está sob análise no STF e poderá voltar à superfície a qualquer momento, com danos definitivos ao governo e à figura do presidente.

Recentes declarações de lideranças da oposição dão a entender que o combate ao governo Lula se fará sem tréguas. Assim tem que ser. Por seu turno, membros do governo, como o ministro Tarso Genro apelam para uma espécie de “conciliação nacional” com o propósito da elaboração de uma agenda mínima, consensual, para a primeira fase do novo mandato de Lula. Dentro da normalidade,seria razoável que a oposição ouvisse este apelo e estabelecesse um período de trégua, quando menos para observar a sinceridade de propósitos do governo que se inicia. Seria razoável, repito, se estivesse o governo Lula a iniciar realmente um novo mandato. Novo, não somente no sentido cronológico, mas também no sentido moral e ético, demonstrando sinceridade de propósitos. Mas não é o que acontece.

Os cadáveres do primeiro mandato estão todos aí, muitos deles à mostra, sem terem sido submetidos à necrópsia, enquanto outros permanecem escondidos. Em nenhum momento do governo ou da campanha eleitoral, Lula teve a hombridade de vir a público reconhecer os erros de seu governo e pedir desculpas sinceras, se dispondo a colaborar para uma investigação profunda e assegurando que dali em diante tudo seria positivamente diferente. Pelo contrário, o tempo todo assistimos o presidente tentando se esconder, fingindo que não era com ele, mentindo continuamente e sendo complacente para com seus subordinados faltosos.Se agiu desta forma, e não fez o mea-culpa devido, é porque ele deve ter o que esconder.

O segundo mandato promete ser uma continuação piorada do primeiro. Na formação da futura maioria no Congresso o presidente já negocia apoios para a formação do novo governo nos mesmos moldes em que atuou para formar o governo que agora se encerra. Lula negocia com o PMDB e com os pequenos partidos, dentro do mesmo esquema fisiológico do toma-lá-dá-cá que marcou o atual mandato, e que foi a origem do mensalão denunciado por Roberto Jefferson.

Portanto, como nada além do apelo de alguns políticos petistas pela conciliação, está a indicar que Lula tenha tomado juízo e vergonha na cara, a pauta da oposição e de setores democráticos da sociedade não pode ser outra que não a de fazer marcação cerrada sobre o governo. É óbvio e natural que o governo reagirá com o surrado argumento de que a oposição está a praticar o golpismo. Não está. Golpismo é a prática da agressão sistemática e frontal ás instituições, tal como ocorreu no primeiro mandato de Lula. E ao iniciar o segundo mandato, tentar passar a borracha e fingir que nada aconteceu. O fato é que raras vezes na História do Brasil um presidente inicia o mandato sob um manto de tamanha suspeição, desconfiança e contestação da parte dos setores que prezam a legalidade, a ética e a democracia.

061106

domingo, novembro 05, 2006

CHINA

Muito curiosa é a situação da China.Se de um lado consegue se modernizar e avançar no campo da tecnologia, da produção industrial e do comércio, por outro conserva um sistema político fechado, arcaico e totalitário.Se no campo da economia deu um chute nos dogmas econômicos comunistas, no campo da política mantém com mão de ferro a mesma estrutura burocratizada, herdada dos tempos do maoísmo.



Os bolsões de riqueza estão localizados nas grandes metrópoles e se comparam, pelo seu dinamismo, aos vizinhos Japão e Tigres Asiáticos Os bolsões de miséria se multiplicam no interior,onde persiste uma agricultura rudimentar, e se comparam ao que de mais atrasado existe no continente asiático.A elite dominante da China abriu espaços para a modernização do país como única forma de sua sobrevivência . Mas tal situação não pode persistir assim por muito tempo, pois os ares da modernização trazem consigo as propostas de liberdade e de democracia. Até quando a elite dirigente, herdeira do velho comunismo de Mao-Tsetung vai se sustentar no poder?

sexta-feira, novembro 03, 2006

RETALIAÇÃO E INTIMIDAÇÃO

O fato é que quando um governante autoritário resolve usar o seu arsenal contra a imprensa, a luta se torna muito desigual. De um lado, a imprensa tem apenas a força da palavra.Do outro, o governante, levado ao extremo, tem o argumento das armas. O Brasil já assistiu a este filme nas décadas de 60 e 70.



Na URSS, só existia uma verdade:a do Partido

RETALIAÇÃO E INTIMIDAÇÃO
Conviver com a imprensa num regime democrático não é fácil para certos governantes. Para estes, maravilhoso seria se pudessem governar um país onde a diversidade de opiniões fosse sufocada e reduzida a uma única verdade - pravda, em russo -, em nome de um suposto interesse coletivo, que nada mais é do que o interesse do grupo ou grupos que ocupam o poder.As manifestações agressivas contra a imprensa de muitos petistas, na semana seguinte á vitória de seu líder nas urnas, são motivo de preocupação e temor entre aqueles que prezam a democracia e a liberdade de opinião.

Vejamos algumas destas manifestações. O site oficial do PT na internet publicou artigos e reportagens contrários ao que seus autores definem como “comportamento parcial da imprensa”na campanha eleitoral.Entre os alvos de suas críticas não escapou nem mesmo a apresentadora de TV Ana Maria Braga, por seu suposto apoio ao candidato Alckmin.No site petista pode ser encontrada também textos em defesa da atitude de militantes do partido que agrediram jornalistas que trabalhavam na cobertura da festa da vitória, bem como um artigo do Secretário de Relações Internacionais, Walter Pomar, no qual ele afirma que “uma parte da imprensa continua a serviço de quem perdeu as eleições. E depois querem falar em objetividade jornalística...” Enfim, o tom predominante nas críticas petistas é que a imprensa perdeu a credibilidade junto ao povo durante a campanha.

Mas estas manifestações no site do partido seriam pouco preocupantes se não estivessem acompanhadas por outras de gente mais importante e também por ações que consolidam a certeza de que está em curso um processo de retaliação e intimidação contra a imprensa. Principalmente contra os órgãos mais críticos deste governo. A mais preocupante ocorreu na terça feira passada, quando dois jornalistas da revista Veja foram constrangidos e intimidados na Polícia Federal, sob o pretexto de uma investigação interna do órgão para apurar responsabilidades nos fatos citados na reportagem destes jornalistas, publicada na última edição da revista.

As declarações de alguns figurões do partido e do governo, como também do próprio presidente, serviram para acirrar os ânimos e colocar mais lenha na fogueira das relações entre o governo e a imprensa. Numa delas, o presidente do PT, Marco Aurélio Garcia exige que os meios de comunicação revejam suas criticas ao governo, e impõe como obrigação da imprensa um “pedido de desculpas” pelo tratamento dado aos escândalos de corrupção. Em outra declaração, o mesmo Marco Aurélio sugere que os jornalistas cuidem de suas obrigações, que o PT sabe cuidar de si. Em outro momento, o ex-ministro Ciro Gomes, fiel cão de guarda deste governo, provavelmente de olho num futuro ministério defende que as concessões e financiamentos públicos à órgãos de imprensa sejam feitos exclusivamente para veículos “amigáveis”.Por fim, o presidente Lula, tentando jogar água na fogueira, cometeu um ato falho ao dizer que “ a retaliação não é conveniente, pois transforma a imprensa em vítima”. Quer dizer, Lula não repudia os ataques de seus partidários à imprensa por convicção democrática, mas sim por uma opção tática. A emenda presidencial saiu pior que o soneto.

É público, notório e inegável que durante o seu governo e na campanha eleitoral, o presidente foi alvo de reportagens e críticas contundentes, e algumas até mesmo injustas, por parte de alguns órgão da imprensa, em especial da revista Veja.Mas também foi o centro de muitas reportagens benevolentes e bajuladoras de outros órgãos como as revistas Carta capital e Isto É.Ótimo que assim tenha sido. Críticas e elogios fazem parte do jogo democrático, e cada órgão de imprensa, não se pode negar este fato, tem a sua orientação política e ideológica. É perfeitamente natural, pois, que órgãos como a Editora Abril e o Estado de São Paulo, que nunca esconderam a sua posição em defesa do capitalismo, da livre iniciativa e do estado de direito, tenham um pé atrás em relação a um governo que parece não gostar de nenhuma das três coisas.

Se por alguma razão Lula se sentiu agredido em sua honra pessoal, ou vítima de alguma mentira ou calúnia, ele tinha como arma de defesa o instrumento da Justiça.Se não usou este instrumento,esperamos que não tenha sido com o propósito de estocar mágoas e ressentimentos como pretexto para a prática de arbitrariedades contra os meios de comunicação em seu segundo mandato. O fato é que quando um governante autoritário resolve usar o seu arsenal contra a imprensa, a luta se torna muito desigual. De um lado, a imprensa tem apenas a força da palavra.Do outro, o governante, levado ao extremo, tem o argumento das armas. O Brasil já assistiu a este filme nas décadas de 60 e 70.

Na Itália e na Alemanha, durante as décadas de 20 e 30, a perseguição à imprensa também se iniciou com militantes fascistas e nazistas agredindo jornalistas, quebrando e incendiando jornais. Foi o primeiro passo para que se eliminassem completamente as vozes da contestação aos regimes totalitários que estavam nascendo naqueles países.Esperamos que as recentes manifestações do PT contra a imprensa não sejam um indício de que este primeiro passo esteja sendo dado neste momento no Brasil de Lula.

031106

quarta-feira, novembro 01, 2006

O DILEMA DE BUSH

Bush parte enfraquecido para as eleições legislativas, e tendo diante de si um dilema: o que fazer com o Iraque?Aumentar ainda mais o efetivo militar na região poderia significar o mergulho num turbilhão sem fim, com o aumento do número de mortos e de feridos. A retirada total das tropas poderia significar o reconhecimento da inutilidade da empreitada e a desmoralização política de Bush e de seu partido, conduzindo certamente, não apenas à perda das eleições legislativas deste ano, mas também a perda da presidência.



O DILEMA DE BUSH

O presidente norte-americano George W Bush cumprimentou Lula pela vitória e aproveitou para pedir sugestões de como ganhar eleições. Como se ele não fosse também especialista no assunto, apesar de seu primeiro mandato ter sido conseguido de maneira duvidosa. O que preocupa Bush é o fato de ter se metido numa enrascada e correr o risco de perder para os democratas as eleições parlamentares de 7 de novembro. Tudo por conta do impasse surgido pela desastrada intervenção norte-americana no Iraque.

O sentimento contrario à intervenção é crescente na sociedade norte-americana, e isto se reflete nos resultados das pesquisas eleitorais que vêm dando uma vantagem aos democratas de 49% a 38% .Muitos dos que há cerca de três anos apoiavam incondicionalmente as ações de Bush, agora passaram a vê-las como inútil. Na verdade, todo este processo de intervenção armada promovida por Bush, sob o pretexto de varrer o terrorismo do mundo, se, aparentemente, foi coroado de êxito no Afeganistão -um quase deserto controlado por um bando de aloprados talibãs – no Iraque, revelou-se um colossal fracasso. Além de não ter eliminado o terrorismo, alastrou o caos e não conseguiu dar estabilidade ao arremedo de governo democrático imposto ao país. Enfim, transformou o país num sorvedouro de vidas e de dinheiro do contribuinte.

É bom recordar que há três anos, a sociedade norte americana, ainda traumatizada pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 apoiou incondicionalmente as ações agressivas de Bush no Iraque, mesmo que estas ações tenham sido deflagradas sob documentos falsos e pretextos falaciosos, como o que atribuía ao Iraque a posse de um grande arsenal de armas químicas de grande poder destrutivo.Mais tarde, o próprio governo norte-americano foi forçado a reconhecer que mentira.

O crescente envolvimento armado dos Estados Unidos no Iraque ressuscitou a lembrança da escalada norte-americana no Vietnã nas décadas de 60 e 70. Como se recorda, arvorando-se em justiceiro do mundo livre, os Estados Unidos envolveu-se numa desastrosa guerra não declarada contra o Vietnã do Norte e seu braço armado no Vietnã do Sul, os guerrilheiros comunistas do Vietcong. Em 1975, foi obrigado a se retirar, humilhado, da península indochinesa, e a assistir a unificação do Vietnã sob a tutela dos comunistas vitoriosos. Mas para a sociedade norte americana, a cicatriz maior não foi a da humilhação, mas sim a da perda de milhares de vidas.

Ao invadir o Iraque, Bush desprezou a diversidade étnica, cultural, religiosa e política daquela sociedade, e, numa visão arrogante e míope, própria do caráter político norte-americano, julgou-se tratar apenas de eliminar Saddam Hussein, para que todo o país caísse aos seus pés. Não foi o que aconteceu.O poder de reação dos grupos nacionalistas e religiosos sunitas, partidários de Saddam, tem se mostrado mais forte do que era esperado pelo governo Bush. As tropas norte-americanas não conseguem impor a ordem no país, e muitos já pensam se não seria mais sensato simplesmente retirar-se do país.

Bush parte enfraquecido para as eleições legislativas, e tendo diante de si um dilema: o que fazer com o Iraque?Aumentar ainda mais o efetivo militar na região poderia significar o mergulho num turbilhão sem fim, com o aumento do número de mortos e de feridos. A retirada total das tropas poderia significar o reconhecimento da inutilidade da empreitada e a desmoralização política de Bush e de seu partido, conduzindo certamente, não apenas à perda das eleições legislativas deste ano, mas também a perda da presidência daqui a dois anos. O fato é que, passada a força do impacto emocional casado pelos atentados de 11 de setembro, volta à tona a lembrança dos anos amargos da guerra do Vietnã.
011106

segunda-feira, outubro 30, 2006

O POVO E A MAIORIA DO POVO


A MAIORIA DO POVO
Não devemos tomar a parte pelo todo, mesmo que esta parte seja a maior.De fato, a maioria do povo brasileiro preferiu continuar com Lula. Não a totalidade do povo. Fora aqueles que votaram em branco, anularam seus votos ou não compareceram à votação, cerca de 39% dos eleitores ao votar em Alckmin, deram, de certa forma, o seu voto de desconfiança ou de repúdio a Lula. E isto não é pouco. E é sobre estes 39%- 37,5 milhões de votos - que recusaram um novo mandato a Lula, que reside a certeza de que nem tudo está perdido.

Mas a decepção provocada pelo resultado das urnas fez com que muitos partissem para uma avaliação equivocada dos fatos, onde não faltou uma boa dose de preconceito.Como exemplo, publico abaixo duas mensagens colhidas ao acaso, e que mostram uma boa dose de indignação com a vontade da maioria: a primeira é de um leitor do jornal O TEMPO, publicada sábado; a segunda é do jornalista Reinaldo Azevedo, publicada ontem no seu blog. Ambas contêm equívocos flagrantes.. Primeiro porque tomam a maioria como a totalidade, segundo porque, ao generalizar, voltam a reproduzir o velho preconceito de que o povo- tomado em sua totalidade, insisto – não sabe votar. E ao ir mais além ao sugerir uma espécie de democracia das elites, como faz Reinaldo.

Como, por enquanto, não foi possível inventar um sistema menos ruim do que a democracia, ou uma democracia que prescindisse da presença do povo, temos que nos conformar com a vontade soberana da maioria, mesmo sabendo que esta maioria foi vítima de um estelionato eleitoral construído sobre farsas e mentiras e sobre a compra de suas consciências. O que a vontade da maioria não pode sobrepujar são as leis e as instituições. Se ficar provado, por exemplo, que o segundo mandato de Lula foi conseguido às custas da prática da ilegalidade eleitoral, ele deverá ser destituído do cargo, por maior que tenha sido o número de votos que o elegeu e por mais que a vontade da maioria insista para que ele permaneça.

Se a maioria, por infelicidade nossa, optou por Lula é porque, dentro de suas limitações, viu nele virtudes que nós não enxergamos, ao mesmo temo em que não viu os defeitos que nós cansamos de ver. Pode parecer simplista demais, mas assim foi o que aconteceu.Lula provou ser um líder oportunista, esperto e demagogo, o que no atual estágio de desenvolvimento político da maioria do nosso povo é uma virtude, no sentido que facilitou a sua chegada ao poder.

Afirmar que a maioria do povo não tem uma bagagem de informação e um nível de educação política desejável faz mais sentido do que simplesmente dizer que “o povo” não sabe votar. A solução está no aperfeiçoamento da cidadania. O instrumento para isto está na revolução da educação.Pela educação, e somente por ela, poderemos fazer com que todas as mazelas apontadas por Aggeo Lúcio sejam reduzidas e todas as mazelas praticadas por um governo sejam reconhecidas e repudiadas. Não como acontece agora,perdoadas e consagradas.
301006

========================================
O “POVO”

1-POVO BRASILEIRO
Por Aggeo Lucio G. Ribeiro

Povo que destrói cabines telefônicas públicas, picha paredes e muros de propriedades particulares,incendeia ônibus,rasga poltronas de cinemas, destrói laboratórios de pesquisas, invade e queima fazendas e mata o gado, ataca e destrói dependências do Congresso, elege Collor, barbalho, Sarney, Maluf, Clodovil e outros congêneres, queima e destrói florestas, polui rios e lagos com lixo e produtos tóxicos, coloca meninos no tráfico e meninas na prostituição, dá dinheiro para falsos pregadores da fé, guerreia em estádios de futebol, destrói escolas públicas, queimando livros e computadores, merece esta qualidade de governo que temos atualmente e que certamente será reeleito.

-----------------------------------------------------------------
É LULA DE NOVO COM A CULPA DO POVO
Por Reinaldo Azevedo (1)

Um monte de gente — tentando disfarçar o sotaque petralha — me cobra: “Você não falou da entrevista de FHC em que ele se diz contra o impeachment de Lula”. Em primeiro lugar, o ex-presidente fez a defesa da legalidade. Não pregou impeachment como mote de luta política; não propôs um “Fora Lula”, a exemplo do que setores do petismo fizeram com ele: “Fora FHC”. A começar de Tarso Genro, o “republicano”. Em segundo lugar, abordei, sim, a questão num longo texto (clique aqui quem não leu). Quanto à diferença entre Lula e Alckmin, o que escrevi (e basta recuperar) é que acho que ela tende a ser menor do que indicam os institutos. Mas é só impressão. Não tenho como justificar tecnicamente. Ibope e Datafolha estão dentro do esperado.

Há certo tipo de leitor que só lê o que quer. Também deixei claro aqui umas 300 vezes que pesquisas sobre debates reproduzem as preferências eleitorais. O eleitor quase sempre acha que o seu candidato venceu. E até usei o exemplo de Serra e Lula em 2002: o tucano foi melhor em todos em embates, mas os levantamentos apontavam o contrário. Afirmei que Alckmin venceu os debates da Band, Record e Globo. E que Lula faturou o do SBT. Dava, como sempre, a minha opinião, não a do “povo” — a maioria diria, é claro, como disse, que Lula mandou bem.

Eu não tenho o menor interesse na opinião do povo. Quase sempre ele está errado. Aliás, a opinião de muito pouca gente me interessa. A democracia sempre foi salva pelas elites e posta em risco justamente pelo “povo”, essa entidade. Vai acontecer de novo. Lula, reeleito, tende a levar o país para o buraco. E uma elite política terá de ser convocada para impedir o desastre.

O “povo”, nos assuntos realmente importantes, não apita nada. É uma sorte! Aqui e no mundo inteiro. Não apitou quando se fez o Plano Real. Ou nas privatizações. Teria votado contra a venda da Telebrás ou da Embraer. Junto com Lula. Estaríamos sem telefones e sem produzir aviões. Os petralhas sabem: fico aqui queimando as pestanas, tentando achar um jeito de eliminar o povo da democracia. Ainda não consegui. Quando encontrar, darei sumiço no dito-cujo em silêncio. Ninguém nem vai perceber... Povo pra quê?
(1)-http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/

domingo, outubro 29, 2006

MOMENTO TRISTE

Mas a vitória de Lula por um número expressivo de votos não significa uma absolvição pelos crimes de seu governo, nem um passaporte para a continuação, no próximo governo, dos atos ilegais e antiéticos do seu atual governo. É bom que ele não esqueça que uma parcela significativa da população, que votou em Alckmin, repele este tipo de comportamento e quer que o Brasil seja passado a limpo.


Provavelmente pela primeira vez na História do Brasil a vitória de um candidato à presidência, entre aqueles que se preocupam com os valores éticos e morais na política, é motivo muito maior de tristeza, preocupação e cautela do que de comemoração. É óbvio que os partidários da candidatura de Lula devem estar eufóricos, pois o seu candidato partiu do fundo do poço em que parecia metido em meados do ano passado, para uma vitória significativa sobre o candidato oposicionista. Mas para eles é difícil explicar o que esta vitória significa em termos de aperfeiçoamento político do País.

Envolvidos pelo discurso “anti-elite” que sobrepujou o discurso “pela ética na política”da oposição, a maioria dos eleitores optou pela falácia petista de que Lula é o único capaz de acabar com as desigualdades neste país. Enfim, uma vitória do povo sofrido contra a elite malvada. Convencidos de que no Brasil existe uma elite egoísta que só quer ver a caveira da massa excluída – sem que lhes fosse explicado bem se desta elite faz parte o governista J Sarney ou o oposicionista ACM – os eleitores de Lula o escolheram como uma espécie de messias capaz de tir´-lo do cativeiro e conduzi-lo à terra prometida da igualdade social.Poucas vezes o Brasil assistiu um trabalho tão bem feito de manipulação das massas e de compra de consciências com o dinheiro tomado da classe média e transferidos para o bolsa família e outros programas assistencialistas.

Este é, sobretudo, um momento triste. Mais triste, porque sabemos que se deu pela vontade da maioria do povo, enganado e iludido por uma propaganda maniqueísta onde não faltaram mentiras, manipulação de consciências,tentativas de desmoralização dos adversários e uso e abuso da máquina pública.

Já tivemos outros momentos em que a maioria iludida e enganada consagrou nas urnas candidatos que, no governo, mostraram-se verdadeiros desastres, como foram os casos de Jânio Quadros e Fernando Collor Mas a grande diferença é que enquanto estes candidatos ainda não tinham sido experimentados , Lula foi reconduzido ao poder, após quatro anos de poder em que as evidências de inaptidão para o cargo e suspeitas de cumplicidade com esquemas corruptos.já seriam mais do que suficientes para que fosse submetido a uma humilhante derrota.Não foi. Pelo contrário, foi “premiado”com uma votação expressiva.

Mas a vitória de Lula por um número expressivo de votos não significa uma absolvição pelos crimes de seu governo, nem um passaporte para a continuação, no próximo governo, dos atos ilegais e antiéticos do seu atual governo. É bom que ele não esqueça que uma parcela significativa da população, que votou em Alckmin, repele este tipo de comportamento e quer que o Brasil seja passado à limpo.E esta parcela da população já será suficiente para cobrar do novo governo Lula seriedade e compromisso com as causas públicas e para exigir que os fatos passados não fiquem vencidos. Se Lula, embriagado pela vitória, optar por um governo fora dos trilhos da democracia e carregado de demagogia populista encontrará resistência dos setores mais lúcidos e conscientes da sociedade.Este será um dever de todos nós.
291006

sexta-feira, outubro 27, 2006

ERROS E ACERTOS

Para muitos, os maiores erros de Alckmin devem ser atribuídos a uma estratégia errada de marketing.Mas não foi apenas isso. Faltou muito mais à campanha oposicionista. Como numa partida de futebol decisiva, faltou ao time tucano unidade, garra, técnica, força no ataque e vontade de vencer. Por seu turno, a campanha petista teve tudo o que faltou na campanha tucana e mais alguma coisa.



Democracia é assim mesmo. Agora não adianta chorar sobre o leite derramado.Lula venceu tanto pelas virtudes quanto pelas mazelas de sua campanha, e Alckmin perdeu pelos sucessivos erros de sua campanha .A passagem de Alckmin ao segundo turno entusiasmou seus partidários e criou a falsa impressão de que dali para frente ele só teria a crescer, conquistando novos eleitores, órfãos das candidaturas de Cristovam Buarque e Heloisa Helena, enquanto a Lula só restava o caminho ladeira abaixo. Aconteceu o contrário.

Ao iniciar o segundo turno, iniciou-se também a série de erros cometidos pelo candidato tucano. Perdeu a semana inicial em busca de apoios políticos equivocados e insignificantes, como o do casal Garotinho no RJ, que além de não acrescentar nada em sua campanha provocou uma cisão entre os seus aliados cariocas.A esperada recusa do apoio de Heloisa Helena a qualquer dos candidatos afetou menos do que o esperado, e negado, apoio do PDT de Cristovam Buarque, que também preferiu declara-se neutro. Ponto para Lula.

Contribuiu para esfriar a campanha também o adiamento, com a concordância do candidato, da propaganda eleitoral na TV e no rádio que somente teve início no dia 12 de outubro, o que só favoreceu a Lula, que teve uma semana de exposição constante na mídia por força de seu cargo de presidente. Lula e os petistas agradeceram a generosidade tucana e souberam aproveitar bem este tempo.

Contribuindo para deixar Alckmin sempre na defensiva, Lula e sua turma partiam para o jogo duro e rasteiro, e tratavam de espalhar boatos. Como os que diziam que , caso vitorioso, Alckmin retomaria a política de privatizações- o que assustou boa parte da classe média – e acabaria com o Bolsa Família- o que espantou mais ainda a classe pobre. Tratava-se, evidentemente, de um factóide lançado pelos petistas sobre a candidatura tucana, mas para uma partido que no governo fez coisa muito pior, a onda de terror eleitoral significava nada mais do que um golpe abaixo da linha da cintura. E seu certo. Os tucanos pegos de surpresa,perderam um enorme tempo se defendendo de algo que, aparentemente, não estavam em seus planos de campanha.

Mais uma vez,usando a arma da esperteza , a campanha de Lula insistiu em associar Alckmin ao governo de FHC. O candidato oposicionista poderia ter aproveitado o ensejo para explicar que sentia orgulho de muitas das realizações de FHC. Afinal, foi no governo tucano que a estabilidade monetária foi conquistada, a renda média do brasileiro teve um aumento real, a reforma da previdência, tão necessária, foi iniciada, e a Lei de Responsabilidade Fiscal foi criada. Ocorreram avanços na área da educação e da saúde, e a criação de programas de assistência social – Bolsa Escola, Programa de Erradicação do trabalho Infantil- exigiam uma contrapartida de quem recebia estes benefícios.Em vez de assumir o lado positivo do governo anterior, Alckmin continuou caindo nas armadilhas construídas pela campanha petista, limitando-se a permanecer na defesa.

Finalmente, a campanha televisiva foi outro aspecto decisivo na vitória do petista. Tendo como alvo principal o eleitor médio, cuja fonte de informação política não vai além do JN da Globo, a campanha de Lula no rádio e na TV foi muito mais bem construída e direcionada que a do adversário.O marketing petista funcionou bem ao apresentar realizações e projetos carregados com tintas de emoção e de otimismo,enquanto ao programa tucano faltou emoção,criatividade e indignação. Alckmin insistia em reprisar indefinidamente acusações contra o petista. O que funcionou no primeiro turno, mas pareceu cansar no segundo turno. O eleitorado majoritário carecia muito mais de propostas, projetos e promessas, mesmo que a maioria delas parecessem utópicas e enganosas A campanha de Alckmin, sem conseguir convencer em que o seu governo poderia ser diferente, insistiu na mesma tecla do petista – a tecla do assistencialismo- mas o fez sem conseguir transmitir a mesma carga de convencimento da propaganda petista, o que levou a campanha de Lula a criar o bordão “não troque o certo pelo duvidoso”

Os debates cansaram pela repetição dos temas e táticas. Com exceção do primeiro deles, transmitido pela Band, em que Alckmin se apresentou crítico e contundente contra um Lula acuado. Também não ajudaram para o crescimento do candidato tucano porque, em que pese o seu discurso correto, com ênfase no combate à corrupção, transmitiu uma certa dose de arrogância,frieza e provincianismo paulista em contraposição a um Lula mais relaxado, irônico e debochado, porém dotado de uma maior empatia e sabendo como poucos apelar para a emoção.Como o que vale na TV é a imagem muito mais do que as palavras, a de Lula, muito mais conhecida e com uma dose maior de carisma , mesmo a dizer mentiras, parece ter seduzido a maioria dos telespectadores.

Para muitos, o maiores erros de Alckmin devem ser atribuídos a uma estratégia errada de marketing.Mas não foi apenas isso. Faltou muito mais à campanha oposicionista. Como numa partida de futebol decisiva, faltou ao time tucano unidade, garra, técnica, força no ataque e vontade de vencer. Por seu turno, a campanha petista teve tudo o que faltou na campanha tucana e mais alguma coisa: teve o uso e abuso da máquina pública,teve a montagem do falso dossiê antitucano, teve a ação eleitoreira da PF no sentido de retardar as investigações a respeito do dossiê ,teve uma unidade de propósito entre os militantes e os aliados,e , principalmente,teve Lula , que mesmo tendo o seu governo acossado por denuncias, conseguiu convencer a muitos de que era inocente e reforçar a imagem de homem do povo , pai dos pobres. Uma mistura de Moisés com Robin Hood, capaz tanto de tirar dos ricos para dar aos pobres, como de levar o povo carente à terra da fartura.


Mas, como disse no início, democracia é assim mesmo. E eu continuo achando que a pior democracia - esta com Lula no poder, por exemplo – é melhor do que a melhor das ditaduras. Pelo menos a democracia permite que os cidadãos de bem continuem o seu trabalho no sentido de aperfeiçoa-la e de faze-la cada vez melhor,. Para aqueles que viam o Brasil algo além da mediocridade prometida por Lula ,a atual batalha está perdida, mas a guerra mal começou. Vai continuar no segundo mandato de Lula.Não usando as armas do golpismo, como apregoam os petistas,. mas usando as armas da democracia como a Imprensa, o Ministério Público, o Congresso, as organizações civis, as manifestações públicas de protesto e sem sair dos trilhos da Constituição.

O início de um novo mandato não terá o dom de apagar as manchas deixadas pelo mandato anterior. E é para o bem deste novo mandato e da democracia que estas manchas sejam expostas, esclarecidas e eliminadas. Lula pode se preparar. Não terá um caminho fácil. Poderá optar entre trilhar o caminho da ética e da democracia ou continuar no caminho do autoritarismo e da corrupção. De sua escolha dependerá a reação dos setores lúcidos da sociedade. No próximo dia 29 poderá conquistar mais de 60% dos votos,mas certamente haverão mais de 30% que conhecem as suas mazelas e não se deixarão seduzir pelo canto de sereia do sapo barbudo.
271006